14 maio 2012

As Grandes Utopias: o Cristianismo, o Socialismo e o Individualismo

O que define a Europa e o próprio Ocidente é o seu berço cristão, ou seja, um bando de hereges judeus fugindo da perseguição por seus compatriotas acabou espalhando pelo mundo romano a palavra do líder da sua seita. Por que o cristianismo triunfou enquanto outras tantas religiões orientais que chegaram a uma decadente Roma pereceram? Alguns autores dizem que os cristãos criaram uma rede de proteção social aos doentes e desassistidos que se revelou de grande utilidade em um Império Romano em decadência.


O cristianismo pregava que todos eram irmãos em Cristo. Este conceito hoje bastante batido tinha a capacidade de aproximar homens que não pertenciam a uma mesma tribo e irmaná-los em uma hipertribo. Em uma época em que o pertencimento a pequenos grupos sociais era fundamental para a sobrevivência, este elemento foi um importante cimento social.


Muitos duvidam que Cristo tenha ressuscitado, mas é certo que o Império Romano ressuscitou na Santa Igreja Católica Apostólica Romana, que acabou conquistando os bárbaros que destruíram Roma. Esta nova Igreja usou o Império para eliminar seus hereges enquanto o Império usou esta Igreja para obter legitimidade.


Tanto o socialismo quanto o individualismo são doutrinas cristãs. A partir da ideia de irmãos em Cristo, de justiça e de busca de um paraíso para o proletariado, chegamos ao socialismo, enquanto as idéias de salvação individual e livre arbítrio estão na base das doutrinas individualistas. De fato, há quem defenda a ideia que a democracia contemporânea tem suas bases na escolha do presbítero pela Assembléia entre os protestantes, ao invés de remotos modelos gregos. Aparentemente, Weber achava que o próprio capitalismo tinha muito a dever à ética protestante.


O problema da Igreja é o mesmo problema de outras utopias. Nenhum homem está à altura delas. Infelizmente, o Papa não é infalível, Marx tinha o hábito burguês de comer a empregada e os mercados financeiros regulados apenas pela racionalidade individual quase destruíram o capitalismo em 2008.


Afinal de contas, talvez a culpa por espalhar estas utopias não seja de um bando de bêbados e bacantes italianos mas de um bando de pescadores gregos desocupados. Como todos sabem, pescadores tendem a ser mentirosos e talvez Platão não tenha escapado a esta sina. Este culto de alto ideais acabou criando metas tão elevadas que só podem alimentar mentiras e decepções. Quem sabe esta busca pelos ideais acabou nos levando a perder o próprio significado de humanidade?

6 comentários:

Ateu Ignorante disse...

Engraçado, o Epicurismo é anterior ao cristianismo e suas exortações se espalharam pelo mundo antigo, era uma corrente filosófica muito difundida antes e depois de Cristo.

Trecho da Carta a Meneceu, de Epicuro:

8. A causa do bem e do mal está no próprio homem

Por outro lado, a quem consideras melhor do que aquele que tem idéias
santas sobre os deuses, que não tem medo algum da morte, que conhece a fundo
o fim natural, que tenha firme consciência que é fácil realizar e prático alcançar o
limite extremo do bem, enquanto o limite extremo do mal tem tempo e penas
breves? Ou de quem proclama que [o destino], por alguns considerado senhor
absoluto de tudo [...]? [...] em parte acontecem por necessidade [...[, em parte, ao
contrário, pelo capricho da sorte, outros ainda estão em nosso poder, porque se
constata que a necessidade é irresponsável, a sorte é instável, ao passo que aquilo
que está em nós é livre e, por isso, ligado a zombaria e a elogio. Na realidade, era
melhor ater-se ao mito que circunda os deuses, em vez de servir o destino dos
físicos. Com efeito, o primeiro subentende a esperança de aplacar os deuses,
honrando-os; o segundo, ao contrário, conserva toda a implacabilidade do
necessário. [O sábio] não crê que a sorte seja um deus, como pensam os demais
(com efeito, nada é realizado desordenadamente pela divindade), e nem que ela
seja uma causa vaga; com efeito, o sábio [não] pensa que bem e mal, no que se
refere à vida, sejam concedidos aos homens pela fortuna, e que todavia o início dos
grandes bens e dos grandes males se encontre sob a influência dela. Ele pensa
finalmente que é melhor ser desafortunados com um pouco de sabedoria, ao invés
de afortunados sem qualquer sabedoria, porque nas coisas humanas é melhor que
uma reta decisão [não] seja coroada pela fortuna, em vez de [uma decisão errada]
o ser.
Rumina contigo mesmo, dia e noite, estas argumentações e outras ainda
semelhantes a elas, discute também com quem está próximo de tuas posições.

Ateu Ignorante disse...

Por que o livre-arbítrio foi invenção dos cristãos? Que ridículo!

Anônimo disse...

Na VEJA da semana , página 113 e 114:

"Alguns pensadores gregos questionaram a tendência de atribuir tudo aos habitantes do Olimpo. O dramaturgo Eurípides (480-406 a.C) chegou a ponderar em suas últimas obras as pessoas precisam se confrontar com o mal que emana delas próprias, no lugar de sempre responsabilizar os imortais."

Também acho que o Epicurismo era uma escola filosófica muito difundida no mundo antigo, e não havia lugar para destino e intervenção divina nela. "Reta decisão", pensada, é melhor do que agir impensadamente, ainda que com consequências lucrativas.

Francisco Ricardo

Anônimo disse...

A verdade é que o tempo e as formas são apenas ilusões. Tudo o que tem vida faz parte de um único ser. Esquerda, Direita, e todos e quaisquer outros ismos são apenas ilusões. Estaremos sempre combatendo o próximo, tendo nossas opiniões e conceitos. Tudo não passa de ilusão, vaidade das vaidades.

Jonas S.

Anônimo disse...

“O Socialismo é o fantasioso irmão mais jovem do quase decrépito despotismo, o qual quer herdar. Suas aspirações são, portanto, no pleno sentido mais profundo, reacionárias. Pois ele deseja uma plenitude de Poder estatal como só a teve alguma vez o despotismo, e até supera todo o passado por aspirar ao aniquilamento formal do indivíduo: o qual lhe parece como um injustificado luxo da natureza e deve ser melhorado e transformado por ele em um ‘órgão da comunidade’ adequado a seus fins.
Devido a sua afinidade, o Socialismo sempre aparece na vizinhança de toda excessiva manifestação de poder, como o antigo socialista típico, Platão, na corte do tirano siciliano: ele deseja (e em algumas circunstâncias promove) o estado ditatorial Cesário deste século, porque, como foi dito, quer ser seu herdeiro. Mas mesmo essa herança não bastaria para seus objetivos; ele precisa da mais servil submissão de todos os cidadãos ao Estado absoluto, como nunca existiu nada igual; e como nem sequer pode contar mais com a antiga piedade religiosa ante o Estado, tendo, queira ou não, que trabalhar incessantemente por sua eliminação - pois trabalha para a eliminação de todos os Estados existentes -, não pode ter esperança de existir a não ser por curtos períodos, aqui e ali, mediante o terrorismo extremo. Por isso ele se prepara secretamente para governos de terror e empurra a palavra 'justiça' como um prego na cabeça das massas semicultas, para despojá-las totalmente de sua compreensão (depois que este entendimento já sofreu muito com a semi-educação) e criar nelas uma boa consciência para o jogo perverso que deverão jogar.“

Nietzsche

Viu, Jorge?

"até supera todo o passado por aspirar ao aniquilamento formal do indivíduo: o qual lhe parece como um injustificado luxo da natureza"

O socialismo é o anti-intividualismo.

Anônimo disse...

Sem palavras dificeis, simples assim:

Porque Deus amou o mundo tanto,que deu o seu unico filho, para que todo aquele que nele crer não morra,mas tenha a vida eterna.

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