07 novembro 2010

Apologista da droga vende bem no Brasil

Janer Cristaldo


Decididamente, eu vivo fora deste insensato mundo. Leio no Estadão que nestas duas primeiras semanas de novembro - com eventos tão díspares como Fórmula 1, Salão do Automóvel, Mostra de Cinema e shows do Black Eyed Peas, Jonas Brothers e Eminem -, São Paulo vai receber 400 mil turistas, o equivalente a toda São José do Rio Preto, que devem movimentar nada menos do que R$ 385 milhões na economia da cidade. É, de longe, o melhor momento para o mercado do turismo paulistano, que já cresceu 30% neste ano.

Que vem fazer em São Paulo esta gente toda? Fórmula 1 e Salão do Automóvel até sei o que é, mas jamais me ocorreria a ir a algum desses eventos. Até hoje não entendi que tipo de ser humano vai a uma corrida de Fórmula 1. Os carros passam voando onde está o espectador, ele vê só um risco à sua frente. Se ficasse em casa, olhando a televisão, poderia ter uma visão geral da corrida.

Quanto a cinema, confesso que ainda curto. Mas uma preguiça abissal me impede de sair de casa. Deve ser coisa da idade. Há muito desisti de ler ficções e cinema também é ficção. Prefiro catar algum filme interessante na televisão nas madrugadas. Com os televisores de última geração, se pode ter bom cinema em casa sem ter de ouvir gente comendo pipoca.

Quanto a Black Eyed Peas, Jonas Brothers e Eminem, não tenho a mínima idéia do que se trata. Me espanta que tenham público em São Paulo. Vivo fora desse mundo. Lembro que há uns vinte anos, uma sobrinha veio do Rio Grande do Sul para ver um show de um tal de U-2. Que é isso? – perguntei. Ela se escandalizou. Eu, jornalista, não sabia o que era o U-2? Não sabia, não. E não sentia falta alguma por não saber.

Sei que são coisas que atraem multidões. É o máximo que sei. Ora, abomino multidões. A multidão máxima que admito é o público de uma ópera. Em verdade, não é bem o que se chama de multidão. E muito menos é uivante. Quando vejo na televisão uma massa de jovens balançando as mãos erguidas, não noto diferença alguma das multidões que saudavam Hitler, Stalin ou Kim Il Sung. Ou o papa. Dá no mesmo. Psicologia de rebanho.

Assim sendo, confesso não entendo essa histeria toda em torno a um cantor septuagenário que está no Brasil, o tal de Paul McCartney. Que se apresenta hoje, em Porto Alegre. Este sei quem é, mas nada me diz. Seguido tenho ácidas discussões com um amigo, para quem os Beatles foram revolucionários. Revolução onde? Meu amigo empunha uma canção de John Lennon:

Imagine que não há paraíso
Isso é fácil se você tentar
Sem inferno abaixo de nós
Acima de nós só o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje

Imagine que não há países
Isso não é difícil de fazer
Nada para matar ou morrer por
E sem religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo pelo hoje


Ora, não venha alguém me dizer que uma letrinha vagabunda dessas provocou alguma revolução. Slogans não provocam revolução alguma, apenas servem para conduzir fanáticos. Não foi a Marselhesa que provocou a Revolução Francesa. O hino serve apenas para excitar ânimos. Revoluções surgem de idéias, de pensamento, não de cançonetas. Não é cantando que não existem infernos (mas paraísos existem) que vamos lutar contra o obscurantismo. Lutar contra religiões exige pensamento, não letrinhas de grupos de rock. Mas é claro que ler um ensaio filosófico cansa mais que cinco minutos de musiquinha.

Imaginar um mundo sem religião é besteirol de adolescente, que ainda não descobriu que a humana estupidez é eterna. Dizem que os Beatles influenciaram minha geração. Se assim foi, eu a ela não pertencia. Sou mais Pedro Raimundo, Inesita Barroso, Miguel Aceves Mejía, Jorge Negrete. Não que tais cantantes tenham me influenciado. Eles me ofereciam música, não ideologia.

Nunca entendi multidões de jovens curtindo canções em língua que não entendem. Qual o percentual desse público que vai ver McCartney entende inglês? Duvido que cinco por cento. Ok, eu gosto de Kalinka, sem entender russo. Gosto do ritmo. Adoro músicas folclóricas, mesmo em línguas que não conheço. Mas folclore nasce de povo. Nada a ver com música mercenária, feita para vender. Jamais veremos multidões fanáticas, com gestos uniformizados, curtindo Kalinka.

Os Beatles fizeram fortuna com seus apelos comerciais. Claro que não escapei de ouvir suas canções, mas elas nada me disseram. O grande legado de Paul McCartney e John Lennon, a meu ver, é a apologia das drogas. Era uma bandeira respeitável nos anos 70. Os Beatles foram os grandes agentes do LSD, cocaína, maconha e congêneres. Hoje, algumas mentes brilhantes estão concluindo que quem consome drogas financia o tráfico e o crime. No entanto, continuam lotando estádios em homenagem aos apologistas da droga.

Tenho boas amigas, de minha geração, que vão ver o beatle macróbio. A elas, minhas desculpas. Mas não posso deixar de dizer o que penso. Terá McCartney estádios lotados, hoje, na Inglaterra? Duvido. Veio ao país dos botocudos faturar os restos de prestígio que lhe resta.

Mais ou menos como aqueles chefs franceses, cujos restaurantes em Paris vivem às moscas. Mas encontram uma clientela ingênua para vender seus peixes caríssimos no Brasil.

38 comentários:

Anselmo Heidrich disse...

Janer,
Quanto ao McCartney na Inglaterra, eu, sinceramente, não sei, pois não me atrai, com exceção de duas ou três músicas. O U2 é um caso especial ("Você Também") tinha, na origem, um sentido militante, pró-Irlanda, católica, o vocalista (chato de galocha hoje) terminava os shows de braços abertos invocando o sinal da cruz e é, entre outras coisas, um militante anti-armas (não sei o que tinha/tem a dizer a respeito do IRA...). Hoje, se tornou figurinha politicamente correta ao extremo. Também não gosto, mas está aí fazendo propaganda e com músicas cada vez mais insossas.

zefirosblog disse...

Há coisa de dois ou três anos, fiz um amigo um pouco diferente no trabalho. Digo diferente porque era um garoto que pensava. Eu devia ter 20 anos, ele uns 17. Como ele dividia a sala do setor onde trabalhava com outras 3 ou 4 pessoas, ele costumava se refugiar na minha sala durante o horário de almoço. Ora, nos outros setores o que vigorava eram músicas sertanejas, a música pop repetitiva mais famosa do momento e coisas do gênero. Na minha sala, onde eu ficava sozinho, isso não entrava. Lá só se ouvia (como só se ouve até hoje) Beatles, Elvis, Wagner, Beethoven, Legião Urbana ou um pouco de rock pesado, mas clássico, como ACDC. Nossa amizade se iniciou basicamente por isso, o garoto era beatlemaniaco e eu também era (ainda sou) grande fã dos garotos de Liverpool.

Esse meu amigo vinha de família católica tradicional. Com o tempo, contudo, de tanto ouvir Imagine, God e outras letras dos Beatles (coisas feitas principalmente pelo John) ele começou a ficar curioso por discutir o assunto. Dessa curiosidade, que baixou as defesas iniciais desse amigo, introduzi ele a gente de leitura tranqüila feito o Dawkins e o Harris. Depois de mais algum tempo, começou a ler Nietzsche e se tornou leitor e fã assíduo teu, Janer. Vinha animado comentar alguma nova polêmica tua ou citar algum argumento teu nas nossas discussões during the lunch break. Não parou por aí. Influenciado por ti, começou a ler Dom Quixote, introduziu o pai a Cervantes e tudo o mais. Nada disso, em todo caso, teria acontecido não fossem os Beatles lançarem o germe desse espírito de curiosidade, questionamentos e romantismo nele.

Quem dá solidez a uma revolução são os livros. O povo, contudo, é imbecil ou preguiçoso, portanto não lê. Coisas simples como músicas, penso eu, são necessárias para inspirá-lo e movimentá-lo. A diferença nos Beatles é que eles serviam tanto para inspirar as massas como para aqueles que queriam ou querem ir um pouco mais longe. Não é incomum você estar no bar com amigos e alguma música deles dar início a uma conversa que vai começar na guerra do Vietnam e terminar numa discussão um pouco mais acalorada envolvendo Marx e o conceito de “guerras justas”.

Que mais não fosse, só pela arte as músicas deles já se justificam. Não conheço melhor canção para lembrar de um antiga namorada (ou para um fim de namoro) do que Something, ou que With A Little Help From My Friends antes de sair com os amigos, ou mais nostálgica que In My Life, entre tantas outras.

A propósito, há um filme bacana, meio que musical, que mostra a influência dos meninos de Liverpool nos seus fãs. Chama Across the Universe. Vou tentar mandar para você, por mais que você talvez não goste.

Um abraço,

Anselmo Heidrich disse...

É verdade que a rota que tomamos é extremamente variada. Não há uma lógica. Da mesma forma, podemos ter uma música erudita inspirando um nacionalista a sedimentar suas idéias já preconcebidas.

zefirosblog disse...

Alguma relação entre a inspiração e a idéia sedimentada há de existir, penso. Wagner pode não ter sido um racista, eugenista e nacionalista tão entusiasmado como Hitler, mas tinha sua dose de chauvinismo e antijudaísmo. McCartney e Lenon podem não ter sido dos maiores teóricos, mas também tinham uma certa noção de liberalismo e inconformismo, ao menos o suficiente para lançar alguns dos seus fãs em determinado caminho.

Anselmo Heidrich disse...

Te entendo, mas acho que no fundo tudo depende de quem recebe a idéia. Lynyrd Skynyrd não faz nenhuma apologia ao separatismo ou racismo, mas não é raro encontrarmos "lixo branco" que o adore só porque enaltece o sul (dos EUA). Analogamente temos muito separatistas que glorificam músicas sulistas do Brasil, cujos autores podem não ter escrito nada contra seus vizinhos do norte.

Catellius disse...

Bom, nas letras dos Beatles, salvo em uma ou outra, não se sente toda essa apologia à droga, ainda mais para ouvidos de hoje. São curiosas, no máximo, não perigosas. Mesmo músicas como Lucy in the Sky With Diamonds, talvez um modo de dizer LSD, têm letras inocentes demais. Amiúde falam de amor e outras banalidades, ou não falam sobre nada, de tão psicodélicas (I’m the Walrus, que é excelente). E mesmo assim, não há sentido em eu deixar de ter prazer com o Édipo Rei porque descobriram a partir de fontes seguras que Sófocles era um serial killer. Posso dizer se Garcia Márquez é bom ou ruim lendo seus livros, não sua biografia. A partir dela posso dizer que é um castrista safado e hipócrita. Claro que o livro de um comunista pode estar recheado de lixo ideológico e por isso ser intragável e perigoso - porque o comunismo ainda é uma ideologia presente. Mas não vejo problema em gostar de Riefenstahl nos dias de hoje, embora fosse uma obrigação execrar seus filme nos anos 40, no calor da situação.

Voltando aos Beatles, acho que o mundo pedia algo do gênero e eles vieram a reboque da revolução sexual e da emancipação da mulher. Eles são consequência, não causa. A pílula, por exemplo, protagonizou uma revolução sexual muito maior do que letrinhas de música ousadinhas. O homem leva os problemas para fora de casa, engravida outras por aí; a mulher, filha ou esposa, traz o problema para dentro de casa - o bastardo, no caso. A partir do momento em que diminui o medo de que isso aconteça, a sociedade relaxa um pouco na repressão sexual e músicas ousadinhas passam a receber uma cara feia dos velhos, no máximo. E os fãs e artistas parvos, com a bênção dos que lucram com a “revolução”, acham que estão protagonizando algo que ficará para a história, hehe.

Catellius disse...

Se de todos os grupos de rock dos anos 50 até hoje sobrarem 3 ou 4, daqui a 200 anos, será muito. Eu fico maravilhado com a qualidade de compositores como Kalliwoda, Wilms, Spohr e uma miríade de outros hoje esquecidos. Leia a biografia de cada um desses, veja com quem estudou ou para quem deu aula para ir atrás de alguma coisa que professores ou pupilos compuseram e ficará surpreso ao se deparar com músicas colossais, vigorosas, perfeitas na forma. Compositores que dedicaram toda sua vida à música, gozando de fama e influência em seu tempo, são ilustres anônimos nos dias de hoje. O tempo é implacável.

Não interessa se a música dos Beatles vendeu muito e eles eram pop. Lançar por ano dois álbuns em que quase todas as músicas são boas e fazem sucesso não é para qualquer um. Há melodias melhores que Kalinka (Girl, Michele – estas ao espírito chanson - e N outras), letras melhores (quanto à letra de Kalinka, melhor não conhecê-la mesmo, porque é estúpida), há fortes elementos absurdamente britânicos em Piggies, Penny Lane. E há, claro, uma colcha de retalhos de estilos, do vaudeville de Good Day Sunshine ao blues, folk, country, soul, rock, o que mostra que eram um pouco prostitutos mesmo. Mas eram talentosos.

Enfim, grupos tentam atingir as marcas dos Beatles e não conseguem, tentam se vender e não conseguem, se prostituir ao mercado, produtores tentam criar em laboratório grupinhos pop para estourarem e nem sempre conseguem. Na época dos Beatles a concorrência era imensa. Centenas de grupos emplacavam no máximo uma ou duas músicas, como o The Animals. E havia a música comercial antigamente também, encomendada por diretores de ópera. Rossini, Donizetti e outros faziam música comercial. O “Va Pensiero” do Nabucco de Verdi foi também um hino revolucionário cantado pelas massas contra a ocupação austríaca na Itália. Verdi era tratado como “Pop Star”. Na estréia de Otello sua carruagem foi carregada por quilômetros por uma multidão ensandecida, que passou a madrugada em frente à sua casa cantando trechos de suas óperas a plenos pulmões. Na Itália, multidões ruidosas assistiam às óperas falando durante as árias, comendo, vaiando, pedindo bis.

Prefiro ópera e música clássica em geral a rock e outras musiquinhas ritmadas, que beiram ao artesanato, de tão repetitivas, mas, dentro de seu estilo, os Beatles foram muito bons e não há como lhes tirar os méritos. Mais fácil dizer “não simpatizo com nada que agrade as massas” ou “não gosto de rock”. Mais fácil.

Janer disse...

Caros:

apenas estou dizendo que se os Beatles influenciaram minha geração, a mim não disseram nada. Mal os percebi. E deles não sinto falta alguma.

Anselmo Heidrich disse...

Analogamente, um Judas Priest, tem uma letra que o levou ao banco dos réus por incentivar o suicídio. Se concordarmos que sua letra foi a causa do suicídio (se não me engano de dois jovens), qualquer sutileza passaria também a ser alvo de processo. Na minha opinião (óbvia) o suicida já é predisposto, pois estímulos não faltam por aí...

Anselmo Heidrich disse...

Desculpe Janer, só agora vi teu comentário final: não se sinta criticado por uma opinião própria, eu mesmo, apesar de gostar (muito) de rock não acho que seja um estilo que prescinda de outros anteriores. Aliás, se não fosse a evolução da música ocidental clássica, o pouco que se faz hoje não existiria. Mas, confesso que sou leigo na matéria...

Raphael (Zéfiros) disse...

Por falar em Imagine, salvo engano é o Dawkins quem comenta uma curiosidade interessante sobre a letra e seus efeitos. Em certas regiões mais conservadoras nos EUA há relatos de rádios que, quando não suprimiam, substituíam a parte de “and no religion too” por “and one religion too” na música do John.

Anselmo Heidrich disse...

Como teriam feito isto?

Agora, cá entre nós, esta letra é muito boba. Primeiro porque a paz do jeito que a descreve é uma quimera, segundo por que mesmo sem o conceito de 'deus', religiões sempre existirão.

Raphael disse...

É uma letra romântica. A maior parte do romantismo, no fundo, é ingênuo e bobo. Mas não sei como as rádios poderiam ter feito a alteração, também pensei nisso quando li a história.

Outra menção bem divertida à música aparece no Forrest Gump. Estou rindo apenas por lembrar. Se me recordo bem, o Forrest acaba de voltar da China por conta de um campeonato de tênis de mesa que estava disputando. Graças a isso, é convidado para um desses talk shows junto com o Lennon. Em determinada altura da entrevista, o Forrest diz algo como “ you know, in China they have no possessions” coisa que choca a platéia e o apresentador, porém faz o John (sentado ao lado do Gump) fazer uma expressão bastante pensativa. Mais algum tempo e o Forrest diz “yeah, and no religion too”. O Apresentador, ainda mais espantado, diz algo como “Oh, that's hard to imagine”, o que é a deixa para o John abandonar a expressão absorta e intervir dizendo “You know, it's easy if you try”

Raphael disse...

Prova de que minha memória é péssima, encontrei o diálogo. Diferente de como eu descrevi, mas ainda mais engraçado:


Dick Cavett: Here he is, Forrest Gump. Right here. Mr. Gump, have a seat. Forrest Gump, John Lennon.

John Lennon: Welcome home.

Dick Cavett: You had quite a trip. Can you, uh, tell us, uh, what was China like?

Forrest Gump: Well, in the land of China, people hardly got nothing at all.

John Lennon: No possessions?

Forrest Gump: And in China they never go to church.

John Lennon: No religion, too?

Dick Cavett: Ah, it's hard to imagine.

John Lennon: Well, it's easy if you try, Dick.

Forrest Gump: [narrating] Some time later, that nice young man from England was coming home to see his little boy, and he was signin' some autographs when, for no reason at all, somebody shot him.

[John Lennon's picture fades into snow.]

Catellius disse...

You may say
I'm a dreamer
But I'm not the only ONE

Músicas são gravadas em canais separados. Tirar apenas a voz em um trecho é fácil. Na própria música o John Lennon canta "one", o que torna fácil copiar e colar por cima do "no" (religion) com a voz do próprio cantor. Caso a rádio não tenha a música em canais separados o enxerto é muito pequeno para ser notado por ouvidos incautos. Bom, ao menos nos dias de hoje essas músicas estão todas disponíveis em canais separados. Por exemplo: Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band em canais separados. Altere qualquer coisa, mescle tudo e voilá.

Abs

Anselmo Heidrich disse...

Este filme é ótimo, Zéfiro. Com ele (e o Filadélfia), Tom Hanks provou quão bom ator é. Aliás, não somente... Sua série "Big Love" é genial, o ponto de vista interno a uma seita fundamentalista mórmon, o ponto de vista que legitima a poligamia.
Quanto às letras, tem uma do Rush, que é das preferidas do público que eu particularmente acho o suprasumo da ingenuidade, Closer to the Heart:

"Philosophers and ploughmen
Each must know his part
To sow a new mentality
Closer to the heart, well closer to the heart"

Se pensarmos que cada profissão ou atividade deve cuidar de "sua parte" para criar uma nova realidade, então estamos ferrados. Isto é argumento tecnocrático, anti-democrático. Claro que dá para entender o que Neil Peart quis dizer (o baterista-letrista é ótimo em suas poesias, no geral), mas tomada ao pé da letra, a letra da música tem suas incongruências.

Claro que não deixo de ouvi-la ou gostar só por isso, afinal é só uma letra de música. Esta noção é que tem que se ter, é diversão, não uma tese de doutorado. Por isto mesmo prefiro as letras mais humildes, que não tratam de grandes questões históricas, mas do simples cotidiano. Ian Anderson, do Jethro Tull disse uma vez que não gostava dessas letras (políticas) porque ficavam desatualizadas. E não só isto, podem se mostrar equivocadas mesmo em seu contexto histórico (como o Stray que elogiou o maoísmo). Embora o flautista-vocalista já tenha criticado George W. Bush em seus shows, que eu saiba não o faz em suas letras, ao contrário do New Model Army que já foi proibido de tocar nos EUA por seu sucesso, 51th State of America.

Anselmo Heidrich disse...

Desculpe, Raphael, respondi pensando ser o Zéfiro, quando comentei teu último post.

Raphael disse...

Sou eu mesmo, Anselmo.

Sgt. Pepper's é fera. Mesmo que as músicas não fossem boas (e são, além de estarem repletas de interpretações diferentes para explicar suas origens, como a Lucy in the sky with diamonds, que o Catellius citou, uma vez que alguns dizem que ela fala de LSD, outros que foi inspirada num desenho ou coisa assim que o filho do John fez de uma amiga)as teorias em volta da própria capa do disco seriam divertidas por si só.

Anselmo Heidrich disse...

Tocaste num ponto excelente: as capas, que por si só são um show a parte. Capas dos anos 60-70 são maravilhosas. Saudosismo demais, embora eu mesmo já tenha sido um órfão desta "era".

Anônimo disse...

Tirando o lance das drogas ou outro vício qualquer,mesmo absinto,não se pode negar que,dentro do seguimento,faziam as boas,as melhores do gênero.O sucesso veio muito mais pelas baladas românticas do que pela fase mais experimental e final da carreira.Concorrentes da época,mas sem a mesma qualidade,a meu ver,seguindo numa linha mais hard rock e hard drugs,os Rolling Stones bem merecem as críticas,tanto do ponto de vista das drogas como da estética musical.
Talvez Janer alivie a antipatia que tem por quase tudo que venha do inglês(espero que Shakespeare se salve,rsrs) - e nisso se parece muito com os antiamericanistas de plantão - se souber que um gênio como Yehudi Menuhin apreciava os Beatles, elogiava a competência musical dos rapazes, que entendiam de harmonia de composição.
O mesmo não dizia dos Rolling Stones.Para ele estes eram o horror estridente elevado ao máximo.
Acho que de música ele entendia...
Mas gosto é gosto.Se não foi apresentado e naqueles tempos era algo bem plausível,ainda mais tão longe de centros como Rio e São Paulo,não há razão pra polêmicas maiores.Eu,por exemplo,detesto tudo que seja em espanhol e o desconforto aumenta quando os hermanos invadem Floripa.Fazer o quê?C'est la vie...


Lia

Anselmo Heidrich disse...

Quando os 'hermanos' invadem Florianópolis sinto este lugar se civilizar um pouco.
Eu não gostava de música nordestina, com exceção de Zé Ramalho, até que fui ao Nordeste, passei um memorável carnaval em Olinda e voltei comprando todo disco que encontrava do Alceu Valença. Eu também nunca me vi ouvindo música em italiano, até que conheci grupos como o Premiata Forneria Marconi e Banco del Mutuo Soccorso. Quando jovem, chamei Nei Lisboa, um conhecido músico porto-alegrense de 'trouxa' a uma amiga comum, mas para que ele ouvisse. Hoje devo ter quase todos seus discos e o tempo se encarregou de mostrar quem era o trouxa. Estes e muitos outros casos me mostraram quão 'volátil' pode ser um gosto musical, o que não quer dizer que não hajam limites. Acho que ainda vou levar algum tempo para aprender a gostar do Bonde do Tigrão...

Anselmo Heidrich disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anselmo Heidrich disse...

Desculpa aí pessoal, esse trem tava lento e cliquei novamente.

Anselmo Heidrich disse...

"...que não haja limites..."

Anônimo disse...

"Quando os 'hermanos' invadem Florianópolis sinto este lugar se civilizar um pouco. "

Anselmo,
Não deve morar aqui pelo jeito...
E,definitivamente,os que vêm pra cá não são civilizados.Não considero civilizado andarem pelados,bêbados,drogados,perturbando sossego alheio.Nem promoverem a
barbárie no trânsito,apostando na impunidade que a fuga(volta) aos seus redutos favorecem...

Se considera que tais bandos selvagens são mais civilizados dos que os que aqui nasceram,moram,vivem,ainda que muitos sejam de outros estados e cidades,sinceramente,seu conceito de civilização deve ser troglodita...
Se mora aqui eu não sei.Não procurei saber nem esclareceu.Porém, se não é daqui,veio,viu e não gostou,ótimo!Não volte.Se não é daqui e não gosta,nada obriga a ficar,a menos que cumpra pena em algum presídio.Não parece ser seu caso, "per supesto".

"Civilizar um pouco" vale dizer que nada é civilizado.
Baseado em quê?comparado com quê?"seu" estado ou "sua" cidade?
Argentina?Porto Alegre?Duvido muito que conheça toda a Argentina,nem mesmo todo o RS(donde se salva apenas Gramado),talvez conheça Buenos Aires de agència de turismo e olhe lá.
O IDH de Floripa anda muito bem obrigada.Se é isto que considera incivilizado.
Poderia dizer que Porto Alegre ficou mais civilizada
no pouco tempo que passei lá,como turista.Não via a hora de sair daquele calor insuportável sem o conforto de praias lindas ao alcance de um olhar.Pior ainda a sensação terrível se ser espreitada pelos bandidos,punguistas em pencas,que não me pareceram muito civilizados,mas não creio que o lugar,como um todo,seja aquilo que vi.Não diria que Porto se civilize
com invasões de 'hermanos' e que os locais sejam todos selvagens bárbaros.Talvez POA não seja a menina dos olhos dos hermanos.De fato,não vi nenhum por lá para poder dar um parecer tão 'técnico' sobre os efeitos civilizatórios deles sobre os locais.
Mas dou-lhe inteira razão se a Floripa incivilizada e selvagem que encontrou foi aquela com certo sotaque "bah,chê" que há muito eliminou os carijós tansos.Eu mesma me surpreendo quando tento achar florianopolitanos verdadeiros e só os acho em livros e outras cidades próximas...Curiosamente,acontece o mesmo em Sampa quando tento conhecer
o verdadeiro paulistano.Sumiram todos?viraram coisa de museu de antropologia?Foram 'civilizados' pelas ondas migratórias?Per supuesto que si,estou a "veire'...

Abraços floripanos pro cê,mizifio,de uma muito civi
lizada e nada folclórica,nada manezinha,menos ainda prenda ou chica.

Menos,menos...Dizer que hermanos civilizam alguma coisa é o mesmo que dizer que Rolling Stones ensinaram música a Vivaldi.

kisses***
Lia

Anselmo Heidrich disse...

Desculpe Lia, mas infelizmente eu moro no norte da ilha. E gosto muito de SC, mas dessa cidade, que não merecia ser capital (ao contrário de Lages), não. Antes de mais nada, tu tens razão sobre PAlegre, sou de lá, mas quatro gestões de PT e uma gestão no governo estadual acabaram com aquela simpática cidade.
O problema com Fpolis, de geografia indiscutivelmente bela, é o ordenamento urbano (nem falo de planejamento...), no qual não se respeita o conceito de propriedade privada muito bem e, portanto, a base do que entendo por civilização. Além disso, claro, tenho certa urticária por "cultura de praia", mas isto é subjetivo.
Fique tranquila, pretendo deixá-los em breve e guardar na memória as belas paisagens e, de vez em quando, voltar para recolher um dos muitos cães que os florianopolitanos abandonam nas ruas.
Uma dica, faça algo por tua cidade, pois pelo que vejo, em 10 anos ou pouco mais será uma RJaneiro anã.

Janer disse...

Era sábado e eu flanava pela Conselheiro Mafra, em Florianópolis, rumo à Livraria Catarinense, disposto a entregar-me àquele esporte que Mário Quintana batizou como a ronda das lombadas. Naquela manhã, minha ronda foi das mais produtivas. Ou melhor, nem foi ronda, foi coup de foudre. Já na primeira estante, enamorei-me perdidamente por uma belíssima edição de "Um Estudo da História", de Toynbee, publicada pela Martins Fontes em co-edição com a Universidade de Brasília, trabalho que honra o nível de produção gráfica de qualquer país civilizado. Minha ronda acabou ali. Paguei cinco-mil-cruzados-louvado-seja-Machado e saí de Toynbee em punho, com a sensação de tê-lo ganho de graça.

Na nona parte de seu ensaio, Toynbee se propõe estudar os contatos entre civilizações no espaço e os conflitos daí decorrentes. Descobre o historiador que as civilizações "agressivas" tendem a estigmatizar suas vítimas como inferiores em cultura, religião ou raça. A parte ofendida reage, seja tentando forçar-se a um alinhamento com a cultura estrangeira, seja adotando uma postura exageradamente defensiva, reações estas que lhe parecem pouco sensatas. "Os encontros provocam terríveis animosidades e criam enormes problemas de coexistência, mas penso que a única solução possível para ambas as partes seja tentar um mútuo ajustamento. Foi assim que as religiões mais elevadas reagiram ao problema, e no mundo de nossos dias é imperativo que as diferentes culturas não se defrontem em hostil competição, mas procurem compartilhar suas experiências assim como já compartilham sua humanidade comum".

As duas reações que ao historiador parecem insensatas, são definidas como zelotismo e herodianismo, atitudes assumidas pelos judeus ante à violenta pressão do helenismo. "A facção zelota — diz Toynbee — foi formada por pessoas cujo impulso, em face dos ataques lançados por uma civilização alheia e vigorosa, foi assumir a posição a posição evidentemente negativa de destruir o formidável agressor. Quanto mais duramente o helenismo os pressionava, mais denodadamente lutavam para se manterem afastados dele e de todas suas obras; e seu método para evitar a contaminação foi o de se retirarem para a rigidez espiritual de sua própria herança judaica, de se encerrarem em sua prisão mental, de cerrarem fileiras, de manterem uma frente coesa e irredutível e de encontrarem sua inspiração, seu ideal e sua prova de lealdade na sinceridade da observância minuciosa da lei judaica tradicional. A fé que animava os zelotas era a convicção de que, se mantivesssem meticulosamente sua tradição ancestral e a preservassem totalmente intacta e inalterada, seriam recompensados, recebendo a força e a graça divinas para resistirem à agressão alheia, por mais hegemônica que parecesse a superioridade material do opressor. A postura dos zelotas foi a de uma tartaruga que se recolhe ao casco, a de um ouriço que se enrola dentro de uma espinhenta bola defensiva".

Janer disse...

Já outra atitude seria a dos herodianos, facção antizelota de defensores e admiradores do rei idumeu Herodes, o Grande, que soube estimar objetivamente aquela força forânea para depois tomar de empréstimo ao helenismo todas as realizações que se revelassem úteis aos judeus, a fim de se prepararem para viver em um mundo que se helenizava de forma inevitável. Mas falava dos zelotas.

Fanáticos que lutavam não apenas contra os romanos mas também contra patrícios que não lhes agradavam, os zelotas não são mencionados no Novo Testamento. Há quem considere zelota um dos apóstolos, Simão, o Zelador, como também Judas, o galileu. Não confundir, por favor, este Judas com o Iscariotes, de errôneo apelido, ao que tudo indica. Se o nome provém do hebraico, significaria homem de Cariot.

Outros estudiosos pretendem que seu nome derive de sicário, outra seita de judeus fanáticos, na segunda metade do século I D.C., assim chamados em função do pequeno punhal — sica — que usavam. Depois que os zelotas foram liquidados pelos romanos, os sicários continuaram a luta pela defesa de Jerusalém, mas também não hesitaram em eliminar seus inimigos judeus. O que talvez explique aquele beijo e as trinta moedas de prata.

Mas não é deste Judas, talvez do sicário, talvez de Cariot, que falo. Zelota seria, isto sim, Judas, o galileu, proveniente de Gâmala na Gaulanítide. Aproveitou-se do descontentamento provocado pelo recenseamento de Quirínio para instigar os judeus contra a autoridade de Roma.

O que me fez lembrar, naquela manhã de sábado na Mafra, um refinado filme dos Monty Python, "A vida de Brian". Reunidos os conspiradores judeus, o líder pergunta: que nos trouxeram os romanos? Estradas, responde alguém. Certo. Mas além das estradas, que nos deram? Hospitais, responde outro. É! Mas que mais além das estradas e hospitais? Escolas, sugere um terceiro. E assim continua a discussão, até que sai um manifesto: apesar de nos terem trazido estradas, hospitais, escolas, esgotos, Romanos go Rome! (O trocadilho é meu, perdão!).

Para um herodiano, esta não é a atitude da tartaruga que se esconde sob seu casco, mas a da avestruz que esconde a cabeça na areia.

Embalado por estas e outras evocações, continuei meu passeio pela Mafra, contente com a companhia de Toynbee e enveredei pelo mercado velho. Em meio àquele odor emético de peixe estocado, um grupo de pessoas bebia champagne, no Box 32, e isso às onze horas de uma manhã de sábado! "Gaúcho só matando", disse alguém, enquanto que ao lado um outro qualquer tentava se convencer a si mesmo e aos demais: "como é bom ser ilhéu."

Sem querer, eu me infiltrara no box dos zelotas.

Anselmo Heidrich disse...

Eh eh, muito bom. Aqui, se concentram no funcionalismo público, especialmente como cargos de confiança. O sindicalismo, o ambientalismo e o nativismo fundem-se como amálgama para idealizar um mundo perdido "em que não havia essa corrupção". Sem me alongar, há um livro de Mariléa Martins Leal Caruso, O Desmatamento da Ilha de Santa Catarina de 1500 aos dias atuais, que defende a tese de que após o período agrícola, com o processo de urbanização, a ilha voltou a se reflorestar parcialmente. Por que a agricultura se expande horizontalmente, enquanto que a cidade menos. Mas, alguém pode argumentar que isto seria alcançado sem "os de fora".
Tiveste mais sorte Janer, encontraste um box vendendo bebida. De certa feita procurei um lugar para almoçar num dos bairros no norte da ilha e, para minha surpresa, entre 12 e 14h estava fechado para almoço. Acredite se quiser, pois isto está mudando. Gaúchos, paulistas e os demais do continente, catarinenses que também são "de fora" porque do outro lado da ponte não seguem este costume tradicional e ganham críticas por também ganharem consumidores. Ah, sim! Quem primeiro vendeu terras "aos de fora" foram, justamente, as pessoas locais, nascidas no "paraíso" que ajudaram a comercializar sem preocupação com as normas legais, sem registro e incrementando o regime de posse sem escrituras públicas.
Claro que daí sobrava dinheiro para beber champagne e reclamar da "invasão".

Janer disse...

Os ilhéus, Anselmo, dividem o mundo em duas partes: a gente nossa e a gente de fora. Certa vez, numa reunião do Departamento de Letras, discutia-se a contratação de uma doutora da USP. Uma velhota catarina objetou:

- Já vão trazer mais gente de fora.

Achei um desaforo e respondi:

- Universidade, professora, não se faz com gente nossa. Todas as universidades nascem com gente de fora. Se o que a professora chama de gente de fora se levantar agora e abandonar esta sala, acaba o Curso de Letras.

Anselmo Heidrich disse...

Este tipo de postura continua aqui. Não raro, um serviço público é chamado por um nativo e vem, mas quando se trata de um "de fora", não. Como conseguem? Se eu soubesse os caminhos que tomam, eu teria serviços públicos como calçamento de ruas, aplicação de multas pelo Código de Posturas, limpeza urbana funcionando também.
Mas, Buenos Aires não deve ser tão "civilizada"...

Anônimo disse...

Parte I

Bom,Anselmo,eu não mudaria a capital de SC pra Lages.Sempre deveria ter sido Joinville[apesar do calor] ou Blumenau[apesar das enchentes].
Já andaram levantando a bola de uma mudança,depois desistiram porque ficaria muito caro[ além da piadinha infame que corria na ALESC de como seria possível levar as praias para o interior].Queriam algo mais perto de ser um centro geográfico do estado.Sugeriram Curitibanos,se não me engano.Fora das duas que citei, eu votaria em Rio do Sul ou Campos Novos.Entendo sua preferência por Lages.Além de ser mais perto do RS, tem falares e costumes mais pra RS do que SC.Não sei bem se a mudança da capital federal,do Rio para Brasília,foi mais positiva do que negativa.Talvez seja recente demais pra uma avaliação definitiva e desapaixonada.Acho bonita pra visitar,não saberia dizer como é para morar,se é formada mais de nordestinos ou sulistas,ou algo assim.

Já no RS a capital está bem onde está:Santa Maria é perfeita.Na prática já é mesmo capital,segundo me informa um professor vindo de lá,petista até os ossos.Se um gaúcho diz,quem sou eu pra contrariar,né não?tolo de quem se atreve a questionar gaúchos,sempre perfeitos e donos do padrão ouro que querem impor a todos.Prova disto é a tal República dos Pampas que querem criar.Nome medonho,bandeira medonha,hino desconheço...

Caso resolvam tirar o status de capital de POA[espetada muito perto do litoral,né?],meu voto vai pra São Sepé.Em Sepé aprendemos tudo sobre a história do RS.É o resumo do RS.É a cara do RS,do povo rio-grandense,muito mais do que só 'gaúcho'.Respira-se História...Parada no tempo,mas História.

Leio que mora no norte da ilha [que tanto detesta].Seria em Canasvieiras?É o reduto preferido dos hermanos,deve se sentir muito à vontade então,muito civilizado o bairro.Dizem que é a parte mais degradada da ilha,do norte da ilha ao menos,mas deve ser coisa de invejosos que não percebem a contribuição civilizatória dos hermanos.Faz eras que não vou lá.Era ainda meio vila de pescadores e nativos.Conhecidos que têm casas de praia em Canas querem vender porque dizem não mais suportar tantos furtos,roubos,droga rolando solta,boates,bares de pinguços de todos os sotaques.Exagerados eles.Quem escuta pode pensar até que falam da rua da Praia,onde se degolava jovens nos anos 70.Ou Cracolândia em Sampa.Que maldade,né?
Espero que more mesmo no que eles[hermanos] chamam de 'Canasbeach'.Além de ser coerente com sua visão de progresso,afastaria a chance de morar em outros lugares do entorno.Dos Ingleses,etc.Rio Vermelho,por exemplo,está infestada de ongs vigaristas,ambientalistas do atraso,alguns usando laranjas locais com certo canto da sereia de gestão participativa,plano diretor participativo...Alguns ligados à UFSC/UDESC e ESAG.Você conhece bem os ecochatos locais,já que é professor de Geo e Ambientalista militante.Mais do que ninguém, você sabe a desgraça que isso foi em POA.
Não deu certo lá,querem impor aqui.

Anônimo disse...

Parte II

Faz sentido a sua comparação com o Rio.É perfeito o paralelo entre as duas cidades.Rio antes e depois de Brizola e Floripa antes e depois de Sérgio Grando.Brizola dizia que o Rio era de todos,sobretudo nas andanças pelo nordeste.Deu no que deu.Sérgio Grando também dizia que Floripa era uma cidade de todos.Foi slogan da gestão petista dele,aqui.Deu no que deu.Tudo a ver.E não me culpe pois não votei em nenhum deles,aliás não voto em ninguém.Sérgio deveria tentar ser vereador ou prefeito em Veranópolis.Fracassou onde nasceu e se deu bem aqui.Outros fracassam em toda parte,mas a raiva babada é só contra Floripa.Lugar e povo sempre culpados por fracassarem aqui.Há muitos com tal cantilena.Curiosamente,vão pros Açores e acham o máximo aquele açorianismo igual ao daqui.Sei de um que foi até ser professor na Universidade dos Açores,voltou contando que lá o boi ou vaca entra pela porá da sala e sai pela cozinha.Já pensou se isso fosse aqui?Claro que farinha e carne dura lá,com carimbo em passaporte,parece mais chique do que em Floripa,Laguna ou São Francisco do Sul.Manezinhos que pago pra visitar em dólares valem muito mais do que os de terceira geração no Brasil.Lá gente boa,aqui atrasados sem civilização.Deve ser algo na água ou daqui ou de lá,certamente água que passarinho não bebe...

Anônimo disse...

parte II

Não disse quando vai se mudar,nem se vai ser pra Lages,POA ou Sampa.De qualquer forma,antecipo meus votos de Feliz Natal(mesmo eu não crendo e por isso mesmo)e uma boa viagem de mudança.Sobre levar os cães de rua que abandonamos,fique à vontade,não sabia que em POA tinham exterminados com todos.Até isso fizeram?De todo jeito,moro em apartamento e não os tenho,tinha quando morava em uma casa com quintal amplo onde reinavam sem concorrentes,até o que veio na mudança de SP,quando voltamos para cá.De forma que devolvo a patata com a ironia,pois não me serve.Até porque,não vi nenhum ambientalista ecomilitante tirar da rua um cachorro morto que ficou 5 dias numa calçada aqui perto de casa, e que só foi removido para um destino decente porque eu fiquei perdendo meu tempo,durante dois dias no pc,mandando e-mail pra tal Ouvidoria da PMF.Seja bonzinho e deixe seu telefone nos pontos de ônibus para ser chamado e venha recolher os que acharmos mortos por aqui,os muitos atropelados na avenida de trânsito intenso.Sua bondade franciscana para com os bichinhos me levou à lágrimas,comovente,vindo de um ecólogo de beira de praia,que não tendo capacidade pra fazer estudo sobre sua cidade faz sobre as dos outros,onde vem,come,ganha uns trocos como professor e depois cospe no prato falando mal.Largue dessa vida de ‘fessor’ que o está deixando amargurado,frustrado e jogand a culpa no lugar onde está.Nem o lugar,nem as pessoas são culpadas por seus fracassos.Pode-se falar mal de onde se nasce,pois não foi escolha.Mas vir pra cá foi escolha.Ninguém teve culpa ou obrigou.Veio como vieram tantos,como o de Santa Maria,a de Esmeralda,o de Veranópolis...Tudo do RS,todos sendo professores aqui.Sem falar nos que estão presos.Pode passar pelas delegacias e pegar nomes e origens.Isso não precisa ser feito só nas ‘zoropa’ para ver que arregar para gente de fora,só dá problema.Sampa e Rio que nos digam...Risível é notar estranho no ninho,tão de ‘fora’ quantos os outros,ficar feliz quando tem feriado e a cidade onde está se esvazia,dando aleluias por se livrar de tanta gente que,afinal,nem sequer sabe da ilustre existência.Os demais devem sentir o mesmo quando tal alien saí da cidade,só que poucos notam a ‘enorme’ falta que faz.Que queira se livrar de ‘invasores’ em sua querência é aceitável,mas se vive enxertado em terreiro alheio,parasitando o que não ajudou a construir,deveria ter um pouco de vergonha...Conheço um que tem muita raiva de Floripa,não vê nada de bom, porque veio pra cá se limpar,não arrumava coisa ‘melhor’,fazia o que não gostava,nunca se desculpou pela enganação que fazia,nunca indenizou os coitados que enganou,arranjou uma miúda,fez um filho nela,teve de assumir,sustentar,dar pensão,aturar filho e mãe,mas a culpa foi da cidade e do povo que não perde oportunidade de espezinhar como se devessem algo ao gajo...Tsctsc.Tão esperto e inteligente,não usou “condon”, se ferrou,mas a culpa é da cidade e do povo daqui.Do fim de mundo onde nasceu,não!só fala bem...Haja paciência!Se não gosta,esqueça,nem fale.Não gosto da Mourolândia,por isso nem vou,nem falo a respeito.Cada um no seu quadrado.Se vive procurando pretexto para falar mal,algum recalque tem pra se aliviar.Simples assim.Entendeu?


kisses*
Lia

Anselmo Heidrich disse...

De onde tiraste que sou “ambientalista militante”? Essa foi um chute nos países baixos, mesmo. Se eu fosse um deixaria os vira-latas a própria sorte (seleção...). Quanto aos argentinos é comportamento de horda. E horda é igual em qualquer lugar do mundo, o mesmo se referindo a um bando de manezinhos saindo da Ressacada ou gaúchos de um Gre-Nal. Não vejo diferença.
A capital que sugiro não tem a ver com um centro físico, mas de importância econômica. Florianópolis, tal qual Brasília não tem. Vive de transferência de renda e é uma cidade pobre. Lages, por seu turno, conecta sul e norte devido a passagem da 116, o que só mal e porcamente se faz com a 101, mas assim mesmo com um desvio. Esta ilha sempre procurou se isolar tratando os continentais com desdém. Não é a toa que o interior de SC mesmo não a veja com bons olhos. Pergunte aos cidadãos de Porto União...

fénix renascida disse...

Queria muiti seguir este blog, mas não sei como.

Entretanto, deixo aqui o link do meu. Pelo que li neste post, e mesmo noutros, seguimos basicamente a mesma ideologia.

http://srevoredo.blogspot.com

fénix renascida disse...

Gosti particularmente do post LEI CRIA NOVA DOENÇA. Deixei lá alguns comentários, que eu espero que leia.

http://srevoredo.blogspot.com

Boas Festas

Anselmo Heidrich disse...

Dica:

http://imprensarocker.wordpress.com/2010/10/26/o-que-uma-professora-de-canto-lirico-diria-sobre-vocalistas-de-heavy-metal/

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