12 setembro 2010

Liberdade & Segurança





Former Alaska Governor Sarah Palin has called a Florida preacher's plan to burn Korans on the anniversary of 9/11 "insensitive and an unnecessary provocation – much like building a mosque at Ground Zero."



Eu não queimo livros. Não queimaria nem o Minha Luta de Hitler. A melhor maneira de destruir uma idéia contida neles é lê-los e criticá-la. Acho estúpido, mas não posso admitir que se diga que não se pode queimá-los. Agora tiro o chapéu para BHO que parece ter persuadido o pastor. Bem, talvez seja ingenuidade minha e quem pode, realmente ter saído ganhando nesta é o guia de uma igrejinha pouco conhecida. Não sei. Só sei que estes fundamentalistas islâmicos já nos encurralaram. Com certeza eu não tenho o perfil de um político hábil para lidar com isto, não tenho mesmo. Cansa, isto cansa. O que será daqui a pouco? Vão proibir que TVs exibam mulheres com véus islâmicos?
Sei que vão achar o exemplo forçado, mas eu sou contra o aborto enquanto que sou a favor do direito de mulheres abortarem. Sou moralmente contra sua prática incondicional, mas sou favorável à decisão pessoal de se abortar. Se eu consigo ver algo assim como possível, porque não a queima de papel?
Sei que vai parecer extremamente infantil de minha parte, mas quem pensam que são para cagarem lei por aqui? Sim, por aqui, no mundo livre. É desenho animado que não pode citar Maomé, é charge condenada, é escritor banido do convívio público, cineasta assassinado etc. Eu sei, sei, sei que é isso mesmo que eles querem: a provocação que legitime suas ações. Tenho consciência clara disto, mas eles não vão simplesmente parar. E não vão parar também por ações de estado. Refiro-me a ações militares... O que vai mudar é nossa tecnologia de segurança que, tomando consciência de meu wishful thinking, irá avançar. Mas, o fundamental ainda não mudou: o comportamento. Aqui há um pequeno ensaio de para onde e como as coisas deveriam se encaminhar.
Veja que se cede nisto, ao impor uma sanção governamental (o que não foi feito, bem entendido), o passo para proibir a instalação de uma mesquita está dado. E daí, todas outras proibições às inconveniências serão legítimos.
Queimar o Corão em público é provocação do pastor, mas é seu direito provocar. São ambigüidades da democracia, assim como é direito queimar a bandeira deles lá, das estrelas e listras.
O que fariam os muçulmanos se milhões queimassem o Corão? Se as dezenas de milhões lá que portam armas? Se mais milhões aqui no Brasil e alhures? Nada. Eles podem sim nos ameaçar quando há um ou outro, daí faz diferença. Se o mundo ocidental, em peso, aderisse a um gesto de protesto não faria a mesma diferença, pois não haveria mais o foco específico para atacar. Seriam vários e ficaria tudo igual como antes do manifesto, tudo igualmente descentralizado. Imaginemos um vizinho incômodo, truculento e apenas um de nós vai solicitar que diminua seu volume e apanha no rosto. Agora, imagine a rua inteira. É simplismo de minha parte, mas ninguém me tira da cabeça que a mudança de hábitos urbanos, com menos transeuntes nas ruas deve ter realimentado o ciclo de delinqüência responsável pelo aumento da criminalidade. É o fenômeno do ‘carona’ em que todos nós desejamos que alguém faça algo, mas nenhum de nós dá o primeiro passo. Resultado lógico é que nada muda.
Reitero BHO agiu como deveria sim. Eu faria o mesmo, exceto se em protesto público achasse que conseguiria mobilizar milhões contra suas ameaças, tal como fizeram os espanhóis contra o ETA, como fizeram os sérvios contra a OTAN colocando chapéus e bonés com alvos pintados. Imagine a vigilância constante sobre mesquitas e sua definição como locais públicos, logo sujeitos a regra comum onde não poderão mais ensinar o ódio ao ocidente, nem traçar ações contra seus próximos alvos. Isto pode não impedi-los de procurar outros locais para confabular, mas com bem mais dificuldade ao ter que se esconder, perdendo tempo e eficácia. Lembremos que a KKK perdeu muito terreno quando, justamente, suas ações, rituais e códigos foram tornados públicos e caíram no conhecimento popular. Os inimigos estão ali, sabemos quem são e como pensam e agem, só restando desnudá-los e difundir detalhes alheios à maioria das pessoas, leigas que são na gênese do ódio. Já tornaram a vida da maioria de nós um inferno, agora só resta fazermos com que se sintam da mesma forma.[1]
A ofensa ainda não foi banalizada. Quando for, o sagrado e o proibido desencantam, perdendo sua força.


[1] Obviamente que não me refiro aos ataques, mas ao medo incutido.


7 comentários:

zefirosblog disse...

É uma droga, mas é o custo da liberdade.

Reinaldo disse...

Só uma pergunta off topic: não vi a tag ateísmo, voces ja escreveram algo sobre ser ateu?

A.F. disse...

Qualquer post que vc assessar vai exaltar o ateísmo. Os porcos daqui são neo ateus radicais.

zefirosblog disse...

É, é algo assim. E por sermos ateus - leitores e articulistas do Pugnacitas - podemos comer outros porcos e animais com toda espécie de unhas. It's very cool.

Catellius disse...

Não seria "acessar", com "c", A.F.?

Melhore seu português antes de emporcalhar este espaço, hehe.

Muito bom artigo, Anselmo.

Abraços, Raphael!

Anselmo Heidrich disse...

Valeu Catellius,
Mas, me tire uma dúvida: se como ateus somos 'porcos' e porcos são animais mais parecidos intestinamente com humanos, não era para estes fundamentalistas nos respeitarem mais?
A.F. ... Afe!

Reinaldo disse...

Então tomarei por ser ateu reclamar ou criticar as religiões.

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