19 junho 2010

Ocidente homenageia escritor stalinista cúmplice de assassinos

Janer Cristaldo


Morreu ontem, em Lanzarote, um dos últimos remanescentes do stalinismo em pleno século XXI, ao lado de Oscar Niemeyer, Ariano Suassuna, Chico Buarque, Luís Fernando Verissimo. Portugal e o Ocidente todo estão chorando a morte do escritor que sempre foi inimigo ferrenho de Portugal e do Ocidente. No Brasil, os jornais estão dedicando suplementos a quem sempre defendeu as atrocidades da URSS e de Cuba e ousou defender o atentado às torres gêmeas. O Ocidente todo foi acometido de amnésia. Com sua morte, o cúmplice de assassinos virou herói.

Não vou comentar a literatura de José Saramago. Exceção feita de A Jangada de Pedra, não a li. Mas sobre a jangada posso falar.

A idéia de uma Europa Unida vinha sendo gestada desde 1951, com o Tratado de Paris, teve continuidade em 1957 com os Tratados de Roma e tomou corpo em 92, com o Tratado de Maastricht. Stalinista e anti-europeu até a medula, insensível à vocação histórica de seu país, em 1986 Saramago escreve Jangada de Pedra, um panfleto irracional e gratuito contra o Velho Continente. Enquanto os portugueses aspiravam desde há muito a integração com o universo transpirenaico, o escritor marxista, não contente em separar Portugal da Europa, pretende levar a Espanha nessa viagem insana.

A jangada em questão é a península ibérica. Lá pelas tantas, as terras luso-hispânicas começam a fender-se, separam-se gradualmente do continente e saem a navegar pelo mar oceano, rumo ao oeste. Para logo mudar de rumo. “A uns setenta e cinco quilômetros de distância do extremo oriental da ilha de Santa Maria, sem que nada o fizesse anunciar, sem que se sentisse o mais ligeiro abalo, a península começou a navegar em direção ao norte”.

Se seus habitantes temem encalhar nas planuras gélidas entre a Groenlândia e Islândia, a península tem outros planos. Na altura da mais setentrional ilha dos Açores, o Corvo, vira em linha reta, retomando sua trajetória para o ocidente, numa direção paralela à de sua primeira rota, prosseguindo-a alguns graus acima. A nova rota aponta para Nova York e o presidente americano apressa-se a dizer que a península seria bem-vinda. O mesmo não pensa o Canadá. Enfim, todas estas manifestações prévias de aceitação ou rechaço se revelam inúteis, já que a imensa ilha flutuante, em dado momento, começa a cair rumo ao sul. Para atracar finalmente em seu destino histórico, o mar caribenho e o socialismo cubano.

Em entrevista durante uma de suas visitas ao Brasil, Saramago falava em vocação atlântica da península ibérica. É grosso sofisma. Para começar, a península já está no Atlântico. Continuando, Saramago a desloca para o Caribe. Sua metáfora pretende mostrar uma vocação cubana, socialista, que Portugal nunca alimentou. A dita Revolução dos Cravos, liderada por Otelo Saraiva de Carvalho, morreu na casca. Portugal, após o salazarismo, tornou-se um próspero país capitalista, perfeitamente integrado à economia – também capitalista – da Europa. Isto o velho comunista não consegue admitir.

Nos dias em que Portugal e Espanha faziam os preparativos para seu enlace definitivo – e muito bem sucedido, como hoje pode ver-se – com a Europa, o escritor português, fazendo eco ao ancestral ódio marxista à Europa, separa estes dois países de seu futuro. E os empurra um século para trás, rumo ao socialismo cubano. Nunca uma obra literária, sob o inocente disfarce de um divertissement, foi tão anti-ocidental, anti-européia, anti-lusitana e anti-espanhola. Ao autor deste panfleto imediatamente desmentido pelos fatos, a Kungliga Akademie de Estocolmo conferiu o galardão máximo das letras ocidentais. Vista destes dias em que portugueses, espanhóis e demais europeus se regozijam com o euro, esta obra de Saramago revela-se um merencório equívoco.

Uma vez conquistado o Nobel, o detentor da láurea permitiu-se o luxo de afirmar qualquer impropriedade. Comentando o conflito entre Oriente e Ocidente por ocasião do atentado às torres do World Trade Center, em artigo para a Folha de S. Paulo, Saramago toma o partido dos terroristas. Para defendê-los, empunha antigas atrocidades de uma Europa passada, hindus atados à boca de canhões. "No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos, mas até a mais obtusa das imaginações poderá ver cabeças e troncos dispersos pelo campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, membros amputados. Os homens eram rebeldes".

O prêmio Nobel evoca também Angola, onde algures "dois soldados portugueses levantam pelos braços um negro que talvez não esteja morto, outro soldado empunha um machete e prepara-se para lhe separar a cabeça do corpo. Esta é a primeira fotografia. Na segunda, a cabeça já foi cortada, está espetada num pau, e os soldados riem. O negro era um guerrilheiro". Isto é: se ingleses explodem hindus, se portugueses decapitam angolanos, é perfeitamente permissível que um saudita, homiziado no Afeganistão e imbuído da missão de vingador universal, detone dois prédios em Nova York matando não só malvados civis americanos, mas também cidadãos de 62 países do planetinha.

Como um jornalista novato que vê a História como um lago raso, sem antes nem depois, Saramago mistura geografia e fatos de épocas passadas para absolver o terrorismo presente. Se algo se perdeu definitivamente neste atentado, parece ter sido a boa lógica. Numa tentativa de explicar o terror, o autor português joga a culpa no "fator Deus". Tudo, menos responsabilizar fanáticos muçulmanos.

Com sua autoridade de Nobel, escreve: "Disse Nietzsche que tudo seria permitido se Deus não existisse...". Isto é, atribuiu ao pensador alemão frase que, por equívoco, é normalmente atribuída a Dostoievski, por leitores de orelhas de livros. Em verdade, tal frase, assim como é proposta, não se encontra em momento algum do escritor russo. Foi Sartre quem a atribui a Dostoievski, tentando interpretar seu pensamento. Que mais não fosse, tal aforismo só poderia nascer no cérebro de um católico e de católico Nietzsche nada tinha. Ao fazer tal afirmação, Saramago demonstra que, para um laureado pela Kungliga Akademie, qualquer bobagem será sempre bem paga.

Não contente em defender o terror que destruiu as torres de Nova York, Saramago atacou Israel e sua reação aos atentados suicidas palestinos. Por ocasião do recrudescimento dos atentados cometidos por homens-bomba, comparou as ações do Exército israelense nos territórios palestinos ao sofrimento dos judeus no campo de concentração de Auschwitz na Segunda Guerra Mundial. "É a mesma coisa, ainda que levemos em conta as diferenças de espaço e tempo", afirmou em Ramallah (Cisjordânia), onde se encontrou com o líder palestino Yasser Arafat. "É preciso tocar todos os sinos do mundo para dizer que o que está ocorrendo na Palestina é um crime que podemos impedir", disse. Para os civis israelenses que morrem aleatoriamente, nenhuma palavra de conforto.

Este é o homem que o Ocidente hoje homenageia.

9 comentários:

Anônimo disse...

Agora Fidel vai...O Saramago vem buscar.E leva junto o Gabriel Garcia Marquez.
Um comunista a menos,mas os ateuzinhos politicamente corretos já estão a chorar pitangas pelo passamento da suposta celebridade ateia.E dá-lhe odes e homenagens pro escrevinhador.José por José,sou mais o Eça de Queirós.
Depois não querem a aporrinhação da crentalhada com essa mania de fazer listas de ateus famosos e incluírem coisas como Saramago.
Não me sinto confortável fazendo parte de associações que se orgulham de gente como Saramago só porque era ateu.
Da mesma forma que não me sinto confortável em listas com o religioso Hitler,ou Papas e Chico Xavier,ou Opus Dei da vida.

Andaram criticando a presença da Dilma Ruinssef no velório do finado.Acho que ela fez bem.Pelos cacos que idolatram,têm tudo a ver.

Que coisa mais aborrecida essa de porque alguém morre vira santo/a,zera toda a dívida.Foi assim com a Zilda Arns e até com a Ruth Cardoso.Tudo ongueira santa,modelos pras mulheres...
Até Sarney e Maluf quando baterem as botas vão virar tudo 'grandes homens públicos'.Isso dá uma leseira...

Lia

Marcos Vinícius Ferrari disse...

Antes um crente em deuses que defende a liberdade, o laicismo, que se opõe ao comunismo, do que um comunista ateu como Saramago, stalinista, castrista.
A pior raça, claro, é a que se vê no Brasil. Católicos socialistas em suas Comunidades Eclesiais de Base, com sua Teologia da Libertação, sua Pastoral da Terra...

Do Macaco ao Homo-Sapiens o caminho é longo...

religioso extremista / comunista extremista
religioso e comunista
ateu e comunista (de ateu não tem nada, porque apenas trocou de deus)
religioso apenas
religioso e anti-comunismo
ateu e anti-comunismo

João C. disse...

Ao que parece, o Ser-Amargo agora finado, recusou todos os méritos que Cristo sofreu também por ele. Desprezou a Cruz e os sofrimentos d'Ele e, pelo péssimo e medíocre testemunho que deu durante a vida toda, dificilmente estará salvo. Longe do mundo, que lhe presta homenagens, muito provavelmente está neste momento a arder entre os mais asquerosos demónios, por sua própria culpa, pois teve 87 anos de generosidade Divina para cumprir a vontade de Deus. Quis cumprir a sua. Terá a paga.

João C. disse...

Realmente por mim esta erva-daninha da literatura bem que podia ficar a estrumar terras de Espanha. Uma afronta a Portugal ter-se coberto a urna com a Bandeira Nacional!

Ficava muito melhor o martelo e a foice comunistas ou o átomo ateu do que as Quinas em cima do cadáver. Já que não tem dignidade de ter a Cruz, instrumento de salvação, teria os instrumentos de condenação e os símbolos do pior e do expoente máximo da maldade e desumanidade actual: o comunismo e ateísmo, fonte de todos os males, senão mesmo o pior das desgraças na Terra.

De luto não estou eu. Não por traidores.

Envio igualmente condolências a Espanha. Para os portugueses, fica a vergonha de ver um dos seus símbolos a cobrir a urna do impostor comunista e ateu e de receber as suas cinzas.

Janer disse...

Ora, caros,

vocês estão condenando o homem por uma de suas raras virtudes, seu ateísmo.

Crente da Mãe Natureza disse...

É verdade que Saramago foi um apoiante de Castro. Esqueceu-se foi de acrescentar que também foi um critico. ( de Estaline duvido, é mais uma dose de veneno adicionada por sua conta ). Iberistas (talvez sejamos todos um pouco sem nos aperceber-mos disso, e serão muitos mais quando esta Muenga da CE pifar, porque Portugal nesse momento deixa de ter viabilidade como país). Anti-Semita? O que é você ao abster-se de condenar os crimes de Israel?

Mas com que intenção Vossa Excelência envolveu Saramago com essas pessoas que menciona? Tentando denegri-lo a ele? Ou aos outros que cita? Se é esse o seu objectivo errou completamente. Castro podem acusa-lo de tudo que entenderem. Mas a grandeza da sua obra está patente na cultura do povo Cubano.
De Estaline tenho apenas a dizer-lhe que foi um carrasco do seu próprio povo e dos comunistas em particular. Deixou a URSS pejada de valas comuns. Mas outros deixaram e ainda continuam a deixar o mundo inteiro não só coberto de valas comuns, como crianças, mulheres e velhos calcinados com Napalm ou os seus corpos triturados pelas bombas, acompanhados por um rasto de miséria, obscurantismo, exclusão e exploração. Com o fechar de olhos das diversas religiões e da católica muito em particular.
Porque razão omite esses factos? Sim; eu sei porquê. Ou fazem-no em nome do seu (Deus) ou dos seus interesses de classe.
E o que o leva a ter todo esse ódio contra os ateus? Sou ateu. Por esse facto não deixo de praticar o bem e abster-me de fazer mal, respeito o meu semelhante da mesma forma que respeito todos os seres que comigo partilham este planeta. Muito menos me julgo inferior a qualquer crente alienado preso às amarras da religião.
Sabe porquê? Quando pratico o bem, faço-o em consciência, não estou à espera das benesses, ou ser agraciado por um qualquer ser mítico imaginário. E evito fazer o mal não é por temer o castigo desse bobo cósmico, é simplesmente porque a razão não me o permite.
Por esse facto estranho a atitude dos crentes quando vão à confissão redimir-se dos seus pecados (maldades) perante outra pessoa que tem tantos poderes como eles ( o sacerdote).
No entanto ao fazerem esse acto de contrição julgam-se aliviados do mal que fizeram aos outros e ficam prontos para cometer as mesmas patifarias. E assim vão vivendo, não conseguindo melhorar em nada o mundo.
Os meus erros (pecados) carrego-os todos comigo, para assim lhe sentir o peso.
Saramago disse que (deus) a existir é rancoroso, é vingativo e filho da p…. Retirou a ultima acusação visto entender que (deus) não podia ter pai nem mãe porque se criou a si próprio.
Eu em relação aos membros da ICAR , não lhes retiro nada absolutamente, visto todos eles terem um pai e uma mãe.

Anônimo disse...

Janer, 'bombou' hein?

Eu achando que 'bombava' apenas quando escrevia seus disparates anti-religiosos; pelo visto tem um bocado de ateu que está cheio de santos e não aceitam opinião contrária...

Faz isso por audiência? rs
Teve até ateu filho de uma p*... que veio só para desabafar.

Os ateus estão cada dia mais 'educados', e sem dúvida, estão a cada dia mais incompreendidos.rs
(confesso que não te entendi Janer, esperava que exaltasse Saramago, um grande impugnador de religiões. Mas compreendo que assim é mais coerente consigo e com as críticas anti-religiosas)

Janer disse...

Longe de mim concordar com alguém só porque é ateu.

hh disse...

Saramago era um débil e medíocre escritor. Os prémios atribuídos são mais menções politicas do que por mérito.

A cereja em cima do bolo foi o Nobel. Este prémio está demasiado politizado e chega até a ser obsceno. O exemplo de Obama para a Paz é um exemplo de cabo de esquadra. Saramago foi outro exemplo. Temos na CPLP gente com muito mais mérito e com muito mais valor.A politização destes prémios é absurda e acaba por confundir ruído com harmonia.

A morte de Saramago é o fim do veneno e o principio do fim da sua produção. Se não fosse a forma estúpida como lançou as suas imbecilidades para manter a polémica que lhe servia de publicidade aos livros, ele nunca passaria de um escritor completamente esquecido.

Mas, ele sabia há duas formas de se dar mas vistas. Uma, a dos bons, dos melhores. A dos grandes Homens que se fazem notar pelas suas capacidades excepcionais, e que, pela genialidade todos conhecem sem ter que se esforçar. Outra, a dos maus, dos piores, dos mais imbecis. Esses ganham o estrelato pelas piores razões, mas são igualmente conhecidos. Apesar dos piores motivos e dos piores exemplos, encontram seguidores em todos os tempos. è o caso de Hitler, de Stalin e de outros imbecis.

O Vaticano, até hoje, foi demasiado educado com Saramago. No dia do seu deveria ter despejado sobre ele e a sua família os mesmos mimos que em vida esse crápula despejou sobre o Vaticano e toda a a família católica. Aliás, o Vaticano procedeu muito mal por não ter reproduzido as afirmações desse crápula havia feito no dia da morte de João Paulo II.

A meu ver o Vaticano foi demasiado educado. Mas, por outro lado, percebo que dar algum crédito a uma crápula sem grande aceitação (nem sequer no seu país, como se viu no dia em que o assaram), seria dar importância a quem a não tem.

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