11 fevereiro 2010

Falácias de Juiz Protestante a Serviço do Papa

O texto abaixo, de autoria do escritor de "Como Passar em Provas e Concursos: tudo o que você precisa saber e nunca teve a quem perguntar" e Juiz Federal William Douglas, tem circulado pela internet há alguns meses e caiu ontem em minha caixa de e-mails. Depois de comentá-lo informaram-me que aquelas linhas eram excertos de um texto um pouco mais longo (que pode ser lido aqui). Como a essência é a mesma, não perdi mais de meu precioso tempo a editar meus comentários. Aí vão eles:

"Ação contra crucifixos mostra intolerância
Por William Douglas, Juiz Federal.

A propósito do debate sobre a retirada de símbolos religiosos das repartições públicas, alerto para a interpretação equivocada daqueles que propugnam tal medida. O Estado é laico, isso é o óbvio, mas a laicidade não se expressa na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos.”


Estado laico é aquele que não sofre influência ou controle por parte de alguma religião. Democracia não é a ditadura da maioria. 51% da população não podem escravizar os 49% restantes, é certo. Existem cláusulas pétreas, como a liberdade religiosa, respeito a todas as crenças e à descrença. O juiz William cria um espantalho para depois esgrimi-lo. Afirmar que aqueles que são contra crucifixos em paredes de repartições públicas entendem a laicidade como dever de eliminar símbolos religiosos é uma pueril falácia da pressuposição. Paredes nuas da Câmara de Vereadores de uma cidade qualquer significam intolerância religiosa? Se o juiz quiser ter um crucifixo sobre sua mesa, pendurado no pescoço, tudo bem. Mas o poder público não pode estar associado a uma religião específica.

“Em um país que teve formação histórica-cultural (sic) cristã é natural que haja na parede um crucifixo e isso não configura discriminação alguma. Ao contrário, o pensamento deletério e a ser combatido é a intolerância religiosa que se expressa quando alguém desrespeita ou se incomoda com a opção e o sentimento religioso alheio, o que inclui querer eliminar os símbolos religiosos. Nessa toada, como prenuncia o poema "No caminho, com Maiakóvski", o culto e devoção terão que ser feitos em sigilo, sempre sob a ameaça de que alguém poderá se ofender com a religião do próximo.”

No caminho, com Maiakovski...
Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Os núncios de B16, durante a visita do pontífice ao Brasil, tentam fazer com que este Estado laico torne obrigatório o ensino do catolicismo nas escolas, que a Igreja não possa ser processada na justiça trabalhista, que seja transferida ao governo a responsabilidade pela manutenção de todo patrimônio artístico e arquitetônico católico.
E não dizemos nada.
Depois deixamos que violem a laicidade do Estado para este ser identificado por seus símbolos religiosos.
Depois eles consideram a sua religião como a única moralmente aceitável.
E não dizemos nada.
Por fim, colocam um Girolamo Savonarola da vida para governar o país.

Fácil brincar de "Rampa Escorregadia", não?

Aqui temos a famosa falácia “Reductio ad absurdum”: "Se permites que teu filho de cinco anos roube um beijo na bochecha da amiguinha hoje, logo ele irá agarrá-la e, mais tarde, se tornará um maníaco sexual!" Diziam, nos anos 50, coisas assim do futuro do rock’n roll e de seus “adeptos”. O juiz ousa afirmar que se os espaços públicos passarem a ter quatro paredes nuas, em breve um Estado Ateu obrigará as pessoas a rezarem escondidas.

“Nesse passo, eu, protestante e avesso às imagens (é notório o debate entre protestantes e católicos a respeito das imagens esculpidas de Santos), tive a ocasião de ver uma funcionária da Vara Federal onde sou Titular colocar sobre sua mesa uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida. Vi tal ato com respeito, vez que cada um escolhe sua linha religiosa. A imagem não me ofendeu, mas sim me alegrou por viver em um país onde há liberdade de culto”

De novo a falácia da Pressuposição. Onde já se viu um Estado laico e democrático exigir que se tire a santinha que alguém colocou em cima da própria mesa de trabalho, ou a Cida sobre a geladeira? Coisa bem diferente seria as escrivaninhas de uma repartição pública terem uma cruz entalhada e os dizeres “In Corde Christi”.

O juiz tenta passar credibilidade por ser protestante. Insinua que poderia até valer-se desse movimento do “Estado Ateu” para eliminar símbolos religiosos do país inteiro, inclusive aquela “Vossa” Senhora Aparecida sobre a geladeira, e lucrar como protestante, avesso à idolatria, crime que, segundo seu deus, deve ser punido com a morte. Mas não! Ele tem credibilidade!

“Quando vejo o crucifixo na sala de audiências não me ofendo por (segundo minha linha religiosa) haver ali uma "imagem esculpida", mas reconheço nele a recordação de nossa natural e abençoada diversidade religiosa. O crucifixo nas Cortes é, por sinal, uma salutar advertência sobre os erros judiciários e os riscos de os magistrados atenderem aos poderosos mais do que à Justiça.”

Ah, porque crucificaram um inocente. Ou porque a maioria pediu sua morte, e isto nos lembra que não devemos fazer as coisas porque a maioria exige. Ou porque a cruz lembra as ordálias e as justas, aqueles sábios julgamentos feitos por Deus.

Certamente, se tirarmos os crucifixos esta nossa justiça exemplar brasileira estará arruinada. Voltaremos à barbárie e políticos e demais salafrários não sofrerão mais punição alguma por seus crimes. E nossos sapientíssimos juízes não serão mais capazes de tomar decisões justas.

“Além disso, se a medida for levada a sério, deveríamos também extinguir todos os feriados religiosos, mudar o nome de milhares de ruas e municípios e, ad reductio absurdum, demolir símbolos e imagens, a exemplo, que identificam muitas das cidades brasileiras, incluindo-se no cotidiano popular de homens e mulheres estratificados em variados segmentos religiosos.”

Dia 12 de outubro é feriado. Para a maioria, é o dia da criança. Os não católicos e muitos católicos lembram-se que é dia da padroeira do Brasil quando ligam a TV. 25 de dezembro já era dia festivo antes do cristianismo, assim como a Páscoa. O Estado deve manter esses dias como feriados, e cada que comemore o que quiser.

Quanto ao nome de ruas, de municípios, o sapientíssimo juiz antecipou-se e classificou o próprio texto como falácia. Reductio ad absurdum! Muito bem, William!

“Ao meu sentir, as pessoas que tentam eliminar os símbolos religiosos têm, elas sim, dificuldade de entender e respeitar a diversidade religiosa. Então, valendo-se de uma interpretação parcial da laicidade do Estado, passam a querer eliminar todo e qualquer símbolo, e por consequência, manifestação de religiosidade. Isso sim é que é intolerância.”

Desta vez a falácia da pressuposição desceu pela rampa escorregadia. Precisamos de uma mão invisível* para segurá-la.

“Os católicos que começaram este país deixaram sua fé cristalizada. Querer extrair tais vestígios afronta o nosso legado histórico.”

Se usarmos esse “raciocínio”, os cristãos afrontaram o legado histórico greco-romano ao destruir as estátuas dos deuses pagãos e fechar as escolas filosóficas. Aquela civilização “começou” a Europa e, por extensão, o Brasil.

De fato, o cristianismo foi uma minoria ruidosa durante o Império Romano. Não queria ser mais uma crença; queria ser a única. Nos séculos seguintes foi aquela árvore gigantesca sob cuja copa nenhuma outra crença podia germinar. A Igreja Católica rosnou muito com a constituição brasileira de 1891, quando foi feita a saudável separação entre Estado e Igreja, do mesmo modo que rosnou com o fim da monarquia. Antes disso, fiéis de outras confissões não podiam sequer construir um templo, como bem sabemos.

Agora o Estado laico, que deve promover a tolerância e a diversidade religiosa – que não eram características “históricas” do catolicismo -, não deve promover uma religião em detrimento de outras, não deve associar-se a nenhuma.

“Em certo sentido, querer sustentar que o Estado é laico para retirar os Santos e Cristos crucificados não deixaria de ser uma modalidade de oportunismo de quem não sabe conviver com a religião dos outros. Todos se recordam do lamentável episódio em que um mau religioso chutou uma imagem de Nossa Senhora. Não é menos agressivo não chutar a Santa mas valer-se do Estado para torná-la uma refugiada, uma proscrita.”

Off-topic: Lembrei-me do “hoax” espalhado por católicos de todo país de que Von Helder havia se convertido ao catolicismo. A perna que usou para chutar o de fato feio boneco (horrível e desgraçado, nas palavras do delicado evangélico) teria necrosado e ele, internado em um hospital dos EUA, teria sido atendido por uma atenciosa enfermeira negra. Após ser curado, teria tentado localizá-la e ouvido da diretoria do hospital que lá jamais trabalhara pessoa com aquelas características (virgem e mãe?). Ele teria entendido então se tratar da própria Cida, e se convertido ao catolicismo. Isto foi repetido à exaustão em público por leigos, padres e até bispos, tendo aparecido no site da Canção Nova, inclusive. Von Helder continua na Universal. Exposto o “hoax”, um bispo disse “ué, ninguém havia desmentido nada...”

“Indo além, tal viés ataca todos os símbolos de todas as religiões, menos uma. Sim, uma: a ‘não religião’, e é aqui que reside meu principal argumento contra a moda de se atacar a presença de símbolos religiosos em locais públicos.
A recusa à existência de Deus não é uma opção neutra, mas uma nova modalidade religiosa.”


Recusa à existência? É como ele chama viver sem deuses?

“Se por um lado temos um ateísmo como posição filosófica onde não se crê na(s) divindade(s), modernamente tem crescido uma vertente antiteísta. Esta nova vertente tem seus profetas, seus livros sagrados e dogmas, faz proselitismo, busca novos crentes (que nessa vertente de fé são os que optam por um credo que crê que não existe Deus algum). Como em todos os credos, há ateus educados e cordatos, e outros nem tanto. Há uma linha intolerante e, como ocorre em todas as religiões iniciantes ou pouco amadurecidas, mostra-se virulenta e desrespeitosa no ataque às demais. Nesse passo, apresenta outra característica de algumas religiões, a arrogância, prepotência e desprezo à capacidade intelectual dos que não seguem o mesmo credo.”

Então a culpa de tudo é dos ateus. Os teístas são 99% da população, mas o 1% que não crê na existência de deus ou deuses conspira contra a pobre maioria oprimida. A minoria organizada criou a polêmica para jogar protestantes contra católicos e depois tomar o poder e proibir até mesmo os imãs de santinhos e Cidas sobre as geladeiras. Os ateus têm até templos secretos, que ninguém nunca viu. Têm um Papa, um comando central que pune hereges que fogem da doutrina ateísta.

Ora, o ateísmo não é organizado, os ateus não se sentem representados por nenhuma instituição ateísta, não há uma hierarquia, dogmas e verdades não questionáveis (e os consequentes hereges) passadas de pai para filho. O juiz tenta colocar algo que é fruto de ceticismo como uma mera crença, taxar assim a descrença de crença, chamar de deus a ausência de deuses. É como dizer que careca é um tipo de corte de cabelo. Muitos crentes, é lógico, pegarão esta mera analogia e dirão que é melhor ter cabelo do que ser careca.

Quando os ateus que tiram o sono do juiz especialista em concursos publicam livros explicando por que não crêem, ainda que sarcasticamente e ridicularizando religiosos, listando os males que a confiança cega em líderes religiosos e verdades reveladas anacrônicas pode trazer, logo são taxados de intolerantes, xiitas, talibãs, fanáticos, que casualmente são nomes dados a religiosos loucos que queimam mesquitas e igrejas, apedrejam mulheres, usam viseira de burro, promovem matanças como a da Noite de São Bartolomeu, jogam aviões contra edifícios. O mesmo vale para o termo “cruzada”. Tais palavras são muito usadas como metáforas, e algumas pessoas tentam fazer sutilmente a ponte para o literal, para tentar falaciosamente colocar todos no mesmo saco. “Não têm base racional para nada”, tentam dizer, “apenas têm uma fé como a nossa. Dawkins não é menos terrorista do que Osama”. Não querem ser criticados, tão somente. Querem o “religião não se discute”!

“O principal profeta dessa religiosidade invertida (mas nem por isso deixando de ser uma manifestação religiosa) é Richard Dawkins, autor do livro " Deus, um Delírio". Ele está envolvido, como qualquer profeta, na profusão de suas ideias, fazendo palestras e livros, concedendo entrevistas e fazendo suas ‘cruzadas’.”

De partidos políticos à campanha de Al Gore contra o aquecimento global, de dietas a estratégias empresariais, tudo é religião então. Sistemas políticos baseados em ideologias, com profecias, divinização do ideólogo, "verdades" não falseáveis, repressão à crítica, são de fato muito parecidos com religião. É o caso do comunismo.

“A Campanha Out é uma proselitista em favor do ateísmo, tem seu símbolo (o "A"escarlate) e produz camisetas, jaquetas, adesivos, e broches vendidos pela loja online, cuja renda se destina à Fundação Richard Dawkins para a Razão e a Ciência (RDFRS).
Algo não muito diferente de outros profetas e credos.”


Dawkins (que na minha opinião é um chato) arrecada dinheiro para uma fundação que promove a razão e a ciência. Então é religião, claro!

“Naturalmente, Dawkins e seus seguidores têm todo o direito de pensarem e professarem qualquer fé ou a falta dela, mas só porque não creem em um Deus, não estão menos sujeitos aos valores, princípios e leis que, se não nos obrigam à fraternidade, ao menos nos impõem a respeitosa tolerância. Não se pode identificar em qualquer símbolo religioso um inimigo nem se tentar cooptar a laicidade do Estado para proteger sua própria linha de pensamento.”

Após algumas falácias da pressuposição, o sábio juiz continua:

“Discutir os símbolos religiosos é mais fácil do que enfrentar a distribuição de renda, a fome, injustiça e a desigualdade social. Talvez mexer com os religiosos seja mais simples, divertido e seguro, mas certamente não mostra a capacidade de escolher prioridades.”

‘Enfrentar a distribuição de renda’... Rio-me! E ele é um juiz, heim?

Então deve ser proibida a construção de museus enquanto um único miserável estiver sem casa, de bibliotecas enquanto houver um único analfabeto no país, e mais: não podemos discutir caos aéreo enquanto houver fome, mesmo que seja na África. A vida de um africano vale menos do que a nossa? Prioridades!

Bah! Como se discutir uma coisa nos impedisse de discutir outras.

“Vale lembrar que católicos, judeus, evangélicos, espíritas e muçulmanos, e bom número de ateus gastam suas energias ajudando os necessitados. Nosso país, salvo raras e desonrosas exceções, é palco de feliz tolerância religiosa.”

Opa, parece então que todos católicos e outros religiosos “gastam suas energias ajudando os necessitados”. No caso de ateus, é um bom número. Bill Gates, Warren Buffet e uns outros discípulos de Dawkins por aí.

“A eliminação dos símbolos religiosos atende aos desejos de uma vertente religiosa perfeitamente identificada, e o Estado não pode optar por uma religião em detrimento de outras.”

Vejamos a linha de raciocínio do juiz: Os ateus são os que querem eliminar todos crucifixos do país. Ateísmo é religião. O Estado não pode optar por uma religião em detrimento de outras – aqui ele se assume hipócrita e considera válido o argumento daqueles que dizem que o Estado não deve optar pelo catolicismo. Logo, os crucifixos devem ser mantidos nas salas de julgamento, nos plenários, na câmara, senado, escolas públicas. Um ás no raciocínio – cacofonia deliberada.

“A solução correta é tolerar e conviver com as diversas manifestações religiosas, incluindo Jesus, Buda, Maomé, Allan Kardec, São Jorge etc., sem que ninguém deva se ofender com isso. Por fim, acaso fosse possível uma opção, não poderia ser pela visão da ‘minoria’ mas da ‘maioria’. O ‘respeito às minorias’ já está razoavelmente assimilado, mas isso não inclui o direito à tirania da minoria.”

Não há nada na lei que justifique que a religião da maioria deva receber um tratamento especial do Estado.

Dúvida cruel: penduramos na parede um Crescente, uma Estrela de David, um gordo careca, uma imagem do Gasparzinho, um crucifixo ou deixamos a parede nua? Um crucifixo, claro! Sem tirania da minoria. Parede nua também é tirania da minoria.

De que minoria, se a “religião” dos ateus tem um símbolo, o tal "A"escarlate? Ah, claro, a minoria de 1% quer a parede nua para depois (rampa escorregadia) colocar seu sagrado “A” escarlate!

“Em suma, espero que deixem este crucifixo, tão católico apostólico romano quanto é, exatamente onde ele está. A laicidade aceita todas as religiões ao invés de persegui-las ou tentar reduzi-las a espaços privados. Eu, protestante e empedernidamente avesso às imagens esculpidas, as verei nas repartições públicas e saudarei aos católicos, que começaram tudo, à liberdade de culto e de religião, à formação histórica desse país e, mais que tudo, ao fato de viver num Estado laico, onde não sou obrigado a me curvar às imagens, mas jamais seria honesto (ou laico, ou cristão, ou jurídico) me incomodar com o fato de elas estarem ali.”

O protestante faz um acordo estratégico com os católicos contra o espantalho que elegeu ser um mal maior, rsrs.
O papa tem que contratar esse “irmão separado”. Só falta papar hóstia!

Maria Cláudia Bucchianeri define bem a presença de símbolos religiosos em órgãos públicos brasileiros:

"A fixação ou manutenção, pelo Estado ou por seus Poderes, de símbolos distintivos de específicas crenças religiosas representa uma inaceitável identificação do ente estatal com determinada convicção de fé, em clara violação à exigência de neutralidade axiológica, em nítida exclusão e diminuição das demais religiões que não foram contempladas com o gesto de apoio estatal e também com patente transgressão à obrigatoriedade imposta aos poderes públicos de adotarem uma conduta de não-ingerência dogmática, esta última a assentar a total incompetência estatal em matéria de fé e a impossibilidade, portanto, do exercício de qualquer juízo de valor (ou de desvalor) a respeito de pensamentos religiosos"

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*Para William Douglas, estas são as provas certíssimas de que seu deus existe: Deus fala com ele enquanto ele lê a Bíblia, usando a sua própria voz (do William). Deus o salvou de cair de bicicleta com a filha de 3 anos. Estava tombando quando uma mão invisível lhe devolveu o equilíbrio. Deus o impediu de despencar de um muro de assustadores 3 metros de altura. Estava caindo e uma mão invisível o colocou de volta no lugar. E ele escreve, no mesmo texto: “Eu sou refratário a pessoas que vêem milagre em tudo. Para mim, primeiro é preciso eliminar toda a chance de eventos naturais, coincidência, acaso etc.” São essas as três comprovações da intervenção direta de Deus na vida desse cético que se pauta pela Navalha de Ockham. Lemos o texto inteiro aqui.

15 comentários:

André disse...

William Douglas... chatinho. Tentei ler esse livro dele quando estava no auge e realmente não me ajudou. Aquelas técnicas todas, não tenho paciência pra isso. Funciona, se vc for muuuuuito metódico. Disciplinado. Nada a ver comigo.

“O Estado é laico, isso é o óbvio, mas a laicidade não se expressa na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos.”

Isso de retirar crucifixos é bobagem. A maior falta do que fazer. Não é tão necessário assim para um Estado laico (retirá-los). Não vejo problema nos crucifixos lá nas paredes. Nem vai levar a um movimento iconoclasta lá na frente, como exageram os carolas.

O negócio é que a gente começa a ler esse tipo de artigo e logo imagina as besteiras que virão. Pode até concordar aqui e ali, até que empaca nas generalizações bestas. E os lugares-comuns, ah, os lugares-comuns...

Queria ver era cobrança de impostos e derivados em cima das igrejas (e das escolas particulares). Chega de isenções boazinhas.

“Estado laico é aquele que não sofre influência ou controle por parte de alguma religião.”

Aí fica meio difícil encontrar um que seja laico, porque influência de alguma religião sempre haverá em qualquer lugar. Agora, controle religioso há, em menos lugares. Definiria mais ou menos assim: “Estado onde nenhuma religião tem a primazia.” Primazia legislativa, adminsitrativa, judiciária, moral, sobre os costumes e por aí vai.

“... obrigatório o ensino do catolicismo nas escolas, que a Igreja não possa ser processada na justiça trabalhista, que seja transferida ao governo a responsabilidade pela manutenção de todo patrimônio artístico e arquitetônico católico.”

Isso sim é errado.

“Depois eles consideram a sua religião como a única moralmente aceitável.”

Ah, mas todas as religiões são assim. Se acham. É natural.

“Por fim, colocam um Girolamo Savonarola da vida para governar o país.”

Pior, pode ser a Companheira Estela.

“Onde já se viu um Estado laico e democrático exigir que se tire a santinha que alguém colocou em cima da própria mesa de trabalho, ou a Cida sobre a geladeira? Coisa bem diferente seria as escrivaninhas de uma repartição pública terem uma cruz entalhada e os dizeres “In Corde Christi”.”

Concordo.

“... e lucrar como protestante, avesso à idolatria, crime que, segundo seu deus, deve ser punido com a morte.”

O problema do protestantismo é que ele põe um peso sobre o indivíduo que a maioria das pessoas não consegue suportar. E é muito seco e sem graça, muito feio, por mais que eles falem o tempo inteiro na maravilha que é ser um deles e em ter um Deus ao seu lado que mais parece um faz-tudo, que vive preocupadíssimo com cada aspecto ridículo das vidas de cada um deles.

“O crucifixo nas Cortes é, por sinal, uma salutar advertência sobre os erros judiciários e os riscos de os magistrados atenderem aos poderosos mais do que à Justiça.”

Acontece que ninguém pensa nisso. Duvido que mais do que uma meia-dúzia pense.

“Além disso, se a medida for levada a sério, deveríamos também extinguir todos os feriados religiosos...”

Eu só acho que no Brasil tem feriados demais. Podiam muito bem acabar com uns dez. Religiosos ou não.

“Ao meu sentir, as pessoas que tentam eliminar os símbolos religiosos têm, elas sim, dificuldade de entender e respeitar a diversidade religiosa. Então, valendo-se de uma interpretação parcial da laicidade do Estado, passam a querer eliminar todo e qualquer símbolo, e por consequência, manifestação de religiosidade. Isso sim é que é intolerância.”

Ele tem razão, em parte.

André disse...

“Não queria ser mais uma crença; queria ser a única (o cristianismo)”

O que chocava sobremaneira os romanos, mais tolerantes do que se imagina. Edward Gibbon fala disso.

“A Igreja Católica rosnou muito com a constituição brasileira de 1891, quando foi feita a saudável separação entre Estado e Igreja, do mesmo modo que rosnou com o fim da monarquia.”

Quase todo monarquista que eu conheço é carola, além de esquizofrênico.

“Agora o Estado laico, que deve promover a tolerância e a diversidade religiosa – que não eram características “históricas” do catolicismo -, tem por objetivo apenas não promover o catolicismo em detrimento de outras religiões, não associar-se a ele.”

Certo. O fato é que a igreja católica vai ter que se adaptar ao mundo moderno e ao fim de sua hegemonia. Já está se adaptando. Acredito que as pessoas mudam, ao contrário do que diz o Dr. Gregory House, a quem muito admiro. Instituições, que são coleções de pessoas, também mudam. Agora, só não me perguntem em que velocidade. Porém, tendem a melhorar um pouquinho.

“Todos se recordam do lamentável episódio em que um mau religioso chutou uma imagem de Nossa Senhora. Não é menos agressivo não chutar a Santa mas valer-se do Estado para torná-la uma refugiada, uma proscrita.”

Bom, aquilo foi, além de vulgar e muita falta de educação, uma estupidez estratégica. Provocaram a igreja por nada, à toa. Se bem que o cara era um jeca, um pastor da Universal...

O William Douglas exagera. Há os oportunistas que, se pudessem, não só tirariam como queimariam os crucifixos, mas não há um movimento organizado para banir todos os símbolos religiosos. Ele imagina uma ditadura laica que não existe.

“A recusa à existência de Deus não é uma opção neutra, mas uma nova modalidade religiosa.”

Quem não acredita (ou tem dúvidas, agnósticos, p. ex.) não está se recusando a admitir a existência de Deus. Apenas não admite, porque não acredita, pronto. Quando ele fala em recusa, dá a entender que Deus existe, ponto, e que você não pode não acreditar. Ou você acredita ou “se recusa” a acreditar. Como se fosse um tipo de teimosia a ser corrigida. De prefrência com uma desgraça bem grande durante nosso auge (punição divina).

André disse...

“Se por um lado temos um ateísmo como posição filosófica onde não se crê na(s) divindade(s), modernamente tem crescido uma vertente antiteísta.”

O ateísmo militante é chatinho mesmo, e alguns de seus expoentes, sonolentos (Dawkins... prefiro quando ele se limita a falar de evolucionismo, aí eu leio tudo dele). Tudo bem, sem problema, leio outros livros, sobre outros assuntos. De vez em quando volto a ler sobre isso, depois me afasto, retorno... Ok, virou religião pra alguns. A fé na descrença. Por outro lado, são a minoria da minoria. Que ameaça é essa? Acho que não conheço nem quatro, nem cinco ateus, mas ateus pra valer. Em 33 anos de vida, e contando. Daria mais gente se contasse os ateus da internet, que também são poucos — os que falam comigo, pelo menos. Do meu círculo social, nenhum do tipo militante, “crente”, graças a... Deus? Não tenho mais saco pra discussões bizantinas às avessas. Nem para as bizantinas religiosas. Evito militantes de qualquer espécie tanto quanto evito Testemunhas de Jeová, “Assembléias” de Deus, Jovens Adventistas da Casa do Chapéu (a maioria nem sabe o que quer dizer ADVENTO, cacilda, parece o católico que não sabe o que significa a palavra católico), retardados sorridentes do Segue-me e aquelas garotas lindas que olham pra gente e falam assim: “Eu quero um homem cristão, um homem de Deus, não tolero cigarro, não aceito bebida, quero casar logo e ter um monte de filhos, blá, blá, blá”, etc, etc. Em suma, evito chatos.

Imaginar que os ateus, um grupo pequeno e, pior, diversificado ao extremo, solto, vá formar uma religião monolítica (como nem a igreja católica conseguiu ser) que venha a ameaçar/destruir as demais... é coisa de quem tem mingau na cabeça.

Trata-se só de uma posição intelectual, filosófica ou nem tanto, depende da pessoa.

“O juiz tenta colocar algo que é fruto de ceticismo como uma mera crença, taxar assim a descrença de crença, chamar de deus a ausência de deuses. É como dizer que careca é um tipo de corte de cabelo, como disse uma vez o C. Mouro. Muitos crentes, é lógico, pegarão esta mera analogia e dirão que é melhor ter cabelo do que ser careca.”

Boa, boa

André disse...

“Quando os ateus que tiram o sono do juiz especialista em concursos publicam livros explicando por que não crêem, ainda que sarcasticamente e ridicularizando religiosos, listando os males que a confiança cega em líderes religiosos e verdades reveladas anacrônicas pode trazer, logo são taxados de intolerantes..."

Não entendem e já entram de joelho.

“Dawkins não é menos terrorista do que Osama”.

Já falaram assim dele? Coitado.

“Querem o “religião não se discute”!”

Com gente burra melhor não discutir. Por que não deve ser discutido? Só pq eles não tem resposta?

“O principal profeta dessa religiosidade invertida (mas nem por isso deixando de ser uma manifestação religiosa) é Richard Dawkins, autor do livro " Deus, um Delírio"."

Dawkins não foi o primeiro dessa vertente, digamos, de divulgação do ateísmo — na qual há os chatos e o resto do povo, normal. Provavelmente por só ter Direito na cabeça, o William Wallace é um ignorante típico, i.e., não sabe porra nenhuma de História, senão conheceria “n” pensadores ateus, agnósticos, gnósticos perseguidos, etc e tal.

Apelar pra boa e velha História não adianta. O William já está velho demais pra desfazer certos cacoetes mentais, já passou dos quarenta, sua mentalidade não vai mais mudar, o cérebro já fossilizou com as idéias erradas. Posso estar errado, claro, mas devo estar certo, o pior é que devo.
Um caso recente, então. Christopher Hitchens. Trocentas vezes mais agressivo e incisivo naquele livro do que o Dawkins em tudo o que este disse até hoje. Será que o William sabe quem é Christopher Hitchens? Ficaria horrorizado.

André disse...

“A Campanha Out é uma proselitista em favor do ateísmo”

Acho divertida.

“Não se pode identificar em qualquer símbolo religioso um inimigo”

Por falar nisso, que bom viver no Brasil. Vá dizer isso para sunitas e xiitas, judeus e palestinos... Eles fazem isso no café da manhã.

“Discutir os símbolos religiosos é mais fácil do que enfrentar a distribuição de renda, a fome, injustiça e a desigualdade social.”

Ai, que meigo. Linduuu! Bjusss pra ele! Demagogia vagabunda. Parece a nova propaganda do PT, vi hoje, nossa, o Brasil é o paraíso por causa deles e eu não sabia. Termina com o Lula dizendo que ele é PT, que a Dilma é PT, “e vc, é o quê?”. Algo assim. Eu sou é gente, mané. Faço parte do Brasil que presta, como diz o Augusto Nunes, colunista da Veja.

O dinheiro gasto nos prédios de tribunais com cara de mausoléu do Niemeyer resolveria a vida de muita gente miserável. Se isso que estou dizendo é demagogia, então é a minha demagogia, por certo melhor que a dele. Sem falar nos superfaturamentos embutidos (e não contabilizados) no preço final nas obras.

“A eliminação dos símbolos religiosos atende aos desejos de uma vertente religiosa perfeitamente identificada, e o Estado não pode optar por uma religião em detrimento de outras.”

Perfeitamente identificada uma ova. Ateísmo não é religião, muito menos religião organizada.

“A solução correta é tolerar e conviver com as diversas manifestações religiosas, incluindo Jesus, Buda, Maomé, Allan Kardec, São Jorge etc., sem que ninguém deva se ofender com isso.”

Nossa, descobriu a pólvora.

“Por fim, acaso fosse possível uma opção, não poderia ser pela visão da ‘minoria’ mas da ‘maioria’.”

Aí é imposição, não opção.

“Eu, protestante e empedernidamente avesso às imagens esculpidas...”

Jeca. Sujeito sem gosto. Bom gosto.
Mais um deficiente de proteínas no cérebro que se sentiria mal em Roma.

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Comentários aos artigos dele:

“Paralelamente, também me ensinavam que o jugo dele é suave e que seu fardo é leve.”

Costumava ser duro e pesado.

Achei que o cara fosse falar de uma doença. Uma queda de um muro Francamente.

“Como sempre, é preciso cuidado, pois tem muita gente com fenômenos psíquicos achando que Deus está falando com ela.”

Ah, então tá. O problema sempre está nos outros... Fenômenos? Não seria distúrbios?

No fim, ele morre é de medo que essa tendência laica venha a impedir sua religião, a segunda mais forte no Brasil, de “cometer” umas estripulias.

Afinal, se o laicismo conseguir cortar algo do catolicismo, antiquíssimo, o que será do protestantismo, com muito menos quilometragem? O que dizer do pentecostalismo, coitadinho, 0 Km comparado aos protestantes tradicionais.

Catellius disse...

Ótimos comentários, André. Depois respondo com calma. Ria um pouco, por enquanto.

A melhor cena de ação de todos os tempos

André disse...

Isso é muito engraçado.

O cinema indiano progrediu muito. Nos anos 80 eles faziam filmes com cara de anos 70. Hoje os filmes deles tem cara de anos 80. Mais uns dez anos e chegam no visual dos 90.

São toscos, mas aí é que está a graça.
Se não fosse a falta de saneamento básico e se houvesse mais mulheres como a Aishwariya Rai por lá, pensaria até em me mudar. A Índia é maluca, em todos os sentidos, tem tudo do pior e alguma coisa do melhor. Espero que nunca entrem em guerra nuclear com o Paquistão, porque iria morrer gente pra burro, dos dois lados (mais paquistaneses, mas o estrago seria imenso pra todo mundo. Se uma cidade como Nova York, com serviços de emergência de ponta, viraria um inferno se fosse atingida por uma bombinha pequena, imagine uma cidade como Nova Delhi, que sem bomba já é um caos).

O cavalo do cara raspando o alfalto por baixo da carreta é demais. Os vidros de açúcar quebram todos do mesmo jeito, o sangue é a maior tinta guache, a polícia montada cai dos cavalos igualzinho e carros explodem só do cara passar perto deles. E ainda copiaram a música do primeiro Velocidade Máxima! A sonoplastia é dos japoneses que faziam Ultraman, Spectreman e outros heróis de plástico que lutavam contra dragões de cartolina e papel crepom.

Esse aqui parece filme dos Trapalhões:

http://www.youtube.com/watch?v=59RBzP7S31c&feature=related

Tem um cara que está colocando no you tube, em partes, que já são mais de 100, todos os quadros dos Trapalhões. Alguns foram tirados da caixa com três dvds da Globo, muito boa. Gosto do you tube por causa disso, pelas velharias que nunca perdem a classe.

Outros clipes indianos (e arredores) que fazem muito sucesso na internet:

http://www.youtube.com/watch?v=YgMGvNWhFNw

Luta de trator:

http://www.youtube.com/watch?v=-E6q-m1tLn8

http://www.youtube.com/watch?v=UQb4ovT9z6M&feature=related

MTV indiana:

http://www.youtube.com/watch?v=aeRXvjUNUcQ

http://www.youtube.com/watch?v=-bAN7Ts0xBo&feature=related

Camilo disse...

Catellius,

Achei bem legal a entrevista do juiz, e gostaria de dizer que concordo com vocês dois. Com o juiz a parte que está em negrito e com você que o Dawkins é um chato, não porque pregue a não existência de deus (isso eu possa talvez concordar), mas por bater numa mesma tecla e desconhecer os caminhos da argumentação que conduzem a uma relação harmônica entre pessoas com opiniões divergentes. Isso transforma qualquer cara legal num chato.

abraços.

Camilo

André disse...

O pior não é o fato desse cara falar com Deus (se bem que até sobre isso ele deveria silenciar, mas não adianta nem mesmo sugerir que já é ofensa, paciência...). O pior é que Deus fala com ele. Responde. E ele publica.

Deveria ter uma certa postura, não necessariamente por ser juiz, "aquele que faz justiça mas não é justiceiro", "otoridade", mas sobretudo por senso de ridículo. Só por isso.

Os episódios das quedas (do muro e de bicicleta) evitados pela mão de Deus dispensam comentários.

O mais interessante nem é essa Mão Invisível, cá entre nós, prefiro a do Mercado, a do Adam Smith.

Fiquei de cara foi com a tal Voz.

Aquela do dia em que ele estava lendo a Bíblia e, lá pelas tantas, uma voz disse "vai, transe com a sua mulher, que vou lhe dar um filho", noooosssa! Essa foi escatológica. Vai para as calendas gregas, para os anais. Santa imaginação fértil.

Deus fala mesmo essas coisas para o seu povo, para os eleitos? Nesses termos? Waaal...

E eu aqui, "velho" e chato, me preocupando com senso de ridículo, postura, discrição, enfim, detalhes. Besteirinhas.

Catellius disse...

Camilo,

É sintomático alguém estar tão em harmonia com esse William Douglas (a parte que está em negrito), e surpreendente talvez concordar com a não existência de deus. Os conflitos internos devem ser atrozes!

Dawkins não bate na mesma tecla. É um bom geneticista com um leque amplo de argumentos - que também não são nenhuma novidade -, mas que tem a pretensão de mudar a opinião das pessoas, abrir-lhes os olhos, deu-se essa "nobre" missão, como o astrônomo Carl Sagan. E por isso é um chato, na minha opinião. Logo que virei ateu também tentava cativar as pessoas para convertê-las, racionalmente, claro. Cheguei até a apelar para coisas como "fez-me muito bem; estou livre" - que não são argumentos, mas apelos emocionais como aqueles usados pelos religiosos. Hoje prefiro ridicularizar coisas ridículas. A atmosfera de ridicularização de coisas ridículas, principalmente as sacrossantas, tem um efeito positivo nas pessoas de bom senso. Serve para algumas pessoas não se levarem muito a sério. E diminui sobremaneira a influência dos sacerdotes na sociedade.

André disse...

"Hoje prefiro ridicularizar coisas ridículas. A atmosfera de ridicularização de coisas ridículas, principalmente as sacrossantas, tem um efeito positivo nas pessoas de bom senso. Serve para algumas pessoas não se levarem muito a sério. E diminui sobremaneira a influência dos sacerdotes na sociedade."

Legal. Já fiz muito disso, hoje faço menos, mas continuo acreditando nesse conceito. E é muito bom mesmo que as pessoas não se levem muito a sério.

Anônimo disse...

Já assisti a uma palestra desse juiz sobre concursos. O cara é um mala sem alça. Egocêntrico até não mais poder. Não sabia que era doidinho, que ouvia vozes.

Yuri disse...

o catellius deixou o André no vácuo. Prometeu resposta mas nada...
Parece q o blog faliu mesmo.

DDV disse...

Eu concordo integralmente com o texto do juíz.

Barata Tenno disse...

Perda de tempo de quem? O que esta sendo deixado de lado por causa disso?

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