27 janeiro 2010

Vodu, Candomblé, Pentecostais e Carismáticos

Após engravidar a própria filha enquanto o futuro genro dava duro na carpintaria, descer em forma de pomba sobre o companheiro de trindade a ser banhado pelo primo locustófago, após descer como línguas de fogo sobre os membros da gangue de Ben Pantera, o Espírito Santo ficou em uma espécie de sono letárgico por quase dois milênios, limitando-se a fazer biscates como auxiliar de exegetas e a opinar em concílios, voltando há pouco a operar maravilhas nos evangélicos e carismáticos católicos após os negros de Nova Orleans acharem uma brecha na lei – o Pentecostes de Atos dos Apóstolos - para inserirem nos cultos cristãos a catarse de seus ritos africanos. Houve pequenas mudanças, claro: se nos bons tempos ele descia, hoje o Espírito baixa.

Hoje a missa é considerada desanimada em comparação aos cultos evangélicos. Historicamente, no entanto, os protestantes – em especial os puritanos dos EUA – desejavam uma volta ao cristianismo primitivo, seus hábitos e cultos eram austeros, sisudos, principalmente se comparados aos católicos e seus templos em estilo pagão cujas paredes e abóbadas ornamentadas por esfuziantes esculturas e pinturas sensuais reverberavam notas de pujantes óperas sacras, melodramáticas, onde o ar recendia a incenso, onde o sacerdote coberto por paramentadas sotainas proferia, de costas para a nave, palavras mágicas em latim que ameaçavam, garantiam proteção, transubstanciavam pão em carne de teântropo. Mesmo o pietismo, um movimento surgido na Igreja Luterana onde se buscava uma experiência individual com Deus, vitalista, não era nada festivo. Algo dele influenciou os metodistas e chegou às primeiras igrejas pentecostais americanas. Mas o pentecostalismo não veio do pietismo, daquele lá do séc. XVII, como afirmam alguns católicos carismáticos.

Quando havia comércio de escravos nas Américas, o vodu cruzou o Atlântico com os negros que o praticavam e criou raízes nos EUA (Nova Orleans) e Caribe (Haiti). O vodu original de estilo africano parece ter chegado mais ou menos intacto por lá. Em um ambiente cristão severo, protestante, existiam leis contra a execução de sua música ritmada, mas com escassos resultados. William Seymour, um filho de ex-escravos de Louisiana, promoveu o sincretismo dessa espiritualidade ancestral com o cristianismo, encorajando a música ritmada na igreja como parte da busca pela experiência imediata com o Espírito Santo, assim como a glossolalia*, o transe, a dança - a catarse, enfim - essenciais na espiritualidade daqueles africanos. Horas sem se alimentar, cansaço físico, alucinações decorrentes... Do ponto de vista biológico, as catarses, ritmos e danças fazem o cérebro liberar ocitocina em boa quantidade (hormônio que atinge um pico pouco antes do orgasmo sexual), endorfina e outros hormônios do prazer que podem levar o "usuário" a querer cada vez mais catarses, mais danças, mais música ritmada.

Tal histeria - que antigamente apenas víamos nas igrejas evangélicas americanas freqüentadas por descendentes de africanos -, aquelas pessoas em transe a emitir seus “gemidos inefáveis” (Rm 8, 26), essas coisas semelhantes a rituais de vodu e candomblé só apareceram no cristianismo, portanto, com os negros dos EUA. Hoje vemos caricaturas daquele fervor, que ao menos era autêntico, nos católicos e nos evangélicos brasileiros e de outros grotões subdesenvolvidos. No caso dos Carismáticos Católicos, com seus maneirismos idênticos aos dos evangélicos, o Espírito Santo lhes sugeriu plagiar os “irmãos separados” para evitar a debandada de fiéis, que seria radicalmente maior se na RCC se buscasse o contato com Deus apenas com orações e com o velho e maçante ritual da Missa.

Como devemos olhar os frutos para julgarmos a árvore, segundo o amaldiçoador de figueiras, as antigas cerimônias vodu africanas, plenas de feitiçaria, sacrifícios humanos e orgias sexuais, eram boas e santas porque permitiram a volta na cristandade daquele Espírito Santo que não se via desde o Pentecostes.

*Glossolalia

Romanos 8, 26 e 27: “Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus.”

Somos fracos e não sabemos orar e o que pedir, por isso o Espírito Santo nos trata como títeres movendo nossos lábios e vibrando nossas cordas vocais para que sejam emitidos burlescos sons estilo “shá-lá-lá-lá-shimanian-nan-lá-lá” (carismáticos costumam fazer a glossolalia com sons que julgam se parecer com algo semita - árabe ou hebraico). Após isso, Deus, burocrático como sempre - não é um com o Espírito Santo? -, ouve os gemidos, os compreende, e atende. Atende, é lógico! A fé move montanhas e placas tectônicas. Eu posso rezar sem fé, mas não se é o próprio Deus que reza a Deus por mim, não? Na verdade, essa oração em línguas pode ser até um pedido para que o Haiti seja arrasado. Não há como saber, uma vez que no versículo seguinte ao disparate destacado acima lemos: “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios.” Ou seja: até mesmo o terremoto no Haiti concorre para o bem dos eleitos, por isso o bom deus de Zilda Arns lhe acachapou a cabeça com uma trave de concreto.

Uma teoria maluca que elaborei hoje pela manhã: Nova Orleans, há não muito tempo, foi arrasada pelo Katrina. Neste terrível janeiro de 2010 a capital do Haiti foi destruída por um terremoto e a região de Cruzeiro, Cachoeira Paulista e Paraitinga, no leste de São Paulo, foi fortemente castigada pelas chuvas. Em Paraitinga, uma igreja história de uns 200 anos veio abaixo com a força das chuvas. Essa é a região brasileira onde a Renovação Carismática Católica é mais forte. A sede da Canção Nova, por exemplo, fica em Cachoeira Paulista. Será que tudo isso está acontecendo porque Javé resolveu implicar com o Vodu, contrariando os planos do Espírito Santo? No mundo das religiões, tudo é possível!

10 comentários:

Anônimo disse...

Engraçado. O povo que os evangélicos mais criticam é o macumbeiro e o adepto do candomblé. Aprendi que é tudo farinha do mesmo saco. Vc tem as fontes?

Carlos Henrique

Anônimo disse...

1. A renovação carismática nasceu na Igreja Católica Apostólica Romana. Em Atos dos Apóstolos capítulo 2, os apóstolos recebem a efusão no Espírito Santo e a partir daí começam a evangelizar. São Pedro (1 Papa, instituído pelo próprio Jesus), vai até o povo, discursa, onde cada um o ouvia em sua língua materna (então ele falava em línguas) e converteu muitas pessoas ali. Logo, o primeiro ato da Igreja de Jesus, após sua assenção ao Céu, foi através do Espírito Santo.

2. Todos os dons e carismas usados hoje na renovação, já haviam sido inspirados nas primeiras comunidades Cristãs. Lendo a segunda carta de S. Paulo aos Coríntios, S Paulo instrui os membros daquela comunidade, de como eles deveriam usas os dons.

3. Se vocês puderem se informar melhor, a renovação carismática católica, é um movimento que esta sucitando vocações para sacerdócio e vida religiosa consagrada, em todos os seguimentos. Sendo, ainda, que todos os que começam a participar do movimento começam a ter uma participação mais ativa e profunda das celebrações e sacramentos da Igreja. Então sua afirmação sobre a renovação: " Com efeito, se o homem pudesse receber o Espírito Santo na forma como o afirmam os carismáticos, a pessoa ficaria sem precisar de sacramentos. Também não seria mais necessário o clero, porque cada um se relacionaria diretamente com Deus. " é de total responsabilidade do editor deste site. Mesmo porque como foi o Espírito Santo que criou a Igreja (com sua hierarquia e sacramentos) e é este que nos efunde também, como poderia esse Espirito nos separar ?

4. Quanto a afirmação "fé sem razão" , convido-os a adquirir um livro da Comunidade Canção Nova (que é interiamente Carismática) que se chama "Fé e Ciência", do Prof Felipe Aquino. Este livro os ajudará a ver que não vemos a Fé sem a razão, pois ambas vem de Deus. Em relação aos " livros esses nos quais abundam os erros doutrinários, especialmente teses gnósticas", gostaria de salientar que a Frente Nacional da Escola Paulo Apostolo, conta com muitos teólogos da Igreja, que até então, não verificaram nada de errado.
Alem de tudo o que citei acima, o movimento conta com o apoio do proprio Papa João Paulo II e da CNBB.

blaise2 disse...

Anônimo disse...


"Alem de tudo o que citei acima, o movimento conta com o apoio do proprio Papa João Paulo II e da CNBB."

28/01/2010 00:06:00

CNBB??Se tem apoio da CNBB coisa boa não deve ser...
Haja vista que ela não é reconhecida oficialmente pelo Vaticano,no sentido de fazer parte da hierarquia da ICAR.

Misturar CNBB com o Vaticano é uma safadeza.Os sedizentes católicos verdadeiros sabem disso.
Carismáticos devem odiar o tal Monfort,né?

Pensando bem,se merecem.
O que faz rir é papistas fazendo contorcionismo vernáculo pra provar que o papa(ou papas) é diferente do Edir Macedo em termos de viver de fortunas erguidas com mentiras e embustes.

No quê o papa é melhor do que o Macedão?Este só é mais competente pra enricar em menos tempo.A ICAR levou 2 mil anos,a IURD menos de 10,maior prova de competência desconheço...

Anônimo disse...

"Assenção"? ASCENSÃO, Anônimo! ASCENSÃO!

Nossa, a internet é um festival de excessão, ancioso, enteressante, desempedido, cincero... sem falar nas vírgulas mal colocadas --- ou jamais colocadas --- e nos erros de concordância e regência.

Demóstenes disse...

"Após engravidar a própria filha enquanto o futuro genro dava duro na carpintaria...",

"...após descer como línguas de fogo sobre os membros da gangue de Ben Pantera..."

Se o Espírito Santo engravidou Maria, como Jesus é Ben Panthera, que quer dizer "filho de Panthera" (o soldado romano)?

Mas gostei do texto. Acho evangélicos e carismáticos simplesmente ridículos.

Bocage disse...

Viva Catellius!

E Santo Tomás More, pouco antes de seu martírio, consola sua filha: "Não pode acontecer nada que Deus não tenha querido. Ora, tudo o que ele quer, por pior que possa parecer-nos, é o que há de melhor para nós"

André disse...

Essa do Thomas More me lembrou de outra:

Santo Hilário, que rezou pra que sua filha morresse e depois ajudou sua mulher a rezar pra que esta fosse em seguida. Cool!

St. Hilary, Bishop of Poitiers, that famous enemy of the Arian heresy, being in Syria, had intelligence thither sent him, that Abra, his only daughter, whom he left at home under the eye and tuition of her mother, was sought in marriage by the greatest noblemen of the country, as being a virgin virtuously brought up, fair, rich, and in the flower of her age; whereupon he wrote to her (as appears upon record), that she should remove her affection from all the pleasures and advantages proposed to her; for that he had in his travels found out a much greater and more worthy fortune for her, a husband of much greater power and magnificence, who would present her with robes and jewels of inestimable value; wherein his design was to dispossess her of the appetite and use of worldly delights, to join her wholly to God; but the nearest and most certain way to this, being, as he conceived, the death of his daughter; he never ceased, by vows, prayers, and orisons, to beg of the Almighty, that He would please to call her out of this world, and to take her to Himself; as accordingly it came to pass; for soon after his return, she died, at which he expressed a singular joy. This seems to outdo the other, forasmuch as he applies himself to this means at the outset, which they only take subsidiarily; and, besides, it was towards his only daughter.

But I will not omit the latter end of this story, though it be for my purpose; St. Hilary's wife, having understood from him how the death of their daughter was brought about by his desire and design, and how much happier she was to be removed out of this world than to have stayed in it, conceived so vivid an apprehension of the eternal and heavenly beatitude, that she begged of her husband, with the extremest importunity, to do as much for her; and God, at their joint request, shortly after calling her to Him, it was a death embraced with singular and mutual content.

http://www.gutenberg.org/files/3600/3600-h/3600-h.htm#2HCH0032

http://www.davemckay.co.uk/philosophy/montaigne/montaigne.php?name=essays.book1.032

quim disse...

Meu caro,

Admiro a habilidade com que você usa as suas palavras. Mas cuidado. Elas têm um grande peso e um dia ( a qualquer momento) você dará conta delas para aquele de quem você fala. Acho melho você reavaliar a forma que anda falando Dele.

"Mas eu (Jesus) digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juizo." (Mt.12.36).

UM AMIGO.

Anônimo disse...

Meu caro,

Admiro a habilidade com que você usa as suas palavras. Mas cuidado. Elas têm um grande peso e um dia ( a qualquer momento) você dará conta delas para aquele de quem você fala. Acho melho você reavaliar a forma que anda falando Dele.

"Mas eu (Jesus) digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juizo." (Mt.12.36).

Anônimo disse...

nao,e verdader que todos sao farias do mesmo saco existe DEUS e o diabo.DEUS E LUZ

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