30 junho 2009

Somos Todos do Diabo!


I João, 3

8. Aquele que peca é do demônio, porque o demônio peca desde o princípio.

I João, 1

8. Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.

_____________

E destarte somos todos do diabo, cristãos e não cristãos, de acordo com o Calhamaço de Embustes. Do capeta!

Jesus é o cordeiro de deus, que tira os pecados do mundo, embora os pecados do mundo ainda estejam por aí.

Jesus é aquele que livra os batizados do pecado original, embora continuem pecadores e exilados do paraíso outrora usufruído pelos sem-umbigo, Adão e Eva.

Os não batizados, como o bebê da foto, filhinho de pagãos budistas, estão em pior situação; nascem e morrem contaminados pelo pecado original, não têm seus pecadilhos perdoados ao longo da vida, vivem e morrem do demônio e passarão a eternidade nas caldeiras do inferno.

25 junho 2009

Quem mandou apedrejar a adúltera?

Jesus não deixou que apedrejassem a mulher apanhada em adultério.

Sim, que ele mesmo mandou apedrejar, já que é um com o pai, e disse:

“Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. (...) Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.”
A ordem para apedrejar adúlteros está em Levítico, 20:10, e é dada pelo próprio 3 em 1, o JJP (Javé/Jesus/Pomba). Se Jesus é um com Javé, foi ele também que ordenou as matanças abomináveis de Canaã, participando ativamente delas ao fazer chover pedras sobre aqueles que fugiam para salvar a pele, exigindo a morte de cada criança, cada bebê, cada animal.

JJP mudou as regras no meio do jogo e sei lá qual exercício mental absurdo o crente que se permite pensar(1) faz para acreditar que de fato nenhum jota da lei desapareceu, Jesus a levou à perfeição, não há conflito entre os ensinamentos do Velho e do Novo Testamento, JJP ordenar a morte de criancinhas inocentes é simbólico... Parte-se do pressuposto de que tudo na Bíblia é bom e depois se tenta achar uma explicação que a salve de qualquer crítica. Acho que simplesmente o crente prefere aquele "não entendemos a 'lógica' de Deus"...

O poder de dissociação dos crentes não permite que enxerguem aquele Jesus hippie do NT como ele seria de fato se tudo aquilo fosse verdade, se ele de fato fosse um com o pai e se este realmente tivesse aprontado tantas presepadas no VT, como afogar a humanidade inteira para acabar com o mal na Terra e fracassar vergonhosamente, afinal o mal ainda está por aí...

E atende pedido de capetas para possuir milhares de porcos, arruinando os pobres suinocultores da região, que o escorraçaram de Gerasa por causa da sandice...

E fora as ameaças, chicotadas nos vendilhões, tinha um prazer em mandar os outros para o inferno... Aliás, ele deixa bem claro que poderia ensinar de um modo que mais pessoas se salvassem, mas diz preferir as parábolas para que as pessoas “de fora” não entendam o ensinamento e assim não se convertam, obrigando-o a salvá-las... Vejamos em Marcos 4, 11 e 12:
“Ele disse-lhes: A vós é revelado o mistério do Reino de Deus, mas aos que são de fora tudo se lhes propõe em parábolas. Desse modo, eles olham sem ver, escutam sem compreender, sem que se convertam e lhes seja perdoado.”
Claro, isso entra em choque com o "ide e pregai", com o modo como tratou o centurião romano, como estendeu a salvação ao gentio, etc... Mas a Bíblia é isso aí: um amontoado de coisas conflitantes que servem àquele que quer discriminar gays e àquele que os tolera. Sob a moral de hoje imagina-se um Jesus pacifista. Na moral da época de Santo Agostinho imaginava-se o Jesus que não veio trazer a paz mas a espada, o chicoteador de vendilhões. O que ameaça o tempo todo com o fogo eterno estava mais na moda, assim como os métodos do Javé do Velho Testamento, brutais, monstruosos, assassinos.

____________________________

(1)na verdade: "...que se permite pensar livremente sobre o assunto em questão..."

É óbvio que existem crentes gênios, crentes burros, descrentes gênios e descrentes burros; talvez até seja necessário um pouquinho de "estupidez" (entre aspas, claro) para não se impressionar com algumas engenhosíssimas exegeses ad hoc de gente "inteligente" porém comprometida emocional e culturalmente até os ossos com a ideologia / fé que defende. Na verdade, as interpretações seriam inspiradas pelo Espírito Santo, embora variem ao longo dos séculos e de acordo com as conveniências... O texto é ditado por Javé, mas é tão confuso e contraditório que o Espírito Santo ajuda nas interpretações...

A interpretação, assim, só é garantida, "mais do que àquele que compreende o texto original e domina o latim, o grego, o árabe, o aramaico, o atlante e a História -, ao 'dono' da religião cujo texto pretende interpretar. E as interpretações vão bailando, ora são simbólicas ora literais" (de um texto do D.A.)

Na verdade, o que há é uma confiança imensa de que tudo aquilo é verdade. Quando o patinho nasceu, adotou a lata puxada por um fio como mãe e pronto. Podem lhe mostrar ad nauseam como as latas são feitas e que há mais como aquela, que ele é muito mais parecido com uma pata adulta, mas o patinho só se sentirá verdadeiramente protegido e confiante ao lado da lata amassada de Heineken que ele viu ao sair do ovo...

É desta maneira que gente muito inteligente acredita em absurdidades pueris de sua própria religião enquanto ri de absurdidades semelhantes na religião alheia, para a qual usa seu senso crítico sem impedimentos. Conheço católicos que riem da reencarnação (sendo que bilhões acreditam nela, inclusive gente muito inteligente), dos deuses zoomórficos hindus, etc. E eu rio tanto dos deuses zoomórficos hindus quanto de Javé não gostar de toucinho, de Maria ter subido ao espaço sideral com carne, osso, sangue, cabelos, e de ainda estar por lá, perto do corpo físico de Jesus, o mesmo corpo crucificado, rio das setenta virgens do islamismo... Opa, daqui um tempo o islã descobrirá a jogadinha do simbólico/literal e o Corão passará a ser um livro "zen budista", "paz e amor", como o Velho Testamento...

23 junho 2009

Minhas preces foram atendidas

De passagem por este blog depois de mais de um ano...

Meu querido primo escreveu:

"Há pouco tempo resolvemos eu e a Alessandra passear em São Marcos. Paramos naquela conhecida gruta à margem da BR, para eu matar as saudades e bater fotos. Ela me sugeriu um pedido para Nossa Senhora das Graças, o que acabei fazendo ainda que um tanto cético; pedi pela minha saúde, que vinha bastante mal.

Só Deus sabe o quanto estava debilitado, com arritmias freqüentes, cansaço e estresse extremos, tonturas, palpitações etc., tendo que me abster de prazeres como vinho, bebidas com cafeína e até de passeios, porque uma caminhada de 50 metros já me exauria as forças.

Qual não foi minha surpresa quando em praticamente dois dias melhorei 90%! Hoje caminho em ritmo bastante forte, durmo bem, degusto vinho à vontade, café, mangio o que quiser, e o melhor de tudo, as arritmias escassearam significativamente, a ponto de quase desaparecerem. Soa até como papo de bispo da Igreja Universal, mas tenho testemunhas do antes e depois. O fato é que fiquei positivamente surpreso com o que aconteceu, e pretendo somar uma plaquinha de agradecimento àquelas muitas que enfeitam a gruta.

Fica o relato. Caso alguém ache que estou mentindo, que o efeito foi psicológico ou coisas do gênero, fique à vontade. Isso não mudará a verdade.
Abraços."


E eu respondi:

Bom, Cristiano, como o Estevão, estou feliz por você estar melhor! E para a próxima, e sou eu que lhe peço, vá lá e reze/peça pela paz no oriente médio. Ou pela cura da AIDS. Ou que um dedinho amputado de qualquer pessoa cresça... Bom, aí é difícil, porque sabemos que o seu deus não cura amputados, nem que todas as pessoas do mundo peçam com fé ao mesmo tempo... É como rezar para achar uma vaga no Setor Comercial Sul na hora do rush... Deuses costumam atender mais se rezarmos para achar uma vaga no Nilson Nelson durante a semana... Para que gastar a fé se ela faz tão bem, independentemente de seu objeto ser verdadeiro, como disse o Fábio?

Acredita que melhorou pelo fato de ter pedido pela sua saúde à Senhora das Graças, tudo bem. Partindo desse pressuposto, você deve as melhoras à Santa porque ela o ajudou. E se não tivesse melhorado, seria por recusa da Santa em o ajudar? Aí não, claro! Aí seria porque o deus sabe o que é melhor para nós, para nossa alma, etc. Ele se dá bem quando atende a preces e quando não atende. Ora, então as pessoas pias e que pedem com fé deviam colocar plaquinhas de agradecimento na gruta da Santa por não terem sido curadas, afinal o deus sabe o que é melhor para elas e para a humanidade...

Bom, 90% não é impressionante, Os cirurgiões psíquicos da Malásia garantem 100% :)...

E apenas a fé pode levá-lo a crer que merece ser "curado" de algum mal enquanto milhões de outras pessoas que têm a mesma crença estão na fila de espera há anos por um milagrezinho. Você deve ser muito especial para o seu deus...

Mas considero isso normal. Quando estamos impotentes perante algumas coisas, gostamos de ter um ser onipotente à disposição que é "comandado" por nós para que faça o que desejamos, e a prece (a prece que pede por algo, não a que agradece, que por vezes é fruto apenas de felicidade transbordante e às vezes é medo de ser mal-agradecido e perder o que foi conquistado por ser muito especial aos olhos de deus) é uma espécie de joystick com que julgamos controlar esse ser onipotente... E aí nos sentimos potentes... Pobre ser humano!

"Neptuno has ago gratias meo patrono, qui salsis locis incolit piscolentis, quom me ex suis locis pulchre ornatum expedivit, reducem et tempulis, plurima praeda onustum salute horiae"

(Graças sejam dadas a Netuno, meu patrono, que está na morada salgada dos peixes (não sei traduzir bem), pela rapidez com que me levou para casa e sei lá mais o quê...

Existem milhares de preces comoventes feitas em agradecimento a outros deuses, por graças alcançadas. Esses deuses não existem e isto é consenso, porque hoje não há crentes que reclamem sua existência.

Vamos às estatísticas:

Digamos que 0,15% da população mundial contraia uma doença nova da qual a chance de o contagiado se curar seja de uma em cem - 1%. Quem ouve de um médico "sua chance de sair vivo desta é de 1%" considera-se praticamente morto, não?

Bom, a população mundial é de 6,6 bilhões. Teremos quase 10 milhões de desgraçados no mundo que contrairam a doença. Quase todos terão algum deus e rezarão para ele, embora se considerem praticamente mortos. No fim das contas, teremos 100 mil pessoas salvas "miraculosamente" mundo afora a dar testemunho diário do quanto seu deus é poderoso, afinal estavam "praticamente mortas". As outras milhões estarão mortas e não terão chance de dar testemunho diário de coisa alguma. Estatística é isso aí! Se a possibilidade de ganhar em determinado jogo é de uma em um milhão e cinco milhões jogarem, provavelmente teremos cinco ou seis ganhadores, dez, quem sabe. E todos eles se considerarão agraciados pelos deuses, afinal rezaram antes de jogar... Assim como os outros que não ganharam...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...