16 outubro 2009

1531: Deus x Correggio

Cliquem nas imagens ao lado para ampliá-las.

Figura 1

- Título: Nossa Senhora de Guadalupe
- Autor: O famosíssimo e eterno Deus Todo-Poderoso, onisciente, onipotente e onipresente, o ser mais perfeito de todo o universo - aliás, sua obra mais célebre.
- Ano da obra: 1531
- Técnica: Pigmentos divinos desconhecidos que simulam tinta terrena desgastada pelo tempo, esmaecida, fosca. O substrato é um tecido com propriedades impressionantes: é fibra de cacto quando observado por criaturas de sotaina, e linho e cânhamo quando observado por criaturas de jaleco.
- Estilo: Jeová, o ser mais perfeito do universo, optou por um estilo tosco-pueril indígena a macaquear o maneirismo pré-barroco europeu. Não quis fazer algo muito surpreendente para não tirar a liberdade das gentes de não acreditar e, assim, valorizar a fé no absurdo, como gostava Tertuliano. O tema é sublime, transcendental. Deus retrata ao mesmo tempo a mãe e a filha.

Figura 2

- Título: Júpiter e Io
- Autor: Correggio, um reles mortal nascido em Reggio Emilia, Itália. Teve apenas uns trinta anos para desenvolver suas habilidades pictóricas.
- Ano da obra: 1531
- Técnica: A ordinária tinta a óleo sobre tela.
- Estilo: Renascentista para uns, maneirista para outros. O tema pagão, de um erotismo repugnante, retrata a absurda fecundação de uma mulher por um deus em forma de nuvem. Como se sabe, mulheres engravidam, no máximo, de deuses em forma de pomba.

8 comentários:

André disse...

Ah, é Renascentismo mesmo. Grande Renascença. Como pintavam bem. E esculpiam. E todo o resto. Adoro esses temas da mitologia grega. Os cristãos também são bons, claro, mas acho a mitologia grega muito mais interessante. E como eram bons os caras que vieram antes dos Renascentistas, os pré-renascentistas.

Quanto ao barroco, depende do barroco. Rembrandt e Vermeer não são considerados pintores barrocos? Pelo menos é o que está na Wikipedia em inglês. Não me interesso muito pelos períodos em si ou pelas escolas.

Agora, esse barroco tosco exaltado por aqui e na vizinhança latina, essas coisas de igreja de interior de Minas, Aleijadinho e não sei o que mais, bom, eu respeito quem gosta, mas não consigo achar aquilo bonito. Acho sem graça, morto. E feio.

Catellius disse...

Isso aí, Aleijadinho é arte para uns, artesanato mineiro para outros.

André disse...

Artesanato. Isso, isso, isso... Essa é a palavra certa. Aí tudo bem.

Anônimo disse...

Ô burrão

Quem fez Correggio? Deus!

Catellius disse...

Quem fez Charles Manson? Deus também, rsrs.

André disse...

Pois é. E Hitler, Stalin, Mao, Pol Pot, Leonardo Da Vinci, Dante, Shakespeare, Maquiavel, Alexandre da Macedônia, Júlio César, Bento XVI... todos feitos por Javé. Ou, se preferirem, pelo DNA. Ou o que mais quiserem.

RVM disse...

Estilo tosco, ou não, fé absurda, ou não, fato é, meu caro catellius, que até hoje o assunto tem sido objeto de investigações científicas e continua sendo um mistério.
Zombar e fazer chacota de fatos tidos por sobrenaturais, mas que foram comprovadamente desmascarados é uma coisa. Outra, é caçoar de fatos como este que, apesar de várias pesquisas e estudos acerca de todo o mistério que o assunto envolve, ainda não foi de todo decifrado. E será que vai ser?

Catellius disse...

RVM,

"até hoje o assunto tem sido objeto de investigações científicas e continua sendo um mistério"

Não continua sendo um mistério. Para os religiosos, talvez. Acho que se a imagem não fosse tida como milagrosa por milhões de pessoas, cientistas não perderiam muito tempo colocando-a sob seus microscópios. A imagem estaria em um museu, no máximo. Mais provavelmente em uma sacristia ou em um altar qualquer. Se milhões tivessem a Monalisa como milagrosa e feita por um deus, ela continuaria “sendo um mistério” para os religiosos, porque os cientistas se limitariam a dizer terem percebido pigmentos de tal ordem, traços de pincelada, etc., jamais diriam “não foi deus que a confeccionou”. E ela continuaria como “mistério”.

Zumárraga não era arcebispo naquela época, a historinha do milagre apareceu 100 anos depois da suposta época em que teria ocorrido, o índio provavelmente não existiu, a pintura feita por um ser omni-tudo é ruim, o índio refletido no olho parece tanto com um índio quanto uma nuvem em forma de cavalo se parece com um japonês, e não há nada de miraculoso no modo como foi pintada, uma vez que há traços de pinceladas e vários acréscimos ao longo dos séculos, ou no substrato, no tecido, que não é fibra de cacto mas linho e cânhamo. Em suma: nada surpreendente. Apenas mais uma reliquia católica.

E não permitem que mais cientistas analisem para não estragar o pano, sendo que uma das alegações é de que a imagem já sobreviveu a explosões, a séculos de extrema umidade e a condições péssimas.

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