30 junho 2008

Apedeuta defende ilegalidade

Janer Cristaldo

O Supremo Apedeuta é ágil em sofismar, não perde nenhuma ocasião de dizer besteiras. Semana passada, disse que a recente lei de restrição à imigração da União Européia é preconceituosa. "Qual é o grande problema que nós temos no mundo desenvolvido hoje? É o preconceito contra a imigração", disse o Supremo.

Ora, não há preconceito algum contra a imigração. A Europa precisa de imigrantes e tem perfeita consciência disto. O que a UE não quer é a imigração ilegal. Desde há muito havia uma imensa complacência em relação aos ditos sem-papéis, e particularmente da Igreja Católica. Em quase todos os países da Europa, os padres davam guarida a quem entrava ilegalmente no continente. O que a Santa Madre fazia era, na verdade, uma defesa da ilegalidade. O mesmo pretende Lula.

Para o Apedeuta, "o vento frio da xenofobia sopra outra vez". Ora, está soprando pela primeira vez, porque até agora os sem-papéis sempre foram tolerados. E não se trata de xenofobia. Lula, que não entende nem português, de etimologia não entende pivicas. Xenofobia, literalmente, seria medo ao estrangeiro. Não é este o sentimento da Europa. O que se pretende é apenas cumprir a lei.

"Qual é o grande problema que nós temos no mundo desenvolvido hoje? – pergunta a si mesmo o Supremo – É o preconceito contra a imigração. É o medo de perder seu status quo, é o medo de perder o emprego, é o medo de ter alguém ocupando seu espaço. E isso hoje é um problema extremamente sério em toda a Europa. Não é proibindo os pobres de ir para a Europa, é ajudando a desenvolver os países pobres."

A Europa, com seu baixo índice de natalidade, sempre precisará de imigrantes. Não está proibindo os pobres de chegarem lá. Se você migrar para os países europeus com um contrato de trabalho ou de acordo com a legislação vigente – seja pobre ou seja rico – não será barrado em nenhuma aduana nem expulso de nenhum país. Europeu algum tem medo de perder seu emprego ou seu espaço. Porque o trabalho destinado ao imigrante é o trabalho braçal, que europeu algum quer. Imigrante não compete com europeu. Compete apenas com outros pobres diabos que também migram.

Todos os países do mundo empregam mão de obra barata para o trabalho sujo. É normal. Um professor universitário, um economista, um físico ou engenheiro não vai aceitar fazer o trabalho sujo. Nem nós não aceitamos. Tanto que temos sempre uma faxineira para o trabalho sujo de nossa casa. Isto faz parte da vida. Quem pode mais chora menos. Por outro lado, é bom lembrar que aquele imigrante que faz o trabalho sujo na Europa, vive em melhores condições de vida e tem mais assistência do que se fizesse trabalho limpo em seu país de origem.

Nos anos 70, a Europa chamava os imigrantes. A Suécia exibia suas adoráveis louras nórdicas - oficialmente, em publicações da Sverige Huset - para atrair mão de obra. A Alemanha convidava os gastarbeiter. Uma coisa é ser convidado para um país, ou entrar nele cumprindo os requisitos legais. Outra coisa é entrar clandestinamente ou com papéis falsos no país. Se isso for permitido, que se acabe então com fronteiras e aduanas. Se todo mundo pode entrar, aduana pra quê?

É curioso observar que Lula não dirige sua acusação aos Estados Unidos, um dos países mais rígidos quanto à aceitação de imigrantes. Mesmo o Brasil tem suas regras para a entrada de imigrantes. Se não as observa é porque sempre foi uma casa-da-mãe-Joana. O Brasil está cheio de imigrantes ilegais de todo azimute, desde a Coréia até a Bolívia. O que inclusive depõe a favor do país. Se há gentes migrando para cá, é porque aqui é melhor que lá.

Mas a Europa percebeu que não pode nem tem razões para receber os pobres do mundo todo. Isso sem falar no problema árabe. Os muçulmanos, viciados por suas teocracias, quando chegam na Europa já querem impor suas práticas bárbaras. O pior é que as estão impondo. A atual reação européia a uma imigração sem controle – em hora tardia, é verdade – longe de ser um preconceito, é uma defesa do Ocidente e de seus valores.

24 junho 2008

Dos quadrinhos à teologia, assim surgem as religiões


Janer Cristaldo

Há 75 milhões de anos, dezenas de planetas eram governados por um líder maligno, Xenu. Para sanar um problema de superpovoamento, Xenu teria segregado bilhões de seus habitantes na Terra. Eles foram mortos com bombas de hidrogênio, e seus espíritos - os thetans - passaram a vagar pelo planeta. Os thetans foram ainda submetidos a um processo que os tornou inaptos a tomar decisões. Cada habitante da Terra atual seria uma reencarnação desses espíritos.

Que tal? Parece história em quadrinhos. No entanto, são os fundamentos de uma nova crença em franca expansão, a cientologia. Este é o resumo da religião fornecido pelo Estado de São Paulo de hoje. A seita foi fundada por Lafayette Ron Hubbard (1911-1986), escritor de ficção científica. A cientologia é certamente a mais bem sucedida de suas ficções.

Toda a religião é ficção, é claro. Hubbard adaptou a sua à chamada era espacial. Enquanto os teólogos católicos recém começam a admitir a vida em outras galáxias, Hubbard situa seu gênesis em um conglomerado de planetas. Terá tido influências de paladinos célebres das histórias em quadrinhos: Flash Gordon, Superman, capitão Marvel. Numa época em que até marmanjos lêem histórias em quadrinhos e críticos literários as levam a sério, sua religião tinha tudo para prosperar. Entre seus crentes e financiadores, estão estrelas como Tom Cruise, John Travolta e Lisa Marie Presley. A religião foi criada nos anos 50 e já tem quase 10 milhões de fiéis. Tribunais da Alemanha, Áustria e Holanda definiram a cientologia como seita gananciosa, filosofia inescrupulosa, lavagem cerebral.

Até aí morreu o Neves. Qual religião não é uma uma seita gananciosa, uma filosofia inescrupulosa, uma lavagem cerebral? Se levarmos adiante a definição dos tribunais europeus, o Vaticano seria condenado por fraude. Nos EUA – relata o Estadão - os cursos para evoluir na Cientologia são ministrados até em um cruzeiro luxuoso, chamado de Freewinds, e podem chegar a custar US$ 400 mil. Isto é: se você investe tal montante na aquisição de uma doutrina, vai querer no mínimo o dobro de volta.

A nova seita foi montada a partir de fragmentos de budismo, hinduísmo e tradições cabalísticas. (E histórias em quadrinhos, é bom lembrar). Como são montadas, de um modo geral, todas as religiões. O judaísmo, por exemplo, surge a partir de crenças egípcias. O poderoso deus único, Jeová, é um xerox de faraó Akhenaton. Sem o Egito, não existe a Bíblia. Que por sua vez gerou o cristianismo, a nova seita que se apossou indevidamente do antigo Livro dos hebreus.

Não há religião hoje que não seja uma sopa de religiões antigas. Os tais de neopentescostais, que infestam as cadeias de televisão no mundo todo, são outros que se apossam do Livro a seu modo. O mesmo fizeram os espíritas. Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, misturou evangelhos com a teoria do magnetismo animal do austríaco Franz Anton Mesmer e construiu sua ficção. Mesmer era médico, estudava teologia e criou a picaretagem da imposição das mãos. Curiosamente, Kardec, que é francês e está sepultado no Père Lachaise, em Paris, é praticamente desconhecido em seu país. Sua tumba está sempre cheia de flores, colocadas geralmente por brasileiros.

Ainda por exemplo, o tal de Santo Daime, que comentei no ano passado. É um culto sem pé nem cabeça, criado por um seringueiro da Amazônia, cujas cerimônias consistem na ingestão da ayahuasca, beberagem feita de um cipó, que produz vômitos e diarréias, as chamadas “peias”. A nova empulhação cultua o Cristo,a Virgem... e a floresta amazônica, ecologia oblige. Pelo jeito, as tais de peias não eram muito convincentes a ponto de por si só arrebanhar acólitos. O Santo Daime então adaptou-se. Assumiu elementos de hinduísmo, umbanda e hare krishna. Deus para todos os gostos. Aqui pertinho de São Paulo, em Nazaré Paulista, a escola espiritual tem dois gurus, um tal de Sri Prem Baba, o mestre da cerimônia, que pelo jeito é tupiniquim com nome indiano para melhor enganar. Mais o guru Sri Hans Raj Maharaji, que vive na Índia, mas já apita no Santo Daime. Mais o sedizente mestre Raimundo Irineu Serra, seringueiro brasileiro neto de escravos, que morreu em 1971, e teria sido o fundador da doutrina do chá de cipó.

No Brasil, o espiritismo fundiu-se à umbanda, em um estranho caldo que mistura uma doutrina criada por um francês, a partir de teorias de um médico austríaco, com crenças animistas da afrodescendentada. A origem desta fusão é curiosa e merece ser lembrada.

Segundo J. Alves Oliveira, em Umbanda Cristã e Brasileira, no dia 15de novembro de 1908, o Caboclo das Sete Encruzilhadas se manifestou numa sessão espírita kardecista em Neves, São Gonçalo, município fluminense próximo ao Rio, então capital federal.

“Foi um escândalo" – escreve Matinas Suzuki, na Folha de São Paulo -. “Embora haja indícios de incorporações de espíritos de índios e de escravos negros nas diversas formas de macumba que existiam no Rio de Janeiro do século 19, os kardecistas não os admitiam por considerá-los espíritos marginais e pouco evoluídos. Quem recebeu o caboclo indesejado, e logo em seguida o preto-velho Pai Antônio, foi Zélio Fernandino de Moraes, um rapaz de 17 anos que se preparava para entrar para a Escola Naval”.

O achado do Zélio Fernandino parece ter vindo de encontro a alguma inconsciente aspiração brasílica e fez escola. Assim como os católicos se apossaram do livro judaico, os umbandistas reivindicaram para si o mediunismo, trouvaille de Allan Kardec. Segundo Alves Oliveira, o caboclo teria assim se revelado: "Se julgam atrasados esses espíritos dos pretos e dos índios [caboclos], devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho [o médium Zélio de Moraes] para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou".

O espiritismo então abrasileirou-se, para desalento de seus mentores europeus. A lambança é tal que já há centros orixás da umbanda, santos católicos e retratos de daimistas posicionados em lugares estratégicos do terreiro. E já existe inclusive o umbandaime, que promove a mistura entre a doutrina do daime com a religião afro-brasileira.

O espiritismo, por sua vez, vingou no Brasil... e nas Filipinas. Terceiro Mundo é o ambiente ideal para o florescimento destas ficções criadas pelos gigolôs das angústias humanas. Cientes disso, os cientólogos – tidos hoje como criminosos em alguns países da Europa – estão se instalando no Brasil. Como São Paulo é o grande instrumento de percussão do país, escolheram São Paulo como sua sede. Começaram numa ruazinha discreta no Tatuapé, zona leste da cidade, por onde já teriam passado, desde os anos 90, 15 mil pessoas. Lucia Winther, a porta-voz da seita no país, quer agora montar uma sede luxuosa para a nova religião.

Se conheço os bois com que lavro, dentro em breve os cientólogos estarão concorrendo firme com o bispo Edir Macedo. Religião e tabagismo, costumo afirmar, só se expandem em países subdesenvolvidos.

20 junho 2008

Corrupção e Revolução

Sempre que vejo algum indivíduo politicamente bonitinho querendo, como se diz por aí, “cagar regra” fico pensando em como os canalhas vão tirar proveito daquelas boas intenções. É o caso do CSS que vem mais uma vez para salvar a saúde, por exemplo. Quem não quer que o Sistema de Saúde melhore? Ninguém. Agora, em cima de um desejo legítimo alguns patifes propõe algo que defendem como indispensável e acusam aqueles que a isto se opõem de se oporem ao desejo legítimo. Patifaria básica.

Outro erro comum é confundir igualdade com justiça. Todos nós desejamos uma sociedade mais justa, onde as pessoas tenham oportunidade de desenvolver os seus talentos. Agora, defender uma sociedade onde os talentos das pessoas sejam remunerados de forma igual é absurdo. A diferença é saudável até certo ponto.

O PT, para mim, representa a patifaria organizada. É uma máquina de poder gramsciana que busca anular a sociedade civil cooptando e ameaçando os seus críticos ao mesmo tempo em que celebra uma aliança com os setores mais atrasados da nossa sociedade. Em nome desta aliança eles loteiam a administração para quadrilhas geradoras de caixa 2 para a base aliada. Talvez isto seja melhor do que uma Revolução.

Em uma Revolução não existem nuances de cinza. Ou alguém é vermelho ou é Blanco. Qualquer discussão ou questionamento é considerado traição. Morrem os questionamentos e nascem as certezas. O radicalismo e a perseguição são filhos naturais deste ambiente. E tudo isto para que? Por uma sociedade melhor? Por um ser humano melhor?

Este é um problema da falta da religião. Quando alguém não dispõe de uma religião onde possa ser um fanático profundamente identificado então costuma se tornar um leninista ou coisa que o valha. Alguém que enxerga na sociedade burguesa a mesma decadência que o mais fanático religioso fundamentalista. Infelizmente, uma grande formação intelectual não nos salva destes enganos.

Talvez, a solução sensata e mais humana seja a convivência plural entre os corruptos, os idealistas e os inconformistas sempre em um delicado equilíbrio que em alguns momentos tende para a corrupção, em outros, para a insensatez e em alguns poucos momentos para algumas propostas de solução real. Deixemos para os canalhas e os idealistas as propostas de imposto único e desarmamento como panacéias.

Enquanto isto, no mundo real, cheio de incertezas e nuances, o IPEA propõe o fim do COFINS por ser um imposto sobre consumo que pode reduzir três vezes mais a desigualdade medida pelo coeficiente de Gini do que o Bolsa Família, ou seja, o Brasil passaria de 0,56 para 0,53. E pensar que o Bolsa Família só reduziu a desigualdade em 1%. Como diz o meu amigo marxista, o que reduz desigualdade ainda é o crescimento.

15 junho 2008

O hímen complacente da velha Europa

Janer Cristaldo

Há horas defendo a tese de que a Europa está se rendendo ao Islã. Durante minha última viagem, o grande debate na França girava em torno de uma decisão judicial de um tribunal de Lille, que anulou o casamento de dois jovens muçulmanos franceses, em 2006, porque o noivo descobrira que a noiva não era virgem, como afirmava ser. Como nos bons tempos da Idade Média, o noivo, um engenheiro de 30 anos, abandonou o leito nupcial e anunciou aos convidados, que ainda festejavam, que a noiva tinha mentido sobre o seu passado. Na mesma noite, ela foi largada na porta da casa dos pais. O engenheiro procurou um advogado para anular o casamento. A noiva, uma estudante de enfermagem de 20 anos, confessou ter mentido sobre sua virgindade no tribunal e concordou com a anulação.

Em sua decisão, a corte não fez menção a questões religiosas. Apenas alegou violação de contrato, já que o engenheiro tinha se casado com a jovem depois "que ela se apresentou a ele como solteira e casta". É o que, no Direito das Coisas, se chama de vicío redibitório. Ou seja, o defeito cuja existência nenhuma circunstância pode revelar, senão mediante exames ou testes. É chamado de redibitório pela doutrina posto que confere ao contratante prejudicado o direito de redibir o contrato, devolvendo a coisa e recebendo do vendedor a quantia paga.

Acontece que matrimônio não pertence ao âmbito do Direito das Coisas, nem mulher é mercadoria que se possa devolver porque vem com defeito de fábrica. A decisão do tribunal de Lille recua o direito de um Estado republicano e laico do século XXI para bem mais além da Idade Média. Mais precisamente para a Roma Antiga, quando as ações redibitórias foram criadas pelos edis nos negócios de venda e compra de escravos realizados nas feiras sob sua jurisdição. A justiça francesa deu a uma cidadã francesa o mesmo tratamento que os antigos romanos davam a seus escravos.

Em meio a isso, prospera em plena Gália uma nova indústria, a da reconstituição de hímens. Por coisa de três mil dólares e 30 minutos de cirurgia, qualquer muçulmana que já cedeu às tentações do Ocidente pode recuperar sua virgindade. O importante é que, na noite de núpcias, haja sangue. Sem sangue, os brutos não se satisfazem e devolvem aos pais a mercadoria avariada.

Curiosa filosofia. Primeiro, as mulheres são castradas. Corta-se o clitóris e os grandes lábios da vagina. Que, por sua vez, é costurada. Mas o hímen tem de ficar intacto, para a glória dos machos maometanos.

Que bárbaros cultivem suas práticas bárbaras, entende-se. O que é difícil entender é um tribunal francês que as endosse. É de espantar também que um médico francês seja cúmplice de tais cirurgias absurdas. Mais um pouco, e os bougnoulles passarão a exigir que os planos de saúde cubram os custos de uma himenoplastia. Não estamos longe disso. Rachid Dati, a ministra francesa da Justiça – que é muçulmana – inicialmente apoiou a decisão do tribunal de Lille. Só voltou atrás quando foram feitos apelos ao Parlamento, pedindo sua renúncia.

A bem da verdade, a barbárie não é exclusivamente muçulmana. A Igreja de Roma também exige virgindade antes do casamento. Mas já conformou-se em conviver com Estados laicos e certamente jamais endossará a devolução de uma moça a seus pais, só porque a moça não era virgem. Mas a todo momento o Vaticano lança olhares cúmplices ao Islã. Recentemente, um cardeal pregava mais diálogo entre ambas as religiões.

Costumo afirmar que a mulher é o nó górdio entre o Ocidente e o Islã. Enquanto muçulmanos tratarem a mulher como um ser inferior, diálogo algum é possível. Sem falar que há pessoas presas no mundo árabe por terem se convertido ao catolicismo. No início deste mês, em Tiaret, Argélia, quatro argelinos foram condenados de seis a dois meses de prisão e a multas de 200 mil a 100 mil dinares (de 2.702 a 1.036 euros) por se declararem cristãos ante um juiz. Dois outros jovens, que desmentiram serem conversos, foram absolvidos.

Desde o fim do ano passado, dizem os jornais, multiplicaram-se os processos de argelinos evangélicos. Também foi condenado um sacerdote católico francês por rezar em um bosque com subsaarianos. Enquanto isto, na Europa – e particularmente na Itália – os párocos estão cedendo suas igrejas para que os muçulmanos ergam o traseiro para a lua e orem voltados para Meca.

Em um de seus mais celebrados romances, A Peste, Albert Camus situa o mal em Oran. O autor, propositadamente, não definia com precisão o que seria a peste. Pretendia, com esta indefinição, atacar todo e qualquer totalitarismo, fosse de esquerda ou de direita. Hoje, a peste contamina a Europa. Não é mais o nazismo ou comunismo. Não vem da esquerda nem da direita. Vem do alto. Fanáticos que só conhecem Estados teocráticos querem impor seus bárbaros costumes a Estados laicos. E estão conseguindo. A velha Europa tem hímen complacente e deixa-se violar prazerosamente.

Você tem algum fascínio pela cultura européia e ainda não conhece o velho continente? Viaje logo. Antes que seja tarde.

09 junho 2008

Pastoral extraterrestre

Janer Cristaldo

A notícia é antiga, mas não resisto a um comentário. Mês passado, mancheteou o El País:

EL VATICANO SALUDA AL HERMANO EXTRATERRESTRE

Segundo a reportagem, é lícito crer em Deus e nos extraterrestres. Pode-se admitir a existência de outros mundos e outras vidas, inclusive mais evoluídas que a nossa, sem por isso perder a fé na criação, na encarnação e na redenção. Quem afirma isto é o astrônomo do Vaticano, o sacerdote argentino José Gabriel Funes, de borgiano sobrenome. Quem não lembra de Funes, el memorioso?

Segundo este outro Funes, astronomia e fé não se chocam, senão que a astronomia serve para “restituir aos homens a justa dimensão de criaturas pequenas e frágeis frente ao cenário incomensurável de bilhões de galáxias. (...) A meu juízo, esta possibilidade existe. Os astrônomos consideram que o universo está formado por centenas de bilhçoes de galáxias, cada uma formada por bilhões de estrelas. Muitas delas, ou quase todas, poderiam conter planetas. Como se poderia excluir que a vida tenha se desenvolvido também em outros lados?”

Depois da humilhação de Galileu, é um passo e tanto para o Vaticano. Impertérrito, padre Funes continua: “Assim como existe uma multiplicidade de criaturas na Terra, poderiam existir outros seres, também inteligentes, criados por Deus. Isto não contrasta com nossa fé, porque não podemos colocar limites à liberdade criadora de Deus”.

O sacerdote argentino suscita instigantes questões teológicas. Adorarão os extras o bíblico Jeová? Acreditarão no Pai, no Filho e no Paráclito? Terão eleito um vice-deus, como fizeram seus irmãos terráqueos? Jeová admite mais de um vice? Terão tido um paraíso do qual foi expulso o primeiro homem? Houve, nalguma galáxia, um pecado original? Pois sem pecado original, o Redentor não tem sentido. E Abraão e Moisés, como é que ficam?

O astrônomo vaticano não hesita: os extraterrestres “também, de alguma forma, teriam a possibilidade de gozar da misericórdia de Deus”. Talvez padre Funes não tenha percebido, mas está abrindo um novo campo na teologia. Jeová crucificou seu filho por aquelas bandas? Ou bastou tê-lo crucificado na Terra? A jurisdição de Bento XVI se estende a galáxias distantes? Ou os extras elegeram outro papa por lá? Existem apóstolos? Pois sem apóstolos as religiões não vão adiante. Será que os extras bebem o sangue e comem a carne de seus semelhantes? Terão adotado a hematofagia e o canibalismo como seus longínquos irmãos católicos?

São perguntas que se impõem. Assim como hoje existe uma pastoral dos sem-terra, talvez tenhamos para breve uma pastoral dos extraterrestres.

07 junho 2008

O Perfeito Idiota Latino Americano

Recentemente, tive oportunidade de assistir a uma palestra sobre a integração latino-americana proferida por um eminente professor que foi orientador e atualmente é assessor de um dos mais importantes membros da nomenklatura petista e um dos mais altos tecnocratas do estado brasileiro. Nesta palestra pude observar a disputa entre valores e interesses, entre socialismo, nacionalismo, imperialismo e até questões de legitimidade de políticas públicas.

Este professor defendia como política de estado a integração latino-americana. Curiosamente, a política de integração latino-americana defendida pelo PT assim como a política de quotas raciais não contam com o apoio popular pois são criações de grupos de interesses partidários. Estes temas não foram temas de campanha e, portanto, carecem de legitimidade popular. Isto é grave, pois de acordo com os valores petistas deveria haver partipação popular na formulação de políticas públicas.

Nestas horas eu me lembro do pragmatismo do velho Czar Stalin, que derrotou Hitler e que soube temperar o comunismo soviético com nacionalismo e imperialismo não muito diferente da atual China onde o nacionalismo e a prosperidade econômica são os sustentáculos do consenso social que mantém o poder político do Partido Comunista.

Enquanto isto, as autoridades petistas enxergam o Brasil a partir de um preconceito de classe como se o Brasil fosse o explorador dos vizinhos e, portanto, expropriações de ativos ou cidadãos brasileiros seriam devidas e justas. O caso do Paraguai é emblemático. Petistas defendem a repactuação de Itaipu de forma a pagar uma suposta dívida histórica decorrente da Guerra do Paraguai. Se for este o espírito de integração petista é melhor continuarmos isolados pois será mais barato e mais benéfico para a população brasileira.

Curiosamente, no âmbito da política doméstica, o PT prefere se aliar as oligarquias regionais do que aos sociais democratas com quem compartilham valores. Isto é natural, afinal, o PT e o PSDB disputam as mesmas faixas do eleitorado e, portanto, são inimigos apesar de compartilhar das mesmas opiniões sobre muitas questões. Temos ainda a questão do bairrismo paulista e ainda questões pessoais entre os líderes petistas e os líderes do PSDB que são obstáculos a uma aliança. Aliás, até dentro do partido é assim também. Agora que a Dilma está ganhando força começam a surgir denúncias de dentro do próprio governo, possivelmente do grupo do seu padrinho político, o José Dirceu denúncias contra a poderosa ministra que parece ter tomado espaço demais de outros grupos e assumido a hegemonia do seu próprio grupo.

Lembram-se que antigamente a esquerda acusava a direita de ser entreguista como no caso da ALCA, agora é a vez da esquerda de ser entreguista com a UNASUL. Felizmente, a insensatez de nossos vizinhos talvez nos salve deste entreguismo petista. Vejam o caso da Argentina que subsidia o gás para seus consumidores que chegam a pagar 34 vezes menos do que os consumidores paulistas (US$ 1 por MBTU) ou da Bolívia que remunera as empresas prestadoras de serviço com U$ 10,00 por barril na boca do poço enquanto o petróleo está em US$ 130,00. A Bolívia assinou acordo com os argentinos vendendo um gás que não tem e expropriou parte das reservas que garantem o abastecimento brasileiro para abastecer os seus cidadãos. Por sua vez, a Argentina parou de vender 15 milhões de m3 para o Chile dando preferência ao abastecimento do mercado interno. Os chilenos estão tendo que abastecer as suas térmicas com cerca de 40 caminhões de diesel por dia a preços absurdos para não ficar no escuro, ou seja, na hora que o bicho pega a esquerda populista escolhe sempre os seus eleitores em detrimento de qualquer outra coisa e porque não da integração. Se apesar de tudo isto ainda quisermos integração é porque somos idiotas.

Felizmente, a Dilma tem um viés stalinista autoritário e nacionalista e ela talvez possa triunfar sobre estes grupos cujas políticas são tão deletérias para o Brasil afinal a integração pressupõe a comunhão de valores e a capacidade de resolver conflitos e os hermanos acreditam que farinha pouca meu pirão primeiro.....

05 junho 2008

Nunca antes na história deste país se viu....tanta corrupção

Todo chefe é responsável pelos atos dos seus subordinados. Felizmente, as circunstâncias históricas são favoráveis ao Brasil e podemos nos dar ao luxo de ter como presidente um fanfarrão irresponsável que nada sabe. Muitos podem se perguntar onde está o nosso fanfarrão irresponsável e ébrio. Ele está viajando ou diante de alguma platéia sempre pronto para dizer alguma besteira que ele sabe que um editor de jornal não resistirá em publicar. E, ainda tem o displante de criticar a imprensa por fazer o trabalho dela que é fiscalizar e apontar as falhas do governo.

Precisamos reconhecer, entretanto, que houve alguns avanços. Nunca antes na história deste país tivemos uma presidente mulher porque quem de fato governa o país como chefe do Executivo é a Dilma Vana Roussef. Ao menos, se ela for eleita presidente em 2010 não estaremos sendo enganados, como fomos em 2002, quando votamos no Lula e levamos o Zé Dirceu e em 2006 quando ficamos com a Dilma.

O Lula é um grande covarde sem um pingo de caráter. O seu governo não tem sequer o caráter de assumir a recriação da CPMF. Ao invés disso, mudaram o nome do imposto, esconderam ele dentro de outra lei, propuseram isenções para quem ganha menos de R$ 3.000, disseram que só começa a valer ano que vem, e estão tentando aprovar com quórum simples por não ser questão constitucional. Por fim, os velhacos puseram a sua bancada de ratos na Câmara para propor enquanto o presidente viaja para o exterior para se distanciar o máximo que pode da matéria em questão. E, ainda tem a falta de criatividade de dizer que é para salvar a saúde.

Esta semana chegou ao fim a CPI dos Cartões do Executivo que começou com uma série de denúncias de abusos praticados por inúmeros agentes do governo Lula e terminaram sem investigar os envolvidos na produção do dossiê contra o FHC. Aliás, qualquer pessoa que não seja analfabeta funcional sabe que um banco de dados não é um dossiê mas sim uma fábrica de dossiês. E, esta tudo lá, à disposição da primeira-ministra Dilma. Mais um escândalo se avizinha, mas são apenas US$ 5 milhões que alguém ligado ao Lula levou para facilitar a venda Variglog...Isto não vai dar em nada, afinal, o PT estratégica e covardemente escalou o PMDB para liderar o bloqueio a esta investigação.

Aliás, um dos motivadores desta CPI foi os modestos gastos da ministra dos Quotas Raciais o que ilustra mais uma das características de um governo deste categoria, ou seja, a geração de soluções mentirosas. Vejamos o caso das Quotas Racias que implantadas no país mais rico do mundo onde os negros são de fato uma minoria conseguiu gerar após quase 50 anos apenas uma elite negra do qual temos um expoente fantástico, aliás, que concorre à presidência dos EUA, mas quanto a média da população negra pouco mudou.
O governo Lula nos roubou muitas coisas. Talvez a mais importante seja a nossa capacidade de nos escandalizarmos. Como já disse o Cristovam, o Bolsa Família é corrupção e ela está profundamente entranhada na nossa cultura. Outro dia mesmo, a NET me tirou dois canais. Quando fui ver eles tinham me mandado um contrato ao qual eu anui simplesmente por ter continuado a pagar que esclarecia que eu não direito aqueles canais. Aliás, quando reclamei eles insistiram em me vender mais alguns serviços. Fiquei puto e reclamei na ANATEL. Tudo resolvido. Eles não erraram e eu ganhei mais dez canais. É frustrante que eu possa ser comprado com apenas 10 canais....

01 junho 2008

Gente que não é igual a gente

Hoje, assisti a entrevista da ministra Dilma Roussef ao Jô Soares. A impressão que tive é que hoje a ministra está mais para nacionalista do que para esquerdista. Mas o mais importante, ela não é uma pessoa normal. Me fez lembrar da entrevista do homem mais rico do Brasil, o Eike Batista, que estava agitadíssimo como se tivesse formiga na cadeira, parecia estar cheirado. A diferença é que a droga da ministra é o poder.

Aliás, este Eike Batista é muito doido. Conta-se que ele estava de casamento marcado com uma socialite quando um amigo resolveu lhe dar de despedida de solteiro uma global e não é que o cara acabou casando com a Luma. A Dilma, por sua vez, não fica atrás, jovenzinha ainda planejou o roubo do cofre do ex-governador Ademar de Barros que ficava na casa da sua amante. Conseguiram levar uma pequena fortuna.

Confesso que em meu machismo acho difícil tolerar uma mulher tão ostensivamente peniana. Ela se comporta como se tivesse um pênis de 3 metros. Segundo me consta ela gosta, em reuniões fechadas ou em reuniões não tão fechadas assim de tirá-lo e balança-lo para quem quiser ver. Se preciso ela bate ele na mesa ou na cabeça de um Mané. O fato é que qualquer um tem o direito de se impor, é um direito. Como dizem os militares, manda quem poder e obedece quem tem juízo.

E, convenhamos, o ser humano é uma raça miserável. Você vai ao cinema e uma filha da puta mãe de família senta atrás de você e fica chutando a sua cadeira. Aí você fica pensando em como é que alguém que supostamente ama um filho pode ter tão pouca consideração pelas pessoas que a cercam. Aliás, eu acho que pessoas gripadas deveriam ser proibidas de andar de elevador ou de freqüentar ambientes fechados. Isto é muita desconsideração com os demais que podem contrair doenças. Mas a raça humana é assim, de um lado, temos estas criaturas obcecadas por poder e de outro temos umas criaturas incapazes de olhar além de seus próprios umbigos.

Dizem que muitos ascetas indianos decidiram não se reproduzir para encerrar o ciclo cármico de miséria em que estamos enredados. Talvez o problema seja este. Os caras sensatos viram o horror da nossa situação e desistiram e, enquanto isto, os insensatos povoaram o mundo e reproduziram as suas neuroses. Se bem que se a vida fosse ruim não teria tanta gente desesperada quando percebe que o fim está próximo.

Bem, enquanto estivermos por aqui, não faltará animação. Sempre teremos as Dilmas e os Eikes prontos para tentar enrabar a todos e os mais normaizinhos com as cabecinhas enfiadas em seus próprios rabos. O mundo está condenado ao caos. Paz somente se alguém conseguir a tal paz interior. Enquanto isto, o melhor que fazemos é termos uma democracia pois pelo menos assim a gente troca o violador de tempos em tempos.
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