31 julho 2008

A Burocracia Contra-ataca

Outro dia assisti a uma palestra sobre Escritório de Projetos e descobri que a burocracia está de volta, agora em nova roupagem. Nunca jogue fora uma roupa que saiu de moda pois se você guardá-la tempo suficiente, e ainda continuar cabendo, você vai ter oportunidade usá-la. Infelizmente, na administração não é tão simples, as coisas voltam, mas com nomes diferentes e os incautos acabarão levando gato por lebre.

Não me entendam mal, nada tenho contra a burocracia no sentido weberiano, no qual se busca incentivar o mérito e se foca em procedimentos de forma a aumentar a previsibilidade dos resultados. Sou contra a burocracia como arma política, sou contra a burocracia para se criar dificuldade para se vender facilidades.

Uma boa burocracia é fundamental, vejamos o caso da usina Vladimir Lênin de Chernobyl, onde um oficial do partido decidiu fazer um teste não programado na madrugada de 25 de abril de 1986, sem seguir os procedimentos de segurança, causando o maior acidente nuclear da história e contribuindo para o final do socialismo real. A combinação de autoritarismo com alguns erros de projeto foi explosiva.

Em função exatamente destes tipos de acidentes que surgiu a disciplina de gerenciamento de projetos, que visa garantir que o produto entregue ao final de um empreendimento atenda às especificações do cliente. Além disso, o gerenciamento de projeto permite uma visão horizontal de gestão em organizações com funções verticais especializadas, permitindo uma melhor integração de recursos.

O engraçado desta palestra é que o mote do consultor era como vender o Escritório de Projetos para a organização, escondendo a sua natureza burocrática. Enganado o gestor com o belo neologismo, começaria a busca pelo poder. O escritório assumiria, então, funções operacionais, depois táticas e, finalmente, chegando às funções estratégicas, coroando o processo com um assento na diretoria para o chief project manager (CPO). A este processo ele chamava de maturidade do Escritório de Projetos.

Isto me faz lembrar dos meus debates com meu amigo marxista leninista que defende a Revolução como única forma de tomar dos ricos o seu dinheiro e extinguir o capitalismo que oprime os homens. Infelizmente, para nós, a sede de poder do homem sobreviverá ao fim do capitalismo e ao fim da história. E, tudo que for criado com as melhores intenções será usado para atender a sede de poder do homem.

A meu ver, o capitalismo e o mercado são positivos para o homem porque nos dá espaço para viver entre a opressão do capitalismo e a opressão dos políticos que usam o Estado para ampliar o seu poder. O estado não é mau, nem tampouco o mercado, mas sim os homens. Chavez, por exemplo, acha que a solução é criar um tipo de educação que enfraqueça laços familiares e fortaleça as relações de solidariedade entre os cidadãos, mas isto não é nenhuma novidade e esta baboseira já foi pensada por Platão.

Enfim, talvez o melhor seja aprendermos a viver entre duas forças perigosas e opressivas, mas que juntas anulam-se mutuamente e produzem um pouco de liberdade para os pobres mortais. Enfim, fico surpreso que não haja mais marxistas leninistas estudando Escritório de Projetos, afinal isto reflete bem o tipo de poder que eles gostariam de controlar.

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