22 março 2008

Psicoterapeutas vêem doença onde há saúde

Janer Cristaldo

Essa, agora! Leio entrevista com três psicoterapeutas que definem pessoas com uma sexualidade mais exigente como tarados, pervertidos, ninfomaníacos ou depravados. Ser entusiasta do bom esporte passa a constituir algum tipo de patologia do sexo. “Mais conhecida como compulsão sexual, esse transtorno atinge homens e mulheres, sem distinção de idade”. Segundo a sexóloga Maria Cláudia Lordello, o desejo sexual hiperativo acaba resultando em uma inquietude da pessoa. "Isso a impede de fazer outras coisas importantes da vida. Tarefas cotidianas como trabalho, estudo e vida familiar acabam ficando comprometidas, pois ela deixa de realizá-las para fantasiar ou mesmo para vivenciar esses desejos".

É curioso observar como comportamentos que admiramos no mundo da ficção ou em pessoas famosas viram vício quando cultivados pelo comum dos mortais. Don Giovanni, por exemplo. Até hoje, a famosa listina de Leporello fascina multidões em todos os salões de ópera do mundo.

Madamina!

Il catalogo e questo,
Delle belle, che ano il padron mio!
Un catalogo egli e ch'ho fatto io:
Osservate, leggete con me!

In Italia seicento e quaranta,
In Allemagna duecento trentuna;
Cento in Francia, in Turchia novantuna,
Ma, ma in Ispagna, son gia mille e tre!


Verdade que Mozart, para satisfazer uma Áustria puritana, acabou jogando Don Giovanni nos infernos. Mas o personagem que nos fascina é o galantuomo ante o qual cedem todas as mulheres e não aquele que o Commendatore manda para os abismos.

V'han fra queste contadine.
Cameriere cittadine;
V'han Contesse, Baronesse,
Marchesane, Principesse,
Ev'han donne d'ogni grado,
D'ogni forma d'ogni eta.

Nella bionda, egli ha l'usanza
Di lodar la gentilezza,-
Nella bruna la costanza,
Nella bianca la dolcezza!
Vuol d'inverno la grassotta
Vuol d'estate la magrotta;
E la grande, maestosa;
La piccina, ognor vezzosa.


Certo, Don Giovanni é um ente de imaginação. Mas se como ente de imaginação nos fascina é porque seus feitos nos fascinam. Così ne consolò mile e ottocento, diz Leporello.

Delle vecchie fa conquista
Per piacer di porle in lista:
Sua passion predominante
E la giovin principiante
Non si picca, se sia ricca,
Se sia brutta, se sia bella!
Purche porti la gonnella,
Voi sapete quel che fa!


Se você, pobre mortal de carne e osso, tenta consolar não digo mil e oitocentas, mas pelo menos algumas centenas, você deve ser um tarado, pervertido, ninfomaníaco ou depravado. Enfim, deixemos de lado o mundo da ficção. Não terão sido poucos os homens que terão tido mais de mil mulheres. Afinal, se nossos jantares e vinhos memoráveis se contam em quatro dígitos, porque o mesmo não ocorreria com as mulheres? Comentarei dois casos dos mais notórios.

CASANOVA - Para começar, Giacomo Casanova di Seingalt (1725 - 1798). Que, aliás, teve um encontro com Lorenzo da Ponte, o libretista da ópera de Mozart. Cidadão da Sereníssima República de Veneza, lista em suas Memórias algo em torno de duas mil mulheres, que perseguiu a cavalo e em diligência, de Madri e Londres a Moscou, na segunda metade do século XVIII. Quem for procurar o verbete na Internet, vai encontrar referência a 122 ou 123 mulheres. Isso é bobagem, cifra de qualquer moleque contemporâneo.

Aos sessenta anos, Giacomo Casanova aceita o convite do conde Emanuel de Waldstein para organizar a sua biblioteca e escrever as suas memórias. Os dias do veneziano acabam no palácio de Dux, na Boêmia, ao norte do território checo, onde encontrou teto, alimento e tempo para escrever. “Agora que não posso mais viver, sento e escrevo sobre o que vivi”. Sem jamais ter pretendido fazer literatura, Casanova entra na História da Literatura, em função de sua vida aventureira. Freqüentou cortes e bordéis, prisão e caserna, clero e políticos, conventos e salões literários. Quem quiser se debruçar sobre o século XVIII - seja historiador, seja sociólogo, seja mero curioso - terá em Casanova um excelente guia. Na edição brasileira (Rio, Livraria José Olympio Editora, 1957), suas Memórias abrangem dez volumes. “Sei que existi, porque senti; e, dando-me o sentimento este conhecimento, sei igualmente que deixarei de existir quando cessar de sentir. Se me acontecer sentir depois de morto, não duvidarei de mais nada; mas darei um desmentido a todos aqueles que me virão dizer que estou morto”.

Apesar de busca frenética de mulheres – que o caracterizaria como tarado, segundo as nossas sexólogas – teve vida intelectual intensa. Diz Agrippino Grieco no prefácio às Memórias:

“Se procurassem em Casanova o intelectual, o erudito, encontrariam o matemático preocupado com a duplicação do hexaedro e a quem Charles Henry consagrou longo estudo que põe insones os amadores de raridades bibliográficas; o crítico, o filólogo, o escoliaste que esmiuçou as idéias de Homero e traduziu a Ilíada em oitavas à maneira de Boiardo e Tasso; o escritor clássico capaz de efigiar mentalmente um d’Alembert e de fornecer pitorescos detalhes sobre a intimidade do trágico Crébillon e seus gatos; o humanista à altura de discutir com Voltaire e forçá-lo a recuar em mais de um conceito sobre as letras transalpinas. (...) Jogador, sonetista satírico, duelista, marinheiro, antiquário, jurista, naturalista, dando-se à magia para engodar os tolos, foi também agente secreto dos Inquisidores e correu as estradas da Europa quando estas se achavam cheias de mascates da arte, titereiros, mímicos, músicos, dançarinos, de negociantes de perfumes, de jesuítas que haviam largado o hábito, de militares alugados, de inúmeros cavalheiros de indústria e não cavaleiros da Távola Redonda”.

Paradoxalmente, escreveu um tratado do pudor e começou a redigir um dicionário de queijos. Escreveu também uma novela utópica, Icosameron.

“Cultivar o prazer dos sentidos foi sempre minha principal preocupação; nunca encontrei outra coisa mais importante. Sentindo-me nascido para o belo sexo, sempre o amei e por ele me fiz amar quanto pude. Apreciei também os bons manjares com transporte, e sempre me apaixonaram todos os objetos capazes de me excitar a curiosidade”.

Se Don Juan pertence ao território do mito, Casanova faz parte da história. Lenda ou realidade, ambos passaram a ser considerados gênios do amor. Com uma diferença: enquanto Don Juan conquista e vence as mulheres, deixando atrás de si um rastro de ódio e despeito, Casanova não quer humilhar ninguém. É uma festa para suas parceiras, que não hesitam em convidar filhas e irmãs para o bom folguedo. Em seus dias em Dux, confessa:

“Não me quererão mal quando me virem esvaziar a bolsa de meus amigos para atender aos meus caprichos, pois esses amigos tinham projetos quiméricos, e, fazendo-os esperar o êxito, esperava eu mesmo curá-los desenganando-os. Enganava-os para torná-los prudentes, e não me considerava culpado, pois nunca agia movido por espírito de avareza. Para custear meus prazeres, empregava somas destinadas à obtenção de posses que a natureza não possibilita. Se hoje estivesse rico, sentir-me-ia culpado; mas nada possuo, tudo esbanjei, e isto me consola e me justifica. Era um dinheiro destinado a loucuras: pondo-o a serviço das minhas, não desviei absolutamente seu emprego”.

Ó tempora, ó mores! Três séculos depois de Casanova, Inquisição já enterrada no passado, depois da pílula e da revolução sexual do século passado, ainda há pretensos cientistas que considerariam um pervertido esse magnífico personagem do século XVIII.

SIMENON - Vamos então a um espécime mais contemporâneo, o escritor belga Georges Simenon. Nos anos 80, creio, li uma entrevista concedida pelo escritor ao cineasta Federico Fellini, na revista Nouvel Observateur, onde ele admitia ter tido cerca de dez mil mulheres. Não tinha porque falsear dados. Tarefa mais difícil seria escrever os 431 títulos que lhe são atribuídos, entre livros publicados com o próprio nome e com pseudônimos. Isso sem falar em suas viagens por todos os quadrantes do planetinha. Consta que, em sua melhor forma, Simenon podia trabalhar onze horas corridas em sua máquina de escrever, produzindo 80 páginas por dia.

Cultor de putas alegres, de criadas gorduchinhas e de “rapidinhas” nos hotéis – segundo seus biógrafos – ele foi um Don Juan impudico, mal dissimulando sua bigamia, quando dividia sua vida entre sua cozinheira e sua segunda mulher, Denyse Ouimet. “Nós fazíamos amor todos os dias, antes do café, depois da siesta e antes de dormir”, diz Denyse. “Ele era prolixo em tudo: em sua maneira de falar, de escrever, de publicar, de fazer amor”. E, pelo jeito, tinha ainda de atender a cozinheira.

Não me parece que este apetite sexual desmesurado tenha atrapalhado a vida profissional de Simenon. Como diria – e disse – Casanova: “Devo dizer que achei o excesso para menos bem mais perigoso que o excesso para mais; porque se este último ocasiona uma indigestão, o outro acarreta a morte”.

Para Simenon, em nenhum momento as tarefas cotidianas como trabalho, estudo e vida familiar ficaram comprometidas por sua sexualidade voraz, como pretende a sexóloga. O que vemos, na declaração da moça, é um moralismo tolo – típico de terapeutas – que vê doença onde existe pujança de vida.

10 comentários:

Raphael disse...

Homens que tiveram mais de mil mulheres: Casanova, Gordon Byron, Simenon, Gene Simons, Janer Cristaldo. Creio que apenas esses mesmo... Nem Marlon Brando deve ter atingido a marca

“Não me quererão mal quando me virem esvaziar a bolsa de meus amigos para atender aos meus caprichos, pois esses amigos tinham projetos quiméricos, e, fazendo-os esperar o êxito, esperava eu mesmo curá-los desenganando-os. Enganava-os para torná-los prudentes, e não me considerava culpado, pois nunca agia movido por espírito de avareza. Para custear meus prazeres, empregava somas destinadas à obtenção de posses que a natureza não possibilita. Se hoje estivesse rico, sentir-me-ia culpado; mas nada possuo, tudo esbanjei, e isto me consola e me justifica. Era um dinheiro destinado a loucuras: pondo-o a serviço das minhas, não desviei absolutamente seu emprego”.

Poucas vezes se vê tão elaborada justificativa da inadimplência. Fez malabarismo tentando justificá-la para si mesmo.

Quanto às dez mil mulheres do Simenon, prefiro não pensar no assunto. Parece humanamente impossível. Imaginar um homem capaz disso poderia ferir minha masculinidade.

Janer disse...

Simenon morreu aos 86 anos. Digamos que tenha tido uma vida sexual ativa de uns 50 anos. Dá umas 200 por ano. Considerando-se que nos anos de vacas gordas terá tido mais, nos outros menos, é viável. Se se considera uma por dia, sobram ainda 165 dias. Mas esses sátiros geralmente consomem mais por dia. Claro que a maioria delas terá sido paga. Basta então ter dinheiro. E isso o Simenon tinha.

Mas o que me impressiona não é o número de mulheres, mas de livros escritos. Confesso que nunca li nenhum deles, mas sua capacidade de trabalho é invejável.

Raphael disse...

“Nós fazíamos amor todos os dias, antes do café, depois da siesta e antes de dormir”

Uma por dia fora a esposa...e a cozinheira... e as oitenta páginas...e o merecido descanso que uma criatura dessa precisaria.

Anônimo disse...

Casanova era um cascateiro. Da Ponte era um cascateiro.

Janer Cristaldo é um cascateiro

Mas pagando, aí fica fácil ter 100, 200. Mas 1000, 10000? Tsc, tsc...

Jornalista decadente e juquinha é fogo

Quem tem todas não tem nenhuma, garotos

Fábio Manuel disse...

O narcisismo do Velho Babão enche o saco. É direito dele ser narcisista. Mas que enche o saco, enche. Ainda por cima velho babão e tarado. Beira o ridículo.

Angélica disse...

Janer,

O que devemos entender por sexualidade mais exigente ? Níveis estipulados ou irrestritos de qualidade ou quantidade ? Como definir o que é normal sexualmente, ou seja, como definir um comportamento padrão ? É essa a questão. As pessoas são diferentes, inclusive em relação ao limiar de suas satisfações sexuais. Mas existem algumas características psicológicas que pressupõem e que nos permitem chamar de comportamento sexual compulsivo.

"Os compulsivos sexuais, são pessoas que:

- tem pensamentos ou atos compulsivos recorrentes;

- tem pensamentos obsessivos - idéias, imagens ou impulsos que entram na mente do indivíduo repetidamente de uma forma estereotipada, são angustiantes (violentos, repugnantes ou obscenos), sem sentido e a pessoa não consegue resistir a eles. São reconhecidos como próprios e pessoais.

- tem atos ou rituais - comportamentos estereotipados, que se repetem muitas vezes, não são agradáveis e são vistos como preventivos de algo improvável.

- estas manifestações ocorrem em conjunto com ansiedade e depressão.

Estas características podem variar e dependem de quanto a pessoa está envolvida com seus pensamentos automáticos e quanto seus processos de pensamento estão desenvolvidos, destruindo e prejudicando os relacionamentos cotidianos.

É claro que existem mais questões do que simplesmente afirmar que uma pessoa é compulsiva. Uma pessoa que não perceba que é compulsiva não significa que deixe de sê-lo."

Colaboração - Dr. Oswaldo M. Rodrigues Jr.

Psicólogo e Terapeuta Sexual.

Janer disse...

Cada um com seu cada qual, Angélica. Quando penso em sexo, longe de mim o que for violento ou repugnante. Quanto a obsceno, o que é este senhor entende como tal? Obscenidade me parece inerente a sexo.

Comportamentos estereotipados, que se repetem muitas vezes? E daí, qual é problema?

Comportamentos que não são agradáveis? Bom, se não for agradável não há sexo. Não concebo sexo com desconforto. Comportamentos vistos como preventivos de algo improvável? Essa frase não quer dizer nada.

Sexólogos são pessoas que teorizam sobre algo onde não devia existir teoria nenhuma, apenas prazer.

Angélica disse...

"Quanto a obsceno, o que é este senhor entende como tal? Obscenidade me parece inerente a sexo."

Pois sim. A normalidade que eu conheço vige entre quatro paredes, segundo a nossa moral, mas o que dizer dos exibicioniatas ou aqueles que não são capazes de se controlar diante de um simples cruzar de pernas ? Eles seriam bem felizes nas noites enluaradas dos parques em Amsterdam.

"Comportamentos estereotipados, que se repetem muitas vezes? E daí, qual é problema?"

Até aí nenhum problema em relação ao número de vezes. "Cada um com seu cada qual". O problema surge quando alguém se excita ou tem ereções freqüentes dentro de um ônibus lotado, por exemplo. Ninguém merece. Já ouvi ( bem claro: ouvi ) muitos casos assim.

"Comportamentos que não são agradáveis? Bom, se não for agradável não há sexo. Não concebo sexo com desconforto."

Os sadomasoquistas não pensam assim. Nem por isso eles podem ser considerados anormais. Correto ?

"Comportamentos vistos como preventivos de algo improvável? Essa frase não quer dizer nada."

Também não consegui entender isso.

"Sexólogos são pessoas que teorizam sobre algo onde não devia existir teoria nenhuma, apenas prazer."

Bem, Janer, não sei se por preconceito, mas ao falar em sexólogos logo associei a palavra a uma certa Suplicy pela qual não cultivo nenhuma credibilidade. Mas voltando ao assunto, eu penso que seria profícuo não esperar que todos os comportamentos sexuais estejam dentro da normalidade, assim como nem todos deveriam estar caracterizados por disfunções, anomalias ou patologias. Para isso existem os Psiquiatras: para delinear os perfis psicológicos em casos excessivos e extremos para compreender e auxiliar o indivíduo com esse tipo de compulsão. Eu tenho uma forma bem simples e prática para definir e identificar a compulsão - faço uma comparação entre o prazer do sexo e o prazer da gula. Não se deve viver para comer e sim comer para viver. A compulsão sexual é uma dependência, tanto física quanto psíquica. É quando a pessoa vive 24 horas/dia pensando nisso e não sente prazer em outras coisas da vida, fato esse que atrapalha desde a convivência social até o seu trabalho cotidiano, é porque ela está de realmente doente. O que não é o seu caso, absolutamente. É o caso do Michael Douglas. Lembra-se ?

Janer disse...

Ninguém vive 24 horas pensando naquilo, Angélica.

Claro que quando falo em obscenidade, não estou me referindo a atentados públicos ao pudor. Falo da obscenidade com que os parceiros se deleitam em sua intimidade.

Quanto a sexólogos, isto é profissão recente. Em meus dias de adolescente, não havia sexologia nem aulas de sexo no colégio. Abordava-se o assunto nas aulas de biologia. O aprendizado mesmo era algo individual, o jovem que se virasse e aprendesse por si próprio.

Tenho uma curiosidade literária em minha biblioteca, "A Nossa Vida Sexual", do Dr. Fritz Kahn. Até que era informativo. As ilustrações eram muito chinfrins, hoje qualquer revista de futilidades é mais ousada. O autor recomendava a sublimação, que podia ser alcançada através da jardinagem, da música e da vida familiar. Todo um capítulo era dedicado à vida sexual dos solteiros. Recomendava-se a continência e a castidade, que teria especial valor para a saúde.

O Dr. Kahn deve ter sido um sexólogo avant la lettre. De minha parte, jamais consultaria estes senhores. Nada melhor que mergulhar no desconhecido, para o que der e vier. Depois, a busca do prazer e a imaginação completam o aprendizado. Sexo é algo instintivo, dispensa qualquer aula.

Quanto à anormalidade... Anormalidade me parece ser o caso, por exemplo, de Luís Carlos Prestes, que foi deflorado pela Olga Benario aos 37 anos. Um outro anormal, em meu ponto de vista, foi o marxista francês Louis Althusser, que só decobriu a masturbação aos 27 anos. Em suas memórias - L'Avenir dure longtemps - publicadas após ter estrangulado sua mulher, ele confessa andar o tempo todo com aquela coisa rija entre as pernas e não sabia o que fazer com ela.

André disse...

Michael Douglas não era viciado em sexo. Teve um acidente de trabalho: trabalhou com a Sharon Stone no auge. Aquilo ali não é brincadeira.

Esse livro do Dr. Fritz Kahn fez um sucesso danado.

Prestes levou 37 anos pra descobrir o séquisso?

Althusser viu aquela coisa e pensou: “Não sei o que isso quer dizer, nem pra que serve.” E ainda terminou estrangulando a mulher?

Acho que ela é quem deveria ter estrangulado. Ele.

Comte, chato do positivismo e criador do termo sociologia (tirando o “s” fica fácil entender o que essa “ciência” realmente faz), era outro. Maluco, entre uma entrada e outra nos hospícios da vida, acabou conhecendo sua primeira mulher — ela era médica. Não consta que tenham transado. Se transaram, não parece ter dado muito certo. Lá pelas tantas, já separado, teve um amor platônico. Ou seja, nada. Viveu vários anos com essa mulher sem nem mesmo tocá-la. Não é à toa que não batia bem. E, depois que ela foi dessa pra melhor, seu amor por ela tornou-se objeto de devoção quase religiosa. O cara começou a se ver como o fundador e profeta de uma nova religião da humanidade. Daí ao positivismo e pfui... se ele tivesse visto no que deu essa pátria positivista. Sua filosofia esquisita tinha três fases (teológica, metafísica e científica). Se tivesse conhecido o Brasil, teria inventado uma quarta: a burocrática.

A gente diz Ordem e Progresso. Ele dizia “L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but”, que meigo.

Ah, e ele também inventou a palavra “altruísmo”.

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