06 março 2008

Os Últimos Dias de Bush

Bush ganhou uma eleição roubada por um juiz da Suprema Corte indicado por seu pai que mandou suspender a recontagem dos votos a pedido de uma procuradora indicada por seu irmão. Na verdade, ele somente conseguiu ser governador do Texas e o indicado do Partido Republicano para a presidência porque seu pai foi um homem extraordinário. O velho Bush foi piloto de mais de uma centena de missões na Segunda Guerra Mundial, tornou-se milionário no Texas, senador, diretor da CIA, embaixador na China, presidente do Comitê das Forças Armadas no Senado, vice-presidente e presidente dos EUA e ainda é o nome do aeroporto do Texas. Por fim, deu porrada no velho Saddam quando ele tentou conquistar o Kwait.

No 11 de setembro, os EUA são atacados por sauditas que haviam sido outrora treinados para lutar contra os soviéticos no Afeganistão. Bush atacou o Afeganistão e devastou os Talibãs, seus antigos aliados em busca de Bin Laden, mas falha completamente ao enviar poucas tropas e ao assistir o ressurgimento das guerrilhas. Novamente, os gringos falharam e não terminaram o serviço, afinal, quando os soviéticos foram derrotados com o apoio americano, o Afeganistão estava devastado e foi entregue a uma população composta em sua maioria por menores de 18 anos e as armas estavam em poder de fanáticos religiosos muito úteis na luta contra os soviéticos mas absolutamente incapazes de entender um mundo não tribal.

O ataque ao Iraque foi no sentido de completar o serviço iniciado por seu pai, que quando derrota Saddam abandona os oposicionistas do regime, que são massacrados pelo ditador quando as tropas americanas decidem não invadir o Iraque. Isto e conquistar muito petróleo. O problema é que hoje os EUA não podem sair do Iraque sem que ele caia sob a influência do Irã. Por outro lado, os democratas querem deixar o serviço feito pela metade. Os republicanos compreendem que, ou se estabiliza o Iraque ou os EUA sofrerão uma derrota de proporções imprevisíveis que junto com a crise econômica e o festival de massacres nas universidades poderiam lançar os EUA em uma profunda depressão.

Bush é um cara simpático, na High School americana devia ser aquele sujeito boa praça que levava os amigos para brincar na mansão do pai e ainda deve ter sido o Rei do Baile de Formatura. Mais tarde se tornou um alcoólatra, falido e salvo por Deus e seu pai do vício e da pobreza. Acho que desde a Revolução Francesa não houve um “Imperador” tão desmoralizado como o Bush. Na TV, ele já tem duas séries de humor dedicadas a ridicularizá-lo e tem fornecido material para os comediantes há anos. A desmoralização do Rei é sempre perigosa, como pode ser atestado pela Revolução Francesa. Fidel Castro mesmo é extremamente intolerante contra a crítica ou o ridículo do governante porque como um revolucionário prático ele conhece o seu poder. Para ele, lugar de comediante é apodrecendo na prisão.

Enfim, já que o Bush fracassou completamente em termos geopolíticos e mais recentemente econômicos com o avanço da China, ressurgimento da Rússia, desvalorização do dólar, recessão, fracasso no apoio ao golpe contra Chávez, e ainda temos o ressurgimento do socialismo na América Latina, então ele talvez pudesse nos fazer um favor e jogar uma bomba no Palácio Presidencial de Chávez. Com isto, ficaríamos livre de uma corrida armamentista e uma possível guerra. Quanto aos efeitos colaterais, seriam mínimos pois tenho certeza que Chávez não conseguiria se tornar um mártir, afinal, Che fica bem melhor em uma camiseta.

10 comentários:

Anônimo disse...

D+
D+

Gostei muito do texto!

Anônimo disse...

Impressionante a capacidade de, em poucas palavras, colocar uma questão mais do que complexa.

Raphael disse...

Eleição roubada?

Invasão por petróleo?

Bush alcoólatra?

Já ouvi coisa parecida antes, faltou só comentar sobre as ligações conspiratórias entre os Bush e Bin Laden.

Talvez você esteja vendo filmes demais Michael Moore, Abranches. Com todo o respeito aos bons textos que você já escreveu e escreve.

Raphael disse...

filmes demais do Michael Moore*

André disse...

Foi uma eleição confusa, cheia de falhas, e é uma vergonha que eles utilizem pouquíssima urnas eletrônicas. Mas isso de fraude, de votos roubados com a ajuda de parentes, não convence. É muito folclore. E essa de um membro da Suprema Corte ajudá-lo apenas por ter sido indicado pelo pai dele, bom, também me parece forçado. Esse tipo de acusação é muito comum em todas as Cortes Supremas de todos os lugares, aliás, mas nem sempre é coisa séria.

Seu pai fez coisas legais, mas não foi um bom diretor da CIA (raramente eles são grande coisa).

Afeganistão: um dos problemas é que o Taliban pouco sofreu em 2001. Escapou razoavelmente bem. A Al-Qaeda sofreu muito mais.

“mas falha completamente ao enviar poucas tropas e ao assistir ao ressurgimento das guerrilhas”

Mais ou menos. Com o Iraque e com as limitações da OTAN, não há muito que se possa mandar pra lá. O negócio é comprar os senhores da guerra locais e aproveitar um pouco o fato de q o Afeganistão não existe na prática, só no mapa. E há o Paquistão também:

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/03/04/the-good-war/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/02/07/jihadists-in-pakistan/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/06/asia-the-pakistani-army/

“Isto e conquistar muito petróleo.”

O petróleo é importante e, dadas as condições certas, o Iraque pode produzir mais do que a Arábia Saudita. Mas não foi o motivo principal. A própria posição geoestratégica do Iraque já é bem mais interessante, entre outras coisas.

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/05/oil/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/13/market-stabilizers/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/02/02/iraq-2003/

http://execoutcomes.wordpress.com/?s=invading+Iraq+for+oil

“Por outro lado, os democratas querem deixar o serviço feito pela metade.”

Pode ser, depende. É bem provável que se comportem da mesma maneira, sem mexer em nada.

“o festival de massacres nas universidades poderiam lançar os EUA em uma profunda depressão.”

Me desculpe, mas isso não faz o menor sentido.

“Enfim, já que o Bush fracassou completamente em termos geopolíticos...”

Na média, até q ele não foi um mau presidente.

Impedir a ascensão da China seria meio difícil, e acho que, mesmo que fosse possível, não haveria interesse. Ninguém quer saber de hostilidades tão cedo, de guerrinhas econômicas.

A ressurgência da Rússia é um processo natural, como a da Alemanha, e que também não pode ser barrado.

Sobre a recessão, pode ser, pode não ser:

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/03/06/crisis/

O golpe contra o Chapolim foi amadorístico, infelizmente. A oposição melhorou muito, mas ainda é fraca demais. E hoje os EUA não tem tempo nem recursos para uma invasão, que obviamente não seria como a do Panamá, mas um pouquinho mais complicada. Acho que nem se estivessem livres fariam uma coisa dessas. Mas ferir a Venezuela não é muito difícil. Basta fechar as refinarias da Citgo nos EUA, por exemplo. Já seria um bom começo.

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/03/the-marigold-revolution/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/03/venezuela-round-two/

Chávez não tem um milésimo do carisma de Che ou mesmo Fidel. Isso no final das contas é muito bom.

André disse...

Enquanto isso, na vizinhança...

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/03/06/south-america/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/03/06/su-27s-in-venezuela-2005/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/03/04/colombia-the-farc-and-chavez/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/03/04/colombia-the-raid/



Venezuela: Chavez's Calculations on Colombia

Venezuela is moving troops to the border with Colombia after a Colombian raid across the Ecuadorian border targeting Revolutionary Armed Forces of Colombia camps. Venezuelan President Hugo Chavez needs something to increase his stature at home, and a wave of anti-Colombianism in Venezuela could serve that purpose. However, Chavez cannot afford to turn this into a real fight.

The Venezuelan government is moving troops to the border with Colombia to protest a Colombian raid that targeted Revolutionary Armed Forces of Colombia (FARC) camps on the Ecuadorian side of the Colombia-Ecuador border. Although starting a war is the furthest thing from Caracas’ mind, the Venezuelan government is going to do whatever it can to complicate life for Colombia.

Venezuelan President Hugo Chavez’s government has taken some serious blows lately. The opposition seems to be getting strategy lessons from the people who brought down Slobodan Milosevic. Chavez only recently suffered his first election defeat since coming to power. And a growing legal dispute with ExxonMobil Corp. is tying the country’s oil industry — and perhaps soon its finances — in knots.

Chavez is getting a bit concerned about his ability to keep the opposition divided and his supporters in line, so a nationalistic anti-Colombian outpouring could well be just what the doctor ordered.

That said, Chavez does not dare turn this into a real fight.

Colombia’s military is battle-hardened after decades of civil war, while the Venezuelan military has not challenged anything more dangerous than lightly-armed protesters since before Colombia’s civil war began. Furthermore, Chavez’s efforts to supplant the military with his own Bolivarian militias have earned him no friends among the officer corps, and it is unlikely that he could order a real march to war even if he could convince the military that one was needed. After all, many of the figures the military respects played prominent roles in the defeat of Chavez’s constitutional referendum.

Under these circumstances, the Venezuelan military (even backed up by the FARC) is capable of doing little more than dirtying the Colombian military’s boots. Bogota — long annoyed by its neighbor’s diplomatic support for the FARC — would like nothing more than a chance to humiliate Chavez on the field. Barring a massive miscalculation, Chavez simply will beat the nationalist drum and not present his regime gift-wrapped to the Colombian army by trying to start a war.

But just because Chavez has no intention of invading Colombia does not mean he has no intention of causing problems for his neighbor. Far from it. Any leader in Caracas would seriously consider undermining Colombia at this time.

The geography of South America allows for only limited strategic competition among the countries there. Most of the population lives on the coasts, with deserts, mountains, swamps, barrens and jungles greatly restricting interaction. Most of the interaction that does occur happens in the Southern Cone. In the northern part of the continent only Ecuador, Colombia and Venezuela even have the option of truly competing. For the past two generations, Colombia has been wracked with civil war, minimizing cross-border activity at the state level. That is changing.

While Stratfor is always reluctant to ascribe a country’s success or failure to any particular personality, it is undeniable that, under the leadership of President Alvaro Uribe Velez, Colombia has become a very different place. The country is a far cry from the chaotic polity ruled by rampant kidnapping and mass mayhem that it was before Uribe. In the past decade, Bogota has brought the paramilitaries — one of the many facets of its civil war — in from the cold and largely ended their activities. Negotiations with the National Liberation Army are going rather well, and the prospect is on the horizon that this rebel group will soon reach a settlement with the government.

These fortuitous developments have occurred at the same time as renewed offenses against the FARC in the context of a broad military buildup. The net effect is that the government is focusing a greater percentage of its military capability on the FARC, even as the military’s total bandwidth for operations has been increasing. The FARC is hardly dead, but it has been pushed away from the country’s central corridors and major cities.

Not only is FARC activity now largely restricted to the jungle, but many of its operations — especially in southwestern Colombia, as Bogota’s successful raid into Ecuador attests — are dependent upon assets based on the other side of the border. As Colombia’s military position continues to improve (and there is little reason to doubt that it will), the FARC will become even more dependent upon its foreign bases.

While this hardly means an end to the civil war, it does presage the normalization of Colombia. Since the war began, Colombia has been wracked with internal crises and been utterly unable to project power of any sort beyond its core cities. Now it is not only regularly raiding FARC camps in outlying regions, but also making bold forays across Colombia’s international borders. Regardless of the FARC’s involvement, and regardless of who the leader in Caracas is, the likely return of Colombia’s ability to influence its own border regions will grab the attention of Colombia’s neighbors. And that does not even include the eyebrow-raising impact of Colombia’s de facto alliance with the United States.

Ideology aside, any Venezuelan president would have plenty of reasons to want to hobble Colombia simply because it is a competitor. The competition is heightened by the fact that Colombia’s economy is vibrant and expanding while Venezuela’s is teetering, that Colombia has broken from its oil dependency while Venezuela is addicted, that Colombia’s military is professional and capable while Venezuela’s is ill-equipped and politicized, and that Uribe is respected across the political spectrum while Chavez faces an increasingly fractured polity.

Chavez’s support of the FARC — public, backroom, diplomatic, military and otherwise — might make him hated in many locales, but from the point of view of geopolitics, which tries to ignore ideologies and personalities, it is a savvy move. Anything that hampers Colombia’s return to strength is something that bolsters Venezuelan power. A war between the two states might be far off, but the conflict between the two is only beginning.

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Colombia, Venezuela: Chavez's Self-Defeating Escalation


Venezuelan President Hugo Chavez threatened to reduce trade with Colombia on March 2, one day after he condemned Colombia’s successful raid into Ecuador against the Revolutionary Armed Forces of Colombia. Now, March 7 reports from the Colombian-Venezuelan border suggest that just such restrictions are being put in place. While Venezuela can afford such populist-nationalist decisions better than most states, Venezuela, not Colombia, will bear the higher cost of Chavez’s decision.

Total 2007 trade between the two South American neighbors amounted to roughly $4 billion. Most of the $1.36 billion that Venezuela sent to Colombia consists of raw materials such as iron, aluminum and fuels. These are all things that Venezuela can easily find buyers for elsewhere — albeit at lower prices, since Venezuela will need to offer discounts to make up for increased shipping costs.

On the flip side, Colombia exports $2.64 billion in products to Venezuela. These are mostly things for which Venezuela has acute shortages; namely, manufactured goods and food products. Reports of bare supermarket shelves in Caracas are now commonplace in the Venezuelan media. Chavez’s decision will not help fill those shelves.

Ten years of populism have greatly damaged Venezuela’s economic diversity and strength. Most manufacturers — and now even agricultural producers — either have ceased operations in the country or at least are cutting back output. This accounts for the prominence of Colombian foodstuffs in Venezuela. The country’s oil wealth can certainly be used to import more expensive foods from farther afield, but only as long as oil prices continue to rise. The Chavez government has been spending its oil income faster than it has come in to the point of taking out loans to be paid back in oil, and Venezuela is the only oil producer in the world of note that has not socked away a rainy day fund. A Colombian embargo will only add to the financial pressure.

In the meantime, Chavez had better hope he is serving up enough nationalism to satisfy his citizenry — at least until alternatives to Colombian foodstuffs arrive.

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Bom final de semana pra vcs

a.h disse...

Discordo, entre outros, da idéia de "eleição roubada":

“Ao contrário do que é dito, a eleição americana não mostrou uma fissura na sociedade. Esta eleição é a marca do equilíbrio entre as duas principais correntes, a republicana e democrata. A legitimidade do pleito deve ser respeitada e a vitória do eleito, nos moldes previstos pela Constituição, não pode ser contesta, sob risco de se colocar em crise a estrutura institucional do país. Logo, é muito difícil que o vencedor não goze de plena legitimidade, pois isto faz parte da tradição democrática americana, como salientam os Senadores democratas Torricelli (Nova Jersey) J.Breaux (Lousianna). As disputas acirradas deste pleito e o comparecimento muito maior do que o esperado às urnas, prova que nenhum sistema é perfeito, mas mostra-se o mais adequado a um país com o sistema federativo americano, uma democracia plena de mais de 200 anos”

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1537

a.h disse...

Outro trecho importante:

"A eleição presidencial Gore Vs. Bush é extremamente rica em componentes para se estudar o sistema eleitoral. Apesar de os candidatos obterem quase o mesmo número de votos, observando-se o mapa, verifica-se que Bush venceu em um maior número de estados. Entretanto, estes não possuem uma representação grande no colégio eleitoral. Bush venceu em vários estados com representação pequena. Já, Al Gore venceu em nos chamados "estados chave", como a Califórnia, que possui 54 delegados e Nova York, com 33. Ao todo, sem contar o estado da Flórida, Bush venceu em 29 e Gore em 19 estados, mais a capital, Washington D.C. Apesar de Gore ter obtido um número um pouco maior de votos do que Bush no geral, este venceu em um maior número de estados. Além disto, o republicano venceu nos estados mais tradicionais, onde o voto do interior conta muito, como nos estados do sul e centro. Já o democrata, venceu nos estados que possuem grandes cidades, como Los Angeles, Chicago e Detroit, este último, onde encontra-se a base dos sindicatos americanos."

Anônimo disse...

E o nosso ALFABETO LULA como ele chegou a presidência?

a.h disse...

O que tem a ver uma coisa com a outra?

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