03 fevereiro 2008

Siglo veinte cambalache

Em artigo para o Estadão de ontem, o advogado, professor e acadêmico Miguel Reale Júnior escreve contundente catilinária contra a mídia contemporânea, mais precisamente contra a televisão e a Internet. “O gosto do mal e o mau gosto” é o título de seu artigo.

“O horror vira espetáculo. Hoje se multiplicam as filmagens ou fotografias com celular de cenas de brutalidade contra as pessoas, para puro e simples divertimento. O enforcamento de Saddam Hussein, com o corpo balançando no vazio, correu a internet. Um site francês, “Vídeos de Decapitação”, revela Marzano, instalou fórum de discussão acerca da decapitação de Nicholas Berg no Iraque. As reações dos internautas transitaram entre o fascínio e a indiferente discussão sobre a qualidade da filmagem. A tragédia do Iraque tornou-se distração”.

Vai adiante o professor: “O Big Brother Brasil, a Baixaria Brega do Brasil, faz de todos os telespectadores voyeurs de cenas protagonizadas na realidade de uma casa ocupada por pessoas que expõem publicamente suas zonas de vida mais íntima, em busca de dinheiro e sucesso. Tentei acompanhar o programa. Suportei apenas dez minutos: o suficiente para notar que estes violadores da própria privacidade falam em péssimo português obviedades com pretenso ar pascaliano, com jeito ansioso de serem engraçadamente profundos”.

Reale Júnior suportou o Big Brother dez minutos. Me superou. Eu não consegui suportar cinco. Quanto a vídeos de decapitação, parece que estão na moda. Recebi um, com a decapitação do jornalista Daniel Pearl, no Paquistão. É de uma brutalidade insólita. Como jornalista, me sinto mais ou menos obrigado a ver tais barbaridades. Recebi também fotos dos cadáveres de presidiários - mortos por presidiários - em uma rebelião no Carandiru. Eméticas. Como também recebi fotos de hospitais de Cuba. Repelentes. Mas se você quiser entender o mundo que o cerca, é bom que veja tais fotos. Para ter uma idéia do que o ser humano é capaz. Depois, melhor deletá-las.

É curioso que o professor não arrole em seu circo de horrores os pastores televisivos. Para mim, constituem caso de polícia. Aquilo não é religião, é extorsão de pobres coitados. Tanto a televisão como a Internet têm seus momentos abomináveis. Prossegue Reale Júnior:

“Mas o público concede elevadas audiências de 35 pontos e aciona, mediante pagamento da ligação, 18 milhões de telefonemas para participar do chamado “paredão”, quando um dos protagonistas há de ser eliminado. Por sites da internet se pode saber do dia-a-dia desse reino do despudor e do mau gosto. As moças ensinam a dança do bumbum para cima. As festas abrem espaço para a sacanagem geral. Uma das moças no baile funk bebe sem parar. Embriagada, levanta a blusa, a mostrar os seios. Depois, no banheiro, se põe a fazer depilação. Uma das participantes acorda com sangue nos lençóis, a revelar ter tido menstruação durante a noite. (...) É possível conjunto mais significativo de vulgaridade chocante?”

Reale Júnior parece não ter entendido a natureza humana. Dezoito milhões de néscios telefonam, mediante pagamento da ligação, para participar do tal de paredão? Brasileiro é isso mesmo. Na França ou Alemanha não teríamos tais abominações. (O que não exclui que haja outras). Não houvesse o Big Brother, estes dezoito milhões estariam empenhados em participar de besteiróis outros, tipo carnaval ou futebol. Não vejo muita diferença entre um espectador que curte Big Brother e outro que curte futebol. O analfabetismo é o mesmo. Ou talvez haja uma: o torcedor de futebol é capaz de matar por seu time. O de Big Brother, aparentemente, não.

Seja como for, surpreendeu-me a erudição do acadêmico em matéria de baixarias. Tudo isso existe mesmo na Internet e na televisão? Acredito piamente que sim. Mas disso não tomo conhecimento. Verdade que às vezes dou uma zapeada para auscultar a imbecilidade geral do mundo. Considero isto um exercício interessante. Serve para constatarmos que o universo que nos rodeia é bastante distinto daquele que cultivamos em nossas casas. Mas não consigo me demorar muito em tais sites ou programas. Como disse, já tentei ver o Big Brother, para ter uma idéia da mediocridade nacional. Mas não consegui agüentar cinco minutos.

Tanto a televisão como a Internet não o obrigam a assistir suas baixarias. Você vê o que quer. Toda TV tem um controle, on e off. Vê TV quem quer ver TV. Vê baixaria quem quer ver baixaria. Busca sites estúpidos na Internet quem gosta de sites estúpidos. Em meus primeiros dias de internauta, confesso que os acessei. Queria ter uma idéia global da rede. Uma vez ciente do que existia na Web, não mais voltei a eles.

Melhor voltarmos a um dos mais geniais tangos já concebidos, Siglo veinte, cambalache, de Enrique Santos Discépolo. Para quem não entende espanhol: cambalache significa brechó, bric-a-brac. Nosso século, o XXI, também é cambalache.

Que el mundo fue y será una porquería,
Ya lo sé;
En el quinientos seis
Y en el dos mil también;
Que siempre ha habido chorros,
Maquiavelos y estafaos,
Contentos y amargaos,
Valores y dubles,
Pero que el siglo veinte es un despliegue
De malda' insolente
Ya no hay quien lo niegue;
Vivimos revolcaos en un merengue
Y en un mismo lodo todos manoseaos.

Hoy resulta que es lo mismo
Ser derecho que traidor,
Ignorante, sabio, chorro,
Generoso, estafador.
Todo es igual; nada es mejor;
Lo mismo un burro que un gran profesor.
No hay aplazaos, ni escalafón;
Los inmorales nos han igualao.
Si uno vive en la impostura
Y otro roba en su ambición,
Da lo mismo que si es cura,
Colchonero, rey de bastos,
Caradura o polizón.

Que falta de respeto,
Que atropello a la razón;
Cualquiera es un señor,
Cualquiera es un ladrón.
Mezclaos con stavisky,
Van don bosco y la mignón,
Don chicho y napoleón,
Carnera y san martín.
Igual que en la vidriera irrespetuosa
De los cambalaches
Se ha mezclao la vida,
Y herida por un sable sin remaches
Ves llorar la biblia contra un calefón.

Siglo veinte, cambalache
Problematico y febril;
El que no llora, no mama,
Y el que no afana es un gil.
Dale nomás, dale que vá,
Que allá en el horno nos vamo a encontrar.
No pienses mas, echate a un lao,
Que a nadie importa si naciste honrao.
Que es lo mismo el que labura
Noche y día como un buey,
Que el que vive de los otros,
Que el que mata o el que cura
O esta fuera de la ley.

29 comentários:

Raphael disse...

Assim fica difícil. Minha família toda na praia, ninguém além de mim entrincheirado em casa, me protegendo do carnaval. Nem a namorada aqui. E justo quando estou mais ocioso (minha utopia) , a internet pára. Nada acontece no messenger, sites de notícia, SKY, blogs, enfim, it sucks... Então vou ser o primeiro a comentar de novo.



Esse texto vem em boa hora, enquanto o carnaval bate às nossas portas. Acho que são nesses dias que você se arrepende de ter deixado o sul, não, Janer? A banalização se espalha tal qual vírus. Parece que chegamos a uma época onde a individualidade é preterida em favor da necessidade de atenção, de fama. Eu disse individualidade porque pensava em macacos de imitação, mas dignidade também serve. Ora, quando quase todos esquecem o significado de dignidade, deixa de ser importante ou constrangedor o fato de não possuí-la.


Por essas e outras que não assisto TV aberta.

Janer disse...

Bom, Raphael,

eu estou cada vez mais apaixonado pelo carnaval de São Paulo. É data que espero com ansiedade. Hoje, pulei o carnaval com uma amiga. Explico. Ontem, telefonei para ela:

- Que vais fazer nestes dias?
- Vou pular o carnaval. Isto é, vou pular a data. É como se não existisse.
- Maravilha. Vamos então pular juntos?

Pulamos. Passeamos hoje por uma cidade deserta, parecia Dom Pedrito num domingo chuvoso. Almoçamos em um simpático restaurante francês, também deserto. Relembramos nossos dias de Paris, discutimos francês e grego, clássico e contemporâneo, continental e cretense, analisamos as traduções de Kazantzakis ao português, repassamos uma antiga leitura de meus dias de universidade, o Quarteto de Alexandria, do Lawrence Durrel, evocamos Henry Miller e ilhas gregas, Alexandria e Corfu, rimos com as mancadas de tradutores, confrontamos as obras de Borges e Lobato, revisamos etimologias, colocamos em xeque ênclises e mesóclises.

Em suma, foi um dia daqueles que, ao chegar ao fim, nos deixa uma agradabilíssima sensação de paz interior. Não é todos os dias que encontramos pessoa sensível e culta para conversar, e hoje foi um deles. Ela é rato de sebos e voltei para casa com a promessa de um cadeau que vou gostar muito de ler, um estudo sobre os anacoretas do deserto do século IV d.C.

Carnaval? Ouvi até mesmo dizer que existe em São Paulo. Parece que acontece lá pras bandas da Paulista. É o que os jornais e a televisão me informam. Até acredito que seja verdade. Mas não vi. É divino viver numa grande cidade brasileira onde se pode ter a sensação de que carnaval não existe.

São Paulo é o túmulo do samba, dizia Vinicius de Moraes. Este, a meu ver, é um dos encantos da cidade. Meus amigos ocasionais – garçons, garçonetes, taxistas, a moça da banca de jornais, meu barbeiro – sempre me perguntam onde vou passar o carnaval. Aqui, respondo. Daqui não saio, daqui ninguém me tira, como dizia uma antiga marchinha. Ninguém me arranca de São Paulo em um carnaval. Nem em feriadões. Nessas datas a cidade adquire um ar de província, pode-se andar de bicicleta sem medo nas grandes avenidas, freqüentar aqueles bons restaurantes onde normalmente há filas de espera, curtir livrarias e cinemas sem o estorvo da multidão. O silêncio é extraordinário. Nestes dias, acordo como se estivesse no paraíso, sem ruído algum de motores. (Enfim, estou supondo que no paraíso não existam carros). Moro aqui há quase vinte anos e jamais ouvi, pelo menos em meu bairro, aquele ronco estúpido de cuícas e tamborins. Ontem começou o shabbat. Higienópolis, sem carros, parece hoje uma cidade do deserto percorrida por sisudos rabinos e aldeãs com vestes cheias de cores.

Fosse São Paulo um eterno carnaval, seria uma das cidades mais aprazíveis do mundo. Saíram ontem quase dois milhões de carros da cidade. Contando por baixo, são uns quatro milhões de paulistanos a menos. É quando a cidade se torna habitável. Conclusão que se impõe: há um excesso de quatro milhões de habitantes nesta cidade. Fariam um grande favor aos homens sensatos – sim, eles ainda existem – se ficassem no litoral pelo resto de suas vidas.

Tudo que é bom dura pouco, dizem as gentes. Mais três dias e a cidade volta à sua normalidade hostil. Só me resta esperar pelo próximo carnaval. Ou feriadão. Feriadão também é muito bom em São Paulo.

Nestes dias de paz que ainda restam, vou buscar outras amigas que também gostem de pular o carnaval. Quero pular junto.

Raphael disse...

Não tenho sua sorte, Janer. Moro no interior de SP e daqui da minha casa – que fica longe do centro – posso ouvir o barulho dos clubes e batuques de carnaval. O feriado é bom, só não consigo imaginar como seria passá-lo fora de casa.

André disse...

Bom, pelo menos vc tem namorada, Rafael.

No Country for Old Men, excelente filme. Especialmente pelo assassino.

Tem razão, a internet está parada mesmo. Morta. Até pq todo mundo viaja, fica longe do PC (eu também gosto de ficar longe disso de vez em quando, viajando ou não).

Brasília, esse deserto administrativo, burocrático, também ficou bem deserta em janeiro. Nem os dinossauros ficam no Jurassic Park nessa época do ano. Mas assim q acabar o carnaval o povo volta, com seus carros, mais carros do que a cidade comporta.

Bom, o enforcamento do Saddam, uma vez registrado, inevitavelmente correria pela internet. Há coisas muito piores na tv e na internet. E foi um vídeo de péssima qualidade. Imagine se tivesse sido em HD.

Big Brother é mesmo um lixo. O povo adora baixaria e nunca vai passar fome por falta disso. O engraçado é quem não admite que gosta disso pq gosta mesmo é de baixaria, aí vem com aquelas desculpas, tipo “eu assisto pq se trata de um estudo psicológico válido, que mostra o comportamento humano como ele realmente é”. Estudo psicológico (e antropológico e social) o cacete.

Eu ainda prefiro mil vezes os combates entre gladiadores na Roma Antiga.

Essas fotos de presidiários mortos por presidiários no Carandiru fizeram bastante sucesso há uns anos. As dos hospitais de Cuba também, muita gente q conheço comentou. Repelente mesmo, tudo isso.

Mas acho mais nojento, repulsivo, baixo e doentio os pastores. R.R. Soares e os “obreiros” do Bishop Edir Macedo, com aqueles ternos, o indefectível jaquetão, projetando a imagem de agentes funerários. E aquelas camisas azulão ou amarelo-ovo com gola e punhos brancos (camisa de sorveteiro, sorveteiro das antigas) com gravatas dadaístas... Sem falar nas abotoaduras douradas, prendedores de gravata e o suor escorrendo em volta do pescoço. Os típicos canalhas suburbanos.

Com ou sem Big Brother, a ratatuia sempre terá tempo de sobra para qualquer outra coisa.

Muitos espectadores de futebol são bem melhores do que os de Big Brother — e não gostam daquilo.

“Serve para constatarmos que o universo que nos rodeia é bastante distinto daquele que cultivamos em nossas casas.”

É, às vezes isso é um choque.

“Os melhores não têm convicção alguma, enquanto os piores estão chieos de intensidade passional.” (Yeats) Eis o que há hoje.

André disse...

Correção:

“Os melhores não têm convicção alguma, enquanto os piores estão cheios de intensidade passional.” (Yeats) Eis o que há hoje.

Na íntegra:

I will arise and go now, and go to Inishfree.
And a small cabin build there, of clay and wattles made;
Nine bean-rows will I have there, a hive for the honey-bee,
And live alone in the bee loud glade.
But I, being poor, have only my dreams.
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly, because you tread on my dreams.

Civilisation is hooped together, brought
Under a rule, under the semblance of peace
By manifold illusion, but Man's life is thought,
And he, despite his terror, cannot cease,
Ravening through century after century
Ravening, raging and uprooting, that he may come
Into the desolation of reality.

Turning and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction; while the worst
Are full of passionate intensity.

André disse...

The leukemia that a couple of days ago killed Edward Said lasted long enough for the polemist and political activist who had settled in the US to watch his projects and hopes crumble.

Said owes his fame to having become the most articulate apologist for the "palestinian cause", something that wasn’t all that difficult when one considers that most of his rivals in this field, whenever they’re not too busy blowing up school buses and pizza parlours, satisfy themselves spreading anti-Semitic forgeries like "The Protocols of the Sages of Zion". Even so, although his prose reminds one of a post-modern English version of a deconstructionist French translation of the Germanic ravings of some Heidegger epigone, his academic dance of the seven veils with successive layers of Marxist, anti-imperialist and post-colonial jargon never hid the fact that his goals were fundamentally the same.

A large part of his so-called moral authority came from Said presenting himself as a refugee from a Palestinian homeland. In spite of having been put in doubt by his adversaries, the truth or falsity of this claim isn’t too important. The internal borders of the Arab world are all artificial and, half a century ago, loyalties there were established in relation do clans, families, cities or villages and religious sects, not countries or nations, an European import that has had no time to grow deep roots in the Middle East. The Palestinian nationality as a distinct identity has not begun to be developed before the 60s.

Born in an upper middle class Christian family, a student at the best local schools and a member of the most exclusive clubs, Said became since the 50s an American and he benefited both from this condition and from the romanticized image of an exile to reach the top of the academic pecking order. Since the beginning of the anti-Vietnam movements in the following decade, any cause that could be related to the Third World became first popular and then compulsory among Western intellectuals. Attuned to such a context, Said, whose speciality were Literary Studies, published in 1978 the book that would make him famous, assuring his role of guru almost until his death: “Orientalism”.

His "classic" is a confused, misinformed and angry diatribe that consists in applying to a particular case an overused generic thesis according to which intellectuals are mostly the servants of the ruling class. What “Orientalism” tries to show through half-truths, non-sequiturs, weird examples and exceptions turned into rules is that the discipline or, rather, the disciplines generically called Orientalism that study the Eastern peoples and cultures are nothing but the theoretical arm of imperialism. In short, whoever studied difficult languages such as Chinese or Sanskrit, whoever translated or annotated old or forgotten Japanese or Persian works, whoever unearthed lost temples and palaces did it only for the profit of British or French capitalists.

If such a childish reductionism weren’t enough, the author limited his analysis to the less Oriental of all the non-European regions: the Arab-Muslim world. Surrounding the publication of his work with a whole series of polemics where, to any substantive objection, he only answered questioning the ideological credentials of his critics, he managed, helped by the spirit of the times, to turn his book in the cornerstone of an academic fashion that is still strong enough, that is, judging people and works according not to scholarly criteria but in the light of their political choices. His greatest success was to have coined the very expression "Orientalism", making it work, like similar terms (fascist, racist, communist), as an insult that, shutting up those with a different point of view, allows its users to avoid any discussion.

One year later, in 1979, he published his other "classic", « The Question of Palestine », a book the purpose of which was to narrate the tragedy of his people but which touches historical truth only tangentially, at best. Among the many lies with which this deformed view of the past is built, the most scandalous is the mysterious disappearance of the Grand Mufti of Jerusalem, Hadjj Amin al Huseini (1893-1974). The main leader of what Said calls Palestine and of its revolt, in 1936-39, against British rule, the ally of the Nazis who wanted Hitler to help him exterminate the Jews of Haifa and Tel Aviv, the personality that dominated, between the 20s and the 60s, the life of the local Arabs, taking them from catastrophe to catastrophe, makes only one very brief appearance in the whole volume. It is as if a history of the US or Italy, covering the same period, simply omitted the names of FDR or Mussollini.

For two long decades, until the day when the Al Qaeda atrocities, demoralizing his apologetic view of the Islamic world, occasioned his final eclipse by his nemesis, Bernard Lewis, Said kept a powerful and evil hold over many intellectuals. And, though below such euphemisms as the “creation of a secular bi-national state where Jews and Arabs would live democratically together” what really lurked was his mad dream of abolishing Israel, something that would result in the extermination of its “non native” population, the real victims of his ideas were first and foremost his own countrymen whom he helped to guide towards new disasters.
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Folha de S. Paulo, 29 de setembro de 2003

NELSON ASCHER

Edward Said (1935-2003)

A leucemia que, há poucos dias, matou Edward Said prolongou-se o bastante para que o polemista e ativista político radicado nos Estados Unidos pudesse assistir à falência de seus projetos e expectativas.

Said deve sua reputação a ter se tornado o mais articulado defensor da "causa palestina", algo que nada tinha de difícil se considerarmos que seus competidores nessa área, quando não estão ocupados explodindo ônibus escolares ou pizzarias, satisfazem-se divulgando falsificações anti-semitas como "Os Protocolos dos Sábios de Sião". Ainda assim, se bem que sua prosa evoque uma versão pós-moderna para o inglês de uma tradução desconstrucionista francesa dos delírios germânicos de algum epígono de Martin Heidegger, sua dança acadêmica dos sete véus, sobrepondo camadas de jargão marxista, antiimperialista e pós-colonial, jamais ocultou que seus objetivos eram idênticos.

Boa parte de sua, digamos, autoridade moral resultava de ele se apresentar como um refugiado da terra natal palestina. Não obstante ter sido posta em dúvida por adversários, a veracidade ou não dessa reivindicação é uma questão secundária. As fronteiras internas do mundo árabe são artificiais e, meio século atrás, as lealdades se estabeleciam em relação a clãs, famílias, cidades ou aldeias e seitas religiosas, não a países ou nações, uma importação européia que nem sequer teve tempo de se aclimatar ao Oriente Médio. A nacionalidade palestina, como identidade distinta, começou a ser elaborada somente nos anos 60.

Nascido numa família da alta classe média cristã, educado nas melhores escolas, frequentador dos clubes mais exclusivos, Said tornou-se, desde os anos 50, um norte-americano e beneficiou-se tanto dessa condição como da imagem romantizada de exilado para atingir o ápice do mandarinato universitário. A partir dos movimentos de contestação à Guerra do Vietnã na década seguinte, a defesa de qualquer causa remotamente vinculada ao Terceiro Mundo tornou-se primeiro popular e logo compulsória entre os intelectuais do Ocidente. Sensível a tal contexto, Said, que se especializara em estudos literários, publicou em 1978 o livro que o projetaria, garantindo-lhe, quase até o final da vida, o papel de guru: "Orientalismo".

Seu "clássico" é uma diatribe confusa, desinformada e raivosa que se resume na aplicação a um caso particular da batida tese genérica de acordo com a qual intelectuais são, em sua maioria, lacaios da classe dominante. O que "Orientalismo" tenta expor com meias verdades, com um "non sequitur" após o outro, com exemplos abstrusos e exceções convertidas em regras, é que o orientalismo, a disciplina, ou melhor, o conjunto de disciplinas dedicadas ao estudo dos povos e culturas ao leste da Europa não passa do braço teórico da prática imperial. Trocando em miúdos, quem quer que tenha se aprofundado no estudo de línguas difíceis, como o chinês ou o sânscrito, traduzido e anotado obras antigas ou esquecidas da Pérsia ou do Japão, localizado e restaurado as ruínas de templos e palácios soterrados fez o que fez para que capitalistas londrinos ou parisienses extraíssem confortavelmente a mais-valia gerada por povos distantes.

Não bastasse seu reducionismo pueril, o autor circunscreveu sua análise à menos oriental das regiões extra-européias: o mundo árabe-islâmico. Envolvendo a publicação de sua obra numa sucessão de polêmicas em que às objeções substantivas retorquia questionando as credenciais ideológicas de seus críticos, ele conseguiu, auxiliado pelo espírito da época, transformá-la na pedra angular da moda acadêmica que vigora até hoje: a de julgar pessoas e trabalhos não por seus méritos científicos, mas por suas opções políticas. Seu grande sucesso reside em ter, com a expressão "orientalismo" , cunhado um insulto que, como "fascista", "racista" ou "comunista", possibilita ao usuário esquivar-se do debate desqualificando os interlocutores.

Um ano depois, em 1979, sairia seu outro "clássico", "A Questão da Palestina", um livro que pretende narrar a tragédia de seu povo, mas cujos contatos com a verdade histórica são, na melhor das hipóteses, tangenciais. Em meio às incontáveis mistificações sobre as quais se constrói essa versão deformada do passado, a mais escandalosa é o misterioso desaparecimento do Grão Mufti de Jerusalém, Hadj Amin Al Husseini (1893-1974). O principal líder político daquilo que Said chama de Palestina, o desencadeador e dirigente da revolta antibritânica de 1936-39, o aliado dos nazistas que tentou convencer Adolf Hitler a exterminar os judeus de Tel Aviv e Haifa, a personalidade que dominou a vida dos árabes da região entre os anos 20 e 60, conduzindo-os de catástrofe em catástrofe, aparece uma única vez, de passagem, no livro inteiro. Isso equivale a escrever sobre os EUA ou a Itália dos mesmos anos omitindo respectivamente os nomes de Roosevelt e Mussolini.

Durante duas boas décadas, até que os atentados bin-ladenistas, desmoralizando sua apresentação apologética do mundo islâmico, levassem seu arqui-rival, o arabista octogenário Bernard Lewis, a eclipsá-lo, Said exerceu uma influência intelectual tão avassaladora quanto perniciosa. E, embora sob eufemismos, como o da criação de um país binacional onde judeus e árabes convivessem democraticamente, ele continuasse acalentando o sonho maníaco de abolir Israel, exterminando-lhe os habitantes "não-nativos", as verdadeiras vítimas de suas idéias foram antes seus conterrâneos, que ele ajudou a conduzir rumo a novos desastres.

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Após a publicação desse obituário de Edward Said na Folha de SP, diversos “intelectuais” criticaram Ascher por dizer a verdade, ao mesmo tempo em que mentiam sobre a nacionalidade, sobre as intenções e sonhos de Said (“...os que alimentam, como fez o intelectual palestino durante toda a sua vida, a esperança de ver israelenses e palestinos conviverem em paz, com justiça”) e se negavam – ou não conseguiam – responder as verdades que o jornalista escreveu (“O escrito é uma baixeza deliberada e covarde, que merece repúdio, e não resposta”).

Mas o que realmente me surpreendeu foi ler os nomes dos “intelectuais” que assinaram tal manifesto. De Marilena Chauí e Emir “GetuLHo” Sader até José Arbex Jr., o mesmo que publicou na Carta Capital a “notícia” que o Estado de Israel estava projetando uma bomba étnica (pois é, não é piada!) que mataria árabes sem causar baixas entre israelenses.

André disse...

Tirado de

http://thestupidleft.blogspot.com/

Raphael Piaia disse...

Não só a internet, André. Ontem foi um dia angustiante. Nenhum filme bom na TV. Liguei na comida chinesa, ninguém atendia. Pizzarias, ninguém atendia. Pastelarias, ninguém atendia. Quando eu cheguei na geladeira e vi que só tinha uma cerveja, foi a gota d’água! Mas fazer o quê?

Janer, me deixa mudar de assunto um pouco. Quem é o seu candidato para as eleições americanas?

Abraço

Janer disse...

Nenhum.

André disse...

O meu candidato , se eu votasse lá, seria o McCain.

"Liguei na comida chinesa, ninguém atendia. Pizzarias, ninguém atendia. Pastelarias, ninguém atendia."

Parece aquele filme com o Will Smith, Eu Sou a Lenda, he, he. Só ficou vc no mundo, um vírus pegou todo o resto. Isso q aconteceu com vc acontece comigo às vezes.

Raphael disse...

Não sei, André. Como pessoa, entre os candidatos, McCain é o que eu mais admiro. Só acho – correndo o risco de concordar com a lunática da Ann Coulter – que ele não é conservador o suficiente. Se bem que meu candidato era o Giuliani, e ele também não é tanto.

A posição do McCain quanto à imigração, por exemplo, me desagrada e não condiz com uma posição republicana. O apoio dele ao combate contra o “aquecimento global” também poderia ser mais moderado. Mesmo assim, entre as opções, talvez ele acabe sendo mesmo a melhor escolha. A história dele é admirável e ninguém pode negar que ele tem a pinta de presidente.
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Por falar nesse filme, ainda não assisti. Gostei bastante do livro, mas, de acordo com o que me disseram, o filme é bem diferente.

Catellius disse...

Janer, seu primeiro comentário superou o próprio post. Bravo! É preciso uma bagagem mínima para se fruir de determinadas coisas. Quando vejo uma pessoa, incapaz de apreciar as grandes realizações artísticas da humanidade, extasiada a assistir Big Brother, Gugu, Faustão e congêneres, sinto o mesmo que se a visse sem pernas ou sem olhos. “Pobre coitada! Não sabe o que está perdendo!”, penso.

Raphael,

"Por essas e outras que não assisto TV aberta."

Esposa, filha, livros (sobre arquitetura, artes visuais, música, história e filosofia), ópera (cds e dvds) e Internet. É o que mais me interessa quando estou em casa. Não assisto muito TV, nem mesmo telejornais. Informo-me pela Internet. Não quero saber do atropelamento de uma criança de um ano em Botucatu porque sei que se ler sua história ficarei profundamente sensibilizado. De que me adianta? Não é suficiente que sofram seus parentes, amigos e conhecidos? Por que devo sofrer também? Mas acompanho as estatísticas, os números, de acidentes, de homicídios, etc. Isto me interessa. Quero estar a par do ritmo em que o bolo desanda, em que a vaca afunda no brejo, ou em que as coisas entram nos eixos (doce ilusão). Gosto de ver índices de analfabetismo diminuindo, semideuses desempregados, políticos e religiosos denunciados pelas próprias estultices.

Quanto ao carnaval, é o símbolo da hipocrisia cristã. São necessários quarenta dias de penitência, jejum, oração, recolhimento, como preparação para a Páscoa? Muito bem, até que o dia chegue vamos cair na santa putaria!!! O interessante é que o carnaval se estende até a Páscoa, época de comilança desenfreada, de chocolates, carnes, etc.

Minha filha tem dois anos e meio. Compramos uma fantasia para ela e a levamos a uma matinê ao som de marchinhas, com muita serpentina e muito confete. O grande problema estava NAQUELA MALDITA ESPUMINHA, molhada, nojenta, que diverte meia dúzia de babacas às custas do resto dos foliões. Bom, minha filhinha se divertiu à beça. Para mim então valeu a pena. Literalmente valeu A PENA, o sofrimento. Porque haja saco para agüentar tanto esbarrão, sovaco, gritaria, etc...

Raphael disse...

Acabei de fazer um comentário e vi que você fez outro, Catellius. Pois é, eu não tenho a mesma sorte do Janer, mas também não tenho filhos, então não preciso levá-los a lugar algum. Eu também queria conseguir parar de ver TV, mas não consigo. Mesmo assim, só a uso para acompanhar as séries e os telejornais do mundo, se bem que ultimamente não tenho tido tempo para nada disso.

Você tem toda razão quanto ao sabão e os foliões. Mais um ano, mais uns dias de carnaval. Verdadeiro símbolo para orgulho nacional! Toda aquela gente se esfregando, odores corporais, confetes entrando na boca, confetes grudando no corpo, barulho, bêbados desconhecidos te abraçando como velhos amigos. Isso pra não mencionar os “gringos” que vêm gastar seus dólares com as mulatas “calientes” em Buenos Aires. Essa é a nossa capital, certo? Não quero parecer ranzinza, só não gosto mesmo de carnaval. Nesta data, faço como o Neville, que o André lembrou aí em cim: Fico entrincheirado em casa.

Sobre hipocrisia cristã, o mais legal é ver aquelas garotas que se jogam em cima de ti. Que a preço de 4 ou 5 minutos de conversa já estão caindo em alguma cama contigo, e que, mais tarde, se você tiver tempo para conhecer, acaba descobrindo que se consideram católicas. São supersticiosas e tudo o mais.

André disse...

O fato do McCain não ser conservador o suficiente pode ser bom em alguns aspectos, p. ex., no q diz respeito às pesquisas com células-tronco e coisas assim, acho q ele é favorável a isso, não é? O tipo da discussão besta essa, pq esses avanços são inevitáveis, por mais q grupos mil tentem atrasá-los. Mas conservadorismo em política externa eu aprovo, quase sempre — claro, temperado com realismo e maquiavelismo — e acho q ele não seria tão diferente do Bush nesse particular. Não sou liberal em política externa e política em geral, mas em costumes e coisas como pesquisa científica, sou 100% liberal, se é q se pode usar esse termo. Liberal também no que gosto de chamar liberdades públicas, como a de expressão (uma digressão: liberdades muitas vezes confundidas com democracia, que é outra palavra mal utilizada e que muita gente pensa se resumir a voto popular, quando é muito mais do que isso, mas essa é outra história, fica pra outra vez...). Bom, quero pesquisas livres, sem nenhum tipo de impedimento. Não sei qual é a posição dele quanto à imigração, mas se for favorável ou tolerante com os imigrantes no geral, eu acho bom. Não sei exatamente o que sou, procuro ter posições políticas definidas, mas nunca rígidas demais, não acho isso bom. Acho q sou mais ou menos isso: um conservador em política, um maquiavélico encapetado e algo agressivo em política externa, e um liberal em economia e costumes (dois tipos diferentes de “liberalismo”, claro, mas acho q deu pra entender).

Só não sou uma metamorfose ambulante. E até o cretino do Lula conseguiu vulgarizar ainda mais essa expressão, já tão batida.

André disse...

“Sobre hipocrisia cristã, o mais legal é ver aquelas garotas que se jogam em cima de ti..."

Conheço o tipo. Uma delas era a maior devassa, mas em sociedade era toda comportada, cheia de nove horas, supercatólica, supersticiosa e cuidadosa em seguir todos os rituais e crendices (se fosse só ir à missa... mas não). Pelo menos, nunca me forçou a fazer nada nem a participar dessas chatices de igreja. Mas acho q fazia tudo isso também como encenação pra família, que era igualmente católica e burra, superticiosa ao extremo. Bem, mulheres... vai saber...

Raphael Piaia disse...

André, compartilho das suas posições. Se você tirar toda a parte religiosa que influência um conservador, eu me consideraria um. O que isso significa? Basicamente é o que um bom candidato republicano precisa defender: redução de impostos, Estado mínimo e defesa dos valores e cultura ocidental, sempre se posicionando contra o relativismo.


Creio que ser a favor da liberdade de expressão é ser conservador. Ao menos no entendimento que tenho dessa expressão. Com o avanço do politicamente correto – defendido por esquerdistas no mundo e por liberais nos EUA – a liberdade de expressão e imprensa é cada vez mais restringida. São os liberais, não os conservadores, que a ameaçam. Veja, por conservadores não me refiro a Olavos, Azevedos ou Coulters. Refiro-me àqueles que têm consciência, valorizam e sabem defender os valores ocidentais. Entre eles, nossas liberdades.

A posição do McCain, nas palavras do homem, é de postura dura contra a imigração ilegal. Se assim fosse, eu o apoiaria ainda mais. Porém essa não parece ser a realidade, tendo em vista que ele já apoiou anistias, benefícios sociais, entre outras coisas, para os ilegais( http://www.washingtontimes.com/article/20080114/EDITORIAL/654543755 ). Ora, não quero que os EUA se transformem no México, nem acho que o país está preparado para perder sua maioria branca, por isso imigração é um assunto também importante nos EUA, não só no velho continente.

O Janer sintetiza bem o modo de pensar que sempre tento ter, isto é, ser independente. Por isso, quando digo que minhas posições são conservadoras – excluindo toda a baboseira religiosa – isso não é e nunca será uma posição definitiva.

Abraço

Raphael Piaia disse...

Não sei se o Mccain apóia pesquisas com células-tronco. Se apoiar, ganha um ponto comigo.

Raphael disse...

Aliás, segue uma palestra muitíssimo interessante a respeito da imigração ilegal nos EUA, vale a pena assistir: http://www.youtube.com/watch?v=n7WJeqxuOfQ

André disse...

Não acho que os EUA se transformarão num México, nem acho que o país vai perder sua maioria branca. Gosto da comunidade latina, não só porque eu também sou latino, e com ancestrais ibéricos (Espanha).

Acho q isso aqui já é alguma coisa:

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/02/immigration-2004/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/12/02/borderlands-and-immigrants-2006/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/16/france-europe-and-immigrants/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/03/us-elections/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/02/02/dope/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/03/about-the-past-the-united-states-distinguishing-between-enormous-power-and-omnipotence/

http://execoutcomes.wordpress.com/2008/01/02/the-united-states-of-america/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/05/us-geopolitical-imperatives/

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/02/the-long-range-implications-of-the-us-geopolitical-menu/

Uma pesquisa por lá vai revelar muito mais. Até mais.

Raphael Piaia disse...

Cidades importantes como Nova York já não são mais majoritariamente brancas. Estados de tradicional peso político para os EUA, como o Texas, também perderam sua maioria branca, logo ao lado de estados como a Califórnia e o Novo México, de acordo com o 2000 Census. Não vou lembrar agora, mas há outras grandes cidades que também perderam a maioria branca e outros estados que caminham rápido para se juntar ao Texas e a Califórnia.

Dentre as várias mudanças que essa política de open borders vem causando e causará, uma delas, provavelmente, será um regime de partido único. Acho que a abordagem paternalista dos liberais tem mais chance de conquistar o eleitorado hispânico do que a republicana, para não mencionar que muitos dos recém-chegados ainda consideram que republicanos são racistas latentes. Li alguns dos links que você postou. Não acho que o fato dos EUA serem um país fundado por imigrantes venha ao caso. Era outro contexto. Sobre isso, sugiro o link da palestra que deixei acima.

abraço

Raphael disse...

Também não encontro razão para não acreditar que, caso as ondas de imigrantes continuem chegando e eventualmente constituam maioria, não façam com os EUA o que fizeram com o México e tantos outros países latinos. Eles trazem consigo a bagagem cultural de lá, é bom lembrar.

Imagino que uma política sóbria – que receba pequeno número de imigrantes de modo a absorvê-los - seria a coisa mais sensata.

Ricardo Rayol disse...

Não sei onde ocmeçou essa babaquice de VC Reporter. Lá se estimula o cidadão e cidadoa a enviar fotos escabrosas. acidentes e que tais são o foco. e 5 minutos de BBB é recorde mundial, 10 é galático.

André disse...

Bom, não é possível fechar as fronteiras, muito menos a com o México, nem aceitar imigrantes em doses homeopáticas. Os latinos não vão destruir os EUA com sua cultura diferente ou qualquer outra coisa. O fato dos EUA serem um país fundado por imigrantes é toda a questão. E um dos motivos da grandeza e sucesso deles. Bem diferente do que acontece na Europa (que também não vai ser tomada de assalto por muçulmanos).

André disse...

Enfim, a América do Norte deve muito aos imigrantes, latinos e outros. E a Europa é outro caso, não aceita realmente ninguém, mas mesmo assim não vai ser invadida pelo islamismo ou coisa parecida.

Catellius disse...

Nos EUA, a maior parte dos latinos que podem votar vota contra a regularização de ilegais. Irônico, não? Pelo menos foi esse o resultado de um estudo divulgado recentemente no Manhattan Connection. "Ué, mas você não disse que não assiste TV?" Não assisto muito, he he. Mas dou uma passeada pelos canais de vez em quando.

Se sou a primeira negra ministra do supremo e batalhei muito para chegar onde cheguei, o que acontecerá se doravante ficar fácil demais para outras negras ocuparem um posto como o meu? Minha árdua conquista ficará desvalorizada, ficará parecendo que sou como as outras...

Quando um indivíduo oriundo de uma minoria atinge uma posição de destaque é porque, querendo ou não, está fazendo o jogo da maioria, grosso modo. É em parte por isso que os grupos pouco representados no governo raramente se sentem representados por algum de seus membros que chegou a um alto escalão. A tendência é que digam que ela tem alma de homem, se for mulher, que ele tem alma de branco, se for negro, etc. Quantos negros se identificam com Colin Powell e Condoleezza Rice, sentem orgulho deles? Acho que não muitos. E há também o que eu mencionei a respeito dos latinos. O que alcançou uma posição confortável nem sempre quer perder o destaque de que goza facilitando para outros aquilo que conquistou com dificuldade. Escalou uma difícil montanha e não quer ser fotografado ao lado de outros que chegaram lá de helicóptero...

Raphael disse...

Os EUA são a maior potência mundial, André. Só não fecham as fronteiras se não quiserem. O próximo presidente americano terá por obrigação fechá-las não só para conter a imigração ilegal, mas para preservar a própria segurança do país. Por onde você acredita que o fluxo de drogas e armas ilegais entra na terra do tio Sam? Com quem? Não só isso. Sem o muro e uma policia de fronteira atuante ( ou o exército nas fronteiras, como alguns sugeriram) qualquer terrorista pode se infiltrar nos EUA sem a menor preocupação, coisa que já aconteceu há alguns meses com um grupo de árabes ilegais que planejavam atacar uma base militar (não vou lembrar o nome deles ou do caso agora). Alguns desses ilegais já tinham inclusive multas de transito e outras queixas apresentadas contra eles mas, por serem ilegais e por haver uma política patética em alguns estados à respeito da imigração, nunca foram deportados. Aliás, isso é comum por lá.

Não há razão para crer que os imigrantes latinos – se continuarem chegando em hordas e mais hordas – deixarão de transformarão a política dos EUA num sistema de partido único ou não farão com o país que os abriga exatamente o mesmo que fizeram com suas pátrias de origem. Os europeus que imigraram para os EUA vieram numa época em que a nação nascia, em que ainda havia espaço e oportunidades de sobra. Não é o caso para a imigração latina atual. Além de servir como trabalhadores de segunda classe - fazendo o serviço que os americanos dispensam - não seria possível construir o número de escolas, estradas e hospitais necessário para absorvê-los. Para não mencionar o assistencialismo que o Estado é forçado a oferecer e o idioma que muitos – tal qual na Europa – não falam. A melhor solução seria um programa que recebesse trabalhadores temporários, junto com a já mencionada vigilância firme nas divisas com o México e dentro do país.

E sim, a Europa vai e já está sendo tomada de assalto por muçulmanos, basta ler as notícias. Talvez leve mais alguns anos, porém, se nada for feito e se nenhuma mudança drástica ocorrer, podemos dizer adeus à Europa que conhecemos. Não acredite em mim, acredite nas taxas de natalidade. Sobre o assunto, sugiro Os últimos dias da Europa – epitáfio para um velho continente.

Raphael disse...

Catellius, não sabia disso. É irônico mesmo. Geralmente eu vejo passeatas gigantescas de ilegais pela anistia, mas o que você disse faz sentido. Por que um latino que passou por todo o trabalho e dor de cabeça para entrar legalmente num país – respeitando as leis – vai querer que outros consigam o mesmo quebrando-a?

André disse...

Não se pode fechar uma fronteira como a dos EUA com o México, por mais poderoso que um país seja. Não há recursos, pessoal, etc, a idéia é totalmente inviável. Isso nunca vai acontecer. E o fluxo de drogas e armas é um mal necessário de uma relação muito maior, q é a comercial entre os dois países. Todas aquelas análises tratam bem disso.

Os EUA tem condições de absorver muito bem as novas ondas de imigrantes e a Europa não vai desaparecer sob o islamismo, por maior que seja a taxa de natalidade do suposto inimigo islâmico. Talvez haja até deportação em massa um dia, não sei.

Sobre terrorismo, a fronteira com o Canadá é igualmente porosa. E também nunca será fechada. Uma sociedade aberta como a norte-americana tem que conviver com isso, não há outra saída.

Terrorismo é terrorismo, não importa em que grau, e é algo com que se convive. P. ex., apesar dos vários esforços muito bem-sucedidos (e quase nunca divulgados) em esmagar a Al-Qaeda, o que em si é muito bom, novas ameaças sempre aparecerão. É a vida.

Raphael disse...

As relações comerciais podem ser mantidas sem nenhum problema, André, mesmo porque o México nunca estará em condições de exigir nada. A vida econômica daquele país depende dos EUA.

“Suposta ameaça islamica?” Tudo bem então. “Talvez haja até deportação em massa um dia, não sei.” Tudo bem então de novo. Podemos esperar qualquer coisa desses porcos europeus mesmo.

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