07 fevereiro 2008

Gentalha abominável

Sob o lema “Escolhe, pois, a vida”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou ontem sua maior ofensiva contra a proposta de legalização do aborto no País. Também estão sendo combatidas quaisquer intenções de se permitir eutanásia e pesquisas com embriões humanos.

Que a Igreja seja contra aborto, eutanásia ou pesquisas com embriões humanos é perfeitamente admissível. O que a Igreja não pode é pretender que todas as sociedades pensem da mesma forma. A Igreja um dia ameaçou com a fogueira o homem que disse não ser a Terra o centro do universo. Que a Igreja ache que a Terra é o centro do universo é um direito seu. Pode até achar que o Cristo nasceu de uma virgem e subiu aos tais de céus, que ninguém sabe onde ficam. O que a Igreja não pode é pretender que a humanidade toda participe de tais crendices.

Nossos purpurados parecem esquecer que a Igreja, durante séculos, admitiu o aborto. Que dois de seus campeões, são Tomás e santo Agostinho, eram favoráveis ao aborto. Segundo o aquinata, só haveria aborto pecaminoso quando o feto tivesse alma humana o que só aconteceria depois de o feto ter uma forma humana reconhecível. Para o Doutor Angélico, como o chamam os católicos, a chegada da alma ao corpo só ocorre no 40º dia de gravidez. A posição de Aquino sobre o assunto foi aceita pela igreja no Concílio de Viena, em 1312. Foi apenas em pleno século XIX, em 1869 mais precisamente, que o Papa Pio IX declarou que o aborto constitui um pecado em qualquer situação e em qualquer momento que se realize. O que me espanta neste debate é que não vemos, na grande imprensa, um mísero jornalista que contraponha a este episcopado analfabeto a doutrina clara dos santos da Igreja. Se os católicos se pretendem contra o aborto, deveriam começar destituindo seus santos da condição de sapiência e santidade.

Seja como for, pecado é conceito que diz respeito apenas aos crentes. A Igreja pretende hoje que o aborto seja crime. Ora, crime é o que a lei define como crime. Não é a Igreja quem elabora as leis de um Estado laico. Que a Igreja defina o que é pecado, é direito seu. Lei é outro departamento. Se no Brasil o aborto hoje é crime, não o é na Itália, França, Espanha, Alemanha, Suíça, Reino Unido, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Grécia, Portugal, Estados Unidos, Canadá, etc. E se amanhã o legislador brasileiro decidir que aborto não é crime, aborto não mais será crime. Quanto aos padres, que enfiem suas violas no saco. Brasil não é Irã ou Arábia Saudita, onde os religiosos fazem a lei.

Para dom Dimas Lara Barbosa, secretário-geral da CNBB, o aborto é questão ética e não de saúde pública. Ora, se é questão ética, é questão de cada um. Só o Direito é coercitivo. Não há sanções penais para questões éticas. Segundo o prelado, em eventual plebiscito, o povo se posicionaria contra o aborto, “se esclarecido sobre o tema com isenção e honestidade”. Mas dom Dimas não confia muito no que afirma, pois é contra a realização da consulta. “A defesa da vida é inegociável para nós. Não é minoria ou maioria que mudará um valor universal dos cristãos".

Valor universal dos cristãos? Desde quando? Desde o século XIX para cá? E se é valor universal dos cristãos, o universo é muito maior que a cristandade. Mas a campanha da CNBB não é apenas contra o plebiscito. Vai mais longe. “Está no nosso horizonte, num segundo momento, lutar para revogar a permissão legal do aborto nos casos já permitidos”, disse o aiatolá de Roma, citando o exemplo de uma santa canonizada por ter preferido morrer para permitir que o filho nascesse.

Santos são heróis da Igreja, não os nossos. Mas o pior de tudo, no obscurantismo católico, não é nem esta oposição ao aborto. E sim a recusa à eutanásia. O que pretendem estes senhores? Que um homem, exaurido pelo sofrimento, não tenha o direito de querer partir? Que não possa exercer seu direito de morrer? Que pessoas vivam anos e anos entubadas, em condição vegetal, sem poder morrer? Que os católicos legislem sobre suas próprias mortes. Nada contra. Mas que não pretendam determinar quando e como nós, não-católicos, devemos ou queremos morrer.

Abominável, esta gentalha!

29 comentários:

Blogildo disse...

Que os ateus sejam a favor do aborto, eutanásia ou pesquisas com embriões humanos é perfeitamente admissível. O que os ateus não podem é pretender que todas as sociedades pensem da mesma forma.

Anônimo disse...

Janer, seu texto traz informações interessantes, mas o título é péssimo.

André disse...

Acho que o título poderia ser outro, mas tudo bem, isso não é problema meu. Seu texto realmente ficou muito bom, muito bem acabado, Janer.

Ah, é a Campanha da Fraternidade, não é? Todo ano tinha essa lenga-lenga no Marista. Infância, infância, mas sem traumas...

Um dia legalizam isso. Se bem q informalmente já se faz a rodo.

Impedir eutanásia e "salvar" as células-tronco embrionárias, isso não passa.

“Não o seu amor ao próximo, mas a impotência do seu amor ao próximo é que impede os cristãos de hoje de nos… queimar.” (Nietzsche)

Vão dizer que “os tempos” mudaram, logo a posição deles também mudou. Todo mundo usa isso hoje. È dizer isso ou não dozer nada.

O aborto é uma questão ética (individual) e é algo deprimente, mas deve ser uma decisão da mulher. E é um problema de saúde pública também.

“A defesa da vida é inegociável para nós. Não é minoria ou maioria que mudará um valor universal dos cristãos".

Ótimo, então que eles, cristãos, não o pratiquem e fiquem na deles.

Raspada a conversa fiada, essa fixação deles com aborto esconde, em parte (e muito mal, diga-se de passagem), a vontade dos religiosos de controlar a vida das mulheres. Eles adoram isso. Essa é uma questão totalmente emocional e eles jogam com isso muito bem. Vilões não faltam, p. ex., o geneticista que trabalha com as CTEs, que já virou até um novo tipo de monstro: o genocida em escala microscópica. Um Hitler com microscópio.

Morena Flor disse...

"Que os ateus sejam a favor do aborto, eutanásia ou pesquisas com embriões humanos é perfeitamente admissível. O que os ateus não podem é pretender que todas as sociedades pensem da mesma forma."

Blogildo, Q eu saiba, nunca vi ateus forçaram a ninguém a ser a favor ou contra coisa alguma, já a religião e religiosos...(ainda bem q nem todos, é claro)

Portanto, a paráfrase não vale.

E aborto, eutanásia, etc são decisões individuais, dizem respeito ao próprio indivíduo, não p/ outrem ficar se metendo nelas, nem na vida PARTICULAR alheia.

Raphael Piaia disse...

Alguns já sonham mais alto, Janer. Tem gente por aí que defende a tese de que pílula do dia seguinte é aborto.

Ateus não impõem sua vontade a ninguém, Bloguildo. A não ser que valorizar a individualidade seja atentar contra a liberdade. Como disse a Morena, imposição, historicamente, costuma ser prerrogativa das religiões.

Janer disse...

Eu, como ateu, nunca pretendi impor legislações a ninguém. Que cada um proceda como bem entender. O que não admito é que queiram determinar como eu devo proceder.

No fundo de tudo isto, está o ódio dos misóginos católicos ao prazer. Aquela velharada do Vaticano não suporta a idéia de orgasmo, sensualidade, prazer sexual. Isso vem de longe. Desde Paulo, passando por Agostinho e Tomás de Aquino.

Mas isto é problema deles. Que não pretendam nos impor regras de comportamento.

Marina disse...

Janer,
Voce pelo que diz de suas experiencias, leu muito, escreveu muito, viajou, conheceu gente, sorveu acho, egoisticamente, os prazeres da vida. Mas o acho extremamente agressivo, sem ternura, sem idealismo, sem sonhos, sem esperancas, parece que permanentemente num campo de batalha, com um escudo na esquerda e uma borduna na direita, pronto para nocautear algo. Vale a pena esse azedume? Afinal, de que lhe valeram tantos anos, que vc chama de bem vividos?

Catellius disse...

Se aborto dependesse de ateus para ser despenalizado, poucos países teriam ateus suficientes para fazer frente à vontade dos teístas, religiosos ou não. Em Portugal, onde a maioria absoluta é católica e tradicionalista, foi aprovada em referendo a despenalização do aborto nas primeiras semanas de gestação, antes que o cérebro esteja formado.

Ninguém gosta de aborto, obviamente. A Igreja quer passar uma idéia de que os “inimigos de Deus” querem matar criancinhas.
Há aqueles que são favoráveis à despenalização e há aqueles que são contra. Há ateus que são contra. Há crentes de todas as denominações que são favoráveis. Não há nenhuma relação de causalidade entre não crer em deuses e ser favorável à despenalização do aborto. O pensamento racional, claro, pode estar por trás de uma posição favorável à despenalização do aborto desde que nas primeiras semanas de gestação, e também por trás de uma opção por viver sem superstições, deuses, santos, etc.

Ateus não possuem um chefão global com autorização para falar em seu nome e com poder para expulsá-los do ateísmo, ho ho ho. Católicos têm o Papa, prosélitos da Universal têm o Edir Macedo (muitos evangélicos são favoráveis à despenalização do aborto). É mais fácil pastorear gatos do que montar um rebanho de ateus. Cada um vai para um lado, muito embora todos sejam "felinos" (não têm deuses, livros sagrados, etc.)

A esmagadora maioria dos crentes que combatem a despenalização do aborto é contra que se encarcere a mãe que aborta. Consideram-na uma assassina mas não querem metê-la atrás das grades! Mais um prodígio de duplipensamento? Não! De hipocrisia ou, na melhor das hipóteses, de burrice! Assassinos devem ser sempre enjaulados, não é?

Por fim, se a cúpula da Igreja Católica fosse tolerante com a prática do aborto, como no passado, os católicos, não habituados a pensar por si próprios, seguiriam seus líderes como zumbis. Simples assim. Escrevi há poucos posts e repito: Se um padre quiser dar sua opinião, deverá tirar o vestidinho e dá-la como um cidadão comum, sem querer influenciar o povão por estar supostamente revestido de autoridade divina. O povo anui por achar que a coisa é certa porque um padre disse que é certo.

Se a ICAR dissesse que é bom abortar, seus zumbis comedores de carne humana (ainda que transubstanciada, he he) teriam até “belos rituais” envolvendo a prática.

Catellius disse...

Segundo o IPAT:

Na comparação por renda, a aprovação da legalização do aborto é maior entre os que ganham mais de R$ 2 mil (59,5%).

Dos que têm salário de até R$ 500,00, só 17,1% são favoráveis à legalização.

No quesito escolaridade, 49,2% dos que já concluíram o Ensino Superior são a favor da legalização, enquanto 70,2% dos que não terminaram o Ensino Médio são contra.

--//--

Levando-se em consideração que 99% dos brasileiros acreditam em Deus, os números acima são impressionantes!

E as pessoas que ganham mais do que a fortuna de dois mil reais mensais não podem pretender que todas as sociedades pensem da mesma forma que elas, he he. E nem as de maior escolaridade! Benditos os que não concluíram o segundo grau, benditos os que ganham mal! Maldita escolaridade do DEMO!

Viva a inguinorança!

Janer disse...

Marina:

de ternura eu tenho grandes estoques. A reservo para as pessoas que quero bem, e estas são muitas. Mas não tenho complacência alguma com o pensamento totalitário.

Diante do cristianismo, o marxismo foi fichinha. Os comunistas mal emplacaram 70 anos. O cristianismo vige há dois milênios.

Sim, eu vivi bem minha vida. Por isso mesmo, não admito que esses misóginos vulturinos pretendam perturbar a vida alheia.

Católico acha que aborto é crime? Tudo bem. Que todo católico que aborta vá para a cadeia. E estamos conversados.

Catellius disse...

Quem gosta de aborto é a ICAR; ela precisa de um tema polêmico para aparecer, para posar de defensora incondicional da vida.

Se os países onde foi legalizado o aborto - dentro de determinadas regras, claro - gostassem de aborto, se grande parte de sua população fosse favorável ao aborto (mentira. as pessoas são favoráveis à legalização, à despenalização), voltariam a proibi-lo, porque o número de abortos quase sempre cai após a legalização. Por quê? O problema passa a ser visto de frente, as mulheres podem receber melhor orientação em hospitais, podem evitar um segundo aborto mediante o uso de métodos contraceptivos, podem desistir de abortar após palestras, etc.

Do Rand Corporation: (clique aqui)
“Ironicamente, os investigadores revelaram que, em muitos países, prevenindo-se a gravidez não desejada através dum melhor acesso à contracepção, alcança-se uma redução substancial do número de abortos. Na Rússia, por exemplo, o número médio de abortos por mulher ao longa da vida, diminuiu entre 1970 e hoje, de 4,5 para 2,5.”

--//--

E esta reportagem diz tudo:

Thursday, October 11, 6:30 PM EST
ABORTION DECLINES WORLDWIDE,
FALLS MOST WHERE ABORTION IS BROADLY LEGAL
Eastern Europe Sees Most Significant Decline,
First Global Review Since 1995 Shows... Clique aqui para ler mais.

Catellius disse...

Escrevi: os católicos, não habituados a pensar por si próprios, seguiriam seus líderes como zumbis.

Fica melhor: muitos católicos seguiriam seus líderes como zumbis.

Porque a maior parte dos católicos brasileiros que ganham mais do que R$ 2000,00 por mês é favorável à legalização. A posição não é "privilégio" de ateus. Por outro lado, a forte oposição à despenalização muitas vezes é motivada por bovinidade, por confiança no julgamento dos "representantes divinos". Acho que outros confundem “ser favorável à despenalização” com “ser favorável ao aborto”. Pensam em um bebezinho gestado por nove meses e declaram-se contrários à prática.

A página para a qual o primeiro link aponta não está mais lá. Mas ela aparece em cache. Se alguém quiser acessá-la desta maneira, selecione uma frase qualquer e jogue entre aspas no Google. Por exemplo:

"alcança-se uma redução substancial do número de abortos"

André disse...

Era de se imaginar que nas circunstâncias atuais a pílula e outros anticoncepcionais fossem distribuídos como é o entretenimento de televisão. Os padres se opõem com sucesso que ninguém, que eu saiba, já analisou. O pecado do sexo parece ser quase tão inevitável quanto o original, logo que ninguém peque, se possível, sem assumir a responsabilidade por difundir a miséria. As religiões não podem impor esse breque às elites e sub-elites. Logo, se concentram nos milhões de pobres “relativos” (a quê? A um, dois ou três salários mínimos?) e “absolutos”.

O general Geisel, luterano e positivista, ousou legalizar a “dissolução” do casamento, que, na lógica totalitária da Igreja, deve ser preservado até se somos ateus, ou não-católicos, e, portanto, condenados de qualquer forma ao fogo eterno.

Nem Geisel ousou gastar dez réis de mel coado fornecendo aos nossos milhões a escolha que é feita banalmente por qualquer casal que tenha acesso a médicos e saiba apor renda à qualidade de vida.

**********

Santo Agostinho: “Concebido entre fezes e urina, nascido no pecado e na corrupção.” Sucinto e eloqüente, como de costume.

O Santo, é bem verdade, descobria coisas interessantíssimas entre as fezes e a urina, antes de aderir.

E tem aquela outra dele: "Sem lupanares, o mundo se convulsionaria." O engraçado é que conventilho é lupanar.

É dele também a frase, nas Confissões: “Fazei-me casto, ó Senhor, mas não já.”. À maneira de muito cristão novo por ai, porém, tornou-se depois um entusiasta dos cintos de castidade.

Aliás, porcaria e moralismo, se não são inseparáveis, dão-se muito bem. O odor da “santidade” de São Jerônimo, cuja intolerância do gênero humano fez com que ele impedisse sua mãe de vê-lo quando ele estava à morte, tornou-se um caso clássico da psicanálise.

Quem consolidou a ideologia anti-sexual foi São Paulo, que tinha um sugestivo ódio a mulheres e bichas. Estas, coitadinhas, ele proibiu até de entrar no reino dos céus. Aconselhava os discípulos a casar-se só se não pudessem conter-se, problema que ainda hoje reverbera na Igreja.

Seria supérfluo dizer que o pensamento moderno demoliu à extinção o preconceito religioso desses dois santos. Mas é bom lembrar que São Paulo era, provavelmente, menos fanático do que parecia.

No fundo, ele raciocinava em termos políticos: para conquistar o povão, escravos, etc, tinha de prometer-lhes uma vida eterna, porque vida terrena, sob os senhores romanos, era aquele pau.

Mas os escravos, a menos que fossem catatônicos, deviam invejar desesperadamente a liberdade sexual de seus senhores. O ódio entranhado de São Paulo ao sexo tinha relação com a repulsa necessária ao free for all do paganismo.

Logo, o santo viu-se forçado a descrever o sexo como a abominação suprema. Essas coisas se sedimentam culturalmente através dos tempos, quando já perderam todo o sentido prático.

Culturalmente, aliás, um dos divisores de águas entre a velha e a nova Igreja é a militância social. Nenhum católico moderno admitiria dizer hoje, como São Paulo: “Os senhores poderão ir à igreja acompanhados de seus escravos.”

Os católicos do tipo Olavo de Carvalho, por sua vez, nem deixariam os escravos entrarem.

A meu ver, nada disso mais dá pé. Duvido que uma “nova” igreja, mesmo moderninha, volte a interessar à maior parcela pensante da humanidade. Mas sempre haverá o padre sujinho, de batina puída e pasta corroída, onde se encontra o mapa do Céu, que ele nunca nos mostra, preferindo descrever a planta do Inferno.

Morena Flor disse...

Cattelius,

"Na comparação por renda, a aprovação da legalização do aborto é maior entre os que ganham mais de R$ 2 mil (59,5%).

Dos que têm salário de até R$ 500,00, só 17,1% são favoráveis à legalização."

P/ vc ver...

Ironicamente, as pessoas q são contra a legalização, segundo as rendas dessa pesquisa, são as q menos teriam condições de excercer a hipocrisia de, ao mesmo tempo q são contra a legalização, pagar p/ abortar "escondidinho p/ ninhguém ver" em clínicas clandestinas, p/ depois voltarem p/ arrotar contra as "vagabundas-aborteiras", e não teriam "bala na agulha" p/ viajar p/ algum outro país aonde o aborto é legal p/ realizarem o procedimento caso projetos de lei to quilate do "estatuto do nascituro" sejam aprovados - Se não me engano, este estúpido estatuto prevê a proibição da prática do aborto mesmo nos casos atualmente permitidos por lei, como gravidez fruto de estupro e gravidez q põe em risco a vida da mulher, igual ao Chile!

É IN-CRÍ-VEL a falta de sensibilidade dessa gente!

E é justamente essa falta de noção de realidade, a insensibilidade moralista e essa de achar q estão imunes às intempéries da vida e de achar q gravidez indesejada não vai acontecer na família pq crêem pq crêem q a moral q aprenderam irá protegê-los é q dão o tom... Mas aí, como diz o ditado, "qdo a água bate na bunda, a coisa muda", e aí, muitos desses q são contra a legalização(e, não raro, condenam as q abortam acusando-as de "assassinas" e outros "elogios") se vêem às voltas com filhas solteiras grávidas, namoradas grávidas, AMANTES GRÁVIDAS, e, advinhe só a solução à qual frequentemente recorrem! Ao ABORTO, é claro! Aborto p/ "tapar o escândalo" da gravidez antes e fora do casamento!

Condena-se o aborto, mas abortar "em nome da honra da família", p/ manter o "verniz" moralista de "proteger as aparências" pode, hehehehe!

Q "lógica", não?

Abraços!

:)

Morena Flor disse...

"Católico acha que aborto é crime? Tudo bem. Que todo católico que aborta vá para a cadeia. E estamos conversados."

Boa, Janer!

Se acham q é crime, é simples, NÃO PRATIQUEM! Agora, é muita pretensão querer usar a legislação p/ interferir na vida de quem não é católico, e, portanto, não está debaixo de suas doutrinas e dogmas!

Abraços!

:)

Morena Flor disse...

Cattelius,

"A esmagadora maioria dos crentes que combatem a despenalização do aborto é contra que se encarcere a mãe que aborta. Consideram-na uma assassina mas não querem metê-la atrás das grades! Mais um prodígio de duplipensamento? Não! De hipocrisia ou, na melhor das hipóteses, de burrice! Assassinos devem ser sempre enjaulados, não é?"

São contra o aborto, mas são contra tb as prisões de mulheres q abortam... Sintomático...

Isso é medo de alguma parenta deles ser presa por aborto!

Além da hipocrisia e da burrice, tem aquela coisa de "façam o q quiserem com os outros, mas nos da minha família ninguém toca!" q eles frequentemente têm!

Criticam as outras q abortam, dizem q essas "vagabas" tem q ser presas, "tem q morrer", "tem q pagar pelos seus pecados", e etc, mas qdo é a filhinha/namorada/etc, q aborta, aí não pode ser presa! E qdo é a amante q aborta, então... Aí é q não pode ser presa mesmo! Pq, "imagina só o escândalo!"

Raphael Piaia disse...

Uma amiga evangélica sempre protesta dizendo que aborto, se legalizado no Brasil, virará prática contraceptiva. Não esperando muito dos meus conterrâneos, não tenho como argumentar com essa lógica. A questão, no entanto, é que não há opção melhor. Quando falamos em legalizar aborto, é evidente que ninguém se refere a casos de 6, 7 meses de gestação. Nessas situações o aborto só se justifica quando a vida da mulher está em risco. O problema, na verdade, é o mesmo de sempre: onde começa a vida?

Existem aqueles que vão mais longe em suas convicções antiabortistas. Para estes, a própria pílula do dia seguinte constitui aborto. Mesmo que o óvulo fecundado ainda não tenha se prendido à parede do útero, o que importa para eles é a fecundação. Por isso muitos nem chamam o óvulo (zigoto) nesse "estágio" de óvulo, mas de ovo. A vida está lá e fim de papo. Se concordarmos com isso, então a pílula é outra coisa que deveria ser banida.

Mas por que parar por aí? Já que a vida pode começar em estágios tão primitivos, o que nos impede de acreditar que espermatozóides também são parte de etapas iniciais da existência? Afinal, não fosse pelo invólucro de borracha, a pílula contraceptiva ou o ralo do banheiro, aqueles sujeitinhos teriam continuado seu caminho rumo ao desenvolvimento e à vida plena. Ora, aceitemos isso e nos tornaremos imediatamente genocidas em potencial (em potencial?). O mesmo vale para os que se opõem à pílula. É preciso conhecer limites.

Alguns usam o argumento de que milhares já praticam, clandestinamente, o aborto como se por si só isso fosse ponto suficiente pela legalização. Ora, o fato de várias pessoas cometerem um crime (ou um possível crime) não o torna moralmente aceitável. Ou ao menos não deveria. Felizmente, o aborto, contato que praticado no inicio da gestação, não é algo reprovável. É, simplesmente, exercício de liberdade e escolha

Raphael disse...

Ah, e para completar, vale lembrar do Monty Python! "Every sperm is sacred. Every sperm is great. If a sperm is wasted, God gets quite irate" Genial! Aos que se sentirem nostálgicos, segue o link do vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=uNgotUM4gk8

Janer disse...

De fato, há mulheres que usam o aborto como prática anticoncepcional. Isto é deplorável. Falta de informação.

Morena Flor disse...

haha
oi, essa morena flor que comenta aqui não sou eu... é outra pessoa
:)
mas brigada pelo comentário lá
abraço

André disse...

Eles querem proteger até a blástula.

A long time ago, in a galaxy far, far away, fiz um curso no qual durante uma semana o professor era um alto funcionário da Câmara, um nerd famoso por ter todo o regimento interno da Casa na cabeça. Faziam a maior propaganda do distinto. Bom, se ele sabia muito, não parecia. Talvez não tenha feito questão de passar nada do que sabia, se sabia. O que ele fez, a semana inteira, foi pregação religiosa. Católico linha-dura, carola, membro de um grupo anti-aborto aqui de Brasília (nem sabia que tinha disso aqui). Defendeu a “tabelinha”, condenou os preservativos, os remédios anticoncepcionais, o sexo antes do casamento, blá, blá, blá. Falou muito em Deus, Maria, num tal de JC e nas virtudes da Santa Madre Igreja. O cara era tão mané que começou a contar intimidades na sala: noiva evangélica, mãe da noiva contra o casamento... é de se imaginar a muvuca que era a vida dele, parecia mais um quadro da Praça É Nossa. Um bem arrumado profissional e completo desajustado social. No final da semana, o pessoal queria fazer uma encenação da Via Crúcis, só que com crucificação real e ele no papel de JC.

Eu preferiria jogá-lo para o coelho, sem a Santa Granada de Mão:

http://www.youtube.com/watch?v=PqD0RufWwYw

Raphael disse...

“Os padres se opõem com sucesso que ninguém, que eu saiba, já analisou.”

O Janer, por exemplo, já analisou bastante, André.

Já tinha esquecido da holy grenade, Monty Phyton rules! Posso pensar em alguns bispos e padres que deveriam ser jogados ao coelho.

Raphael disse...

O ego de deus e o que motiva um cristão. Outro vídeo do Python:

http://www.youtube.com/watch?v=eBqe5xvYnNc

André disse...

Ah, esse pedaço do Sentido da Vida também é ótimo, Rafael.

Morena Flor disse...

Morena Flor,

Vc tá em azul e eu, em preto

Dá p/ diferenciar nós duas, hehehehe!

Abraços!

;)

Morena Flor disse...

Putz...

Temos umas coisas em comum além do "nome de guerra", dentre elas, somos baianas, hehehehe!!!xD

;)

Blogildo disse...

Na prática, o único governo ateu que já existiu na modernidade pretendeu que todas as sociedades se comportassem da mesma forma. O resultado é mais que evidente;

A prática de um estado verdadeiramente laico foi uma "maravilha" na Ásia. É uma maravilha em Cuba! Continuem tentando! Vocês chegarão lá novamente!

Raphael disse...

Alguém faltou às aulas de história. Ou melhor, alguém se recusou a ler sobre história, já que não se aprende nada além de marxismo nas escolas.

Confundir o Estado laico com um “Estado ateu” é típico dos fãs do astrólogo. O Estado laico não tem religião, mas nem por isso rejeita a existências delas. Seus cidadãos são livres para escolher e praticar as religiões que bem entenderem. O Estado laico só serve para ser imparcial imponde limites para que essas escolhas não infrinjam a liberdade alheia. Mas vai explicar..

Jonas Melo disse...

Laico quer dizer leigo, "não religioso". O estado laico pode perseguir religiões ou não, pode ser justo ou não, pode ser tirânico ou não. Estado laico não quer dizer estado perfeito.

Um governo eleito pelo voto também pode perseguir certos grupos ou minorias. Isto não impede que se lute pela democracia.

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