10 fevereiro 2008

Eurábia é amanhã

Em crônica passada, comentei o livro Os últimos dias da Europa – Epitáfio para um velho continente, do historiador alemão Walter Laqueur. Entre outras informações que inquietam todo homem que cultiva os valores europeus, o autor nos falava da Milli Goerus, organização turca incrustada na Alemanha, que tem como projeto um país que viva segundo as estritas leis do Islã, mesmo que para isso seja preciso fazer certas concessões até que os muçulmanos constituam maioria. O grupo tem em torno de 220 mil militantes e dirige cerca de 270 mesquitas na Alemanha. “Ela visa substituir a ordem secular no país em que vivem por uma outra baseada na sharia – a lei islâmica –, primeiramente naquelas regiões em que os muçulmanos são maioria, ou uma minoria representativa, e posteriormente à medida que seu espaço se expanda”.

No livro, Laqueur aventava a possibilidade de regiões binacionais autônomas na França. Os muçulmanos poderiam fazer concessões com relação à sharia, e as autoridades francesas poderiam desistir do velho modelo republicano, com uma clara divisão entre Igreja e Estado.

Aconteceu agora no Reino Unido. Quinta-feira passada, o líder espiritual da Igreja anglicana gerou polêmica ao considerar como inevitável a adoção de certos aspectos da sharia, a lei islâmica, pela sociedade britânica. Em uma entrevista veiculada na BBC, o arcebispo de Cantuária, Roman Williams, disse: "O princípio de que existe apenas uma lei para todos é um pilar da nossa identidade como democracia ocidental. Mas acho que é um equívoco supor que as pessoas não tenham outras crenças que conformam e ditam como elas se comportam na sociedade. A lei precisa levar isto em conta”.

Como já afirmei, padre não briga com padre. O arcebispo cristão está fazendo o jogo dos aiatolás e mulás. "Uma abordagem da lei que simplesmente diga que só existe uma lei para todos é um tanto perigosa". Para o arcebispo, o Reino Unido precisa reconhecer que nem todos os seus cidadãos se identificam com o sistema legal britânico. "Existe espaço para encontrar o que seria uma acomodação construtiva com alguns aspectos da lei islâmica, como já existe com alguns aspectos das leis religiosas", declarou o líder anglicano.

Pelo jeito, o Brasil está fazendo escola. Aqui já temos leis específicas para brancos, para índios, para negros e para bandoleiros. Índio, por exemplo, pode matar e estuprar à vontade, pode eliminar crianças indesejáveis, pode fazer reféns e interditar estradas e nada disso constitui crime. Notas de negros em vestibular valem por dois. Os sem-terra, além de terem direito assegurado a invadir propriedades e repartições públicas, contam agora para aposentadoria o tempo em que praticam crimes.

O que está por trás das declarações do arcebispo? Está que muçulmanos têm direito a mutilar suas filhas, mesmo num continente em que mutilação física é crime. Está que muçulmanos têm direito a quatro mulheres, e até aí nada demais. O demais acontece quando a Previdência tem de assegurar os direitos a subsídios pelas quatros mulheres.

Ibrahim Mogra, porta-voz do Conselho Muçulmano do Reino Unido, foi mais longe: "Estamos falando da aplicação de apenas um pequeno aspecto da sharia para famílias muçulmanas, em assuntos como casamento, divórcio, herança, custódia das crianças e daí em diante". Pelo jeito, os árabes estão querendo introduzir no Reino Unido a lei dos três talaks. Basta o marido repetir três vezes o “eu te repudio”, e a mulher está no olho da rua.

Em sua entrevista à BBC, o arcebispo da Cantuária lamentou que cidadãos muçulmanos tenham de escolher entre "a fidelidade cultural e a fidelidade ao Estado", e sugeriu que disputas conjugais e financeiras em comunidades étnicas possam ser resolvidas através de uma corte islâmica. O que o arcebispo quer é duas legislações dentro um mesmo Estado. De certa forma, não está sendo original. Nos dias em que vivi na França, época do governo Giscard d’Estaing, os muçulmanos podiam levar para o país suas quatro mulheres e seus dez ou quinze vinte filhos. Ou seja, a poligamia estava legalizada. Na hora do desemprego, o Estado assumia o sustento de toda a tribo. Acho que dá pra imaginar a revolta de um francês, que mal pode sustentar mulher, amante e cachorro, vendo seus tributos financiando a poligamia dos cabeças-de-toalha.

A poligamia estava legalizada para os muçulmanos. Francês, se tivesse duas mulheres oficiais, respondia a processo e arriscava prisão.

Para o diretor da Fundação Ramadã, Mohammed Shafiq, “os muçulmanos se sentiriam bastante confortáveis se o governo permitisse que seus assuntos civis fossem resolvidos segundo sua fé". Em um continente onde há séculos a Igreja se separou do Estado, Shafiq está propondo nada menos que a volta das teocracias. Regime que hoje, na Europa, só existe naquele arremedo de Estado chamado Vaticano, presenteado pelo fascista Mussolini à Igreja Católica, e dominado por gerontes misóginos.

Baronesa Warsi, responsável da oposição por acompanhar assuntos comunitários, que parece desconhecer o direito já consuetudinário brasileiro, criticou o arcebispo: "O dr. Williams parece sugerir que deveria haver dois sistemas legais funcionando lado a lado, quase em paralelo, e que as pessoas tenham a possibilidade de optar por um ou por outro. Isso é inaceitável".

É espantoso que, na Europa contemporânea, um arcebispo profira tais sandices. O velho continente está se entregando, de pés e mãos atadas, à barbárie muçulmana. A Eurábia já não mais é um elemento de ficção. A Eurábia é amanhã. Sorte que então não mais estarei entre os vivos.

3 comentários:

Bocage disse...

Carlos Esperança:

"O arcebispo de Canterbury, Rowan Willians, líder espiritual dos anglicanos de todo o mundo, sugeriu ontem a adopção de alguns aspectos da lei islâmica, a sharia, no Reino Unido.

Quando o mais alto dignitário da Igreja anglicana apela à derrogação do Código Penal do seu País, para o deixar substituir, ainda que parcialmente, pelo exercício da violência teocrática para um grupo étnico específico, não é o respeito pelas culturas alheias que o move, é a vontade de restaurar o direito canónico da sua Igreja.

O Iluminismo e a revolução Francesa substituíram o direito divino pela vontade popular e criaram o Estado de direito contra os costumes ancestrais. Hoje, nas democracias, vale mais a Declaração Universal dos Direitos do Homem do que as verdades reveladas cuja aplicação faria as delícias dos trogloditas da fé.

O arcebispo de Canterbury não é uma piedosa alimária a quem os jejuns perturbem a mente, um beato analfabeto que saia da missa dominical aterrorizado com o juízo final, um solípede alucinado com a falta da ração. A sua insólita sugestão, que fez exultar os mullahs, é mais uma ameaça nascida nas alfurjas das sacristias onde germina a raiva à modernidade e floresce o ódio à liberdade.

Os líderes muçulmanos vieram logo dizer que não apoiam as lapidações, enforcamentos e lapidações, EM PÚBLICO, tão do agrado do Profeta. Contentam-se com a aplicação discreta e com a abolição desse modernismo hediondo que exige a igualdade entre homens e mulheres, uma conquista civilizacional de que Maomé nunca ouviu falar ao arcanjo Gabriel ao longo dos vinte anos que viajaram juntos entre Meca e Medina, até aprender de cor o Corão.

A tolerância manifestada pelo arcebispo anglicano é o mais violento ataque aos direitos, liberdades e garantias que as sociedades democráticas conquistaram. No ano passado o Reino Unido removeu o Holocausto dos currículos escolares porque ofendia os muçulmanos, que afirmam que o Holocausto nunca aconteceu.

Os ataques orquestrados à laicidade debilitam a democracia e comprometem o futuro da paz, perante a cobardia face à escalada da violência religiosa."

Raphael disse...

Também do livro Últimos dias da Europa – Epitáfio para um velho continente:

“Inúmeras iniciativas foram promovidas pelos muçulmanos britânicos, incluindo-se a idéia de se ter um Parlamento próprio como primeiro passo para o estabelecimento de um Estado muçulmano separado. Outros militantes declararam que sua luta não cessaria enquanto a bandeira do Islã não fosse hasteada no número 10 da Downing Street, residência do primeiro-ministro”

Dizer aos bárbaros de Alá que devem respeitar às leis – que pressupõem igualdade de tratamento – caso queiram continuar vivendo numa sociedade democrática pode horrorizar muitas pessoas. Sinal de pura intolerância, dizem. Pior que isso é ver parte da mídia e aqueles que aparentam ser bem informados negando que o Islã constitua ameaça à Europa e seu way of life. Way of life que não é monopólio só dos europeus, mas de todos os ocidentais. Assistimos apáticos à depredação de tudo que deveríamos valorizar e proteger. Ou então viráramos o rosto, fechamos os olhos. Isso é muito triste.

Anônimo disse...

Pelo menos os Islamistas vão salvar a Europa da satanica Ditadura do Holocau$to Judeu! Melhor Eurabia do que Europa Judaica!!!

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