10 fevereiro 2008

Cartões desmascaram recórter chapa-branca tucanopapista hidrófobo

Neste país nosso, costumo afirmar, pode-se morrer de tudo, menos de tédio. Mal um escândalo deixa as páginas dos jornais – não porque tenha chegado a um desfecho jurídico, mas por exaustão – um outro toma conta das primeiras páginas. Ninguém ainda foi punido pela roubalheira do mensalão e já temos a affaire dos cartões de crédito corporativos. Puxa-se um pequeno fio e vem um novelão junto. A ministra Matilde Ribeiro usou seu cartão escancaradamente em benefício pessoal? Não era só a ministra. Eram todos os ministros do governo.

Todos os ministros do governo? Bom, não eram apenas todos os ministros do governo. Eram também deputados e senadores. Apenas os ministros, deputados e senadores do governo? Nada disso. Havia também mais de 11.510 servidores de segundo escalão que gozavam das mesmas maracutaias. Ora, direis, então eram apenas os ministros, deputados e senadores do governo e mais 11.510 servidores de segundo escalão? Nada disso. Também os parlamentares de oposição. Mas a lista está longe de terminar. Há também os funcionários dos governos estaduais de oposição, reitores e professores de universidades públicas.

No fundo, uma Nomenklatura que, independentemente de cores partidárias, participava do botim pilhado aos contribuintes. Toda uma casta de marajás com um segundo salário, em geral mais gordo que o primeiro. Sem falar nos que têm um terceiro salário. São os ministros e altas autoridades que participam dos conselhos de estatais. Neste escândalo novinho em folha, a imprensa está esquecendo deste detalhe, a obscena participação de ministros em conselhos de estatais.

Divertida está sendo a reação do ministro da Justiça, Tarso Genro, às denúncias da imprensa. Segundo o velho bolchevique de São Borja, as revelações sobre o uso abusivo de cartões de crédito estatais são devidas a uma operação da imprensa mal-intencionada, para dar assunto a uma oposição silenciada pelos êxitos do lulismo. Trata-se de um “escândalo artificial” – disse o ministro – que só veio à tona devido a uma iniciativa moralizadora do presidente Lula - a criação do Portal da Transparência, de livre acesso no site da Controladoria-Geral da União (CGU). Não fosse este portal, a mídia não teria a seu alcance as informações detalhadas dos pagamentos e saques feitos com os 11 mil cartões emitidos pelo governo.

Quer dizer: se o escândalo veio à tona graças a um portal que o governo criou, então o governo está absolvido. Não precisa sequer ser investigado. Mas o governo não está muito convicto desta convicção de seu ministro da Justiça. Tanto que vai retirar do portal os gastos de Lula – o capo dei tutti capi – e de seus familiares. Ou seja, os asseclas continuam expostos à execração pública. O chefe da quadrilha, sob pretextos de segurança nacional, não tem mais revelados sequer seus gastos com picanha argentina. Em país decente, teríamos um impeachment. Ocorre que estamos no Brasil.

No meio da semana, Dilma Roussef, da Casa Civil, Franklin Martins, ministro de Comunicações, e o general Jorge Félix, do Gabinete de Segurança Institucional deram uma entrevista coletiva, numa tentativa de blindar o capo dei tutti capi. Em nome da segurança nacional, os dados relativos à Presidência da República serão omitidos. Para o general Félix, a divulgação de determinadas informações pode comprometer a segurança do presidente e de seus familiares.

- Do ponto de vista do GSI, quanto menor a transparência, maior o grau de segurança. Em relação às informações de gastos, tem de ter limite - disse o general -. Estamos reavaliando as informações, e aquelas que trouxerem algum tipo de prejuízo (à segurança) não mais estarão no Portal da Transparência.

O general considera, no entanto, que a restrição não significa falta de transparência do governo. Ou seja, a tropa de choque do planalto sentiu que o rei corria risco de xeque-mate e apressou-se a retirar do portal o que Tarso Genro, o ministro da Justiça, chama de iniciativa moralizadora. Tipo de prejuízo à segurança, na boca do general, é eufemismo para risco ao governo do meliante que garante o bem-estar da quadrilha toda.

Até aí, as ditas oposições - que de oposição só têm o nome, afinal não passam de canalhas do mesmo estofo – estavam vibrando. O PT caíra em sua própria armadilha. Ocorre que, dia seguinte, o governo tucano de São Paulo foi flagrado com gastos de 108,4 milhões de reais nas despesas com cartões, só no ano passado.

Em meio a isto, estou me divertindo muito com as desesperadas tentativas de Reinaldo Azevedo, de justificar as roubalheiras do governo Serra. O governo tucano não teria cartões de crédito. E sim cartões de débito.

“Um cartão de débito supõe, necessariamente, a existência de um dinheiro previamente depositado; o de crédito, não: é uma despesa que se faz, a ser paga com um dinheiro futuro” – escreve em seu blog louvaminheiro o recórter chapa-branca tucanopapista hidrófobo. Em suas louvaminhices, pretende que haja alguma diferença entre o dinheiro roubado ao contribuinte, conforme seja dinheiro previamente depositado ou dinheiro futuro. Ora, para quem rouba, tanto faz. Patética, a argumentação do recórter. Dinheiro presente ou futuro sempre é dinheiro.

Adoro estes escândalos. No final, a súcia toda permanece impune. Mas pelo menos caem as máscaras de jornalistas que pretendem denunciar corrupção, como pretende o recórter chapa-branca tucanopapista hidrófobo.

12 comentários:

Jonas Melo disse...

Por que hidrófobo?

Janer disse...

O carolão vive insultando seus leitores, num linguajar de fazer inveja ao Olavo de Carvalho.

Raphael disse...

Pensei que ia dizer que ele não toma banho...

Catellius disse...

É batata: todo ser inteligente quando passa a defender uma ideologia, uma religião, um partido político, vai emburrecendo. Adota novilínguas, usa argumentos absurdos, expõe-se a toda hora. Reinaldo, tentando defender a ICAR, demonstrou sequer saber o que seja a Imaculada Conceição, coisa que eu sabia aos 12 anos, quando me preparei para a Primeira Comunhão e assisti ao famoso “A canção de Bernadete”, com a Jennifer Jones (que era amante do produtor, acho). Depois subiu nas tamancas porque alguém chamou o Papa de teocrata. “Como??? Não vejo esses ateus militantes chamando Edir Macedo e Dalai Lama de teocratas” – disse algo do gênero, esquecendo que o Papa é realmente o chefe da última teocracia européia: o Estado do Vaticano. A Igreja Universal é por acaso uma nação soberana? E essa agora do Reinaldo fazer distinções entre farra com crédito e farra com débito. Não tem mais vergonha na cara.

O Reinaldo emburrecido adere a uma cruzada anti-iluminismo - a cruzada dos mendigos, de Pedro o Eremita -, dá uma de moralista, chama as praias de locais indecorosos, só porque as pessoas não coram ao se exporem seminuas(??!!!?). E milhares de outros disparates... Com o Olavo o problema é o mesmo. Ambos perdem muito mais do que a honestidade quando a abandonam; começam por ser desonestos com os outros e acabam sendo desonestos consigo mesmos. Qualquer coisa vira argumento; os disparates atraem críticas contundentes e também elogios de néscios. Moderam os comentários dos críticos e publicam os dos néscios, por uma questão de ego. E, hermeticamente fechados em seu universo ideológico viciado, aplaudidos por outros ideólogos, desaprendem a raciocinar. Emburrecem.

O Mouro, se não me engano, também falou algo do gênero. Casamento de desonestidade intelectual com inteligência não dura muito tempo. Ou abandona-se a primeira pela segunda ou a segunda pela primeira.

Janer disse...

Além do mais, o recórter chapa-branca tucano papista, vive insistindo em que tem duas filhas. Se segue a boa doutrina vaticana, que sexo só é permitido para reprodução, só deve ter dado duas na vida.

Blogildo disse...

Qual é, Janer? Você é o "ateuzão" que vive insultando os outros e ninguém te chama de hidrófobo por causa disso. Cadê a coerência?

E além disso vc é um epicurista ortodoxo e não vejo ninguém sacaneando sua religião, pô!

C. Mouro disse...

Ôo Catellius ...hehehe! isso pode gerar mau entendimento:

"O Mouro, se não me engano, também falou algo do gênero. Casamento de desonestidade intelectual com inteligência não dura muito tempo. Ou abandona-se a primeira pela segunda ou a segunda pela primeira."

De fato eu sempre disse que inteligência e desonestidade/safadeza não se dão bem. Uma sempre "come" a outra, é verdade, mas nessa tentativa de convivência é fácil perceber que a safadeza é mais forte, ou tal tentativa nem exoistiria.

Realmente o Reinaldo tá exagerando e se expondo ao ridículo. Coisa que demonstra pouca inteligencia.

Abraços
C. Mouro

Janer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Janer disse...

Nunca insultei ninguém. Nunca chamei leitor de ratazana nem de vagabundo. Seguidamente sou insultado e não revido. Sinto até um certo prazer em ser insultado: é sinal que o adversário não tem mais argumentos e apela à ignorância.

Tenho chamado os católicos de hematófagos e canibais. Mas eles não o são? Não comem carne humana? Não bebem sangue humano? Logo, são hematófagos e canibais. Não tenho culpa alguma pelas criações teóricas dos teólogos.

Defini o Reinaldo como recórter chapa-branca tucanopapista. Disse algo errado? Recórter ele é. De um modo geral, só faz copy and paste. Quando comenta, seus comentários têm o nível raso de boteco de periferia. Chapa-branca sempre foi. Foi redator de uma revista do PSDB e hoje faz a defesa incondicional do PSDB, mesmo quando o partido está tão atolado na maracutaia dos cartões quanto o PT. É tucano e é papista. O papa arrota em Roma e o Reinaldo repete o arroto às margens do Tietê.

E é hidrófobo. Insulta todo leitor que discorda dele. Não sei quanto tempo ele vai durar na Veja. Porque não fica bem para uma revista ter um redator que insulta seus leitores.

O Pasquim fazia isso. Mas o Pasquim não era um jornal sério.

Não sou epicurista e muito menos ortodoxo. Os epicuristas acreditavam em deuses e eu sou ateu.

Catellius disse...

É vero, Mouro. Dificilmente um desonesto intelectual abandona uma ideologia motivado pela inteligência. Abandona-a por conveniência, no máximo, como foi o caso do Reinaldo e do Olavo, ex-comunistas. A questão é que, como cantava o Cazuza, querem uma ideologia para viver. Trocaram de judeus, mudaram de Marx para Jezuis e pronto...
Abração

Blogildo disse...

Porque não fica bem para uma revista ter um redator que insulta seus leitores.

O Pasquim fazia isso. Mas o Pasquim não era um jornal sério.


Janer, parece dor de cotovelo o que você escreveu. Quem tem de decidir se fica bem ou não ter um redator que insulta leitores é a revista. Fala sério! Não faz o menor sentido eu dar pitaco em quem você contrata para cuidar da SUA casa.

Quanto ao Pasquim...Bem, comparando com jornais que existem hoje no país, ele é muito mais sério.

Quanto ao PSDB, bem você não falou nada sobre o fato de Serra ter colocado tudo na Web e ter desafiado o presidente a expor suas contas pessoais.
Sei não, Janer, você tá aliviando para o lado Lula.

Blogildo disse...

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2008/02/entenda-as-idas-e-vindas-do-governo-em.html


Tooooooooooooooooma, Janer! Hehehehe!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...