29 janeiro 2007

...e PAC!: Rachou...

Um plano político começa assim, se você for um político astuto no poder:

Passo 1: Escolha um dos alvos de críticas da oposição e procure ocupar todo o espaço de discussões reservado ao tema propondo uma solução para o problema. Por exemplo, se a oposição lhe critica por ter um governo de “companheiros incompetentes” incapazes de promover um crescimento compatível com as oportunidades mundiais oferecidas, apresente um Plano de Aceleração do Crescimento e parta para a ofensiva.

Passo 2: O plano não precisa fazer sentido. Precisa ser convincente. Como em 2002, quando o "Lula Light" foi eleito presidente da República com um plano maluco chamado "Fome Zero", que propunha erradicar a fome no Brasil. Sem muito sucesso, pois continuo a ver pela rua um monte de mendigos com a aparência péssima. O seu Fome Zero teve sucesso sim em mudar a geografia de poder no Nordeste, cuja maioria dos governos estaduais se tornou esquerdista. Os pequenos currais eleitorais dos velhos coronéis, em cujos cochos eram jogadas cestas básicas, deram lugar ao maior curral eleitoral da história: o Bolsa Esmola. A fome pode não ter acabado mas a "invernada eleitoral" do presidente lhe rendeu 80% dos votos da região, garantindo-lhe a reeleição.

Passo 3: Foque nos seus eleitores. Heloísa Helena chamou o PAC de fraude eleitoral. Os investidores estão céticos. Mas o nosso político astuto não fez o PAC para eles e sim para os analfabetos funcionais, ou seja: o povo. Tirando-se pelo Fome Zero e o seu famigerado Bolsa Esmola, de resultados muito duvidosos, pode até funcionar politicamente. Ele deve passar os próximos quatro anos inaugurando coisas e falando abobrinhas para que a imprensa o mantenha em evidência. Para termos uma idéia do tamanho da enrolação do PAC, 42% dos investimentos do plano são o orçamento de investimentos que já eram previstos pela Petrobras.

Passo 4: Monte um bom marketing, pois idéia burras, sem pé nem cabeça, e soluções mentirosas para problemas reais, desde que vendidas por um bom marqueteiro, apoiadas por artistas e personalidades politicamente bonitinhas em belas cerimônias cheias de políticos engravatados, e desde que bem marteladas na cabeça do povo por jornalistas preguiçosos que reproduzem press-releases do governo ao invés de pesquisarem, acabam tornando qualquer baboseira em retumbante verdade.

Passo 5: Diante das críticas, ponha alguém do partido a chamar os críticos de traidores da pátria. E se o plano é ridículo, comparado aos objetivos a que se propõe? Isto quer dizer que o Lula é burro por propô-lo ou que eu seja um traidor burguês por criticá-lo? Certamente a segunda alternativa. Li na capa do Globo que ele disse que agora o Brasil "ou vai ou racha". Não sei quanto ao resto do país, mas sei que a mídia vai falar muito dele e de seu plano mirabolante.

Passo 6: Associe-se à solução, mesmo que não tenha nada a ver com o que foi proposto no plano. E se, por acaso, o Brasil crescer 5% ao ano? Então, terá sido por causa do PAC. Afinal, o presidente irá a cada inauguração e estará ligado, na cabeça do povo, ao tema do crescimento; portanto, "logicamente", deverá ser o responsável por ele - Post hoc ergo propter hoc (depois disto, logo causado por isto) é uma falácia antiga que explica o alardeado sucesso de muitos "milagres" políticos (e religiosos).

Passo 7: Tire todo o proveito político possível das articulações em torno do plano proposto. E se o país não crescer, como a fome não acabou? Então pode ser que o PAC dê ao presidente a vantagem da iniciativa, o espaço na mídia e as articulações necessárias para escolher o seu sucessor e esfregá-lo na cara das elites retrógradas, destes traidores americanizados e burgueses que não suportam ver um representante do povo no poder. Mas, peraí...pára. Elite é ele, é seu filho milionário. Bem sucedido é ele, que de retirante chegou a presidente. Perto dele somos nós os burros e pobres.

23 janeiro 2007

Minha Inveja dos Petistas

Outro dia eu estava desfiando o meu ódio aos petistas falando da minha decepção por ter sido ludibriado pelo Duda Mendonça e votado no "Lula Light" e acreditado na Esperança, acreditado no Bolsa Família e que o PT merecia chegar ao poder por representar uma força em luta pela democracia, pela ética na política e pela justiça social. Enfim, todo esse discurso que a classe média esforçada e mais ninguém têm a tendência a acreditar. Daí, falei do Mensalão, do projeto autoritário de poder do José Dirceu e da dinossaura centralizadora e estatizante da Dilma. Quando eu falei que lamentava que os militares não tivessem liquidado essa turma o meu interlocutor se enfureceu e desligou o telefone.

Liguei novamente e argumentei que todos eram iguais e, como dizia nosso amado líder, "política é pôr a mão na merda" e que o que me enfurecia é que o que diferenciava uns dos outros era apenas o discurso. Uns se diziam bonzinhos enquanto outros eram mais mauzinhos. Tentei argumentar que aqueles que se diziam bonzinhos mas que agiam como os outros eram piores porque nem se assumiam e ainda supunham poder enganar aos outros com um papinho furado esquerdista. Não obtive sucesso. O meu interlocutor continuou irritado com a minha ira.

Daí, tentei buscar algo que o apaziguasse e acho que encontrei. Acho que descobri o que mais me irrita nos petistas. Acho que o que me irrita neles é a minha inveja deles. Afinal, pensei bem, como foi a trajetória de vida de alguns deles? Começaram como líderes estudantis com aqueles papos contra os Estados Unidos e a favor de Cuba, e os mais bonitos e carismáticos iam encabeçar as chapas dos grêmios comendo as menininhas enquanto se diziam moderninhos. Eles não se viam como a futura elite mas como os futuros salvadores do mundo. Aqueles que levariam o mundo em direção ao paraíso socialista.

Fiquei pensando nestes politicamente bonitinhos da UNE que direta ou indiretamente podem estar participando das fraudes das carteirinhas de estudante que todos têm mas que enchem os cofrinhos dos futuros salvadores do mundo. Daí, a carreira continua e de líder da UNE pode-se ascender a cabo eleitoral, assessor de gabinete ou até mesmo a parlamentar ou prefeito do PT ou de algum outro partido de esquerda.

Mas o que me mata de inveja mesmo é que eles chegam à elite, têm maravilhosos apartamentos funcionais em Brasília, salários fantásticos, às vezes trabalham em ONGs com objetivos humanitários juntamente com gordos pró-labores, e gozam de um estilo de vida de classe alta sem algo incrível: Eles não têm de suportar a culpa de ter lutado para chegar aonde chegaram em nome de si mesmos, de suas ambições pessoais e de suas famílias. Eles podem usufruir sem culpa tudo o que a alta burguesia usufrui, sem terem sido egoístas, sem terem tido de passar por cima de alguém um dia, porque eles são os bonitinhos salvadores da humanidade. Eles gozam do estilo de vida da alta burguesia mas em troca dão o Bolsa Família para a ralé e a esperança de uma vida melhor. Portanto, eles conseguiram chegar ao paraíso socialista, o gozo sem culpa da vanguarda do proletariado. Como eu tenho inveja disto.

19 janeiro 2007

Galvão e a Transubstanciação

Bento XVI virá ao Brasil em maio deste ano. Não será o primeiro "nacional socialista" a ser bem acolhido no Brasil; Josef Mengele, Franz Stangl, Gustav Wagner e Herbert Cukurs são algumas das celebridades arianas cristãs que refizeram tranqüilamente suas vidas em São Paulo. Sua Santidade deverá aproveitar a missa, planejada para um milhão de pessoas, para anunciar a canonização do primeiro santo 100% brasileiro - é de pasmar ser o primeiro, já que milagreiros costumam brotar mais facilmente em áreas de esgoto a céu aberto, insalubres, desassistidas por médicos, pródigas em analfabetismo, desemprego e desesperança; pré-requisitos que o Brasil sempre cumpriu com louvor. Seria de se esperar que em mais de 500 anos, o país tivesse produzido semideuses milagreiros em maior quantidade. Padim Ciço era o mais cotado para o título até a beatificação do frei de Guaratinguetá por João Paulo II. Quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger propôs a reabilitação do padre Cícero Romão Batista, excomungado por insistir em operar o famoso milagre da Hóstia em sua diocese, contrariando as ordens de seus superiores. "Onde já se viu o sangue de Jesus se manifestar na boca de uma costureira negra, pobre e analfabeta nos confins do Ceará?" disse o então bispo de Crato, D. Joaquim José Vieira.

Uma canonização depende de dois milagres. Os realizados com a intercessão de Frei Galvão são protagonizados por suas pílulas, na verdade o verso do breviário "Post partum Virgo inviolata permansisti, Dei Genitrix Intercede pro nobis" escrito em papeizinhos, os quais são ingeridos pelos fiéis que querem se livrar de alguma doença. O plano de saúde é barato. Basta enviar uma carta para o Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, Av. Tiradentes, 676 - Bairro da Luz, São Paulo, e requisitar as pílulas, gratuitas. É oportuno anexar ao pedido alguma contribuição pecuniária, pois as freiras herdeiras do trabalho de confeccionar os artigos miraculosos dela necessitam para sua subsistência e para a construção do Memorial de Frei Galvão. Afinal de contas, dinheiro não cai do céu. É necessário que os fiéis agradeçam as graças acendendo velinhas e doando verdinhas.

A Falácia Regressiva , o Efeito Placebo , a Falácia Post Hoc aliados à crassa ignorância supersticiosa são suficientes para que os sucessos (a média da eficácia dos placebos é de 20%) sejam interpretados como intervenção divina. Por lhe faltar cérebro e olhos, é consenso que o estômago não sabe ler, ainda mais quando, tratando-se de brasileiros, há uma boa chance de seu dono ser analfabeto. Do latim então só deverá conhecer o "Fiat Lux" da caixinha de fósforos...

Eu sei; estamos no campo da fé. "Não se pode explicar mistérios", "credo quia absurdum", etc. Certamente a formação fortuita da palavra "satã" nas vísceras daquele que acabou de se deliciar com uma sopa de letrinhas Knorr não está entre as causas da úlcera. É necessário conhecer o que está escrito e ter fé na cura, que é operada por Deus, ao qual se chega pelo único caminho, Jesus, junto a quem Frei Galvão intercede após ser acionado pelo fiel quando a tinta da caneta Bic se desprende do papelzinho e atinge sua alma. Não vale você mesmo escrever o trecho do Ofício, engoli-lo e pedinchar a Frei Galvão por meio de preces fervorosas. Pirataria é crime e Deus pune o criminoso; está na Bíblia. Devemos aceitar submissos a "misteriosa" burocracia. Aqui na Terra, se os juízes fossem oniscientes e infinitamente justos, os primeiros demitidos seriam os advogados. No céu, contudo, o Estado é tão paternalista que intercessores, mediadoras, advogadas, estão por todo lado. No Purgatório então, que é um presídio de segurança máxima, chega a ser difícil andar pelos corredores sem topar com os Santos-de-Porta-de-Purgatório a distribuírem seus santinhos e prometendo mundos e fundos.

E como fica a Hóstia transubstanciada, que também vai para o estômago dos católicos, mas sem o mesmo sucesso? Afinal, todos os católicos curados após deglutirem a promulgada virgindade da Mãe de Deus no pedaço de papel devem ter também, em algum momento, engolido a Hóstia. O que deu errado? Não estamos falando do corpo do próprio Cristo? Não é o mesmo que engolir um pedaço do Sudário de Turim? Se a explicação está na falta de fé, temos a prova de que poucos acreditam na transubstanciação. As pessoas são curadas ao tocarem ossos, glotes, pedaços de ataduras de estigmatizados (que por não conhecerem como eram as crucifixões, imitavam ingenuamente a iconografia vigente, com aqueles furos redondinhos na palma da mão), cabeças e outras peças do grotesco rol de relíquias que assombram as igrejas mundo afora, mas não obtêm o mesmo resultado comungando na missa.

Talvez, interiormente, não tenham se rendido ao dogma, como John Tillotson, Arcebispo de Canterbury. Ele disse, à época da Reforma Anglicana, que a idéia da transubstanciação "contradiz os sentidos de que o pão e o vinho usados nas cerimônias são mudados em algo que é pão e vinho para os sentidos mas que realmente será o corpo e sangue de Cristo. Se parece pão, cheira a pão, tem gosto de pão, então é pão. Desistir disto é abdicar de todo o conhecimento baseado na experiência. Qualquer coisa pode ser outra que não o que os sentidos mostram. Se os Católicos tivessem razão acerca da transubstanciação, então um livro podia ser um bispo. Os acidentes de uma coisa não dariam pistas para a sua substância. Tudo o que vemos pode ser completamente não relacionado com o que parece ser. Tal mundo não seria razoável. Se os sentidos não podem ser confiados num caso, não podem sê-lo em caso nenhum. Acreditar na transubstanciação é abandonar a base de todo o conhecimento: a experiência dos sentidos".

Frei Galvão viveu em uma época ímpar. Seu pai o enviou com a idade de treze anos para o Colégio de Belém, dos jesuítas, na Bahia. Lá ficou de 1752 a 1756. Em 1755 um terremoto de 9 graus na escala Richter arrasou Lisboa, vitimando milhares de portugueses, e derrubou a crença preconizada por Leibniz (e outros) de que vivemos no melhor mundo possível (não em relação aos atos do homem mas em relação à criação divina). O sismo ocorreu na cidade mais beata da Europa justamente no dia de todos os santos, 1º de novembro. O Marquês do Pombal ganhou mais poderes do rei Dom José I para reconstruir a cidade, e aproveitou para acusar os jesuítas de conspirar contra o Estado, expulsando-os de Portugal e de suas colônias. A França, a Espanha e os demais países europeus adotaram a mesma medida, e o próprio Vaticano extinguiu a ordem em 1773. Frei Galvão queria tornar-se jesuíta, mas devido à perseguição movida pelo Marquês, entrou para os franciscanos.

Além de confeccionar as suas pílulas, levitava e bilocava-se freqüentemente. Conta-se que ia a pé de São Paulo ao Rio de Janeiro, dispensando as liteiras movidas a escravos, as carroças movidas a cavalo e os seus dons sobrenaturais.

17 janeiro 2007

Quanto capitalismo é suficiente?

Outro dia eu estava conversando com um amigo e ele me disse que seu primo o havia chamado de capitalista de esquerda. Afinal, ele alugava umas casinhas na periferia, era professor e sócio de um cursinho e ainda trabalhava em uma estatal, mas quando se tratava de política era um esquerdista de carteirinha - exceto no tocante à segurança pública, quando preferia alguém de direita mesmo.

Em outra ocasião, jantando na casa de um amigo, uma de suas filhas reclamava que seu pai se recusava a pagar alguns Euros a mais para que elas pudessem assistir a alguns canais de filmes americanos. Mas era justamente isso; ele achava que as filhas não deviam se americanizar mais e que a globalização vivida por eles já era suficiente. Afinal, chegava de fundos americanos controlando grandes empresas, incluindo a na qual ele trabalhava. Precisava-se retornar ao velho esquema dos capitalistas donos dispostos a manter a diretoria no cabresto.

Existe aquele velho adágio popular de que se a pessoa nunca foi socialista é porque não tem coração mas se continua socialista após os 30 anos é porque não tem cérebro. Bem, talvez isto não seja exatamente verdade. Acho que algumas pessoas desenvolveram uma percepção de quanto capitalismo querem. Certamente, um grande empresário gostaria de mais liberalismo que lhe permitisse ter empresas mais flexíveis e eficientes, mas os empregados - especialmente aqueles que ocupam alguns bons empregos e que percebem que não chegarão à alta gerência ou diretoria - começam a perceber que fazer tudo em nome do culto da eficiência não lhes interessa.

Na minha opinião, este foi o principal motivo da derrota do Alckmin na última eleição. Os chamados formadores de opinião avaliaram que o capitalismo petista (centralizante, estatizante e nacionalista) era mais adequado ao que queriam do que um capitalismo estilo PSDB. Acho que o que realmente aconteceu foi que de repente estes formadores de opinião se deram conta que havia alguma chance de vitória do Alckmin e se assustaram, e rapidamente viraram petistas de carteirinha. Aquela história de que o Alckmin fora muito agressivo no debate apenas os lembrou do quão agressivo podia ser o capitalismo do PSDB.

Como diria o velho pai dos liberais tupiniquins, o Roberto Campos, os capitalistas de Estado são os donos do Estado e não estão dispostos a verem o seu investimento encolher. O país está crescendo a 3% ao ano, a inflação está baixa, a dívida externa equilibrada...Para que mais? Se crescer demais pode é faltar energia...portanto por que não continuar como está?

Afinal de contas, este governo tem sido abençoado por chuvas abundantes, as commodities têm atingido preços recordes graças à demanda dos comunistas chineses, e as crises financeiras da década de 90 sepultaram qualquer entusiasmo pela liberalização de capitais. Portanto, por que retomar um caminho de tanta dor se está tudo bem e a maioria está se sentindo mais ou menos confortável?

15 janeiro 2007

Eleição do presidente da Câmara

O governo está parado à espera da escolha do presidente da Câmara. As nomeações para cargos e trocas de ministros aguardam as demonstrações de lealdade da base de sustentação do chefe do Executivo. Os nomeados tremem e se articulam à espera do desenrolar dos próximos acontecimentos na Câmara. Mas, afinal de contas, qual é o poder do presidente da Câmara?

Bem, poderes são muitos, a começar pelo poder de iniciar ou engavetar um pedido de impeachment contra o chefe do Executivo. Comenta-se que nos últimos dois anos foram engavetados cerca de 20 pedidos pelo Aldo, e o Severino queria a diretoria de "furar poço" da Petrobras para engavetar o pedido de impeachment referente ao Mensalão. Ficou querendo.

Além disso, temos os poderes óbvios de marcar sessões de votação das matérias ou não, o que pode viabilizar a aprovação de um projeto ou impedi-la. Considerando a preponderância do Executivo nas iniciativas legislativas é importante a cooptação do ocupante deste cargo para o sucesso da agenda do Executivo na Câmara.

Ademais, considerando-se que o vice-presidente da República está sendo tratado de um câncer este cargo torna-se ainda mais importante pois pode tornar-se substituto imediato do presidente nas constantes viagens e se o chefe do Executivo sofrer um impeachment pode até mesmo sucedê-lo.

Hoje não parece provável que uma presidência da Câmara pertencente ao PT daria prosseguimento a um processo de impeachment contra o chefe do Executivo mas certamente cobraria do presidente um espaço no governo condizente com o apoio recebido, diferentemente de um presidente da Câmara de um partido aliado minúsculo que teria conseguido a cadeira graças à influência de cargos e de emendas do orçamento do chefe do Executivo de quem ele seria devedor.

Talvez a eleição para a presidência da Câmara de um representante de um grande partido ou mesmo do PT possa marcar uma reversão da tendência da dominação do Executivo e a obliteração dos partidos nas decisões. Talvez as negociações se desloquem para o atacado e saiam do varejo.

Talvez marque o lançamento de um nome do PT como pré-candidato à presidência da República e o deslocamento do poder dentro do PT do grupo palaciano em direção ao grupo de parlamentares do partido que, detendo tal cargo, poderá exercer mais influência sobre o Diretório Nacional do Partido, sobre os rumos do próprio governo e quem sabe até mesmo da sucessão de 2010.
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