25 novembro 2007

O Homem Justo na Bíblia

Na Bíblia temos 419 registros para "justo", segundo pesquisa no bibliacatolica.com.br . O primeiro homem chamado de justo é Noé. Obviamente, Adão não foi merecedor deste título. A seguir temos a discussão em torno da destruição de Sodoma, na qual Deus considera a possibilidade de poupar a cidade se houver um número suficiente de justos. Esta é uma discussão interessante e politicamente não correta, na medida em que mostra um deus interessado em uma elite de "justos" e desconsiderando o direito à vida dos demais.

Mais tarde Deus, por meio dos Dez Mandamentos entregues a Moisés, decreta ser pecado matar um justo e um inocente, ou seja, mais uma vez ignorando o direito universal à vida. A seguir temos a história do justo mais famoso da Bíblia: Jó. Nos Salmos temos uma série de promessas de retribuições de Deus àqueles que oprimirem os justos. De fato, em Salmos 140,5 lê-se: “Se o justo me bate é um favor, se me repreende é como perfume em minha fronte. Minha cabeça não o rejeitará; porém, sob seus golpes, apenas rezarei.”

Em Provérbios, mais vez se enaltece os justos afirmando, em geral, que aquilo feito ou dito pelos justos é bom e aquilo feito ou ditos pelos ímpios é mau. Eis uma boa passagem: “As palavras dos ímpios são ciladas mortíferas, enquanto a boca dos justos os salva.” Em Eclesiastes o tom muda e critica-se a vaidade dos justos. O tom é mais "socialista": “Um mesmo destino para todos: há uma sorte idêntica para o justo e para o ímpio, para aquele que é bom como para aquele que é impuro, para o que oferece sacrifícios como para o que deles se abstém. O homem bom é tratado como o pecador e o perjuro como o que respeita seu juramento.” Também encontramos neste livro (7, 16) esta curiosa admoestação: "Não sejas justo excessivamente, nem sábio além da medida. Por que te tornarias estúpido?"

Em Sabedoria retoma-se o tom elogioso aos justos e o elitismo por assim dizer. De fato, a vida eterna seria destinada apenas a esta elite: “Mas os justos viverão eternamente; sua recompensa está no Senhor, e o Altíssimo cuidará deles.” Apesar da eternidade pertencer aos justos, eles não estão a salvo de morrer pelos pecados dos ímpios, como podemos ler em Lamentações: “Foi por causa dos pecados de seus profetas e das iniqüidades dos sacerdotes, que derramavam em seus muros o sangue dos justos.”

Ezequiel, por sua vez, se ocupa em falar dos justos que abandonaram o caminho: “E, se um justo abandonar a sua justiça, se praticar o mal e imitar todas as abominações cometidas pelo malvado, viverá ele? Não será tido em conta qualquer dos atos bons que houver praticado. É em razão da infidelidade da qual se tornou culpado e dos pecados que tiver cometido que deverá morrer.”

Mateus já retoma uma visão mais conciliadora, socialista e antielitista: “Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.” O interessante é que em Mateus surge o inferno para os ímpios, enquanto antes eles tinham o nada. É uma nova abordagem, esta do Novo Testamento, de tentar atrair os ímpios. Acho meio populista.

Bem que eu desconfiava que estes apóstolos de Cristo eram meio esquerdistas, vejam só esta passagem: “Jesus respondeu-lhe: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus.” Acaba com a idéia da elite dos bons e dos escolhidos. Se bem que uma coisa que eu detesto é aquele que se faz de justo, o fariseu, que atualizado seria o politicamente bonitinho, este é um sepulcro caiado. No Brasil, hoje, este personagem é aquele que veste uma camiseta do Che...Bem, desconfio que obsessão não esteja entre as qualidades dos justos...

Em João, por sua vez, há uma passagem interessante em que se discute o que é um homem justo: “De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.”

"Justo" na Bíblia pode ser entendido como "aquele que age de acordo com a vontade de Deus", seja ela qual for. Hoje, a disputa é por ser considerado justo, pois suas ações terão legitimidade. Infelizmente, o privilégio de agir é muitas vezes exercido em detrimento daqueles que sofrerão as consequências de suas ações.

Entramos em outra questão aqui. O que é agir? Segundo o Aurélio, a sua definição filosófica seria: "Processo que decorre da natureza ou da vontade de um ser, o agente, e de que resulta criação ou modificação da realidade." Boa definição, que considera como pré-requisito da ação a existência de vontade e como conseqüência a mudança da realidade. Neste sentido, existem muito poucas "ações", embora muitas sofram as conseqüências de ações alheias à sua vontade.

Caímos agora na questão karma e darma. As ações do ego geram karma. A definição psicanalítica de ego segundo o Aurélio é: "A parte mais superficial do id, a qual, modificada, por influência direta do mundo exterior, por meio dos sentidos, e, em conseqüência, tornada consciente, tem por funções a comprovação da realidade e a aceitação, mediante seleção e controle, de parte dos desejos e exigências procedentes dos impulsos que emanam do id." Os justos, como não agem obedecendo ao ego, estão livres do karma. Somente eles são livres, os demais são escravos dos sentidos e dos desejos. Logo, a única escolha estaria entre servir ao ego ou servir a Deus.

29 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Depois de alguns mil anos chegamos aos neo-justos, aqueles que podem fazer tudo com vc, mas sempre usando camisinha: Lula, Chavez, Bush e por aí vai...

André disse...

Muito bonito esse conceito de justo, mas muito perigoso. O que é justo para mim quase sempre é injusto ou incômodo para o outro.

Decretar ser pecado ou errado matar um justo e inocente não significa exatamente ignorar o direito universal à vida. Esse direito universal é um ideal inatingível. Mesmo o direito penal é forçado a abrir exceções. Afinal, há casos em que se pode matar.

“As palavras dos ímpios são ciladas mortíferas, enquanto a boca dos justos os salva.”

Essa é boa. Ou às vezes não dizer nada também salva.

"Não sejas justo excessivamente, nem sábio além da medida. Por que te tornarias estúpido?"

E essa é ótima. E não se pode ser sábio sem um pouco de loucura, como disse La Rochefoucauld.

“Foi por causa dos pecados de seus profetas e das iniqüidades dos sacerdotes, que derramavam em seus muros o sangue dos justos.”

Bom, a vida é injusta. Mesmo com os justos... Por isso ser ímpio muitas vezes é melhor negócio.

“Bem que eu desconfiava que estes apóstolos de Cristo eram meio esquerdistas...”

Eram salvacionistas. Mas é claro q muito do socialismo veio daí. O socialismo lembra um Paraíso na Terra. Uma tentativa fracassada de estabelecer um Paraíso na Terra, a “comunidade dos santos” entre nós. Essas utopias...

Heitor Abranches disse...

Acho que vc tem raz�o Andr�. O ber�o das id�ias revolucion�rias deve estar ligado a estas quest�o do salvacionismo. Esta reden�o era urgente naquele contexto em que o fim do mundo se aproximava. De fato, poucas d�cadas depois Tito, se n�o me engano, destr�i Jerusal�m e o mundo de Israel chega ao fim. Hoje, a mudan�a clim�tica amea�a acabar conosco assim como o malthusianismo previa que nosso fim viria pelo crescimento populacional. Talvez a quest�o seja que para todos n�s � fundamental sobrevivermos. Krishnamurti criticava esta obsess�o pois ele achava que esta quest�o tinha adquirido uma din�mica pr�pria em nossa psiqu� independente das pr�prias quest�es objetivas. Ele falava que sobreviv�ncia era importante desde que isto n�o passasse a ser uma obsess�o escravizante de nossa mente.

André disse...

Acho q essa mania de salvacionismo, redenção, Paraíso e transcendência começou com algumas religiões e depois passou para a política, ou melhor, para certas ideologias políticas.

Esse negócio de aquecimento global às vezes parece uma crença requentada no fim do mundo.

Também acho que sobreviver é importante, desde que não se torne uma obsessão.

O+cioso disse...

Este blog está uma merda!

Heitor Abranches disse...

o+cioso,

ajudaria se vc elaborasse um pouco mais as suas críticas.

Bocage disse...

O ego é vestígio do kundartiguador... Certo ou correto? Rsrsrs

Heitor, falas em karma e darma do ponto de vista da doutrina budista, hinduísta, da Teosofia, ou da Nova Era?
Já citaste Krishnamurti e Gurdjieff algumas vezes por aqui - nesta caixa de comentários, nos posts Propaganda é Violência, As Angústias de um Engravatado e Frases de Luminares, onde colaste um trecho de “O Verdadeiro Objetivo Da Vida” de Krishnamurti sem citar o autor, talvez por vergonha – e referes-te a eles sempre como filósofos. Não são exatamente filósofos, bem o sabemos. Pergunto-te: algum deles é um santo para ti?

Krishnamurti, o brâmane que foi levado a estudar na Inglaterra às expensas de malucos teosóficos, para os quais seu pai trabalhava, que o viam como uma reencarnação de Jesus (é isso mesmo?), era tratado como guru e agia como tal, divulgando sua “filosofia” nas rádios, em palestras, viajando para vários países como um missionário. O “filósofo” dizia coisas como “Vereis, que Deus não é uma coisa que se experimente e se reconheça, mas, sim, que Deus é algo que vem a nós sem que o invoquemos. Isso só se dá quando a vossa mente e o vosso coração estão completamente tranqüilos, não estão buscando, esquadrinhando, e quando não tendes nenhum desejo de aquisição. Deus só pode ser encontrado quando a mente não mais busca vantagem para si. Se nos retrairmos de todas essas coisas, talvez não ouçamos mais os sussurros do desejo, e, então, aquilo que está à espera, virá diretamente, infalivelmente.” Filósofo ou guru?

Quanto a Gurdjieff, este realmente um “filósofo” interessado no dinheiro de trouxas ocidentais, diverti-me com a seguinte acusação de heresia feita contra ele no site Psicologia Gnóstica:

“Gurdjieff cometeu um erro imperdoável, com o qual, naturalmente, lançou um grave karma sobre si. Este erro foi ter se pronunciado contra a Divina Mãe Kundalini. Que o fez por ignorância, não o nego. Assim foi! Porém, de qualquer modo, a ignorância da lei não exclui seu cumprimento. Ele confundiu a serpente sagrada Kundalini com o abominável órgão kundartiguador e atribuiu à Devi Kundalini os efeitos sinistros e tenebrosos do abominável órgão kundartiguador.”

Que deliciosa criatividade! Poderias me esclarecer o que tudo isso significa?

kundartiguador, no Yahoo! Respostas:
“O ego é vestígio do kundartiguador
Origem do ego
A origem do ego está diretamente relacionada com o advento da inserção do órgão kudartiguador nos seres humanos, na antiga Lemúria, por intermédio do Arcanjo Sakaki, com propósitos de dar equilíbrio à cápsula planetária, que passava por fortes perturbações.
Passado muito tempo, após a estabilização da Terra, o kundartinguador foi extirpado do ente humano através do Anjo Loisos. Entretanto, ficaram-se os resíduos do kundartiguador alojadas no substrato dos cinco cilindros da máquina humana, configurando-se assim as más conseqüências do kundartiguador, que vão por sua vez dar origem ao ego, conforme podemos ler no texto abaixo, extraído na íntegra das extraordinárias obras do VM. Samael Aun Weor:
Adoradores de Káli
Segundo o Mestre Samael, esta seita involucionante teve sua origem na própria Atlântida, criada pela própria Fraternidade Negra. De lá, essa seita tântrica negativa se estabeleceu no país chamado Perlândia (a terra das pérolas), hoje conhecida como Índia.
Káli é a personificação das forças cósmicas destruidoras, Káli possui dois aspectos, um positivo, que vem a ser a Mãe Destruidora de todas as trevas interiores do ser humano. Em seu aspecto negativo é a energia da Kundalini despertada negativamente, transformando-se na tão temida “cauda dos demônios”, ou Órgão Kundartiguador.
Felizmente, essa seita de assassinos foi combatida e extinta pelas autoridades britânicas na Índia. Coube a Sir William Sleeman, entre os anos 1829-1848, a incumbência de reprimir e destruir a tenebrosa organização Thug.”

Perdoa-me, Heitor, mas sinto calafrios com gurus que combatem o materialismo dos ocidentais enquanto tudo o que demonstram querer é o seu dinheiro. Krishnamurti, Gurdjieff, Osho (Rajneesh, que mencionava Gurdjieff freqüentemente em seus livros), Yogananda, Maharishi Mahesh Yogi, Sai Baba, a picareta ucraniana Blavatsky (teosofia) e muitos outros têm grupos espalhados pelo mundo que cultuam seus mestres e recolhem donativos para suas boas intenções “sem fins lucrativos”.

O que pregava Gurdjieff, entre outras sandices? Todos dormem, pensam estar acordados, pensam tomar decisões mas são autômatos a agir por influências diversas, extremamente condicionados pelo ego, pela identificação, etc. Já disseste algo bem parecido algumas vezes por aqui. “Não temos livre-arbítrio”, “não somos indivíduos”, e literalmente: “talvez, o indivíduo só comece a existir quando algo tome a decisão. Antes disso, somos apenas uma ilusão”.

Assume-te de uma vez, Heitor. Veneras algum desses gurus? Sê honesto, rsrs.

Heitor Abranches disse...

bocage,

Na minha opinião, a tradição filosófica ocidental se empobreceu após o cartesianismo que extirpou uma parte do ser e passou-se a cultuar um racionalismo. Creio que Bertrand Russell diz que a razão não é a verdade.

Já li muitos livros de Krishnamurti. Uma das coisas que gosto nele é o fato dele convidar todos a refletir e a pensar por si mesmos, portanto, por definição não pode haver um adorador de Krishnamurti, afinal, ele considerava preguiçosos aqueles que querem seguir outras pessoas.

Quanto à Gurdjieff, ele afirmava que a vida só seria real quando a pessoa fosse ela mesma. Era um convite para que as pessoas enfrentassem este desafio. Ele dizia que não podia ajudar ninguém e que a única coisa que podia fazer era criar um ambiente que favoreceria a busca de cada um. Nisto consistia a idéia de escola.

Quanto ao Osho devo confessar que conheci muitos saniasis e eles, em geral, decepcionam. A mim parece que muitos deles viam no Osho uma oportunidade de escapar das amarras de um cristianismo castrador qualquer e acabaram em um esoterismo licensioso.

Não sejamos ingênuos, o mundo é complicado e estas seitas às vezes são imâs para malucos. É por isto que o discernimento é individual.

Heitor Abranches disse...

Infelizmente, Bocage, doido tem em todo lugar. Em partidos políticos temos grupos que adorariam matar seus adversários. Na polícia temos oficiais que adoram torturar pessoas. Nas religiões temos pessoas que adoram se bater até sair sangue...Talvez, todos sejamos malucos pois levamos uma vida como se fosse eterna. Passamos a vida preocupados com coisas idiotas. Isto talvez seja a maior loucura.

André disse...

“Felizmente, essa seita de assassinos foi combatida e extinta pelas autoridades britânicas na Índia. Coube a Sir William Sleeman, entre os anos 1829-1848, a incumbência de reprimir e destruir a tenebrosa organização Thug.”

O culto à duesa Kali... Que, a propósito, são os vilões de Indiana Jones e o Templo da Perdição.

Krishnamurti, Gurdjieff, Rajneesh... todos mais do que suspeitos. Na minha família já houve seguidores de Rajneesh, lá nos anos 80.

“A picareta ucraniana Blavatsky...” Concordo. Teosofia, isso me lembra um programinha de tv q passa aqui, comandado pelo Ulisses Riedel, um advogado trabalhista. União Planetária é o nome. Acho q é teosofia. Conheço ele. É uma pessoa extremamemtne agradável e simpática, acho q quase todo mundo gosta dele. Não visa mal a ninguém. Um cara legal, enfim. Mas me parece ingênuo demais. Acredita em coisas como a paz universal, a irmandade total, sem fronteiras, de toda a espécie humana, etc e tal. Chega a ser... bobinho - pra usar uma palavra caridosa - em certas coisas q diz ou acredita.

Bertrand Russell dizia que a razão não era a verdade, mas porque era um homem moderado. Só a razão, sozinha, realmente não é a verdade. Só que ele também era 100% materialista e, se não estou errado, ateu, e não levava a sério nenhuma crença religiosa.

Se Krishnamurti considerava preguiçosos aqueles que querem seguir outras pessoas, nisso aí estou com ele.

“Não sejamos ingênuos, o mundo é complicado e estas seitas às vezes são imâs para malucos. É por isto que o discernimento é individual.”

Muito bem colocado. E esse é q é o problema. Eu até aceito algumas idéias e conceitos, mas seguir qualquer um deles, jamais. Ainda mais quando a grande maioria dos seguidores parecem ser malucos.

Mas é isso aí, o importante é ter discernimento.

Catellius disse...

Não tenho nada contra Krishnamurti. Ele estava envolvido por milhares de lunáticos que o veneravam contra sua vontade, situação à qual estava preso desde a pré-adolescência, acho, e conseguiu mandar todos para aquele lugar. Passou a criticar as religiões, a "verdade revelada", etc. Mas acho que ele tinha mais de guru do que de filósofo. Aliás, ele não deve aparecer em nenhum compêndio de correntes filosóficas. Talvez em um compêndio de ensinamentos de gurus indianos. E acho seu pensamento raso, lugar comum. É minha opinião, claro.

"...a tradição filosófica ocidental se empobreceu após o cartesianismo que extirpou uma parte do ser e passou-se a cultuar um racionalismo."

E que filosofia ocidental é essa, antes de Descartes? Greco-romana, medieval, humanista? Descartes produziu suas principais obras na primeira metade dos mil e seiscentos. Ora, depois dele tivemos todos iluministas, espiritualistas, todos idealistas, utilitaristas, niilistas, existencialistas, Leibniz, Espinosa, Kant, Locke, Hume, Bentham, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Russel, Sartre, Camus e uma infinidade de outros. Não há uma uniformidade de pensamento depois de Descartes, muito menos "cultuando" o racionalismo. O que acontece é que não há como prescindir da razão. Esse negócio de "chegar à verdade" sem a razão, seria como exatamente? Pela "iluminação"? Pela vivência? Ninguém nega que é necessário viver, experimentar, observar, mas não temos nada a não ser a razão para avaliarmos as informações.

Heitor Abranches disse...

Minha resposta Catellius vem de fonte da mais alta respeitabilidade, a wikipedia onde Jung explora esta questão do materialismo e da psique:

[editar] A psique objetiva
Jung percebeu que a compreensão da criação de símbolos era crucial para o entendimento da natureza humana. Ele então explorou as correspondências entre os símbolos que surgem nas lutas da vida dos indivíduos e as imagens simbólicas religiosas subjacentes, sistemas mitológicos, e mágicos de muitas culturas e eras. Graças à forte impressão que lhe causou as muitas notáveis semelhanças dos símbolos, apesar de sua origem independente nas pessoas e nas culturas (muitos sonhos e desenhos de seus pacientes de variadas nacionalidades exprimiam temas mitológicos longínquos), foi que ele sugeriu a existência de duas camadas da psique inconsciente: a pessoal e a coletiva. O inconsciente pessoal inclui conteúdos mentais adquiridos durante a vida do indivíduo que foram esquecidos ou reprimidos, enquanto que o inconsciente coletivo é uma estrutura herdada comum a toda a humanidade composta dos arquétipos - predisposições inatas para experimentar e simbolizar situações humanas universais de diferentes maneiras. Há arquétipos que correspondem a várias situações, tais como as relações com os pais, o casamento, o nascimento dos filhos, o confronto com a morte. Uma elaboração altamente derivada destes arquétipos povoa todos os grandes sistemas mitológicos e religiosos do mundo.

Na qualidade de cientista altamente desapegado e desconfiado do favorecimento que se dá a certas verdades, para ele materialismo e ciência não eram sinônimos. O materialismo não passa o culto a um deus exteriormente concreto por meio da razão, um tipo de fé nos princípios limitadores das leis físicas. "A razão nos impõe limites muito estreitos e apenas nos convida a viver o conhecido". Para sermos realmente justos, convém recebermos igualmente os aspectos racionais e irracionais da vida.

Perto do fim da vida Jung também sugeriu que as camadas mais profundas do inconsciente independem das leis de espaço, tempo e causalidade, dando lugar aos fenômenos paranormais como a clarividência e a precognição. A estas correspondências entre acontecimentos interiores e exteriores, por meio de um significado comum, ele deu o nome de sincronicidade. Muitos fatos ocorridos enquanto tratava seus clientes o fizeram crer que os acontecimentos se dispunham "de tal modo, como se fossem o sonho de uma 'consciência maior e mais abrangente, por nós desconhecida'" (Obras Completas Vol. VIII, p. 450). Assim é o caso da paciente que apresentava uma forte resistência à terapia. A monotonia não escapava a nenhum dos dois. Até o dia em que ela lhe relata o sonho com um escaravelho dourado. Mal acabara de contar-lhe a trama quando ouvem uma batida na vidraça. Jung foi ver e era uma espécie de besouro de coloração dourada muito rara naquelas paragens. Daí para diante a análise deslanchou, ocasionando o renascimento daquela personalidade. Besouro e renascimento... um símbolo egípcio muito antigo...

Simone Weber disse...

Viva Catellius!

Feliz aniversário para este precioso blog, querido amigo.

Parabéns aos seus leitores, redatores e colaboradores. São todos um bom exemplo de mentes ao serviço da democracia, da liberdade, de espíritos lúcidos e originais!

E desejo que o entusiasmo seja mantido, apesar das baixas... :-)

Beijocas a todos!!!!

Bocage disse...

"fonte da mais alta respeitabilidade"

Seria isto um apelo à autoridade?

Inconsciente Coletivo e Sincronicidade são pseudociências inventadas por um amante de "astrologia, espiritismo, telepatia, telecinética, clarividência, PES" (Percepção Extrasensorial) e I Ching, baseadas em testemunhos próprios, em sonhos e "causos" não comprovados.

Entre aspas:

Alem de acreditar numa série de noções do oculto e paranormal, Jung contribuiu com duas novas noções na tentativa de estabelecer uma psicologia baseada em crenças pseudocientificas. Jung acreditava na astrologia, espiritismo, telepatia, telecinética, clarividência e PES.

A sua noção de sincronicidade é que existe um principio de causalidade que liga acontecimentos que teem um significado similar pela sua coincidencia no tempo em vez da sua sequencialidade. Afirmou haver uma sincronicidade entre a mente e o mundo fenomenológico da percepção. Sincronicidade é um principio explicatório; explica "coincidencias significativas" como uma borboleta entrar a voar num quarto quando o paciente descrevia um sonho com escaravelhos. O escaravelho é um simbolo do antigo Egipto que simboliza o renascer. Portanto, o momento do insecto voador indica que o significado transcendental de quer o escaravelho no sonho, quer a borboleta no quarto, era que o paciente necessitava ser libertado do seu excessivo racionalismo! Na verdade, o paciente precisava de ser libertado do seu terapeuta irracional!

Que evidencias existem para a sincronicidade? Nenhumas. A defesa de Jung é tão fraca que hesito em repeti-la. Afirma, por exemplo, "...fenómenos acausais devem existir... visto as estatisticas só serem possiveis se tambem existirem excepções" (1973, Letters, 2:426). E "... factos improváveis existem- senão não existiria média estatistica..." (ibid.: 2:374). E, o melhor de tudo, "a premissa da probabilidade postula simultaneamente a existencia do improvável" (ibid. : 2:540).

Mesmo se existe uma sincronicidade entre a mente e o mundo de tal modo que certas coincidências ressoam com verdades fundamentais, existe ainda o problema de perceber quais são essas verdades. Que guia podemos usar para determinar a correção de uma interpretação? Não existe nenhuma excepto a intuição. O mesmo guia levou Freud à sua interpretação dos sonhos. Do meu ponto de vista, a unica coisa que claramente revelam essas interpretações são os colossais egos dos homens que as fazem.

De acordo com Anthony Storr, Jung era um homem doente que se via a si mesmo como um profeta. Jung referiu-se à sua "doença criativa" (entre 1913-1917) como uma confrontação voluntária com o inconsciente. A sua visão era que todos os seus pacientes com mais de 35 anos sofriam de "perda de religião" e ele tinha com que encher as suas vidas vazias: o seu próprio sistema metafisico de arquétipos e a inconsciência colectiva. Em resumo, ele pensou poder substituir a religião com o seu próprio ego e assim trazendo sentido a todos cujas vidas eram vazias e sem significado. Mas a sua "visão" são ilusões e ficções. São inuteis para pessoas saudáveis. É uma metafisica para o ártico.

A sincronicidade fornece acesso aos arquétipos, que se localizam no inconsciente colectivo e caracterizam-se por serem predisposições mentais universais não baseadas na experiência. Como as Formas de Platão (eidos), os arquétipos não se originam no mundo dos sentidos, mas existem independentemente desse mundo e são conhecidos directamente pela mente. Ao contrário da teoria de Platão, contudo, Jung acreditava que os arquétipos surgiam espontaneamente na mente, especialmente em tempos de crise. Tal como há uma coincidência significativa entre a borboleta e o escaravelho que abre as portas para a verdade transcendental, tambem uma crise abre as portas do inconsciente colectivo e permite que os arquétipos revelem uma verdade profunda escondida da consciência ordinária. A mitologia, afirma, baseia as suas histórias nos arquétipos. A mitologia é um reservatório das profundas, escondidas verdades. Sonhos e crises psicológicas, febres e perturbações, encontros ao acaso ressoando com "coincidências significativas", tudo são caminhos para o inconsciente colectivo que está pronto a restaurar na psique individual a saude. Isto é a teoria.

Fontes:

* Gallo, Ernest. "Jung and the Paranormal," The Encyclopedia of the Paranormal editada por Gordon Stein (Buffalo, N.Y.: Prometheus Books, 1996).
* McGowan, Don. What is Wrong with Jung (Amherst, N.Y.: Prometheus Books, 1994).
* Storr, Anthony. Feet of Clay - saints, sinners, and madmen: a study of gurus (New York: The Free Press, 1996).

Heitor Abranches disse...

Já que vc quer apelar vou procurar na Enciclopédia Britânica...rsrs

Já que é para apelar vou para a física quântica que depois do princípio da incerteza permite em um alguns sistemas se violar relações de causalidade sobre a qual se alicerçam boa parte da nossa razão.

Heitor Abranches disse...

Onde termina a razão começa a poesia...


Coletânea de Poemas - RUMI

Vem,
Te direi em segredo
Aonde leva esta dança.

Vê como as partículas do ar
E os grãos de areia do deserto
Giram desnorteados.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.




Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.



Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode isto ser segredo para ti?

Finalmente, foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.




Não durmas,
senta com teus pares

A escuridão oculta a água da vida.
Não te apresses, vasculha o escuro.
Os viajantes noturnos estão plenos de luz;
não te afastes pois da companhia de teus pares.




Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.

A viagem conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.




Sofreste em excesso
por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.


Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.




Oh, dia, levanta! Os átomos dançam,
As almas, loucas de êxtase dançam.
A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança,
Ao ouvido te direi aonde a leva sua dança.



Ontem à noite, confidencialmente, eu disse a um velho sábio:
- Não me esconda nada dos segredos do mundo!
Muito docemente, ele me disse ao ouvido:
- Chut! Podemos compreender, mas não exprimir!




Quero fugir a cem léguas da razão,
Quero da presença do bem e do mal me liberar.
Detrás do véu existe tanta beleza: lá está meu ser.
Quero me enamorar de mim mesmo, ó vós que não sabeis!




Eu soube enfim que o amor está ligado a mim.
E eu agarro esta cabeleira de mil tranças.
Embora ontem à noite eu estivesse bêbado da taça,
Hoje, eu sou tal, que a taça se embebeda de mim.




Ele chegou... Chegou aquele que nunca partiu;
Esta água nunca faltou a este riacho
Ele é a substância do almíscar e nós o seu perfume,
Alguma vez se viu o almíscar separado de seu cheiro?




Se busco meu coração, o encontro em teu quintal,
Se busco minha alma, não a vejo a não ser nos cachos de teu cabelo.
Se bebo água, quando estou sedento
Vejo na água o reflexo do teu rosto.




Sou medido, ao medir teu amor.
Sou levado, ao levar teu amor.
Não posso comer de dia nem dormir de noite.
Para ser teu amigo
Tornei-me meu próprio inimigo.




Teu amor me tirou de mim.
De ti, preciso de ti
Noite e dia, eu queimo por ti.
De ti, preciso de ti.




Não posso dormir quando estou contigo
por causa de teu amor.
Não posso dormir quando estou sem ti
por causa de meu pranto e gemidos.
Passo as duas noites acordado
mas, que diferença entre uma e outra!




Não temos nada além do amor.
Não temos antes, princípio nem fim.
A alma grita e geme dentro de nós:
- Louco, é assim o amor.
Colhe-me, colhe-me, colhe-me!



À noite, pedi a um velho sábio
que me contasse todos os segredos do universo.
Ele murmurou lentamente em meu ouvido:
- Isto não se pode dizer, isto se aprende.




A fé da religião do Amor é diferente.
A embriaguez do vinho do Amor é diferente.
Tudo que aprendes na escola é diferente.
Tudo que aprendes do Amor é diferente.




- Vem ao jardim na primavera, disseste.
- Aqui estão todas as belezas, o vinho e a luz.
Que posso fazer com tudo isso sem ti?
E, se estás aqui, para que preciso disso? Jalaluddin Rumi
agradecimentos a M.Baird

Catellius disse...

Concordo com o Bocage.

Jung tinha um lado forte esotérico, e era chegado em uma pseudociência. Sincronicidade e Inconsciente Coletivo são piada de mau gosto. E não são sequer teorias. São disparates que apenas psicólogos e esotéricos levam a sério.

Grande Heitor,
A física e a mecânica quânticas não surgiram de inconscientes coletivos, sincronicidades, iluminações de sábios, revelações, orientalismos, teosofias e "busca pela Verdade". Vieram de observação, experimentação, indução, conhecimento acumulado, surgiram por meio do maldito método científico. E agora toda sorte de pirados vêem na física quântica a "prova" científica para seus esoterismos baratos ("Quem Somos Nós", "O Segredo" e quejandos). Mas continuam a classificar ciência e filosofia ocidentais como "cartesianas", quando as descobertas científicas e modelos propostos superam em muito a pobre imaginação de religiosos e místicos neolíticos; o comportamento da luz, os pulsares, glúons, os buracos de minhoca, a própria física quântica, a relatividade, etc., são provas disso. Muito disso pode ter surgido de "insights" e "iluminações", mas deve se sustentar, senão cairá por terra à medida que a ciência tiver condições de colocar as teorias à prova. É assim que funciona a ciência (conhecimento).
Não há como provar o Inconsciente Coletivo a não ser por meio de causos, de provas anedóticas, de forçação de barra. A sincronicidade é pior ainda.

Já li em algum lugar que pensar ter compreendido a física quântica significa não ter compreendido nada sobre ela, he he.

Abração

André disse...

Não gosto de Jung. Meu negócio é Freud.

Muita gente, que nem sabe quem foi Jung ou Freud, acredita em sincronicidade e em inconsciente coletivo. Parece reconfortante às vezes, sei lá.

O que sobrar da física quântica certamente ampliará muito nosso conhecimento do Universo. Mas ainda deve demorar.

O Princípio da Incerteza de Heisenberg faz parte da minha filosofia de vida, he, he.

“E agora toda sorte de pirados vêem na física quântica a "prova" científica para seus esoterismos baratos ("Quem Somos Nós", "O Segredo" e quejandos).”

Essa “onda” aí já encheu, Catelli. Esses filmes são fraquinhos demais, aliás.

E, já que estamos poéticos nessa
2ª feira:

Sonnet 60 – William Shakespeare

Like as the waves make towards the pebbled shore,

So do our minutes hasten to their end;

Each changing place with that which goes before,

In sequent toil all forwards do contend.

Nativity, once in the main of light,

Crawls to maturity, wherewith being crown’d,

Crooked eclipses ‘gainst his glory fight,

And Time that gave does now his gift confound.

Time does transfix the flurish set on youth,

And delves the parallels in beauty’s brow,

Feeds on the rarities of nature’s truth,

And nothing stands but for his scythe to mow.

And yet to times in hope my verse shall stand,

Praising thy worth, despite his cruel hand.

Assim como as ondas vão em direção à costa,

Nossos minutos também se apressam rumo a seu fim;

Cada um assumindo o lugar daquele que vai antes dele,

Em um trabalho árduo que tudo sustenta.

O nascimento, que uma vez foi um mar de luzes,

Se arrasta para a maturidade, onde é coroado,

Combatendo com seu brilho eclipses pérfidos,

E o Tempo, que deu, agora aniquila seus presentes.

Ele petrifica os floreios da juventude,

e desenha linhas paralelas na face da beleza,

Se alimenta das raridades da natureza verdadeira,

E nada resta que não seja abatido por sua foice.

Ainda assim por muito tempo meu verso permanecerá,

Elogiando seu valor, apesar de sua mão cruel.

Boa semana pra todo mundo!

Catellius disse...

É isso aí, André.
Uma pequena correção:

Escrevi: "Não há como provar o Inconsciente Coletivo a não ser por meio de causos, de provas anedóticas, de forçação de barra."

Eu quis dizer: Não há como provar o Inconsciente Coletivo; Jung e os que engoliram sua invenção estapafúrdia nos deram apenas "causos", evidências anedóticas, efeitos gaveta e esoterismo.

Catellius disse...

Boas poesias sufis, Heitor.

"Onde termina a razão começa a poesia..."

Não basta apenas "sentir" para se fazer boa poesia. Há que se dominar a forma, a língua, experimentar, observar, saber descartar e deixar o senso crítico ligado - este desenvolvido com a prática e uma biblioteca de boas poesias na memória. O poeta talvez não tenha plena consciência do processo criativo, mas o papel da razão é o maior de todos, sempre.

O mesmo pode ser dito para a intuição. Quando não vamos com a cara de determinada pessoa nos valemos de "pré-conceitos" e analisamos o modo de ela se vestir, de posicionar as mãos, se tem olhar firme, se é decidida, se seu sorriso é franco, se os olhos são grandes, se é simétrica, se a fala revela erudição mas com humildade, se a pessoa é presunçosa, etc. A razão processa tudo e nos diz que a pessoa é confiável. No entanto, os estelionatários - também ainda que inconscientemente -, sabem se valer desse "sexto sentido" dos parvos para enganá-los - e não são poucos os intuitivos enganados. Não raro os estelionatários são bem vestidos, decididos, francos, bem apessoados, ouvem mais do que falam, deixam o enganado crer que está no controle da situação, parecem pessoas honestas e humildes.

Poesia funciona como a pintura e a música. Uma pessoa com uma técnica excelente e que conheça muito do que já foi feito por outros artistas tem uma probabilidade infinitamente maior de expor com maestria as suas idéias, conflitos, sentimentos - que todos possuem, não apenas os artistas (até Descartes tinha sentimentos, he he). Para inovar precisa dominar o que já foi feito, e para passar o sentimento precisa dos meios que o estudo e a técnica lhe propiciarão. A forma na música de Mozart e Haydn, em letras de música árabe ou em poesias de trovadores, em pinturas de Verrocchio ou Picasso, é mais do que fundamental. A forma, quando perfeita, já propicia um prazer artístico (artesanal) único. Por exemplo, uma escultura idêntica ao modelo, versos alexandrinos com rima rica, pintura de cavalos com luz e sombra impecáveis, um romance bem estruturado, com começo meio e fim, etc.

Por outro lado, boas intenções de alguém "iluminado" ou com profundíssimas crises existenciais mas sem técnica e o mínimo de racionalidade produzem excrescências pueris, dignas da lixeira. Ninguém está dizendo que deve ser tudo produção racional e os sentimentos devem ficar de lado.

A frase "Onde termina a razão começa a poesia..." deveria ser "Onde termina a razão termina tudo que de superior o homem pode produzir, principalmente a arte".

Anônimo disse...

Poeta mediocre irracional, sem tecnica, gosta mesmo eh de sinestesia.

Eh som aspero, cheiro de cor, gosto de saudade, maciez do matiz, cheiro de mil decibeis.

Marcelo

Anônimo disse...

jogue mais umas perguntas abusrdas, aliteracoes, ecos, leve figuras de linguagem ao pe da letra, tipo 'o pe da letra tem chule' porque o chulo chule chama a chama crepitante que tanto tenta tentar. Da pra entender racionalmente o mecanismo usado pelos bons e pelos maus poetas.
Saudacoes
Otimo blog!

Marcelo

Anônimo disse...

Heitor Abranches:

'O que é agir? Segundo o Aurélio, a sua definição filosófica seria: "Processo que decorre da natureza ou da vontade de um ser, o agente, e de que resulta criação ou modificação da realidade." Boa definição, que considera como pré-requisito da ação a existência de vontade e como conseqüência a mudança da realidade. Neste sentido, existem muito poucas "ações", embora muitas sofram as conseqüências de ações alheias à sua vontade.'

Vc deturpou o significado. 'decorre da natureza ou da vontade de um ser'. A acao pode decorrer da natureza do ser sem que tenha havido uma vontade. Celenterados e poriferos agem sem vontade, seguindo a sua natureza. Todos homens agem ora de um jeito ora de outro.

Marcelo

André disse...

Uma amiga minha me mandou isso daqui:

Lúcia Hippólito

26/11/2007
A barbárie com requintes de crueldade

Entre as várias coisas chocantes neste episódio terrível acontecido no Pará, choca saber que o delegado que prendeu a menina numa cela com tantos homens é mulher, uma delegada.

Choca saber que o juiz que mandou a menina de volta para aquele pesadelo, mesmo depois que a menina contou todas as sevícias e torturas a que vinha sendo submetida, é mulher, uma juíza.

Choca saber que o secretário de Segurança do estado do Pará é uma mulher, a secretária.

Choca saber que o governador do estado do Pará é uma mulher, a governadora Ana Júlia Carepa.

Até hoje, a governadora apareceu na mídia depois que nomeou a cabeleireira e a maquiadora funcionárias de seu gabinete. Como o escândalo se tornou nacional, a governadora demitiu as recém-nomeadas.

Ah, a governadora também apareceu na mídia porque nomeou o namorado piloto oficial do gabinete da governadora.

Ana Júlia Carepa também se recusou a cumprir uma ordem da justiça, que determinou a reintegração de posse da ferrovia da Vale do Rio Doce, ocupada pelo MST.

Nesses dias, depois de insistentemente instada a se pronunciar no caso da barbárie com a menina de 15 anos, a governadora deu uma declaração. Disse, mais ou menos assim, que infelizmente, esses casos de mulheres presas em celas com homens existe mesmo no Pará.

Se já tinha conhecimento de outras barbáries como estas e não tomou providências para impedir que voltassem a acontecer, a governadora incorreu em crime.

Isto é mais do que suficiente para servir de base ao pedido de impeachment da governadora, por ter cometido crime de responsabilidade.

Com a palavra, a OAB do Pará, o Ministério Público do Pará e a Assembléia Legislativa do estado do Pará.

Catellius disse...

Enquanto isso, no Expressionista...

Mauro, disse:
November 28th, 2007 at 15:10
Janer e Catelhos,

Chávez parece seguir as vossas linhas de pensamento:

Presidente venezuelano atacou reitor da Universidade Católica e o arcebispo de Caracas.
Líder do país chamou religiosos de ‘meliantes’ e ‘retardados mentais’.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, insultou e ameaçou na sexta-feira à noite enviar para a prisão os principais religiosos do país, caso se envolvam em ações que desestabilizem seu governo, em mais uma polêmica de seu governo.

Este é o poder universal da Igreja Católica…

--//--

Janer Cristaldo, disse:
November 28th, 2007 at 17:14
Chávez se equivocou. Meliantes e retardados mentais são os padres que apóiam a guerrilha católica do MST no Brasil.

--//--

Catellius, disse:
November 28th, 2007 at 18:55
Ho ho ho!

Chávez é um católico convicto, fanático até, que credita a sua subida ao poder,e a saída por cima após a tentativa de golpe, ao escapulário de uns cem anos de idade que não tira do pescoço desde criança e que pertencia ao seu bisavô materno. Não faz nada antes de fazer um sinalzinho da cruz.

“Chávez parece seguir as vossas linhas de pensamento”

Como se todas as críticas à ICAR tivessem uma homogeneidade, como se todos os que criticam a ICAR por algum motivo, até circunstancial, fossem ateus; como se críticas ao PT feitas por Ahmadinejad significassem que há uma aliança entre Iranianos, Tucanos e Democratas, como se isso significasse que todos seguem a mesma “linha de pensamento”.

Segundo a lógica desse parvo, se Hitler critica Stalin todos os anticomunistas estão alinhados com o nazismo. Se stalinistas malvados são perseguidos e mortos por nazistas malvados, LOGO, segundo o estulto, tal “martírio” confere nobreza e verdade à ideologia comunista.

Estulto no úrtimo!!!!

--//--

Janer Cristaldo, disse:
November 28th, 2007 at 18:56
Católico é mala-sem-alça.

--//--

Catellius, disse:
November 28th, 2007 at 19:19
Sobre o escapulário, a informação está em texto do castrista Gabriel García Márquez:

“Chávez, católico convencido, atribuye sus hados benéficos al escapulario de más de cien años que lleva desde niño, heredado de un bisabuelo materno, el coronel Pedro Pérez Delgado, que es uno de sus héroes tutelares.”

Janer escreveu: “Chávez se equivocou. Meliantes e retardados mentais são os padres que apóiam a guerrilha católica do MST no Brasil.”

Falando em Fidel, veja o que o Frei Betto escreve sobre o “nobre” revolucionário, nas palavras de sua entrevistadora, uma tal Margarida Ribeiro:

“Sobre o livro, ‘Fidel e a religião’, é uma obra que nasceu de um trabalho que fez em Cuba, a convite do governo e dos bispos cubanos de reaproximação da Igreja com o Estado. E, em 1985, Fidel manifestou uma série de opiniões que lhe pareceram surpreendentes, por serem de um dirigente comunista.

Fidel viveu como aluno interno num colégio jesuíta, dos 8 aos 18 anos. Ele tem muito apreço pelo cristianismo e pela figura de Jesus. Foi o que surpreendeu Frei Betto. Motivado por esta razão, ele o desafiou a repetir isso numa entrevista, que acabou ficando muito mais longa do que esperava, e se produziu naquele livro, que já foi editado em mais de 20 países e idiomas.

O Fidel nunca diz que é ateu, declara Frei Betto. É uma pessoa que respeita profundamente as religiões. Nunca em Cuba, uma Igreja foi fechada, em mais de 40 anos da revolução. E nunca um padre foi fuzilado. E se alguns estiveram presos, não foi por razões religiosas. Foi porque eles se deixaram manipular pelo terrorismo do governo dos Estados Unidos que várias vezes tentou desestabilizar o regime cubano.”

O comunismo sem religião (na verdade ela foi apenas substituída) não pode mesmo dar certo, afinal ajuda muito dizer que Jesus também condenava os ricos exploradores, que é mais fácil um camelo passar por um buraco de agulha que um rico entrar no reino dos céus, dizer que Jesus só aceitava seguidores que tivessem abandonado todas suas propriedades, que os cristãos viviam em comunidades onde tudo era de todos e onde não se premiava o mérito individual, que o reino dos céus é dos pobres, etc. “POBRISMO” até o talo, para voltar um pouco para o tema do post, he he.

--//--

Catellius, disse:
November 28th, 2007 at 19:22
“não pode mesmo dar certo, afinal..” afinal o melhor é aliar-se a ela, pois as semelhanças são assombrosas!

--//--

Janer Cristaldo, disse:
November 28th, 2007 at 19:31
Do que se deduz ser óbvio que um cronista papista jamais chegaria ao conceito de pobrismo. Pobrista é a atitude dos católicos. Quando o conceito assume um viés pejorativo, fica claro que não saiu do bestunto de um carola.

--//--

Catellius, disse:
November 28th, 2007 at 19:33
Jezuis: “Aquele que se humilhar será exaltado” - hipocrisia básica. O objetivo mesmo é ser exaltado, he he.

Trecho de artigo de Voltaire Schilling:

“quem mais afastou a Igreja da sociedade cubana não foi a Revolução nacionalista de 1959 e sim a anterior presença americana. Quando os Estados Unidos ocuparam a ilha, depois da Guerra de 1898 contra a Espanha, entre 1898-1902, podaram a Igreja Católica de uma série de privilégios, apartando-a do Estado. Foram os americanos que instituíram o casamento civil obrigatório e que afastaram-na do controle dos cemitérios. Além disso estimularam a chegada de missionários protestantes para converter o máximo de gente possível.
(…)
na metade da década seguinte que as relações de Fidel com parte do clero latino-americano melhoraram. E a razão disso foi a emergência da teologia da libertação. Os jovens teólogos, o Padre Gutierrez e Frei Leonardo Boff, entre tantos outros, passaram a ver no regime cubano, envolto em pobreza e escassez de consumo, uma espécie de retorno aos sagrados princípios do cristianismo primitivo. O ápice dessa aproximação foi a longa entrevista que Fidel Castro concedeu a Frei Betto e que teve várias edições publicadas depois de 1985.”

--//--

Catellius, disse:
November 28th, 2007 at 19:49
Ora, nada mais natural que Heloísa Helena, Chávez e outros socialistas sejam católicos de carteirinha, de rosário na mão. Eles acham que o capitalismo é protestante, judeu, ianque, he he. Estes ficam muito preocupados com “mérito”, quando o que importa é a “caridade”. Só Jezuis tem mérito - os católicos acreditam -, tudo de bom que fazemos é mérito de Jezuis.

Segundo o catecismo, “O próprio mérito do homem cabe, aliás, a Deus pois suas boas ações procedem, em Cristo, das inspirações do auxilio do Espírito Santo.”

--//--

Janer Cristaldo, disse:
November 28th, 2007 at 21:12
Os católicos têm muita dificuldade em aceitar que de sua religião deriva o marxismo. A Rússia era um país católico quando se tornou marxista. A católica Itália tinha o Partido Comunista mais influente da Europa. A católica França teve o segundo Partido Comunista mais influente na Europa. A católica Espanha teve um Partido Comunista poderoso. Na Europa protestante e luterana os comunistas pouco apitaram.

André disse...

Que bobagem. A Igreja é uma força geopolítica. O Chavez resolveu se meter com ela, logo vai pagar o preço. Essas coisas acontecem por aí mais do q a gente imagina. Nem é uma questão religiosa (tirando o fato de a Igreja é uma religião, mas nesse caso são outros asprectos q contam).

Talvez Chavez seja mais um desses católicos por conveniência, talvez seja até um crente. Acho que ele tende mais para o católico pai-de-santo campesino do Amazonas, para uma forma mais primitiva de catolicismo, misturado a crenças locais.

Mas os padres que criticam a privatização da Vale na missa em Aparecida do Norte são realmente ridículos. E essa gent lá saberia explicar o q é privatização?

Frei Betto ficou mais ridículo depois q brigou com o PT, por causa do mensalão e do valerioduto. Pior do q ele só a mãe dele, aquela velha chata e burra metida a cozinheira. Andou cozinhando umas besteirinhas pro Fidel, por falar nisso.

Consta que Fidel foi fascinado por Hitler durante um bom tempo. Leu o Mein Kampf todinho. Shamil Basayev, guerrilheiro checheno islâmico, wahabbita, assassinado em 2006, gostava muito de Che Guevara, lia tudo sobre ele na juventude.

“Nunca em Cuba, uma Igreja foi fechada, em mais de 40 anos da revolução. E nunca um padre foi fuzilado.”

Igreja fechada jamais, pode até ser. Mas duvido q não tenham torturado e matado padres.

Bando de mariolas. Eu queria ver é esses esquerdistas latinos adotarem o comunismo eslavo, russo, barra-pesada. Que Igreja q nada, o Partido é a Igreja, fim de conversa. E os ortodoxos e outros bizantinos q se cuidassem. Esse é que era o comunismo lá da matriz... apesar de uma certa tolerância mais tarde com a Igreja Oriental, muitas igrejas foram fechadas e padres foram assassinados ou deportados. Eles caíram em cima da igreja, q só não desapareceu pq soube ficar bem quietinha. A Igreja Ortodoxa é uma sobrevivente em vários lugares. Passou muito mais sufoco do que a de Roma, pelo menos recentemente.

A ideologia do pobrismo, em suas várias vertentes, é uma chatice. Consegue ser pior do que parente ou “amigo da família” pão-duro que só dá presentinhos bem baratinhos no Natal — e ainda esquece de tirar a etiqueta com o preço da parte de baixo da caixa. É aí q a gente vê que o presente foi comprado numa farmácia da Rede da Economia. Sem comentários.

“Além disso estimularam a chegada de missionários protestantes para converter o máximo de gente possível.”

Imagino os pares católicos discutindo com os protestantes do Meio-Oeste sobre quem ia mandar nos cemitérios...

“Eles acham que o capitalismo é protestante, judeu, ianque, he he.”

São uns burros, pq o capitalismo pode se adaptar e conviver com quase tudo, mesmo q demore. Com o catolicismo, sem problemas. Se fosse um wahabbismo ou coisa mais esquisita, aí sim...

Janduí Alves disse...

Nunca li tanta indiotice de uma só vez. Com efeito, o ilustre autor do texto sobre o justo na bíblia parece não saber nada de bíblia, de teologia e história. É lamentável que pessoas sem nenhuma qualificação tentem tratar de temas tão belos, profundos e edificantes como o o proceder do homem justo. Aliás, o que é mais ridículo ainda é que o autor se fez juiz até de Deus. Um conselho: procure estudar história, sem preconceitos, e você compreenderá, meu caro autor, que não se deve julgar fatos e situações de dois mil anos atrás com critérios de hoje. Normalmente o bom historiador tenta respeitar os limites do tempo, do espaço e a mentalidade de uma época. Ademais, sugiro que procure aprofundar o estudo de teologia e revelação bíblica e você saberá que a revelação divina ocorreu de modo lento, progressivo e gradual. Vá estudar, rapaz! Só assim você terá capacidade para abordar temas como o que tentou abordar. O seu texto me deu enjoo, nojo. Vou cuspir, se não vai me fazer mal.

Renato, LG disse...

Não perdi meu tempo lendo tal besteira, que texto, besta chato e sem sentido, esse cara deveria estudar mais, para melhorar o desenvolvimento e os argumentos usados em seus textos, va lé livros de historia, aprendar a estudar a biblia de verdade.

Anônimo disse...

MEUS AMIGOS E LEITORES, PRESTEM ATENÇÃO AOS VERSICULOS DA BIBLIA DEIXADOS NESTE RELATO, POIS NAO CONICIDEM COM A VERDADE, PEÇO QUE CONFIREM OS VERSICULOS DEIXADOS COM OS QUE ESTAO EM SUA BIBLIA.

GRATO,
JUNIOR GALLO
CUIABA - MATO GROSSO.

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