06 novembro 2007

1º Aniversário do Pugnacitas

Perdoem-me por este "metapost", porque é uma brutal de uma falta de assunto postar sobre posts, blogs - principalmente sobre o próprio -, blogueiros, comentários e comentaristas. Talvez faça um novo balanço em 06/11/2008, desde que até lá as orações de alguns crentes não sejam atendidas e assim os membros deste blog sobrevivam à providência divina.

As discussões sobre religião começaram há bem mais de um ano, após eu ter aberto em minha caixa postal um e-mail de meu irmão contendo uma frase de Padre Pio de Pietrelcina - um embusteiro estigmatizado (vejam este esclarecedor vídeo) que passou desta para lugar nenhum em 1968 e que virou constelação por obra do canonizador serial João Paulo II - em que afirma que uma única Missa agrada mais a Deus do que todas boas ações realizadas por todos os justos do mundo em todos os tempos. A bizantina asserção, não menos absurda do que dizer que de todos os planetas cúbicos do Sistema Solar o mais cônico é o Sol, relaciona-se à crença em que cada Missa celebrada por qualquer padreco pedófilo é literalmente Jesus a sacrificar-se movido pelo mesmo amor infinito de 1974 anos atrás.

As discussões sobre política iniciaram-se com a última campanha presidencial. Eu e o Heitor pensamos então em criar um blog onde pudéssemos organizar os textos que enviávamos por e-mail e principalmente os comentários que se seguiam, sempre perdidos, desordenados.

Um numerólogo diria que escolhemos a data 06/11/2006 porque resulta no cabalístico número sete, que é o casamento do número espiritual, o três, com o número material, o quatro; um hagiólogo diria que escolhemos pelo dia onanístico, digo, onomástico do Beato Nuno Álvares Pereira, nobre guerreiro português que tinha na invicta lâmina de sua espada gravado o nome de Maria (alguns ainda têm por hábito tatuar, digo, gravar o nome da amada na espada...), e de cuja filha originou-se a Casa de Bragança, posta para correr do Brasil por ocasião da quartelada que fundou a Resnulius, digo, a República.

Nada disso! No nosso Gênesis não há o número sete e tampouco divinos condestáveis portugueses. Cheguei em meu escritório em uma segunda-feira que por acaso era seis de novembro, deambulei por alguns sites para não sofrer uma comoção, um choque por já ir assim de cara trabalhando na segunda de manhã, e me deparei com um texto de Reinaldo Azevedo intitulado "Sunga, decoro, Mann e Musil", em cujas linhas lemos que as praias são lugares indecorosos, que é degradante a intimidade de ver a própria esposa escovando os dentes e que "os homens só existem para que, ao fim da vida, possam honrar seus pais". Comentei em seu blog que a vulgaridade não reside no tamanho das peças de roupa, que o comunismo, enquanto parcialmente oculto pela cortina de ferro, causava suspiros por aqui - como a noiva sob um véu que em um episódio do cartoon Pica-pau subia ao altar com o Abutre para na hora do beijo se revelar uma mocréia repulsiva - e que apenas cegos com sinusite (ideológicos) dele continuam enamorados. Comentei ainda que achava um absurdo o homem existir para honrar os pais, porque se assim fosse ainda apedrejaríamos adúlteras e teríamos escravos, entre outras críticas. E não é que para minha surpresa ele (ou sua equipe) moderou minha mui sincera e inofensiva opinião? Acabei criando o Eneadáctilo naquele mesmo dia para publicar meus comentários vetados por asnos tão sensíveis quanto desonestos. E o Eneadáctilo acabou se tornando o blog que já planejávamos criar.

O Heitor opinou que "Eneadáctilo" (nove dedos) era "um pouco agressivo, além de ser uma homenagem a alguém que não merece". E foi aí que surgiu o Pugnacitas, "desejo de lutar" em latim. Para amenizar o significado, usamos como ícone uma pena, sugerindo que as lutas resultariam no máximo em brutais derramamentos de tinta virtual. E não foi diferente: Blogildo, Eleitor, Patrícia M e Luisete saíram amuados por causa de nosso jeito pouco amistoso de pelejar, principalmente por estarem de alguma forma presos a ideologias e por aqui elas serem severamente atacadas, Clarissa e Lord of Erewhon saíram decepcionados pelas acusações do diabrete O+cioso de que eram a mesma pessoa, acusações as quais acabamos também por comprar, Mostardinha sumiu da blogosfera, e por fim o próprio C. Mouro escafedeu-se batendo a poeira dos sapatos e sugerindo que fungássemos uns os traseiros dos outros. O sebastianismo gerado pela saída do Mouro só se aplacará após o advento de um outro cavaleiro misterioso e sanguinário como ele, o que é bastante improvável. De fato, o verdadeiro mestre manda os discípulos para aquele lugar quando julga não ter muito mais a ensinar. Ou quando o saco pesa. Ou quando está com problemas em casa e no trabalho pelo excesso de tempo gasto em blogs de fedelhos com a metade de sua idade.

A Simone abandonou o time há pouco tempo em virtude de excesso de trabalho e das demandas do mestrado. E o nobre André Balsalobre, que já comentava assiduamente no blog desde dezembro de 2006, é agora um dos membros, um dos bons, como diria nosso Dom Sebastião. Já convidei o Bocage mas ele prefere colar textos alheios em seu blog a escrever eventualmente um post por aqui :). Pelo jeito o tempo tem sido escasso para todos. Eu mesmo tenho postado pouco e pouco visitado outros blogs.

Quero agradecer a todos os visitantes e comentaristas pela alegria que nos têm dado, mesmo quando nos mandam para a PQP, quando nos metem apelidos, mesmo quando tampam os ouvidos e berram "lá lá lá lá" durante nossas argumentações. Obrigado Eduardo Silva, C. Mouro, David, Ricardo Rayol, Bocage, Roberto Eifler, Orlando Tambosi, Anselmo Heidrich, Marcos Ferrari, a_maggiore@hotmail.com,, Luisete, Blogildo, Patrícia, Clarissa, Lord e Klatuu, Helder Sanches, Pedro Couto, Mostardinha, Holy Father, Ed, Susy Tude, André Wernner, Sônia, Alex, CostaJr, Roça, Ielpo, Glênio Gangorra, O+dioso, Anônimos, Anonymous e outros dos quais não me recordo, pelo quê peço desculpas.

Vamos aos números.

O blog foi um sucesso até agora. Poucos posts mas muitos comentários, o que faz dele mais um fórum do que um blog. Foram 77 artigos; 47 do Heitor, 21 meus, 4 do André, 3 textos antigos cedidos pelo C. Mouro, 1 da Simone e 1 cedido pela Clarissa Septimus.

- Mais de 25000 visitas, aprox. 70/dia
- Mais de 15000 visitantes únicos, aprox. 40/dia
- Mais de 36000 exibições, aprox. 100/dia
- Dia com maior número de acessos: 1º de outubro, durante o post Divagação Erudita, e 24 de outubro, durante o post Oportunidades: 165 visitas.

- Países com maior número de visitantes: Brasil, Portugal e EUA

- Post arquivado mais acessado: Deuses e Pecados Capitais, aprox. 1700 vezes

- Total de comentários: 3885, aprox. 50/post e 10/dia
- Post mais comentado: A TV do Lula, com 176 comentários.

Se formatarmos o conteúdo da caixa de comentários do post A TV do Lula para Times New Roman tamanho 12 e projetarmos grosseiramente o resultado para o conjunto dos posts obteremos mais de 2000 páginas de textos. Apesar das repetições, links, artigos alheios colados, citações de outros comentários, etc., acho que seria possível extrair do Pugnacitas um bom e original livro escrito a trinta mãos. Parabéns a todos!

Um grande abraço!

57 comentários:

André disse...

Quem é o garoto? Alguém especial ou só uma foto de internet?

Parabéns, depois vamos combinar alguma coisa pra comemorar.

O Padre Pio tem a maior cara de bom velhinho. Bom velhinho malandro, deve ser. Sempre achei no mínimo esquisito aquela história dos estigmas, dos ferimentos, claro.

“uma única Missa agrada mais a Deus do que todas as boas ações realizadas por todos os homens do mundo em todos os tempos?”

Que exagero. Fico com as boas ações. Nem precisam ser todas, basta uma.

Na verdade, nenhuma profecia foi realizada.

“Um numerólogo diria...” E um astrólogo diria que Touro, com Netuno entrando na Casa de Plutão e com o Ascendente em Áries, hummm, tinha tudo pra dar certo.

“Casa de Bragança, posta para correr do Brasil por ocasião da quartelada que fundou a Resnulius, digo, a República”

Conheço gente que detesta essa quartelada. Prefiro, claro, a República de Deodoro, “Diodoro” da Fonseca, cabra macho, mas aqui há muita gente (muita em termos, não passam de uns gatos -pingados) que adora um Reizinho, uma monarquia, uma Restauração, o Brazil com Z, Brazil Imperial, gente que se baba de admiração por D. Pedro II (o I nem merece comentário, não passava de um incompetente, playboy, alcoólatra e espancador de mulheres). O II, nosso cabeça de toicinho, nem foi capaz de, intelectualmente, deixar memórias, que afinal teriam coberto várias décadas de nossa história. É louvado pelo amor à educação, que deixou em estado lastimável, e por alguns quilômetros de ferrovias num país de não sei quantos milhões de quilômetros quadrados. Tem gente que acha que essa época foi o auge e que ele foi nosso “maior estadista”.

"os homens só existem para que, ao fim da vida, possam honrar seus pais", que bobagem.

Pois é, quando entrei aqui em 12/2006 era Eneadáctilo.

O Mostardinha, Mister Mostarda, da Casa Real de Antonio Maria Patão Gomes Lemos de Algarve, sumiu. Mas ele só entrava aqui pra falar a mesma coisa, sempre: “Bravo! As ideologias devem ser vigiadas de perto, não podemos confiar nos políticos, jamais, blá, blá, blá... Até pra chamar alguém de idiota ele começava com um “bravo”. Uma vez eu disse que ele estava viajando na maionese d’além-mar e ele ficou bravinho.

“O sebastianismo gerado pela saída do Mouro só se extinguirá quando surgir um outro cavaleiro sanguinário como ele, o que acho realmente difícil.”

A gente precisa de um Dark Rider, de um Black Knight.

Hoje, com o tempo escasso, me limito a esse site aqui e a conversar com o Anselmo Heidrich e, de vez em quando, com o Eifler. Queria ter mais tempo.

O meu Oportunidades teve tudo isso de visitas? Não é meu predileto, mas q bom...

Pena que lancei A Origem do Nosso Presente Autoritário como comment. Deveria ter feito o q vc me disse depois: ter enviado pra vc postar.

Deuses e Pecados Capitais era o q tinha as imagens mais legais.

“Se formatarmos o conteúdo da caixa de comentários do post A TV do Lula...”

Fiz isso aqui, Times em 12, deram 111 pgs.

Mas não entendi: “e projetarmos grosseiramente o resultado para o conjunto dos posts obteremos mais de 2000 páginas de textos.”

Mais de 2000 tudo, o blog inteiro, certo?

P. ex., só pra vc ter uma idéia, a Stratfor, que por natureza é um site movimentado, lança 2 a 5 análises por dia. Acesso aquilo desde 2004 (antes disso, só esporadicamente) mais ou menos, e tenho aqui quase 4000 páginas (fonte 12) de material. E apenas 50 Mb de mapas e fotos.

Claro que aí vc tem que incluir umas 100 a 150 análises de 1996 (fundação) até 2004, que eu catei lenta e pacientemente dos arquivos deles.

Helder Sanches disse...

Catellius (e todos os demais),

Muitos parabéns pelo aniversário. É sempre bom saber da permanência e persistência de blogs interessantes em português. Desejo - e espero - que vocês continuem contribuindo para estimular o pensamento critico neste nosso idioma.

Tenho 1 sugestão e pedido a fazer, agora que se inicia o vosso 2º ano de vida.

Primeiro, sugiro que passem a plataforma para algo diferente do blogger, algo que vos permita um maior controlo do bastidores do blog.

Depois, considero indispensável que os blogs hoje tenham um serviço de RSS disponível. Repare, são tantos os blogs que eu gosto de visitar num base regular que, às vezes, perco artigos importantes em alguns deles. Através do RSS, recebo os artigos no meu programa cliente e vou estando sempre actualizado. Não contribui para as contagens de visitantes mas é capaz de fazer mais pela imagem do blog em si.

Chega de papo. Um grande abraço e felicidades para os próximos anos de vida.

Orlando Tambosi disse...

Catellius,

parabéns pelo primeiro aninho de ataques às ideologias. Muitas polêmicas ainda virão...

Quanto ao C. Mouro, onde andará?

Nunca mais apareceu também lá no meu blog.

Abraço

ielpo disse...

Grande Catellius!

Parabéns a você e a todos que contribuem continuamente com este excelente espaço.

Só quem não gosta de polêmica é quem não tem a mente aberta. Por que não esvaziar algumas "lixeiras" neuronais de vez em quando e encher o espaço com novas idéias?

Evolução é, acima de tudo, renovação. Contestação e pensamento crítico são gêmeos xipófagos.

Grande abraço! E vida longa ao blog e às cabeças pensantes por trás dele!

PS: (Não resisti...) "os homens só existem para que, ao fim da vida, possam honrar seus pais"... que coisa medíocre, obtusa... um dia ainda vou escrever alguma coisa a este respeito. E quem quiser me apontar o dedo, que venha viver minha vida pra ver se aguenta o tranco!

Ricardo Rayol disse...

Meus amigos, já que estamos em um momento intimista, vocês não eu é claro, deixe-me tecer algusn comentários. Vim para aqui não sei por que obra do acaso. gostei de cara pelo jeito aferrado com que se pegam em peleias, apesar que no que tange religião estou com o heitor Caolho e não abro. Obviamente que os textos sobre religião são chatos pra caralho ehehehe mas valem mais que um livro, cultura pura. O lado político de vocês é instigante, gostaria muito de ter esses insights que tem. Enfim, vida loonga a voces e que a numerologia seja apenas uma forma de tranferir recursos dos cofres desavisados para os bolsos esotéricos oportunistas.

Ricardo Rayol disse...

questão de ordem nobres colegas, nem todo post religioso é chato alguns são bem interessantes do ponto de vista crítico.

André disse...

Obrigado Rayol, vc também escreve e divulga coisas muito interessantes nos seus blogs.

Um pouco de história do Paquistão:

http://execoutcomes.wordpress.com/2007/11/06/asia-the-pakistani-army/

Heitor Abranches disse...

Amigos,

Este blog foi uma das boas ideias do Catellius.

Acho tbm que e nossa obrigacao, nos a zelite odiosa que nao e analfabeta funcional e que ainda nao foi cooptada pela clietelismo, a corrupcao e a vocacao totalitaria do partido...propor reflexoes e fazer ataques, mesmo que meramente simbolicos contra aqueles que no poder tem a sua sombra despertada e revelada.

Heitor Abranches disse...

falando em analfabetos funcionais....temos os piores, os doutrinados.

MST utiliza novo método de alfabetização cubano entre militantes
(1'46'' / 418 Kb) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deu início, nesta segunda-feira (05), em Alagoas, a aplicação de um novo método de alfabetização de jovens e adultos intitulado “Sim, eu posso”. O modelo de ensino é cubano e será aplicado para acabar com o analfabetismo entre assentados e acampados. Participarão do projeto 120 educadores do campo, um profissional de Cuba, além de técnicos da Secretaria de Educação do Estado, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), MST e demais organizações parceiras.

O método cubano inicialmente será adotado com um total de 10 mil famílias do MST, mas há a intenção de expandi-lo para combater o analfabetismo em todo o estado de Alagoas.

O “Sim, eu posso” é aplicado através de vídeo, com o auxilio de monitores, que ensinam a ler e escrever em 35 dias. No entanto, a integrante da direção nacional do MST, Débora Nunes, explica que a técnica destina-se apenas a primeira etapa do processo de escolarização.

“O que nós estamos propondo é utilizar o método “Sim , eu posso” no sentido de massificar a alfabetização de modo que as pessoas se apropriem do instrumento da leitura e da escrita e que depois disso haja um processo de continuidade, que aí vem com a escolarização continuando com a busca de parcerias com políticas públicas, programas e órgãos governamentais, e além disso, o outro processo fundamental que é o de formação política”.

O projeto de capacitação conta com apoio do governo do Estado e será realizado no Centro de Formação do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada (Cepa).

De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.

Heitor Abranches disse...

falando nos canalhas que querem extinguir o Senado para enfraquecer o Legislativo e a democracia liberal alem de propor uma Constituinte a la Chavez segue noticia tirada do site do PT:



Maioria dos internautas quer a extinção do Senado Federal
Para o aperfeiçoamento da democracia brasileira, o Senado Federal deveria ser extinto. Essa é a opinião da maioria dos internautas que participou da enquete feita pelo Portal do PT sobre o futuro dessa Casa Legislativa, tema que vem sendo bastante debatido nos últimos meses.

A enquete, que não tem caráter científico, ficou no ar sete dias (de 30 de outubro a 6 de novembro) e recebeu 1.858 votos. Destes, 1016 (54,7%) foram favoráveis à extinção dos Senado.

Outros 39% optaram por soluções menos radicais. Para 427 internautas (23%) a redução dos mandatos para quatro anos e o fim das suplências resolveriam os problemas da instituição, enquanto 297 (16%) acreditam que o Senado melhoraria se perdesse seu caráter de câmara revisora e se limitasse a legislar sobre questões federativas.

Por fim, 118 (6,4%) afirmaram que o Senado deve permanecer como é hoje.

Já está no ar a nova pesquisa do Portal do PT, sobre a convocação da Constituinte exclusiva para fazer a reforma política. Para votar

Heitor Abranches disse...

A opcao numero 1 da reforma politica e convocacao de um plebiscito para chama-la, ca entre nos, com direito a showzinho do MST e da CUT...Depois com o Congresso na pressao e os deputados no cabestro e so enfiar o terceiro mandato na guela dos otarios.

Saramar disse...

Minhas reverências!
O blog é muito bom mesmo.

beijos

Heitor Abranches disse...

In Search of Hugo Chávez
Michael Shifter
From Foreign Affairs, May/June 2006







Summary: The debate over Hugo Chávez has been dominated by opposing caricatures -- a polarization that has thwarted a sound policy response. The Venezuelan president has an autocratic streak, no viable development model, and unsettling oil-funded aspirations to hemispheric leadership. But Washington and its allies should "confront" him indirectly: by proving they have better ideas.

MICHAEL SHIFTER is Vice President for Policy at the Inter-American Dialogue and Adjunct Professor of Latin American Studies at Georgetown University's School of Foreign Service.






Topics:
The Americas


Left Hook
By Mark Weisbrot
Foreign Affairs, July/August 2006

Growing Apart: Oil, Politics, and Economic Change in Indonesia and Nigeria
Peter M. Lewis. University of Michigan Press, 2007.

Medicine and the Market: Equity Versus Choice
Daniel Callahan, Angela A. Wasunna. John Hopkins University Press, 2006.

Five Day in August: How World War II Became a Nuclear War
Michael D Gordin. Princeton University Press, 2007.

The History of Terrorism: From Antiquity to al Qaeda
Gerard Chaliand, Arnaud Blin. University of California Press, 2007.

Denial of Sanctuary: Understanding Terrorist Safe Havens
Michael A. Innes. Praeger Security International, 2007.


BRIDGE OVER TROUBLED WATER

Almost as soon as a collapsing bridge forced the government of President Hugo Chávez Frías to shut down the only highway linking Venezuela's main airport and capital city in January, the recriminations began. Chávez's opponents accused him of wasting the country's oil bonanza on politically driven projects abroad while neglecting infrastructure at home. His supporters, in turn, charged the traditional elite that governed before him with squandering resources and ignoring fundamental needs for decades. In fact, both sets of charges were nearly identical. And both were right. Venezuela's leaders, Chávez as well as his predecessors, have long been guilty of misplaced priorities. As with so many things today in Latin America's most politically polarized society, they all share the responsibility for failing to maintain what is arguably the most important stretch of road in Venezuela.

Just before Chávez took office in February 1999, Gabriel García Márquez accompanied him on a flight to Caracas from Havana, Cuba, where the Venezuelan president-elect had visited with Fidel Castro. "I was overwhelmed by the feeling that I had just been traveling and chatting pleasantly with two opposing men," the Colombian Nobel laureate later wrote. "One to whom the caprices of fate had given an opportunity to save his country. The other, an illusionist, who could pass into the history books as just another despot." Seven years later, these "two opposing men" live on in the minds of Chávez's supporters and opponents.

To his most ardent backers in Venezuela and among the international left, Chávez is a hero driven by humanitarian impulses to redress social injustice and inequality -- problems long neglected by a traditional political class intent on protecting its own position while denying the masses their rightful share of wealth and meaningful political participation. He is bravely fighting for Latin American solidarity and standing up to the overbearing United States. With charisma and oil dollars, he is seizing an opportunity to correct the power and wealth imbalances that have long defined Venezuelan and hemispheric affairs.

To his opponents -- the embattled domestic opposition and many in Washington -- Chávez is a power-hungry dictator who disregards the rule of law and the democratic process. He is on a catastrophic course of extending state control over the economy, militarizing politics, eliminating dissent, cozying up to rogue regimes, and carrying out wrong-headed social programs that will set Venezuela back. He is an authoritarian whose vision and policies have no redeeming qualities and a formidable menace to his own people, his Latin American neighbors, and U.S. interests.

These caricatures have defined the poles of a debate that has obscured the reality of the Chávez phenomenon -- and thwarted the development of a sound response to him. Chávez's appeal cannot be explained without acknowledging the deep dissatisfaction with the existing political and economic order felt by much of the population in Venezuela and throughout much of the rest of Latin America, the world's most unequal region. Chávez's claims that he could remedy Venezuelans' legitimate grievances won him the support of many in the region.

But Chávez's policy ideas are mostly dubious. (Despite the record oil profits that are funding social spending, his initiatives have yielded only very modest gains.) His autocratic and megalomaniacal tendencies have undermined governance and the democratic process in Venezuela. Still, his seductive political project has offered a measure of hope to many, and his critics have proved chronically inept: every effort to challenge him, both domestically and internationally, has failed, and usually ended up making him stronger in the process. Chávez's opponents in Venezuela and abroad have spent much time and effort condemning the model he claims to represent, but far too little time and effort putting forward a model of their own. Until they do, Chávez will likely continue to have the upper hand.

ALÓ, PRESIDENTE

Venezuela was ripe for major change when Chávez was elected president in 1998. For 40 years, an alliance of two parties -- Democratic Action and the Christian Democratic Party -- had dominated the political order. By the 1970s, both were rightly considered guilty of chronic corruption and mismanagement; the exclusionary political system they managed was wholly divorced from the central concerns of most Venezuelans. The fact of ample oil wealth (Venezuela is the world's fifth-largest producer) only deepened the population's rage.

During the 1980s and 1990s, no South American country deteriorated more than Venezuela; its GDP fell some 40 percent. In February 1992, with unrest already widespread, Chávez, a lieutenant colonel and former paratrooper, led a military coup against the government. Although the coup failed and Chávez spent the next two years in prison, his bold defiance catapulted him onto the national political stage and launched his career.

Heitor Abranches disse...

When Chávez entered politics six years later, his combative style and straight-talking populist charisma served him well in a country marked by pervasive discontent. His fierce indictment of the old political order -- and his promise of a "revolution" in honor of South America's liberator, Simon Bolívar -- held wide appeal among poor Venezuelans. Unlike the "out of touch" politicians, Chávez projected a sincere concern for those living in poverty. In Venezuela, that meant three-quarters of the population.

Chávez's political project has been an eclectic blend of populism, nationalism, militarism, and, most recently, socialism, combined with a "Bolivarian" emphasis on South American unity. Chávez sees himself as the embodiment of the popular will. "Participatory democracy," focused on empowering and mobilizing Venezuelans, is the essence of Chavismo. Taking advantage of his communication skills, Chávez, a consummate showman, speaks directly to the Venezuelan public through his Sunday television program, Aló Presidente, thereby cementing his bond with the masses.

Behind democratic trappings and a fig leaf of legitimacy, Chávez has concentrated power to an astonishing degree. Although he benefited considerably from the complete collapse of the old order, he has also proved to be an astute and skilled politician, despite being frequently dismissed as a mere buffoon. He has constructed his edifice of power through a succession of elections, including a 1999 referendum for a new constitution. That new "Bolivarian" constitution allowed consecutive reelection for the president and set up an electoral council that is a fourth branch of government.

The contours of Chávez's "illiberal" regime have become increasingly better defined over the past seven years. Virtually all key decisions are in the hands of the president. The rule of law is at best peripheral. The Electoral Council and the National Assembly have become mere appendages of the executive. In May 2004, Chávez took advantage of majority support in the National Assembly to have a measure passed that increased the number of Supreme Court justices from 20 to 32, thus allowing him to pack the court with handpicked political loyalists.

To be sure, dissent is permitted, and the largely privately owned media still frequently criticize Chávez. But instruments have been put in place to clamp down, if deemed necessary, on critical voices. According to the criminal code, it is now an offense to show disrespect for the president and other government authorities, punishable by up to 20 months in jail. A December 2004 Social Responsibility Law comes close to censorship by imposing "administrative restrictions" on radio and television broadcasts. The measure has been strongly condemned by various groups, including the Inter-American Commission on Human Rights, a body of the Organization of American States (OAS). By raising the disturbing possibility of arbitrary enforcement, such restrictions have had a chilling effect on the press. There is also credible anecdotal evidence of the existence of lists of individuals' votes that have been used to deny Chávez's opponents jobs and services.

To rule, Chávez depends chiefly on the military, the institution he knows best and trusts most. Thanks to a specially tailored law, Chávez remains an active military officer, and more than one-third of the country's regional governments are in the hands of soldiers directly linked to Chávez. As the editor of the daily Tal Cual, Teodoro Petkoff, has noted, "For all practical purposes, this is a government of the armed forces." Moreover, the government has been organizing private unarmed militias and developing plans to mobilize up to two million reservists in the name of national defense. Citizen power, as reflected in such groups as government-sponsored neighborhood "Bolivarian Circles," helps undergird the regime (and represents the fifth branch of government, according to the 1999 constitution). Chávez has shown little desire to build a coherent party, relying instead on the heterogeneous political grouping he calls the Fifth Republic Movement.

Chávez's strategies have been particularly effective in the face of an opposition that has been consistently inept and is now weaker than ever. It has used various tactics -- a coup, a national strike, and a recall referendum -- in a quest to unseat Chávez but has never had a viable strategy, an alternative program, or effective leadership. In April 2002, a failed coup not only raised questions about the democratic credentials of the opposition; it also gave Chávez the perfect pretext to take full control of the armed forces, purging any dissidents. The strike at the end of 2002 enabled Chávez to establish control over the state oil company, Petróleos de Venezuela (PDVSA). And the August 2004 recall referendum ended up enhancing his legitimacy when he won. Last December, the opposition's decision to boycott elections for the National Assembly left Chávez's coalition with control of all 167 seats. Looking ahead to the December 2006 presidential vote, it is hard to see how the opposition could regroup to mount a serious challenge. Although polls vary, they suggest Chávez is in a very strong political position, with popular support hovering around 50 percent, placing him far ahead of his closest challenger.

Chávez is frequently compared to Castro and Libya's Muammar al-Qaddafi, as well as to Bolívar. The more apt historical precedent is Argentina's Juan Perón. Perón, too, was a military figure who attempted a coup and used his considerable oratorical skills to attack the political establishment and make rousing appeals to the downtrodden. Even Chávez's audacious decision to provide discounted home heating oil to poor families in the United States through the Venezuela subsidiary CITGO echoes the actions of the mythic Argentine first lady who supplied clothes for 600 needy American children in 1949. "Shrewd Evita Perón knew a good chance when she saw one," Time magazine noted, and the same is true of Chávez. And like Juan Perón, whose Peronism dominates Argentina to this day, Chávez is likely to succeed in building a social and political force -- Chavismo -- that will endure for some time.

BROKEN RECORD

The opposition's lack of success stems from its past unwillingness even to recognize -- let alone devise solutions to -- the deep social problems that Chávez has identified. Chávez's government, meanwhile, has undertaken important social programs and launched workers' cooperatives in urban slums. Plans are under way to set up "social production companies" that would extend the state sector and seek to distribute earnings among workers and community projects. Venezuela's oil wealth has made massive expenditures possible -- an estimated $20 billion in the past three years alone on programs to provide food, education, and medical care to underserved populations -- which have undeniably had some effect.

Heitor Abranches disse...

Available data of these measures' effect are mixed and not altogether reliable. According to the Venezuelan government's National Institute of Statistics, poverty rose from 43 to 54 percent during Chávez's first four years in office. The government blames this increase on the opposition's strikes and other efforts to destabilize the economy. A 2005 report of the UN Economic Commission for Latin America and the Caribbean notes that poverty has started to decline in Venezuela, as the economy has registered impressive growth, fueled by consumption, in the past two years (18 percent in 2004, 9 percent in 2005). The government has also just changed its methodology for measuring poverty to reflect improvements in nonincome criteria such as access to health services and education, which, it argued, were not reflected in past figures. The dozen or so community-based misiones, a Chávez innovation, have resulted in better basic services in poor communities. Literacy programs have been afforded high priority and have made some progress.

Regardless of whether the conditions of Venezuela's poor have marginally improved or marginally worsened under Chávez, his "Bolivarian Revolution" is hardly a sustainable model for Venezuela's or the region's predicament. Its approach is fundamentally clientelistic, perpetuating dependence on state patronage rather than promoting broad-based development. Random land-reform measures and occasional confiscations of private property have had less of an economic than a political and symbolic rationale. Crime, a dominant concern for Venezuelans, has gotten worse.

The Chávez government's actual performance is all the more disappointing given the spectacular rise in oil prices. Although Chávez's support cannot be attributed solely to the price of oil -- which was at only $12 a barrel when he was first elected -- the increase to over $60 a barrel has given him an opportunity to spend the windfall on building a stronger and more diverse economic base. Ironically, this dependence on a single commodity is in striking continuity with previous governments -- yet another example of Venezuela's "oil curse" undermining sustainable policy.

Chávez regards Venezuela's state-owned enterprise PDVSA as the foundation of his grandiose political project. Although often criticized for not investing sufficiently in research and development, Chávez has been astute in dealing with private foreign investors. He has sought more favorable terms (such as higher taxes and royalties), confident that most companies would accede, however grudgingly. So far, with the exception of ExxonMobil on some contracts, he has been right.

WORLD ON A STRING

From the outset, it has been clear that Venezuela, with a population of 26 million, is too small a stage for Chávez's ambitions. Chávez has taken full advantage of a confluence of favorable factors -- lots of money, Latin America's political disarray, U.S. disengagement from the region, widespread hostility to the Bush administration -- to construct alliances throughout the Western Hemisphere and beyond. He has skillfully managed to establish himself as a global and regional leader, using oil money and brash anti-Americanism to attempt to construct a counterweight to U.S. power.

Chávez's close friendship with Castro has been integral to this project. In exchange for Cuban teachers and doctors, Chávez furnishes the financially strapped island some 90,000 barrels of oil a day. Castro probably also provides Chávez with strategic advice, along with some military support and intelligence. More and more, Cuba and Venezuela are important referents for each other. When Venezuelans mention "the embassy," they now mean the Cuban, not the U.S., embassy in Caracas.

Chávez's aggressive oil diplomacy has also enhanced his influence. Last year, he inaugurated Petrocaribe, under which Venezuela will provide 198,000 barrels of oil a day to 13 Caribbean nations with "soft" financing for up to 40 percent of the bill. Chávez has also given high priority to the countries of the continent's southern cone, especially Argentina and Brazil, which are central to his plan to launch Petrosur, another regional energy initiative that he has pledged to largely bankroll. He has bought $2.8 billion in Argentine bonds and $25 million in Ecuadorian bonds and has substantially underwritten Telesur, a Latin American alternative to CNN.

At the Summit of the Americas in Mar del Plata, Argentina, in November 2005, Chávez joined with the summit's host, President Néstor Kirchner, and leaders from the other members of the Mercosur trading group (Brazil, Paraguay, and Uruguay) to block the U.S.-led proposal to restart talks on the Free Trade Area of the Americas (FTAA). In its place, Chávez put forth the vaguely defined Bolivarian Alternative for the Americas. Chávez has also taken steps toward making Venezuela a member of Mercosur, with the aim of boosting the trading bloc's political role in hemispheric relations.

Of course, it is easy to overstate this influence. Most Latin American governments are hardly marching in lockstep with the Venezuelan president and are resisting joining a hostile, anti-U.S. bloc. As Chávez was vowing to "bury" the FTAA, Bush was traveling to Brasilia to meet with Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva, who struck a more accommodating posture on hemispheric free trade. In the recent race for the presidency of the Inter-American Development Bank, even beneficiaries of Petrocaribe refused to back Chávez's candidate, who ended up withdrawing.

Heitor Abranches disse...

Chávez's supporters and opponents have both attributed to him considerable responsibility for the resurgence of Latin America's left -- most recently with the election of Evo Morales in Bolivia. There is no question about the affinity and mutual admiration among Morales, Chávez, and Castro; there are already signs of cooperation among them on social and economic issues. Although no hard evidence has yet come to light, critics often charge that Chávez has helped fund the rise of like-minded political figures, such as Morales. It is scarcely a secret that particular groups throughout the region -- and presidential candidates in Ecuador (Rafael Correa), Nicaragua (Daniel Ortega), and Peru (Ollanta Humala) -- regard Chávez with sympathy.

But even as Chávez can help shape a regional environment favorable to such populist politicians, it is inaccurate to blame the rise of left-wing candidates on his influence or his scheming. Those figures are products of particular circumstances, and they would be contenders without Chávez. Chávez's shrewd use of resources, calls for social justice, and fierce attacks on an unpopular U.S. administration have had such resonance in Latin America precisely because leaders such as Morales are responding to many of the same frustrations that gave rise to Chávez in Venezuela. Chávez's adherents include not only remnants of the region's unreconstructed left, but also many who are simply frustrated by failed economic and political models and are searching for answers. Accordingly, many Latin American leaders, such as Lula and Kirchner, indulge him and accept his attractive economic deals without really endorsing his agenda.

Even the conservative Colombian president, Álvaro Uribe -- Washington's staunchest South American ally -- has hardly had an unambiguously hostile relationship with Chávez. To be sure, Uribe has charged the Chávez government with failing to cooperate in pursuing Colombian insurgent groups, who use Venezuelan territory as a sanctuary, and Venezuela's initial neutrality in the Colombian armed conflict heightened suspicions about where Chávez's sympathies actually lie. But such strains predate Chávez, and the economic value of the Colombian-Venezuelan relationship ($3 billion in annual trade) has encouraged Chávez and Uribe to keep their distrust in check and deal with each other pragmatically. A confrontation, both leaders realize, is in neither country's interest. In early 2005, when the capture of the Colombian rebel leader Rodrigo Granda on Venezuela soil threatened to escalate into a full-blown crisis, Uribe called on Chávez's friend Castro to intervene and defuse tensions.

The recent politics of the OAS are a telling illustration of Chávez's true place in the region. As Washington has been trying to put more teeth in the existing Inter-American Democratic Charter, in an effort to sanction what it sees as Chávez's undemocratic actions, the Venezuelan government has been insisting that a new social charter emphasizing particular tenets associated with the Bolivarian Revolution should be adopted. While the U.S. and Venezuelan representatives have been at loggerheads, most OAS members side with neither. They do not see Chávez as a model, but they also harbor a deep dislike for the Bush administration. The U.S.-Venezuelan rift ends up being a diversion that thwarts cooperation on more urgent issues.

The primacy of petroleum has also given Chávez leverage beyond Latin America. He defended his visits with Saddam Hussein and Qaddafi on grounds of Venezuela's membership in OPEC. He has also worked to forge stronger ties with key countries such as India and China, in keeping with his declared intention to eventually direct Venezuelan oil away from its current principal market -- the United States. He has vowed to build a pipeline through Panama for trans-Pacific shipments, and PDVSA opened an office in Beijing last year.

Chávez has also used oil money to buy weapons, which he justifies by invoking the threat of a U.S. invasion. He has purchased combat helicopters and 100,000 AK-47s from Russia and has struck a deal with Spain for some $2 billion in military equipment. Although it is uncertain whether the deals that have been announced will actually materialize (Washington has tried to block arms purchases from Spain and Brazil), it is clear that such moves are part of Chávez's mission to increase his own power vis-à-vis the world's only superpower.

The most worrying manifestation of that mission has been Chávez's solidarity with President Mahmoud Ahmadinejad's Iran. Venezuela's was one of only three no votes -- the others came from Cuba and Syria -- when the 35-nation board of the International Atomic Energy Agency voted to refer Iran's nuclear energy case to the UN Security Council in February. Chávez has defended Iran's right to develop nuclear energy and has declared that Iran and Venezuela are like "brothers who fight for a just world." The two countries are negotiating a variety of trade and economic agreements. Chávez, too, has talked about pursuing a nuclear energy program and has sought assistance from Argentina and Brazil to explore that possibility. An emerging alliance with Iran and the development of a nuclear program would raise the stakes in Washington's relations with Chávez.

CRUDE AWAKENING

Chávez's defiance of Washington has been a defining characteristic of his regime from the outset. His unrelenting critique of Venezuela's old order -- which he refers to as "the rancid oligarchy" -- has often focused on the support it received from U.S. administrations over the decades; he sees the U.S. government and the Venezuelan opposition as indistinguishable. His speeches are peppered with virulent anti-U.S. rhetoric, charging Washington with imperialist designs and systematic exploitation of the poor.

Unfortunately, the dominant attitude toward Chávez in Washington also seems stuck in a different era -- it represents a mindset reminiscent of the Cold War, when Latin America became a fierce battleground between the United States and the Soviet Union. Ever since Chávez came to power, Washington has been at a loss as to how to deal with him. Its messages -- sometimes conciliatory, sometimes confrontational, usually contradictory -- have been largely reactive and show little in the way of strategic thinking. The initial approach was to focus less on what Chávez said than on what he did. But by leaving his inflammatory, often antidemocratic rhetoric unanswered, the United States missed an opportunity to make clear that it rejected what Chávez was espousing. After September 11, this hands-off approach became untenable. When Chávez publicly compared the U.S. military campaign in Afghanistan to the unprovoked attacks on U.S. soil, the Bush administration, obviously incensed, struck back.

Heitor Abranches disse...

A turning point in the increasingly troubled U.S.-Venezuelan relationship came when the Bush administration endorsed the military coup against Chávez in April 2002. Although precisely what happened at the time remains unclear, Washington's rush to express approval for such a blatantly unconstitutional act undermined U.S. credibility on the democracy issue. It also distanced the Bush administration from many Latin American allies who rightfully expressed concern about Chávez's ouster (which proved temporary). Although Washington later shifted its position and Secretary of State Colin Powell made a pro-democracy speech at the OAS shortly thereafter, the damage had been done.

Since then, Chávez has invoked the incident to make his case that the United States is determined to bring about "regime change" in Venezuela. That argument has been made with even greater conviction -- and, for many Latin Americans, with no small measure of plausibility -- following the U.S. invasion of Iraq. Chávez has predictably taken advantage of the hugely unpopular war to pound away even more at the Bush administration.

What has particularly alarmed U.S. officials is Chávez's alliance with Castro, Washington's nemesis for nearly half a century. With his resources, Chávez has succeeded in giving new life to the vision many considered long buried: to export "revolution" (in this case, Bolivarian Revolution) throughout Latin America. In a July 2005 speech at the Hudson Institute, entitled "The Return of an Aggressive Cuban Foreign Policy," Deputy Assistant Secretary of Defense for Western Hemisphere Affairs Roger Pardo-Maurer warned that Castro is essentially working through Chávez, taking advantage of his resources to carry out a strategy that was thought thwarted four decades ago.

Yet even as political relations between Caracas and Washington have deteriorated, Venezuelan oil has continued to flow to the United States. So far, all of the apparent antipathy has not affected that key commercial relationship, which has forestalled a more serious clash between the two countries. The United States gets some 14 percent of its imported oil from Venezuela; more than 50 percent of Venezuela's oil exports go to the United States. At least for now, Chávez's efforts to diversify the markets for Venezuelan oil appear to be meant only to keep Washington on guard. But that could conceivably change. The United States cannot be complacent -- particularly because Chávez is so willing to subordinate economic considerations to political strategy, as his generous provision of oil to Cuba makes clear.

U.S. officials are clearly frustrated. In recent months, senior Bush administration officials, including Secretary of State Condoleezza Rice and Secretary of Defense Donald Rumsfeld, have alternated between denouncing Chávez and ignoring him. At a House International Relations Committee hearing in February, Rice -- who, to her credit, has usually shown restraint when discussing Chávez -- made her harshest public condemnation of him to date. The Chávez government, she said, is one of the "biggest problems" in the Western Hemisphere, and its association with Cuba is "particularly dangerous." Rumsfeld's rhetoric has been more provocative and far from constructive. Responding to the argument that Chávez has electoral legitimacy, he said that Hitler, too, was elected. (Chávez shot back, "Hitler would be like a suckling baby next to George W. Bush.")

The Bush administration has succumbed to this war of words. Too often, officials have gone for Chávez's bait -- and ended up playing into his hands. U.S. efforts to apply pressure through sanctions -- using Venezuela's record on human trafficking as a pretext, for example -- have amounted to little more than pinpricks. The congressionally funded National Endowment for Democracy has supported Venezuelan civic organizations opposed to Chávez, such as Súmate, but Chávez has adroitly used this as further proof that the Bush administration is intent on toppling his government. His troubling persecution of Súmate officials has sent a message to other groups about the consequences of accepting U.S. funding.


WHO IS AFRAID OF HUGO CHÁVEZ?

Last year, the Colombian magazine Semana, no friend of Chávez, named the Venezuelan president "man of the year" for having "modified the political map of the subcontinent, distributed his oil wealth in every direction, challenged the United States, and gone from being perceived as a tropical clown to the Latin American leader with the greatest political influence." And there is no sign that Chávez has any intention of slowing down. The 1999 constitution allows him to run for two consecutive six-year terms, but with his complete control of the National Assembly, a proposal to permit unlimited presidential reelection could well be adopted.

To be sure, Chávez's capacity to govern the country is not unlimited. A drop in oil prices, although unlikely in the near term, would prove highly problematic for his plans. There are credible reports of large-scale corruption within the regime and, as evidenced by infrastructure problems, major inefficiencies in the economy and the public sector. Shortages in basic commodities have begun to appear sporadically, the result of prolonged price controls. Incipient splits within Chávez's amorphous coalition could become more pronounced and create problems for governance. And although Chávez remains personally popular, polls indicate that the population is becoming increasingly dissatisfied over a variety of key issues.

Heitor Abranches disse...

But for now, Chávez's influence will probably continue. And countering that influence would require recognizing that it originates not only in Chávez's ability to shape Venezuela's and the region's agenda, but also in the failure of other governments to do so. His legitimate and well-expressed concern for social questions strikes a chord in Latin America, especially in view of the rather dismal condition of education and health care in many countries in the region. Against such a backdrop of unattended needs, Chávez's appeal is hardly a mystery.

Offsetting Chávez's influence would require confronting the acute social problems that Chávez has shed light on. His diagnosis of social ills may be on the mark, and his intentions may be sincere. But the recipe he is offering is little more than snake oil. Chávez has been unable to devise a sustainable model to address social problems effectively. Even if some of Venezuela's poorest citizens are better off today, Chávez's record has been disappointing given the opportunity presented by the oil windfall. More important, Chavismo comes with an unacceptably high cost.

Washington should not refrain from discreetly registering its opposition to some of Chávez's more blatant violations of the rule of law and the democratic process. If completely unchecked, Chávez's program will have damaging results both domestically and regionally. But the United States has little leverage in shaping Venezuela's internal political dynamics -- and, given the Bush administration's lack of popularity in the region as a whole, little ability to "confront" Chávez directly. Instead, a U.S. strategy must be built around efforts to rally the support of other Latin American governments to address the conditions that gave rise to Chávez in the first place. Rather than expending so much energy denouncing the presence of Cuban doctors and teachers in Venezuelan slums -- a program that, although not a transferable model, brings benefits to some of Venezuela's poor and is popular -- Washington should start proving that it has better ideas.

Although Latin America's elected leaders and governments ultimately bear the responsibility for devising and carrying out effective social policies for their citizens, Washington can be a more helpful partner. Initiatives on the scale of the 1960s Alliance for Progress are difficult to contemplate in the current economic and political environment. Still, Washington must demonstrate much more concern than it recently has toward Latin American priorities, such as migration, infrastructure, and social development. The urgent task facing elected Latin American governments today is to show not only that they allow citizens to express themselves freely, but also that they are capable of bringing tangible improvements to their citizens' daily lives.

Chávez's clear shortcomings and the internal schisms of his regime are likely to be accentuated over time. If Washington can give its regional policy a more constructive focus -- and if other Latin American governments prove more committed to carrying out badly needed reforms -- then the defects of Chávez's model will become increasingly apparent. Having learned lessons from their bitter experience, Venezuelans might then have a chance to move toward the political reconciliation and true development that have long eluded them.

Holy Father disse...

O sacrifício de Cristo é justamente a fonte da salvação de todo o gênero humano. Portanto, a Missa está perfeitamente contextualizada na realidade humana. Mas não se trata do louvor de um santo ou de outro, e sim do único mediador entre Deus e o homem. Sim, o sacrifício de Cristo supera as preces de Maria e de João Evangelista. Na realidade, o Pe. Pio, que tinha uma profundíssima intimidade com Deus, tentava nos mostrar o grandíssimo valor da Missa, cujo valor é difícil de alcançar para nós. E o valor da Missa é o próprio Cristo.

Bocage disse...

Parabéns, Catellius, Heitor e André pelo Pugnacitas! Considero este espaço como uma taverna aonde vou para ter uma boa prosa com amigos de longa data!

Holy Father disse...

Uma história interessante: um filho espiritual do Pe. Pio contou ao Padre que às vezes, diante de pessoas que se mostravam céticas em relação a ele (ao Pe. Pio), exagerava nas histórias, para enfeitar um pouco e levar as pessoas a acreditarem. O próprio Pe. Pio reprovou esta atitude dele, dizendo que as coisas devem ser contadas como aconteceram, sem enfeites. E citou um exemplo: se você misturar um pouco de vinho à água, você sujou a água. A água deve ser bebida pura, assim como é.
Portanto, o Pe. Pio não aprovava este tipo de "febre" por milagres. E a experiência que muitas pessoas narram é a de, ao chegarem no confessionário, serem expulsas pelo Pe. Pio. Ficam mal, pensam em não voltar mais lá, mas por algum motivo não conseguem tirar aquilo da cabeça e acabam reconhecendo o seu mau proceder, arrependem-se verdadeiramente e voltam para se confessar, e então são absolvidas.

Há o caso de um homem que só na quarta vez foi recebido pelo Padre Pio para a confissão. Passou mais de um ano para ser absolvido. Mas o homem era ateu como você, não ia à Missa, não gostava nem que a mulher rezasse o terço, estava filiado ao Partido Comunista. Na primeira vez que foi ao Pe. Pio, o Padre lhe disse para ir para casa, confessar-se e participar da Missa. Durante três meses o homem foi à Missa, mas numa igreja distante, bem cedinho de manhã, para não ser visto pelos amigos, por vergonha. Quando voltou, o Padre disse que ele estava pior do que antes (porque se envergonhou de ir à Missa), e mandou-o embora. Na terceira vez, ele disse que havia blasfemado, e novamente foi mandado embora. Só na quarta vez ele estava realmente arrependido, e então foi absolvido. Mas reclamou com o Padre: "Você me fez sofrer mais de um ano para me dar a absolvição". E o Padre respondeu: "Você é que estava batendo nos pregos".
Por que alguém iria se vangloriar de ser expulso 3 vezes do confessionário? Não quereria antes demonstrar que sempre foi muito bem quisto e bem tratado pelo Padre?

Pois bem, este homem não apenas se converteu, mas mudou de emprego a conselho do Padre. Depois, construiu uma capela a pedido do Padre, aumentou a capela, que virou uma Igreja e finalmente doou a igreja, juntamente com o terreno e a própria casa para a Diocese, e esta igreja hoje é uma paróquia.

Quer dizer: um ateu, comunista, declaradamente inimigo da Igreja, sofreu uma transformação assim tão radical, apesar de ter sido expulso da confissão 3 vezes, sem a absolvição.

Bocage disse...

E também para rir dos parvos que passam, rsrs

Bocage disse...

Falando neles...
Santo Padre, quanto estro! Rsrsrs

"Por que alguém iria se vangloriar de ser expulso 3 vezes do confessionário? Não quereria antes demonstrar que sempre foi muito bem quisto e bem tratado pelo Padre?"

O juízo para estabelecer a veracidade dos fatos: "qual o interesse do ateu em dizer que foi expulso pelo Pe Pio?".
Rsrsrs
Estou sem tempo, sem paciência e sem energia, para além de não ter cá comigo meu mata-moscas. Deixo-te em paz Santo Padre. Por ora... Rsrsrs

Bocage disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bocage disse...

Estro, para além de imaginação e veia artística, também é um inseto que parasita cavalos, rsrs.

André disse...

Parabéns pra vc também Bocage. E para o Holy Father, o único cristão que nos atura. E, devo dizer, é muito educado.

“E a experiência que muitas pessoas narram é a de, ao chegarem no confessionário, serem expulsas pelo Pe. Pio. Ficam mal, pensam em não voltar mais lá, mas por algum motivo não conseguem tirar aquilo da cabeça e acabam reconhecendo o seu mau proceder, arrependem-se verdadeiramente e voltam para se confessar, e então são absolvidas.”

Bom, certamente esse padre devia ter umas técnicas (sem maldade, sem maldade) interessantes. Afinal, tinha q ter alguma psicologia, já q ouvia problemas mil de um monte de gente. Ele devia ter umas tiradas boas.

Já conheci dois padres assim , que pareciam ter algo a mais, além de um bom intelecto, claro. Ou talvez fosse só o intelecto mesmo.

Holy Father disse...

Vocês poderão encontrar milhares e milhares de pessoas dizendo que o Padre Pio era capaz de conhecer as suas consciências, sem que elas falassem nada. Será que tanta gente se enganou ou inventou histórias? Principalmente porque a maioria das histórias não é muito lisonjeira em relação à pessoa que conta, pois envolve algum tipo de correção por parte do santo.

Vale a pena ler a vida dele, e creio que vocês vão gostar muito e tirar grande proveito dessa leitura. E então serão capazes de situar melhor a questão dos milagres e dos estigmas no contexto da vida do Pe. Pio.

Não colocar a ênfase nos milagres não significa ter que ignorá-los ou menosprezá-los. O exercício dos carismas era parte do ministério do Pe. Pio, e não se pode separar uma coisa da outra. Vejam bem: ele precisava confessar muitíssima gente, e não tinha tempo para ter longas conversas com cada um dos que se confessavam com ele. Por isso, ele precisava dos dons do Espírito Santo, que lhe revelava o que ele precisava fazer para reconduzir aquela alma a Deus.

Eu li recentemente um testemunho de uma famosa atriz que estava doente e foi lá pedir ajuda ao Padre Pio. Ela recebeu um grande conforto espiritual, mas o Pe. Pio deu sinal de que não poderia fazer nada no caso dela, pois não era ele que operava as curas, e sim Deus, e no caso dela ele viu que Deus não a iria curar fisicamente. Mas ela morreu tranqüila e em paz, apesar do sofrimento que passou por causa da doença.

O interessante do Pe. Pio é que ele agia movido pelo Espírito de Deus, e é por isso que as pessoas o procuravam tanto para fazer-lhe perguntas sobre que rumo tomar na vida. Houve um padre, colega dele, que teve que esperar mais de uma semana para obter uma resposta. Reclamou disso com o padre, dizendo algo assim: "Mas você me fez esperar uma semana para me tranqüilizar?" E o Padre Pio respondeu: "E o que eu posso dizer, se Deus não me disser nada?". Ou seja, ele só tinha as respostas e o conhecimento, quando os recebia de Deus.

Mas, em suma, façam isto: leiam a vida dele, e vocês verão que o Pe. Pio de embusteiro não tem nada.

Saudações André, e que o Espírito Santo lhe dê discernimento.

Holy Father disse...

Outros casos:

Dois ferroviários que zombavam muito das pessoas que acreditavam no Pe. Pio foram a S. Giovanni Rotondo só para tirar uma onda, mas apenas porque podiam viajar de graça de trem, pois não iriam pagar para fazer isso. Quando chegaram à praça em frente da Igreja, antes mesmo de entrarem, um frade veio até a praça perguntando quem eram os ferroviários que vinham de tal cidade. Os dois ficaram petrificados, pois não tinham comentado com ninguém sobre a viagem, muito menos com o convento de S. Giovanni Rotondo. Entraram, o Pe. Pio os recebeu, confessou-os e eles se tornaram seus filhos espirituais.

Uma moça ia se confessar, mas disseram-lhe que, de mini-saia, o Padre Pio não a receberia. Ela então, chegando na cidade, foi comprar uma saia mais longa e camisas de manga. Depois de trocar de roupa, falou: "se meu noivo me visse, ia me confundir com uma palhaça". Quando chegou a vez dela de se confessar, o Pe. Pio mandou-lhe um recado: diga àquela moça que eu não confesso palhaços.

Holy Father disse...

Catellius,

Você diz que Deus não existe. Mas Deus continua sendo Deus, quer acreditemos ou não.

Não é pelo fato de você duvidar que os milagres de Pe. Pio não tenham acontecido mesmo. O que aconteceu, aconteceu.

Você tem o direito de duvidar, mas isto não é prova, nem para você mesmo, de que os milagres relatados não sejam reais. Da mesma forma, acreditar não prova que eles sejam reais.

Não é pecado duvidar de coisas em que você não é obrigado a acreditar (somos obrigados a crer nos dogmas de fé). Mas você tem que estar ciente de que elas podem ser verdadeiras, mesmo que você duvide. E se forem verdadeiras, podem fazer uma diferença na sua vida, pois elas podem trazer uma mensagem que não se percebe à primeira vista, ou podem despertar o seu interesse para a pessoa do santo, que o porá em contato com a sua espiritualidade, e esta será de grande proveito para você.

Duvide, mas com sabedoria, prudência, discernimento e humildade.

Zaira Brilhante disse...

Olá, parabéns pelo blog. Vou te adicionar lá no Fine...
Não sei se você se lembra, mas foi minha aquela nota da Exxon...
Saudações!
Zaira

O+cioso disse...

hi hi hi
acabei de ler isto aqui:

Que coisa mais kitsch comemorar aniversário de blog. Vai ter brigadeiro? Comercial em outro blog não deveria ser gratuito, deveria pagar comissão.

Catéquitus saiu por aí convidando neguinho, mendigando uns comentários nete bloguixo deixado às traças...

kkkkkkk

O+cioso disse...

Grande coisa ter 2000000000 comentários. Quase todos são seus mesmo, kkkkk

Heitor Abranches disse...

Mais uma da democracia chavista,

Agora, quando a oposicao se manifesta na rua costuma ter atiradores que disparam contra a multidao. Hoje mesmo, uma estudante foi morta por um atirador. Isto e uma tatica de terror e de intimidacao dos revolucionarios bolivarianos que gostam de passear de camisa vermelha pelas ruas mas que nao toleram as manifestacoes dos seus adversarios politicos. Enfim, alem de ditatorial, o regime de Chavez e um regime totalitario e terrorista. Pena que enquanto eles continuarem a vender direitinho para os gringos eles nao vao mandar os mariners la para descer a porrada.

André disse...

“Uma moça ia se confessar, mas disseram-lhe que, de mini-saia, o Padre Pio não a receberia.”
Quando estive na Itália, os turistas idiotas (vários dos quais, mas não todos, claro, eram brasileiros) insistiam em tentar entrar nas igrejas com bermudão, camiseta regata (e as mulheres de minissaia e blusa de alcinha...). Não entravam, ponto. Nem estava quente, apesar de já ser junho. Esses jecas não tem a mínima noção de como se comportar em outros lugares. Muitos japoneses babões ficavam de fora, segurando suas Nikon F-1000000000 com lente supermegateleobjetiva. Isso também aconteceu com os brasileiros, inclusive com os que estavam no meu hotel (um grupo enorme de paulistanos, cariocas, alguns brasilienses e gente do interior de vários Estados).

Outra coisa divertida era ver as máquinas dos japoneses e coreanos sendo tomadas pelos guardas no Museu do Vaticano. Acho q eles pensaram q aqueles avisos nas paredes fossem brincadeira. Não, eles tomam mesmo, pq o flash das máquinas estraga o pigmento dos quadros. Queima. Deve ser verdade. Bom, de qualquer maneira, entre um belo quadro renascentista e um china-pau com chapéu cata-ovo na cabeça e uma Nikon, é claro q eu fico com a pintura renascentista. Que me desculpem my little yellow friends...

Heitor, os EUA não podem fazer com a Venezuela o que fizeram, digamos, no Panamá (invasão), primeiro por estarem totalmente absorvidos pelo Oriente Médio e segundo pq não há muito interesse. Talvez houvesse algum, se eles estivessem livres. A primeira coisa q fariam seria fechar as refinarias de petróleo pesado da CITGO venezuelana nos EUA, isso ferraria com a Venezuela. Mas é claro que é chato saber que os EUA não estão com tempo nem disposição pra isso agora. Seria legal se eles tomassem algumas medidas como essa acima, nem precisariam invadir nem nada. Se os americanos forçassem mesmo a barra, juntando-se a isso a péssima administração e o sucateamento do país, culpa do Chavez, bem que ele poderia cair. Ainda acho q ele pode cair no futuro próximo, pode até ser assassinado pelo próprio Exército, vamos ver...

Maria do Espírito Santo disse...

Ilustre Catellius,
foi uma honra ter sido convidada no Vitória de Samotrácia para conhecer o blog de um cara que é, além de cultíssimo, um excelente escritor. Gostei muitíssimo do seu blog e pretendo voltar sempre (principalmente quando meu computador voltar do conserto porque estou usando furtivamente o do meu filho nerd que não está em casa). Parabéns pra todos vocês pelo blog iconoclasta e cheio de brilhantes comentadores ( o genial Ielpo eu já conheço). Um grande beijo e muitos anos de vida pro seu blog.

Roberto Eifler disse...

Caro Catellius,
meus parabéns pelo aniversário do blog.

É um ponto de encontro para conversas inteligentes e bem (bem, nem sempre...) humoradas. É uma mesa de bar virtual. Só está faltando o chope virtual.

Internet é para isso, para o entrelaçamento de pensares (além, é claro, de um ou outro vídeo pornô).

Brincadeiras à parte, admiro o Pugnacitas e a pugnacidade de seus membros. Desejo longa vida ao blog.

Saudações.

Eduardo Silva disse...

Este texto demonstra franqueza e entusiamos do Catelius em completar um ano sua obra virtual, porém, mesmo assim, não deixa de ser uma bajulação às pessoas que lhe renderam simples sensações de prazer ao ver um post e rebatê-lo ou ratificá-lo,demonstrando senão um casuísmo.

Todos sem tempo...
Acho no mínimo engraçado as pessoas dizerem isso...muitas reclamam da falta de tempo, mas não percebem que enquanto falam isso,perdem tempo... e assim continuam até a derradeira falta de tempo, a morte...
no mínimo despiciendo


Valeu a todos os personagens postadores deste eminente, mas ás vezes cediço e irrelevante, blog...


Aqui também vão os mais sinceros encômios ao Catelius, que se mostra um seguidor da vertente infinita da erudição.

Anônimo disse...

continue.......mas ser mais (popularesco) não seria nada mal

André disse...

Oil Prices and the Dollar's Decline

Crude oil prices reached a record high of $96.37 a barrel Nov. 6; the same day, the U.S. dollar fell to $1.4731 to the euro -- the lowest level since the euro started trading in January 1999 -- after a high-ranking Chinese official's statement that China should convert more of its enormous dollar reserves to euros. It would seem that the dollar's weakness would lead net oil importers with dollar-pegged economies to run to currencies with greater relative oil-purchasing power. However, most oil-consuming and oil-producing nations do not yet have enough cause to realign their currencies significantly or to take actions that would further weaken the dollar. Furthermore, there is no clear alternative in sight.

There is no economy ready to overtake the United States the way the United States overtook the British Empire as the economy upon which global traders relied for stability and the ultimate solvency of their economic transactions. Though the world is looking more at the eurozone to fill this role, the European economic bloc is still in its infancy and its economic underpinnings are too tenuous to pose a challenge to the United States. Furthermore, the first country to abandon the dollar could set off a chain reaction that would backfire and affect all countries and currencies that now depend on the U.S. dollar. At this point, few nations are willing to take that chance.

The Oil Producers

A weaker dollar reduces the purchasing power of -- and hence increases inflation in -- oil-producing countries, since oil is traded in dollars. This is particularly acute in nations such as Saudi Arabia, which not only has a primary commodity traded in dollars but also has a currency that is pegged to the dollar. The dollar's weakness cuts into such nations' ability to buy goods from countries with non-dollar-denominated currencies and thus decreases profits. This in turn weakens the incentives for oil-producing nations with dollar-pegged currencies to reduce oil prices through production increases. Oil producers are definitely getting rich from the surge in oil prices, but not as much as they would be with a strong U.S. currency.

Dollar devaluation affects different Organization of Petroleum Exporting Countries (OPEC) members differently. Countries that import more from the United States stand to lose less than countries that receive most of their imports from Europe and Japan, and thus the geographic location of some OPEC members is important in determining their purchasing power. For example, Venezuela stands to lose the least from dollar devaluation, as a large percentage of its imports come from the United States. By contrast, Indonesia is far away from the United States and close to Japan, which supplies a large percentage of Indonesia's imports. Thus, dollar depreciation hurts Indonesia more than Venezuela.
Oil-producing nations continually toy with the idea of switching to other currencies; however, a complete change at this point would make little sense, as they would effectively be buying high and selling low. Switching to euros would entail locking oil profits into a currency that is at its peak and likely to fall -- especially as several eurozone nations are seeking to devalue the currency. Furthermore, it is unrealistic for OPEC to price the majority of its oil in euros while the United States remains its largest customer.

Pricing oil solely in the euro will not solve the problem of declining purchasing power. When the euro declines, calls for an OPEC switch to the euro will fade. The use of any single currency in oil pricing -- whether the dollar, the euro or the yen -- will have the same effect.

Furthermore, as the dollar declines, so does the amount of investment available to drill for more oil, all other things being equal. Importing equipment from eurozone nations, for instance, becomes more expensive for Middle Eastern oil companies and the extra costs of importing goods from the EU cut into oil infrastructure investments. Ultimately, growth in drilling and exploration is slowed, reducing oil-producing nations' ability to meet global demand. Also, the plethora of established contractual obligations and trading platforms completely independent of the U.S. economy but denominated in dollars would be difficult (not to mention politically contentious) to get out of.

The Oil Importers

As the value of the dollar falls, oil becomes proportionately cheaper for nations whose currency is not linked to the dollar. This is giving such countries a bit of protection from higher prices, since their currencies' purchasing power has strengthened against the dollar's in the pursuit of oil.

The converse applies to nations whose currency is pegged to or aligned closely with the U.S. dollar. One such country -- China -- on Nov. 1 raised state-set fuel prices nearly 10 percent.

China has particular stakes in both rising oil prices and the status of the dollar. Rising oil prices clearly strain China's resource-intense manufacturing economy, which has a long way to go toward becoming more efficient. There is a more obscure link between China's energy needs and the strength of the U.S. dollar. China -- which aligns its currency with the dollar to maintain a reliable export market in its largest trading partner, the United States -- is suffering from high energy costs due to this currency alignment. Allowing its currency to appreciate would indeed lower China's energy costs, but at the cost of making its exports to the U.S. less competitive. And maintaining export competitiveness is key to Beijing's ability to prevent mass unemployment and its associated social upheavals.

Experiencing the strains of high energy prices now rather than later is more beneficial to Chinese economic growth, as Beijing will have to make structural adjustments -- such as investing in alternative energies and liquid fuels, and taking energy efficiency measures -- sooner rather than later.

The Indian rupee has risen to its highest level against the dollar since 1998 and has gained more than 12 percent against the dollar since January. However, India is already extremely vulnerable to oil price hikes, and a resurging dollar would not bode well for the country. It imports 70 percent of its oil and lacks overseas energy assets to feed its rapidly growing demand. India also lacks the strategic reserves to cope with rising oil prices. There are also serious social implications for India, as it is a major fuel subsidizer. Even with oil prices skyrocketing, India has yet to raise fuel prices for fear of the political repercussions. India is not forcing itself to make structural adjustments to permanent higher energy costs.

The European Union is currently benefiting from a strong currency that allows it to purchase oil competitively against America. However, it is difficult to determine whether a less-than-drastic reversal of its currency fortunes would significantly affect its economy. Heavy taxation of petroleum products insulates consumers from the effect of crude oil price fluctuations and higher prices, which will be important when the dollar eventually comes back.

The Dollar/Oil Relationship

Oil producers use their dollar-based incomes to invest in non-dollar assets, such as euros or commodities, to protect their cash against a falling dollar. This can create a reinforcing cycle that drives the dollar's value even lower and the price of crude higher. This rule applies to all nations and financial institutions that are weary of the dollar: They will diversify into commodity markets, including oil, contributing to a rise in oil prices.

The high price of oil might also prevent nations from taking actions that would further devalue the dollar. While a weaker dollar benefits many nations that export non-oil commodities and manufactured goods, high energy prices could discourage nations with large cash funds, such as China, from further diversifying their currency reserves away from the dollar, as this will further weaken the dollar. China's efforts to move its reserves away from dollars and into other currencies can only go so far. Yes, China has an interest in moving to stronger currencies, but a massive shift would indeed further weaken the dollar, sending oil prices and production into a tailspin -- something China does not want at this point.

The weakness of the U.S. dollar will not last forever, and concerns from oil-producing and oil-importing nations about the price of oil will diminish when the dollar rebounds. Threats of diversifying into euros may be an attempt to pressure the U.S. to strengthen its currency. However, the price of oil could remain high for quite some time, and when the dollar rebounds, oil-producing nations will likely redirect significant portions of their huge oil revenues back to the U.S. market, strengthening the dollar even further and ensuring its status as the currency in which oil is traded.

Catellius disse...

Obrigado!
Queria responder a todos mas (para o Eduardo) estou realmente com a corda no pescoço. Ontem tive que ficar até as 21:00 no escritório compatibilizando um projeto com o calculista estrutural e os instaladores. O lançamento que fizeram para um de nossos prédios matava nada menos do que 20 vagas de garagem - um prejuízo monstro. Mas acho que o pepino será resolvido...

Já volto!

Catellius disse...

E logo depois "tive" que ir tomar um chopp com uns amigos, he he. Uma vez por mês consigo um alvará desses com a patroa...

André disse...

Reinaldo Azevedo

A televisão, freqüentemente acusada de ser mais sensível aos aspectos, digamos, sensacionais da notícia do que os grandes jornais, desta feita, comportou-se com mais comedimento. O jornalismo impresso fez de conta, ontem, que a política não existe. As edições de hoje poderiam ser assinadas, sei lá, pela ANP (Agência Nacional de Petróleo). Ou pela Petrobras. Ou ainda por Franklin Martins. Mas grave mesmo foi o apagão da memória a que se assistiu. Mais: dar destaque a um “Brasil exportador de petróleo” quando a operação comercial, de fato, deve começar, se começar, ali por volta de 2013 — e isso tudo na dependência de pesados investimentos, cujo volume não se consegue nem ainda estimar — corresponde a abrir mão de qualquer aporte crítico na avaliação da notícia.

A pátria jornalística, ontem, lambuzou a mão no petróleo virtual e carimbou a bandeira nacional.

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Assistimos ontem, com o anúncio da superjazida de Tupi, ao maior factóide da história da imprensa brasileira — e a um dos maiores do mundo. Não porque inexista petróleo lá na tal camada pré-sal, mas porque o que se anunciou ontem é rigorosamente o que já se sabia há pelo menos dois anos. Gente especializada na área, que estuda isso, o sabe ainda há mais tempo.

Leio os jornais hoje. Nem uma miserável palavra a respeito. Todo mundo foi diligentemente pautado pelo governo, reproduzindo o seu ponto de vista. Há coisas verdadeiramente notáveis. Guilherme Estrella, diretor da Petrobras, afirmou que a divulgação da reserva — 5 bilhões de barris, 8 bilhões de barris ou, quem sabe?, 20 bilhões de barris — buscou “evitar especulação”. Nem diga. As ações da Petrobras subiram mais de 14%. Especulação a gente combate é assim...

O que o governo conseguiu ontem, de fato, foi aumentar a sua mão grande no setor de petróleo, atendendo às demandas daqueles que pretendem, na prática, a plena reestatização do setor. A notícia velha da superjazida serviu de pretexto para o anúncio de que os 41 blocos de exploração vizinhos à grande reserva estavam excluídos da 9ª Rodada de Licitações. Dilma Rousseff, enfática, falava na defesa dos “interesses nacionais”. O capital privado como adversário dos interesses nacionais... De novo! Caracas!

Há quem queira que ninguém consegue governar com excesso de pudor. Eis um mal de que o PT, definitivamente, não padece.

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Leiam o texto de Okky de Souza (íntegra aqui), na VEJA.com, sobre o livro Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia, uma biografia do artista escrita por Nelson Motta Duas frases impagáveis de Tim:

“Fiz uma dieta rigorosa, cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas, perdi 14 dias”.

“Dos artistas do Rio, metade é preto que acha que é intelectual, e metade é intelectual que acha que é preto”.

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Como requentar uma notícia velha, influenciar pessoas e até fazer fortunas

É evidente que o governo deu um jeito ontem de trazer o futuro a valor presente, anunciando até mesmo o ingresso futuro do país no grupo dos exportadores de petróleo. Reitero: tomara que se encontre mesmo todo o petróleo e todo gás que se anunciam e que eles sejam queimados aqui, pelo crescimento da economia brasileira. Exportar petróleo, por si mesmo, não é grande vantagem. Os EUA, por exemplo, são importadores. Tudo confirmado, a notícia é boa?

O mais fantástico do que se viu ontem — uma operação gigantesca de publicidade, que agitou o mercado financeiro — é que a notícia é, pasmem! VELHA. O que não quer dizer que não seja boa. Leiam reportagem de Sabrina Lorenzi na Gazeta Mercantil de 6/09/2005 — há mais de dois anos. Volto em seguida:
*
O grande desafio da Petrobras agora é extrair o óleo a 6.000 metros de profundidade. A ousadia de ir mais fundo rendeu à Petrobras o que deverá se tornar a mais valiosa reserva de petróleo e gás já encontrada. A estatal encontrou óleo leve — de excelente qualidade — a 6.000 metros de profundidade, na Bacia de Santos, numa prévia da jazida gigante que avista.

O gerente- executivo de exploração e produção da estatal, Francisco Nepomucemo, revela a expectativa que a companhia vive após a descoberta. "É uma nova província petrolífera no Brasil. Não está concluído o poço; vamos perfurar mais para fazer o teste de produtividade (volume) do óleo e confirmar a existência de um reservatório", comemora com cautela. Ele prefere não falar em quantidade antes dos testes de confirmação, mas admite que pode ser volume suficiente para revolucionar os planos da estatal.

"Só digo que, confirmando a descoberta e a produtividade dessa área, aumenta muito o potencial petrolífero da Bacia de Santos. É o grande potencial do Brasil hoje", disse. Há uma semana, a Petrobras comunicou ao mercado a descoberta de indícios de hidrocarbonetos no seu poço mais profundo, no bloco BM-S-10 a 6,4 mil metros de profundidade, na Bacia de Santos. O poço RJ-S-61 fica na frente de Paraty, no Rio, divisa com São Paulo. A Petrobras é a principal detentora do bloco (65%), junto com a Partex (10%) e BG (25%).

Descoberta província de petróleo
Santos deverá se transformar na principal opção ao esgotamento da Bacia de Campos. As companhias notificaram a descoberta no dia 21 de agosto à Agência Nacional do Petróleo (ANP). "Se a gente descobre gás e óleo leve nesse horizonte, toda a área em volta fica com esse potencial", acrescenta Nepomuceno.

Confirmadas as expectativas de reservas gigantes de petróleo leve em águas ultraprofundas, Santos passa a ser a principal opção da estatal ao esgotamento dos atuais campos da Bacia de Campos. Mais perto do mercado consumidor, com óleo de excelente qualidade e gás, a região possui, até então, reservas da ordem de 2,5 bilhões de barris (com o gás do campo de Mexilhão (BS-400) e o óleo leve do BS-500).

Nova fronteira
Analistas especulavam, até então, a existência de uma bacia petrolífera debaixo da Bacia de Campos. Para Nepomucemo, é mais provável que em Santos - e não em Campos - exista uma nova fronteira com tamanho potencial. Na Bacia de Santos, uma camada de sal com metros e metros de espessura separa os reservatórios de petróleo e gás das rochas e do material orgânico que geram os hidrocarbonetos. A crosta de sal, situada a cerca de seis mil metros, "prendeu" o óleo e o impediu de subir, ao contrário do que aconteceu na área da Bacia de Campos.

Na Bacia de Campos, essa crosta de sal se rompeu durante a formação de montanhas como a Serra do Mar. A abertura da camada de sal em buracos chamados de janelas permitiu a constituição de importantes campos de petróleo como Marlim, Roncador, Marlim Sul, Albacora, localizados a dois mil metros de profundidade. Na Bacia de Santos, o petróleo e o gás ficaram presos a seis mil metros, suscetíveis a elevada temperatura e pressão.

Voltei

Pode-se argumentar que a novidade de ontem, então, foi o dimensionamento da reserva, já que se sabia da existência do petróleo leve abaixo da tal camada de sal? Mais ou menos, não é? O que a Petrobras forneceu nesta quinta foi uma estimativa. Observem que se passaram mais de dois anos entre uma notícia e outra, e não se tem uma informação essencialmente diferente. De lá para cá, foram se fazendo testes. Isso dá uma idéia do tempo de maturação do projeto. É emblemático que o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, estivesse ontem ao lado da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Movia o tempo todo a cabeça, um tanto frenético para seu estilo mais comedido. A operação estava sendo muito bem-sucedida. Era orgulho.

Para se ter uma idéia: estima-se que a operação comercial do primeiro campo na região só comece em 2011 — e, ainda assim, para testar a sua viabilidade. Tudo dando certo, a exploração pra valer só ali por 2013, 2014. Daí que Lula vá se encontrar hoje com Evo Moraes para saber como pode investir mais na Bolívia. A Petrobras explora petróleo a, no máximo, 2.700 metros. O óleo que foi encontrado está numa profundidade entre 4.500 e 7.000 metros. A própria empresa informa que o desenvolvimento de um campo, mesmo em profundidades menores, que produz 150 mil/barris dia custa US$ 1,2 bilhão. Para extrair esse óleo mais profundo, gasta-se muito mais. Quanto? Ninguém sabe. No mínimo, o triplo, dizem alguns especialistas. Vai ser preciso ir atrás de muito investimento e de tecnologia.

É claro que há, por enquanto, incertezas demais para um mercado tão animado. A CVM deveria, quando menos, avaliar se estamos diante de um caso de euforia típica. Quem conhece a área afirma que não havia a menor razão para o estardalhaço de ontem. Não porque inexista o petróleo. Mas não se sabe agora muito mais do que se sabia em 2005. Há quem fale até em 20 bilhões de barris caso se expanda a área. Acontece que o governo jogou para sair do escanteio em que estava com a chamada crise do gás — que, notem bem, está no lugar onde estava. A Petrobras também buscou limpar a sua barra, um tanto tisnada pela questão.

É claro que eu quero que tenha muito petróleo lá, à diferença do que a petralhada anda dizendo por aqui. O que não aprovo, já disse, é a empulhação, a marquetagem. De resto, não estou tirando mérito nenhum do PT — a menos que o partido tenha comprado a Petrobras. Que eu saiba, ele só aparelha a empresa. Ademais, se o petróleo “tupi” começar a jorrar timidamente só em 2011 e, para valer, só a partir de 2013, a hipótese feliz é a de que Lula já esteja bem longe do Planalto.

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A descoberta de petróleo leve e gás natural em Tupi, na bacia de Santos, não terá "nenhum" impacto nas negociações com a Bolívia em relação ao gás, disse A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Com a Bolívia, a relação é de integração regional. É fundamental que o Brasil, como potência regional, importe gás da Bolívia. Apesar de preferirmos não depender deles, continuaremos importando gás", afirmou.

De acordo com ela, os contratos com a Bolívia serão cumpridos. A ministra fez um relato histórico de uso e políticas do gás no Brasil desde 2000 e concluiu afirmando categoricamente: "O Brasil tem política de gás. Por isso, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) não tratou disso hoje".

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Eu não quero fazer evaporar o petróleo, o gás e o frêmito nacionalista de ninguém. Mas começo o texto com uma pergunta: “Já posso converter o meu carro, que é a gasolina, para o gás ou é melhor esperar um pouco?” No caso de eu adiar a decisão, será por quanto tempo? É claro que a possibilidade de que existam de cinco bilhões a oito bilhões de barris de petróleo e gás abaixo da tal camada de sal é uma boa notícia. A própria dimensão da reserva já nos fornece algumas pistas nem tanto do petróleo, mas do ambiente político em que ele é anunciado: a quantidade pode ser “x” ou 60% a mais...

Não. Não é uma coincidência que a notícia estrepitosa da descoberta de uma reserva gigantesca de petróleo, que pode ampliar em 40% o que se imaginava ser o potencial brasileiro, venha nesta hora, quando o Brasil, tudo o mais constante, flerta com uma crise de energia dentro de dois anos. A de gás já está aí, como sabem. E está aí porque o combustível teve de atender às termelétricas. Leiam tudo o que se publicou hoje a respeito. A informação mais importante a dar uma dimensão concreta às coisas é esta: o mapeamento dessa reserva deve ser concluído só em fins de 2009. Como o óleo foi encontrado numa profundidade em que a Petrobras não opera, a exploração demandará investimentos gigantescos — quanto? Isso também se ignora.

Temos futuro? Ô!!! Este é, jamais se esqueçam, o país do futuro. O que costuma nos atrapalhar é o presente. Conversei com algumas pessoas da área. Dizem o óbvio. Se o Brasil anunciasse isso daqui a dois anos, não faria a menor diferença. O que se tem até agora é só uma perspectiva muito promissora. Então por que agora?

Essa mega-possível-reserva de petróleo era, de fato, uma grande reserva político-eleitoral — lembrem-se de que a Petrobras já foi peça-chave da campanha reeleitoral de Lula. Seria anunciada mais adiante. Mas a crise do gás veio primeiro. E, com ela, ficou evidente a inoperância do governo, que dissipa muito calor e não gera nenhuma energia. Não! Eu não devo converter o meu carro a gasolina para o gás. Não devo porque, se o fizer, vou ficar na mão, sem o combustível. A energia elétrica, é bem possível, vai ter aumentado o preço. E o Brasil continua a depender, nos próximos anos, da ajuda de São Pedro. Lula é, sem dúvida, um presidente de sorte. Talvez chova, não é?

Quanto ao Brasil vir a se tornar exportador de petróleo ou sei lá o quê...Bem, é claro que se trata, por ora, de um notável exagero retórico. Aliás, torço para que, mesmo produzindo mais, o país demore até a começar a exportar. Prefiro que ele seja consumido aqui mesmo, não é?, pelo crescimento econômico brasileiro. Afinal, os EUA são um dos maiores produtores do mundo e ainda importam óleo. A sua economia pede isso.

O petróleo está lá, em algum lugar? Muito provavelmente, sim. E isso, sem dúvida, é bom. Para quem tinha ações da Petrobras hoje, então, foi excelente! A operação marqueteira é outra coisa. Por enquanto, o governo está se esforçando para “socializar” a carência que ele fabricou e “privatizar” o potencial petrolífero que, de fato, é de todos os brasileiros. Tenho cá as minhas desconfianças de que Lula pretendia, mais adiante, lambuzar as mãos nesse petróleo que continuará, por muito tempo, virtual. Foi preciso deflagrar antes a operação — junto com a crise do gás e com quase-sepultamento do projeto (re)reeleitoral.

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É impressionante o fascínio que o Capitão Nascimento continua a despertar no jornalismo esquerdopata. A não ser por um repertório de piadas e expressões que caíram no gosto popular — “pede pra sair”; “O sr. é um fanfarrão”; “aspira” —, eu já não me lembraria mais do caso. Mas a esquerdopatia continua desarvorada. Trata-se de um caso patológico de confusão entre ficção e realidade. E de analfabetismo também: a canalha não sabe ler.

No artigo que escrevi para a VEJA sobre o filme, observei que Capitão Nascimento incomodava, entre outras razões, porque era “violento, mas não corrupto”. Isso num país em que a corrupção costuma ser mansa como os cordeiros. Imaginem: ladrões se disfarçam até de jornalistas; “propineiros” de quinta categoria, que alugam a opinião, passam por grandes moralistas da vida pública e críticos severos dos deslizes dos outros. Isso me faz lembrar uma passagem do Sermão do Bom Ladrão, de Padre Vieira: “De um, chamado Seronato, disse com discreta contraposição Sidônio Apolinar (...) Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em castigar furtos, e em os fazer. Isto não era zelo de justiça, senão inveja. Queria tirar os ladrões do mundo, para roubar ele só.”

Assim, a opinião dessa gente vale o quanto pesa. O que é preciso ficar claro no barulho que a esquerdopatia ainda faz com o filme são as suas falsas motivações. Saibam: não se trata da defesa nem de bandido nem de pobre, mas de si mesma: dos próprio hábitos e vícios. Ela está pouco se lixando se pobre é posto “no saco” ou não. Isso acontece todos os dias nas cadeias brasileiras. E ninguém foi pedir penico pra ONU. Já repararam como os valentes não criticam o “Baiano” do filme, aquele rapaz que tem o hábito de botar desafetos numa coluna de pneus e meter fogo? Quantas são as execuções praticadas todos os dias nos morros do Rio e nas periferias dos grandes centros? Traficante matar traficante? Bem, isso é lá com eles. Pobre massacrar pobre? Normal. Problema deles. Nada de Nações Unidas. Cadê os jornalistas “humanistas”?

Disse que estão pouco se lixando pra isso, certo? Explicitei a questão no meu artigo na VEJA. Então qual é o busílis? A cena que dói na consciência dessa gente e que a deixa enfurecida é uma só: aquela em que o Capitão Nascimento enfia a cara do “estudante” de classe média no abdômen estuporado de um traficante e pergunta: “Quem matou esse cara?” Ele próprio responde: “Foi você, seu maconheiro! A gente vem aqui pra desfazer a merda que vocês fazem".

A canalha não pode suportar essa acusação. Porque ela pretende, cinicamente, gozar de todos os benefícios do estado de direito e de todas as licenças do estado da bandidagem, transitando nos dois pólos sem ser importunada — e, é claro, cobrando sempre da polícia mais segurança e mais eficiência. Em suma: quer garantias constitucionais para continuar a cheirar, a fumar e a fazer poesia com a miséria alheia. Mas também quer segurança, lei e ordem.

A sua dose de cidadania consiste numa consciência um tantinho culpada, em cobrar do governo “mais investimento em saúde, moradia e educação” e em apontar o dedo acusador contra os fantasmas “da direita”... Felizmente, esses picaretas caíram em desgraça. Por isso esperneiam.

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“Enquanto jornalista e historiador...” Pfui!

Aí me manda um leitor chamado Renato ainda sobre o golpe dado por Getúlio Vargas em 1930, a Revolução Paulista de 1932 e o golpe dentro do golpe, de 1937:

Quando você fala de civis, na verdade quer dizer "paulistas", não? Porque, de fato, o que Getúlio fez foi tirar poder das oligarquias de São Paulo, que, inconformadas, tentaram o golpe em 32. Vai falar de reação à ditadura getulista cinco anos antes do fato? É forçar demais a mão, não acha? Concordo com o colega: cada macaco no seu galho e este, com certeza, não é o seu.
PS — Além de jornalista, sou historiador.
Renato

Comento
O que não o livra de dizer besteira como jornalista e como historiador. O golpe de 37 criou o arcabouço legal da ditadura informal de 1930, que passou para a história como “progressista” por conta, já disse, do casamento exótico entre as historiografias marxista e nacionalista. Com o tempo, o Brasil passou a ter uma jabuticaba teórica que só dá aqui: marxismo nacionalista.

O golpe de 1930 implantou uma ditadura no Brasil, que durou até a vigência da Constituição de 1934, rasgada em 1937. Getúlio Vargas é o assassino do que poderia ser uma república federativa. Deixou o legado da ditadura supostamente virtuosa e consolidou a imagem do salvador da pátria acima das instituições. Quando teve de se haver com a democracia, escolheu o caminho da tragédia — um tanto cômica. Embora a maioria dos brasileiros, hoje, não saiba quem foi ele, o processo político vive sob a égide dos desastres que produziu. Getúlio é o pai do moderno atraso brasileiro.

Quanto a você ser jornalista e historiador... Bem, não tenho vaga no momento. Quer que eu mande o seu currículo para a Abril?

Catellius disse...

André,

"Quem é o garoto?"

Só uma foto de internet à qual adicionei a pena.

"Parabéns, depois vamos combinar alguma coisa pra comemorar."

Isso. Uma pizza e um chopp no Baco qualquer dia desses.

"Na verdade, nenhuma profecia foi realizada."

Só realizou as profecias babinhas, que qualquer louco aspirante a messias poderia cumprir, como entrar em Jerusalém montado no lombo de um apóstolo, calar-se perante seus acusadores, etc. Para ele nascer em Belém os falsificadores criaram um senso anacrônico, que não encontra respaldo em historiadores romanos, traduziram mal "moça jovem" do VT para "virgem", daí José ter sido chifrado pela Pomba.

"E um astrólogo diria que Touro, com Netuno entrando na Casa de Plutão e com o Ascendente em Áries, hummm, tinha tudo pra dar certo."

O probleminha é que Plutão não é mais planeta, he he. Espero que a ONG "Amigos de Plutão", que recebe dinheiro do governo, reabilite o injustiçado planetóide nos confins do Sistema Solar. Interessante é que como o Pugnacitas nasceu em 06/11 ele é Escorpião, he he, regido portanto por Plutão, o deus dos mortos!

"O meu Oportunidades teve tudo isso de visitas?"

165 visitas em um único dia. Mas teve mais visitas ao todo.

Pedro Amaral Couto disse...

Parabéns.
O "Pugnacitas" faz anos perto dos meus. LOL

Tem uma coisa que queria para presente: nesta semana assinei os "feeds" dos blogs favoritos, e não consigo com o Pugnacitas :-( Fiz com o Fórum Pugnacitas, mas falta o original.

Vi o vídeo. Acho que é da série "Is it Real?" da National Geographic. É uma série excelente.

Abraços

André disse...

"Para ele nascer em Belém os falsificadores criaram um senso anacrônico, que não encontra respaldo em historiadores romanos, traduziram mal "moça jovem" do VT para "virgem", daí José ter sido chifrado pela Pomba."

Chifrado pela Pomba, essa foi boa.

É, Plutão não é mais planeta. É um planetóide, he, he. Um pedaço de pedra espacial.

Que bom q um post meu teve tantas visitas, ainda q não seja o meu predileto.

Bom final de semana pra vc, para o seu colega de trabalho e pra sua família!

Blogildo disse...

Vida longa ao Pugnacitas! Viva a divergência!

God bless all of you!
Hehehehe!

A Língua disse...

DENÚNCIA: "*CHANCELER* DAS FARC MORA NO BRASIL SOB PROTEÇÃO DE MULLA, PT & PCdoB"

Olavo de Carvalho divulga denúncia do Jornal El País que prova o envolvimento de Mulla, Burro-Chávez e Kirshner para fazer as FARC penetrarem na classe política para que leis satânicas de imposição contra os cristãos e todas as pessoas de bem (de outras religiões ou ateus) para CONSOLIDAR O CRIME ORGANIZADO NO TOPO DA HIERARQUIA DE PODER, fazendo assim até as Forças Armadas de ambos os países baterem continência ao "narcotráfico".

André disse...

Brazil: The Benefits of a Mammoth Oil Find

Brazil's mammoth offshore oil find, projected to hold as much as 8 billion barrels of light crude, gives the country the world's eighth-largest reserve of oil and increases its reserves by 40 percent. More important, the field will provide Brazil with an energy alternative to its unreliable Latin American neighbors and strengthen Petroleo Brasileiro's grip on deepwater drilling.

Officials at Brazil's government-run oil firm, Petroleo Brasileiro (Petrobras), confirmed Nov. 8 that a huge offshore discovery in the Tupi field could hold as much as 8 billion barrels of recoverable light crude. The find could put Brazil between Venezuela and Nigeria in terms of oil production and turn Brazil into a major world exporter -- although those could be the least significant aspects of the find.

Commercial production at the Tupi field is expected to begin in 2013-14 with an initial target of 100,000 barrels per day (bpd) of light crude -- potentially to reach 1 million bpd down the line. Brazil currently imports 360,000 bpd (the projected 2007 figure) of light crude to mix with domestically extracted heavy crude for refined products. In terms of volume, the Tupi field could make Petrobras' reserves higher than those of Royal Dutch/Shell and Chevron Corp., with only ExxonMobil Corp. and BP ahead of it.

More important, this development will reduce Brazil's energy dependence on its unreliable neighbors, especially Bolivia. Brazil currently imports 9 billion cubic meters of natural gas each year from Bolivia alone, and it has gone to great lengths to reduce that dependency. Its extensive ethanol biofuels program and its decision to build three liquefied natural gas terminals -- one in Rio de Janeiro and one in the northeastern state of Ceara, both of which will go on line in May 2008 -- are all attempts to reduce dependence on Bolivian natural gas. The Tupi field, therefore, could provide Brasilia with attractive options. As President Luiz Inacio "Lula" da Silva's chief of staff explained, the field "has changed our reality."

Helping Brazil make the most of this new reality is Petrobras itself. Brazil's energy powerhouse is an atypical state-owned company (the state controls 55.7 percent) in that it is operated like a well-run private business. Moreover, Petrobras already is considered a world leader in deepwater exploration technology -- providing technological know-how to India's Oil and Natural Gas Corp. and Mexico's Petroleos Mexicanos -- and it currently is the world's largest deepwater producer, with about 65 percent of its offshore exploration blocks below 1,300 feet and 70 percent of its production coming from deep and ultradeep waters. The company, therefore, is more than ready to face the technological challenge of extracting oil from the ultradeep Tupi field -- which lies more than 23,000 feet below sea level (7,000 feet of water, 10,000 feet of sand and rock and another 6,600 feet of salt).

Petrobras, therefore, is looking at becoming the developing world's first supermajor -- one that has the technological know-how to handle offshore exploration at extreme depths. And it could leverage its image as a nonthreatening, extremely efficient developing-world company to provide offshore drilling services in countries such as India, Nigeria and Angola -- which fear that the developed world's supermajors are exploiting their natural resources.

The Tupi field will definitely give Brasilia options in both its energy strategy and its future trade relations, especially with oil-hungry countries such as China. For instance, it could leverage its oil find for favorable terms for its export of soy to China. Becoming a major oil exporter could even impact how Brazil looks at climate change negotiations and its ethanol biofuels strategy. It could concentrate on developing its biofuels infrastructure and become a major oil exporter, or it could chose to supply the European Union with ethanol while keeping the oil in this find to secure its own energy independence.

Either way, Brazil will soon have the options to play the market and decide on the most beneficial strategy.

Orlando Tambosi disse...

Um postzinho já começou com encrenca lá em cas. Bene, religião sempre dá encrenca, mas não atacando...

Catellius disse...

Grande professor Tambosi!

Por favor, nunca deixe de me avisar quando os crentes estiverem pregando em seu blog! Estou indo para lá neste segundo, he he!

Catellius disse...

Jô Soares entrevista Diogo Mainardi:

1ª Parte
2ª Parte
3ª Parte

O Diogo é um sujeito divertido, em primeiro lugar. E tenho afinidade com o que ele pensa sobre política, religião, aborto, literatura, cinema, filosofia, etc.

Mainardi em um brilhante momento: “Conheço apenas duas evangélicas. Ambas empregadas domésticas. (...) o filósofo romeno Cioran disse que o triunfo do cristianismo em Roma se deveu aos domésticos, na maior parte imigrados, que apagaram o brilho intelectual do mundo antigo, levando a melhor sobre seus senhores. Para Cioran, o estupor causado pelo avanço do cristianismo nos espíritos cultos da época foi bem descrito por Celso, que, no século II d.C., atacou a ignorância e baixeza dos fiéis da doutrina emergente. A doutrina dos empregados domésticos.”
E no final do artigo: “E, voltando ao Brasil, o que dizer dos padres de esquerda das comunidades de base? Quantos votos eles levam ao PT? Mais ou menos do que os pastores evangélicos? O fato é que a religião de sua empregada doméstica triunfará, como aconteceu na antiga Roma.”

--//--

Blogildo disse (não aqui): “O Pugnacitas fez um ano! Que Deus abençoe aqueles ateus!”

Obrigado! Mas espero que as bênçãos tenham efeito psicológico positivo e não sejam como aquelas que os ateus recebiam não muito tempo atrás, he he.
Se um deus criador e omni-tudo existisse ele certamente seria ateu. Bom, ao menos em relação ao ciumento Javé, ao tarado Júpiter, à ciumenta Juno e a outros personagens divertidos.

Heitor Abranches disse...

EXCLUSIVO! TERCEIRO MANDATO! DOCUMENTO INTERCEPTADO NA COMUNICAÇÃO ENTRE DOIS DIRIGENTES DO PT!

“Agora sim, o procedimento que vamos adotar está lido, relido e analisado por dois grandes juristas, cujos nomes já lhe informei pessoalmente. O memorando dele é objetivo e claro. Os passos serão os seguintes, na Câmara e no Senado. A novidade que ele confirmou, é que com este procedimento se prescinde de emenda constitucional prévia. A) Decreto legislativo convocando plebiscito em 2008, na data da eleição municipal aprovando a segunda reeleição, ou terceiro mandato consecutivo. B) Basta a assinatura de 1/3 dos deputados e depois dos senadores. C) Presença no painel em plenário: 50%. D) Votação se dá por maioria simples independente do numero de votos. Uma vez realizado o plebiscito com a vitória inevitável pró segunda reeleição ou terceiro mandato, a legitimidade da tese e a pressão popular, seriam avassaladoras. Aí sim se faria tramitar a PEC como simples ratificação da vontade popular. Irresistível. Ideal seria que a proposta de Decreto Legislativo fosse apresentada simultaneamente nas duas casas já com 1/3 dos deputados e senadores. Mas é importante que a primeira votação seja na Câmara. Lembro que nenhum parlamentar de nossa base que não queira se comprometer terá problemas. Basta se ausentar da votação. Um terço temos fácil e depois garantir o quorum de 50% e se ausentar, e deixar para os mais firmes a maioria simples em plenário, é outra vez muito fácil. Depois do plebiscito, que deputado ou senador terá coragem de votar contra a PEC? O terceiro mandato sairá das ruas".

André disse...

“Votação se dá por maioria simples independente do numero de votos”

Não é “independente do número de votos”. Isso não faz sentido. A maioria simples ou relativa consiste no voto da maioria dos PRESENTES, desde que PRESENTE na sessão a maioria ABSOLUTA dos membros. Essa é a regra, quando a Constituição não exige deliberação distinta (maioria absoluta, dois terços, três quintos...).

Nas deliberações que exigem maioria absoluta, leva-se em conta o número total de integrantes da Casa, sendo, por isso, um número fixo de votos, independentemente do número de parlamentares presentes à sessão. Aliás, maioria absoluta = metade dos integrantes + 1.

Logo, uma coisa é a regra (maioria dos presentes, presente a maioria absoluta). Outra é o quorum especial, de maioria absoluta (metade dos membros da Casa mais um ou “o primeiro número inteiro após a metade dos integrantes da Casa”). Exige-se esse quorum, de maioria absoluta, p. ex., para aprovação de uma lei complementar.
Já uma emenda à CF exige o voto de 3/5 em cada Casa. E por aí vai.

No caso do decreto legislativo, como não se faz nenhuma exceção em nenhum dos regimentos, tanto no da CD como no do SF, vale a regra da maioria simples, presente a absoluta.

“Mas é importante que a primeira votação seja na Câmara.”

A primeira votação é feita na Câmara de qualquer maneira.

Mesmo nesse caso (decreto legislativo), em que o procedimento é bicameral, ela começaria na Câmara de qualquer forma. Pois neste caso se aplica outra regra: a CD é a Casa Iniciadora e o Senado é a Revisora.

Decretos legislativos são atos do Congresso para o tratamento de matérias de sua exclusiva competência (diferente das resoluções, que são deliberações sobre assuntos de competência privativa, normalmente utilizadas por cada Casa, separadamente, mas também pelo Congresso, geralmente para tratar de assuntos internos, políticos, administrativos, enfim, que não estejam sujeitos à reserva de lei — que estão fora do processo legislativo).

A determinação do alcance do decreto legislativo e da resolução sempre foi confusa. A regra era que a resolução servisse para o tratamento de matérias de caráter interno das Casas ou do Congresso, enquanto o decreto leg. disciplinaria matéria externa ao Legislativo. Hoje essa distinção perdeu relevância.

Na prática, a real distinção entre uma é outra é fixada pelos regimentos de cada Casa e pelo Congresso, que apontam caso a caso quando se usa uma e quando se usa outra.

Mas, enquanto as resoluções podem ser expedidas pela Câmara ou pelo Senado ou pelo Congresso, os decretos leg. são atos privativos do Congresso.

Se a resolução for do Congresso, o procedimento será bicameral, com atuação obrigatória das duas Casas. Se o ato legislativo for da CD ou do SF, haverá procedimento só no âmbito da respectiva Casa, naturalmente.

Tanto no decreto leg. como na resolução, não há participação do Chefe do Executivo, nem para fim de sanção, nem de veto ou promulgação, por tratar-se de ato privativo de cada Casa ou do Congresso.

Encerrada a aulinha pedante de direito:

“O terceiro mandato sairá das ruas", “a pressão popular será avassaladora”.

Acho isso questionável.

André disse...

Por outro lado, no Brasil quase tudo é possível. E a canalha no poder hoje representa bem a canalha nas ruas. Mas certamente o advogado do PT, Márcio Thomaz Bastos, corrigiria os dois sindicalistas paus-de-arara em sua conversa aí acima. Ou os dois pseudointelectuais paulistanos, também pode ser.

André disse...

Esses "dois grandes juristas" aí não são grandes se deixaram passar esses detalhes. E olha que isso que eu ressaltei é o mais superficial da coisa.

Heitor Abranches disse...

Diga entao Andre,

Se vc fosse petista e quisesse convocar um plebiscito para isto, como vc faria?

Bruno Miguel Resende disse...

Viva.

Os meus parabéns pelo ano de vida e continuação do excelente trabalho! É sem dúvida uns dos blogs mais apetitosos que circulam por aí.

Cumprimentos!

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