06 setembro 2007

Individualidade, Identidade e Identificação

O individuo é uma criação das grandes religiões monoteístas como o cristianismo e o islamismo. Antes destas religiões prevalecia a lógica tribal. Na Arábia, se houvesse um assassinato, a tribo à qual pertencia a vitima poderia se satisfazer com o assassinato de alguém da tribo do assassino. Isto parece estar também refletido na Lei de Talião.

Estas religiões adotaram a idéia egípcia do julgamento final de Osíris, onde o coração deveria pesar menos que a pena da deusa Maat para que se pudesse ir ao paraíso. Desta forma, a consciência individual estaria em julgamento e não mais sujeita ao destino tribal.

Com a crescente urbanização destas sociedades e a dissolução dos laços tribais, o surgimento das hiper-tribos dos irmãos no islã e em Cristo, juntamente com a questão do julgamento individual, criou as amarras para que o individuo fosse julgado por suas ações. Talvez Freud dissesse que aí surgia o superego.

A psicanálise diria que a idéia de individuo é uma ilusão porque este seria um amálgama entre identificações e uma sucessão de desejos dentro de um eixo de busca de prazer e fuga da dor. Não obstante, do ponto de vista legal, a maioria das pessoas não pode alegar que cometeu um crime porque tinha um desejo que não tem mais e portanto o desejo é que deveria ser punido.

Na Igreja Universal eles chamam isso de demônio. Assim, o individuo, ou talvez como diria um psicanalista, o subjeto foi possuído por um desejo e fez o ato sob sua influência. A Opus Dei talvez recomendasse o cilício, para manter a pessoa a salvo de certos desejos.

Pessoalmente, acho engraçado que nossas novelas tenham sempre um indivíduo mau que quando sobrevive ao assassinato infalivelmente fica louco. Para mim, é um tanto decepcionante ver o mau se desfazer na loucura, inventada ou real.

Os indivíduos têm várias identidades, ou seja, gênero, idade, grupo social, nacionalidade, posição política, e, dependendo da situação, utilizam uma destas identidades ou ela aparece e mecanicamente se impõe. Quando uma identidade se impõe temos uma identificação, ou seja, uma reação automática que traz um personagem supostamente mais bem adaptado a uma situação.

Este mecanismo onde uma identidade assume chama-se identificação, e contraria o funcionamento orgânico do indivíduo, que não decide qual personagem adotar em uma situação. Neste sentido, não há decisão, não há juízo e, portanto não pode haver julgamento. Filosoficamente, se não existe um indivíduo que toma a decisão então talvez não haja nada. Talvez, o indivíduo só comece a existir quando algo tome a decisão. Antes disso, somos apenas uma ilusão.

68 comentários:

Catellius disse...

Desculpe-me, caro colega de blog, mas não apenas discordo de muita coisa como acho uma extrema bobagem dizer que o indivíduo é uma invenção de alguém ou de algo, quanto mais do monoteísmo, quanto mais do islamismo, que é um plágio. Como ao plagiador pode se dar o crédito da invenção, ainda mais quando não houve invenção alguma?

"O individuo é uma criação das grandes religiões monoteístas como o cristianismo e o islamismo."

Para pegar apenas os clássicos, como você classifica Eratóstenes, Arquimedes, Sócrates? Não eram indivíduos? Segundo qualquer dicionário eles eram indivíduos, eles e qualquer silvícola perdido no coração da Amazônia. Até um cachorro é um indivíduo, he he. Caso haja uma nova acepção esotérica ou da psicologia, convém colocar o termo em itálico, por exemplo. Simplesmente não faz sentido isso que você escreveu.

"Antes destas religiões prevalecia a lógica tribal."

Lógica Tribal: O Direito Romano, a tribal Democracia Direta de Atenas, a República Romana, as Escolas Filosóficas, o Estoicismo.
Na verdade, o politeísmo estava mais próximo do ideal de liberdade religiosa. Qualquer sociedade com liberdade religiosa caminha para uma espécie de politeísmo. Na Bahia, por exemplo, muitos católicos adoram deuses africanos, seguem a astrologia daqui e a chinesa, rendem-se a toda sorte de mandingas, "lêem" o futuro, adoram santos, veneram "deuses" de carne e osso como o ACM, he he.

"Estas religiões adotaram a idéia egípcia do julgamento final de Osíris, onde o coração deveria pesar menos que a pena da deusa Maat para que se pudesse ir ao paraíso."

Ora, então o "indivíduo" não é uma invenção do monoteísmo mas do politeísmo egípcio, he he. E, aliás, o monoteísmo apareceu antes no Egito do que em Israel.

"Com a crescente urbanização destas sociedades e a dissolução dos laços tribais, o surgimento das hiper-tribos dos irmãos no islã e em Cristo, juntamente com a questão do julgamento individual, criou as amarras para que o individuo fosse julgado por suas ações."

Mas se não havia indivíduos antes, como eles podiam ser julgados?

"A psicanálise diria que..."

Deixe-me compreender o uso do tempo verbal; se ela "diria" é porque não disse?

"...a idéia de individuo é uma ilusão porque este seria um amálgama entre identificações e uma sucessão de desejos dentro de um eixo de busca de prazer e fuga da dor."

Então você não está falando de indivíduo mas de livre-arbítrio, é isso? E foi inventado pelo monoteísmo?

"Não obstante, do ponto de vista legal, a maioria das pessoas não pode alegar que cometeu um crime porque tinha um desejo que não tem mais e portanto o desejo é que deveria ser punido."

É lógico. Do mesmo modo que não pode alegar que agiu sob a influência do demônio, como você depois lembrou.

"Os indivíduos têm várias identidades, ou seja, gênero, idade, grupo social, nacionalidade, posição política, e, dependendo da situação, utilizam uma destas identidades ou ela aparece e mecanicamente se impõe. Quando uma identidade se impõe temos uma identificação, ou seja, uma reação automática que traz um personagem supostamente mais bem adaptado a uma situação."

Legal.

"Este mecanismo onde uma identidade assume chama-se identificação, e contraria o funcionamento orgânico do indivíduo, que não decide qual personagem adotar em uma situação."

Discordo totalmente. Digamos que possa haver uma tendência. Daí a dizer que não decidimos qual personagem adotar vai uma grande distância.
Quanto a contrariar o funcionamento orgânico, grande América! Contrariamos o "funcionamento orgânico" quando não nos agachamos no meio da Avenida Paulista para defecar, quando não sacamos o "membro" e partimos para cima do belo espécime do sexo oposto em pleno metrô, quando não matamos um flamenguista tocando corneta no apartamento ao lado.

"Neste sentido, não há decisão, não há juízo e, portanto não pode haver julgamento."

Só estamos mudando o nome das coisas. Prendemos o cachorro hidrofóbico e deixamos o são solto, independentemente de haver uma decisão por trás. Se um indivíduo rouba, irá preso mesmo não tendo decidido, ainda mais que nem os juízes nem os policiais nem ninguém decidiu prendê-lo também, ha ha ha. Ele foi parar na cadeia por causa da identificação do resto da sociedade. Perdoe-me, Heitor, mas dá no mesmo. Isto, para mim, é papo furado.

"Antes disso, somos apenas uma ilusão."

"Ilusão" vira assim o nome para "realidade", he he. O "Mundo Imaginal" de Corbin... Sugiro que se crie uma nova língua, um tipo de Esperanto, apenas para os esotéricos. Se os cristãos também criaram a sua, onde o real é o que se crê seja real, onde a fé vale mais do que a realidade, sugiro que cada "indivíduo" tenha seu idioma e que todos se mudem para um manicômio, he he he.

Abração!

F. Velasco disse...

Melhor dizer «segundo fulano o indivíduo é uma criação do monoteísmo», para a seguir dares teu parecer. Do modo como colocaste fica a impressão de que de facto o indivíduo é uma criação do monoteísmo.

O+cioso disse...

Esse F. Velasco é um "português" que está no mesmo fuso horário que o Catéquitus, kkkk. Quem será ele?

O+cioso disse...

Caraca, Hector, agora vc se superou, kkk! Nem no Oceano Pacífico tem tanta água como neste post, huhuhu. Só quem vai gostar é o Catchupzinho, ops, o Mostardinha, kkkk.

Catellius disse...

E quem sabe ele não é você e você não é algum desmiolado com o qual eu debati em algum blog por aí? Desgrude, carrapato! Vá aporrinhar outro.

Bocage disse...

Catellius,
o mentecapto do O+dioso escreveu para ti:

"E os descrentes, em oposição, são seres unicelulares que não têm propósito na vida a não ser nascer, crescer, reproduzir-se e morrer, como qualquer PERRO da esquina, kkkk."

Um certo Bernardo escreveu ao Ludwig Krippahl, do excelente Que Treta!:

«a vida do ateu é explicada de forma simples: "Trabalho para obter dinheiro; uso o dinheiro para obter comida; como para me manter vivo; morro. Ponto final." [...]
Sem modelos nem referências transcendentais, o ateu radica a sua existência no hic et nunc, no "aqui e agora" utilitarista, na fruição da experiência existencial tal qual ela é, sem grandes interrogações ou suposições metafísicas. [...]
Para o crente [...] Deus criou tudo. [...] A vida não pertence ao Homem, mas sim a Deus: é um dom de Deus para o Homem.»

Ao que Ludwig Krippahl respondeu:

"É verdade que não considero a vida um dom de Deus para o Homem. Que dom? Temos que lutar por ela. Bombear o sangue pelo corpo, ventilar os pulmões, ingerir água e alimentos. Viver é tão difícil que nem se consegue sozinho, e só podemos contar uns com os outros. Ninguém sobrevive a fiar-se em deuses. A vida não é uma dádiva divina. É uma obra nossa, um esforço individual e colectivo.

Mas o Bernardo falha na inferência. Rejeitar especulações infundadas não me limita nem ao hic nem ao nunc. Não vivo no agora. Dedico uma boa parte da vida ao meu futuro e ao futuro de outros. Nem vivo no aqui. Sou ateu precisamente por tentar ir além da crença pessoal, moldando as minhas opiniões ao que observo da realidade.

Neste universo vale a pena. No outro dos elefantes a segurar a terra em cima da tartaruga talvez não valesse, mas neste a realidade é muito mais rica que a especulação da nossa imaginação limitada. A argumentação teológica é ridícula quando comparada às reacções nucleares numa estrela, à formação de moléculas complexas ou ao equilíbrio dinâmico de um ecossistema. Compreender a realidade leva-nos muito mais longe que qualquer oração.

E compreender a realidade faz parte deste esforço para viver que mostra que, em parte, a vida de cada um é mérito seu. A ajuda que recebemos devemo-la a pessoas como nós, a quem também podemos ajudar. A vida é uma cooperação entre iguais. Não é uma esmola de um ser omnipotente nem uma mera passagem para outra vida sabe-se lá onde. É uma oportunidade única, frágil e preciosa.

Por isso preocupem-se com a vida depois da morte, mas não com essa treta das alminhas numa eternidade de hossanas. Preocupem-se com o ambiente, com o uso de recursos limitados, com o progresso do conhecimento e com o legado que deixamos aos que virão depois de nós.

Agradeçam. Mas não a seres mitológicos ou abstracções metafísicas. Agradeçam aos que construíram as nossas sociedades, que descobriram o que sabemos acerca da natureza e nos dão a possibilidade de ir mais além. E não agradeçam de joelhos, de palminhas unidas ou com sermões sem sentido. Agradeçam de mangas arregaçadas e a fazer algo de útil.

E se querem dar, dêem. Dêem oportunidades, educação ou ajuda a quem precisa. Ou mesmo esmolas, se não tiverem mais nada para dar. Mas não aos padres nem à igreja. Ninguém precisa nem merece menos que esses."

Heitor Abranches disse...

Não se preocupe Catellius,

Este o+cioso é uma 'ilusão'. De alguma forma o nosso blog lhe dá algum prazer ou benefício, caso contrário ele não estaria aqui!

Se ele for um FC1 lulista infiltrado o chefe mandou ele para cá.

Se ele for um desocupado, então nós preenchemos o seu vazio interior e lhe proporcionamos algum prazer.

De qualquer forma, como ele não toma esta decisão... Como ele não pode evitar...Então, ele não existe...

Aliás, se ele for socialista é não acreditar no indivíduo então perfeito ele não existe sequer na esperança de existir.

C. Mouro disse...

Gosto disso:
(...)
Concluindo:
O grave é quando não há o "eu egoísta" ou capacidade de assumir-se segundo a própria percepção de si, demasiado dura para robôs sem referencia própria, que passam então a negar a si, ao "eu egoísta", privilegiando o "eu egocêntrico" que toma referencias alheias a si, já que não se vê único jamais, passando então a existir para valores alheios ou tentando simular em si o suposto bem estar de outros que, por vezes, assim afirmam para tentar uma "felicidade" valendo-se da idéia que em outros implantam a seu respeito. Desta forma um "eu outro" tem problemas para realizar-se, e busca na demagogia, cada vez mais, a realização que não consegue encontrar, mas apenas fingir, entregando-se cada vez mais a "outros" que não a si, por não suportar-se, e por tal odeia o mundo e torna-se obscurantista, como forma de propor a outros o "seu nada" ou ergue-lo como um "nada-Rei". O fato é que o indivíduo está morto, é só um robô eterno, que eternamente estará à procura de referências e valores alheios para viver de imitação, perdido entre o "tudo" que procura através do "nada" que sempre encontra.
"Escravo" do "eu": sim! escravo de um "outro nada": Não!. Negar a si não rebaixa outros, tanto quanto negar a outros não eleva a si.
Um GRANDE abraço. - (06 / 01 / 2000)

Bocage disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bocage disse...

Heitor,
Qualquer indivíduo crescido, de mínima capacidade mental, mesmo o mais bovino, já se viu diante de um dilema atroz, uma "tempestade sob um crânio" (não por acaso, o título do capítulo de Les Misérables em que se descreve o dilema de Jean Valjean entre assistir impassível à condenação de um inocente e denunciar-se e ser preso e execrado publicamente), um forte conflito entre dois desejos, e, após muitas ponderações e análise das conseqüências foi obrigado a optar pelo que julgou ser o melhor, mais conveniente, etc. Se isto não é livre-arbítrio, se uma pessoa considerada isoladamente não é um indivíduo, devemos abandonar a comunicação pela linguagem. Se uma convenção é posta em xeque, se é derrubado o consenso sobre o significado de substantivos ordinários como esses, como esperar consensos sobre qualquer outra coisa?

Bocage disse...

O Mouro disse:

"Gosto disso:
(...)"

Rsrsrsrsrsrsrs

Heitor Abranches disse...

bocage,

Quando dois desejos se opõem ou querem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo então percebe-se a fragmentação do chamado "Eu".

A maioria dos desejos não são visíveis. Sucedem-se sem maiores traumas no lugar da nossa consciência.

Como eles conseguem isto? Porque todos eles se chamam EU. Nenhum desejo surgirá no horizonte da nossa consciência e se dirá desejo x. Ele sempre se colocará como eu e no lugar do eu.

A questão seria existe um eu mais permanente?

André disse...

O individualismo não foi tanto assim uma criação das grandes religiões monoteístas.

“e contraria o funcionamento orgânico do indivíduo, que não decide qual personagem adotar em uma situação. Neste sentido, não há decisão, não há juízo e, portanto não pode haver julgamento. Filosoficamente, se não existe um indivíduo que toma a decisão então talvez não haja nada. Talvez, o indivíduo só comece a existir quando algo tome a decisão.”

Hummm... não sei se é tão simples assim ou se realmente funciona desse jeito. Me parece uma rota de fuga cômoda.

Klaatu é doidinho, mas é muito inteligente e simpático, até onde a gente pode ver nesse mundo virtual limitado

“energúmeno” significa “possuído pelo demônio”?

Olavo de Carvalho tem verdadeira cultura filosófica, e muita, só não tem caráter.

Assim como Ariano Suassuna escreve muito bem, é inteligente, mas é um débil primitivo quando abre a boca pra falar em política, interna ou externa.

Ah, sim: e o indivíduo não é uma invenção.

Lógica tribal? Roma não era tribal. Nem a Grécia. E havia muito individualismo, claro, dentro de limites, esses sempre existem.

Essa menção a Osíris não faz sentido, me desculpe.

Se não havia indivíduos antes, como julgar os primeiros deles? Meio complicado.

Se a psicanálise diria é pq disse mesmo, acho.

Há uma confusão aí entre indivíduo e livre-arbítrio.

Claro que decidimos qual personagem adotar.

Não sei se o islamismo pode ser considerado um plágio.

No fundo, o Ocioso gosta daqui e não vive sem nós.

Bocage disse...

VIENA (AFP) — Uma bandeira preta, em sinal de luto, foi hasteada nesta quinta-feira na Ópera de Viena num momento em que choviam as homenagens do mundo da música, das artes e da política ao legendário tenor italiano Luciano Pavarotti.

A honra que a prestigiada sala de ópera austríaca prestou a Pavarotti é pouco habitual e está reservada normalmente aos membros honorários. O diretor do teatro vienense, Ioan Holender, lamentou a morte da "voz mais bela" de nosso tempo.

A diretora do festival de Salzburgo, onde Pavarotti cantou em numerosas ocasiões, também falou de uma grande perda.

"Pavarotti era um desses artistas excepcionais que, desde a primeira nota entoada podem agradar ao público e à imprensa", declarou Rabl-Stadler.

Enquanto Viena se vestia de luto, no mundo todo, amigos, colegas e admiradores de Pavarotti elogiavam a personalidade e a carreira do cantor, morto na madrugada desta quinta-feira aos 71 anos em sua casa ao norte da Itália após uma longa luta contra o câncer.

O espanhol José Carreras, um dos "Três tenores" que se apresentou ao lado de Placido Domingo e Pavarotti, disse que prefere "lembrar-se dele como o grande artista que era, um homem de extraordinário carisma".

"Ele tinha uma personalidade muito divertida", declarou Carreras ao jornal Expressen, de Karlstad, centro da Suécia, onde deu um concerto na noite de quarta-feira. "Era também um especialista na área gastronômica, além de bom amigo e grande jogador de pôquer", comentou.

Plácido Domingo aclamou a qualidade única de sua voz.

"Sempre admirei a glória divina de sua voz, o timbre inconfundível especial que ia do baixo ao mais alto registro de um tenor", disse Domingo num comunicado divulgado em Los Angeles.

A soprano espanhola Montserrat Caballé lamentou, chorando, a morte de seu "amigo de alma", Luciano Pavarotti, um "ser único, de imensa bondade" e cuja desaparecimento significa uma "perda muito grande para o mundo lírico".

"Era uma pessoa fantástica, de quem eu gostava muito e admirava ainda mais", declarou Montserrat Caballé à rádio Cadenar Ser.

Caballé acrescentou que o tenor italiano a ajudou muito quando ela esteve gravemente doente em 1985.

O tenor chegou a se apresentar por 140 vezes em 28 anos na Scala de Milão.

"Com ele, uma era de esplendor do canto lírico passa para a história (...) as gravações marcarão para sempre a sua grandeza", declarou Stephane Lissner, superintendente dessa sala de ópera italiana.

O Metropolitan Opera de Nova York (Met), onde Luciano Pavarotti cantou cerca de 400 vezes, aclamou o tenor italiano como o "maior símbolo" da ópera.

"Poucos cantores na história do Metropolitan Opera teve a popularidade e o enorme impacto no público que teve Luciano Pavarotti durante sua carreira de 36 anos", indicou o diretor musical do Met, James Levine.

"Luciano Pavarotti foi um dos maiores cantores do nosso tempo e deu muito prazer ao público, aos músicos e aos empregados do Royal Opera House durante muitos anos", anunciou o teatro da ópera de Londres num comunicado.

Pavarotti, cuja arte transbordou o âmbito da ópera para compartilhar shows com músicos de rock e pop, foi também lembrado por Bono, o cantor do grupo U2, com quem interpretou uma dupla em "Miss Sarajevo" em 1995, para denunciar os sofrimentos do povo bósnio.

"Alguns sabem cantar ópera. Luciano Pavarotti era uma ópera", afirmou o cantor irlandês. "Era um homem vulcânico que cantava com fogo, que derramava amor pela vida, em toda a sua complexidade, um imenso e generoso amigo", disse.

O mundo da política e do cinema também se uniram para homenagens.

O presidente americano George W. Bush, recordou, num comunicado transmitido em Sidney, onde assiste a uma reunião do Fórum de Cooperação Econômica Asia-Pacífico, que "Pavarotti foi também um grande militante das causas humanitárias, utilizando seu magnífico talento para concentrar enormes níveis de apoio a vítimas de tragédias no mundo todo".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também lamentou, em um comunicado, a morte de um homem que "fez uma grande contribuição" às pessoas carentes do mundo. Seu trabalho com crianças, principalmente aqueles afetados pelos conflitos armados, abrangeu desde o Afeganistão até a Libéria", disse um porta-voz de Ban numa nota.

O mundo do cinema reunido em Veneza "recebeu com pesar a notícia da morte de Luciano Pavarotti e expressa seus profundos pêsames com uma perda tão grande para a música e para a cultura do país, da qual Pavarotti foi um representante extraordinário", disse numa nota oficial Davide Croff, presidente da Bienal de Veneza.

A fachada do teatro "La Fenice" de Veneza, onde Pavarotti começou a carreira em 1961, amanheceu nesta quinta-feira com as bandeiras hasteadas a meio-pau com faixas pretas em sinal de luto.

Catellius disse...

É, Pavarotti....
Para quem já morreu trezentas mil vezes no palco, um dia de Mario Cavaradossi não vai mal...

Mario é personagem da ópera Tosca, de Puccini. O chefe de polícia promete que usará balas de festim na execução de Mario Cavaradossi desde que sua namorada, Tosca, faça sexo com ele. Esta aceita a ultrajante proposta mas, após ele assinar um salvo-conduto para saírem de Roma ela crava uma faca no peito do bastardo, bem quando ele grita "Tosca, finalmente minha!".
Na hora da execução, Mário cai e ela exalta seus dotes de artista. Quando os soldados saem e ela vai acordá-lo, percebe que está morto mesmo, porque o safado do Scarpia, o chefe de polícia, tinha a intenção de comê-la e ainda matar seu namorado, he he, e mandou in off que usassem balas de verdade: "... simulata!... Come
avvenne del Palmieri! Hai ben compreso?". Enquanto ela grita desesperada, os soldados, que já encontraram nos andares inferiores o corpo de Scarpia, de volta à cena do fuzilamento acuam Tosca, que pula do alto do Castelo de Sant'Angelo gritando: "O Scarpia, avanti a Dio!" (Scarpia, nos encontraremos diante de Deus).

Muito bem, o Pavarotti interpretou muitas vezes esse herói. Se eu fosse o obeso tenor e percebesse que meus dias estavam contados pediria para encenar a Tosca e substituiria as balas de festim da ópera por balas de verdade, he he. Bom, na verdade vi isso em um filme com Mario Lanza.

Fim da cultura inútil.
Abraços

André disse...

O Pavarotti morreu? Nossa, e eu aqui, em alienação...

Francis dizia q ele estragou sua voz, de spinto, tenor ligeiro, insistindo em cantar papéis dramáticos. Descia o pau nele. Mário Henrique Simonsen também descia o pau em Pavarotti pelos mesmos motivos. Amanhã ou depois, vou pegar exatamente o q ele disse e colocar aqui.

Catelli, meu amigo avis rara, naturalmente deve saber muito mais sobre o assunto do q eu.

Ah, foi câncer...

Mas aquele negócio de Os 3 Tenores era um saco.

Prefiro (me emociono mais) com Joseph Schmidtt (judeu nanico q morreu maltratado por guardas suíços ao tentar fugir da Alemanha nazista — tinha saúde muito frágil, além disso), Di Stefano, Caruso e outros. A lsita é muito longa... Mas não sou muito entendido em ópera, acho.

Nossa, até o Osama Bin Laden deve ter se manifestado. E o Papão Ratozinger, disse algo?

Tosca é legal. E Rigoletto. E quase todas as de Mozart.

E algumas de Donizetti.

Ricardo Rayol disse...

Meu caro irmão Heitor, meu xará na caminhada esotérica oportunista, a divindade nirvânica é una. São dois lados da mesma moeda dialética e consequentemente um não sabe o que o outro faz. Seria o mesmo que culpar a mão esquerda pelo que faz a direita, ou não. A relatividade relgiosa da questão me traz profundas e meditabundas meditações. Saudações

Heitor Caolho, psicografado por Ricardo Rayol

André disse...

Ora, ora, agora virou moda (não q não fosse novidade): padres "de passeata" fazendo mais e mais discursos contra as privatizações. Hoje vi um desses vagabundos, naquela igreja jeca, jeca em Aparecida do Norte, dizendo q "privatizaram as empresas que davam mais lucro". O padre fala e todos mal levantam as cabeças. São como gado confinado. A julgar pelo olhar vácuo, deficiente de proteínas da platéia, dá pra imaginar o que eles entendem por privatização, lucro ou PIB. Porra nenhuma.

André disse...

Corrigindo... "Não que seja novidade"

André disse...

Bem adequado para o 7 de setembro:

País forte, nação soberana...

Geopolítica de pobre ou "vai sonhando...":

A nova estratégia de segurança e defesa lançada na quinta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende converter o Brasil "numa potência militar do século XXI", segundo afirma nesta sexta-feira reportagem publicada pelo diário financeiro argentino El Cronista Comercial .

O jornal afirma que "o plano de defesa faz parte de uma nova política industrial que beneficiará também o setor automotivo, a indústria naval, o setor da saúde e as ferrovias".

"A idéia do governo Lula é impulsionar a produção de equipamentos, estabelecer centros de tecnologia, substituir importações, diminuir os gastos do governo nesses setores e transformar o País em uma 'plataforma de exportações', segundo já havia dito o ministro da Indústria, Miguel Jorge nos dias anteriores", relata a reportagem.

O jornal observa que "o governo do Brasil quer aumentar o orçamento da Defesa de 2008 para US$ 4,6 bilhões, contra US$ 3 bilhões neste ano".

"Para Lula, um dos principais desafios deste plano será aliar o desenvolvimento das Forças Armadas ao desenvolvimento econômico e tecnológico do País e 'contar com um plano estratégico de Defesa, que considere os mais variados cenários futuros'", diz o jornal.

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Hoje o presidente de Moçambique vai estar ao lado de Lampião no desfile. Ano passado foi o Olosegun Obasanjo, ex-ditador daquela complexa ditadura "democrática" tribal, a Nigéria. Ele deveria ter chamado o cara do Gabão, aquele q ele admira por já estar no poder há mais de 30 anos, ao q parece. Grande democrata!

André disse...

O Lula vai "substituir importações", que idéia original, e desastrosa. E pensando em assuntos de Defesa.

Do jeito q argentino é alarmista e sempre assustado com os vizinhos, logo vai aparecer algum pra ressuscitar aquela historinha de q Itaipu teria uma utilidade "militar": inundar um pedaço deles.

Se bem q nossos militares nacionalistas também adoram essas gabolices supostamente embasadas em "pensamento estratégico refinado".

E, por falar em abrir comportas: o Dilúvio, agora, por favor... le déluge, s'il vous plait...

André disse...

Que meninos e meninas estudiosos!

E burros!

O ensino religioso remonta aos primórdios do Brasil colonial. Foram os padres jesuítas, patrocinados pela coroa portuguesa, os fundadores de algumas das primeiras escolas brasileiras no século XVI. A educação, no Brasil de então, se prestava basicamente a disseminar o catolicismo e arrebanhar fiéis. Nos séculos seguintes, outras ordens religiosas vieram movidas pelo mesmo propósito: elas esparramaram tantas escolas pelo país que, juntas, chegaram a concentrar 80% das matrículas do ensino médio nos colégios particulares, como revela um censo do início do século XX. Reinaram sem concorrência na elite do ensino até a década de 60, quando uma leva de escolas privadas começou a lhes roubar espaço, e elas tiveram de se reformular pela primeira vez para sobreviver aos novos tempos. Foi aí que os colégios confessionais se aproximaram dos laicos, ao se tornar menos doutrinários e desobrigar os estudantes de velhos hábitos, como ir à missa ou comungar. A segunda mudança nessas escolas é recente, e está sendo impulsionada por outro fenômeno de mercado: o surgimento de grupos privados de ensino, mais profissionais na gestão e tão ou mais eficientes nos resultados acadêmicos. Resume o especialista Claudio de Moura Castro: "Ninguém mais matricula o filho numa escola só porque ela ensina religião, como ocorria antes, mas, sim, por oferecer um conjunto de bons serviços".
É justamente nesse quesito que muitas das escolas confessionais têm falhado, segundo mostra uma nova pesquisa sobre o assunto. De acordo com os dados do Ministério da Educação (MEC), as matrículas nos colégios católicos chegaram a cair 20% ao longo da última década. Estabilizaram-se, mas hoje não saem do lugar. O trabalho revela que, no mesmo período, crescia a um ritmo surpreendente um outro tipo de escola religiosa: os colégios comandados pelos adventistas, egressos de um ramo protestante dos mais tradicionais da igreja evangélica. O fato chamou a atenção dos especialistas. Já são 318 dessas escolas no país, com 37% mais alunos do que dez anos atrás. Elas sobressaem em meio a milhares de outras não só porque proliferam rapidamente, mas também por seu bom nível acadêmico, aferido por medidores objetivos: algumas das escolas adventistas já aparecem entre as melhores do país nos rankings de ensino do MEC.
Os especialistas são unânimes em afirmar que um dos fatores que impulsionam essas e as outras escolas religiosas que dão certo no Brasil são valores que os pais acreditam ver nelas reunidos. É algo difícil de mensurar, mas foi bem mapeado por uma nova pesquisa que ouviu 15 000 pais de estudantes brasileiros de colégios religiosos. Ao justificarem sua escolha por uma escola confessional, eles foram específicos: acham que esses colégios são mais capazes de difundir valores "éticos", "morais" e "cristãos" (mesmo que eles próprios não sejam seguidores de nenhum credo). Um exemplo concreto do que agrada aos familiares, no caso das escolas adventistas: o incentivo local ao convívio das crianças com a natureza. Em vários dos colégios, cachorros transitam livremente pelas salas de aula e, num deles, o contato estende-se ao Pequeno Éden, um pátio por onde perambulam pôneis e galinhas. Em Embu das Artes, cidade de São Paulo onde fica a escola que sedia o tal "Éden", a diretora explica que a idéia é reproduzir o "clima do paraíso". O que também agrada a pais de todos os credos são as regras conservadoras ali aplicadas, entre elas a proibição de brincos e colares, para as meninas, e cabelo comprido, para os meninos. "Quero minha filha num ambiente onde se cultivem a disciplina e os bons hábitos", resume a secretária Vanda Balestra, mãe de Ludmila, de 16 anos. A jovem é católica e compõe o grupo dos 70% de estudantes matriculados em escolas adventistas que não seguem a religião.

Em sala de aula, onde se acompanha o currículo do MEC, são basicamente dois os momentos em que essas escolas se diferenciam das demais. O primeiro é nas classes de religião, muitas vezes diárias, durante as quais são entoados, com vigor fora do comum, cantos bíblicos como "A Bíblia é palavra de vida / Um canto de amor que Deus escreveu para mim" e crianças de 4 anos, como a pequena Larissa Conrado, manuseiam a versão infantil do Velho Testamento. Outra diferença aparece nas aulas de ciências, nas quais os estudantes são apresentados, sem nenhuma espécie de visão crítica, à explicação criacionista do mundo, segundo a qual homens e animais foram criados por Deus, tal como está na Bíblia. Esse, sim, é um evidente atraso. Historicamente, o criacionismo vigorou no meio acadêmico até o século XIX, quando foi superado pela teoria da evolução de Charles Darwin, que pela primeira vez esclareceu a origem dos seres vivos com base em evidências científicas. Em escolas de estados mais conservadores nos Estados Unidos, ainda hoje o criacionismo predomina – e Darwin é banido do currículo. No caso dos colégios adventistas brasileiros, as crianças aprendem as duas versões. A diretora de uma das escolas, Ivany Queiroga da Silva, explica como a coisa funciona: "Deixamos claro nosso ponto de vista, criacionista, mas damos a chance de os alunos conhecerem os dois lados". Por quê? "Respeitamos todos os nossos clientes. Além disso, eles precisam conhecer Darwin para passar no vestibular."
Esse pragmatismo dos adventistas é outro fator que ajuda a explicar o sucesso de suas escolas. Enquanto muitos dos colégios católicos ainda são administrados de modo mais antiquado, tal qual um século atrás, os adventistas implantaram um novo conjunto de medidas para profissionalizar a gestão. Do primeiro colégio, inaugurado em 1896 na cidade de Curitiba, foi-se das aulas dadas por pastores no quintal da igreja às atuais unidades, nas quais diretores freqüentam cursos superiores de administração escolar e os melhores professores recebem bônus no salário. Reconhecidos pelo mérito, eles rendem mais em sala de aula – algo básico, mas ainda raro no Brasil. Para traçarem seu plano de expansão, os adventistas, que já são donos de seis universidades e uma editora de livros didáticos, também não hesitaram ao contratar consultores para definir "as demandas do mercado". Foi decisivo para saber onde abrir novas unidades. Em 2008, eles pretendem inaugurar uma universidade e mais vinte escolas. Conclui o professor Orlando Mário Ritter, um dos diretores da rede adventista: "Para nós, encarar a educação como negócio não é sacrilégio. Estamos, afinal, no século XXI". Falta ainda a essas escolas, no entanto, entender que o criacionismo foi superado pela ciência há mais de um século.

André disse...

Encerrando por hoje:

O Ministro da Verdade, Franklin Martins, já convidou dois ilustres pra “compor a mesa” no conselho da tv do Lula: o rapper MV Bill e a escritora Nélida “Não É Lida” Piñon.

Risos (amargos)

Lord of Erewhon disse...

Sem dúvida este texto merece um comentário meu - mas vai ter de ficar para outro dia.

Catellius disse...

Caro Bocage,

Excelente o texto do Krippahl. Faço minhas as suas palavras. Vida “com sentido” para alguns é olhar em uma direção, atrelar as viseiras de burro para não se desviar de seu objetivo, e seguir rumo ao Eldorado por uma estrada mal pavimentada em cujas margens parasitas de todos os tipos montaram pontos de pedágio e cobram para supostamente levar os corpos mortos dos peregrinos ao seu destino, pois garantem que lá eles viverão novamente. É o golpe do século, como aparece naquela charge que você indicou no post passado; metem o corpo em uma vala, cobrem-no de terra, cravam nela um símbolo mágico (uma cruz, por ex.) e os demais aceitam que será transportado ao Eldorado; o corpo fica lá, para alimentar os vermes, mas um fantasminha que morava dentro dele vai à Terra Prometida, onde ganha um novo corpo.
“Vida com sentido”...

Você disse:
“Qualquer indivíduo (...) já se viu diante de um dilema atroz, (...) um forte conflito entre dois desejos, e (...) foi obrigado a optar pelo que julgou ser o melhor, mais conveniente, etc.”
E o Heitor respondeu:
“Quando dois desejos se opõem ou querem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo então percebe-se a fragmentação do chamado ‘Eu’.”

Às vezes há forçosamente que se fazer uma opção entre dois desejos porque não podemos nos bilocar, por exemplo, porque temos um medo de agir injustamente. Em todos os dilemas agimos com livre-arbítrio.
É sabido que 80% das nossas escolhas não se baseiam no livre-arbítrio mas em piloto automático. E é a maneira mais eficiente, porque quando agimos automaticamente em situações triviais, que não requerem uma escolha mais consciente, deixamos agir o nosso instinto – que nada mais é que uma programação genética associada a zilhões de informações advindas da experiência e da educação sendo processadas não conscientemente, como “o fulano fala fino, tem uma cicatriz de facada no pescoço, esconde as mãos ao conversar, etc.”
Bom, meu “eu” não se fragmenta só porque me vejo frente a uma situação que seria um dilema até para indivíduos sábios como Sócrates. Se bem que segundo entendi do post ele não seria um indivíduo por não ser cria de uma grande religião monoteísta... Discordo, é lógico.

“Se isto não é livre-arbítrio, se uma pessoa considerada isoladamente não é um indivíduo, devemos abandonar a comunicação pela linguagem.”

Lembra-me a novilíngua do 1984...

Abração

Catellius disse...

Caro Heitor,

“De alguma forma o nosso blog lhe dá algum prazer ou benefício, caso contrário ele não estaria aqui!”


É isso mesmo, he he he.

“De qualquer forma, como ele não toma esta decisão... Como ele não pode evitar...Então, ele não existe...”

Ha ha ha! Isto me lembra Zenão, que dizia, séculos antes de nossa era, que tudo é ilusão, nada existe.

--//--

Grande André,

“‘energúmeno’ significa ‘possuído pelo demônio’?”

do Gr. energoúmenos
s. m.,
endemoniado;
possuído pelo demônio;
possesso;

“Assim como Ariano Suassuna escreve muito bem, é inteligente, mas é um débil primitivo quando abre a boca pra falar em política, interna ou externa.”

O mesmo vale para o Gabriel García Márquez. E este sempre deu sua opinião sobre assuntos políticos, mas calou-se quando o Fidel ordenou o recente fuzilamento de opositores ao regime. Não se pode culpar um artista simpatizante do regime cubano e que nunca fala em política por se calar perante uma atrocidade como aquela, afinal sempre esteve calado. Mas o García Márquez que sempre dava sua opinião em jornais e em televisões colombianas era uma figura política alinhada com o regime de Fidel e da qual se esperava algum pronunciamento de reprovação. Parece que ele acabou dizendo ser contra a pena de morte mas reafirmou seu apoio ao regime cubano... Vá entender!

“Lógica tribal? Roma não era tribal. Nem a Grécia. E havia muito individualismo, claro, dentro de limites, esses sempre existem.”

Sim, minha intenção foi ironizar. Como não classificar Sócrates, Aristóteles, Alexandre Magno, Júlio César e incontáveis outros como indivíduos, mesmo na inexistente acepção usada pelo Heitor?

“Não sei se o islamismo pode ser considerado um plágio.”

Plágio é maneira de dizer, claro, do mesmo modo que não podemos classificar como plágio o sincretismo da religião cristã, que aproveitou mitos pagãos para misturá-los ao que interessava do judaísmo. Quando, nos primeiros séculos desta era, os opositores do cristianismo levantavam esta questão, de que eles também tinham heróis que haviam morrido, descido à mansão dos mortos e ressuscitado, que tinham sido martirizados por salvar os homens, como Prometeu, que possuíam rituais que envolviam pão e vinho, nascimentos espetaculares de mães virgens, mas que eles sabiam que todas essas histórias não passavam de mito e se perguntavam por que o “plágio” dos cristãos deveria ser verdadeiro, perante estes argumentos os pais do cristianismo admitiam a semelhança mas diziam que todos esses mitos anteriores ao cristianismo tinham sido criados pelo demônio para confundir o cristão de oitocentos, mil anos depois... He he he. Típico!

“Prefiro (me emociono mais) com Joseph Schmidtt (judeu nanico q morreu maltratado por guardas suíços ao tentar fugir da Alemanha nazista — tinha saúde muito frágil, além disso), Di Stefano, Caruso e outros. A lista é muito longa... Mas não sou muito entendido em ópera, acho.”

É, Pavarotti está muito longe de ser o melhor tenor de seu tempo, quanto mais do século XX. O auge tanto do Pavarotti quanto do Domingo foi entre meados da década de 60 e meados da década de 70, período durante o qual foram feitas as melhores gravações de suas vidas. Nunca gostei do Carreras. Aquele lance de Três Tenores foi patético, quando eles já estavam totalmente decadentes, no fim dos anos 80. É sempre assim; quando a carreira de um cantor lírico acaba começam as parcerias com astros do pop, como Fred Mercury, Bono, etc, afinal eles têm contas a pagar... Tudo lixo, para mim. E aquele regente pífio, o Zubin Mehta... Cruz credo! Pena que ninguém conheça Gardiner, Minkowski, Spering, Harnoncourt e Jochum, entre outros, estes sim grandes maestros, todos vivos e muito melhores do que a maioria das lendas do séc. XX, como Karl Böhm e Furtwängler. E três tenores solistas cantando em uníssono é algo tão abominável que recurso assim nenhum compositor jamais usou. Simplesmente lamentável.

“Ora, ora, agora virou moda (não q não fosse novidade): padres "de passeata" fazendo mais e mais discursos contra as privatizações. Hoje vi um desses vagabundos, naquela igreja jeca, jeca em Aparecida do Norte, dizendo q ‘privatizaram as empresas que davam mais lucro’”

Os marxistas já se adaptaram. Viram que nenhuma ideologia funciona sem um deus, quanto mais um que vai bem a calhar por demonizar os ricos porque ricos; falo daquele Galileu safado. As crias das duas ideologias estão aí, uns seres híbridos, estéreis e não tão fortes, mas bem vivos: a Teologia da Libertação, as Comunidades Eclesiais de Base, os padrecos petistas espalhados pelo interior do Brasil, no rio São Francisco, em Mato Grosso, ligados à reforma agrária, ao MST e outras calamidades públicas.
O padre que falou isso do alto do púlpito deveria ser preso por se valer da “autoridade divina” para tentar influenciar a opinião política dos prosélitos, o que é um atentado contra o laicismo. E com a agravante de ter bancado o comunista dentro daquele horrendo templo caça níqueis, daquele centro de exploração de peregrinos onde encontramos o pior do “capitalismo”, naquele atentado contra a arte, naquele monstrengo realmente jeca como só brasileiros, africanos e iraquianos são capazes de criar.

Ótimo texto sobre as escolas religiosas. Criacionismo é dose de leão. Qualquer coisa que ensinarmos nas escolas as crianças acharão ser a verdade, até se dissermos que o Brasil foi fundado por Lula, como este acredita. Engraçado mesmo é os néscios reconhecerem: só ensinamos a Evolução das Espécies porque cai no vestibular... Que antas! Ha ha ha.

Abração

André disse...

É, faz sentido: “que 80% das nossas escolhas não se baseiam no livre-arbítrio mas em piloto automático.”

O Zubin Mehta era fraquinho mesmo. A regência dele era pasteurizada.
Desses q vc citou, conheço Gardiner e Jochum, de nome e de ouvir também.

Não sabia q eram muito melhores do que gente como Karl Böhm e Furtwängler. Nem q estavam vivos.

Mas até q alguns dos palácios do Saddam Hussein (tirando a decoração, brega), eram muito bonitos. Mas aquela igreja em Aparecida do Norte é muito feia. Só tem tamanho.

“só ensinamos a Evolução das Espécies porque cai no vestibular... Que antas! Ha ha ha.”

Sim, que antas.

Catellius disse...

Grande André,

Prefiro comprar uma ópera regida por Karl Böhm do que por algum desses aí que listei. A diferença está na safra de solistas dos anos 50 e 60 - insuperável! Birgit Nilsson, Elisabeth Schwarzkopf, Elisabeth Grummer, Astrid Varnay, Christa Ludwig, Wolfgang Windgassen, Dietrich Fischer-Dieskau, Kurt Böhme, Martti Talvela, Fritz Wunderlich, etc. E muitos outros. Perto desses aí o Pavarotti fica pior do que o Agnaldo Rayol. Até a Maria Callas sofre se comparada à trágica Birgit Nilsson.
Esses maestros que citei são mais precisos, são puristas e usam instrumentos de época - e os instrumentos de cordas fabricados no séc. XVIII deixam a música com um colorido muito superior, assim como as trompas naturais, mais "arregaçadas", etc. - seus músicos são melhores. Mas... Não é muito justo compará-los com Karl Böhm e Furtwängler, porque nenhum daqueles gravou o ciclo dos Nibelungos, por exemplo, e que está entre as obras que celebrizaram os dois últimos.

"80% das nossas escolhas não se baseiam no livre-arbítrio mas em piloto automático"

Esta porcentagem não é chute. Li recentemente sobre isso na revista Mente & Cérebro e na Galileu.

"conheço Gardiner e Jochum"

Não passei para você as duas primeiras sinfonias de Méhul sob a regência de Minkowski? Ele esteve em Brasília no ano passado e regeu sua orquestra de instrumentos de época que executou as duas últimas sinfonias de Mozart, a 40 e a Júpiter. Não resisti e fui ao camarim após o concerto para ele autografar um cd. Tietagem é fogo, mas com um "escroto" como o Minkowski vale a pena, he he. Tenho uma ópera de Gluck com ele, Iphigénie en Tauride, simplesmente fantástica. A interpretação e a gravação estão primorosas. Dá para escutar o atrito entre a crina do arco coberta de breu e as cordas de tripa, dos violinos de sua orquestra de época. O coro impecável, tudo sincronizadíssimo. E a gravação é ao vivo. Nem parece. Notamos por causa das palmas, ao final.

Abração!

André disse...

Pois é, Catelli

Tenho Cosí Fan Tutti com o Karl Böhm... e é muito “böhm” mesmo.

E já tive o Requiem de Mozart dele.

Sim, o auge da ópera foi até os 50, no máximo 60, dizem alguns.

Birgit Nilsson: conheço por causa da famosa gravação do Der Ring da Decca, aquela caixa azul grande e cara. A do Solti. Já tive o cd com os highlights. Já tive também cds com trechos e aberturas de quase tudo o q ele fez, alguns eram do Celibidache, aquele romeno excêntrico e grosso pra burro, outras eram do Karajan, outras eu nem me lembro mais de quem eram. Mas eu não sou fã de Wagner.

Elisabeth Schwarzkopf: demais... dizem q era nazista pra valer. Vai entender isso...

Christa Ludwig: ela é a Donna Elvira do Gon Giovanni q tenho aqui (Klemperer) e a Dorabella de Cosí Fan Tutti do Böhm.

Wolfgang Windgassen: acho q está no Der Ring des… do Solti, da gravadora Decca.

“Perto desses aí o Pavarotti fica pior do que o Agnaldo Rayol.”

Ou o outro Agnaldo, muito pior q o Rayol, o Agnaldo Timóteo, aquele animal q usa "passador" de gravata no colarinho, como se estivesse vestindo as calças no pescoço, com um cinto ao redor dele... podre! Jeca! Mas morro de rir dele, pq ele se leva a sério, ele se acha um intelectual, um filósofo, sei lá.

“Até a Maria Callas sofre se comparada à trágica Birgit Nilsson.” É, eu sei. E olha q eu gosto muito dela, tenho algumas óperas dela aqui.

Parsifal, com o Reginald Goodall, regente muito bom, é legal. Era da EMI essa ópera. Com a Waltraud Meyer cantando.

Tenho pouca coisa aqui com instrumentos de época. É melhor mesmo. Música barroca com instrumentos daquela época, p. ex.

E adoro cravo. Ainda q adore piano/pianoforte também.

“Não passei para você as duas primeiras sinfonias de Méhul sob a regência de Minkowski?” Não sei, tem tanta coisa naquele dvd q eu teria q olhar de novo.

“as duas últimas sinfonias de Mozart, a 40 e a Júpiter” Que são muito boas. Mas eu gosto mesmo é da 25 e da 29. A 25 toca na abertura daquele filme bobo mas divertido, Amadeus, q os desinformados pensam se tratar de um filme sobre a vida de Mozart. Claro q não é, é uma fantasia sobre a vida dele. Se fosse comentar as bobagens nele, ficaria o dia inteiro aqui, mas ainda volto a falar nisso um dia c/ vc.

“Dá para escutar o atrito entre a crina do arco coberta de breu e as cordas de tripa, dos violinos de sua orquestra de época.” Alguns cds q tenho aqui (e q gravei pra vc) tem um som muito superior mesmo. Independente da qualidade do maestro e da orquestra. Pega tudo. Vc ouve até gente tossindo forte (dá vontade chutar quem faz isso pra fora da sala) e umas “novidades” no meio da música, às vezes. Mas tem q ser gravação de 20 ou 24 bits num receiver decente, com caixas boas.

Tirando as frescurites e tecnicismos de engenheiro de som, o negócio está na profundidade do som. Essa é q é muito maior. E um bom equipamento também melhora um pouco as gravações mais ou menos.

Querer mais perfeição do q isso, só tendo muita grana pra torrar em equipamentos q custam o preço de um carro. Porque, passando disso, vira extravagância, vira “audiofilia”. Audiófilos são os frescos milionários q ficam procurando por alfinetes caindo no chão ao longo das gravações. Só dá fãs de jazz e música clássica. Geralmente os fãs de jazz são os mais insuportáveis, mas há alguns de música clássica q não ficam atrás. Mas a maioria não sabe nada, nem quer aprender. Acha q já sabe tudo. E dá muita gente esnobe, quase sempre é só pose. No Lago Sul existem algumas casas de ricos e novos-ricos com verdadeiros cinemas e salas de concerto eletrônicas, receivers de 20, 30 mil reais (sem contar as caixas), pesando 40 quilos por causa da blindagem eletromagnética de cobre (metal caro) dentro do aparelho, etc, etc. Há caixas de som “planares”, grandes e finas como um quadro de parede, amplificadores especiais, caixas de som com neomídio, vanádio, polímeros/compósitos e outras coisas caríssimas. Um par de caixas B&W (inglesas), p. ex., custa uma pequena fortuna. E as dinamarquesas da Dynaudio tem fila de espera, como as Ferraris.

Claro q tudo isso dá um som inimaginável, só ouvindo pra sentir a difenreça, mas eu não pagaria isso tudo num equipamento de som, é um despropósito.

Nem se fosse tesoureiro de partido político brasileiro faria uma coisa dessas.

Além disso, quem investe tudo isso em aúdio também vai torrar em video: plasma, dvds de laser azul, high-definition... não tem fim.

Mudando de assunto:

Ontem fui com uma amiga na feira do livro, no Pátio Brasil. Que merda! Aquela feira é muito vagabunda, ordinária mesmo!

Tinha um stand da TFP e uns dez de comunistas: Paulo Freire, Gramsci, Lênin, Marx, editora Fundação Perseu Abramo (do PT), MST, etc. Aqueles livrinhos "didáticos" com o desenhinho do dragão capitalista comendo o Brasil ou o da inflação comendo dinheiro. Esquerdistas adoram essas fantasias em q alguma coisa devora outra. São viados enrustidos, talvez, acho q Freud se divertiria com isso.

Mas a esquerda nem tem mais graça. Já virou chapéu velho. Divertido mesmo é o fanatismo minoritário, q só procria em cativeiro, como o da TFP. É muito engraçado. "Conversei" com um dos cruzados da Ordem. Aqueles manuais todos do Plínio Salgado, livros dizendo q Harry Potter e Lord of the Rings são coisa do demo, O Código da Vinci, então... E Indiana Jones nesse universo é o quê?

Mas q feira ruim! Quase só dá literatura técnica. Direito, economia, marketing... e eu lá quero saber disso? Cadê, "quêdê" a literatura de verdade e a História?

E o público, ai, esse é feio de doer. Mas tudo bem, povo é povo. Dá muito universitário porra louca, cruzamentos de Renato Russo com algum revolucionário, esse sim, russo. E casais dantescos com suas pequenas crianças dantescas.

Enfim, é tudo dantesco, ha, ha. O Inferno de Dante, e lotado.

E sem as belas ilustrações de Gustave Doré!

Homenageado da feira desse ano:

Ariano Suassuna, o homem q acha q na URSS não havia tráfico de drogas pq "isso é coisa de país capitalista, q visa o lucro" e que o Brasil está sendo cercado silenciosamente por bases militares norte-americanas.

E q acha Patativá do Assaré e Mané da Rabeca muito superiores a Shakespeare e Mozart.

Pior q isso só aqueles frescos q acham q qualquer coisa abaixo de Beethoven já é "Maringá, Maringá". 8 ou 80, radicais.

E que acha q Miguel Arraes (quá, quá, quá, com aquele esquerdismo misturado ao religiosismo católico mais rastaqüera) teria dado um grande presidente.

É! Presidente! Mas do Brasil...

... o que é razoável, pois o Brasil desafia todas as leis da física e da racionalidade, como se sabe.

Boa semana pra vc!

Klatuu o embuçado disse...

«Klaatu é doidinho, mas é muito inteligente e simpático, até onde a gente pode ver nesse mundo virtual limitado»!

Seu André... vai chamar doidinho ao teu pai, tá? E é KLATUU.
(Fico-me por aqui... porque tenho respeito por este espaço.)

P. S. Se a loucura iluminante de Ariano Suassuna contagiasse o Brasil... que grande o Brasil se tornaria!

Abençoados os que sonham com o Sangral - mesmo que não exista e seja um sonho - porque são esses os olhos que divisam mais da realidade... que puta pelada na praia!!

Lord of Erewhon disse...

ARIANO SUASSUNA

Escreve com pena de pato, Mestre,
Toma o teu tempo, à luz da vela,
Solitário para deus, besta e fêmea,
Porque o que é sagrado demanda
A sombra e pequena é a luz
Que lhe basta. Rasguem-se as paredes
Caiadas, sudário de pedra de um dia
Ter estado em alma lusitana, lânguida
E muda, no teu Nordeste de fome e lume -
Rasguem-se e afundemo-nos na planície
Árida, no espelho do longe contínuo.

Toda a minha juventude, Mestre,
Ao teu serviço darei, sangue e carne,
Alma e olhos - porque eu também demando
A sombra, a luz exígua, última, única
E nem deus, nem besta, nem fêmea
Matam a minha fome - porque faminto
Eu sou também, da Pedra do Reino
E do rubro puro e alto do Sangral!


Lord of Erewhon

9 de Setembro de 2007,
escrito agora, nestes breves minutos.

Lord of Erewhon disse...

P. S. Meu nada caro senhor André, nem neste post, nem nos comentários anteriores ao teu... é alguma vez referida a pessoa virtual KLATUU... é claro que entendo perfeitamente de onde te vem o fel!

E sabe que mais - que se dane mesmo - VAI-TE FODER.

Lord of Erewhon disse...

Sim, falemos de Identidade... e não de Religião versus Ateísmo, ao modo passadista e maniqueu de como se falava na Guerra Fria dos E.U.A. e da U.R.S.S.!

Falemos da Identidade Brasileira - tantos Brasileiros que ignoram essa Identidade! Cansei de ouvir tantos de vós falar da Europa - e tantos nem cá estiveram!

Qual Europa?? A vossa Europa tem por nome Portugal - a Península Ibérica, geográfica e culturalmente quase nem Europa é, mas sim uma coisa outra, um sub-continente singular.
Portugal é o chão da Alma Brasileira, o fundamento primeiro da vossa Identidade - o mais são plumas de Índio no carnaval... o negro não conta para estabelecer diferença, porque o negro sempre esteve na Alma Portuguesa, desde que os mouro lavraram esta terra! E a nudez do Índio é santa - e a do carnaval lúbrica, africana, grito de libertação contra os espartilhos sexuais católicos.

Se o Brasil banisse Portugal da sua Alma... que lhe restaria? Ser um clone dos States?? Uma sucursal da cultura WASP (White Anglo-Saxon Protestant)??

Há mais que ser rico! Há mais que ser moderno - seja essa merda o que for! Há mais que edifícios altos, avenidas, estradas e pontes! Há um Sonho... que canta todas as madrugadas e todas as por vir... na Língua Portuguesa, numa Alma que se tornou tão vasta, que há muito deixou de caber no solo exíguo da Nação Portuguesa!

Esse Sonho é também África e Índia e Ásia e tantos lugares deste mundo, mas tem um estandarte maior: chama-se Brasil! Terra gentil, generosa, de povo afável e misto, de ar limpo e paisagens de paraíso!

Apenas falta ao Sonho a unidade que há nos que são iguais e irmãos - e Justiça, Justiça, Justiça!

VIVA O BRASIL!!

André disse...

Ai, que “meda”! Audácia da Pilombeta! Está “por demás” atacada essa “Creusa” aí, como diria Didi Mocó.

A loucura iluminante de Ariano Suassuna, sei... Objetividade, no Brasil, é considerada coisa pra comerciante. Quanto mais delirante é a figura, mais ela é considerada “inteligente”, “intelequitual”.

“Portugal é o chão da Alma Brasileira, o fundamento primeiro da vossa Identidade”

Bom, eu preferiria outro chão, outro piso. Mas o que está feito está feito.

“O negro sempre esteve na alma portuguesa, desde que os mouros...” O negro sempre esteve na área de serviço lusitana, isso sim.

“E a nudez do Índio é santa - e a do carnaval lúbrica, africana, grito de libertação contra os espartilhos sexuais católicos.”

Nossa, isso parece a “mestiçologia” requentada de um Darcy Ribeiro. Ou o delírio de algum etnólogo francês da École Normale, se babando diante de nossos índios. Devia mesmo causar um frisson naqueles nerds o contato com o nosso primitivismo mas... cada um tem um gosto, nada contra ficar aqui pesquisando essa gente.

A nudez do índio é santa? A nudez é... nudez, é natural, só isso.

E o carnaval é um grito de libertação contra os “espartilhos sexuais católicos”?

Waaal... considerando a hipocrisia religiosa na Europa, eu fico é com a libertinagem nas cortes européias, aquela safadeza toda, mesmo a vida naqueles tempos sendo curta e incerta — ora, e agora não continua sendo, guardadas certas proproções? Prefiro isso a gritinhos carnavalescos, mesmo esses aí, contra os espartilhos sexuais do Vaticano.
Se bem q eu sou suspeito pra dizer isso, sou um cara da época da lingerie mais moderna, não entendo de espartilhos. Pobres moças, espremidinhas naquelas coisas... se bem q as cinturinhas marcadas, hummm, eram show!

Escute aqui, Robespierre, Barbosa Lima Sobrinho, a Igreja está se lixando pro Carnaval. Fora umas frescurites, uns atritos entre a Igreja e o pessoal afro lá na Bahia — e a insistência dos caras saírem às ruas com os trios elétricos na quarta-feira de cinzas, coisa q incomoda a Igreja, o resto é resto. “Libertação contra os espartilhos sexuais católicos”, até parece...

“Há mais que ser rico! Há mais que ser moderno - seja essa merda o que for! Há mais que edifícios altos, avenidas, estradas e pontes! Há um Sonho...”

Sei, o negócio é ser simples e frugal, que lindo. Dinheiro e modernidade, afinal, são coisas tão chatas, dá tanto trabalho... O capitalismo é tão frio, tão WASP, tão “vespa” branquela, protestante e anglo-saxã. E, como sabemos, esses puritanos eram uns manés só serviam pra julgar e enforcar bruxas, como em Salem, nos EUA, lá nos 1600. Bom, vamos voltar ao Brasil da modinha de viola, da seresta ao luar, da vendinha. É isso aí, vamos dar uma de Luditas, destruir as máquinas malvadas do malvado mundo tecnológico-industrial, essa coisa chata.

Vamos abandonar os carros, parar de construir estradas e pontes e tomar cuidado pra não esquentar mais ainda a Terra — e tudo isso antes que a maritaca lilás das Ilhas Stuart desapareça.

Baixou o Ned Ludd no rapaz. Eu gosto mesmo é do Ned Flanders, o vizinho evangélico de Homer Simpson, que ao ver um esquilo mutante no filme dos Simpsons diz assim: “Aleluia! Graças ao Senhor por mais esse abençoado espécime do Design Inteligente!” Impagável!

Mas peraí... nosso Martin Luther King “tem um sonho”:

“Esse Sonho é também África e Índia e Ásia e tantos lugares deste mundo, mas tem um estandarte maior: chama-se Brasil! Terra gentil, generosa, de povo afável e misto, de ar limpo e paisagens de paraíso!”

Terra gentil, generosa, de povo afável e misto? Baixou o Conde Afonso Celso, lá dos 1900!

http://execout.blogspot.com/2006/09/porque-me-ufano-do-meu-pas.html

“Apenas falta ao Sonho a unidade que há nos que são iguais e irmãos - e Justiça, Justiça, Justiça!”

Iguais? Irmãos? Quem? Os latinos daqui, os afroblacknegões da África, naquela entropia tribal genocida, os indianos (especifique quais, pq as coisas lá são um tantinho complicadas) e os “asiáticos”? Essas generalizações não significam nada.

“VIVA O BRASIL!!”

Ok, Klaatu, Klatuu, Lord of Sandwich, Earl of Raspberry, Conde da Framboesa… pra mim, Brazil is dead mas… long live Brazil. O Brasil já era, mas alguém tem q administrar essa falência geral como der, levar as coisas adiante.

Quanto ao seu país, Portugal, acho q sei o q vai acontecer com ele no futuro europeu, mas prefiro não escrever. Mas pode ficar tranqüilo, não vai ser nada catastrófico não.

André disse...

Catelli, mandei pra vc o livro do Conde Afonso Celso, na íntegra. Vc vai se divertir.

André disse...

E, lógico, pra quem mais quiser, eis o livro:

http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/ufano.html

Boa semana para todos, amigos, admiradores, odiadores e detratores!

Klatuu o embuçado disse...

Escuta, garoto, o que é que você anda aprendendo na Faculdade? :)

Roberto Eifler disse...

Caro Heitor.
Identifico-me com tua inquietação. Essa questão do indivíduo, da consciência, do eu, me envolve muito também. Vou buscar entender alguma coisa quando chegar a escrever sobre isso. Casualmente, agora à tarde, antes de acessar teu post, eu estava lendo o capítulo sobre a Biologia da Consciência em “A Ontologia da Realidade”, de Humberto Maturana. Maturana é um biólogo chileno, formado em Harvard, que a partir dos anos 70 tem criado muita polêmica com suas idéias bastante originais. Na Biologia da Consciência ele afirma, do “eu”, que não é uma entidade, mas uma operação relacional que, como tal, não ocorre no cérebro, nem se trata de um produto da operação do sistema nervoso, embora a operação do sistema nervoso seja necessária para sua ocorrência. Não existe então uma questão mente-corpo, subjetivo-objetivo, cérebro-mente, corpo-alma. Os sistemas vivos se relacionam com os sistemas vivos através do acoplamento estrutural, que determina coordenações consensuais de conduta entre os dois sistemas vivos. A linguagem é uma coordenação consensual de segunda ordem: uma coordenação consensual de coordenações consensuais de conduta (nesse nível a linguagem ainda é “inconsciente”). O observador aparece numa recursão de terceira ordem e a consciência (isto é, o filme que inclui o observador - o eu - e o meio) é uma recursão de quarta ordem. Desse modo, o “eu”, que passamos a considerar uma entidade, um ser, um indivíduo, não é um órgão, nem uma sede, nem uma função, mas uma relação operacional. Em linguagem de computador, não é um software com o qual nascemos, mas um software que surge a partir das relações sociais. O homem só tem eu porque é um animal social, e foi o tipo de socialidade desenvolvida por certo grupo de primatas que permitiu o surgimento do eu, assim como outros primatas não têm eu, pelo menos como o dos humanos.
É um assunto complexo, admito, porque envolve os vários “eus”, ou identificações, cada um operando num domínio consensual de ações diferente.
De qualquer modo, o ponto de vista biológico de Maturana está me influenciando muito e espero aprofundar bastante esse tema no futuro.
Por outro lado, outro foco de tuas preocupações, isso não diminui em nada nem a liberdade nem a responsabilidade humanas. Espero comprovar isso.
Acho que me estendi um pouco demais, mas meu objetivo maior era manifestar solidariedade às tuas inquietações e reafirmar que elas são humanas, muito humanas.
Um abraço.

Heitor Abranches disse...

Pessoal,

Aqui vai um palpite para a proxima semana.

O Lula ja articulou a absovicao do Renan Calheiros que vai se licensiar da presidencia em seguida e talvez ate renuncie ao mandato.

Para garantir que a ira popular nao respingue sobre si, Lula foi para a pqp, quer dizer para os paises nordicos de onde apenas comentara a noticia como se nada tivesse a ver com a questao.

Qualquer pessoa que nao seja analfabeto funcional sabe que o Calheiros sabe os podres todinhos da turma inclusive os do PT e que se cair vai cair muito suavemente para nao ficar magoado e vingativo.

Heitor Abranches disse...

Se ele virar mais um Roberto Jefferson ou um PC o governo do Lula acaba e ate a democracia brasileira ficaria abalada.

André disse...

Licenciamento seguido de absolvição, tudo bem suave pra ele não ficar vingativo.

Bem apontado, Heitor.

Catellius disse...

Grande André,

“Tenho Cosí Fan Tutti com o Karl Böhm... e é muito “böhm” mesmo.”


Minha gravação favorita de Così fan Tutte também é essa com o Böhm. E Die Entführung aus dem Serail também sob a batuta do Böhm, e com o profundo Talvela no papel de Osmin.

“A do Solti. Já tive o cd com os highlights.”

A Birgit Nilsson fez o ciclo wagneriano com o Böhm em 1966 e esse que você mencionou com o Solti no ano seguinte. O primeiro ao vivo, superior, para mim, e o segundo de estúdio, quase tão bom quanto o primeiro mas com o som muito superior. Por isso acabo ouvindo mais a versão do Solti. Wolfgang Windgassen também é o Siegfried da versão de Böhm.

“Celibidache, aquele romeno excêntrico...”

Não sou dos maiores fãs. Pô, o cara regia dançando como uma bicha louca. Os vídeos em que o cinegrafista filma mais ele do que a orquestra são impossíveis de se assistir, como aquela Rapsódia Romana de Enescu.

“Mas eu não sou fã de Wagner. “

Seu herege, he he.

“Vc ouve até gente tossindo forte (dá vontade chutar quem faz isso pra fora da sala) e umas “novidades” no meio da música, às vezes.”

Na verdade, o sujeito acometido por tosse crônica sente-se compelido a comprar ingressos para o teatro; o tossigoso é atraído ao cinema, à ópera e ao teatro com a força de um garanhão por uma égua no cio. Na versão ao vivo que mencionei do Der Ring des Nibelungen ouve-se tossidos, tossicados e agonia de tuberculosos em uma intensidade não alcançada nem em audições da La Traviata e da La Bohème interpretadas pela afetada soprano Ileana Cotrubas, que mais suspira, geme e tosse do que canta.

Tenho um amigo audiófilo. Só amplificadores valvulados.

“Ontem fui com uma amiga na feira do livro, no Pátio Brasil. Que merda! Aquela feira é muito vagabunda, ordinária mesmo!”

E muito livro infantil. E puppets! O que as porras dos puppets fazem em todas as feiras do livro do Pátio Brasil? Até hoje não entendi.
E sem falar nas bancas da editora Loyola e das Paulinas, que vendem mais estátuas vagabundas de gesso de seus semideuses do que livros. E a “novidade” do momento nunca pode faltar, claro! Quase todas as bancas vendem a Bíbria, para o caso de aparecer algum turista marciano interessado em uma coletânea de fábulas terrestres.

“Enfim, é tudo dantesco, ha, ha. O Inferno de Dante, e lotado. E sem as belas ilustrações de Gustave Doré!”

Digamos que o nível daquela Feira seja semelhante ao da “caína”, aonde vão os assassinos, (de Caim), porque se a Feira fosse ao lado, no Venâncio 2000, o inferno deveria ter mais níveis abaixo do sétimo para a comparação ficar mais adequada. Poderia ser no Conic, perto do Teatro Dulcina, ha ha ha, cem níveis abaixo do ânus de Lúcifer, orifício pelo qual Dante e Virgílio chegam novamente à superfície. Acho esta uma das "melhores passagens" da Divina Comédia, com duplo sentido mesmo, he he he. Só achei que eles deveriam passar do Purgatório ao Paraíso pelo hímen complacente de Maria e se vissem, para tanto, obrigados a rompê-lo, a retirar-lhe as teias de aranha. Errata: Virgílio não pôde entrar no paraíso por ser pagão, e a partir daí o guia passa a ser a inatingível Beatrice. E eu lendo achando que ele ia dar uns pegas nela atrás de uma nuvem... Que paraíso que nada...

“E q acha Patativá do Assaré e Mané da Rabeca muito superiores a Shakespeare e Mozart.”

Claro, do mesmo jeito que a qualidade de vida no semi-árido nordestino tomando água embarrada, andando de jegue e dividindo a cama de palha com a Regina Casé sem maquiagem em uma maloca de taipa infestada de barbeiros é muito superior àquela que se tem tomando Evian, deslocando-se de Mercedes e dividindo a cama forrada com lençóis de seda com a Liz Hurley em um chateau na Provence circundado por belos vinhedos. Ah, e no primeiro cenário ao som de recitais de Patativa do Assaré e no segundo ao som de Mozart.

“A nudez do índio é santa? A nudez é... nudez, é natural, só isso. “

Santa é a nudez da Luize Altenhofen (é bom escolhermos outra musa, pois esta, apesar de ainda estonteante, já não é a mesma de dez anos atrás... Somos exigentes por aqui...).

“Sei, o negócio é ser simples e frugal, que lindo. Dinheiro e modernidade, afinal, são coisas tão chatas, dá tanto trabalho...”

Ter dinheiro, merecê-lo e não usá-lo é o mesmo que ter pernas sadias e preferir andar de cadeira de rodas. Dinheiro é uma espécie de prova de que seu possuidor trabalhou. O dinheiro sim é “santo”, é potência, possuí-lo significa ter mais possibilidades, mais liberdade. O que as pessoas fazem com o dinheiro e o modo pelo qual o obtêm é que devem ser questionados e vigiados. E as distorções devem ser combatidas. Mas o dinheiro é apenas um bom substituto para o escambo.
Não raro aqueles que têm sérios problemas em obtê-lo o demonizam. No fundo, preferiam tê-lo em abundância para, em teoria, poder magnanimamente distribuí-lo entre os menos favorecidos. Alguns, baseados nesta auto-ilusão, exigem que se distribua à força o dinheiro dos ricos entre os pobres. Parece às vezes que Esopo criou A Raposa e as Uvas pensando nos socialistas e naqueles que são mas não sabem.

“O capitalismo é tão frio, tão WASP, tão “vespa” branquela, protestante e anglo-saxã.”

Tão amarelo, tão japonês...

“Aleluia! Graças ao Senhor por mais esse abençoado espécime do Design Inteligente!”

Também achei aquilo muito engraçado. Achei um pouco gratuita aquela história do porco do Homer e da cúpula de vidro para isolar Springfield. Mas as piadinhas estavam engraçadas.

“O Brasil já era, mas alguém tem q administrar essa falência geral como der, levar as coisas adiante.”

Eu ainda acredito que esta terra pode melhorar. Mas, infelizmente, terá de piorar um pouco para isso acontecer, he he.

“Catelli, mandei pra vc o livro do Conde Afonso Celso, na íntegra. Vc vai se divertir.”

Beleza! Valeu!
Até mais

André disse...

“E Die Entführung aus dem Serail também sob a batuta do Böhm, e com o profundo Talvela no papel de Osmin.”

Essa deve ser ótima mesmo!

É, o do Solti foi só gravado em estúdiio, não encenado. O som desse cd é famoso mesmo.

O Celibidache regia dançando como uma bicha louca? Não sabia. Ouvi falar de ridículas disputas pra ver quem conseguia comer mais, sem parar, e sobre as grosserias dele. A Anne-Sophie Muter foi gravemente ofendida por ele e simplesmente saiu da sala de concerto, pra nunca mais voltar.

Dizem q ele não gostava de reger óperas (nunca fez isso, na verdade), pq nas óperas o maestro não aparece muito, não fica em destaque. E ele era um pavão. Acredito nisso.

Mas o cara falava mal de quase todo mundo. Odiava o Karajan, aquele outro chato q morreu de raiva, só pode ter sido.

E tem a famosa história do Celibidache não permitir gravações. Quer dizer, gravar podia, desde q o engenheiro de som não aparecesse na frente dele. Mas vender não podia. Ele deu uma explicação toda elaborada pra mostrar pq a música no cd jamais chegaria perto da música ao vivo, lá, na sala de concertos. Mas foi só ele morrer q a família vendeu tudo pra EMI pra faturar algum. O filho dele fez isso.

O pior no cinema não são os q tossem. Nem os altinhos. São as... mulheres com cabelo de samambaia. Aqui em Brasília é cheio! Aqueles cabelos enormes, armados, parece Bom Bril. E adoram sentar bem na minha frente.

Vi um amplificador desses uma vez, de válvulas. Bonitinho. E caro... Mas é interessante.

Para aquela época, até q Dante foi bem ousado. Sutilmente.

“Virgílio não pôde entrar no paraíso por ser pagão, e a partir daí o guia passa a ser a inatingível Beatrice.”

Quanta frescura, não? Logo com o Virgílio! Essa Beatriz, tudo bem, foi o amor não correspondido de Dante, q era pobre, enquanto a moça era rica ou sei lá, abastada.

Abastado, acho essa palavra engraçada. Lembra abestado.

Mas provavelmente ela não era um Virgílio, e sim apenas uma patricinha. Mas acho q Dante só teria dado preferência mesmo para o poeta se fosse gay, quem sabe, ou se nunca tivesse conhecido essa garota. Ele realmente era fissurado nessa Beatriz. De qualquer forma, ela morreu novinha. Algum tipo de febre.

Bons tempos aqueles, q só tinham 3 tipos de morte:

Febres várias

Peste negra

E a minha predileta:

Apoplexia!

Da Antigüidade até os 1600, acho, só se morria disso: apoplexia. É um nome bonito para “troço”. TODO MUNDO morria de apoplexia.

“Santa é a nudez da Luize Altenhofen”

E como!

E ela já tem 10 anos de estrada, de fama? Bom, ainda sou louco por ela. Eu e o C. Mouro.

Eu esperava uma história melhor também (Simpsons).

André disse...

Em tempo: 3 tipos de morte natural, morte morrida. Já a morte matada era bem mais variada...

Eaglegirl disse...

Ola Cattelius! Fiquei contente com seu comentário no meu blog...Incrível é saber que este Deus que vc não crê, ainda assim, te conhece e te ama com amor incondicional.
Paz!

Eaglegirl disse...

ah, vc escreve muito bem!

Catellius disse...

André,

"Quer dizer, gravar podia, desde q o engenheiro de som não aparecesse na frente dele. Mas vender não podia."


Se fosse macho mesmo nem engenheiro de som e gravação ele permitiria, mas é interessante ver o discursinho pronto desses "transgressores" que agem exatamente como os demais, he he. E duvido que de nada tenha servido para ele ouvir Arturo Toscanini e outros maestros cujo trabalho nunca teria podido escutar ao vivo, apesar do som de radinho de pilha daquelas gravações das primeiras décadas do séc. XX. Era um babacão mesmo.

"Aqueles cabelos enormes, armados, parece Bom Bril. E adoram sentar bem na minha frente."

Bom, eu, com meus 1,95m, mais atrapalho do que sou atrapalhado, he he. Mas aí, como o Nelson Jobim, o que me incomoda é a pouca distância entre as fileiras de cadeiras...
Você deve estar falando da Asta Rose, uma "living mummy" de 130 anos, presidente da Associação Ópera Brasília, que está presente em absolutamente todos os espetáculos, até aqueles executados ao mesmo tempo em locais diferentes, durante os festivais de verão, por exemplo. A velha é uma lenda viva e tem um cabelo amarelo armado que chama mesmo a atenção.

"Para aquela época, até q Dante foi bem ousado. Sutilmente."

Ousado era Bocaccio, he he. Cara, aquele Decamerão é o que há. Extremamente engraçado, mesmo para os padrões atuais de humor. E escrito no séc. XIV! Simplesmente genial!

"Já a morte matada era bem mais variada..."

O comércio de venenos era próspero em Roma, Florença - nas cortes em geral. Enfiavam-no até pelo ouvido dos dorminhocos, a julgar possível a história de Hamlet. Como o fantasma do pai assassinado nem sempre aparecia para apontar o culpado - apenas para alguns privilegiados, como Hamlet e o Rei Leão -, a maioria dos crimes ficava impune. E sem o conhecimento das impressões digitais, testes de DNA e outras sacanagens dos investigadores, matar era uma atividade bem segura - para o assassino, claro. Se bem que nos dias de hoje o medo de se mandar um inocente para a cadeia dá aos criminosos possibilidades inimagináveis para se safar das grades, sem falar nos atenuantes, indultos, etc. Até para o réu confesso o crime compensa, não raro, o que é lamentável.

Abraço

--//--

Eaglegirl,

"Incrível é saber que este Deus que vc não crê, ainda assim, te conhece e te ama com amor incondicional."


Disse tudo! Parabéns!
In...crível, de fato; é impossível crer que alguém possa "saber" algo sobre deus que não seja que ele não existe.
Claro que há algumas condições para o amor "incondicional" do personagem, senão ele manda para o inferno com amor. E ainda por cima somos os culpados, he he. "Você que se afastou de mim voluntariamente, filho amado"....
Nós, muito mais falhos do que um ser onisciente, onipotente e onipresente, não seríamos capazes de deixar uma criança atravessar sozinha uma avenida movimentada; e somos muito mais irresponsáveis do que um bebê, se compararmos a noção que temos do suposto dano que nossa irresponsabilidade pode causar.
Se esse mundo imaginário do cristianismo existisse, seria desejável que a mortalidade infantil fosse a mais alta possível, mesmo que os zelosos pais matassem os bebês à bala, pois se chegassem à idade da responsabilidade teriam muito mais chances de seguir o "caminho do mundo" do que adentrar a "porta estreita" da salvação; então antes uma morte passageira do que a morte eterna, não é mesmo?

Abração

Catellius disse...

É isso!
O verdadeiro cristão deveria apenas se preocupar em criar comunidades para transar o dia inteiro e dar às mulheres a pílula do dia seguinte, que mata o zigotinho, já com a alma inoculada, levando-o diretamente ao paraíso, agora que o limbo virou estacionamento pago da ICAR. Se a pílula não funcionar, até agulha de tricô está valendo. O importante é que nunca se chegue à idade da razão, tão nociva à fé cristã.
O verdadeiro cristão chegaria à velhice com milhares de assassinatos nas costas, pronto para ir ao inferno como um mártir, porque graças à sua abnegadíssima ação o reino das trevas ficou bem mais vazio do que era o esperado pelo Jesus que falou da "porta estreita", do camelo entalado no buraco da agulha. E abnegados mártires do cristianismo não vão para o inferno, então ele próprio ganharia o paraíso como prêmio pelo seu trabalho exemplar. Para aqueles que infelizmente chegassem à idade adulta, o verdadeiro cristão deveria virar padre para poder assassiná-los após receberem a absolvição após a confissão. O padre diria "eu vos absolvo de vossos pecados; ide em paz e não torneis a pecar" e após o sinal da cruz do penitente o sacristão, por trás, meteria um pino em sua nuca, como se faz com as vacas no matadouro.
Aleluia!
Amem

Bocage disse...

Estás inspirado, caro Catellius.
Uma idéia é programar um piquenique com a família às margens da Via Dutra e cochilar após o repasto, enquanto os infantes divertem-se jogando bola, rsrsrs.

Holy Father disse...

A Santa Madre Igreja confia as crianças mortas sem Batismo à misericórdia de Deus. Sua grande misericórdia "quer que todos os homens se salvem" (1Tm 2,4), e nos permite esperar que haja um caminho de salvação para as crianças mortas sem Batismo. Eis por que é tão premente o apelo da Igreja de não impedir as crianças de virem a Cristo pelo dom do Santo Batismo.

A imensa miséria que oprime os homens e sua inclinação para o mal e para a morte vêm do pecado de Adão. Por nascerem com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, as crianças precisam do renascimento no Batismo, a fim de serem libertadas do poder das trevas e serem transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, para a qual todos os homens são chamados. A gratuidade da graça da salvação é manifesta no Batismo das crianças. Mesmo sem serem batizadas as crianças mortas irão ao paraíso, mas jamais os assassinos serão considerados mártires do cristianismo.

Lord of Erewhon disse...

Verborreico André, nunca te dirigi a palavra antes - excepto para te mandar foder, claro, e não sem forte motivo - e não pretendo alterar esse estado das coisas. Se quiser ler merda, ou preocupar-me com merda, ou comentar mentalmente merda, ou deliciar-me com escritos de analfabetos fala-só... não faltam aqui em Portugal paredes de WC público repletos de literatura.

a.h disse...

Caro Abranches,

Parabéns pelo artigo. Adorei, especialmente a crítica da metamorfose do mal em loucura como sugestão de uma maldade essencialmente irracional, não responsabilizável.

E concordo com tua sugestão sobre o conceito de indivíduo ser reforçado em uma sociedade de massas, i.e., urbana. Diferentemente, em uma comunidade, o indivíduo “existe” em maior medida de consideração. Ele é lembrado como mais que um RG. Mas, em nossas urbes de massas solitárias, a categoria tem que ser reforçada para que haja ordem. Como punir um grupo? Uma etnia? Quando a pedra de toque numa cidade assenta justamente outro modo de funcionamento, não grupal, não étnico, não religioso etc?

Ser um indivíduo, no entanto, adquire um senso de responsabilidade às vezes, difícil de suportar... Embora isto contradiga o romantismo em torno do “indivíduo”, a categoria implica em uma grande dose de homogeneidade, justamente o contrário do que pregam os apologistas do individualismo. Homogeneidade pautada em um código civil.

Neste processo e círculo social opressivo, o chamado selvagem nos traz as imagens da tribo. A cidade se fragmenta em zonas, bairros, distritos que vão além de seu significado territorial-administrativo. O território passa a ser um “pedaço” onde convivem os comuns. Rappers, metaleiros ou simples favelados estão associados a uma sociedade pós-industrial que se favoreceu da própria fase industrial. Não fosse pela produção em massa, não poderiam consumir o que pensam lhes distinguir dos demais. Vivemos de aparentes contradições...

Portanto, a um estranho, realidades multifacetadas como é o caso do Brasil são difíceis de ser apreendidas. Mais fácil procurar “identidades” ou o que quer que venha a ser isto... Para um europeu, p.ex., o Brasil é confundido com a selva e nossa parcela urbana (oficialmente, uns 80%, embora seja menor do que isto na realidade...) rejeite sua “essência indígena”. Ora, não somos isto nem aquilo. Somos massa cheia de indivíduos, cuja realidade institucional não apresenta sinergia com seu corpo jurídico, pois nosso estado não foi criado pela sociedade. Ele se antecipou a esta...

Daí, quando portugueses querem simplesmente tecer um amálgama entre nós e eles, se perdem. O Brasil não é um “Portugal maior”.

O engraçado é quando alguém alega que esta seja uma falta e falha nossa, quando este alguém usa uma pintura, se torna um fake mascarado numa “pintura gótica” e acha que tem “individualidade” não passando de um reles arlequim a alegrar uma corte virtual. Copia uma datada tendência anglófona daqueles que já se vestiram de preto e passaram ao colorido.

Quando vejo fãs do The Cure atual me lembro dos rajneesh que passaram por processo semelhante quando seu guru autorizou o traje de várias cores...

Destas “lógicas identitárias”, poucos alçaram um vôo maior. Mais que punks, darks, metaleiros foi um metalúrgico que usou e abusou de sua “identidade grupal-sindical” e se tornou presidente de uma nação ávida por um retorno a sua natureza tribal.

E o cacique, tal qual Paulinho Paiakan, explora com maestria os silvícolas que têm como individualidade um registro na Receita Federal...

Viva o disfarce e o teatro coletivo, pois aqui, em que pese à extensão territorial, não há espaço para pessoas, só “identidades”.

Klatuu o embuçado disse...

Adoro macaco falante, bicho esperto mesmo, me espanta que não desfile, com suas máscaras, no carnaval... :)

a.h disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
a.h disse...

Isto é o melhor que pode, Klaatu?

Aliás, tu segurando o machado, me lembrou o início do filme de Kubrick, o 2001... com aquele pessoal manuseando os ossos encontrados junto à carniça.

Mas, a História contém suas ironias: enquanto que os símios evoluíram a partir da utilização das ferramentas, eu nunca imaginei, por contraposição, que alguém pudesse representar tão bem a involução utilizando outra mais apurada.

Fazer o quê?

____________

Mais, sobre fakes: http://www.jornaleco.net/anselmo/textos/ilusoes.htm

O+cioso disse...

Esforcem-se um pouco mais, Klatuu e Anselmo, e poderão ficar tão patéticos quanto o Catéquitus, kkk

André disse...

Catelli, também que de nada tenha servido para ele ouvir Arturo Toscanini e outros.

“Você deve estar falando da Asta Rose..."

É, ela deve ser mutante ou milagreira, já q se multiplica. Mas aqui é cheio dessas “véia” com o cabelo igual ao do Side Show Bob, o cruel, porém culto e sofisticado vilão dos Simpsons.

Grande Holy Father! Não concordo com quase nada do que vc diz, mas pelo menos vc é educado e sabe conversar. Respeito vc e suas crenças. Vc é um divergente, certo, mas jamais um idiota desocupado como esses manés q entram aqui pra escrever “kkkkk” ou lançar manifestos sebastianistas. Chega de Dom Sebastião. Bastião, fora!

“A imensa miséria que oprime os homens e sua inclinação para o mal e para a morte vêm do pecado de Adão.”

Para mim o homem é miserável e cruel por ser... humano, só isso.

Legal tudo isso q o Heidrich disse sobre idiotinhas góticos afetados pós-The Cure.

Pois é, Heidrich, o macaco com o osso de 2001 pelo menos estava começando algo. A fagulha da racionalidade, quando ele percebeu que com aquele osso podia...

...matar.

Bocage disse...

Que agressividade é essa, Klatuu? Tudo isso contra o André porque disse que és doidinho?

Lord of Erewhon disse...

Exacto, meu caro Bocage, só por isso, porque ao mais que esse cavalheiro afirma limpo o cu.
Conhece um ditado português que afirma: «Quem não se sente, não é filho de boa gente.»?

Cumprimentos.

P. S. Quanto a outras vozes, nada a acrescentar... A vontade de contra-argumentar é directamente proporcional à qualidade do oponente.

Klatuu o embuçado disse...

O tempo lava, mas também leva... Encontro uma tremenda falha no entendimento que os intelectuais Brasileiros contemporâneos fazem da Alma Portuguesa... Posso assegurar-vos que a estirpe de Portugueses que atravessou oceanos para rotas de horrores desconhecidos... não é a do «Joaquim Portuga» das anedotas.

P. S. A mulher Portuguesa também nunca foi atarracada, de pernas tortas e bigode - é um espécime minoritário, produto de séculos de abandono e miséria... que sempre esteve confinado nas aldeias do Interior Norte.

André disse...

Não queria te ofender, Lord of the Axe, mas agora parece que Inês é morta. Bom... no heart feelings.
E boa sorte com seus blogs.

Além do mais, como vc mesmo disse, a vontade de contra-argumentar é diretamente proporcional à qualidade do oponente. Eu estou sem vontade — e não há nada realmente interessante do outro lado.

Catellius disse...

Klatuu,

Pelo menos aqui no Brasil a palavra "doidinho" não é muito agressiva. Bom, eu mesmo ouço isso quase todo dia, he he he. Já o "vai-te foder" soou-me meio exagerado, mas vocês são adultos e não precisam de mim para resolver ou não resolver seus problemas. Mas dou minha sincera opinião, Klatuu: se você acha exagerada a prisão perpétua para o assassino, por que condenar à morte o motorista pego com a licença para dirigir vencida há uma semana?

Abraços sinceros, Klatuu, André, Bocage, Anselmo e Lord of E.
Jogo uma bacia de água benta gelada na altura de sua bacia, Holy Father, e um chute na sua canela, O+dioso.

Catellius disse...

Caro Lord of Erewhon,

“Falemos da Identidade Brasileira - tantos Brasileiros que ignoram essa Identidade! Cansei de ouvir tantos de vós falar da Europa - e tantos nem cá estiveram!”


Posso ignorar a identidade brasileira sem deixar de possuí-la; quem sabe negá-la não faça parte dela? He he he.
Eu falo da China sem nunca ter estado lá, falo do séc. XIX sem ter 150 anos de idade, passei duas semanas em Mértola, dois meses em Lisboa, mas tenho menos a dizer sobre essas cidades do que sobre Florença, onde jamais estive.

“Qual Europa?? A vossa Europa tem por nome Portugal...”

Eu, particularmente, fiquei encantado com o seu país. Senti-me em casa e reconheço que temos muito mais em comum do que imaginamos. É certo que o maior vínculo cultural que pode haver é o idioma. A partir daí, realmente não pode haver uma conexão entre o Brasil e algum outro país europeu como a que há com Portugal. Tirando o idioma, porém...
Há gerações e gerações que o brasileiro visita muito mais os EUA (uma extensão da Europa, na verdade), França, Inglaterra e Itália do que Portugal. Não lemos filósofos portugueses mas alemães, gregos, romanos, franceses, italianos, americanos, etc. Não assistimos filmes portugueses mas americanos, canadenses, ingleses, franceses e italianos. Não rimos de comédias portuguesas mas de esquetes de Monty Python, Ali G, de filmes de Chaplin e Jerry Lewis, de Saturday Night Live, etc. Nossos super-heróis são o Batman, Super-homem, Homem-aranha, Clint Eastwood, Humphrey Bogart e uma miríade de outros. Nossa infância está ligada a seriados americanos como Dream of Jeannie, Charlie’s Angels, Dallas, a filmes como Saturday Night Fever, Silver Dollar ou A Clockwork Orange. Quando ouvimos rock não ouvimos portugueses, obviamente, mas ingleses e americanos, quando ouvimos música clássica não ouvimos Marcos Portugal mas Beethoven, Verdi, Strauss, Elgar, Wagner e inúmeros outros; é óbvio que nossa MPB está impregnada de influência portuguesa, não estou dizendo que não há, he he. Há e muita! Lemos mais Victor Hugo, Goethe, Racine, Tolstoi e Shakespeare do que Fernando Pessoa, Eça de Queiro, Alexandre Herculano, Camões e Saramago. Não conhecemos pintores portugueses, mas nos deliciamos com Bacon, da Vinci, Andy Warhol, Sargent (estou colocando americanos no meio), Ingres, David, Rubens, Rembrandt, etc. Não conhecemos a arquitetura portuguesa salvo a que fizeram por aqui, mui inferior à que vocês têm aí em Portugal, (poucos conhecem a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos, este belíssimo exemplar do manuelino, e o Castelo de São Jorge, acho que ninguém conhece o ótimo Álvaro Siza), mas conhecemos o parlamento inglês, o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel, o Portão de Brandenburgo, a Torre de Pisa, etc. Sabemos nomes de rua e de bairros nos EUA e em vários países da Europa mas não sabemos o que é o Rossio e Alfama. Conhecemos intimamente a culinária japonesa, a italiana, a árabe, o fast food dos americanos, a chinesa, a francesa, embora a culinária portuguesa esteja entranhada em nossa cultura, misturada à indígena e à africana. Moda, histórias infantis, lendas, teatro, história do país e das guerras, games – quase nada passa por Portugal.
Obviamente que falo principalmente do brasileiro urbano. No interior vemos conexões fortíssimas com o período colonial, principalmente nas festas religiosas, na vestimenta tradicional, culinária, etc. Temos também esta identidade, é lógico, não a ignoramos e dela nos orgulhamos. Contudo, o brasileiro em geral, cada vez mais urbano, está muito mais próximo de outras culturas européias do que da cultura portuguesa. É minha opinião após uma análise superficial.

“- a Península Ibérica, geográfica e culturalmente quase nem Europa é, mas sim uma coisa outra, um sub-continente singular.”

A África começa nos Pirineus, tudo bem... E a Rússia é meio mongol, e a Bulgária é meio turca, e a Sicília é meio tunisiana... Bem-vindo à Europa, milorde!

“Portugal é o chão da Alma Brasileira, o fundamento primeiro da vossa Identidade”

Concordo

“ - o mais são plumas de Índio no carnaval... o negro não conta para estabelecer diferença, porque o negro sempre esteve na Alma Portuguesa, desde que os mouro lavraram esta terra!”

Isto se ainda estivermos falando no “chão da alma brasileira”. Porque você não pode esquecer das paredes, teto, janelas, porta, móveis e utensílios, iluminação, etc.
O negro que influenciou o Brasil diretamente não foi o almorávida islamizado, o almôada, o berbere. A cultura da África subsaariana é muito diferente da cultura dos povos que dominaram por setecentos anos a Península Ibérica.

“E a nudez do Índio é santa - e a do carnaval lúbrica, africana, grito de libertação contra os espartilhos sexuais católicos.”

He he he! Santa para vocês portugueses. Rousseau não faz mais sucesso deste lado do Atlântico.

“Se o Brasil banisse Portugal da sua Alma... que lhe restaria? Ser um clone dos States?? Uma sucursal da cultura WASP (White Anglo-Saxon Protestant)??”

É impossível banir Portugal de nossa alma, fique tranqüilo, he he he.
Estamos longe de sermos clone dos States, embora a influência da cultura anglo-saxônica seja fortíssima. Sou fã da cultura anglo-saxônica. Não preciso abandonar minhas raízes (fui criado em uma cidade onde a maioria da população tinha ascendência italiana) para incorporar traços culturais de outros povos.

“Há mais que ser rico! Há mais que ser moderno - seja essa merda o que for!”

É lógico! Mas você não acredita que o que motivou e possibilitou o “grande espírito do navegador português” foi algo além do dinheiro, acredita? Tem essa ilusão? Se não fosse pelo dinheiro e por estarem avançados cientificamente, se não fossem modernos, não imagino os portugueses de quinhentos anos atrás a se arriscarem mundo afora em cascas de noz, à mercê de tempestades, selvagens, piratas e outros perigos. Tanto que o “espírito português” deixou as grandes aventuras de lado quando lhe faltou dinheiro e modernidade.

“Há mais que edifícios altos, avenidas, estradas e pontes!” Há um Sonho... que canta todas as madrugadas e todas as por vir... na Língua Portuguesa, numa Alma que se tornou tão vasta, que há muito deixou de caber no solo exíguo da Nação Portuguesa!”

Falarmos o mesmo idioma: é esta a maior conexão, claro.
Quando você diz que “há mais que edifícios altos, etc.” pode parecer que alguém, talvez um “vil” americano, ache realmente isso, que não há nada além dessas coisas, da modernidade e do dinheiro. Para o “vil” americano que passa a vida “apenas” a ganhar dinheiro, ele está jogando Banco Imobiliário (Monopoly) o dia inteiro, não tira férias porque gosta de ficar jogando, sente a mística dos bancos ricamente ornamentados, das mesuras e dos protocolos, dos terraços no centésimo andar, dos jantares de negócios, das viagens de negócios; tal indivíduo deve ter histórias quase místicas de negociações espetaculares com chineses e russos, etc. Quando ficar velho lembrará dos tempos de mocidade, da “alma” do capitalismo americano, dos anos dourados, dos sonhos, etc., com o mesmo fervor místico que você devota ao solo português. Isto não está no português ou no solo de seu país, não está em uma religião ou em deuses – está no homem.

E não desmereça os edifícios altos, pois são as nossas Muralhas da China, as nossas Pirâmides de Gizé. E o que é Lisboa e Sintra, Évora e Mértola senão seus edifícios, estradas e pontes? Além do povo, é claro, he he.

“... mas tem um estandarte maior: chama-se Brasil! Terra gentil, generosa, de povo afável e misto, de ar limpo e paisagens de paraíso!”

Obrigado.

“Apenas falta ao Sonho a unidade que há nos que são iguais e irmãos - e Justiça, Justiça, Justiça! VIVA O BRASIL!!”

Obrigado. Mas se isto falta até no sonho, imagine na realidade.... :)
Abraços

Catellius disse...

Klatuu,

"Posso assegurar-vos que a estirpe de Portugueses que atravessou oceanos para rotas de horrores desconhecidos... não é a do «Joaquim Portuga» das anedotas."

Definitivamente não. Às vezes uma empreita além-mar demorava tanto e era necessário empenhar tantos recursos que os próprios investidores, quase sempre nobres, acompanhavam seu dinheiro nas naus. Devido ao alto índice de naufrágios, doenças, combates e outros "Adamastores", alguns estudiosos creditam EM PARTE a decadência portuguesa após as grandes navegações ao alto número de mortes entre a elite empreendedora, culta e rica. Refiro-me inclusive ao investimento do Estado. Experientes navegantes como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho naufragaram, em uma única empreita Pedro Álvares Cabral perdeu quatro de suas naus, para citar alguns casos.
Enfim... O que os homens não fazem por dinheiro, fama e glória?
Acho que o tipo mais assemelhado àquele português não é o jovem e sonhador português dos dias de hoje, que se deita com os amigos sobre um teto de uma casa no Alentejo e aprecia o céu pululante de estrelas, ouve fado fumando um cigarro, sentindo o frio da noite do ambiente desértico, a "sentir" sua alma portuguesa, esse português que só sabe lutar com palavras. O português antigo do qual os portugueses de hoje se orgulham e devem se orgulhar está tão distante dessa "liberdade" segura e hedonista quanto está próximo de Alexandre Magno e Marco Polo, na minha opinião.
Aquele português está muito, mas muito mais próximo do "WASP" da corrida espacial com os soviéticos (os portugueses competiam com a Espanha e outras potências marítimas), da chegada à Lua, das descobertas científicas, do DNA, etc.
Sad but True!

Abração

Catellius disse...

Mas isto não diminui em um "centímetro" minha admiração por Portugal, pela sua história, cultura, pelo seu povo, etc.
Viva Portugal!

Bocage disse...

A porcentagem de ítalo-descendentes em relação à população brasileira é de quase 15%. E ainda há os alemães, japoneses, hispano-americanos, ucranianos, árabes, que aqui chegaram em grande quantidade a partir do início do século XIX, para além dos milhões de portugueses imigrados nos últimos cento e cinqüenta anos. E a arte brasileira foi fortemente influenciada pelas missões francesa e holandesa, principalmente pela primeira, trazida por D. João VI em 1808.
Há, contudo, algo mais profundo que nos conecta a Portugal. E só descobrimos quando estamos lá. A identificação é tão forte que o contato consciente travado com as culturas que listaste, Catellius, passa para o segundo plano quando mergulhamos em sua cultura.
Não podemos esquecer da contra-influência brasileira, na azulejaria, no lundu e outros ritmos, e recentemente nas novelas da Globo, rsrsrsrs.
Viva Portugal!

Bocage disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bocage disse...

"e recentemente nas novelas da Globo"

e não podemos nos esquecer da IURD, rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

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