10 agosto 2007

A Morte dos Ideais Petistas

A política partidária talvez seja necessariamente odiosa porque simplesmente traduz o funcionamento normal do cérebro humano. Acho que em grande parte somos binários: sim ou não, a favor ou contra, PT ou PSDB e socialista ou capitalista. E ainda existem os maus e ignorantes cuja política e baseada no agravamento das diferenças. A política das quotas, das minorias, dos sexos, dos nacionalismos exacerbados, das disputas religiosas e que mostra seus resultados mais agudos no Oriente Médio e nos Bálcãs.

Simplesmente não conseguimos ser justos. Não conseguimos encontrar um ponto neutro onde exista alguma liberdade. Muitos filósofos consideram a justiça um ideal no estilo platônico. Não acho que o idealismo seja algo positivo. Hitler era um grande idealista no melhor estilo do Senhor dos Anéis. Ele acreditava que os seus SS iriam purificar a raça ariana da miscigenação com outros povos, especialmente os judeus, e que ao cabo de algum tempo ele iria gerar "elfos" arianos que teriam superpoderes e dominariam todas as raças inferiores.

Deng Xiaoping foi um destes homens mais justos, que adaptou os ideais socialistas soviéticos à realidade, à cultura e às necessidades chinesas. Como resultado temos um país que cresce a taxas da ordem de 10% há quase três décadas. A vitória do grupo liderado por este homem tira milhões de chineses da miséria, evitou a fragmentação deste país com o fim abrupto do seu socialismo. Além disto, ajuda muito o capitalismo produzindo bens a preços baixíssimos (combate à inflação), financia o consumo americano com a compra de T-bonds e oferece uma demanda potencial que é fundamental para encurtar qualquer crise capitalista.

Na Europa, temos vários capitalismos também. Adaptações locais mais ou menos bem-sucedidas destes ideais. Temos o capitalismo de coordenação de países como Alemanha, Holanda, Suécia e Dinamarca; o capitalismo de orientação onde o Estado guia os investimentos, como na Franca, Itália e Espanha. E ainda temos capitalismos híbridos na Europa Oriental com variadas articulações Estado-mercado. Talvez os mais bem sucedidos sejam os nórdicos, que têm muita justiça social e crescimento econômico.

Seria bom se o Brasil tivesse um líder do nível de um Deng Xiaping, mas infelizmente temos apenas uma herança maldita da ditadura. Um político que sobreviveu porque era considerado menos perigoso enquanto outros foram destruídos, ele e seus asseclas da geração de 68, que começaram a vida seguindo os ideais da Revolução Cubana e terminaram vendendo a alma pelo poder.

Mas isto era inevitável. Os idealistas negam a realidade seja ela qual for e praticam as maiores atrocidades para atingir os ideais que pretendiam, sendo que no processo violento em que se colocam acabam simplesmente se tornando aqueles que pretendiam destruir. O próprio Lula é um exemplo disto. Por que ao invés de acabar com o coronelismo Lula tornou-se o maior coronel que este pais já viu? Ele não é um coronelzinho qualquer, que distribui algumas cestas básicas. Ele distribui o Bolsa Família para milhões de famílias, o que o torna o titular do maior curral eleitoral da história deste pais. Nunca é demais lembrar que pessoas como Cristóvam Buarque não hesitam em afirmar que o Bolsa Família é corrupção.

Mas eles falharam porque nunca foram justos. Eram idealistas e os ideais são traiçoeiros porque se baseiam na vaidade, e acabam se tornando apenas vaidade. Depois da morte dos ideais, trucidados pela realidade da luta pelo poder, sobra apenas a vaidade e a necessidade de mantê-lo a qualquer custo. Mas até isso morrerá no dia em que os corpos decadentes dos membros da geração 68 tiverem o mesmo destino dos seus ideais.

Isto me faz pensar no enterro de Lula. Deverá ser um evento épico com direito a três dias de luto, muita cachaça, greve geral, passeata dos Sem Terra e milhares de descamisados choramingando como órfãos. Talvez se decida até mesmo por preservá-lo mumificado, a la Evita. Se for este o caso, tomara que nenhum general se apaixone pela múmia...

110 comentários:

André disse...

Essa foto é a do enterro do Khomeini? Ficou boa.

“Acho que em grande parte somos binários...” Na maior parte do tempo somos mesmo.

“Hitler era um grande idealista no melhor estilo do Senhor dos Anéis.”

Não acho q o homem ariano tivesse algo a ver com os elfos. Os elfos eram metidinhos, mas eram efetivamente superiores, melhores, mais fortes, mais sábios... E imortais (não morriam de morte morrida, só de morte matada mesmo!).

“Que seus SS iriam purificar a raça ariana da miscigenação com outros povos...”

Pois é, só q na hora do aperto, quando a maré da guerra virou, a partir de fins de 1942, eles deram a maior elasticidade ao conceito de raça pura, ariana, essas besteiras. Começaram a aceitar de tudo. De uma hora pra outra, formaram legiões estrangeiras dentro das Waffen-SS, só q não deu certo, os efetivos eram pequenos demais pra fazer alguma diferença. Diferença contra a Rússia, diga-se. Formaram regimentos de valões (Vallonie Divisionen) e flamengos na Bélgica, de escandinavos em geral (Nordland Divisionen), de holandeses... mas até aí nada de mais. Eram todos branquinhos como leite suíço, certo? O engraçado é q formaram até pequenas unidades de... indianos e turcos! Yessss, isso é q é raça pura: puramente misturada, só se for!

Deng Xiaoping foi um estadista. A China nunca deveria era ter passado pelo q passou com o Mao. Acho q Mao ter nascido já foi um erro. Esse já era MAU no nome.

“Ele não e um coronelzinho qualquer que distribui algumas cestas básicas. Ele distribui o Bolsa Família para milhões de famílias o que o torna o titular do maior curral eleitoral da história deste pais.” É o pobrismo do PT.

Cristovam Buarque e muitos outros não hesitam em afirmar que o Bolsa Familia é corrupção. Pobrismo de novo.

Lula mumificado... vai virar é santo! Vai começar a fazer milagres!

“Um político que sobreviveu porque era considerado menos perigoso enquanto outros foram destruídos, ele e seus asseclas da geração de 68...”

Sim, só dá escória. Só gentinha. Havia bons políticos nos anos 50 e 60, mas quase todos foram cassados (e, desses, os q não estavam mortos lá na abertura já não tinham mais vontade ou estavam envolvidos demais com outras coisas pra voltar pra política).

Era impensável, nos anos que antecederam o golpe, que imbecis endeusados como o “doutor” Ulisses Guimarães (cujo mau-hálito, insuportável, cheirava a perfume Chanel se comparado a suas idéias políticas, de um reacionarismo tosco) subissem muito na política. Não havia espaço para gente como ele. Num jantar da época, Franco Montoro disparou a dizer bobagens e um político mais velho disse na frente de todo mundo: “Cala essa boca, vc só diz besteira, Franco.” Calou-se.

O golpe de 64 criou um vácuo na política, eliminou uma elite saudável — e a possível continuação dessa elite dentro do sistema, sabe-se lá o que poderia ter acontecido se tudo tivesse dado certo, se não tivesse havido a irresponsável renúncia de Jânio, depois o oportunista safado do Jango, depois a radicalização de esquerda, a bagunça geral, os militares... Criou-se um vácuo no poder que, com a saída dos generais, foi preenchido com a escumalha política que conhecemos e seus filhotes atuais.

E, mais uma vez, falo de gente, viva ou morta (a maioria felizmente morta, mas deixaram descendentes, ah, esterilização, pra que te quero!) bastante endeusada por aí... E olha q nem me refiro aos petelhos, esses também parte da ratatuia, mas um tipo particular, afinal eles eram os revoltadinhos, os outsiders, a “geração 68”, bem descrita pelo Heitor. Não conseguiram mais do q assaltar uns bancos nos anos 60, tiveram q enterrar seus sonhos mais vermelhos e, somente muitos anos mais tarde, via semi-árido, lá na rabeira de um pau-de-arara, chegaram ao “puder” — como diria Zé Ribamar, nosso “éstadistia” do pobre e desgraçado Maranhão, onde predominam os vastos desertos e charnecas de que falava José Bonifácio de Andrada e Silva.

Ou seja, eles, uns pretensos sofisticadinhos radicais de classe média, marxistas de vitrine que só leram versões stalinistas de Marx, tiveram q se curvar ante um lúmpemprole (ops! É assim q se escreve?), um qualquer do zé-povinho, do povão. Leiam o que alguns próceres do PT (hoje capachos de Lula) escreviam sobre nosso amado, idolatrado, salve, salve Lampião lá nos anos 80... eles não gostavam muito do cara não. Achavam-no pouco sofisticado, nem um pouco talhado pra liderar as massas na revolução inevitável. Sim, eles ainda acreditavam em revoução do proletariado nos anos 80, e queriam que um “deles” fizesse o serviço. Aposto que até hoje Lula os incomoda bastante. Tudo bem, foi ele, e só ele, com seu carisma e força entre, bem, entre os dele (e boa parte da classe média, esta burra ou ludibriada em 2002, ou as duas coisas) que pôs o PT onde ele está hoje. Eles até conseguiram se “vingar” razoavelmente das Donas Zelites, passadas e presentes, da forma usual: meteram a mão, foram pegos, nada aconteceu e ainda conseguiram mais quatro anos. Tudo graças a “Mr. Da Silva”, como é chamado lá fora, com suas metáforas, seus “nove meses de gravidez” pau pra toda obra... Contudo, acho q eles ainda têm um certo ressentimento pelo fato dele não ser um deles, um Lêninzinho de universidade pública, de movimento estudantil. Se bem q as esquerdas latino-americanas não costumam gerar tipos muito cerebrinos. O máximo em cabeça foi quem? Guevara? Allende, o da tal tese (de quê? De mestrado? Doutorado?) q não conseguia esconder uma certa predileção por eugenia e coisas do tipo? Se a gente passar na peneira, não sobra muita gente.

Por outro lado, Lula, que só conhece Lênin e Stálin de ouvir falar, de orelha de livro, é um tipo bem insidioso, quase um Lênin, ainda que sem a perversidade e o ódio ilimitado deste. Aprendeu bem na prática, sem precisar ler (mas nem falemos nisso) coisa alguma ou assistir às aulinhas da Marilena Chauí. É um demagogo instintivo, natural. Um soviete diluído, um apparatchik tropical, devidamente amaciado pela nossa tradição autoritária, porém paternalista. Se ele não fosse de esquerda, seria outra coisa, e canalha do mesmo jeito.

E não se enganem, meus amigos: ele não gosta de democracia. Só um exemplo: está mais do que na cara que fecharia o Congresso se pudesse. O que seria bom, diriam alguns, uma medida sanitária, he, he, não fosse o que viesse em seguida. Comitês do povo, talvez?

Não faz pior porque lhe falta poder, porque isso aqui não é uma zona geral, não é uma Venezuela ou Peru nos tempos do Sendero Luminoso. Mas a gente sabe que tipo de gente ele admira e que tipo de regime ele realmente gosta. O fato é que acabou sendo forçado pelo estado de coisas “nestepaiz” a uma incômoda acomodação. Brasileiro é um povinho lontra, devagar quase parando, mas tem uma qualidade: nunca foi dado a radicalismos ou excessos. O Brasil, graças a Deus (amigos ateus, é só uma figura de linguagem!), não casa com ditaduras sanguinárias, com derramamento, mesmo, de sangue. Espero que continue assim.

Clarissa disse...

Heitor:
Apesar de ser visita muito acarinhada nesta sua «casa» penso que ainda não tinha tido o

prazer de conversar contigo :)
Gostei da forma como inicias o teu post: «Acho que em grande parte somos binários: sim ou

não, a favor ou contra» e acrescentas terceira via : a «dos maus e ignorantes». Concordo

contigo no geral, mas encontro outra justificação que não a de que este seja um «normal

funcionamento do cérebro».
A maior parte das vezes que me passeio pela net não consigo deixar de sentir um genuino

espanto pela «capacidade» com que todos emitem opiniões sobre todo e qualquer assunto,

chegando ao ponto de se perfilarem como verdadeiros especialistas seja na política, na

religião,filosofia, psicologia ou artes marciais. Este perfil de Homem que se encontra aqui

na net não é muito diferente daquele que encontramos encostado ao balcão do café de esquina

a opinar sobre o árbitro do jogo X, o político do partido Y,ou as performances de macho que

se recusa a usar preservativo.Na origem está a mesma necessidade de auto-afirmação, de

emitir opinião e de a configurar de forma inequivocamente convincente, para si e para os

outros, mostrando-se a pessoa inteligente e crítica que quer fazer passar para os outros. Na

net tudo isto é facilitado, desde o tempo de resposta que permite uma investigação rápida,

uma reformulação do que outros disseram mas que só o próprio não reconhece como plágio, a

contrução cuidada de uma Persona... As pessoas têm que MOSTRAR, e MOSTRAM QUE SÃO afirmando

rapidamente a sua opinião (porque o tempo é essencial nesta questão) num SIM/Nâo,

FAVOR/CONTRA. È aqui que eu encontro a ignorância - no zelo idiota em gritar a sua posição

sem reflectir, ponderar, sem ouvir, e até em considerar que as opiniões podem mudar.
Claro que a esta altura já muitos (se é que tiveram paciência de perder tempo a ler este

comentário), estão a pensar nem sempre é assim, e de facto não é. O problema não é a minoria

de pessoas que afirma SIM/NÃO por uma convicção ponderada e discutida, o problema é essa

esmagadora maioria de gente que acha que o debate de ideias é uma espécie de confronto de

boxe em que alguém tem que ficar Knot Out (escrevi bem?), e por isso não hesita em agredir

de forma pouco ou nada subtil, persistindo na burrice e ignorância, mesmo quando a evidência

é por demais inegável. São estes que constituem a maioria Binária SIM/NÃO, a terceira via, a

da dúvida, da ponderação, só essa pode levar a uma consciente afirmação de tese.
Um abraço e perdoa a extensão deste comentário, entusiasmei-me :)

Beijos para a Simone, Catellius e Bocage :)

André disse...

Excelente comentário, Clarissa, um genuíno knock-out!

Abraços!

Clarissa disse...

:) Knock-out e não «Knot Out» :)
Abraço André, eu sou um verdadeiro peso pluma ;)

André disse...

Olá, Clarissa. Acabei de descobrir que o usado hoje é knockout, tudo junto, mas acho q já vi a forma knock-out por aí. Vai ver é ultrapassada.

Clarissa disse...

Catellius e Bocage:
Como a vontade de escrever voltou por este lado e vocês me brindam com uma constante simpatia, saiu mais um capítulo. Agora espero a vossa veia crítica, já que essa é uma das razões por que vos Respeito.
Um beijo a todos.

C. Mouro disse...

"Deng Xiaoping foi um destes homens mais justos, que adaptou os ideais socialistas soviéticos à realidade, à cultura e às necessidades chinesas. Como resultado temos um país que cresce a taxas da ordem de 10% há quase três décadas. A vitória do grupo liderado por este homem tira milhões de chineses da miséria, evitou a fragmentação deste país com o fim abrupto do seu socialismo. Além disto, ajuda muito o capitalismo produzindo bens a preços baixíssimos (combate à inflação), financia o consumo americano com a compra de T-bonds e oferece uma demanda potencial que é fundamental para encurtar qualquer crise capitalista."


...Deus do céu!? ...credo! ...depois dessa nem vale ler o resto!

Abs
C. Mouro

Heitor Abranches disse...

C.Mouro,

Francamente não conheço detalhes da biografia nem do caráter de Deng Xiaoping. Entretanto, os resultados de sua ação são impressionantes e beneficiam milhões de pessoas em todo o mundo. Isto não seria suficiente para supor que ele é um homem justo?

Heitor Abranches disse...

..FOI um homem justo?

O+cioso disse...

kkkkkkk
Deng Xiaoping, para o Hector, FOI justo, o santo que reprimiu com assustadora violência as manifestações na praça da Paz Celestial em 1989.
kkkkkkk

Desmiolado total, kkkk

'os resultados de sua ação são impressionantes e beneficiam milhões de pessoas em todo o mundo. Isto não seria suficiente para supor que ele é um homem justo?'

OS FINS JUSTIFICAM, tornam JUSTOS, OS MEIOS. kkkkk
um bom resultado torna JUSTO Deng Xiaoping. kkkkk

Infelizmente tenho que repetir o que o C. Mouro disse:

depois dessa nem vale ler o resto!

kkkkkkkkkk k k k kk k k k k k k k kkkk k k k

O+cioso disse...

De novo digo:
Tirem o Catéquitus e agora tirem o Hector e ponham o André e a Clarissa (esta é 10!!!!!!)

Isso mesmo, Clarissa. Os "cultos" têm tempo para fazer pesquisa no Google e bancar os sabichões, compondo os personagens, NÃO É CATÉQUITUS?

kkkkkk

O+cioso disse...

Os cultos agora vão para a Wikipedia p/ procurar algo q torne Deng Xiaoping justo, jejeje.

''Entre 1962 e 1965 teve de se dedicar a reparar os estragos econômicos causados pelos excessos de Mao.
Caiu em desgraça durante a Revolução cultural, quando era secretário geral do PCC. Em outubro de 1966, torna-se alvo de críticas, assim como Liu Shaoqi. Em dezembro daquele ano, mais de três mil estudantes manifestam contre eles em Pequim. Eram acusados de defender uma estatização da economia à moda soviética, e de serem contrários aos ideais do Grande salto adiante. Na retórica da Revolução Cultural, isso equivalia a tachá-los de « revisionistas soviéticos », « burgueses reacionários » e de « capitalistas ». Deng e Liu tinham lutado contra a demasiada influência do maoísmo e tinham aberto inquéritos contra funcionários revolucionários corruptos.
Deng foi submetido a humilhações públicas e obrigado a abandonar suas funções no PCC. Foi obrigado a fazer autocrítica de seus «erros» (1967) e enviado a trabalhar como operário em uma fábrica (1970). Seu filho foi jogado de uma janela pelas Guardas vermelhas e ficou paralítico. Deng resistiu escolhendo viver isolado.''

Pronto. Como foi injustiçado passou a ser JUSTO! kkkkkk
O traficante morreu por bala perdida e agora é JUSTO...

PELO MENOS COLOQUE A PORRA DO "JUSTO" ENTRE ASPAS, HECTOR!!!!!!!!!!!!!

E, por fim: kk k k kkk kk k kk k kk k k kk k k kkk kk k k kk k kk k k kkkk k kk k k kk k k k k k kk

Ricardo Rayol disse...

Muita ira por aqui. O unico ideal que esses new socialistas de direita pregam é a total e completa adoração ao deus dólar.

Estou convidando para mais uma blogagem coletiva. No dia 13 vamos publicar nossa opinião sobre a CPMF. Maiores informações lá em casa ou no blog Mataador.

Catellius disse...

Gostei do artigo, Heitor.
Talvez classificar o kamarada Deng de justo seja um pouco de exagero.
Ótimas opiniões, André e Clarissa.
Depois comento com calma.
Tive que moderar você, A Língua. Grato pela compreensão.

André disse...

Só acho que qualquer um que estivesse no poder na China em 89 teria reprimido com violência aquelas manifestações na praça da Paz Celestial em 1989.

O Grande Salto Para a Frente do Mao foi um desastre. Um grande salto para trás... há dezenas de historinhas absurdas desse “salto”. É um bestiário.

P. ex., Mao dizia: “precisamos de metais”. Os chineses pegavam todo tipo de metal q encontravam, arrancavam até maçaneta de porta, e levavam tudo para ser derretido. Simplesmente jogavam todo e qualquer tipo de metal nas fundições. O resultado, lógico, era uma mistura sem nenhuma qualidade, uma "liga" metálica que nem liga era. Depois teve a das aves. Uma certa espécie de ave comia as sementes q eram plantadas não sei aonde. Mao disse: “matem todas as aves”. Fizeram isso, e uma espécie de minhoca gigante comum na China ficou sem predador. Resultado: se multiplicaram e esburacaram tanto o solo q não houve colheita e um surto de fome matou um monte de chineses.

Naquela época, um chinês faminto comeu casca de árvore pra não morrer e foi enviado para um campo de reeducação por ter comido “propriedade do Estado”.

Deng era legal... mas comparado a um Mao! Bom, qualquer um é gente fina comparado ao Mao.

Mas concordo com a opinião do Heitor sobre Deng. Ele era um moderado ali. Acho q a única saída mais ou menos civilizada possível num lugar como aquele.

Heitor Abranches disse...

o+covarde,

Que tal mostrar a sua carinha? Um link, um endereço, qualquer coisa...Até a Clarice se mostra meu, e vc?

Catellius disse...

Pronto, O+dioso, não vai querer que eu ative a moderação, não?
Comporte-se.
Heitor, como assim "até a Clarice (imagino que esteja se referindo à Clarissa) se mostra"? Não entendi...

Clarissa disse...

«Até a Clarice se mostra meu, e vc? »
Sim... Heitor, gostaria de perceber o alcance das suas palavras. Eu tenho um Blog desde Fevereiro de 2006 onde nunca tive medo de afirmar aquilo em que acredito. Sempre esteve À Mostra aquilo que sou.

Heitor Abranches disse...

Desculpe Clarissa,

Estas figuras sao um teste para a gente.

O que eu quero dizer e que vc e um figura feminina e delicada e nem por isto se esconde. Vc se mostra ao lado de sua opinioes.

No caso do o+pentelho, ele enche o saco e a gente nao tem como ir ver o perfil do cara, suas opinioes,...quem ele e, seus textos, esta coisa toda...

Mas em geral eu ate gosto de uma voz distoante...

abs,

Heitor Abranches disse...

Catellius,

Vamos mostrar que somos melhores que esta gentalha do PT.

Deixa este cara falar o que ele quiser.

Nao somos como eles que atacam a liberdade de opiniao e de imprensa.

A liberdade e de todos, ate desse cara e tolera-lo e um preco pequeno a pagar por ela.

Clarissa disse...

Heitor, eu percebo, mas não se iluda... o facto de ser feminina e delicada não me faz menos forte, aguerrida, teimosa e tão ou mais capaz que muito pseudo macho que por aí anda.
Um beijo Heitor

Catellius disse...

Ok, Heitor,

Mas aqui é propriedade privada. Nossa casa está de portas escancaradas, para qualquer um entrar, desde amigos queridos a cães sarnentos como o O+dioso. Enquanto ele ficar no canto, criticando isso ou aquilo, tudo bem. Quando começa a latir alto demais, a defecar pelos cantos, deixo-o de fora um tempo para aprender boas maneiras.

Vou apagar apenas os comentários ofensivos.

Abração

Eduardo Silva disse...

Poxa André, me supreende você ser um bacharel em direito e preferir Nietzsche, um pensamento totalitarista, inclusive Goding, um dos braços direitos de Hitler, que comandava os "camisas pardas", quando foi se defender no Tribunal de Nuremberg, usou como tese Nietzsche e Kelsen.

Eduardo Silva disse...

Olha o que o advogado Fernando Montalvão, conhecido na área jornalístico-jurídica disse:


O Presidente Luís Inácio da Silva, isso mesmo, da silva, um cidadão comum, nascido politicamente no movimento sindical de Diadema-SP, após várias tentativas, foi eleito presidente de República do Brasil com mais de 70 milhões de votos, sendo reeleito em 1º Turno nas últimas eleições Presidenciais, constituindo-se no maior fenômeno político de nossa história porque um homem do povo. Em artigo anterior, sob o título A CRISE PETISTA , de 04.09.2005, publicado nos sites CMI, carosamigos, jeremoabohoje, montalvaoadvogadosassociados e outros) tive a oportunidade de afirmar:

“A elite brasileira nunca aceitou a eleição de Luís Inácio Lula da Silva e o governo petista, e isso sempre foi bastante claro. Apenas engoliu. Ora, engolir não tem problema porque política é arte de engolir sapo. Ela se Recolheu como ave de rapina a espreitar a vítima. Era demais. Lula é nordestino, retirante da seca, operário e de alfabetização limitada, comida indigesta para a paulicéia quatrocentona e a tradicional família mineira, embora ele houvesse construído sua vida política no ABC Paulista. Bem, isso não interessava. O medo não era de Lula, era da anunciada ruptura da ordem político-econômica e da bandeira da ética na política. O PT cresceu e passou a ser acreditado pela bandeira da ética. Suas administrações municipais era o melhor exemplo.

Essa foi minha resposta:

“A elite brasileira nunca aceitou a eleição de Luís Inácio Lula da Silva”, essa frase lembra os manifestos que surgiram com base numa idéia tola maniqueísta, como Idéias Constitucionalistas de Vladimir Lênin, e o clássico Manifesto Comunista. “Lula é nordestino, retirante da seca, operário e de alfabetização limitada”, o autor usa de seu próprio preconceito para atacar a tão famigerada elite, como podemos definir elite nesse tartufo maniqueísmo, será que como “não-nordestino, morador de um bairro de luxo, profissional especializado e de erudição inaudita”? Não dá para agüentar esses comentários, baseiam-se em premissas inverossímeis e infantis. Nem parecem que são de um advogado. Se o autor tivesse o mínimo de conhecimento de história contemporânea do Brasil viria que o Consenso de 68 emergiu muito parecidamente com a ascensão do Partido Nacional-Socialista Alemão em 1919. Como diria o C. Mouro, "emputece-se"....

C. Mouro disse...

Heitor,
Um sujeito justo é aquele que sempre tenta ser justo, suas decisões e julgamentos são pautados pela idéia de fazer aquilo que é justo, e não aquilo que é útil, nem aquilo que é desejável como fim e nem aquilo que lhe convém. Isso é ser justo, mesmo que cometa injustiças por erro de análise ou engano. Afinal, o justo pode errar tentando fazer justiça, e se erra, comete injustiça. Da mesma forma, um injusto pode cometer justiças, que não é o caso de Deng, mas ainda assim será um sujeito injusto, pois seu objetivo não é a justiça.

A idéia de justiça tem que ser objetiva. Não faz sentido a idéia de justiça ser subjetiva, pois que tal impugnaria qualquer discussão a respeito. Da mesma forma não se pode discutir qual a cor mais bonita. Questões subjetivas não podem ser discutidas. Ou seja, fazer da idéia de justiça um "EU ACHO" não faz o menor sentido.

Por outro lado, considerar que se deva julgar tendo em mente objetivos desejáveis ou mesmo julgar os meios segundo os fins alcançados ou almejados, não é apenas fazer da justiça uma idéia subjetiva mas também relativa. Diga-se um erro ainda muito maior, que seria o de ideologizar a idéia de justiça.
Os fins são subjetivamente desejáveis, mas geralmente os meios é que qualificam os fins: meios justos produzem fins justos. Afirmar que algo “é justo” porque considera-o desejável ou de alguma forma útil, é mera subjetividade arrogante, achismo que nada tem com a idéia de justiça.
Mesmo que a igualdade material, ou similaridade, fosse possível através da coerção, ainda assim seria injusta; pois obtida por meio injusto: a imposição da vontade de uns sobre a de outros. Ou seja, a desigualdade através da igualdade é justa, já a igualdade (material) pela desigualdade (legal) seria injusta.

Ou seja, dando-se à idéia de justiça um caráter subjetivo ou, pior, ideológico, é impugnar qualquer discussão sobre o que é justo. Daí que tal idéia perderia completamente o sentido: onde não se pode julgar, mas apenas “achar”, não há justiça.

Isso posto, tem-se a idéia de que a justiça pode fundar-se na lógica ou na opinião de uma autoridade consensual – o consenso unânime, não apenas majoritário, é justo. Desta forma a autoridade arbitra o que é ou não justo contando com a prévia anuência dos fiéis. E neste caso o "eu acho" da autoridade, que pode ser um deus que fala através de porta-vozes ou um consenso de autoridades democráticas ou não, passa a ser considerado "o justo" independente de unanimidade sobre tal autoridade em suas decisões. Isso é extremamente primitivo mas é um meio de solucionar questões e minorar conflitos. Ou seja, é uma concessão ao pragmatismo, um utilitarismo, que prescinde de raciocínios penosos. A outra via é através da lógica, partindo-se de princípios consensuais ou axiomáticos para construir a idéia de justiça através da simetria de direitos, ou igualdade de direitos, que leva à idéia de liberdade igual para todos e de propriedade; os inseparáveis: justiça, direito, propriedade e liberdade.

Ou seja, a idéia de justiça tem que ser objetiva, não depende de "eu acho" e nem de fins alegados ou alcançados. Nem mesmo pode ser confundida com um consenso pretensamente utilitário ou pragmático.

Atingir fins desejáveis não justifica os meios que os proporcionaram; há que se julgar os meios efetivados e não os fins realizados ou apenas idealizados. Ou se ficaria sempre dependente do futuro para julgar, e assim se anuiria no presente com aquilo que no futuro se teria por injusto, caso não realizasse o fim almejado. Uma aberração. E, pior ainda, se fossem julgado com base em alegadas intenções, para considerar justas as atrocidades praticadas em nome de pretensos ideais ou mesmo de quimeras deliberadas, a dúvida seria insolúvel.

Curvar-se ante realidade fazendo concessão ao pragmatismo é senso de oportunidade e não de justiça. Ademais, o que há na China nada tem de justo, pois não há liberdade, e a servidão será sempre injusta. Não há liberdade para empreender, não há livre concorrência, mas concessões. E isso que lá existe nada tem com justiça, digo, com igualdade de direitos (não de potência realizada), com simetria, com reciprocidade.

Senso utilitário nada tem em comum com senso de justiça, e há de fato escravidão - com coerção mesmo - em atividades "empresariais" chinesas. Muitos "empresários" estão mais para senhores de escravos do que para empreendedores. Não por pagarem pouco ou por carga horária elevada, mas por valerem-se da força mesmo, para coagir, com apoio oficioso.

Há empresas com empregados? há! ....mas há com "senzalas" também.

Mesmo diante da notoriedade absoluta do que ocorreu na Praça da Paz Celestial, ainda assim considerar o sujeito justo, é dizer que sua intenção era ser justo quando mandou tanques esmagarem manifestantes absolutamente INDEFESOS e fisicamente inofensivos. Além de inocentes em seus clamores.

Abraços
C. Mouro

André disse...

Grande c. Mouro, tenho q ler o q vc escreveu de novo antes de comentar.

Bom, os sites da Clarissa são bonitos e gosto das coisas q ela escreve. E ela usa uma foto, “avatar” da Elizabeth Hurley, não é/ Essa aí não é a Liz Hurley? Muito bonita...

Eduardo Silva, muito boa a sua resposta a esse advogado!

Sobre Nietzsche: se este tivesse conhecido Hitler, teria tido o mais profundo desprezo pelo cabo austríaco. E a teoria do super-homem, de resto pouco desenvolvida, acho q não deu tempo, nada tem a ver com o homem ariano nazista. Nietzsche falou tudo o q precisava sobre o anti-semitismo europeu, entre outras coisas. Fora as pessoas q o interpretaram mal (todo gênio é contraditório, além disso), sua irmã era anti-semita e fez questão de publicar seu trabalho com tons... bom, anti-semitas, raciais. Dizem q ele se dava muito bem com essa irmã, mas parece q não era bem assim. Viado ele não era, mas era muito tímido e uma vez quase se aproximou de uma admiradora. Quase deu certo (mas o mais provável é q morreu virgem). E por que não deu certo? Pq a irmã dele embaçou tudo. Ela sempre se metia e embaçava tudo.

Eu não conheço esse nazista, Goding. Não seria Göering? E Göering comandou os camisas-pardas, as SA? Bom, conheço pouco dessa parte da história, mas o comandante das SA era Ernst Röhm, assassinado junto com muitos outros na Noite dos Longos Punhais (a partir daí as SS assumiram tudo).

Totalitário era Hegel. E aquele Heidegger, hummm... quem gosta dele diz q o cara não passou a guerra escondidinho na Universidade de Heidelberg, q não simpatizava com o nazismo... mas acho q ele gostava. Se gostava, era um cretino moral. Achava q o homem nazista era um retorno a algo mais puro, um retorno a um estado mais natural. Era anti-tecnologia, anti-progresso.

É interessante ler o q Paulo Francis escreveu sobre esse assunto e outros:

(O Globo, 11/01/96) - Amor de... Sempre fica. É a explicação mais óbvia da paixão de Hannah Arendt por Martin Heidegger, de uma atraente aluna, virgem de 18 anos, pelo seu professor "feiticeiro", intelectualmente, de 35 anos, Heidegger, o filósofo que consolidou a filosofia existencial, nas pegadas de Kierkegaard. Desde Kant não se acreditava numa filosofia que fosse centrada na criatura humana, porque Kant demonstrou a incompatibilidade do nosso ser com o mundo material. Heidegger tentou restabelecer o "eu", como protagonista. Foi nazista, mas não há na sua obra uma única linha de racismo biológico, nota George Steiner no "Times Literary Supplement". Nazismo para ele era uma volta às raízes naturais do homem antes que fossem extirpadas pelo pensamento científico e tecnológico, este principalmente, que Heidegger acha que destruirá a civilização. Uma bobagem, um "nazismo particular", na frase precisa de seu inquisidor francês, em 1945, e que Arendt, judia, resolveu relevar, em parte pela referida paixão, em parte porque é profunda admiradora da filosofia de Heidegger (seu melhor livro, "A condição humana", é influenciado por "Ser e existir", a obra-prima incompleta de Heidegger). Elzbieta Ettinger, uma acadêmica suburbana, escreveu um livro, "Hannah Arendt e Martin Heidegger", cujo principal interesse é que conseguiu autorização dos herdeiros de Arendt para citar suas cartas a Heidegger e de parafrasear as de Heidegger a ela. Só cita o masoquismo sexual servil de Arendt, difamando-a. A história é a que contei acima. O resto é besteira.
"As grandes paixões são raras como as obras-primas." Balzac.

Muito boas:

(O Globo, 29/10/92) - Roma - O nariz de Cleópatra. - Pascal escreveu que se o nariz de Cleópatra fosse menor ou maior, não me lembro bem, a história teria sido diferente. Uma senhora chamada Lucy Hughes-Hallet discorda. Hum... Escreveu um livro inteiro, inteirinho, minha amiga, "Cleópatra, Sonhos e Distorções", fartamente elogiado por resenhadoras do sexo feminino, que falam que, enfim, hátuma versão feminista de Cleópatra, depois que os homens a pintaram de todas as cores do inferno. Waaal, Lucy diz de saída, com ar de grande erudição, que Cleópatra não era descendente de Ptolomeu, um dos generais de Alexandre Magno, que fundou uma dinastia no Egito, que acabou precisamente quando Cleópatra se suicidou. Lucy diz que ela não era objeto sexual, que passou grande parte da vida sem fuque-fuque. Waaal, como é que Lucy sabe? Impossível se ter certeza de uma coisa dessas Antes de Cristo, 33 anos. Mas se deduz, logicamente, que Júlio César, um bissexual autêntico (ou seja, não uma bicha que também funciona com mulher), se apaixonou por Cleópatra e fez-lhe um filho, haveria meios. César era o imperador do mundo. Foi assassinado e Cleópatra fisgou o co-imperador do mundo, Marco Antônio, cujo atletismo sexual era notório, tinha passado na cara todas as mulhas desejáveis de Roma, era um bravíssimo guerreiro. Escuta aqui, Lucy, Cleópatra fugiu da batalha de Actium, ninguém sabe por que, e Marco Antônio, que ainda não tinha perdido a batalha, foi atrás dela deixando seus comandados, que entraram em pânico e sifu. Plutarco era homossexual e não tinha porque pôr azeitona na empadinha de mulher, mas diz dos encantos de Cleópatra, que eram irresistíveis em sedução e vício, hábito, em linguagem de leigo. Foi Plutarco que inspirou Shakespeare a escrever "Antony and Cleopatra", sua peça mais poética, porque Cleópatra fala e um lirismo de que não há igual em outra peça chega a transceder o teatro, a tragédia a que estamos assistindo.
Há mais de 40 cenas na peça e Antônio e Cleópatra nunca estão a sós no palco, mas o sensualismo é o mais realizado que há em literatura. Bernard Shaw fez dela uma gata esperta mas já castrada, sem cio, falando como Bernard Shaw de saias, mas todos esses gênios, de Plutarco a Shaw, reconheciam que ela tinha "algo" que fez dois imperadores de mundo, dois donos do mundo, literalmente, caírem por ela. Mas para uma feminista esse poder sexual da mulher é intolerável, porque parece excluir o resto das realizações de que só o homem se julga ou se diz capaz. Lucy talvez agora nos explique por que Tristão se mata sexualmente por Isolda, por que a ópera e peça de Shakespeare têm em comum a idéia de que o sexo levado à suas últimas consequências é mortal. Lucy diz que Cleópatra não era bonita. Waaal, se ela pensa que sexo é isso, ser bonita, não é à toa que só agora, aos 38 anos, leio no ‘Sunday Telegraph", vai ser mãe de gêmeos. Um mínimo de bom senso, isto é, que dois imperadores de Roma não jogariam suas respectivas carreiras por uma mulher que não fosse de alguma maneira espetacular, evitaria esse tipo de livro-gafe.

(O Globo, 01/11/92) - França - Sua vã filosofia. - Estava folheando as "Conversações com Isaiah Berlin", um livro-entrevista, de Ramin Johanbegloo (iraniano), quando Berlin diz que acha Heidegger ilegível e não entende uma palavra do que Derrida escreve. Como Althusser, confessou (postumamente) não compreender de Kant e Hegel. Berlin nota que os filósofos franceses, depois da Seguna Guerra, "abandonaram a prosa que pode ser entendida pela média (instruída basicamente, claro) das pessoas". Os franceses sofreram um estupro militar e cultural da Alemanha, em 1940. Gostaram do cultural e o cultuam até hoje.

(OESP, 11/04/91) - EUA - Tocqueville tinha razão - A Companhia das Letras lançou os souvenirs de Alexis de Tocqueville, Recordações de 1848. É um livro profundo. Começa com a perplexidade do autor sobre o que será da sociedade agora, com a Revolução de 1789, que fulminou as instituições tradicionais, como a monarquia e a moralidade inspirada divinamente.

Tocqueville era um libertário. Acreditava que a liberdade floresceria numa sociedade que reconhecesse as hierarquias e os homens que exercessem o mando respeitassem as pessoas. Os clásicos de Tocqueville são Democracia na América, e O Ancien Régime e a Revolução. São livros terminados, ao contrário de Recordações, só publicado 30 anos depois da sua morte em 1859 e cheio de indagações não respondidas.

Seu fascínio está em que ele, Lamartine e Trotski são os únicos intelectuais a participar ativamente de uma revolução e viver para contar a história.
Como leitores, andamos com Tocqueville pelos bulevares desertos em fevereiro de 1848, em que só se vêem, vemos, indivíduos isolados, derrubando árvores, de que fariam barricadas. E a descrição dos dias de junho é imortal: os revolucionários lutaram sem um grito de batalha, sem líderes, sem bandeiras e ainda assim com uma maravilhosa harmonia e com uma experiência militar que assombrou os oficiais mais antigos. Não foi uma luta política, mas uma luta de classe contra classe, uma espécie de Guerra Servil...

Tocqueville viu. Marx ouviu falar.

Tocqueville e Marx se cruzaram como navios na noite, às escuras. Mas Marx achava que o proletariado (que descobriu em junho de 1848) era o farol de uma nova sociedade. Tocqueville percebeu, muito mais agudamente, que o proletariado tinha recusado todas as lideranças, de Blanqui a Ledru-Rollin, que se entregou a uma orgia de destruição. Que as massas, soltas, são anárquicas, no sentido vulgar da palavra, e não deixam pedra sobre pedra. E os comunistas implicitamente, reconhecem que Tocqueville e não Marx leu certo as folhas de chá da História. Escreveu não leu, pau comeu, e implantam logo uma ditadura total em nome do proletariado.

Tocqueville percebeu também que o voto era contra-revolucionário. Que assim que se desse um minifúndio a cada camponês ele se tornaria o maior dos conservadores. Marx custou muito a perceber (Proudhon, anarquista, achincalhado por Marx, notou mais rápido), apelando para a idiota rural dos camponeses, porque votaram em Luís Bonaparte. Este, claro, o problema central da revolução russa, que bichou de vez com o massacre coletivista de 1932, ordenado por Stalin em nome do comunismo. Tirou do regime qualquer legitimidade e só se manteve desde então pelo terror, nunca assentando alicerces, tanto assim que bastou Gorbachev abrir a discussão, que ameaça desmoronar.”

Bom fim de semana pra todo mundo!

Bocage disse...

Mouro rules!

Estou de saída. Por falta de tempo, li apenas a Clarissa e o Mouro. São duas criaturas definitivamente sábias, glórias para a humanidade. Por ora colo algumas máximas retiradas do wikiquote, rsrs.
Bom fim de semana a todos.

"É melhor correr o risco de salvar um homem culpado do que condenar um inocente".
- Voltaire.

"Apenas o tempo revela o homem justo; basta um dia para pôr a nu um pérfido".
- Sófocles.

"A justiça inflexível é freqüentemente a maior das injustiças".
- Terêncio.

"É belo ser-se justo. Mas a verdadeira justiça não permanece sentada diante da sua balança, a ver os pratos a oscilar. Ela julga e executa a sentença".
- Romain Rolland.

"Justiça é não fazer a outrem o que não queríamos que nos fizessem".
- Félicité Lamennais.

"No mundo, a tirania e a injustiça começaram por uma coisa infinitamente pequena".
- Muslah-Al-Din Saadi.

"A justiça tem numa das mãos a balança em que pesa o direito, e na outra a espada de que se serve para o defender. A espada sem a balança é a força brutal, a balança sem a espada é a impotência do direito".
- Rudolf Von Ihering.

Catellius disse...

Grande Heitor,

Sobre o texto:

"A política partidária talvez seja necessariamente odiosa porque simplesmente traduz o funcionamento normal do cérebro humano."

Acho que é odiosa porque é a junção do que cada membro do partido tem de pior. Parece ser uma regra. Se fosse como você escreveu, tudo o que traduz o "funcionamento normal" do cérebro humano seria odioso. E isto é um belo de um absurdo.

"Muitos filósofos consideram a justiça um ideal no estilo platônico."

Logo platônico? Basta lermos A República para entendermos que Platão nada entendia de justiça. A sua sociedade ideal era uma tirania dividida em castas, onde as artes eram proibidas por serem mera macaqueação d’As Formas, d’A Beleza, etc. E aproveitou uma frase infeliz de Sócrates – algo como “é ruim e injusto desobedecer alguém que é melhor do que nós” – para qualificar os homens pelas suas funções, dizendo quem era melhor do que quem. É um pouco a idéia da Aristocracia, do Déspota Esclarecido, da elite iluminada que governará a plebe, da cúpula do partido comunista, dos sacerdotes representantes de deus, dos brâmanes superiores aos dalits. Platão chegou até a dizer que “justo é tudo aquilo que é conveniente para os governantes”. Então quero passar longe dos “muitos filósofos” que consideram a justiça um ideal no estilo platônico... E Platão acreditava em uma justiça post mortem, crença que já torna um indivíduo um pouco mais tolerante com a injustiça, uma vez que acredita em um STJ metafísico, a mais alta instância do poder.

Justiça perfeita pode ser até uma utopia, mas a busca por uma justiça igual para todos já é um começo – ainda que nem todas as leis sejam perfeitamente justas. Os comunistas dizem que todos são iguais. Não são e nem devem ser. Tampouco poderá haver igualdade de oportunidades (já defendi o contrário por não ter pensado direito no assunto; e obviamente cedi às evidências). Mas todos têm direitos iguais - falo das disposições legais que regulam as relações sociais, pessoais, relativas aos bens, etc., não do "direito" à lagosta, que o rico tem e o miserável não tem - e então a justiça deve ser igual para todos; para o parlamentar e para o porteiro, para o banqueiro e para o pau-de-arara. E então questionaremos se uma lei é justa ou não. Por exemplo, uma lei que obriga todos a pagar por rastreadores de carros só não prejudica aqueles que realmente precisam do dispositivo. Então mesmo que tal “justissa” seja igual para todos, a lei que a rege é injusta. Daí jamais virá algo justo.

"Ele acreditava que os seus SS iriam purificar a raça ariana da miscigenação com outros povos, especialmente os judeus, e que ao cabo de algum tempo ele iria gerar "elfos" arianos que teriam superpoderes e dominariam todas as raças inferiores."

Patético, he he. Realmente isto seria apenas engraçado, se não tivesse gerado tantas mortes e tanto sofrimento. Malditos sejam os nazistas, os que os apoiaram e os que se omitiram.

"Deng Xiaoping foi um destes homens mais justos, que adaptou os ideais socialistas soviéticos à realidade, à cultura e às necessidades chinesas."

Um homem como Deng Xiaoping agiu com injustiça incontáveis vezes, como em 1989 na Praça da Paz Celestial e ao longo de sua ascensão política, mas deve ter agido com justiça inúmeras vezes também, possivelmente com seus filhos, esposa(s), com seus cachorros (não aqueles que comia aos sábados), amigos ou mesmo quando resolver lutar por um pouco mais de liberdade para a população – sabe-se lá se movido por um sentimento de justiça. Ninguém É justo. Todos são justos e injustos. A maioria é justa com quem convive diretamente mas está se lixando para os outros. Por isso precisamos de leis.

"Na Europa, temos vários capitalismos também."

Para mim são várias formas de se ter liberdade, porque capitalismo, como já dissemos, não existe. É o nome do demônio dos socialistas, como Satanás e Belzebú são nomes de demônios para os semitas. “Capitalismo” é pura e simplesmente liberdade nas transações comerciais (com regras, claro), direito à propriedade, etc – aquilo que inexiste no totalitarismo. O “capitalismo” não nasceu de ideais de filosófos, não foi implantado à força por governos. Ele aparece espontaneamente em sociedades onde há condições para que ele apareça. É algo absolutamente natural. Já havia “capitalismo” na Fenícia, na República Veneziana, etc.

“Adaptações locais mais ou menos bem-sucedidas destes ideais.”

Como pode haver adaptações dos ideais capitalistas? Não existe ideal capitalista.

“Mas eles falharam porque nunca foram justos. Eram idealistas e os ideais são traiçoeiros porque se baseiam na vaidade, e acabam se tornando apenas vaidade.”

Realmente, um ideológico é alguém que não confia em si próprio. Prefere fazer parte de uma gangue, andar em bando com outros de mesma ideologia. E não gosta de ser contrariado. É vaidoso demais para suportar isso...

“Talvez se decida até mesmo por preservá-lo mumificado, a la Evita. Se for este o caso, tomara que nenhum general se apaixone pela múmia...”

Ha ha ha! É verdade! Mórbida coincidência: antes ou depois dos necrófilos atacarem a santa, amputaram-lhe um dos dedos, talvez para transformá-lo em souvenir. O do Lula foi arrancado em vida por um companheiro, o verdadeiro comunista: um torno mecânico. Mas isto é um detalhe irrelevante. No fim das contas serão ambas múmias com traumas sexuais e sem dedo (acho que refizeram o de Evita).

Abraços a todos
Depois comento os comentários!

Catellius disse...

André,

“Essa foto é a do enterro do Khomeini? Ficou boa.”

Eu digitei no Google/imagens:

nasser funeral

Eu queria o cortejo fúnebre de Jamal Abdel Nasser, que mobilizou milhões de egípcios, mas surgiu-me essa imagem aí já pronta, com pano vermelho e tudo, e foi só acrescentar a execrável estrela petista. A multidão de islâmicos enlouquecidos combina bem com uma turba de petistas e Sem Terra.

“O engraçado é q formaram até pequenas unidades de... indianos e turcos! Yessss, isso é q é raça pura: puramente misturada, só se for!”

He he he! Não sabia disso. E o líder dos tais arianos era um bastardo neto de um judeu, patrão de sua avó, empregada doméstica. Parece que a história foi essa. Não tenho certeza. Outros dizem que tinha raiva dos judeus porque dominavam a academia de artes plásticas de Viena e nunca o admitiram, apesar dos esforços e de seu “talento” artístico. Clique aqui para apreciar uma Virgem com o Menino pintada pelo piedoso cristão do III Reich, he he.

“Não faz pior porque lhe falta poder, porque isso aqui não é uma zona geral, não é uma Venezuela ou Peru nos tempos do Sendero Luminoso.”

Também acho. Querendo ou não, as instituições se fortaleceram na era FHC. Lula teria feito um estrago monstruoso no Brasil se tivesse sido eleito em 1989. E não teríamos tido a abertura comercial do Collor nem impeachment nem Plano Real nem estabilidade econômica nem privatizações. Acho eu. E retorno à questão: todos que trabalharam pela campanha de Collor e, posteriormente, por FHC eram justos porque atrasaram a festa de posse da turminha de 68? Claro que não. FHC, Collor e Itamar eram uns boçais vaidosos que de justos não tinham nada.

Retorno amanhã!

Catellius disse...

"piedoso cristão do III Reich"

Fora aquela página que mostra Hitler em companhia de cardeais e em festas religiosas, já indicada por mim e pelo Bocage, acessem essa aqui, só de artefatos, medalhas, moedas e igrejas onde a cruz católica e a suástica formam um harmonioso par:

Nazi Artifacts

Vemos até uma pia batismal com o rosto de Hitler, Jesus representado ao lado de soldados nazistas em uma igreja alemã, soldados ao lado de anjos, etc.

Abraços

Catellius disse...

errata
Sobre Deng Xiaoping: "ou mesmo quando resolveU lutar por um pouco mais de liberdade para a população"

André disse...

Exatamente:

"No mundo, a tirania e a injustiça começaram por uma coisa infinitamente pequena".
- Muslah-Al-Din Saadi.

Muito interessante o site dos nazistas, Catellius.

Platão nada entendia mesmo de justiça

“...um STJ metafísico, a mais alta instância do poder”. O Superior Tribunal de Justiça ainda não é a instância mais alta, o Supremo Tribunal Federal é q é. E se eu fosse depender da nossa Justiça pra conseguir algo... nem depois de morto!

Esse negócio de q todos são iguais é idiota. E quando vem outro e enfia um “iguais PERANTE não sei o quê”, fica pior ainda.

Muito melhor essa:

From each according to his abilities, to each according to his needs. Dizem q essa é de Abraham Lincoln, mas há dúvidas.

“com seus cachorros (não aqueles que comia aos sábados)” há, há, há, há, há

“A maioria é justa com quem convive diretamente mas está se lixando para os outros.” Certíssimo.

Também acho q o capitalismo é algo espontâneo e q nem precisa de ideais ou ideologia.

Ah, vc queria o enterro do Nasser... certo.

Pra mim, Hitler apenas absorveu aquele caldo de subcultura anti-semita, “germânica”, extremamente popular entre o povão (onde ele vivia) e mais disfarçado nas altas classes.

“Outros dizem que tinha raiva dos judeus porque dominavam a academia de artes plásticas de Viena e nunca o admitiram”. Ele foi considerado um bom ilustrador e um péssimo pintor. Dizem q o diretor da academia de belas-artes de Viena era judeu também.

“Lula teria feito um estrago monstruoso no Brasil se tivesse sido eleito em 1989.”Sem dúvida. Pelo menos ele veio bem mais tarde.

“E não teríamos tido a abertura comercial do Collor nem impeachment nem Plano Real nem estabilidade econômica nem privatizações.” Também acho.

“FHC, Collor e Itamar eram uns boçais vaidosos que de justos não tinham nada.” É isso aí. E Itamar ainda era/é maluco. E retardado.

Catellius disse...

Querida Clarissa,

“A maior parte das vezes que me passeio pela net não consigo deixar de sentir um genuíno espanto pela «capacidade» com que todos emitem opiniões sobre todo e qualquer assunto, chegando ao ponto de se perfilarem como verdadeiros especialistas seja na política, na religião, filosofia, psicologia ou artes marciais.”

É verdade, mas ainda assim acho isto um hábito saudável. Às vezes o macho do balcão do café de esquina é um bom marido e bom pai, até um defensor de iguais direitos entre os sexos, mas interpreta um papel folclórico e divertido entre outros que fazem o mesmo, sente-se à vontade em bater os punhos no peito como fazem os gorilas. Do mesmo modo, não penso mal de mulheres que se reúnem para bancarem as “fêmeas”, folcloricamente falando – seja lá o que isto signifique. Bom, os homens parecemos realmente gostar de “pugnas”. São preferíveis os embates verbais àqueles que resultam em sangue e tripas pela calçada, he he.
Também não gosto de incontinência opinativa, mas penso que a criança só aprende a falar falando.
Na maior parte das vezes aprende-se imensamente nos debates. Muitos se mantêm irredutíveis nas suas posições por mero orgulho, talvez para não decepcionar os que compactuam de suas idéias, mas no cotidiano, na vida real, talvez refutem os próprios argumentos na boca de outrem, usando as opiniões que aprenderam de seus oponentes. Ora, esta troca, mesmo que inicialmente atabalhoada, é maravilhosa. Tudo o que não é dogmático (ou axiomático) é falseável, então não dá para uma pessoa apenas emitir uma opinião no momento em que tiver certeza de algo. Quando tal hora chegar seu pensamento poderá estar encharcado de preconceitos e de idiossincrasias.

“Na net tudo isto é facilitado, desde o tempo de resposta que permite uma investigação rápida...”

Se nos debates verbais tivéssemos este tempo de resposta não diríamos metade das besteiras que costumamos dizer. E palmas para a investigação rápida. Ou para a investigação demorada. Pouco me importa de onde a pessoa tira o que escreve, se da própria cabeça, se pediu ajuda ao papai ou pesquisou no Google. Eu vou avaliar se é uma asneira ou um bom argumento. E a verdade ou a falsidade de algo independe de originalidade.

“...uma reformulação do que outros disseram mas que só o próprio não reconhece como plágio...”

Claro que devemos citar as fontes, na medida do possível, principalmente quando é uma idéia peculiar que os outros pensarão ser nossa. É questão de honestidade, claro. Mas não podemos viver sem conhecimento acumulado. Não dá para reinventar a roda a cada geração. Compreender as idéias de um filósofo, por exemplo, e aplicá-las em uma situação atual, não vivida pelo mesmo, é colocá-las à prova. Acho isso importante.

“...a contrução cuidada de uma Persona... “

De algum modo a “persona” reflete um ideal, uma imagem que a pessoa deseja passar. E acho que o criador poderá ser fortemente moldado pela criatura, pela “persona”. Dependendo do tempo em que se estiver a vivê-la pode-se incorporá-la fortemente. Enfim, para mim um mau que finge ser bom 100% do tempo não é mau. É bom, he he he. Se o deus dele lê seu coração, se diz que cometeu adultério em pensamento, como está no Novo Testamento, o problema é do idiota do deus.

“È aqui que eu encontro a ignorância - no zelo idiota em gritar a sua posição sem reflectir, ponderar, sem ouvir, e até em considerar que as opiniões podem mudar.”

Perfeito! Por isso gosto do “tempo de resposta” dos debates por escrito. Acho que mais opiniões irrefletidas são emitidas em discussões verbais.

“...e por isso não hesita em agredir de forma pouco ou nada subtil, persistindo na burrice e ignorância, mesmo quando a evidência é por demais inegável.”

Como eu disse, talvez se houver uma renovação de contendores esta mesma pessoa se verá um pouco mais livre de seu orgulho e poderá até emitir uma opinião diferente. Por isso mesmo, até para um estúpido empedernido uma boa discussão pode ser saudável.

Beijão!

C. Mouro disse...

Grande Catellius,
realmente, como já brilhantemente o afirmaste em outro post, a inconformidade com a justiça é um incentivo para se querer acreditar que há uma "justiça transcendente". E como não poderia deixar de ser para estes tipos, essa desejada justiça coincidentemente reflete a opinião do crente ...hehehe! pelo menos na maioria dos casos.
Logo:
"E Platão acreditava em uma justiça post mortem, crença que já torna um indivíduo um pouco mais tolerante com a injustiça, uma vez que acredita em um STJ metafísico, a mais alta instância do poder."

Bem, não fica tolerante mas conformado, consola-se com a imaginação. Porém, torna-se tolerante quando a recompensa futura dada por deus assim dele exige, tipo: "não julgueis" ou "ama teu inimigo" pois não há mérito em amar os amigos, já que até os maus o fazem. Essa recomendação dos porcos valores da moral cristã, clama pela impunidade dos bandidos, atribuindo maior mérito ideológico a quem não julga o bandido e o tem na mesma conta de um indivíduo inocente e decente. ...cuisp! uma das coisas mais nocivas desta nociva ideologia.

Imagine-se um mundo cristão praticante... os bandidos seriam reis, os tiranos poderiam fazer e acontecer ante um rebanho muito do escroto, piegas e sem dignidade. Claro que com isso tal ideologia atraiu para suas fileiras o que havia de pior, da a conveniencia da defesa de tal ideologia. UM tanto semelhante aos clamores de facinoras e seus agregados pelos "direitos humanos" apenas DELES, já que assassinam pais de familias e com isso por vezes arruinam familias não só psicologicamente mas até economicamente. ...e então um bom cristão vai lá beijar e lavar os pés do facínora e chamar de perverso selvagem aqueles que defendem a retribuição justa, igualitária, do comportamento do facinora. ...a justissa-cristã é amar o facínora que comete injustiças. ...argh!
---///---
Pessoas são diferentes fisicamente e em potências natas,adquiridas e realizadas. ponto!
Mas devem ser tratadaqs igualmente se comportam-se igualamente.
Ou seja, o tratamento deve ser diferente ante ações diferentes. E a isso, no caso específico da lei, diz-se "iguais perante a lei". Ou seja, a lei não olha, não vê, o indivíduo, mas sim as ações, o comportamento do indivíduo.
...É claro que isso não acontece, e a canalhice, a hipocrisia é tão grande que é a PRÓPRIA LEI que ESTABELECE DIFERENÇAS PERANTE A LEI. ...parece piada de mau gosto, mas é realidade.
....mas a massa imbecilizada repete coisas sem nunca analisar o que está repetindo.

No fundo, essa igualdade de direitos é a anuencia com comportamentos: aquilo que é permitido a um deve ser a todos, e vice-versa. Assim, é o direito de agir e reagir e não o "direito" de concretizar anseios ou usufruir de potências realizadas.

Para facilitar, imagine-se um sujeito com habilidade para esculpir. Ele tem a potência(habilidade nata ou adquirida com esforço) e faz belas peças. Ele tem direito a tê-las em sua casa. Todos têm o mesmo direito de ter peças esculpidas em casa (não lhes é proibido). Contudo OS MEIOS para tal são da responsabilidade de quem deseja te-las.

Ou seja, O DIREITO DE POSSUIR NÃO IMPLICA EM GARANTIR O PRODUTO. Da mesma forma, todos têm direito de esculpir, mas isso não implica em dar a todos tal habilidade, é impossível.

E é isso que muitos imbecis unidos a safados não querem entender, a fim de pleitearem direitos como potencia realizada.
Daí, o direito de moradia, para esses salafrários, resulta em obrigação dos potentes. Para que estes realizem o direito para outros. Uma estupides. Como é a idéia do direito positivo(atribiuido pela autoridade) e absolutamente imbecil "no úrtimo" a asnática idéia da liberdade positiva ou direito positivo generalizado. Tipo: se existir o direito ao sexo ou a liberdade sexual, deverá tal ser provido a todos, como obrigação da sociedade ...hohoho! ...argh! ...a estupidez humana não tem limites.

Enfim, já me alonguei demais

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Vale realçar os trechos:

"Na maior parte das vezes aprende-se imensamente nos debates. Muitos se mantêm irredutíveis nas suas posições por mero orgulho, talvez para não decepcionar os que compactuam de suas idéias, mas no cotidiano, na vida real, talvez refutem os próprios argumentos na boca de outrem, usando as opiniões que aprenderam de seus oponentes. Ora, esta troca, mesmo que inicialmente atabalhoada, é maravilhosa. Tudo o que não é dogmático (ou axiomático) é falseável, então não dá para uma pessoa apenas emitir uma opinião no momento em que tiver certeza de algo. Quando tal hora chegar seu pensamento poderá estar encharcado de preconceitos e de idiossincrasias."

"Se nos debates verbais tivéssemos este tempo de resposta não diríamos metade das besteiras que costumamos dizer. E palmas para a investigação rápida. Ou para a investigação demorada. Pouco me importa de onde a pessoa tira o que escreve, se da própria cabeça, se pediu ajuda ao papai ou pesquisou no Google. Eu vou avaliar se é uma asneira ou um bom argumento. E a verdade ou a falsidade de algo independe de originalidade."

"até para um estúpido empedernido uma boa discussão pode ser saudável."

Muiiito bommmm!

Abraços
C. Mouro

Clarissa disse...

Catellius, não me parece haver oposição entre o que afirmamos.
«(...)genuino espanto pela «capacidade» com que todos emitem opiniões sobre todo e qualquer assunto, chegando ao ponto de se perfilarem como verdadeiros especialistas
(...)È aqui que eu encontro a ignorância - no zelo idiota em gritar a sua posição sem reflectir, ponderar, sem ouvir, e até em considerar que as opiniões podem mudar.
(...)o problema é essa esmagadora maioria de gente que acha que o debate de ideias é uma espécie de confronto de boxe em que alguém tem que ficar Knot Out (escrevi bem?), e por isso não hesita em agredir de forma pouco ou nada subtil, persistindo na burrice e ignorância, mesmo quando a evidência é por demais inegável.
(...)ponderação, só essa pode levar a uma consciente afirmação de tese»

Beijocas e bom resto de fim de semana :)

C. Mouro disse...

"uma lei que obriga todos a pagar por rastreadores de carros só não prejudica aqueles que realmente precisam do dispositivo. Então mesmo que tal “justissa” seja igual para todos, a lei que a rege é injusta. Daí jamais virá algo justo"

Alguém impor sua mera vontade a outros é algo injusto. A lei referida é em si um absurdo. Direito, ou direitos, igual para todos NÃO É O MESMO que leis iguais para todos.
Ademais, a maioria das leis não são leis, são ordens, dadas através da lei, mas ordens. Tipo faça isso e faça aquilo, com base unicamente nos "achismos" particulares dos parasitas que exploram populações.

Vejamos:
"Ninguém É justo. Todos são justos e injustos. A maioria é justa com quem convive diretamente mas está se lixando para os outros."

- Justo é aquele que julga com imparcialidade, que segue principios com os quais concorda. Este é um sujeito justo. Contudo pode cometer injustiças. Porém isso não o faz ser injusto, se enganou-se, sem faze-lo deliberadamente, tendenciosamente.

Injusto é aquele que usa critérios diversos para simular julgamento, então tendencioso, parcial ASSIMÉTRICO. Na verdade apenas tenta mascarar suas preferências.

Todos podem cometer injustiças e justiças, mas isso não é o mesmo que ser justo e injusto. Aliás tal coisa seria uma ambiguidade, uma impossibilidade: ser duas coisas que se excluem mutuamente.

Aproveito para uma analogia que julgo pertinente.
Um sujeito parvo pode vez por outra acertar, conscientemente ou não. Da mesma forma, um sujeito brilhante pode vez ou outra cometer erros, falar suas bobagens, mas isso não significa que é parvo. E muito menos significa que se pode ser burro e inteligente.

Se a inteligência é a capacidade de perceber a realidade, a natureza, compreender as coisas com maior ou menor esforço. Certamente que o esforço influencia no resultado, não sendo o resultado uma sentença. Claro que coisas simples não percebidas constantemente pode determinar uma sentença.

Ressalto que analogias não são provas de coisa alguma, são apenas um meio de usar coisas mais simples para tentar entender as complexas. São caminhos apenas, e todos os aspectos nelas envolvidos não devem se reproduzir integralmente naquilo que pretendem esclarecer.

Eu digo que as analogias são como um afastamento da floresta para que se possa percebe-la em sua plenitude. Pois que dentro dela fica mais dificil.
(desconheço o autor da frase: "É preciso nos afastarmos da floresta para percebe-la em sua plenitude", citada ou formulada por Amauri Temporal, se não me falha a memória)

Abraços
C. Mouro

Clarissa disse...

Mouro
Considero que é um bom argumentador, acérrimo defensor daquilo em que acredita e, na maioria dos casos, até concordo consigo, mas há que ter o cuidado de que a paixão envolta no debate não envolva o mesmo tom «fanático» daquilo que se pretende combater.
Abraço

Clarissa disse...

Simone
Numa primeira análise parece-me que somos das poucas mulheres a comentar neste Blog, isso deixou-me a pensar... provavelmente a temática dos posts é «socialmente masculina» - política, filosofia e religião não são assuntos que interessem muitas mulheres, o que é uma pena e nos mostra que temos um longo caminho a percorrer.
Beijocas grandes Simone

Beijos Catellius, Bocage e Heitor.

André disse...

“Se nos debates verbais tivéssemos este tempo de resposta não diríamos metade das besteiras que costumamos dizer.” Há, há, é mesmo...

Minhas bobagens, quando são bobagens, saem da Wikipedia. Mas eu tomo algum cuidado com ela.

“Um mau que finge ser bom 100% do tempo não é mau.” Isso! Vamos todos fingir q o mundo melhora. Mas se os bons fingirem ser maus, o mundo piora.

As igrejas dos nazistas (principalmente aquela protestante, mais sombria) me fez lembrar dessa do Millôr:

Deutschland Ubber Alles é quando o sujeito é atropelado por um Volkswagen ou uma Mercedes.

Bom, eu prefiro conversar com as pessoas em carne e osso, mas vc tem razão quanto a essas vantagens da conversa por aqui.

Sobre esse negócio de diferenças entre as pessoas, me lembro do q o Gustavo Franco dizia sobre o Mário Henrique Simonsen: “Existe uma resistência, por parte das pessoas em geral, em admitir a existência de pessoas realmente geniais, extraordinárias.”

O Direito consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. Se eu citei errado, Eduardo Silva, por favor, me corrija. Mas acho q é isso aí mesmo.

André disse...

Millôr:

Aids: doença imoral que ataca minorias sexuais pra q elas aprendam q isso não se faz, e Deus castiga. Dá também em machões pra aprenderem a não ser preconceituosos, porque Deus também castiga. Aliás, Deus castiga tudo.

A satisfação de uma ambição não satisfaz. Mas a perda do que o satisfez deixa o cara puto da vida.

Nem só de pão vive o homem. E nem só desse tipo de afirmação idiota.

A primeira coisa a fazer com um afogado é fazê-lo respirar bem devagar. Mas, não havendo ninguém nas proximidades, o afogado deve respirar o mais depressa possível.

Se onde todo mundo vai nunca tem lugar, por quê todo mundo não vai pra onde tem lugar sobrando?

A alegoria era uma deusa grega, irmã da metáfora.

O açúcar se extrai do açucareiro.

Alexandre jamais usou a pólvora em suas batalhas porque sabia inútil um invento que só seria descoberto séculos depois.

Na Idade Média, os reis morriam constantemente nas batalhas.

Inquisição era um programa de perguntas da Idade Média.

Os judeus foram perseguidos porque se entregaram a uma vida totalmente semítica.

O papiro era um papel muito bom feito de pele de crocodilo do Nilo.

Absinto era um porto onde se embriagavam os marinheiros gregos.

Os cristais da Boêmia pertenciam a uma senhora que vivia na Esbórnia.

Maré baixa é quando todos os peixes resolvem beber água de uma vez só.

A posteridade é uma coisa que só interessa a quem já está morto há muito tempo.

Eqüidistância é você estar perto de todos os lugares ao mesmo tempo.

Alegro ma non tropo é como os italianos chamam os bêbados que ainda não estão completamente embriagados.

Deus expulsou Eva do Paraíso porque ela se recusou a colocar a maçã na cabeça do filho de Guilherme Tell.

Uma ilha é um pouco do fundo do mar que veio à tona. Tem muito mais ilha lá no fundo.

Metafísico é o sujeito que demonstra a existência de uma coisa que não existe.

Chama-se de ortodoxa uma religião que não permite as sacanagens que as outras permitem.

O Oriente só é Médio pra quem não vive lá.

O Brasil é o país do mundo que tem mais ventríloquos.

O crime não compensa. Mas de que é que vivem os juízes?

Repare como em todo ataque de indignação contra a corrupção não há sempre uma pontinha de inveja.

Nascer estadista em país subdesenvolvido é como nascer com talento pra violinista numa tribo que só conhece a percussão.

Generalizando-se a corrupção, restabelece-se a justiça.

Canalhas melhoram com o passar do tempo – ficam mais canalhas.

Enfim, a nossa Constituição, a Carta Magna, a lei mais sagrada do país! Soberana, inviolável e incompreensível.

A maior parte das pessoas nunca soube do que é que se está falando.

É fácil reconhecer o círculo porque ele não tem hipotenusa nem catetos.

Cruzados eram moedas usadas para comprar o Santo Sepulcro.

Cultura serve para você dimensionar a ignorância alheia.

O comunismo é uma espécie de alfaiate que quando a roupa não fica boa faz alterações no cliente.

Aumentou um pouco o número de alfabetizados no país. E aumentou muito mais o número de ignorantes cultos.

Quanto mais culta uma pessoa mais bem defendidas as suas burrices.
Se aprende muito mais ignorância nas faculdades do que nas ruas.

Charles Darwin foi quem mais trabalhou pela evolução do homem.

Democracia é eu mandar em você. Ditadura é você mandar em mim.

“Penso, logo existo”. Tudo bem, mas por quê é que eu penso? E pra que é que eu existo?

A advocacia é a maneira legal de burlar a lei.

Preso por embriaguês. Os dois policiais estavam bêbados.

Basta você ler com alguma atenção pra verificar que Sócrates era aristotélico, Aristóteles profundamente platônico, e Platão, socrático. Cristo nunca foi cristão, estava mais pra apostelismo, e Marx jamais foi marxista, pois isso nele seria de uma vaidade ridícula. Marxista foi Engels. Engelista é que ninguém nunca foi porque o nome não ajuda.

Brasil – o mais antigo país do futuro em todo o mundo.

Admirável a estabilidade política da Inglaterra. Só chegou a Jorge VI e Henrique VIII. Se fosse na Bolívia já estariam em Jorge CXXI e Henrique CLXXXIX!

Boas notícias, afinal. Nos últimos seis meses não houve nenhum aumento de corrupção na área estatal. Continuamos nos mesmos 100%.

Eugenia é uma maneira científica de ter filhos bonitos.

Quando todo mundo quer saber é porque ninguém tem nada com isso.

Chama-se de falta de educação uma pessoa que interrompe quando vc fala ou continua falando quando vc interrompe.

Com fé, vc vence. Sem fé, vc passa pra trás os que venceram.

Fé é o medo de ser descrente.

Com fé realmente profunda adquirimos o direito à irresponsabilidade.

A beleza é superficial. A feiúra, não.

Entre as medidas positivas de Fidel Castro está a eliminação de alguns salafrários da pior espécie, que Fidel, devidamente, mandou encostar no paredão. Crêem até alguns observadores políticos que essa medida foi tão acertada que os salafrários continuarão mortos apesar de todos os erros posteriormente cometidos pelo ditador cubano.

Fidel Castro é uma espécie de São Jorge que foi salvar a donzela e acabou casando com o dragão.

As florestas estão desaparecendo porque as árvores são todas vegetarianas.

O problema de ficar na fossa é que lá só tem chato.

Quando anunciarem a partida do avião do amigo, nunca diga: “Chegou a tua hora!”

Provérbios prolixizados: Quando o sol está abaixo do horizonte, a totalidade dos animais domésticos da família dos felídeos são de cor mescla entre branco e preto (À noite todos os gatos são pardos).

A genética é uma coisa que vem de pai pra filho há muitas gerações.

Gerontologia é uma ciência que faz o homem ficar cada vez mais velho.

Golpe de estado: direito constitucional militar.

Guerra civil é guerra em que militar não entra.

A nobreza de uma idéia não tem nada a ver com o canalha que a exprime.

Idem: que economia de palavras!

Existe coisa mais apropriada do que o silêncio de um idiota?

Ignorância é o que todo mundo tem na mesma proporção, só que em outra coisa.

O Brasil é o país mais maravilhoso do mundo. Só que o mundo não sabe.

Sou um homem acima de qualquer corrupção das que já me ofereceram até hoje.

Antigamente os moralistas diziam: “do mundo nada se leva”. O Imposto de Transmissão Progressivo acrescentou: “nem se deixa”.

Imposto de renda é aquele que tira o supérfluo do insuficiente.

Imposto de renda: nunca tantos deveram tanto a tão poucos.

Querer que o cidadão pague voluntariamente impostos é esperar que um carneiro se apresente voluntariamente para ser tosquiado.

Imposto de renda – sistema de tirar dinheiro de quem não consegue escapar.

Imposto é aquilo que se fosse facultativo eles iam ver só uma coisa.

No dia em que o prédio da Receita pegar fogo, os lucros serão incalculáveis.

Quando chegar a hora dos humildes herdarem o Reino dos Céus, o Imposto de Transmissão vai ficar com mais da metade.

Vem aí o imposto do solo criado. Depois, naturalmente, teremos a taxa de água imaginária e do esgoto suposto. Tudo isso, é claro, pra que o Estado Ideal possa pagar a limpeza urbana fictícia, a segurança inexistente, o transporte ilusório e a educação quimérica. É por isso que eu digo: este é o país dos meus sonhos!

Como ser uma pessoa de caráter ilibado sem ser um chato insuportável?

É comum me perguntarem: “Deus existe?” A resposta óbvia: “Pergunta a ele.”

A melhor maneira de evitar a insônia é cair no sono.

O grande prazer de um homem inteligente é bancar o idiota na frente de um idiota que banca o inteligente.

“Irmandade” é uma organização em que raramente há fraternidade.

Os neolíticos viviam da caça. Mas a caça também vivia dos neolíticos.

A queda da maçã na cabeça de Newton foi muito frutífera.

Sociologia: sem o s, a palavra define melhor o que essa ciência pretende.

Ontem já faz tanto tempo!

O otimista não sabe o que o espera!

Patriotismo é quando vc ama seu país mais do que qualquer outro. Nacionalismo é quando vc odeia todos os países, sobretudo o seu.

Perdas e Danos é o que a Justiça e os Advogados causam ao Cidadão quando este insiste em se envolver com Tribunais reivindicando seus Legítimos Direitos.

Cheguei à conclusão de que 95% das pessoas entrevistadas pelo Ibope não sabem do que estão falando.

A democracia moderna é constituída por quatro poderes: o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e o Dinheiro. Sendo que este funciona junto com todos os outros e pode funcionar sem nenhum dos outros.

Antes de dizer a uma senhora que ela está com a meia toda enrugada repare bem se ela está de meia.

A melhor maneira de resolver um problema é discuti-lo exaustivamente. Exausto você não precisa resolver nada.

Pessoas com pavor de avião acabam morrendo em desastre de automóvel.

É fácil a gente se conformar com o que tem. Difícil é se conformar com o que não tem.

Amor não é coisa pra amador.

Eterno em amor tem o mesmo sentido que permanente no cabelo.

Quem não lê é mais analfabeto do que quem não sabe ler.

O orgulho pelos nossos antepassados varia na razão direta de há quantos anos eles estão enterrados.

O aparelho digestivo se compõe de boca, língua, laringe, esôfago, estômago, intestino, garfo e faca.

As antigas tribos árabes levavam uma vida que, além de nômade, era completamente semítica.

Todas as cidades antigas eram ruínas.

Asceta é um cara que não morre mas também não vive.

Vc pode ficar de frente pruma árvore. Mas a árvore nunca fica de frente pra vc.

O ateísmo é um tipo de religião em que ninguém acredita.

No longo prazo um ateu não tem futuro.

Tem gente que faz, tem gente que manda fazer, e tem gente como eu, que apenas pergunta o que foi que aconteceu.

Tudo bem, tudo em cima. Mas e se, em algum momento, Luís Carlos Prestes tivesse subido ao poder?

Amizade é um amor que não foi pra cama (isto é, até que algumas vezes vai).

Se Deus me der força e saúde, hei de provar que ele não existe.

A coisa mais comum do mundo é confundir convivência com amizade.

Com boa propaganda as pessoas acreditam até em ovo sem casca.

Para provar sua teoria, Darwin teve que achar um macaco muito inteligente.

O mundo se divide entre os que sabem e os que não querem nem saber.

E, neste mundo de mecânica quântica, 10 dimensões, supergravidade, P-branas e
buracos negros, Lula proclama, entusiasmado: "O Brasil vai a todo vapor"

C. Mouro disse...

Nobre Clarissa,
não fui capaz de captar o seu entendimento sobre o que é ser um fanático ou agir com fanatismo.

Vejamos, eu entendo fanatismo como uma forte emoção que obscurece a razão. Assim, o fanático ou o comportamento fanático resulta de uma vontade de não refletir sobre certas questões. Reflexões estas que podem abalar a fé (em qualquer coisa).

Convicções sem reflexão é de fato uma estupidez, é fanatismo.

Entendi que minha defesa daquilo que imagino bem fundamentado como justo ou correto, por ser um tanto firme, pode ter sido confundida com fanatismo. Não vejo mal em tal confusão, aliás a exposição de confusões permite exsclarecimentos.

Eu vou sempre defender aquilo com que concordo baseado nos meus argumentos, aqueles que me convenceram. Vou discutir muitas questões e aquelas que considero fatores para injustiça, eu vou ser radical, porque minha natureza é radical. Não me horrorizo com radicalismo fundamentado, não acho "coisa feia". Mas jamais vou defender algo com fanatismo, jamais vou defender algo por mera convicção e jamais vou me recusar a analisar argumentos que me são opostos. Radicalismo e fanatismo não são a mesma coisa. O fanatismo é radical, mas o radicalismo não é fanático. Se meus argumentos me convencem em questões que julgo da máxima importância, não vejo qualquer razão para fazer concessões apenas para ficar "bem na fita" ou politicamente correto.

Doce Clarissa, eu lamento que tenhas percebido fanatismo no meu comportamento, ou mesmo paixão pura. Eu julgo que sua avaliação não está correta. Afinal, o fanatismo não examina argumentos alheios, recusa-se a raciocinar contra os sentimentos, contara a convicção, e posso te garantir que não é o meu caso.
Por mais doloroso que me seja, eu sempre vou analisar os argumentos que me sejam opostos, e tentar julgar sinceramente. Claro que falho muitas vezes, mas contra argumentos inquestionaveis ou contra fatos não haverá fanatismo de minha parte. É lógico, pois o fanatismo é uma recusa à reflexão, um repetir tolices e falácias insistentemente, não se vale de argumentação, mas de falação. E eu me policio, na medida de minha capacidade, de faze-lo, e sempre me serão bem vindas as criticas, que aceitarei ou responderei.

Um forte abraço
C. Mouro

C. Mouro disse...

Grande André,

"O Direito consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais"

Essa idéia eu considero uma frase de efeito, que se analisada vai dar galho. Pois a questão é sobre quem é igual a quem. Ou mesmo se todos são iguais. Qual o sentido sesse igual?

Eu anteriormente falei de comportamento igual. Daí a justiça julgar o comportamento e os fatores, e não as características do individuo. O julgamento justo não deve ver QUEM está sendo julgado, MAS SIM os fatos e apenas os fatos. Desta forma, se o juiz não vê quem está sendo julgado,ENTÃO, PARA ELE, TODOS SÃO IGUAIS. Ou seja, a frase é um absurdo.

Imagine alguém afirmando que a notória condição social faz um indivoiduo diferente do outro; que um indivíduo claramente inteligente é diferente de outrop claramente burro; que um cego ou surdo-mudo é diferente de um são. Enfim, reflita sobre a questão e verá que a frase é uma asneira. Até porque não define nada, é ambigua sobre como deve ser tal tratamento. Por exemplo uns defenderão que um barão deve ser mais bem tratado que um plebeu, e outro o contrário. Uns dirão que um sujeito muito instruido e de boa condição social deve receber uma pena menor, dado que sofrerá a pena mais que um ignorante habituado às más condições. Já outros dirão que a pena do instruído deve ser maior, pois que presumidamente mais capaz de agir certo... etc. etc. etc. ...Como sair dessa? Como descobri a idéia justa nestes casos? eu só percebo achismo, subjetividade, e justiça tem que ser objetiva ou caimos no que já comentei antes.

Houve tempos em que levaram tal frase a sério, e sendo os negros diferentes dos brancos, defendia-se tratamento diferenciado.


Um abração
C. Mouro

C. Mouro disse...

putz! preciso tomar mais cuidado com os verbos! ...vou fingir que a culpa é do quadradinho onde escrevemos ...hehehe!

Abs
C. Mouro

Clarissa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clarissa disse...

Mouro
As tuas palavras são esclarecedoras o suficiente para eu me questionar sobre o uso que fiz da palavra «fanatismo», talvez não tenha sido a melhor, por isso vou tentar explicar.
Quando afirmas
«Bem, não fica tolerante mas conformado, consola-se com a imaginação. Porém, torna-se tolerante quando a recompensa futura dada por deus assim dele exige, tipo: "não julgueis" ou "ama teu inimigo" pois não há mérito em amar os amigos, já que até os maus o fazem. Essa recomendação dos porcos valores da moral cristã, clama pela impunidade dos bandidos, atribuindo maior mérito ideológico a quem não julga o bandido e o tem na mesma conta de um indivíduo inocente e decente. ...cuisp! uma das coisas mais nocivas desta nociva ideologia.»
Eu reconheço que essa é uma leitura possível das consequências que podem ser extraídas do cristianismo, e mesmo a História o confirma quando sabemos da protecção, do silêncio, do segredo, que a própria Igreja faz aos padres pedófilos que há pelo mundo fora - O Julgamento, quando assim interessa, seria feito não pelos homens mas «no dia do ajuste de contas», o que pode levar a essa megalomania da impunidade perante a justiça humana. Claro que quando interessou à Igreja a Inquisição arranjou atalhos para julgar e sentenciar.
Mas, há uma outra leitura que me parece também possível: no princípio «ama o teu inimigo» podemos encontrar os princípios dos Direitos Humanos, de que qualquer preso tem direito à dignidade, no reconhecimento de que o «inimigo» é também uma pessoa que merece ser respeitada.
Sabes qual me parece ser o maior perigo do cristianismo? É dizer às pessoas que vivam acomodadas com as suas vidas, que aceitem o destino, encontrando uma explicação para a miséria nessa outra vida que há-de vir, perpetuando assim o PODER DE ALGUNS,aqui estamos inteiramente de acordo.
Por esta altura posso parecer-te contraditória, se não tivesse havido o cristianismo a História teria seguido seguramente um outro rumo, acredito que melhor, mas alguns dos seus princípios são humanitários e merecem esse crédito, é só aqui que está a minha ressalva.
Beijo

Clarissa disse...

Simone
Descobri uma vantagem em ser das poucas mulheres a comentar por aqui, os homens desta casa e os que a visitam, tratam-me de uma forma tão carinhosa que me sinto «em casa» :)

C. Mouro disse...

Doce Clarissa,
agora sim entendo e até concordo em parte com você no tocante ao fato de eu ter exagerado nas tintas em minha demonstração de minha oposição a tal ideologia, que julgo extremamente nociva.
Aceito que um inimigo deva ser respeitado tanto quanto respeita. Um inimigo pode ser um divergente numa disputa, sendo mais propriamente um adversário. Contudo, um inimigo que me quer destruir, sem qualquer respeito por mim ou por qualquer outra pessoa que não lhe interesse, eu digo sem pestanejar que é alguém que de mim merece o mesmo desrespeito que me dedica. Isso é justo, logicamente justo: não faz sentido respeitar àqueles que a ninguém* respeitam. Eu sou amplamente de acordo com a frase que diz: "quem tolera o mau prejudica o bom", ou melhor ainda: "quem ama o lobo despreza o cordeiro".

E como o Catellius já citou: "o conselho do rato, é que se expulse o gato".
...é, as apararências podem enganar, e considerando os motivos para que concebe-se ideologias, minha descrença em seus aparentes principios é plena.

Outros para você
C. Mouro

André disse...

Grande C. Mouro,

É, eu sei. Essa frase é de efeito mesmo, é uma frase clássica q se aprende no curso de direito. Bonita à primeira vista, mas se analisada com cuidado dá galho, e muito...

Justiça subjetiva é um perigo.

Acabou de ser lançado em português The God Delusion, do Richard Dawkins. Então será mais fácil de achar, se bem q vi o original sendo vendido na FNAC, só q custava caro demais. Intitulado “Deus, um Delírio”, pela Cia. Das Letras. Deve ter umas coisas legais, mas não vou comprar pois já tenho coisas demais na fila q precisam da minha atenção, imediata, agora, senão não saio do lugar em matéria de leitura. E logo deve sair em português Deus Não é Grande, de Christopher Hitchens. Ainda tenho livros antigos do Dawkins aqui sobre seleção natural e evolução q só comecei a ler. Sem falar nos outros todos.

Simone Weber disse...

Estimada Clarissa,

“Numa primeira análise parece-me que somos das poucas mulheres a comentar neste Blog, isso deixou-me a pensar... provavelmente a temática dos posts é «socialmente masculina» - política, filosofia e religião não são assuntos que interessem muitas mulheres, o que é uma pena e nos mostra que temos um longo caminho a percorrer.”

Muito bem dito, amiga.
Conviveríamos com mais Hypatias se na sociedade pais e educadores fossem um pouco como Theons, um desvelado pai que levava consigo a filhinha desde tenra idade a debates filosóficos na Alexandria dos primórdios do cristianismo. Hypatia era versada em filosofia, matemática, astronomia, oratória e outras artes, ainda jovem tendo excedido o pai, um dos homens mais sábios do Egito daquele tempo. Além disso, mantinha uma rígida rotina de exercícios físicos, dentro do espírito de Juvenal: mens sana in corpore sano. Como matemática contribuiu para o estudo da hipérbole, como astrônoma para o surgimento do astrolábio, para citar somente duas célebres colaborações para a ciência. Infelizmente, foi apedrejada por uma furiosa turba de cristãos, que em seguida, em verdadeiro transe religioso, arrastaram seu corpo pelas ruas da cidade. Linchamentos como esse passaram a ser comuns após o cristianismo ter se tornado religião oficial do Império Romano.

Beijocas para ti também, amiga.

Simone Weber disse...

Quanto aos machos deste blog, puxo-lhes as orelhas se não forem carinhosos contigo. :-)

Clarissa disse...

Querida Simone~
Quando tiveres tempo vai a este link:
http://instantesclarissa2006.blogspot.com/2006/07/instantes-lviii_05.html
é um tezto meu de 2006 sobre Hypatia, talvez já o tenhas lido, escapa-me a memória.
Beijo grande Simone

André disse...

Essa é pra vc, Heitor, q gosta de economia:

The U.S. Subprime Crisis and the Pain to Come

Fears of U.S. subprime instability have sparked a rash of panic-selling globally, with the worst impacts by far in Europe. The damage has concentrated on all things European for a number of reasons. Plenty of pain -- both American and European -- is yet ahead in the weeks and years to come.

Aug. 9-10 witnessed some of the most dramatic and broad drops in stock values in years as investors the world over fled the effects of the U.S. subprime mortgage market.

Though at present most of the pain has been felt in Europe, much pain for both the United States and Europe lies ahead.

Subprime lending is a facet of the mortgage market that caters to potential homebuyers whose credit is far less than ideal. Oftentimes such borrowers lack, among other things, the ability to provide a 20 percent deposit for their new home, leading to the extension of an 80/20 pair of loans. (In essence, the homebuyer takes out an additional loan that covers up to the total value of the down payment.)

Finally, to make the loans more attractive to borrowers, something called a variable rate mortgage is often used. In this sort of loan, the rate is set very low for an initial period, usually five years. During this time, the borrower is only paying back interest, not principal, and so is building little if any equity in the real estate. The upside is that the mortgage payments are very low, making variable rate loans very attractive to those with limited means or sketchy credit.

In the minds of the firms making these loans, all loans are good loans. Their primary goal is to squeeze as many applicants through the system as possible. Once that is done, they package the loans into securities and sell them to traders, who treat the mortgage packages as any other sort of tradable commodity.

The very concept of subprime obviously brings to mind potential foreclosures, as underexperienced borrowers really are not ready for the responsibility of a mortgage. About a year ago, two developments made it obvious that something was wrong.

First, traders who normally purchased mortgage securities began to take a closer look at what the mortgage brokers were handing them. They noticed that many of the subprime mortgage packages had a disturbingly high percentage of their makeup defaulting within 90 days (the time it takes for three mortgage payments). As time went on, 90 days turned into 60 days, which turned into 30 days. As hard as it might be to believe, the credit criteria of some mortgage dealers had become so lax that some new homeowners defaulted on their mortgages even before making their first payments.

Securities traders imposed a very simple -- and brutally effective -- solution. They would not accept subprime mortgage securities until a certain amount of time had passed to ensure the borrowers whose mortgages made up a particular security actually could meet their payments. That pushed nearly all the risk from the traders back upon the mortgage brokers who had loosened their criteria to make more deals. The result was a rapid cascade of bankruptcies among American subprime mortgage brokers.

The second shift dealt with variable rate mortgages and was simply an issue of time. Variable rate mortgages first became popular in 2001. Five years later, it was 2006, and borrowers who took out variable rate loans found it was time to reset the rates. The brokers who originally set them up with a low rate were nowhere to be found, and unless these borrowers wanted to lose their houses, they had to re-sign at much higher rates -- which means much higher payments. The result was a rash of foreclosures among people who had occupied their homes for five years.

The securities traders already have imposed a great deal of discipline on the mortgage brokers -- or more accurately, the securities traders' refusal to take the results of the mortgage brokers' questionable standards has destroyed the questionable mortgage brokers -- but that does not mean that subprime problems have vanished. They are a roughly half-trillion-dollar portion of the system that will cause indigestion for years to come.

First, as mentioned, subprime is a loan granted to someone with questionable credit. Until those individuals secure larger, more stable incomes, their mortgages will remain high risk. In theory, this danger lessens as time moves on -- a homeowner is far more likely to default on a loan in the first year than in the 10th -- but it is a risk now embedded into the system nonetheless.

Second, and potentially most dangerous, the sudden nature of what the securities traders did to the subprime market demonstrably has impacted both housing demand and housing values. Though one can quite easily and accurately make the argument that the market as a whole is better off with stricter requirements on subprime lending, security traders' large-scale removal of that sector of the market has certainly cooled demand. Less demand, prices drop. Should subprime's evisceration result in something more than a short-term decline in demand and pricing, then the subprime crisis could extend to both the prime market and the broader economy as falling home values begin to crimp the finances of homeowners with previously solid credit.

Finally, and most certain, the worst of the subprime crisis lies ahead. Variable rate mortgages did not begin to be applied en masse to subprime lending until 2004, with massive growth in that practice throughout 2005. That means there are a large number of subprime borrowers out there currently coasting by with very low monthly payments, and they will continue to do so until they are forced to refinance. Since most U.S. variable rate mortgages require such refinancing after five years, five years from 2004-5 -- 2009-10 -- is going to be a very painful period.

Though nearly all the subprime securities out there are in the United States, U.S. mortgages are generally perceived to be among the most rock-solid of investments, so some invariably trickle out to the wider world, with Europe being a popular investor. Therefore, when German bank IKB Deutsche Industriebank announced July 30 that some of its subprime assets were hemorrhaging value, it set off a bit of a local panic. By Aug. 2, the German government stepped in with a bailout package to calm things, but the damage to credibility was already done.

Occasional reports by funds that their subprime exposure was minimal went unheeded, and European investors began pulling their money out of any investment they feared might be linked in any way to U.S. subprime mortgages. As the panic built Aug. 7-8, the distinction between subprime and prime blurred.
By Aug. 9, investors' fears had spread from the specific risks of subprime itself to higher-risk products in general. Crowning the fear was the Aug. 9 announcement by French bank BNP Paribas that it was suspending trading in $2 billion of funds on suspicion that subprime exposure meant they were not worth their listed value. Few things panic investors more when they are trying to pull their money out than being told they cannot pull their money out. A European stock market rout ensued.

Unlike the stock queasiness of the previous week that U.S. markets simply shrugged off -- the American markets had already dealt with the subprime issue and so did not feel particularly threatened by European skittishness -- this rout crossed the Atlantic, and to East Asia as well. This was not because either the United States or East Asia actually was dealing with subprime issues, just that widespread fear was ruling in Europe. Those fears triggered a broad sell-off that went well beyond anything that smelled like subprime, resulting in market drops the world over.

The mass withdrawal of capital from everything from hedge funds to traditional stocks left the system grinding along with little cash on hand. Unlike previous stock falls that saw investors moving money from a perceived weak asset to a perceived stronger one, this rout saw them pull their money out and then simply sit on it. To prevent a wider contagion, central banks the world over stepped in and flooded their respective banking systems with extra cash to ensure banks would be cash-flush enough to maintain normal operations.

These injections continued, albeit in smaller amounts, Aug. 10 as the panic subsided somewhat. The U.S. Federal Reserve Board injected $35 billion, the Bank of Japan $8.4 billion and the Reserve Bank of Australia $4.2 billion. The European Central Bank (ECB), the reserve authority that had the pleasure of presiding over the original meltdown, has so far pumped in a total of $211 billion.

Independent of the reality that the U.S. subprime crisis still has some rumblings off in the future, the international impact of subprime is not over. This does not refer simply to the likelihood that it will take a few more days for the European markets to calm down.

Europe traditionally faces the most liquidity problems of the major poles of the global economy. Japan and China's financial systems are predicated on the over-availability of extraordinarily cheap (read: subsidized) loans. Among their many effects, these chronically low interest rates allow rapid development of an economy at the cost of profitability. (Pretty much anyone can make a go of a business when loans charge 0 percent.)

Some of this money invariably makes it out into the broader international system in order to purchase things such as Rockefeller Center. Asians call it investment, some Americans call it a takeover, Stratfor calls it capital flight. When a country has loads of cheap capital and rates of return are negligible, the logical thing to do is to send it somewhere where it will generate a larger return. Traditionally, the United States has been better at that than Europe, so more Asian money comes to North America.

And of course, subprime is all old hat to the Japanese anyway. Their 1990s market collapses were triggered in part by many of the same lending strategies that recently have plagued the U.S. mortgage sector. Having seen this before, the Asians were far less likely to panic than their European counterparts, for whom this is the newest horror flick to hit the box office.

That explains why of the $339 billion that central bankers have pumped into the system in the past 48 hours, two-thirds has come from the ECB, "only" $59 billion from the U.S. Federal Reserve and little more than couch change from Japan.

Additionally, Europe will have its own homegrown subprime problem. Housing prices actually have taken off faster in Europe than they have in the United States during the past 10 years, largely on the back of the euro launch. Before the euro became the common currency, Europe's smaller economies had to rely on their own financial systems. Translation: Everyone's interest rates were sharply higher. Toss in a common currency, however, and suddenly Portugal, Greece and Ireland are enjoying mortgage rates as low as 3 percent.

From 1998 to 2007, U.S. home prices increased by an average of 50 percent. The corresponding value in the Netherlands, France and Sweden was 75 percent, while for Spain, Ireland and the United Kingdom it was 100 percent.

Rises in home prices alone do not mean the loan systems were unstable, although they probably indicate some sort of bubble. Europe's worst problems will be in the countries where some U.S.-style subprime lending practices overlap with the above-mentioned stratospheric house prices.

By far the most exposed country will be Spain, where 98 percent of new mortgages are variable rate and the bulk of new mortgages go to recent immigrants with little to no to bad credit history. The combination of volatility plus inexperience plus skyrocketing house prices plus weak demographics (Spain has very few nonimmigrant young people to soak up houses sold by retirees) threatens to create the perfect storm of housing and financial crisis.

Second on the list is Italy, where the housing market began to explode in 2002 with an immigration amnesty and the introduction of both variable rate and subprime lending techniques. Third is Ireland, where the introduction of 100 percent mortgages has captured the imagination of roughly a quarter of new homebuyers in the last year.

Luckily for Europe, the policies of these three countries are the outliers, and as a portion of the overall European mortgage market they are small-fry. Italy's boom is very recent and working from a small base, which will limit its impact. And the Germans and British do not even allow subprime as the Americans have come to understand it.

Ultimately, though Europe so far has borne the brunt of the U.S. subprime woes, both it and the United States face tough times ahead.

Heitor Abranches disse...

Muito bom o artigo André.

abs,

André disse...

Aí, Catellius, vc já deve ter visto no Correio de hoje o tal novo projeto do Niemeyer, com um vão livre enorme. Ele disse q quer q o lugar seja um "ponto de encontro de trabalhadores", não um lugar pra ser usado em eventos ocasionais. O q ele espera? Q um monte de operários russos vá fazer piquenique embaixo do vão livre dele? Homens grandes e de bigodes cerrados,mulheres magrinhas ou gordotas com aquelas roupas de frio, todos carregando caixas de ferramentas e garrafas de vodka? Podiam até fazer uma linha de trem só pra passar pela nova obra dele (linhas de trem combinam com comunistas, mas só se for aquele trem com uma estrela vermelha na locomotiva e o CCCP pintado do lado). E a estação seria batizada de Finlândia, aquela famosa. Quem sabe um dia o Lênin não sai de novo rumo ao poder e não chega lá (aqui) de repente, pra mobilizar o proletariado?

E mais essa: ele quer fazer um memorial dos ex-presidentes brasileiros. Imagine as macacadas (nem tanto arquitetônicas, mas políticas) quando o pessoal for resolver quais são os presidentes "legais" e os "mauzinhos"? E quer instalar um camarada, Fernando Morais, como curador do lugar. Morais já tem um belo emprego na Telesur, a tv do Chavez. Diretor sei lá de quê, tira uns 15 a 20 mil dólares mensais, dizem. Ah, eu também quero ser de esquerda, mas "manco" demais da perna direita, logo seria descoberto...

Catellius disse...

Olá amigos,

Estou acompanhando todos os excelentes comentários. Vou soltar os meus mais ao fim da tarde. Não tive tempo para nada no fim de semana e hoje o bicho está pegando por aqui no escritório.

Bem lembrada a história de Hipatia, Simone.

Lindo o seu texto sobre ela e o torpe Cirilo, Clarissa.~

Mouro, já comento o "justo" e o "injusto".

André, nem me fale desse troço do Memeyer - dawkinianamente falando -, que segundo o próprio é "o melhor trabalho que já fiz para Brasília". Aquilo é igual ao Memorial da América Latina, assim como tudo o mais que fez desde 1975! Jezuis!!! E que diabos significa "ponto de encontro de trabalhadores"? QUEM NÃO É TRABALHADOR NESTA MERDA DE PAÍS (gritando)? Não dá para levar a sério centenários esclerosados que ainda usam o termo "trabalhadores" com aquele ranço socialista e ainda por cima como se fossem escravos que não têm lazer, um "ponto de encontro". Ainda mais em Brasília, onde indústrias já são raras, quanto mais indústrias como aquelas da época de Marx, cheias de "trabalhadores”.
Eutanásia nele, ha ha ha!
Muitos velhos não creditam a própria longevidade ao fato de ainda estarem em atividade? Pois bem, o caso do Memeyer é típico. Se não pararem de lhe dar projetos o melanoma ambulante nunca morrerá.

p.s. Clarissa, desculpe-me antecipadamente pela aparente intolerância. É só brincadeira, he he.

Abraços a todos

Anonymous disse...

Se Brasília fosse boa Lúcio Costa teria morrido nela e Oscar Niemeyer moraria lá e não no Rio.

André disse...

O Nimemeyer não vai morrer nunca, é um Highlander (só morre se a gente cortar a cabeça).

O anônimo disse tudo. Eu sei q tem gente q gosta daqui, mas eu concordo com o q ele disse. Ainda mais no caso do Niemeyer, q usa Brasília como sua vitrine número 1, certo? Acho q ele deveria morar aqui mesmo.

André disse...

Catellius, desculpe pelo tamanho desse comment mas, já q o Heitor gostou da última análise da Stratfor q mandei pra ele, eu não poderia deixar de mandar essa, q complementa a primeira. Muito interessante:

Subprime Geopolitics
August 13, 2007 19 17 GMT

By George Friedman

The subprime crisis is worth analysis in its own right, though it also gives us the opportunity to discuss our own approach to economic issues. Stratfor views the world through the prism of geopolitics. In geopolitics, there is no such thing as separating a country's economy from its national security or its political interests. A nation is a nation. Academic departments divide themselves nicely into areas of study. In the real world, things are much too intertwined and sloppy for that. Geopolitics views the international system and nations as consisting of a single fabric of relationships, with economics being one of the elements.

Not all events have geopolitical significance. To rise to a level of significance, an event -- economic, political or military -- must result in a decisive change in the international system, or at least a fundamental change in the behavior of a nation. The Japanese banking crisis of the early 1990s was a geopolitically significant event. Japan, the second-largest economy in the world, changed its behavior in important ways, leaving room for another power -- China -- to move into the niche Japan had previously owned as the world's export dynamo. The dot-com meltdown was not geopolitically significant. The U.S. economy had been expanding for about nine years -- a remarkably long time -- and was due for a recession. Inefficiencies had become rampant in the system, nowhere more so than in the dot-com bubble. The sector was demolished and life went on. Lives might have been shattered, but geopolitics is unsentimental about such matters.

The Russian default of 1998 was a geopolitically significant event. It marked the end of the post-Cold War period and the beginning of the new geopolitical regime that is increasingly showing itself in Russia. The global depression of the 1920s and 1930s was enormously significant, transforming the internal political and social processes of countries such as the United States and Germany, and setting the stage for political and military processes that transformed the world. The savings and loan (S&L) crisis of the 1980s had no real geopolitical effect, and the collapse of Enron meant nothing. However, the consolidation of Russian natural gas exports under Gazprom's control is certainly a major change.

The measure of geopolitical significance is whether an event changes the global balance of power or the behavior of a major international power. Looking at the subprime crisis from a geopolitical perspective, this is the fundamental question. That a great many people are losing a great deal of money is obvious. Whether this matters in the long run -- which is what geopolitics is all about -- is another matter entirely.

The origins of the crisis seem fairly clear. Traditionally, when banks look at mortgages on homes, they carefully study the likelihood that the loan will be repaid, as well as the underlying collateral. Their revenue and profits come from the repayment of the loan or the ability to realize the value of the loan through the forced sale of the house.

Two things changed this simple model. The first started a long time ago. Encouraged by the federal government, banks that issued mortgage loans began selling those loans to other entities. This, then, created a large secondary market in bundled mortgages -- huge numbers of mortgages grouped together and sold and traded as if they were simply financial instruments, which, of course, they are.

As a result, banks began to view mortgages less as long-term investments than as transactions. They made their money on closing costs, rapidly selling the mortgages to aggregators, which in turn passed them on to others. The banks then loaned the money again. The more mortgages banks racked up, the more money they made. The risk was transferred to others.

In the past few years, two new groups of players entered the scene, one on either end of the spectrum. The first group comprised mortgage companies and brokers, nonbanking institutions whose business model was built primarily around the transaction. The brokers in particular had no skin in the game. Every time they executed a mortgage, they made money. If they didn't execute one, they didn't make money. The role of evaluating the borrower increasingly fell to these entities, neither of which was going to hold on to the debt instrument for more than a moment.

The second group was the final buyers of bundled mortgages -- increasingly, hedge funds. Hedge funds are monies gathered from various "qualified" investors -- otherwise known as rich people and institutions. They are private partnerships, so what they do with their money is between the managers and partners. No federal agency is responsible for protecting the private placement of money by the wealthy.

In a world of relatively low interest rates, wealth-seeking investors flocked to these hedge funds. Some of the older ones were superbly managed. The newer ones frequently were not. With a great deal of money in the system, there was a restless search for things to invest in -- and the secondary market in subprime mortgages appeared to be extremely attractive. Carrying relatively high rates of return, and theoretically collateralized by fairly liquid private homes, the risks of these deals appeared low and the returns on the mortgages -- particularly when you looked at the contracted increases -- seemed extremely attractive.

The fact is that no one really worried about defaults. The mortgage originators that prepared the documentation for these riskier loans certainly didn't care. They just wanted the mortgages to go through. The primary lenders didn't worry because they were going to resell them in hours or days anyway. The mortgage aggregators didn't care because they were going to resell them, too. And the final holders didn't worry because they assumed the system would permit easy refinancing of loans at sustainable interest rates, and that -- in a worst-case scenario -- they at least owned a portfolio of houses that they could bundle and sell to real estate companies, perhaps even at a profit.

The final owner of the mortgage, of course, is the loser. The assumption that subprimes could be refinanced if need be failed to take into account that higher interest rates priced these people out of the market. But the worst part is this: Many hedge funds leveraged their purchase of mortgages by using them as collateral to borrow money from the banks.

That was the tipping point. When the subprime defaults started to hit, the banks that had loaned money against the mortgage portfolios re-evaluated the loans. They called some, they stopped rollovers of others and they raised interest rates. Basically, the banks started reducing the valuation of the underlying assets -- subprime mortgages -- and the internal financial positions of some hedge funds started to unravel. In some cases, the hedge funds could not repay the loans because they were unable to resell their subprime mortgages. This started causing a liquidity crisis in the global banking system, and the U.S. Federal Reserve and the European Central Bank began pumping money into the system.

Told this way, this is a story of how excess emerges in a business cycle. But it is not really a very interesting story because the business cycle always ends in excess. As economic conditions improve, more people with more money chase fewer investment opportunities. They crowd into investments that seem to guarantee vast or sure returns -- and they get hammered. The economy contracts into a recession, as it tends to do twice every decade, and then life goes on.

There currently are three possibilities. One is that the subprime crisis is an overblown event that will not even represent the culmination of a business cycle. The second is that we are about to enter a normal cyclical recession. The third, and the one that interests us, is that this crisis could result in a fundamental shift in how the U.S. or the international system works.

We need to benchmark the subprime crisis against other economic crises, and the one that most readily comes to mind is the savings and loan crisis of the 1980s. The two are not identical, but each involved careless lending practices that affected the economy while devastating individuals. But looking at it in a geopolitical sense, the S&L crisis was a nonevent. It affected nothing. Bearing in mind the difficulty of quantifying such things because of definitions, let's look for an order of magnitude comparison to see whether the subprime crisis is smaller or larger than the S&L crisis before it.

Not knowing the size of the ultimate loss after workout, we try to measure the magnitude of the problem from the size of the asset class at risk. But we work from the assumption that proved true in the S&L crisis: Financial instruments collateralized against real estate, in the long run, limit losses dramatically, although the impact on individual investors and homeowners can be devastating. We have no idea of the final workout numbers on subprime. That will depend on the final total of defaults, the ability to refinance, the ability to sell the houses and the price received. The final rectification of the subprime will be a small fraction of the total size of the pool.

Therefore, we look at the size of the at-risk pool, compared to the size of the economy as a whole, to get a sense of the order of magnitude we are dealing with. In looking at the assets involved and comparing them to the gross domestic product (GDP), the overall size of the economy, the Federal Deposit Insurance Corp. estimates that the total amount of assets involved in that crisis was $519 billion. Note that these are assets in the at-risk class, not failed loans. The size of the economy from 1986 to 1989 (the period of greatest turmoil) was between $4.5 trillion and $5.5 trillion. So the S&L crisis involved assets of between 8 percent and 10 percent of GDP. The final losses incurred amounted to about 3 percent of GDP, incurred over time.

The size of the total subprime market is estimated by Reuters to be about $500 billion. Again, this is the total asset pool, not nonperforming loans. The GDP of the United States today is about $14 trillion. That means this crisis represents about 3.5 percent of GDP, compared to between 9 percent and 10 percent of GDP in the S&L crisis. If history repeats itself -- which it won't precisely -- for the subprime crisis to equal the S&L crisis, the entire asset base would have to be written off, and that is unlikely. That would require a collapse in the private home market substantially greater than the collapse in the commercial real estate market in the 1980s -- and that was quite a terrific collapse.

Now, many arguments could be made that the estimates here are faulty or that different concepts should be used. We will concede that there are several ways of looking at this crisis. But in trying to get a handle on it strictly from a geopolitical perspective, this gives us a benchmark with which to analyze the mess.

Can it balloon into something greater? The big risk is that the weak hands in the game, the hedge funds, are suddenly coming into possession of a great number of houses that they will have to put on the market simultaneously in fire sales. That could force home prices down. At the same time, most homes are not at risk, and their owners are not hedge funds. Moreover, it is not clear whether most of the hedge funds that own subprime mortgages will be forced to try to monetize the underlying assets. It is far from clear whether the crisis will affect home prices decisively. If home prices were to collapse at the rate that commercial real estate collapsed in the 1980s, we would revisit the issue. But, unlike commercial real estate, in which price declines force more properties on the market, home real estate has the opposite tendency when prices decline -- inventory contracts. So, unless this crisis can pyramid to forced sales in excess of the subprime market, we do not see this rising to geopolitical significance.

From this, two conclusions emerge: First, this is far from being a geopolitically significant event. Second, it is not clear whether this is large enough to represent the culminating event in this business cycle. It could advance to that, but it is not there yet. We cannot preclude the possibility, though it seems more likely to be a stress point in an ongoing business cycle.

Apart from discussing the subprime issue, this crisis offers us an opportunity to explain how we view economic activity. First, we try to understand, at a fairly high level, what exactly happened, much as we would approach a war or a coup. Then we try to compare this event to other events whose outcomes we know. And, finally, we try to place it on a continuum ranging from fundamental geopolitical change to normal background noise. This is more than normal background noise, but it has not yet risen even to the level of a routine, cyclical shift in the business cycle.

André disse...

Teria pena desses “trabalhadores” se eles realmente dependessem de uma obra de Niemeyer, afinal nada do q ele faz costuma ser funcional, ele é famoso por isso. Quando eles descobrirem q nesse lugar não tem banheiro, p. ex., aí sim vamos ver uma revolução comunista.

Melanoma ambulante, estou rindo muito, muito por causa dessa... ele parece isso daí mesmo.

Eduardo Silva disse...

Caro André, é verdade não há nenhum nazista Goding, nem sei de onde tirei esse nome, ainda bem que sua cultura me possibilitou arrumar meu equívoco.
Quanto a Nietzsche preciso falar algumas coisas, tenho me dedicado a anos a esse pensador.
Há boatos, nada comprovados historicamente, talvez não passe de interpretação dos seus textos, que a teria nietzscheana do indivíduo além de bem e mal, na verdade esconde sua homossexualidade, não apenas isso, óbvio. Já nos seus textos com 18 anos, nietzsche já muito admirador de Schopenhauer e Wagner, conhece uma figura que lhe acende a alma dinosíaca(aliás esse termo da filosofia de Nietzsche está cercado de além de bem e mal, quase como o eudemonismo, prazer e felicidade), era um andarilho, um mendigo que recitava poesias próximo a universidade que Nietzsche estudou, Skitner o nome. Nietzsche, já produzindo aforismos para A tragédia Grega, escreve com conotações um pouco suspeitas, no mínimo isso.
Quanto a Lou Salomé, a garota por qual Nietzsche se engraçou, não se apaixonou, pois Nietzsche não queria uma mulher queria uma secretária que soubesse ouvir suas terias e conversar sobre elas. Nietzsche com sua ingenuidade sobre esse assunto, mal conheceu a garota, apresentada por Marwida Von, sua amiga de Roma, e já lhe fez pedidos inconvenientes, tiro e queda, levou um fora, e depois levou mais dois da mesma, acabou que perdeu a garota pra um amigo, que inclusive a conhecia antes que Nietzsche, ficaram disputando a linda Salomé por quatro anos.

É verdade, outrossi, André, que Nietzsche não compartilhava do anti-semitismo alemão, porém sua irmã era anti-semita e logo depois que Nietzsche morreu ela fez um espaço onde as obras do irmão pudessem ser encontradas, e logo quando lhe perguntavam sobre o caráter de Nietzsche, ela introduzia a característica de anti-semita. também é verdade que a irmã de Nietzsche não ajudou muito seu romance, Lou Salomé não gostava dela, dizia que ela era uma asna por não entender nem a idéia dialética hegeliana(que logo mais Nietzsche copiando-a, a deu o nome de eterno retorno). O fato é que a própria Salomé ficava fazendo piadinhas pelas costas de Nietzsche, assim ela disse a Otto Robert, na pág 181 da Biografia de Uma Tragédia (Rudiger Safranski)" seus textos são de débil mental".


É isso, gosto muito de Nietzsche, mas como operador do direito, acredito que como você também, prefiro, e é até melhor, acreditar e seguir o imperativo categórico do solen de Immanuel Kant, esse sim se coaduna mais com a idéia de um direito substancialmente justo.
Obrigado André.

Eduardo Silva disse...

Sr. André, sobre sua frase, quase um brocardo jurídico.

"O Direito consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais"

Essa frase é de Aristóteles em Política, ele diz que apenas se pode diferenciar se é para igualar.

José Afonso da Silva, acredito que o André conheça bem, ou pelo menos conheceu, fala que tal frase ganha notoriedade depois que se viu a justiça e igualdade liberais(num termo ideológico-político). A igualdade liberal consistiria em fazer leis gerais que valessem para todos, assim todos, com a generalidade da lei, seriam tratados igualmente. Porém isso era justiça formal, apenas generalizada na lei, foi necessário, criando a dicotomia, criar leis que fizessem justiça substancial, efetiva, aí a lei teve que desigualar, dar fomentos às classes com recursos menores, condições de terem um equiparação, não no resultado mas na oportunidade.

Aqui é uma parágrafo de um texto do meu blog sobre igualdade de oportunidade e igualdade de resultado:

"Sobre a dicotomia igualdade de resultado e igualdade de oportunidades também é preciso tecer algumas considerações. A busca pela igualdade de resultados está em voga, mormente nos Estados que se dizem preocupados com o social. A premissa dessa tendência é a atual desigualdade econômica que sofrem tais países, sendo assim, se mostra necessário obrigar “a” a se igualar a “b”, mesmo que “b” não tenha as mínimas condições de se equiparar a “a”, por mais que “a” se esforce, sob a vigilância do Estado. Vira uma paranóia, se restringe tanto em prol da igualdade de resultados, que acabam todos ficando no nível zero. Não se entende muito bem, em termos práticos, como garantir uma efetiva igualdade de oportunidades, primeiro porque não é possível controlar todas as probabilidades. É possível o Estado se tornar tão forte e interventor ao ponto de controlar todas as nossas oportunidades? Não, e mesmo se o tornasse, nossa liberdade estaria ameaçada. Talvez uma oscilação entre a busca de liberdade de resultado e liberdade de oportunidades seja o ideal, sempre se coadunando com as circunstâncias."

Eduardo Silva disse...

"Se Brasília fosse boa Lúcio Costa teria morrido nela e Oscar Niemeyer moraria lá e não no Rio. "

Brasília pode ser boa, o fato é que o Rio pode ser melhor.

Eduardo Silva disse...

Sobre Justiça eu recomendo: 'o que é justiça' de Kelsen, ele reune vários textos desde protágoras até os seus dias sobre o tema. Também é importante o "Uma teoria da justiça" de Jonh Rawls.

C. Mouro disse...

Sobre fofocas de celebridades eu recomendo as revistas Amiga, Caras e contigo.

Clarissa disse...

Eduardo Silva
«sobre igualdade de oportunidade e igualdade de resultado» a que se refere no seu comentário, e dado que sou uma pessoa muito prática, convém não esquecer que todos estes conceitos, igualdade e oportunidade, não são meras discussões teóricas mas constituem, antes de mais, a concretude da vida de cada cidadão.
Por exemplo, cá em Portugal a participação das mulheres na vida política é diminuta – este é o facto. Seja porque há uma real preocupação com o facto, seja porque «fica bem» mostrar a Prática da Igualdade, nas listas eleitorais, na bancada da Assembleia da República, etc, tem havido tentativas de alterar este desequilíbrio procurando alcançar uma «igualdade de resultados» a partir do estabelecimento de quotas. Esta é claramente uma atitude falaciosa, já que se pretende estar a tentar atacar um determinado problema, quando na verdade nada se faz para que tal aconteça, ou melhor, o resultado que se alcança é absurdamente humilhante, dado que os Partidos andam à procura de mulheres para os lugares finais da lista para manter as aparências e não porque, de facto, se considere o valor da mulher. Este problema deveria ser tratado a partir da igualdade de oportunidades, já que é óbvio que entre homens e mulheres ela não existe. Existirá eventualmente na lei, mas é uma lei que a maior parte das vezes não se cumpre (despedem-se mulheres porque estão grávidas, auferem salários diferentes dos homens, etc), e aqui o Estado tem o dever de policiar com seriedade, quando, ao invés vai fechando os olhos enquanto faz de conta que se mostra muito preocupado com a situação da parca participação das mulheres na política. O mesmo Estado que continua a não reconhecer o trabalho doméstico, maioritariamente feminino, o cuidar dos filhos, como profissão, a duplicação de Trabalho fora e dentro de casa que a mulher tem… ou seja faz-se de conta que se quer atacar o problema, quando não há realmente igualdade de oportunidades, facto imputável ao Estado. Já para não falar do abandono escolar resultante da gravidez na adolescência, porque a lei sobre o ensino da sexualidade nas escolas nunca passou do papel, e claro, quem mais sofre com isto são as jovens mulheres que acabam por abandonar a escolaridade no final da gravidez para ir trabalhar para um qualquer caixa de supermercado.
«Não se entende muito bem, em termos práticos, como garantir uma efetiva igualdade de oportunidades, primeiro porque não é possível controlar todas as probabilidades. É possível o Estado se tornar tão forte e interventor ao ponto de controlar todas as nossas oportunidades?»
De facto não é possível controlar todas as oportunidades, nem o Estado pode ser tão interventor que se transforma numa ditadura, mas o ESTADO TEM O DEVER DE SER ESTADO, e de garantir, com seriedade, a igualdade de oportunidades, atacando o problema pela origem e não praticando políticas demagógicas e humilhantes que fingem preocupação. A solução passa por um investimento económico a nível da educação, e do reconhecimento legal de que o dia da mulher não tem 24, mas 48 horas.
Abraço

C. Mouro disse...

Havendo liberdade há a igualdade de oportunidades. Elas estarão em todo lugar pra aqueles que as reconhecerem e tiverem capacidade para aproveita-las.

A função do Estado num ambiente onde todos são igualmente livres, é apenas a de prestar serviços à popaulação indistintamente.
Quando alguém clama que o Estado use o seu Poder covardemente para coagir, para privilegiar, para atender a preferências subjetivas, para submeter uns a outros em nome do bem, então temos o Estado de Poder em oposição ao Estado de direito.

Muitos arbitram um aparente fim desejável e, então, consagrador de seus adeptos cheios de interesses materiais ou psicologicos camuflados na demagogia e até pieguismo. Assim fundamentam suas teorias sobre isso e aquilo nos seus achismos, concebendo teorias arbitrárias mas que vão falar a interesses materiais ou psicológicos e angariar apoio de tal naipe. No fim haverá clamores ao Estado, para que use seu Poder, sua capacidade de oprimir e coaqgir para tentar realizar a vontade de cada um de seus cultuadores. É o fascinio do Poder.
A frase "todo poder corrompe e poder absoluto corrompe absolutamente" também é válida para aqueles que tem a lamentável ambição de fazer do Estado a sua força para impor sua vontade aos demais, os seus achismo. Ou seja, convencendo cada indivíduo que o Estado pode ser feito uma extensão de si muito mais forte, o Estado perpetua o seu Poder. E, lógico, que os maiores beneficiarios disso são aqueles que efetivamente se podem valer do Estado, do Poder do Estado.
Meio que parafraseando Frédéric Bastiat:

- O Estado é uma grande ficção, através da qual todos todos ambicionam impor sua vontade aos demais.

Bem, Bastaiat falava algo como todos pretendem viver a custa de todos ou explorar todos, não se referia a ambições psicológicas, ou intelectuais. Porém, eu entendo que as ambições intelectuais, que eu chamo psicológicas, são infinitamente mais fortes além de ilimitadas, resultantes de fatores positivos ou negatrivos, capazes de cegar, de FANATIZAR inteiramente o indivíduo, que assim deseja fazer da sua subjetividade a "verdade salvadora da humanidade", aquela que imporá a felicidade de todos e que por tal o consagra e lhe garante o direito, o mesmo do deus, de almejar impo-la através da força do Estado.

...EU LAMENTO, LAMENTO MIL VEZES essa tendência humana, demasiado humana (...hehehe!), que faz com que concordem com o Poder como meio ideal de impor a "felicidade geral" que nascerá de seus, para mim repugnantes, achismos.

É uma causa perdida.

Após mais um comentario estarei jogando a toalha definitivamente.

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Não importa quem escreveu, nem quantos, o que abaixo segue. Não importa se foi alguém famoso ou se um anônimo, se phd, rico, pobre, político, empresário, carpinteiro, líder de massas, profeta ou um tolo qualquer. O certo é analisar o que está escrito e refletir sobre o quanto tem ou não de verdade, ou que possa ter. O melhor mesmo seria que não se soubesse dos títulos, cargos, reconhecimento pessoal ou anuência que o autor conseguiu, para que cada um se detivesse na análise do que foi escrito ou dito. Sem sofrer influência da “autoridade”, simpatia ou antipatia, e nem das boas ou más intenções de quem o disse.
Vejamos:
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Algumas características comuns a todos os homens e suas emoções passionais:
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- Que cada homem se esforça para conseguir que todos amem o que ele ama e que todos odeiem o que ele odeia.
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- Que cada um tem por natureza o "apetite" de querer ver os demais vivendo segundo ele mesmo é: e como todos têm este mesmo apetite, todos impedem-se uns aos outros de viverem. Todos querem ser queridos, amados e admirados e justamente por isto acabam se odiando mutuamente.
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- Se presumimos que um homem desfruta o prazer e a felicidade de uma coisa tal, que não podemos, ou não conseguimos fazer e alcançar, passamos a nos empenhar esforçados para destruir a posse daquele prazer e felicidade que o tal homem tem.
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- Vimos desse modo que em virtude da natureza dos Homens, estes geralmente são dispostos a sentir "comiseração" pelos desgraçados e a invejar, proibir, coibir e censurar os que são felizes: e que seus ódios e repulsas em relação aos que desfrutam a felicidade são enormes e sem limites.


O Estado é o Poder, e quem tem o Poder tende a fazer da sua vontade a expressão da justiça, pois que na prática é capaz de realizar suas vontades. Assim, na "praxis" a justiça é a vontade do mais forte, mas o forte para ser sempre o mais forte faz de seu Poder um direito e da obediência a este um dever. Assim, o principe não será um indivíduo, mas o Estado, que então será o delirio de todos que ambicionam impor seus achismos aos demais. ...e o forte será sempre o mais forte...


Um grande abraço para todos
C. Mouro

...claro que vez ou outra virei ler, pois não resistirei tanto

André disse...

Não acho q Nietzsche fosse gay. Mas era muito complicado pra se relacionar com mulheres. Ou talvez nem ligasse muito pra isso, tem gente q é assim.

A irmã de Nietzsche devia ser uma idiotinha.

Bom, não gosto de Kant, mas o imperativo categórico dele se coaduna mais com a idéia de um direito substancialmente justo, claro. Se o q Nietzsche dizia sobre direito fosse aplicado, teríamos uma ditadura de aristocratas superiores, iluminados, algo muito bonito, claro, quando se pensa no mundo sórdido lá fora, mas bonito só no papel.

Tem razão, foi Aristóteles quem disse aquela frase.

José Afonso da Silva é muito bom, pena que não sirva pra concursos públicos, pois é um criador do direito, um jurista, não fica discutindo e esmiuçando regrinhas constitucionais, dissecando a lei pra quem vai fazer prova. Mas dá uma senhora aula de constitucional.

O Estado tem q ser muito menor do que é, mas o liberalismo radical, absoluto, também é perigoso, assim como o Estado elefante é perigoso.

Se o Rio não tivesse sido destruído a partir dos anos 60, eu iria querer morar lá.

O C. Mouro disse tudo:

“Havendo liberdade há a igualdade de oportunidades. Elas estarão em todo lugar pra aqueles que as reconhecerem e tiverem capacidade para aproveita-las. A função do Estado num ambiente onde todos são igualmente livres, é apenas a de prestar serviços à popaulação indistintamente.”

Todo poder corrompe e o poder absoluto corrompe melhor ainda.

“O Estado é uma grande ficção, através da qual todos todos ambicionam impor sua vontade aos demais.” Gostei dessa!

“Assim, o principe não será um indivíduo, mas o Estado...” Bom, é o Príncipe Moderno. Gramsci adorava isso. E o PT e outros vagabundos autoritários também adoram isso.

Catellius disse...

Tempo, tempo, tempo....
Queria tempo para escrever alguma coisa, he he he. A discussão está ótima!
De volta ao trabalho!

O+cioso, tente escrever de novo sem os palavrões, moleque. Aí eu paro de moderar você.

O+cioso disse...

Catéquitus, VTNC seu FDP
Vá moderar a M!

"Havendo liberdade há a igualdade de oportunidades. Elas estarão em todo lugar pra aqueles que as reconhecerem e tiverem capacidade para aproveita-las. A função do Estado num ambiente onde todos são igualmente livres, é apenas a de prestar serviços à popaulação indistintamente.”

Alguém diz: Fulano está comendo lixo.

Cristovam Buarque: Com educação nada disso aconteceria.

C. Mouro: Com liberdade nada disso aconteceria.

Holy Father: Com amor nada disso aconteceria.

Catéquitus: Sem religiões nada disso aconteceria

Hector: Com A VERDADE nada disso aconteceria

Bocage: rsrsrsrsrsrsrsrsrs

André: Muito bem, isso mesmo, pode ser que sim pode ser que não (e uma frase do Millôr).

Eduardo: A epistemologia da ontologia da deutologia aplicada à semiótica do loquaz rubicundo vermelho encarnado poderá, metafisica, empírica e tautologicamente falando, abrandar a questão em sociedades matriarco-patriarcais, segundo J.Z.F.Rubish, kkkk.

Se houvesse amor não haveria nenhum problema no mundo, Nenhunzinho.

Isso não quer dizer porra nenhuma na prática.

A Clarissa fala de alhos e o C. Mouro vem falar em bugalhos, em liberdade e sei lá que mierda de discursinho pronto.

Vai dizer que em uma amostra de um bilhão de homens e um bilhão de mulheres estas vão MUITO pior do que os homens porque não souberam aproveitar as oportunidades ou talvez por serem estúpidas... kkkk

Esse raciociniozinho até é válido entre indivíduos. E se um gênero representado por 3 bilhões de pessoas está em desvantagem a Sua Mouriscada diz: Liberdade, liberdade, liberdade, kkkkkkkkk, Estado Mínimo patati patata....

VTNC vocês todos.

O+cioso disse...

Blogueiro é macaco, kkkkkk

http://br.youtube.com/watch?v=vTA26q7zlE4

Catellius disse...

Grande C. Mouro,

Genial:
“O DIREITO DE POSSUIR NÃO IMPLICA EM GARANTIR O PRODUTO”

“Daí, o direito de moradia, para esses salafrários, resulta em obrigação dos potentes.”

Ao invés de permitir o desenvolvimento econômico, de não atrapalhá-lo, o governo prefere fazer do povo um eterno dependente, para justificar a própria obesidade.

“...se existir o direito ao sexo ou a liberdade sexual, deverá tal ser provido a todos, como obrigação da sociedade ...hohoho!”

Ha ha ha! Temos o Bolsa Família. Por que não criar o Bolsinha Prostituição? Funcionários públicos com curso prático no SENAC e na República de Ribeirão, no Lago Sul, aptos a garantir um direito do povo brasileiro!

“Justo é aquele que julga com imparcialidade,..."

Concordo. Mas acho que o justo, além de julgar com imparcialidade, deve expor tal julgamento - o que demanda honestidade e eventualomente alguma coragem. Existe algum justo que seja desonesto na maior parte das vezes? Não. E não pode ser desonesto sem querer, posto que a isto não chamamos desonestidade mas engano, conforme já discutimos. Eu, particularmente, não acho que exista alguém que apenas cometa injustiças por engano, nunca deliberadamente, tendenciosamente. Contudo, reconheço que há uma palavra no dicionário para designar alguém que é predominantemente justo e que tenta sempre agir com justiça: "justo".

"...que segue principios com os quais concorda."

Entendi de quais princípios você está falando. Não vou ficar turvando a discussão, he he. Mas, já que estamos tratando de conceituação, lembro que se uma pessoa age movida por princípios injustos pode ser até chamada de "coerente", mas estará sendo injusta.

“Injusto é aquele que usa critérios diversos para simular julgamento, então tendencioso, parcial ASSIMÉTRICO. Na verdade apenas tenta mascarar suas preferências.”

Bravo!

“Todos podem cometer injustiças e justiças, mas isso não é o mesmo que ser justo e injusto. Aliás tal coisa seria uma ambiguidade, uma impossibilidade: ser duas coisas que se excluem mutuamente."

Concordo. Não podemos dizer que Greta Garbo era pequena e grande, bebê e anciã. Embora todos os velhos já tenham sido adultos e bebês, quando uso o "era" devo obrigatoriamente dizer como ela era ente os 18 e os 40, grosso modo, se era alta, bonita, etc Mas ela já FOI bebê, já FOI velha, já FOI feia.

Vou almoçar e tentarei comentar mais alguma coisa antes do Heitor publicar o próximo post.

Abraços

Clarissa disse...

O+cioso
Eu diria que o seu signo é Carneiro, por parecer ser uma pessoa perspicaz e intempestiva, esclarecendo desde já que são pessoas com quem normalmente me relaciono bem. Quanto aos palavrões que usualmente usa, a mim não me choca particularmente esse uso da linguagem, embora seja de convir que não é agradável para ninguém ser insultada. Não tendo qualquer pretensão de ser seguida na minha sugestão, acho, porém, que tem um bom contributo a dar nestas discussões. Acho que o dom da ironia, que tão bem sabe usar, é mais incisivo que o uso de palavrões.
OK, e agora se/quando lhe apetecer insultar-me, a responsabilidade é minha já que fui eu que me «meti» com a fera cá do sítio :)
P.S. Abraço, oh cioso do ócio.

André disse...

Bom, VTNC vc também, seu revoltadinho idiota. Pronto, ganhou seu palavrãozinho, satisfeito? Agora pode voltar a me xingar à vontade, mané.

Holy Father diria “com Deus”, e não com amor, nada disso aconteceria...

Bom, eu colaria umas citações, gosto disso, mas nem sempre diria “muito bem, isso mesmo, pode ser que sim pode ser que não”. Porém, se eu gosto do que alguém aqui diz e não tenho nada a acrescentar, por que não dizer um “muito bem”, “é isso mesmo”, “madou bem”? Acho q elogio nunca é demais — e os meus ao menos são sinceros.

O link que o ocioso mandou é bom. World Weird Web, há, há… Engraçada essa propaganda. Há muitos blogueiros símios mesmo... mas os três cavaleiros do Apocalipse do Pugnacitas (ou melhor, dois e uma dama), o Eifler, a Clarissa e tantos outros (e eu também, ora) definitivamente não estamos nessa. Nossa praia é outra.

Mas os jornais perderam muito espaço para blogs. Pra variar, ninguém previa isso. Há um certo ressentimento nessa propaganda.

É, Catellius, há muitos “coerentes” que adoram falar em coerência, mas não admitem que são mesmo é uns teimosos. Ou burros. Ou as duas coisas.

Heitor Abranches disse...

Desculpem a expressão mas este PT é um partidinho de m... Estes dias o Chinaglia decidiu pôr para votar um projeto de lei que vai tranformar 310.000 pessoas em servidores públicos sem concurso. Nesta relação temos alguns milhares de apaniguados inclusive sindicalistas petistas emprestados para diversos órgãos que vão poder ser efetivados nos mesmos. É o maior trem da alegria da história da República mas não é nenhuma surpresa considerando-se o governo mais corrupto da nossa história como diz o Mangabeira Unger.

Heitor Abranches disse...

Por que o Estado deve ser mínimo?

1) Um Estado muito grande necessita de muitos impostos e de endividamento para se manter.

2) Os impostos sobre a produção reduzem a eficiência da economia e inviabilizam novos investimentos;

3) O endividamento do governo disputa com endividamento das empresas privadas que normalmente se endividam para fazer investimentos;

Portanto, quando o Estado é muito grande a economia tende a crescer menos, portanto, gera menos riqueza, menos empregos e mais miséria.

Quem já foi a Brasília vê os enormes palácios que estão sendo construídos para uma série de Tribunais. Prédios espetaculares de um Estado rico em um país pobre.

Heitor Abranches disse...

Ainda mais,

Um Estado muito grande que precise constantemente se financiar tende a manter a taxa de juros alta porque o governo projeta o crescimento da economia contra o crescimento das despesas e ao perceber que as despesas correntes estão crescendo mais depressa percebe que o governo terá mais dificuldade para pagar as obrigações futuras e portanto o risco de emprestar para o governo se torna maior. A situação só não é pior porque existe o BNDES que empresta para as empresas a uma taxa diferenciada senão os investimentos seriam muito mais impactados.

Heitor Abranches disse...

Por fim,

O Estado grande é corrupto porque ele se torna poderoso e passa a ser fundamental para diversas atividades exercer influência sobre as políticas públicas. Quanto mais poderoso o Estado mais dinheiro vai existir para financiar campanhas políticas porque as empresas e os grupos em geral vêem nisso a defesa dos seus interesses. Portanto, um Estado mais focado em educação, saúde, tecnologia, e questões de longo prazo em geral tende a ser um facilitador da atividade econômica menos sujeito a pressões de interesses escusos e menos penetrado por corruptos a serviço de interesses particulares. Não quero dizer que os interesses não sejam legítimos. Todos os interesses legais são legítimos e devem ser discutidos de forma transparente no Congresso.

André disse...

Pois é, Heitor...

Péssimo pra mim, q faço concursos. Câmara e Senado já quase não fazem concurso (lá paga tão bem q ninguém sai, só morto), e esses trens da alegria atrapalham tudo. Isso está errado, deveria ser ilegal, mas Brasil... Vão efetivar gente deles e de todos os outros órgãos, inclusive muitos “cedidos”/”requisitados” (um órgão requisita, outro cede). Conheço um cara q vai se dar bem: passou num concurso para um tribunal (e foi um concurso fácil, no final dos anos 80) mas nunca trabalhou nele, foi direto pra Câmara (requisitado pela). Uma vez lá dentro, se aninhou na bancada evangélica, e até hoje trabalha pra essa escória (ele na verdade é protestante metodista, todo quadradinho, todo certinho, mas isso não importa, os evangélicos são bastante flexíveis por lá).
E certamente será efetivado agora. Mas, se a lei fosse cumprida, esse e tantos outros “requisitados” seriam devolvidos para os órgãos “cedentes”, e quase todos, inclusive esse cara, de repente se veriam ganhando uma merda, por um simples fato: quando vc volta, volta para um lugar no qual vc nunca fez carreira, ou fez muito pouco, quae nada, antes de ser cedido. Ou seja, vai pra estaca zero, início de carreira. Já pensou, um cara q ganha, digamos, 9 mil como analista na Câmara (salário-base, sem levar em conta nenhuma função, pois com uma função comissionada/FC, dependendo de qual for, sobe bastante) voltando para um tribunal e ganhando 3 ou no máximo 4 mil, brutos? É o que deveria acontecer. Infelizmente, estamos no Brasil.

Quando vc vier aqui, Heitor, passe na Av. das Nações e dê uma olhada no novo prédio do TST. E aí se pergunte pra quê um tribunal especializado em direito do trabalho precisa de um prédio tão suntuoso. Eu não sei...

Um dia vc precisa escrever um post sobre o Estado Mínimo. Desenvolva mais esse assunto (se bem q o q vc escreveu já está muito bom).

Até mais!

André disse...

E tem gente lá no Legislativo q se fosse mandada de volta para os cargos de origem, nos órgãos de onde saíram, não ganhariam nem 2 mil mensais.

Sem falar nos q iriam direto pra rua, pq vieram de lá...

A gente estuda pra burro, se esforça, e aí um dia vem uma coisa dessas, um trem da alegria, Brasil é isso...

André disse...

Aliás, só pra fechar, o prédio do TST, se não me engano, é do Niemeyer, o lagarto-melanoma das Ilhas Sacalinas. Não é feio, mas é meio monumental e frio demais, algumas partes lembram aquelas coisas monolíticas do fascismo/comunismo.

Catellius disse...

Excelente, Heitor!
Estado Mínimo não dá margens a críticas, nem de petistas nem de qualquer socialista barato. Se o Estado está "muito pequeno", então está aquém do mínimo. Só não queremos que seja mais do que o mínimo.

Abraços

Heitor Abranches disse...

Antigamente, os economistas desenvolvimentistas defendiam que o Estado tinha que ser grande para fazer os investimentos estruturadores. Hoje, o Estado não é capaz de fazer investimentos estruturadores porque a demanda de investimentos sociais é muito elevada e no ambiente democrático não é politicamente viável ignorá-la. Na época dos militares, o orçamento da União podia fazer grandes investimentos inclusive a custa de pesadas dívidas como foi no caso do setor elétrico mas hoje com a urbanização acelerada dos últimos 50 anos temos uma série de demandas sociais.

Heitor Abranches disse...

Portanto, ainda mais considerando uma gestão petista que teria um foco no desenvolvimento social então não é realista supor que um Estado grande seja capaz de promover investimentos estruturadores.

Catellius disse...

Excelente, Clarissa! Trate bem o anencéfalo que, afinal de contas, parece ter miolos, lá no fundo, embora prefira não usá-los.

Bestas sempre têm uma queda especial por donzelas, Quasímodos encantam-se com suas Esmeraldas, he he. Ele parece ter demonstrado algum afeto por você, então aí esteja talvez o fio para devolver-lhe a humanidade.

Um dia tentou fazer um questionamento "pertinente" a um comentário do Mouro, apontando uma suposta contradição em seu pensamento, este respondeu brilhantemente, como de costume, e o O+dioso se limitou a soltar um "zzzzzzzzz", para dizer que a resposta era um palavrório tedioso.

Desmiolado e orgulhoso, portanto.

Mas em seu último comentário parece criticar as panacéias e as utopias, inclusive a quimera do Holy Father, o que não deixa de ser surpreendente. Ponto para ele. Se o tipo não nos odeia por sermos contra a moral cristã, contra o socialismo e outras ideologias, só pode nos devotar um amor doentio, he he he. Espero que ele não descubra onde moramos, para que não invente de catar cuecas sujas e outros pertences nas latas de lixo para montar em sua casa um altar, he he. Vade retro!

Acho que a desigualdade entre homens e mulheres tem diminuído sensivelmente nos países livres, embora ainda esteja longe do ideal, ao passo que a mulher é tratada como indivíduo de terceira classe em países onde não há sequer liberdade, quanto mais mecanismos para defendê-la.
A mulher já conquistou o voto, a igualdade na Constituição (ao menos na constituição), acesso ao mercado de trabalho, etc. Mas ainda existem muitos dogmas a derrubar, preconceitos arraigados relativos ao seu corpo, ao prazer e ao sexo, o impedimento ao individualismo, a obrigação de pensar primeiro nos outros. É escolher entre isso e ser uma vadia hedonista. Para muitas pessoas, incluindo mulheres, sua função é enfeitar, dar prazer ao homem, parir bebês e cuidar da casa. E se quiser "brincar" de gente grande e ter um trabalho, tudo bem, desde que não encha o saco e não descuide dos afazeres, nomeadamente os domésticos. Basta vermos o sermão do idiota do Cantalamessa, no Vaticano, criticando as mulheres que querem bancar os homens, sendo competitivas no trabalho e negligenciando o lar.
Falando em liberdade, as mulheres não são sequer educadas para exigi-la e usufruí-la. As próprias mães são forte barreira para a liberdade da mulher, às vezes tratam os filhos de um modo diferente, com condescendência, enquanto reagem a qualquer manifestação de liberdade da filha com medo de que ela vire uma Messalina, apareça grávida, não faça um "bom" casamento. Muitas vezes as maiores inimigas da liberdade feminina são algumas mulheres, que a temem, odeiam as livres, as ditas "indomáveis", gostam de catar Malenas por aí para arrancar-lhes a cabeleira, he he. Quem sabe grande parte da turba que linchou Hipatia não fosse de mulheres contrárias à liberdade (brincadeira)? Os homens nem se envolvem muito na odiosa circuncisão feminina. As decrépitas velhas fazem questão de extirpar o clitóris das meninas, seja com cacos de vidro ou com estiletes cegos. O importante é arrancá-lo e sujar-se de sangue.
E o que esperar da esposa e da filha que fazem cara feia porque o marido/pai sintonizou na TV Câmara ou em um canal político qualquer? Elas são educadas desde pequenas para gostar de romance e banalidades e para odiar política e filosofia, como você bem lembrou; mas não deixam de ser responsáveis pelas suas escolhas.

Beijo grande!

Heitor Abranches disse...

Como eu disse anteriormente, um Estado grande tende a ser caro e o Estado se financia com impostos sobre a renda, a produção, a propriedade, o consumo e a circulação de mercadorias.

O imposto sobre a renda pune quem ganha mais.

O imposto sobre a produção aumenta os custos de produção especialmente se não houver crédito fiscal.

O imposto sobre a propriedade tende a incidir especialmente nas situações de transferência de bens entre gerações e pessoas.

O imposto sobre o consumo pode penalizar o consumo de luxo.

O imposto sobre a circulação de mercadorias pode criar distorções diversas como passeio de carga.

Enfim, de uma forma geral, os impostos são uma carga, um custo social que impacta toda a sociedade e para a qual tem de haver uma contra-partida do Estado.

Em certo sentido, se o imposto de renda é muito elevado mas não há a oferta de serviços básicos de boa qualidade como educação isto resulta em situação como a classe média que paga duas vezes por todos os serviços inclusive a segurança.

Heitor Abranches disse...

Esqueci de mencionar a questão do poder de mercado que permite a alguns agentes e segmentos transferir a carga fiscal para os outros. Tudo isto altera o sistema de preços que deveria orientar as preferências dos indivíduos e ser guia para os futuros investimentos dos escassos recursos sociais. Enfim, os impostos ainda reduzem a carga informacional dos preços.

Heitor Abranches disse...

Por fim, é uma questão de custo e benefício. Hoje a balança do Estado grande parece não provê muitos benefícios para a sociedade.

Heitor Abranches disse...

Mais uma coisa,

O fato do Estado ser pequeno não quer dizer que o Estado não deva ter planejamento, articulação com a sociedade, com os trabalhadores e com os empresários.

Juntos os diversos agentes devem construir consensos que devem guiar a atuação e o desenvolvimento do país.

É aí que deveria entrar o Estado, como facilitador deste consenso. Os dias do Estado autoritário dizendo o que deveria ser feito já passaram. Até porque a produtividade média das pessoas no Estado é inferior às da iniciativa privada. Logo, vc estaria colocando o rabo para dirigir o cachorro.

Catellius disse...

André, aquele prédio do TST só não é feio porque é impossível um paralelepípedo de vidro ficar feio, ainda mais que reflete o entorno; é como um pilar revestido de espelhos em um shopping. Fica lindo quando passa a Luize Altenhofen e excrescente quando passa o O+dioso furtivamente, com a máscara de Fantasma da Ópera parcialmente coberta por um gorro sujo de catchup.
Quem consegue deixar um paralelepípedo de vidro feio? A turma do Memeyer, lógico. Quis dar um "toque artístico" e chamou a Marianne Peretti - aquela que fez os vitrais de ovos estrelados na Catedral - para colocar na fachada duas vírgulas de concreto, ou aspas, suspensas no vidro. Rotten shit!!!!
É sempre assim. Estou passeando ao sol aqui em Brasília, o dia fica encoberto de repente, olho para o céu e vejo o onipresente ânus do comunista centenário a pingar mais um cocô formalista na cidade. Lamentável.

Bocage disse...

Catellius, o final de teu comentário entrará para os anais do Wikiquote, rsrs. Divertido a valer! Fiquei aqui a imaginar aquele homem-bunda, como no filme The Wall, rsrs.

Maravilhas do Mun-Rá, o de Viiiiidaaaaa Eteeeeeerna, ditas após o batizado de João Havelange, no templo de Luxor:

- Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada. Na rua, protestando, é que a gente transforma o País.

- Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão. Inclusive a casa em que a gente morava estava hipotecada. Sempre tive a idéia de que o dinheiro não vale nada. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa sórdida.

- Nunca me calei. Nunca escondi minha posição de comunista. Os mais compreensíveis que me convocam como arquiteto sabem da minha posição ideológica. Pensam que sou um equivocado e eu penso a mesma coisa deles. Não permito que ideologia nenhuma interfira em minhas amizades.

- A vida pode mudar a arquitetura. No dia em que o mundo for mais justo, ela será mais simples.

*******

Doce Clarissa,

" Descobri uma vantagem em ser das poucas mulheres a comentar por aqui, os homens desta casa e os que a visitam, tratam-me de uma forma tão carinhosa que me sinto «em casa» :)"

Enganas-te, Clarissa. Mulheres de valia inferior à nona milésima qüingentésima sexagésima terceira parte do que vales foram expulsas daqui a pontapés, rsrs. A Patrícia M, por exemplo.

Em breve passarei por teu blog para comentar teus deliciosos textos.

Beijos!

Clarissa disse...

Caríssimo Bocage
Essa senhora Patrícia M detém o record de alarvidades por minuto e evito, sempre que posso, cruzar-me com ela em caixas de comentários.
Beijocas grandes

P.S. Fazes falta por cá :)

André disse...

“gostam de catar Malenas por aí para arrancar-lhes a cabeleira”, é aquele filme com a gata da Monica Bellucci, não é?

“O imposto sobre a renda pune quem ganha mais.” Esse imposto é pura extorsão, a meu ver. E o II, imposto de importação, q é de 60% sobre o valor da mercadoria? O PT andou querendo ressuscitar esse imposto (lá no começo do desgoverno) até para livros importados — e acho que só livros são isentos. Não sei o q aconteceu, mas não deu certo. Que bom. Comprar livros estrangeiros é coisa de elitista pra muitos deles, provavelmente.

Acho errado haver impostos que incidam sobre situações de transferência de bens entre gerações e pessoas.

O ICMS é um dos assuntos mais chatos de uma das matérias mais chatas (direito tributário). E é fonte de eternas brigas entre a União e os Estados (e destes entre si).

De um livrinho de noções de orçamento público q eu tive q ler:

o imposto tem como fato gerador uma situação independente de qualquer contraprestação estatal, ou seja, a pessoa paga só pq tem capacidade contributiva. O IPVA é pago em função da pessoa poder ter um auto, o IR, em função da capacidade q ela tem de auferir renda, e assim por diante. Depois de arrecadado, o imposto pode ser aplicado em qualquer coisa, não estando relacionado a nada. Eis o princípio da não-vinculação dos impostos. Logo, o autor acha que não cabem afirmações como “eu pago IPVA e a estrada não presta” ou “eu pago IR e a distribuição de renda é uma das piores...” Enfim, o Estado não é obrigado a devolver o imposto diretamente a quem pagou, sob a forma de serviços. Seus beneficiários seriam terceiros, os desfavorecidos, não quem os paga (ah, e ele ainda diz que isso é o q acontece “normalmente”, que os desfavorecidos — um bom esquerdista diria excluído — realmente vêem a cor dessa grana em “serviços”. Sei...)

Besteira, puro tecnicismo, claro. Eu pago IPVA e quero pistas, no mínimo, italianas — q são boas, é uma delícia dirigir nelas, e nem chegam perto das autobahns alemãs, que ainda não tive o prazer de conhecer, mas só de ver as fotos... Eu quero que a renda do IR seja bem aplicada, de modo a diminuir a desigualdade de renda, entre outras coisas.

Resumo da ópera: esse é um bom exemplo do tecnicismo de nossos burocratas/tecnocratas. Eles realmente levam esses raciocínios tortos a sério. Isso é (em parte) culpa da nossa mentalidade positivista, acho.

O Estado deveria ser um facilitador.

Bom, Catellius, quem sabe um dia a Luize Altenhofen ou a Anna Hickman não se mudam pro TST. Ficaria bem melhor com elas lá dentro.

Acho aquelas duas coisas de concreto suspensas no vidro jecas. Mas aposto q aquilo ali tem algum “significado”. Nem quero saber, it’s just a rotten shit, anyway.

Outro dia vi o Niemeyer com aquela boca mole (minha imitação dele até q é decente), dizendo q tudo é uma merda, q a vida é um sopro, esses lugares-comuns de velho “sábio”. Para o vulgo, velhice é sinônimo de sabedoria e bonomia. Todo velhinho é venerável... Muita gente adorava o Tancredo Neves por isso. E o “doutor” Ulysses, aquela múmia asteca.

“Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão.” Sem um tostão o c... Sem comentários. Se morreu mesmo assim, ou o cara sofreu alguma desgraça enorme ou era burro.

“Considero o dinheiro uma coisa sórdida.” Bom, então eu sou um idólatra da sordidez.

“Não permito que ideologia nenhuma interfira em minhas amizades.” Não é o q se diz por aí. Ele e o Ariano Suassuna são facílimos de provocar nesse departamento. E bastante rancorosos.

“A vida pode mudar a arquitetura. No dia em que o mundo for mais justo, ela será mais simples.” Bom, justo o mundo nunca será. Se a vida fosse justa, não haveria ricos, he, he. E se esse mundo injusto já gerou grandes arquitetos e construtores, fico com ele. E, se por “arquitetura mais simples” ele quer dizer a dele, fico com a complicada.

E por falar em injustiças: aposto q o Catellius às vezes elabora projetos que ele gostaria que saíssem do papel mais do que outros, porém sabe que eles têm pouca ou nenhuma chance de vingar. Isso deve acontecer, imagino, é normal. Só que isso não acontece com um Niemeyer. Qualquer rabisco dele já está com a execução mais do que garantida.

Se ele não fosse gágá e teimoso (acho que finge, faz tipo), deveria era se preocupar com isso.

Bocage disse...

um artigo de Bruno Miguel Resende:

Religiões e as chacinas genitais
Campanha contra mutilação genital no Egipto após morte de menina.


A demência religiosa respeitante à sexualidade atinge parâmetros maquiavélicos absurdos e tenta aniquilar as mais simples respostas à existência humana, nelas se desenvolvem prazeres, atentar aos arautos da vivência Humana afecta directamente a existência, barbariza os mais puros instintos naturais e aniquila a dignidade. Mutilações genitais são tema recorrente na cruzada religiosa ao prazer sexual e à mais básica dignidade Humana, talhos religiosos arrancam clítoris, lábios vaginais, esfaqueiam aqui e ali, cozem peles e barbaramente definem o que querem dos órgãos genitais, reprodução e humilhação feminina até ao esgoto da quase inexistência.

No Egipto 90% das mulheres não possuem clítoris, as religiões decidem que se deve retalhar, recentemente uma menina de nome Karima Rehim Said morreu durante a chacina genital.

Quando as religiões existem a barbárie também existe, retalhar os genitais é levar a demência religiosa longe demais, campanhas contra a mutilação genital seriam realmente eficazes se atingissem o cerne da questão, a barbárie religiosa nas suas mais entranhadas convicções.

Clarissa disse...

Bocage
A prática da excisão é uma das monstruosidades ainda praticadas contra as mulheres que ocorrem ao nosso lado, não é só nesses países longínquos e subdesenvolvidos. Cá em Portugal, com a imigração de culturas africanas, esta prática acontece mesmo em Lisboa, a capital. É feita pelas próprias mulheres da família, usualmente a mãe e as tias, agarram a menina, e com uma lâmina de barbear cortam-lhe o clítoris. Esta barbárie, ocultada sob o nome de tradição/religião, tem por objectivo retirar a possibilidade de qualquer prazer à mulher, dado que a mulhersó serve para procriar.
As mulheres são educadas e crescem acreditando que é assim que tem que ser. Por isso volto a repetir o que afirmei aqui em comentário anterior, e agora também em resposta ao Catelius: nem sempre as mulheres têm escolha, a tal igualdade de oportunidades não passa a maior parte das vezes do papel. Não esqueçamos que estas mulheres são educadas a não saber o que é autoestima, são treinadas para se verem como objectos, e aí a religião, seja ela qual for, é mutiladora da mulher, e não só dos genitais, mas do que é ser Pessoa.
O Estado tem a sua parte de responsabilidade em tudo isto ao não dar o mínimo de condições de sobrevivência e dignidade, condena milhares de pessoas a viverem em bairros da lata para depois se queixarem de que a criminalidade é crescente. Sim, as pessoas têm escolha, mas há umas que têm mais que outras, e a educação ou a escolaridade são tudo menos democráticas ou gratuitas.
Além de que ainda impera a confusão entre o que é o respeito pela multiculturalidade e o fechar os olhos aos crimes que, em nome de uma qualquer religião, são veradeiros atentados aos Direitos Humanos. O Relativismo Cultural não é desculpa, é só mais uma forma de sacudir a água do capote para negar o etnocentrismo.
Bocage, as religiões são culpadas, mas os Governos, os cidadãos também o são ao consentir nestes crimes fingindo que ocorrem lá no meio da selva onde os homens ainda não são Homens mas selvagens.
Beijo grande

Clarissa disse...

Bocage
Vai a este link, outra VERGONHA do século XXI

http://www.fistulafoundation.org/aboutfistula/

Bocage disse...

Deplorável, Clarissa. Sem mencionar o infanticídio de meninas, muito mais freqüente do que o praticado contra meninos - também inaceitável, desnecessário dizer. Entre os índios brasileiros, por exemplo, ocorrem casos como o relatado na revista Veja desta semana, descrito a seguir nas palavras de Janer Cristaldo:

Comentei ontem a conivência de antropólogos com o assassinato, quando cometido por indígenas. Me referia ao caso dos 29 garimpeiros assassinados em Roraima pelos cintas-largas. A última edição de Veja nos traz um relato bem mais dramático. A reportagem fala da menina Hakani, nascida em 1995, na tribo do suruuarrás, índios que vivem semi-isolados no sul da Amazônia. Foi condenada à morte quando completou dois anos, porque não se desenvolvia no mesmo ritmo das outras crianças. Incumbidos de matá-la, seus pais prepararam o timbó, veneno obtido a partir de um cipó. Em vez de cumprir a sentença, ingeriram eles mesmos o veneno. Mas não terminaram aí as peripécias da menina.

“O duplo suicídio enfureceu a tribo, que pressionou o irmão mais velho de Hakani, Aruaji, então com 15 anos, a cumprir a tarefa. Ele atacou-a com um porrete. Quando a estava enterrando, ouvia-a chorar. Aruaji abriu a cova e retirou a irmã. Ao ver a cena, Kimaru, um dos avôs, pegou seu arco e flechou a menina entre o ombro e o peito. Tomado de remorso, o velho suruuarrá também se suicidou com timbó”.

Hakani acabou sobrevivendo e foi tratada às escondidas por um casal de missionários, Márcia e Edson Suzuki. Hoje tem doze anos. Quando a menina foi retirada da aldeia, os Suzuki solicitaram autorização judicial para adotá-la. “O processo ficou cinco anos emperrado na Justiça do Amazonas, porque o antropólogo Marcos Farias de Almeida, do Ministério Público, deu um parecer negativo à adoção. No seu laudo, o antropólogo acusou os missionários de ameaçar a cultura suruuarrá ao impedir o asssassinato de Hakani. Disse que semelhante barbaridade era uma prática cultural repleta de significados”.

Aqui, Clarissa, a fotografia da indiazinha.

Beijos!

Clarissa disse...

Bocage
Já tinha lido esse artigo de Janer Cristaldo, e obviamente fiquei horrorizada, mas não consegui formar uma opinião clara por falta de conhecimento sobre como funciona a política e a legalidade em relação a essas tribos Índias; questiono-me também em relação ao tipo de envolvimento que um antropólogo pode manter com o grupo observado.São muitas questões sem resposta que me impediram de comentar esse texto no «Expressionista». Mas é inequívoco que algo está mal, muito mal, e que quem sofre desta forma no século XXI não nos pode deixar nem indiferentes, nem somente preocupados com as questões rotineiras das taxas de juro, ou de vazios conceitos filosóficos e sociológicos.
Todos somos corresponsáveis.
Um beijo grande

André disse...

Que bom que a menina sobreviveu.

Eu gostaria de dar uma surra nesse antropólogo.

André disse...

Pois é...

“A fistula is a hole. An obstetric fistula of the kind that occurs in Ethiopia (and many other developing countries) is a hole between a woman's birth passage and one or more of her internal organs. This hole develops over many days of obstructed labor, when the pressure of the baby's head against the mother's pelvis cuts off blood supply to delicate tissues in the region. The dead tissue falls away and the woman is left with a hole between her vagina and her bladder (called a vesicovaginal fistula or VVF) and sometimes between her vagina and rectum (rectovaginal fistula, RVF). This hole results in permanent incontinence of urine and/or feces. A majority of women who develop fistulas are abandoned by their husbands and ostracized by their communities because of their inability to have children and their foul smell.

E tem solução:

An obstetric fistula can be closed with intravaginal surgery. If her surgery is performed by a skilled surgeon, a fistula patient has a good chance of returning to a normal life with full control of her bodily functions. The Fistula Hospital has a 93% success/cure rate. At the Hamlin Fistula Hospitals, it costs US$450 to provide one woman with a fistula repair operation, high-quality postoperative care, a new dress, and bus fare home.

E não tem relação com FGM, ou seja, muito provavelmente elas correm dois riscos, esse e o outro:

While harmful traditional practices such as female genital mutilation (FGM) are rightly of concern to the international medical community, they are not major contributors to the development of an obstetric fistula. Some patients at the Hamlin Fistula Hospitals have been victims of FGM, but their fistulas are almost always caused by an obstructed labor resulting from a too-small pelvis or a malpresentation of the baby. FGM does not "cause" a fistula.

Clarissa disse...

Pois é, André, e não é terrível que seres humanos ainda hoje sejam submetidos a tamanho sofrimento?!
Beijos

Bocage... apesar das minhas dúvidas no comentário anterior, a verdade é que não me contive e acabei por ter que comentar no Expressionista, não o post, mas um comentário...
Beijocas

André disse...

É, só de imaginar essas coisas eu me sinto mal, Clarissa. Já vi documentários sobre o assunto. Mas essa da fístula é novidade pra mim.

Catellius disse...

Clarissa, vou colar aqui o que escrevi no Expressionista após seu comentário:

Concordo com a Clarissa que devemos ter um zelo especial com a cultura indígena. Mas sua cultura já possui documentação mais vasta do que centenas de outras já extintas, a maior parte delas mais admiráveis, das quais pouco ou quase nada sabemos; temos desde filmagens, gravações, fotografias, transcrições de lendas, artefatos em museus, regras gramaticais de tupi, etc. O “branco” deve ter feito mais pela preservação da cultura indígena do que todos os índios da história.

E se o “branco” sofreu influência indígena em praticamente todos os campos - até na religião, folclore e superstições - porque temos que mantê-los em zoológicos longe de nossa nefanda influência? Sofremos influência indígena na nossa alimentação - mandioca, tapioca, pratos a partir do milho (canjica, pamonha, curau); o uso do palmito, castanha do Pará, pimentas, guaraná, amendoim, sucos de frutas nativas, moqueca (com mandioca), etc. Nos instrumentos musicais - maracás, chocalhos, pau de chuva, etc. Na religião, no artesanato e nas artes plásticas em geral - padrões marajoaras, utensílios e objetos domésticos de cerâmica, trançados diversos, a BENDITA REDE para a sesta, pentes de osso e de chifre; plumária (no carnaval), braçadeiras , tornozeleiras, colares, tangas, enfeites com sementes, processos de tinturaria com corantes vegetais; o uso da borracha para diversos fins, etc. No folclore e nas lendas populares - caipora, anhangá, saci, cobra grande, iara, boitatá, curupira, etc. E o uso de canoas, as danças que tanto influenciaram os amazonenses, paraenses, maranhenses e todo o norte e nordeste do país - cururu, cateretê, nas festas do boi-bumbá, etc. Na literatura, no indianismo de José de Alencar e Gonçalves Dias, etc.

Sem falar nos índios do sul do país, no chimarrão, pala, boleadeira, e sem falar no nosso português, com incontáveis verbetes originários do tupi e inexistentes em Portugal. Bom juntando tudo isso à documentação feita pelo “branco”, poderemos ressuscitar sua cultura daqui a 1000 anos, se quisermos.

Não sou contra que tenham suas reservas, como eu disse, mas têm que se submeter à nossa constituição, devem ser ENJAULADOS se assassinarem, contrabandearem, etc. Quando alguns índios forem presos os outros logo abolirão seus bárbaros costumes.
De resto, não há dúvidas que o avanço de uma civilização pode ser medido pelo grau de domínio da natureza. Se extraímos notebooks do solo, a partir do ouro, silício, petróleo e etc., e eles nem escrita têm, não há dúvidas de que nossa civilização é muito mais avançada. Eles, como homo sapiens, têm o direito de estar a par dos avanços conquistados pelos seus companheiros de espécie. Não temos o direito de tratá-los como bichinhos de zoológico. Mais uma vez, sou contra tirar os índios da selva a força, principalmente os que vivem isolados.

Clarissa, sei que se você vivesse no Brasil pensaria um pouco diferente. Mas também sei que todas suas opiniões advêm de reflexão e de muita humanidade.

Quanto ao papel de Portugal, vou transcrever o que escrevi há um tempo em meu blog:

“Acusar Portugal de ter roubado nosso ouro é um grande de um absurdo. “Nosso”? Mesmo que fôssemos descendentes de índios Tupis, não teria feito muita diferença se tivessem levado para Portugal seixo rolado ao invés de ouro.
Como nós brasileiros somos muito mais fruto da civilização européia do que da civilização neolítica que havia por aqui, reclamarmos dos europeus soa tão absurdo quanto um sujeito encontrar em uma ilha deserta uma carteira cheia de dinheiro, tomá-lo para si, dá-la a um filho e este reclamar, anos depois, que seu pai roubou o dinheiro de sua carteira. Nós somos os filhos dos europeus que tiraram algo que para eles tinha valor de um lugar praticamente desabitado cuja população não possuía sequer escrita - estando, por isso, condenada a ter de “reinventar a roda” a cada geração -, e hoje reclamamos da motivação de nossos antepassados em vir para cá. “Mas a colonização inglesa foi diferente”, dizem. Exilar puritanos e outros indesejáveis da Inglaterra era, por acaso, um plano de ocupação que visava criar a maior potência do século XX? Era essa a intenção dos degredados?”

Abração!

Clarissa disse...

Meu amigo, respondi por lá, embora um pouco apressadamente. Amanhã, com tempo passo por cá.
Beijo enorme

Clarissa disse...

André, tomei conhecimento desta terrivel situação das fístulas por um documentário sobre Catherine Hamlin que me inpressionou muito. Tempos depois escrevi uma série de Instantes sobre mulheres que admiro, quando puderes vai ver este:
http://instantesclarissa2006.blogspot.com/2006/07/instantes-lx.html

Beijos

Clarissa disse...

Amigos Bocage e Catellius

Eu não sei a credibilidade que merece esse senhor Janer Cristaldo, mas para ser citado pelo Bocage imagino que tenha alguma. É verdade que o senhor não me conhece de lado nenhum, mas deu para notar que detesta ser contrariado nas suas opiniões,já que a forma de reacção é mesmo um pouco infantil.
A forma como ele aborda o problema, em que praticamente pede o extermínio da cultura Índia, chocou-me, e foi contra isso que me manifestei,bem diferente da tua afirmação Catellius, de que não podem ser impunes aos crimes cometidos. Esta história do relativismo cultural/Direitos Humanos está longe de ser pacífica porque é comodançar no fio da navalha sem se cortar.
Beijos meus amigos

André disse...

“Acusar Portugal de ter roubado nosso ouro...” Conheço gente que acha que a Inglaterra, via Portugal, roubou nosso ouro. E que ele está todo guardadinho em algum cofre em Londres. Acho q é “chique” dizer essas coisas em alguns meios subintelectuais.

Ok, Clarissa, vou olhar esse link.

Bom, se há tribos que querem, preferem ou tem q ficar isoladas, tudo bem. Só acho q toda vez q o Estado tomar conhecimento de certas práticas cruéis (para nossos padrões), deve intervir. Se isso vai dar em “aculturação” mais tarde, paciência.

Clarissa disse...

Como o Mouro não tem um Blog onde eu possa deixar recado (parece que já começa a ser hábito, pois faço o mesmo com o Bocage :),
Mouro:
É um prazer discutir contigo, tem sido verdadeiramente esclarecedor.
Um beijo

C. Mouro disse...

Doce Clarissa,
fico até encabulado com a tua doçura, e me cubro de vergonha por meus excessos.
Posso dizer que me surprendes com personalidade tão surprendente(!?)e doce.

Muitos outros para você.
C. Mouro

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