01 agosto 2007

Epitáfio ao Kokotako

Há quarenta anos meu pai foi transferido de Caxias do Sul para Videira, em Santa Catarina. Tinha vinte e um anos e recém ingressara no Banco do Brasil. Deixou para trás a noiva (minha mãe), irmãos, parentes, bons amigos, aulas de violino e um animal de estimação: o velho Kokotako, um destemido gato vira-lata libertário, ateu (todos são, não?), namorador, indolente, sempre com falhas na pelagem, mercê das assíduas pelejas com os cachorros e gatos da vizinhança. Às vezes desaparecia por semanas, e quando todos o davam como morto, supondo que perdera a terceira dimensão sob algum pneu de carro ou que caíra do campanário aonde ia para mastigar filhotes de pombo, lá estava ele sobre o muro de pedra, em frente à cozinha, a lamber-se ao sol - talvez com uma vida a menos -, exibindo-se orgulhoso para as crianças, que corriam até ele para cobri-lo de mimos.

Cheio de obrigações, tenso por causa da "diferença" no caixa ao fim do expediente, longe de todos os que lhe eram caros, sob o cortante frio de mezz'anno, saudoso das longas tardes sob os parreirais a ler os clássicos com o irmão mais velho, meu jovem pai recebe uma carta do irmão narrando, entre outras coisas, o triste fim do bichano, finalmente vencido pelo gadanho da morte. Tão logo leu a missiva, pegou na caneta tinteiro e redigiu o mórbido porém divertido soneto (quatro quadras, na verdade) abaixo, bem ao estilo mal-do-século de Álvares de Azevedo porém ritmado como um Gonçalves Dias.

Encontrei em um armário na casa de meus pais, dia desses, uma fotografia do manuscrito tirada pelo meu tio, cujo conteúdo reproduzo aqui.

***

Ao Hades tristonho, de trevas povoado,
Mansão onde as sombras passeiam silentes -
As sombras fantásticas dos que já deixaram
A terra habitada por pobres viventes,

Ao morto país onde os ventos irados,
Torcem das árvores os galhos despidos,
Sem que da negra floresta agitada
Se escute o eco sequer de um gemido,

Às terras medonhas estéreis e tristes
Que há séculos cobre a sombra da morte,
Onde o imenso oceano estagnado descansa
Entre rochedos frios, de tétrico porte,

Partiste, herói de mil lutas gloriosas,
D. Juan das amantes que achaste por cá!
Agora teus filhos, teus netos e esposas
Soluçam e dizem: "Jamais voltará!"


***
Discute-se, na caixa de comentários, morte, vida eterna, morte eterna, gatos e o de sempre: Política e Religião.
.

83 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Catellius, uma est´rioa de gatos(será que teu avatar é oriundo daí CAT-ellius, o Deus Sol-Gato da mitologia surinâmica?), bom, não importa, achei a história IRADA. O escrito que encontrou é uma ode ao guerreiro. Muito bom.

PS: Entenda-se que estou me referindo aos felinos.

Bocage disse...

Que surpresa agradável este post, amigo Catellius!
E com ritmo! E rimas ricas, ao contrário daquela lástima que colaste por aqui, do Aiatolavo.

Por falar no Carvalho, colo um soneto cujo tema também se relaciona à morte:


III. ADEUS, OU: SONETO DO DEFUNTO BRASILEIRO - Olavo de Carvalho

— Tendo a terra por único ornamento,
que mau defunto é aquele que, sem nome,
baixa ao fundo mais vil do esquecimento?
Morreu de bala, de velhice ou fome?

— O sino que de longe estais ouvindo
redobra só por quem ninguém conhece,
porque não era ninguém, morreu dormindo
e era o tipo que em vida já se esquece.

— Deixou viúva, filhos, testamento?
— Não tinha a quem deixar, e não deixou.
— Pois há de emudecer sob o cimento

sem sequer um adeus de quem ficou?
— Já lhe foi dito adeus quando nasceu
e não adianta falar com quem morreu.

//////

Uma lástima, para variar!
Para tirar o gosto de excremento, colo uma poesia de Bocage - o autêntico – em que também aparece a encapuzada...

Sonho

De suspirar em vão já fatigado,
Dando trégua a meus males eu dormia;
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado:

Curva fouce no punho descarnado
Sustentava a cruel, e me dizia:
"Eu venho terminar tua agonia;
Morre, não penes mais, ó desgraçado!"

Quis ferir-me, e de Amor foi atalhada,
Que armado de cruentos passadores
Aparece, e lhe diz com voz irada:

“Emprega noutro objecto teus rigores;
Que esta vida infeliz está guardada
Para vítima só de meus furores.”

Bocage

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Catellius:

... verdadeiramente digno duma antologia camoniana.
De beleza literária marcante.
Sem dúvida, muito interessante.

Um abraço,

Eduardo Silva disse...

É explicíta a crença numa vida futura, post mortem. Aqui quero tecer algumas considerações superficiais para fomentar o debate sobre essa crença.
Seria tão mais simples acreditar que morreremos e seremos degradados pelas bactérias quimiossitentizantes que estão abaixo da terra. Para quê complicar as coisas? Esse humano, demasiadamente humano!!!
Talvez o ser humano sinta que o tempo que vive aqui não seja suficiente para fazer o quel lhe é de desejo, não importando o tempo. Às vezes penso que a aspiração de uma vida futura se equipara à vontade de poder de Nietzsche e Shopenhauer.

Desejamos viver post mortem(é até paradoxo) então logo deve existir instrumentos que possibilitem tal desiderato, seja Deus ou o karma. Assim, esses são apenas meros instrumentos para dar racionalidade(o que Weber chama de teodicéia) ás mais inauditas metafísicas.

Como imaginamos a vida do além? Queremos algo melhor do que aqui, uma espécie de perspectivismo, partindo do pressuposto que aqui é ruim, lá deve ser bom, sempre com essa dicotomia, por isso se explica a eternidade da vida post mortem, se aqui somos mortais( o que é ruim) lá deveremos ser imortais.

O fato é que deve ser um saco ser eterno, viver todas as experiências, vislumbrar tudo apenas não o nosso próprio ocaso. Já dizia Demócrito, o filósofo da representação do mundo, que "os Deuses nos invejam por nossa mortalidade".

F. Velasco disse...

Gostei do teu comentário, Eduardo Silva. Ao invés de contrapor esta vida ao além, deveríamos simplesmente contrapor a morte à vida. Se a primeira é ruim, a segunda, em contrapartida, é tudo o que temos. Vivamo-la plenamente. Deixemos a vida após a morte para os que por aqui não vivem - mortificam-se por uma quimera.

Eduardo Silva disse...

Nietzsche passa por duas fazes até 1978, a fase vagneriana-shopenhauriana, e depois a fase socrática-spiriana, a fase racionalista.
Na primeira diz Nietzsche ser o mundo da racionalidade criado por sócrates a morte da arte e do mito. Segundo ele o mito era necessário para a essência do ser humano tal qual a arte seria, principalmente a wagneriana. Aqui ele é muito influenciado por Hartman, Eduard Hartman, um artista muito importa da Alemanha daquela época. Enfim, acredito eu que o mito preserva nossa alma cria uma forma de parede que nos protege da verdade que às vezes pode desiludir ou decepcionar. Por isso pergunto para quê a verdade?

Logo depois Nietzsche vai para outro ramo, quando se desvencilha de Wagner de Shopenhauer, indo para Spir, um pseudônimo de um filósofo que todos bebiam na fonte, mas não falavam por um preconceito da academia.

O+cioso disse...

Gato ateu?
Catéquitus está piradão mesmo. E que post chinfrim este...
Acabou o assunto, anticristo?

Pedro Amaral Couto disse...

o+cioso,
conheces algum gato que não seja ateu? Conheces algum gato que acredite na existência de Deus?

Catellius,
sei o que é perder o nosso gato de estimação. Uma gata teve um tumor no abdómen e foi preciso ser abatida. Foi uma choradeira em casa. Já morreram colegas de meu pai, o meu avô e uma vizinha que cuidou de mim e de meus irmãos quando a minha mãe estava grávida, mas foi com a gata que na minha família houve choro. Uma semana depois fiz as minhas primeiras aguarelas em sua homenagem: http://www.deviantart.com/deviation/58678533/ .
Agora temos esta gatinha: http://www.deviantart.com/deviation/58680488/ . No Outono vai ter um amiguinho.

Abraços.

o+cioso disse...

kkkk
Os bebês também não são ateus, como vcs gostariam.
Tampouco os gatinhos.
Ateu é aquele que NEGA a existência de Deus, não aquele que não tem um deus. As pedras são atéias, por acaso?
kkkk
Vcs são patéticos!

a_maggiore@hotmail.com disse...

Trechos de um poema de Fernando Pessoa:

(...)

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

(...)
(...)

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espirito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."

(...)
(...)
(...)
(...)
(...)
(...)
(...)
(...)
(...)
(...)
(...)
(...)

André disse...

Bom, seu pai deve ser um cara muito legal.

André disse...

“Talvez esse mundo seja o Inferno de outra dimensão.” Freud

Anonymous disse...

Pois eh, Andre, e este eh um inferno q dura no maximo uns cem anos. E ate da pra ser feliz nele. Estah bom demais... Viva o Inferno!

André disse...

Anonymous:

também acho, esse Inferninho aqui dura até pouco. Talvez o além-túmulo seja bem mais divertido e dinâmico (e, se dura muito como dizem, a tal da "eternidade", é bom mesmo q seja bem melhor do q isso daqui...)

“Ateu é aquele que NEGA a existência de Deus, não aquele que não tem um deus.”

Até q o ocioso tem razão nesse detalhe. E quem não tem um deus, mas não se preocupa em negá-lo, recebe q denominação? Porque eu mesmo sou assim, não acredito, mas não me preocupo muito em negá-lo ou atacá-lo. Só quando algum religioso começa a me encher, um evangélico ou testemunha de Jeová (Javé, o ciumento e sedento de sangue!) no meio da rua. Enfim, se ouço alguma besteira dita como imposição, aí eu respondo à altura.

Clarissa disse...

Caro Catellius
Obrigada pela lembrança de passares lá pelos Instantes, aquele texto escreveu-se na minha cabeça enquanto viajava de comboio; a verdade é que acho que só se deve escrever quando há algo para dizer, e eu tenho seguido esse princípio, embora, desta forma, tenha perdido a maior dos meus visitantes.
Quanto ao teu post, foi uma grata surpresa, já que confesso que, sendo leitora assídua deste canto de escrita, nem sempre comento por serem textos demasiado políticos, e o meu conhecimento da política do Brasil é muito limitado. O tom de carinho e respeito com que falas do Kokotaco é tocante e combina lindamente com o tom com que o teu pai escreveu. Diz muito de ti este post, gostei deste canto aos heróis, seja o teu pai ou o Kokotaco.

Bocage
Espero que um dia destes te decidas a ter um Blog para eu não ter de andar sempre a abusar da boa vontade destes amigos, usando a sua casa para «falar» contigo ;)
Confesso que sou fã dos teus comentários bem dignos da tua «Persona» :)
Deixo-te aqui um dos meus preferidos de Bocage, e eles são tantos...

«Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
que engrole sob-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."

Quanto ao Olavo... ainda não consegui perceber como é que essa personagem não sai à rua só no Carnaval.

Beijos Catellius, Bocage e Simone.

a_maggiore@hotmail.com disse...

"Quanto ao Olavo... ainda não consegui perceber como é que essa personagem não sai à rua só no Carnaval."

ha ha ha ha he he he hi hi hi ho ho ho hu hu hu kkkkkkkkk hehehehe ha ha ha ha he he he hi hi hi ho ho ho hu hu hu kkkkkkkkk hehehehe ha ha ha ha he he he hi hi hi ho ho ho hu hu hu kkkkkkkkk hehehehe

a_maggiore@hotmail.com disse...

O+cioso, leio o seu nick como "ocioso", vadio, e "o cioso", o invejoso. Vc parece ser exatamente isso: um invejoso inativo. Parabéns pela escolha.

“Ateu é aquele que NEGA a existência de Deus, não aquele que não tem um deus.”

Bebês e animais são ateus implícitos, que nem sabem o que é deus. Embora não acreditem em Deus, não acreditam na sua inexistência. Simplesmente não conhecem o conceito. Porém não têm Deus, portanto são ateus.
O ateu explícito é o que nega a existência de um ou mais deuses.

Entendeu, velhaco?

Ed disse...

Lembra realmente Gonçalves Dias.

O+cioso disse...

"Porém não têm Deus, portanto são ateus"

Eu não sabia que as paredes de minha casa e o meu computador eram ateus, kkkkk, e ainda por cima ateus implícitos, kkkkkk.

Só se chama de ateu a um gato se pudesse haver gatos deístas, seu ignorante. Então simplesmente não se diz nada a esse respeito para gatos, paredes e computadores.

Não se diz da música "ela não é preta", só porque ela não é amarela, vermelha ou azul. Esse conceito não se aplica a ela a não ser na sinestesia ou na licença poética (aqui reconheço que no post do Catéquitus ele fez uma licença poética).

E velhaco é tu, seu bostão Filho de uma P***** (para não ser moderado, kkkkkk)

Bocage disse...

Doce Clarissa,

Grato pelas afetuosas palavras, que me tocam a alma, apesar de eu não a possuir, rsrs (mas tenho espírito).

Não tenho um blog por carência de tempo e do que escrever. Sinto prazer de comentar por aqui, no Diário Ateísta e extraordinariamente em blogs de crentes divertidos e esforçados como o Onildo. Já parti em denodadas campanhas militares com o Catellius - a última delas n'O Expressionista -, e tenho o hábito de visitar teu inspirador blog, apesar de não ter encontrado nenhum post novo ultimamente.

Beijos d'além mar!

Bocage disse...

O+vadio,

O homem ateu não acredita em deuses e o gato ateu não acredita nos homens.

E o cão, que já foi anjo, crê em Deus, apesar de combatê-lo ferrenhamente e de possuir prosélitos da IURD sempre que possível...

André disse...

"E o cão, que já foi anjo, crê em Deus, apesar de combatê-lo ferrenhamente e de possuir prosélitos da IURD sempre que possível..."

Gostei dessa, Bocage

Catellius disse...

Grande Rayol,

“...será que teu avatar é oriundo daí CAT-ellius, o Deus Sol-Gato da mitologia surinâmica?”


Catellius nasceu quando fui abrir uma conta no hotmail em 1996. Já havia um Catelli – meu sobrenome – e eu acrescentei o sufixo “us” para latinizá-lo e também porque havia um certo Arruntius Catellius Celer, governador romano da província da Lusitânia na época de Vespasiano, e eu achei interessante adotar o nome.
Antigamente era comum latinizar os nomes, principalmente na Áustria, onde isto indicava uma fidelidade à Roma, precisamente à Igreja Católica. O exemplo mais famoso é o de Mozart, registrado como Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart. Crisóstomo por causa do seu nascimento em 27 de janeiro, dia de São João Crisóstomo, e o Theophilus, a forma latinizada de “amigo de Deus”, em grego, passou a ser “Amadeus”, que significa a mesma coisa (teo + filos). O prenome Wolfgangus voltou à forma original, Wolfgang, acho que quando o músico apostatou da fé católica.

--//--

Grande Bocage,

“E com ritmo! E rimas ricas, ao contrário daquela lástima que colaste por aqui, do Aiatolavo.”


Ha ha ha! Colo novamente o final daquele soneto, para quem não o leu. É inacreditável. Verbos de mesma conjugação no infinitivo... Nem no primeiro grau eu era capaz de tanto! O velho embusteiro é realmente um mestre!

“Eu gostaria, sim, de poder extirpar,
junto com o olho, o mundo, mas não sei dizer
se essa sangrenta mágica vai funcionar:

tornar caolho o justo há de retificar
o mal que ele a si mesmo faz ao pretender
trocar o sim por não em vez de o declarar?”

Ótimo o soneto do Bocage. Gosto também de suas traduções de alguns contos de La Fontaine.

“Já parti em denodadas campanhas militares com o Catellius - a última delas n'O Expressionista”

Mais uma vez, obrigado pela ajuda, he he he. Como eu escrevi para o André, os inquisidores, padrecos e cruzados que apareceram no Expressionista eram tão esquálidos e doentes, tão famintos e de olhar tão cansado que me senti mal em continuar a contrariá-los.

“O homem ateu não acredita em deuses e o gato ateu não acredita nos homens.”

Ha ha! E a Santa Inquisição dos animais é a carrocinha, que persegue os indivíduos livres, sem dono e sem raça, não vacinados...

Abração

André disse...

Los Hermanos:

Iran, Cuba, Venezuela: Trade Deals
August 01, 2007 23 19 GMT

Iranian Commerce Minister Masood Mir-Kazemi's signed trade protocols with Cuba and Venezuela during his recent visits to those countries, Iranian Deputy Commerce Minister Mehdi Ghazanfari said Aug. 1. Under the agreements, Iran will levy preferential tariffs on its exports to the other signatories. Ghazanfari added that Iran and Venezuela are studying a proposal for a joint shipping and insurance company, and that Venezuela wants Iran to host an exhibition to showcase products from members of the Bolivarian Alternative for the Americas.

Clarissa disse...

Bocage... Agostinho da Silva dizia que não tinha um gato, o gato é que o tinha a ele... :)
Eu não escrevo quando quero, já que escrever me é muitas vezes doloroso; como a Rosa Lobato de Faria, escrevo quando as as personagens querem ter voz e «miam» a pedir uma folha em branco, como o gato do Agostinho da Silva ;)
Este fim de semana, numa viagem de comboio, um rosto de mulher perseguiu-me e surgiu outro Instante; passa por lá, convido eu, e demora-te num café ou chá conforme te aprouver :)
Beijocas Bocage

P.S. Só em raras excepções me costumo dirigir aos comentadores de um Blog, por respeito para com os «donos da casa», eles é que são os anfitriões... mas desta vez gostaria de deixar no ar aos comentadores deste Blog algo que parecem estar a esquecer: nenhuma reflexão filosófica, religiosa, sociológica, psicológica, etc, vale alguma coisa, se primeiro não formos capazes de fruir o mistério das palavras que saltam de um texto. Neste caso o mistério,ou a magia, é algo tão simples como a relação de um homem e de um gato.
Gosto da poesia de um homem que se «revê»(?) no seu gato.
Um abraço a todos.

Beijinhos Simone e Catellius

André disse...

"nenhuma reflexão filosófica, religiosa, sociológica, psicológica, etc, vale alguma coisa, se primeiro não formos capazes de fruir o mistério das palavras que saltam de um texto"

Sem dúvida. Pouquíssimas pessoas são capazes disso, naturalmente, mas é uma sensação ótima.

"Neste caso o mistério,ou a magia, é algo tão simples como a relação de um homem e de um gato."

Ou entre um homem e um cão.

Jorge Sobesta disse...

Cattelius,

Tá explicado sua veia literária. É genética!

Já tive uma gata também e me lembro bem do desespero quando ela se metia em longas farras e do mêdo de ela nunca mais regressar.

Grande abraço.

O+cioso disse...

Que mistério e magia podem surgir no materialista Catéquitus e em sua mambembe trupe? Será que a arquitetura que o fez acreditar somente no concreto? kkkkk

Simone Weber disse...

Caro amigo Catellius,

Um prazer inesperado foi ler a pequena crônica do rocambolesco felino e a primorosa poesia de teu pai (embora minha mente por demais racional não consiga gerar oceanos estagnados em meio a ventos irados... mas no Hades e na poesia tudo é possível).
Conhecendo-te, suponho que este post seja um hiato entre teus bem humorados ataques à ICAR e as ponderadas críticas do Heitor ao nosso Pequeno Timoneiro, mas nos hiatos às vezes abandonamos nossa armadura, nosso exoesqueleto, e mostramos quem somos de verdade.
Disseste que teu pai pintava. Pelo soneto deduzo ser/ter sido bom paisagista e apreciador de Böcklin, de quem já disseste ser um grande fã.

Beijocas!

Querida Clarissa!!

A chave está sob o tapete, na porta central do armário da cozinha estão as folhas secas de Camelia Sinensis, acho que oolong, na porta à direita o bule e as xícaras e na última gaveta a toalha rendada para forrares a mesa da varanda. Acho que troquei o gás na semana passada. Convida quem desejares, porque a casa é toda tua, querida amiga!

Beijocas também para ti!

Catellius disse...

Viva Mostardinha!

"... verdadeiramente digno duma antologia camoniana."


Transmitirei o elogio ao autor. Abraço!

--//--

Caro Eduardo,

"Seria tão mais simples acreditar que morreremos e seremos degradados pelas bactérias quimiossitentizantes que estão abaixo da terra. Para quê complicar as coisas?"


Será que se as pessoas soubessem que a morte é morte e não nascimento tolerariam a injustiça da maneira que vemos, apostando em uma justiça futura, post mortem, confiando no rigor de um Estado divino governado por um déspota ciumento (que escarra no chão, como escreveu Fernando Pessoa) perscrutador de corações? Será que os lunáticos que se mortificam em prol de vantagens em um mundo imaginário, deixando assim de viver a única vida possível, agiriam de modo tão estúpido?

"Talvez o ser humano sinta que o tempo que vive aqui não seja suficiente para fazer o quel lhe é de desejo, não importando o tempo."

Se fosse apenas isso... Mas muitos não fazem nada nesta vida. Não é de tempo que precisam. A morte lhes angustia porque ela não negocia, não faz concessões, não aceita propinas, é irrevogável. Então criam um mito que "vence a morte" e promete vida eterna a todos os canibais que deglutirem seu corpo e sangue... Uma barbaridade! Melhor viver esta vida plenamente. Se eu não sofria por não existir, antes de nascer, por que sofrer ante a possibilidade de voltar a "não ser", como eu "era" antes do nascimento?

"O fato é que deve ser um saco ser eterno, viver todas as experiências, vislumbrar tudo apenas não o nosso próprio ocaso. Já dizia Demócrito, o filósofo da representação do mundo, que "os Deuses nos invejam por nossa mortalidade".

Realmente! "Não ser" eternamente é muito melhor do que o tédio de escutar as harpas desafinadas daqueles anjos pederastas, de camisolão, como nos hospícios. Saber que nossa existência tem um fim disto torna esta vida algo muito mais especial do que a torpe instância que os crentes acreditam que ela seja. Demócrito foi genial nesta frase.

Abraços (daqui a pouco volto a comentar)

André disse...

Se eu não sofria por não existir, antes de nascer, por que sofrer ante a possibilidade de voltar a "não ser", como eu "era" antes do nascimento?

Essa frase é boa! Acho q esse período curto aqui na Terra é só parte da história, mas não me agradam as versões de vida além-túmulo de nenhuma religião. É tudo muito simplista ou maniqueísta.

Catellius disse...

F. Velasco,

"Se a primeira é ruim (a morte), a segunda, em contrapartida, é tudo o que temos (a vida). Vivamo-la plenamente. Deixemos a vida após a morte para os que por aqui não vivem - mortificam-se por uma quimera."


Gostei do "mortificar"; é a palavra ideal para aqueles que, vivos, morrem e, mortos, tampouco vivem. No entanto, como já dissemos por aqui, a esmagadora maioria dos crentes vive como se não acreditasse em vida após a morte. Como os descrentes, todas as suas atenções estão voltadas para o mundo tangível. A diferença é que a maioria de nós não costuma ser tão materialista quanto a maioria dos crentes, para quem a metafísica é apenas um meio para se atingir metas bem físicas. Na hora de fantasiar, os descrentes preferem no palco um bom ator shakespeariano a um exorcista barato, um bom mágico a um transubstanciador ridículo a prometer a mágica que nunca realizará. Os crentes aplaudem mágicos que prometem remover montanhas com a fé e "desmorrer" após um julgamento fajuto que nunca chega (se deus é brasileiro, imaginemos como é morosa a sua justiça...).

--//--

Grande Pedro Amaral Couto,

"...conheces algum gato que não seja ateu? Conheces algum gato que acredite na existência de Deus?"


Realmente, minha intenção foi apenas brincar. Neste ponto tenho que concordar com o irritante O+cioso. Não há sentido em dizer que um gato é ateu, uma vez que nenhum gato pode ser deísta. Do mesmo modo, bebês recém nascidos não são ateus e nem crentes em divindades, a despeito da água benta e dos grotescos amuletos com dizeres em latim que amarram ao seu berço. Crêem no peito da mãe e olhe lá...

"Já morreram colegas de meu pai, o meu avô e uma vizinha que cuidou de mim e de meus irmãos quando a minha mãe estava grávida, mas foi com a gata que na minha família houve choro."

Tínhamos um gato preto chamado Nero mas tivemos que dá-lo quando nasceu minha filha. E, após 7 anos de convívio desenvolvi um pouco de alergia ao bichano. Tive pena mas acho que foi o melhor para ele, que era um gato medroso, de apartamento, e mudou-se para uma chácara nos arredores de Brasília onde havia galinhas, ratos e outros animais. Um dia liguei para seu novo dono e ele informou-me que, após um mês de pavor sob a cama do quarto de casal, resolveu explorar a vizinhança. Imagino que seus instintos tenham ressuscitado e ele hoje esteja vivendo plenamente seu potencial de gato, ha ha ha.

Excelentes as suas aquarelas. Parabéns. Eu costumava pintar a óleo mas parei depois que virei escravo de meus compromissos financeiros, he he.
Abaixo, reproduções de algumas pinturas minhas, perdidas no Mercant Arts International. Naquela época eu era um "bom católico", he he, e gostava de temas bíblicos. Contudo, desenhava também personagens da mitologia escandinava, e greco-romana, além de paisagens.

- Paisagem próxima ao Pedregal, nos arredores de Brasília.

- Outra paisagem próxima ao Pedregal. A tela foi executada ao ar-livre durante a tarde de 23 de março de 1991. (dá para ver a assinatura e a data).

- Paraíso dos Bem-Aventurados. Vendida a um belga cavaleiro da Ordem de Malta. O clima remete à Petra e seus templos escavados na rocha, na Jordânia; mas a extrema simetria, os ciprestes, a composição em forma de mandala, as piras mortuárias e a cruz reluzente no tímpano eqüilátero demonstram minha paixão pelos simbolistas, em especial, Arnold Böcklin (como bem lembrou a Simone). Curiosidade: Forcei a conclusão da pintura para o dia 20/02/2002 por ser uma "data palíndroma", he he he. Um idiota "easter egg" de adolescente...

- Cristo e a Samaritana. Executei esta tela a partir de esboços feitos três anos antes, em Israel. De volta à correria da faculdade e pintando muito esporadicamente, o quadro levou vários meses para ser concluído. Jesus deveria estar sentado, mas coloquei-o de pé; ele usa um turbante árabe e é mais baixinho que a samaritana, he he.

- Cenas da vida de Maqueronte. Pintei esta em setembro de 1992 sob encomenda do Ministério do Turismo e Antiguidades da Jordânia.

- O jovem Nero. Um desenho do louco efeminado, he he. O azul da pele representa a frieza do psicopata, o manto vermelho os crimes que carregava nas costas, o cenário amarelo o seu lado piromaníaco... Claro que Nero, embora tenha sido um violento assassino, não perseguiu cristãos e nem botou fogo em Roma.

Abraços!

Catellius disse...

O+dioso,

" Será que a arquitetura que o fez acreditar somente no concreto? kkkkk"


Não, ela me fez acreditar também na estrutura metálica, de madeira e na tencionada. Mas não me fez acreditar em "Arquiteto do Universo", he he.

--//--

A. Maggiore,

Essa poesia é um clássico!
Destaco o trecho:

"Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espirito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica."

Ha ha ha! Fernando Pessoa, um republicano crítico da Igreja Católica - que na época dominava Portugal por meio do Cardeal Cerejeiras, o qual formava uma espécie de diarquia com o feroz Salazar, disse: "(Devemos) quebrar com Roma. Deitemos fora esse fardo de trevas e de desalento que há séculos pesa, mais ou menos, sobre as nossas decisões". Um livro interessante dele é "O Descaramento da Igreja Católica", de 1923. Já li uns trechos.

Claro que ele era um metafísico, ligado à logosofia e à maçonaria. Mas está valendo, he he.

--//--

Grande André,

"...seu pai deve ser um cara muito legal."


De fato é muito legal. O Heitor o conhece e pode confirmá-lo.

“Talvez esse mundo seja o Inferno de outra dimensão.” (Freud)

Hum.... Isto me soa tão "Mundus Imaginalis" de Corbin... Tô fora....

"E quem não tem um deus, mas não se preocupa em negá-lo, recebe q denominação?"

Isto é chamado de ateísmo fraco, acho. Pode ser agnosticismo, sei lá....

Catellius disse...

Querida Clarissa!!

"Obrigada pela lembrança de passares lá pelos Instantes, aquele texto escreveu-se na minha cabeça enquanto viajava de comboio;..."


É sempre um prazer receber sua visita e ler os seus textos, inspirados como poucos que lemos web afora (leiam aqui o brilhante texto da Clarissa).
E o interessante é que a imagem com que você ilustra a crônica assemelha-se a um trem (comboio) através de cujas janelas vê-se pedaços de bonecas, arremedos de gente, e uma cabeça que parece fitar a paisagem.

"... e o meu conhecimento da política do Brasil é muito limitado."

Sorte sua! Acho que a política por aí já é suficientemente fétida. Não queira sofrer também pelas nossas desgraças, he he. Finja que por aqui vivem 180 milhões de Pirahãs, tão ignorantes quanto Adão e Eva (não são "bons selvagens" por serem ignorantes, lembro), e muitos deles livres da vigilância e das tretas do déspota barbudo e de sua serpente de estimação.

"Diz muito de ti este post, gostei deste canto aos heróis, seja o teu pai ou o Kokotaco."

Obrigado!
Excelente o poema de Bocage, para variar ("fodeu sem ter dinheiro", ha ha ha ha). Gosto muito do Soneto Napoleônico:

Tendo o terrível Bonaparte à vista,
Novo Aníbal, que esfalfa a voz da Fama,
"Ó capados heróis!" (aos seus exclama
Purpúreo fanfarrão, papal sacrista):

"O progresso estorvai da atroz conquista
Que da filosofia o mal derrama?..."
Disse, e em férvido tom saúda, e chama,
Santos surdos, varões por sacra lista:

Deles em vão rogando um pio arrojo,
Convulso o corpo, as faces amarelas,
Cede triste vitória, que faz nojo!

O rápido francês vai-lhe às canelas;
Dá, fere, mata: ficam-lhe em despojo
Relíquias, bulas, merdas, bagatelas.

Nota da fonte: Este soneto foi escrito na ocasião em que o exército francês, comandado por Bonaparte, invadira os estados eclesiásticos, chegando quase às portas de Roma e ameaçando o solo pontifício.

" Só em raras excepções me costumo dirigir aos comentadores de um Blog, por respeito para com os «donos da casa», eles é que são os anfitriões..."

Aqui é a sua casa, como escreveu a Simone. Se um dia você quiser nos dar a honra de publicar algum texto seu por aqui, sobre qualquer assunto, envie-mo para o meu e-mail. Será um prazer!

Beijos para você, amiga!

Catellius disse...

Finalizando...

Jorge Sobesta,

Obrigado pelo comentário!
Antropomorfizar animais em metáforas e fábulas é normal, mas acho engraçado quando tolos realmente vêem a hiena como malvada, a ovelha como boazinha, o cachorro como fiel e companheiro e o gato como um traiçoeiro vaidoso. Ora, cada um apenas segue sua natureza. Acontece que o cão, por ser um animal social, por estar acostumado a viver em matilhas, vê no homem um membro do bando - normalmente o líder -, o provedor. E o gato é um animal solitário; se o homem fizer questão de ser seu escravo, o problema é dele, he he.

--//--

Querida Simone,

"...embora minha mente por demais racional não consiga gerar oceanos estagnados em meio a ventos irados... mas no Hades e na poesia tudo é possível..."


Por isso o Hades é tão aterrador. Para um oceano estagnado não se agitar sob ventos irados deve ser um lodo grosso e pegajoso, um brodo de lama engrossado pelas carniças dos animais aventureiros punidos pelo barbudo. Se o oceano for habitado por uma serpente gigante, melhor ainda, he he.

"Pequeno Timoneiro,"

Se o Mao foi um "grande timoneiro", o nosso Mau presidente é realmente isso aí...

Beijos

A Língua disse...

A politka do krime do PT. Aqui está a prova que há anos está presente perante nossos olhos e muita gente ainda dizia que havia esgotado todas as tentativas de processar a besta-$atânika e proibir a sua gangue narkotrafikante hipocritamente denominada de partido político.

O doende satâniko é PADRILHO dos NARKOTRAFIKANTES. Vamos entrar com um recurso internacional contra toda essa kuadrilha dos VERDADEIROS ENTREGUISTAS DO BRASIL AO KAOS QUE SÓ O KÚMMUNISMO QUE IMPERA O NARKOTRÁFIKO VEM TENTANDO KONDUZIR AO BRASIL DESDE OS ANOS 30.NÓS SOMOS OS BONS QUE ACORDARAM E ESTAMOS PROTESTANDO, NÃO SOMOS RICOS, PORÉM SOMOS RICOS SIM EM DE DIGNIDADE E VERGONHA NA CARA! VAMOS SIM REMOVER O NARKOTRÁFIKO DO PODER E VAI SER À FORÇA E À INTELIGÊNCIA. E A PROVA É ELES PRÓPRIOS. ELES SÃO A PRÓPRIA ARMADILHA PORQUE ELES NÃO PODEM VIVER SEM POR PARA FORA O QUE SÃO: BANDIDOS.Alta explicação de Olavo de Carvalho. BRASILEIROS, UNÍMO-NOS!!!

BlogTalkRadio do Olavo de Carvalho

A Língua disse...

Vídeo em que Olavo de Carvalho denuncia a ligação KRIMINOSA DO PT com as FARC!

Assista AGORA!

Roberto Eifler disse...

Delicioso post, meu caro Catellius. Eu e minha mulher não temos filhos, mas tivemos um gato por cerca de quinze anos, que foram toda a sua longa vida. Um gato persa, preto, castrado, de apartamento, indolente e soberano como todos os gatos. Foi tão triste perdê-lo que decidimos não ter mais animais. Creio que era ateu também, pois todos os gatos são ateus, ao contrário dos cães. Não que eu não goste de cães, mas sua fidelidade, às vezes, é demasiado... canina.

Surpreendente poesia do seu pai. Que tétrica região dos mortos descreve ele, parece um quadro de Goya, com ventos irados açoitando os galhos despidos das árvores... Se a gente se descuida, pensa que está lendo uma Antologia de Poetas Brasileiros. E o final é mesmo antológico:
Partiste, herói de mil lutas gloriosas,
D. Juan das amantes que achaste por cá!
Agora teus filhos, teus netos e esposas
Soluçam e dizem: “Jamais voltará!”
Isso me lembra a tradução que Machado de Assis fez para “O Corvo” de Allan Poe, com seu eco macabro: “Nunca mais!”.

“Jamais voltará!” “Jamais voltará!” “Jamais voltará!”
Coitados dos filhos, netos e esposas...

Um grande abraço.

André disse...

“Forcei a conclusão da pintura para o dia 20/02/2002 por ser uma "data palíndroma", he he he. Um idiota "easter egg" de adolescente...”

Isso é q é easter egg! E palíndromo!

“Não, ela me fez acreditar também na estrutura metálica, de madeira e na tensionada. Mas não me fez acreditar em "Arquiteto do Universo", he he.”

Se vc acreditasse, seria maçom, he, he

Então sou um ateu fraco mesmo. Mas não fracote.

"...o meu conhecimento da política do Brasil é muito limitado."

Clarissa, vc não está perdendo nada. Alguns aspectos dela são cômicos, mas nem tanto, já q eu tenho q viver nessa hacienda de indolentes, cutucros e cabeças de toicinho, submetido a um sistema jurídico arcaico e tributário extorsivo (mas nem falemos nisso...). Há muito mais tragédia do q comédia no final das contas.

Muita gente não gosta do gato por este ser um animal caçador, independente, “frio”. Realmente, muitos gatos são assim. E mesmo o mais sociável nunca será como um cão, eles são bem diferentes. Mas gosto dos dois.

Eifler, toda vez q um bicho de estimação morre é muito ruim, mas se fosse comigo eu acabaria comprando outro, cedo ou tarde.

Funes, o memorioso disse...

Ao fim do dia, estourado, cá venho responder ao seu convite. Às influências que aponta ao poema, eu acrescentaria a de Edgar Poe.
Mas todo o poema merece melhor estudo,.E o blogue mais detida visita. A primeira impressão foi exclente. Parabéns.
Prometo voltar muito em breve. Mais descansado. Esta noite dormi só três horas.

ROÇA COISA É OUTRA LIMPA disse...

Não entendo de poesias não, mas nota-se que esta foi escrita por que é do ramo.Poesia que eu entendo bem é esta:


Batatinha quando nasce
espalha ramas pelo cão
Nenezinho quando dorme
Dá sossego de montão.

he he !

gato eu não posso terv em casa, a cachorrada não aprendeu gostar do bichano!Mas um gato preto, à noite...é bem diferente de um gato branco durante o dia. he he he !

Anonymous disse...

achei seu blog por acaso...
Argh...
Não consegui me abster...
uma merda!
Espero que suas idéias também virem uma mercadoria e saiam de moda, rápido...

Simone Weber disse...

Catellius, obrigada mas "Pequeno Timoneiro" não foi idéia minha.
Especulares sobre a densidade do oceano estagnado prova que és mais racional que eu... :-)
Beijoca!

a_maggiore@hotmail.com disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Catellius disse...

Desculpe-me, a_maggiore@hotmail.com, mas tive que apagar seu comentário. Porém, colo os (merecidos) palavrões apenas com suas iniciais.

a_maggiore@hotmail.com disse...

Tudo bem, o+dioso, reconheço meu erro. Gatos não são ateus, hehe.

Mas V. T. N. S. C., SEU F. D. U. P.!!!

Eduardo Silva disse...

Obrigado Catellius pelos seus comentários aos meus posts, tenho reiterado convicções construídas que se coadunam com uma realidade e racionalidade mais plausíveis.

"Partiste, herói de mil lutas gloriosas" Essa frase, eminentemente, mostra a crença numa outra vida futura.

Aqui demonstro ser impossível uma vida post mortem.
Advertência para os falsos exegetas:tal afirmação apenas se mostra crível sob o prisma ontológico-signifivativo das palavras.
Partido da premissa de criamos consensos sobre as palavras, podemos delinear sistematicamente o sucumbir de uma vida post mortem.
É certo que criamos concepções certas e determinadas sobre as palavras, da seguinte forma, todas as palavras que escrevi até esse ponto do post foram entedidas pelos leitores porque temos um consenso sobre todas as palavras escritas. Da mesma forma se eu escrevesse "amor" ou "cadeira" não precisaria colocar entre parêntesis o seu significado pois todos compartilham do consenso. Em nada seria diferente se eu escrevesse "vida" aqui ou em qualquer lugar do mundo todos, saberiam o que é.
Pois bem, a nossa essência aqui na terra, com uma existência tangível epistemologicamente, se mostra totalmente diferente da essência que assumiremos na vida post mortem, lá seremos imortais, aqui somos mortais, lá seremos intangíveis, aqui materiais, enfim, a essência da vida na terra não é a mesma essência da vida post mortem, isso é óbvio, mas é necessário para fundamentar o argumento.
Aqui chegamos na síntese do silogismo. Se temos um consenso sobre "vida" aqui nessa vida terrena, e teremos outra essência na vida post mortem, logo nosso consenso de "vida" não será o mesmo. "Vida" em uma essência poderá ser qualquer outra coisa, apenas não poderá significar "vida" em outra essência. "Vida" poderá ser "amor", poderá ser "cadeira".
É impossível vida post mortem.

Clarissa disse...

Eduardo Silva...
«Em nada seria diferente se eu escrevesse "vida" aqui ou em qualquer lugar do mundo todos, saberiam o que é.» - completamente falso, cada vez mais se discute o que é a vida, quando é que ela começa e quando acaba,caso contrário temas como o aborto, a eutanásia, a congelação ou destruição de embriões, etc, não seriam tão polémicos nem levantariam tantas questões éticas, ainda longe de terem uma resposta clara.
Não pretendendo aqui discutir senão a apresentação formal do seu argumento,a morte encerra o último dos limites, razão pela qual quando alguém aplica o termo «vida» para designar algo que suceda à morte, está a usar uma palavra comum para designar algo desconhecido. Raciocínio por analogia -quando não se conhecia o funcionamento do coração afirmou-se que «o coração é como uma bomba», hoje sabemos que o coração é de facto uma bomba. Tenho que usar conceitos que me são conhecidos para me catapultar para o desconhecido e imaginar o que ele esconde.
Esse seu «silogismo» que «prova» ser impossível a vida post mortem resolve séculos de Filosofia... não lhe suscita um certo desconforto toda esta facilidade?
Cumprimentos.

Pedro Amaral Couto disse...

«Realmente, minha intenção foi apenas brincar. Neste ponto tenho que concordar com o irritante O+cioso. Não há sentido em dizer que um gato é ateu, uma vez que nenhum gato pode ser deísta.»
Interpretei "ateu" no sentido mais lato, como sendo indiferente (englobando a ignorância das crenças) à existência de qualquer divindade. Por isso coloquei a pergunta a seguir: "Conheces algum gato que acredite na existência de Deus?".
O+cioso deve ter entendido "ateu" como aquele que conhece a crença na existência de um deus (especialmente se for teísta) e que não a toma como verdadeira. Só queria dizer que os gatos, e os seres humanod antes de serem ensinados sobre as "verdades", ignoram que hajam essas crenças, por isso não acreditam que Deus exista (não estou a dizer que acreditam que Deus não exista, pois ignoram a crença).

Mas isso não significa que estive certo com o comentário. Interpretei mal o uso do termo "ateu" no post.

«Um dia liguei para seu novo dono e ele informou-me que, após um mês de pavor sob a cama do quarto de casal, resolveu explorar a vizinhança.»
A gata fazia o oposto. Tinha medo de sair. Numa noite caiu da janela (4º andar!) e só a descobrimos ao fim da tarde, debaixo de uma mota protegida com uma capa, ao lado da porta de entrada.

«Excelentes as suas aquarelas. Parabéns. Eu costumava pintar a óleo mas parei depois que virei escravo de meus compromissos financeiros, he he.»
A minha opção pelas aguarelas também tem a ver com compromissos financeiros. Sou apenas um amador e ainda um mero principiante.
Não sabia que pintavas. E para pedirem-te encomendas, deves ser um profissional, e pelos vistos muito bom. Vou guardar as imagens para estudo, como costumo fazer com os desenhos que acho excelentes e interessantes.

O "Paraíso dos Bem-Aventurados" foi inspirado na Petra da Jordânia?

Abraços.

André disse...

“Aqui demonstro ser impossível uma vida post mortem.” Waaal, quanta pretensão... Acho q um religioso talvez lhe dissesse q a vida após a morte acredita em vc, então não adianta nada não acreditar nela.

Talvez isso aqui que a gente chama de vida seja a morte e a vida começa quando morremos. Não sei nada de epistemologia — sou um adepto da acheologia, eu só acho, modestamente.

Ninguém sabe nem quando a vida começa exatamente, nem pra onde é q a gente vai depois q ela cessa. Se voltamos pra alguma sopinha primordial de DNA, se caímos nos “planos” espirituais do chatíssimo Allan Kardec ou em algum Paraíso brega à la R.R. Soares ou Edir Macedo (tipo um shopping cheio de pastores engravatados), se a Igreja sei lá de quê está certa ou se vamos terminar virando almoço de algum invertebrado, não sei e, francamente, não penso muito nisso. Claro q espero haver uma continuidade para essa existência, de preferência menos tosca, menos banal, alguma coisa com mais possibilidades (não faço questão de voar, mas me desmaterializar/rematerializar seria legal, he, he). Nem tenho nada contra quem acha q a morte é mesmo o fim, ponto. Racionalmente, é o q faz mais sentido, e se tem gente q não se incomoda com isso, antes muito pelo contrário, ok. Só acho q a morte, assim como o sol, não devem ser encarados por muito tempo. Vai acontecer cedo ou tarde, não vai? Então vamos lá, correr pro abraço, mas sempre torcendo pelo melhor.

Bom final de semana pra todo mundo!

Eduardo Silva disse...

"tal afirmação apenas se mostra crível sob o prisma ontológico-signifivativo das palavras."

Se você não tivesse entendido o que é "vida" não teria respondido o post, não gostaria que tomassem a palavra "vida"(scricto sensu). O que ocorre quando vislumbramos tudo sob essa ótica é divergência (geralmente), se você me disser o que é "amor" é muito provável que eu te diga que isso não é amor (num prisma subjetivo e sricto sensu) agora se eu responder o que é "amor" é porque num lato sensu eu entendi o que você quis dizer.
Deixando mais claro: eu não quis resolver problemas de filosofia, apenas quis espelular filosoficamente numa sistemática capaz de fornecer bases de explicabilidade plausíveis.
Resumindo meu argumento: o homem não conhece outro significado para "vida" em outra essência senão a sua. Essência é, obviamente, o conjunto de aspectos essênciais que fazem do homem um homem e não um macaco, se o homem transcender não será mais homem , pois mudará sua essência(talvez será um anjo ou o próprio Deus), terá outra existência e nessa existência a denominação para a perenidade dos seus conjutos existenciais, ou seja, sua própria existência, não será mais "vida", e sim outra coisa cognominada.
É simples: não disse que é impossível transcender, apenas disse que a cognominação dos impulsos existênciais não será mais "vida", assim é impossível vida após a morte.
Talvez eu seja como o André, despreocupado com a origem, o destino de todos nós, gosto de filofia, escrevo bastante sobre temas filóficos, sobretudo moral e direito. Mas hoje em dia ganhar dinheiro toma muito mais o meu tempo.
Valeu pessoal.

Eduardo Silva disse...

Obrigado Catellius pelos seus comentários no meu blog.
Abraço

Heitor Abranches disse...

As vezes so a poesia para traduzir alguns sentimentos...

Um Parente disse...

"Deixou para trás a noiva (minha mãe), pais, irmãos, parentes, bons amigos, aulas de violino e um animal de estimação:"

Correção: Seus pais já tinham morrido e ele não fazia aulas de violino.

Bocage disse...

Há no site Sociedade da Terra Redonda um debate entre Marcos Arduin, espírita e professor de Botânica, e o cético Ronaldo Cordeiro, editor do Skeptic's Dictionary em português, cujo tema é "Vida Após a Morte". Não é preciso dizer que o segundo ganha de lavada, rsrs.

Um fragmento:

"A tradição dos embalsamamentos egípcios nos lembra de que nem sempre foi banal o conhecimento de que é o cérebro, e não o coração, o órgão responsável pelo raciocínio, pelos sentimentos, pela memória, pela consciência. Nos dias de hoje, quando são comuns os transplantes de coração e quando pessoas sobrevivem com corações arficiais, só o que resta da associação desse órgão com os sentimentos ou com a bravura são as alegorias literárias dos poetas e as marcas que ficaram na linguagem, na raiz de palavras como coragem (do latim cor: coração) e em expressões como saber de cor. Hoje sabemos que o cérebro é a sede do nosso raciocínio, da consciência, do eu ou self, ou denominações semelhantes. Quando este órgão sofre uma lesão, memórias ou capacidades podem ser afetadas, e a personalidade da pessoa pode mudar. O mesmo pode ocorrer como resultado de doenças ou sob o efeito de drogas, muitas vezes irreversivelmente. Steven Pinker, no célebre debate com Richard Dawkins com o título de Is Science Killing the Soul? (Estará a Ciência Matando a Alma?)1 apresenta vários exemplos dessa associação cérebro-mente. A compreensão de que o eu é inseparavelmente dependente do cérebro parece bastante óbvia, assim como a dedução de que, se a personalidade sofre quando partes do cérebro são lesadas, não há por que se pensar que a única forma de lesão que não causaria danos à personalidade seria a morte do cérebro inteiro!"

Aqui, o debate na íntegra.

a_maggiore@hotmail.com disse...

não sabemos como exatamente funcionam a cognição, os sentimentos, a inteligência e a memória, mas sabemos quais partes do cérebro são ativadas em determinadas situações, sabemos que é algo físico-químico, cerebral mesmo.
mistério para mim é: como temos consciência? como temos livre-arbítrio?
mas não tenho dúvidas de que NÃO EXISTE ALMA e de que SOMOS MORTAIS MESMO. viemos do pó e para o pó voltaremos. e nossa consciência também morrerá.

André disse...

Não vejo mistério no livre-arbítrio, quer dizer, entendo isso como um certo grau de liberdade de ação q todo mundo tem (até esbarrar na polícia, nas "restrições impostas pela sociedade" he, he). Mas não tenho nenhuma visão do livre-arbítrio como algo misterioso.

Já a consciência sim, essa tem algum mistério.

É isso aí, Eduardo Silva, eu também tenho q deixar de lado muitas coisas q me interessam e q eu gostaria de estar fazendo agora... pois preciso arrumar um bom emprego e, claro, preciso correr atrás do dinheiro. Isso toma quase todo meu tempo.

Heitor Abranches disse...

Acho que existe mais no livre arbitrio e na consciencia. Acho que os sere humanos tem a possibilidade de serem mais do que meros automatos controlados por um encadeamento de associacoes entre pensamentos, emocoes e tensoes fisicas. Acho que o caminho para este algo mais passa pelo desenvolvimento de uma vontade, de uma consciencia de si e uma individualidade caracterizada pela capacidade de fazer e nao apenas de reagir as impressoes do meio-ambiente. Quanto ao ego, creio que ele morrera mesmo na medida em que e apenas uma interface com o ambiente em que vivemos.

Bocage disse...

Catellius, olha o que acabei de ler no blog do Omnildo, rsrs:
.
"Voltei com o link do Pugnacitas. Antes eu havia retirado o link pois o blog estava sendo aparelhado por ateístas militantes. Nada contra ateus, tudo contra ateístas militantes. Principalmente os que não admitem que são. É mais ou menos como petralhas. Nada contra petistas, tudo contra petralhas. Conseguem ver a diferença? Se não conseguem, sorry, tô sem tempo para explicar.
Voltei com o link pois de vez em quando cruzo com o Catellius em outros blogs. Aí, vou lá dar uma espiadinha no Pugnacitas. Pensei então: É melhor colocar o link no blogildo que fica mais fácil de acessar. Além disso, o Catellius voltou a freqüentar o Blogildo com o avatar "Bocage". Se não é o Catellius é alguém muito parecido: Retórica parecida, mesmo ódio anti-cristão, bom nível cultural... Posso até estar enganado... De qualquer modo, o link esta aí novamente."

.
Em meu comentário precedente no Omnildo colei um artigo de Ricardo Alves. Se o farfalhudo palavreado é análogo, suponho que o membro do Diário Ateísta também seja tu, Catellius. E somos o Mouro, a Simone, o Heitor – o "avatar" criado para censurar o PT – e o André. O Omnildo bem que poderia ser o Holy Father - se soubesse escrever. Mas vemos que até os crentes daqui são melhores do que os de outros blogs. Teu primo e o Holy Father quase me converteram, rsrs.

Após a sova que levou no Pugnacitas, no Rodrigo Constantino, no próprio blog (tem discutido Nietzsche com a maestria de um menininho de jardim de infância), n’O Expressionista e não sei mais onde, teima em repetir os mesmos disparates já refutados, o que é indício de que a Evolução das Espécies não se aplica a todos os primatas. Postou um "artigo" a respeito de um livro que não leu, como costuma fazer, reproduzindo a mesma “coragem intelectual” (arrojo do néscio) de um comentário n'O Expressionista, em uma “brilhante sacação” de que como Meslier viveu após a Reforma Protestante, a partir do que apostatar do catolicismo passou a ser algo corriqueiro em países de maioria católica, rsrs, foi um covarde por não ter abandonado sua religião para dedicar-se à difusão do ateísmo. Tenho certeza de que leu a tua menção à revogação do Édito de Nantes e ao “Cuius regio, eius religio” do reinado de Louis XIV. Daí não há como não inferir que o tipo, além de parvo, é desonesto. Eu comentava eventualmente em seu blog porque nunca me entretive tanto quanto naquele post A TV do Lula - onde ele, não tendo mais argumentos, aproveitou uma oportunidade para sair choramingando a dizer que não retornaria jamais - e não queria perder por completo o contato com a pretensiosa figura, quixotesca como nem Cervantes soube retratar. Mas cansei-me. Prefiro o honesto Hélio dos Passos, que vendeu tudo para se tornar um cantor de sucesso, rsrsrs.

Bocage disse...

Pérolas fresquinhas do arrojado Omnildo:

"Se eu não me engano, no século XVII a reforma já estava “bombando”. O cara (Meslier) poderia ter caído fora da ICAR numa boa (rsrsrsrs)."

"Também tenho biblioteca, Janer.
Além disso, qual é o problema de usar o Google? Ué? Não pode porquê (sic)?
Confesso ainda não ter lido tanto quanto vc, Janer (rsrsrsrs). Mas garanto que leio mais que a maioria dos seus leitores ateus (rsrsrsrs)...”

"Janer, sem querer ofende-lo, vc sabe que aprecio seus artigos desde o MSM e eh talvez o unico autor brasileiro ateu que goza do meu respeito...(rsrsrsrs)"

....

Eu pensei que ele tinha TUDO CONTRA os ateus militantes (os que se assumem como ateus e fazem questão de discutir racionalmente as crenças religiosas e o papel das religiões). E quantos autores ateus brasileiros costuma ler Sua Sapiência, o líder da Igreja Omnildiana, a do Verdadeiro Cristianismo, que possui até uma biblioteca (!)?
De volta ao Hélio dos Passos.

José Rodolfo Klimek Depetris Machado disse...

Bom, primeiro de tudo, devo agradecer ao Catellius o convite. Gostei muito do poema, além de ser bem escrito, musical, romântico (com uma grande inspiração no Romantismo) é engraçado. Também tenho gatos em casa e sei bem como é a vida desses conquistadores. Seu pai sem dúvida era (ou é) um ótimo poeta. Apenas com as lembranças compor assim. Todo esse assunto me fez lembrar das obras de Baudelaire, que também estão repletas de citações e homenagens aos bichanos. Em especial uma estrofe de uma delas me chama mais a atenção, d"O Gato":

E como os manes da morada;
Preside no seu magistério
Todas as coisas deste império:
Seria Talvez Deus ou fada?

Divino e feérico são essas criaturas, diz-se que não amam seus donos e que apenas se aproveitam deles. Mas só quem tem ou teve um gato em casa sabe como é estar na companhia desses seres.

W Suomynona disse...

Bocage, pra vc ficar orgulhoso de sua condicao.

Ateus são mais inteligentes que crentes, diz estudo dinamarquês.

''Helmuth Nyborg o pesquisador que realizou o estudo disse que as pessoas menos inteligentes tendem a buscar religiões pois são incapazes de lidarem sozinhas com as grandes interrogações da vida.''

''Segundo um estudo publicado recentemente na religioustolerance.org, a taxa de divórcios nos estados unidos entre judeus é de 30%, a de cristãos renascidos de 27%, outros cristãos de 24% e ateus e agnósticos por volta de 21%.''

''A propósito saiu uma contagem feita na Bíblia ( no terreno adversário) de quantas pessoas haviam sido mortas por ordem ou intervenção divina contra as mortes provocadas por Satã. O resultado? Satã foi responsável por 10 mortes enquanto Deus por míseras 2.038.344.''

Do 1001 Gatos de Schrödinger.

Clarissa disse...

Aqui ficam estas pérolas sobre evolucionismo:

http://www.godtube.com/view_video.php?viewkey=4f1456031fcc05a3afaf&page=3&viewtype=&category=mv

http://www.godtube.com/view_video.php?viewkey=817b7893bcdeed13799b&page=1&viewtype=&category=mv

http://www.godtube.com/view_video.php?viewkey=ecb1327dc03ab345e618&page=2&viewtype=&category=mv

http://www.godtube.com/view_video.php?viewkey=065a1683c022d2077d34&page=2&viewtype=&category=mv

e uma sobre um «evil blender»
http://www.godtube.com/view_video.php?viewkey=efe990f936dde0d9c98c&page=5&viewtype=&category=mv


:)

Clarissa disse...

Sobre o lugar da mulher, SEM COMENTÁRIOS!

http://www.godtube.com/view_video.php?viewkey=c9b09a388091bdfe639d&page=6&viewtype=&category=md

Clarissa disse...

http://br.youtube.com/watch?v=TzdAdZKYQ68

SEM COMENTÁRIOS!

André disse...

É o Blogildo, não é, Bocage? Ele agora acha q o Catellius usa o seu avatar?

“mesmo ódio anti-cristão, bom nível cultural...” Há, há, o Catellius vai rir quando ler isso.Um menino culto, mas cheio de ódio no coração... oh...

“O Omnildo bem que poderia ser o Holy Father - se soubesse escrever.” É isso aí...

Olha o q ele escreveu por lá (vi numa passada rápida):

“Declínio e queda do império romano foi uma das leituras mais difíceis que fiz. Fiquei cerca de um ano na companhia de Gibbon. E olhe que eu estava lendo a versão de bolso-que-não-cabe-em-nenhum-bolso da Companhia das Letras. Fiz vários comentários sobre o livro aqui. Gibbon se tornou ateu (ou agnóstico, sei lá) depois de tanto estudar teologia ser obrigado a abandonar sua escolha pelo catolicismo. É uma personagem interessante. Se os ateus militantes (falei dos militantes) parassem para ler Gibbon talvez não falassem tanta besteira em relação ao cristianismo.”

Ora, mas Gibbon tinha o maior desprezo pelo cristianismo. Era meio rocócó nessa raiva às vezes, mas concordo com ele q civilização mesmo era a romana, pelo menos em certos aspectos. E é claro q naquela época o cristianismo não passava de uma esquisitice exótica, porém já bastante popular. Só não era visto como alternativa séria à civilização romana. Aliás, Gibbon espalhou um preconceito injusto contra o Império Bizantino, q só de umas décadas pra cá foi desfeito entre os historiadores, exatamente por causa de sua implicância com o cristianismo. Falhou em ver a importância de Bizâncio em outras áreas. Bom, se o catolicismo romano já o incomodava, imaginem o bizantino...

Mas tudo bem, é so saber ler nas entrelinhas, fazer os descontos de época necessários, ainda mais quando se lê algo escrito lá nos 1700. Gibbon hoje está bastante desatualizado, naturalmente, mas permanece como um dos pilares da língua inglesa (junto com Shakespeare, Swift e a Bíblia na tradução ordenada pelo Rei Jaime - segundo o incisivo Paulo Francis - essa última pq diz tudo muito bonito, ainda q nada faça o menor sentido, não tenha pé nem cabeça).

E Gibbon é mesmo uma leitura deliciosa (mais uma vez, descontando algumas invencionices e preconceitos). Não perdeu nada da força literária. Ele escrevia muito bem. A edição original exige um bom dicionário do lado, por conta das expressões arcaicas, mas de um modo geral a leitura flui.

Nossa, ele ficou um ano lendo Gibbon, a edição da Cia. Das Letras? Não leva tanto tempo assim. Se fosse uma edição da Penguin, resumida, abridged, mas com bem menos cortes (um tijolo de mais de mil páginas), tudo bem, mas essa edição em português não toma muito tempo. Bom, eu leio rápido. Já li todos os capítulos mais importantes dos 6 vols. de Gibbon, e é coisa pra burro, mas ainda preciso de tempo pra voltar e ler a obra inteira com calma.

Bocage, também acho q os crentes daqui são melhores do que os de outros blogs. Parece q depois de uns 3 posts eles começam até a gostar da gente.

Como já disse por aqui, o Blogildo anda “lendo” Nietzsche ao pé-da-letra. Interpretou o famoso “Deus está morto” como se fosse isso mesmo, literalmente, só q não é. Não tem solução...

Francamente, acho q ele não lê tudo o q diz ler.

“Satã foi responsável por 10 mortes enquanto Deus por míseras 2.038.344.'' Divertido...

Catellius disse...

Querida Clarissa,

Assisti ao último vídeo. De fato lamentável. Os outros já estão carregando. Obrigado pelos links!

E o que dizer do superMERCADO criacionista? he he

E a lavagem cerebral que os islâmicos fazem em suas crianças..

Beijos! E parabéns pela segunda parte do post! magistral!

--//--

Daqui a pouco volto para responder aos comentários a partir do Eifler.

Mas vou adiantando dois:

Meu ignoto parente,

Realmente meus avós já haviam morrido; vou alterar o post.

--//--

Grande Bocage,

Obrigado pela presença, pelos links, opiniões, pelo cordialidade para com os demais comentaristas (André, o mesmo para você). E ser confundido com você é um orgulho para mim. Sei que você preferia ser confundido com o Mouro, he he, mas agüente a ofensa, ha ha ha.

Quanto ao Onildo, deixe-o. É uma boa alma. O verdadeiro Onildo é o que comentou no post Inimigos da Informação (grifos meus):

"At 04/12/06 14:01, Blogildo said...
É interessante a observação. Parece verossímil. Eu creio que o verdadeiro cristianismo só existiu no primeiro século e metade do segundo século de nossa era. Depois disso, o cristianismo foi corrompido pela cultura greco-romana.
A partir daí, tudo era possível
.

Apesar dos crimes da Igreja Católica em todos os séculos, incluindo o século XX e XXI, sempre houve grupos de cristãos que seguiam e seguem o cristianismo primitivo. Afinal, o verdadeiro cristianismo sempre foi religião de uma minoria.

Excelente seleção de textos. De vez em quando passarei por aqui."

É natural que tenha abandonado um pouco os católicos quando se viu confrontado principalmente por ateus. Além do quê, o Reinaldo e o Olavo são católicos, assim como a maioria dos freqüentadores de seu blog, e gozam da admiração de nosso amigo. Então imagino que no mundo real seus "verdadeiros antagonistas" sejam os "falsos cristãos", enquanto, pela Blogosfera, sejam os "ateus militantes". Será difícil encontrar os últimos pelas ruas, nos escritórios e shoppings, não serão facilmente identificados pela ausência de símbolos religiosos, tampouco pendurarão no pescoço o modelo atômico utilizado pelo American Atheists. Se no Brasil os ateus são 1%, os ditos militantes devem ser 1% do 1%, e devem se limitar a escrever livros e a colocar suas idéias em blogs e sites pessoais. E como católicos têm pouco a acrescentar à compreensão da própria doutrina engessada, ainda mais que são proibidos de fazer exegese dos textos bíblicos - atividade reservada aos doutores autorizados pelo Vaticano -, seres pensantes dispostos a discutir o catolicismo normalmente não são católicos. Falo catolicismo e não cristianismo porque, no Brasil cristão, inteligência fora do catolicismo é artigo dos mais raros.

Quanto a Meslier, lamento ter que concordar com você. Não vale a pena refutar acusações já refutadas. Se com isso deseja-se influenciar dois ou três gatos pingados, quem sou eu para tentar impedir? Se ele repetir os palpites sem nenhum embasamento sobre Jean Meslier com o ascensorista, com seus parentes e amigos, como eu poderia impedir? E por que eu faria isso? Se ele quiser convencer seus leitores do que quiser, não é problema meu. Respondi no Expressionista porque tinha passado uma temporada por lá e estava comentando tudo, no embalo.

Enfim!

Fico feliz pelo link do Pugnacitas ter voltado por lá. Depois passo lá para agradecer a gentileza.

Abraços a todos!

Catellius disse...

Grande André,

Porra, não dá para aceitar tudo o que um historiador dos 1700 escreveu, antes do desenvolvimento da arqueologia, com as ruínas de Pompéia ainda em escavação, baseado apenas em fontes escritas. Mas seu trabalho foi de fato monumental. Gosto muito da Cidade Antiga de Fustel de Coulanges e da enciclopédia História da Vida Privada, de vários autores. Lemos em livros como esses, por exemplo, que a moral estóica invadiu o Império Romano muito antes do cristianismo, e a vida regrada, o desapego às coisas materiais, a aceitação do infortúnio, etc., estiveram em voga por muito tempo.

"Francamente, acho q ele não lê tudo o q diz ler."

Ler é fácil. Qualquer idiota lê o que quer que seja. Eu posso ler até o manual da Sputnik em russo. Depois que os caracteres cruzam o nervo ótico é que são elas.

“Satã foi responsável por 10 mortes enquanto Deus por míseras 2.038.344.''

ha ha ha ha!!!!!
Boa a estatística sobre o divórcio. Assim como aquela sobre a população carcerária; não prova que ateus são melhores. Prova que não são piores. Prova que a moral não depende de deuses ou de religiões.

Abração

Catellius disse...

Hélio dos Passos: ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha

Impagável!!!!!

O+cioso disse...

Ô risonho homem das estatístias:

Segundo o IPAT, os ateus são os que mais aprovam a legalização do aborto — 80% dos entrevistados disseram ser favoráveis à prática.

André disse...

Esquisito isso q o Blogildo disse, q o cristianismo foi corrompido pela cultura greco-romana.

Pq “corrompido”? Nada a ver, acho. O que já existe, ou “o antigo”, o tradicional, às vezes absorve o q aparece de novo. Ou a novidade é q acaba absorvendo o antigo, o q já existia (e pode não restar muita coisa no final). Seja como for, as coisas se fundem. E, se é pra falar em corrupção, me parece q isso se aplica muito mais ao cristianismo, q teria corrompido o q existia, do q o inverso.

“Apesar dos crimes da Igreja Católica... sempre houve grupos de cristãos que seguiam e seguem o cristianismo primitivo” Ah, mas é claro q existem cristãos legais, bonzinhos ou simplesmente minoritários (mas malvadinhos).

Até hoje há comunidades cristãs primitivas e minúsculas perdidas no Oriente Médio, é só a gente procurar q acha. Tudo bem, mas quem fez mesmo História não foram bem eles, mas a vertente q “pegou” e se desenvolveu até virar a ardilosa Igreja Católica Apostólica Romana.

“O verdadeiro cristianismo sempre foi religião de uma minoria.”

Há, há, o Bento XVI não gostaria de ouvir isso!

“Se no Brasil os ateus são 1%, os ditos militantes devem ser 1% do 1%, e devem se limitar a escrever livros e a colocar suas idéias em blogs e sites pessoais.” Pois é...

“seres pensantes dispostos a discutir o catolicismo normalmente não são católicos” Na minha vida lá fora (fora da internet), acho q devo conhecer uns dois ou três ateus (ou agnósticos ou simplesmente questionadores, não tenho certeza, nunca perguntei). O q a gente vê aqui é bem diferente do q se vê lá fora, pq aqui podem ser encontrados ateus do Brasil inteiro e, até agora, de Portugal também. Ou agnósticos, ou... Conseguir isso lá fora é praticamente impossível.

“no Brasil cristão, inteligência fora do catolicismo é artigo dos mais raros”

Muito raro. Fora do catolicismo a gente tem os protestantes (tradicionais — conheci vários desde a infância por haver alguns na família, eles são muito secos, não tanto as pessoas, mas a religião, acho o protestantismo atual muito pobre, sem graça), os evangélicos (a lista é interminável), os espíritas kardecistas (no final, um tipo de cristianismo/catolicismo diluído e místico, claro, já q o contato com o além seria direto, imediato, bem mais fácil do q nas outras religiões). Deve haver outras coisas “cristãs” por aí, mas essas devem ser as principais.

Um dia ainda quero dar uma olhada nessa enciclopédia História da Vida Privada. Muita gente boa gostou. A Cidade Antiga é legal.

“a moral estóica invadiu o Império Romano muito antes do cristianismo, e a vida regrada, o desapego às coisas materiais, a aceitação do infortúnio, etc., estiveram em voga por muito tempo.” Bem lembrado!

“Depois que os caracteres cruzam o nervo ótico é que são elas.” Há, há...

“os ateus são os que mais aprovam a legalização do aborto — 80% dos entrevistados disseram ser favoráveis à prática”. Bom eu não gosto de estatísticas. Concordo com Benjamin Disraeli, estadista britânico: “Há mentiras. Há mentiras deslavadas. E há malditas estatísticas.” Mas o q essa aí quer dizer? Que a maioria dos ateus é “má”, despreza a vida humana, não está nem aí? E as pessoas q se dizem muito, muito religiosas (há muitas) q abortam sem nem pensar duas vezes se isso acontecer com elas ou resolvem o “problema” rapidinho se for com alguém próximo? E as pessoas q se dizem religiosas e têm coragem de dizer q são favoráveis ao aborto, totalmente ou em alguns casos, e acabou? Querer desqualificar o ateísmo (ou qualquer outra coisa, forma de pensamento, crença...) com esse tipo de argumento, ainda mais estatístico, é bobagem.

Catellius disse...

Muito bem, André.
Estatística interessante: pesquisas mostram que quem se banha na lama quente do vulcão adormecido Gunung Agung, nas Ilhas Fiji, vive muito mais do que a média. Explicação óbvia: Fora os nativos, só quem tem muito dinheiro consegue viajar até lá para testá-lo.

Outra: 100% dos pássaros nos quais você depositar sal sobre o rabo se deixarão apanhar facilmente. Explicação: ou estarão mortos ou feridos ou serão filhotes, he he.

O+dioso,

Imagino que 100% dos ateus sejam contra a prática do aborto. A maioria, contudo, deve ser contra a penalização. E a maioria dos religiosos é contra a penalização da mãe, que é quem costuma decidir se abortará ou não. Consideram-na uma assassina mas não querem que seja tratada como tal. São tão incoerentes quanto alguém que é contra a prisão de pedófilos.

Quando a mãe se decide pelo aborto, não são as leis que a impedirão de praticá-lo. Mas muitos religiosos querem que ele continue em um limbo legal (dizem que B16 quer acabar com o limbo legal também), nem lá nem cá. Eu sou a favor da legalização até as 6 primeiras semanas ou quando for possível detectar uma gravidez, quando o feto não possui sistema nervoso, capacidade de sentir. Se alguém morre quando cessa a atividade cerebral, por que não dizer que nasce quando ela inicia? É claro que mesmo antes disso há a "potência" para a atividade cerebral, enquanto ela inexiste no cérebro que morreu.

Bom, tenho certeza de que o número de abortos cairá, a exemplo do que ocorreu em muitos países. No fim das contas, é preciso jogar com as cartas que se tem à mesa. O alvo é evitar um segundo aborto, é dissuadir a mãe de praticá-lo, convencê-la a levar a gravidez até o fim e doar a criança para a adoção, ensinar métodos contraceptivos, etc. Se mesmo assim a mãe quiser abortar, que o aborto seja feito dentro do prazo legal, nas melhores condições de higiene possível. E os cofres públicos serão poupados de tratarem mães feridas após abortos malsucedidos.

Mais uma vez, penso que a idéia é sempre que o aborto diminua.

O+dioso, O+dioso. Parece que você deu uma engordada nas estatísticas e omitiu algumas outras. Aqui a pesquisa do IPAT:

"Segundo o IPAT, 78,3% dos evangélicos e protestantes são contra a legalização do aborto. Entre os católicos, o índice de reprovação é de 63,1%, e entre espíritas, umbandistas e adeptos do candomblé, de 51,9%. Os ateus são os que mais aprovam a legalização — 60%(1) dos entrevistados disseram ser favoráveis(2).
Quanto à prisão de quem pratica aborto, 41,7% dos evangélicos e protestantes disseram ser a favor. Já entre os católicos, 59,6% se posicionaram contra a sanção penal(3).
Na comparação por renda, a aprovação do aborto é maior entre os que ganham mais de R$ 2 mil (59,5%(4)). Dos que têm salário de até R$ 500,00, só 17,1% são favoráveis à interrupção da gravidez.
No quesito escolaridade, 49,2% dos que já concluíram o Ensino Superior são a favor da legalização(5), enquanto 70,2% dos que não terminaram o Ensino Médio são contra.
O estudo do IPAT também revela que a legalização do aborto tem mais simpatizantes na orla (36,2%). Entre os moradores da Zona Noroeste, morros e Centro, a reprovação chega a 73,2%.(6)"

Observações:
1 - não 80%, seu MENTIROSO.
2 - à legalização, não à prática, seu MENTIROSO.
3 - ou seja: católicos não querem que um crime seja punido. Isto é acobertamento, he he. Típico de católicos.
4 - ou seja: a maior parte dos que ganham mais de dois mil reais por mês é do DEMO, he he. Por isso Jesuis disse que poucos ricos entrarão no Reino dos Céus....
5 - Ou seja, quase metade das pessoas que têm curso superior é do DEMO.
6 - O mar é um instrumento do DEMO, he he he.

Suzy disse...

Catellius, amo gatos e outros animais (não os petralhas, esses vão pro quinto dos infernos). Concordo com o Jorge Sobesta quando diz que agora se explica sua veia poética.

André disse...

Isso mesmo. Legalização é uma coisa, prática é outra.

“Consideram-na uma assassina mas não querem que seja tratada como tal.” São incoerentes em quase tudo. E eles “têm” razão, nós, não. Eles morrem e vão pro Céu, nós não... Eles são "bons"... Dizer q vc não acredita em nada (ou apenas discordar de algumas coisas) do q eles acreditam é a maior ofensa. Idiotas.

“quando o feto não possui sistema nervoso, capacidade de sentir” Eu também.

“Isto é acobertamento, he he. Típico de católicos.” E como...

“É mais conveniente seguir a consciência do que a inteligência, pois a cada fracasso a consciência encontra uma desculpa e propicia algum encorajamento. Por isso há tantas pessoas conscienciosas e tão poucas inteligentes.”

“A condição de existência dos bons é a mentira”.

(Nietzsche)

Catellius disse...

Como nosso mestre (he he) Mouro (que infelizmente não participou deste debate) disse, bom qualquer um é na hora que bem entender. O difícil é ser justo, honesto, pois isto depende de oportunidade.

Falando nisso, Justiça que se preze é aqui e agora. E o indivíduo que confia em uma justiça divina acaba sendo tolerante com algumas formas de injustiça, mesmo quando ele é a vítima. E deveríamos ser absolutamente INTOLERANTES com a injustiça. Na realidade, nenhum de nós tem sido intolerante o bastante... Fazemos vista grossa para a injustiça até quando não acreditamos em uma justiça post mortem. Esta é a dura verdade. Mas acho que os que crêem piamente nela são mais indulgentes com a injustiça.

Abraços e vamos para o próximo post! Agradeço a todos os comentaristas, especialmente àqueles cujas opiniões não pude comentar - ao nobre Eifler, ao Roça, ao Jorge, ao José, etc.

Abraços!

Catellius disse...

Meu pai leu este post e os comentários e escreveu:

Não imaginava que uns versos feitos, em parte, para o (nome do meu tio) achar graça do tom épico em relação ao Kokotaco, que era uma espécie de herói particular e, em parte, para expressar minha perplexidade diante da grande destruidora de tudo o que é vivo, não imaginava que iriam provocar tão variadas reflexões. Quando se trata de argumentos, parece que eles são abundantes e versáteis para "provar" seja o que for aos outros. São uma esgrima de palavras para afiar as habilidades dos esgrimistas e, de vez em quando, impor ou levar um "touché"! Já os esforços pessoais para dar uma forma às questões que agitam nossas vísceras, nosso empenho em tentar respondê-las para nós mesmos, sempre atentos à sutil resposta que nos ocorre de dentro (e/ou de fora), seja ela um "é isso aí!" ou um "está se aproximando..." ou um "não é nada disso", ou, para não encompridar demais a lista, um "é algo assim, mas tem alguma coisa a mais que talvez faça tudo ser o contrário"... são os grandes responsáveis pelo aprofundamento de nossa compreensão da realidade. Geralmente partimos de uma visão complexa - que busca dar conta da complexidade da realidade - rumo a certas formulações mais simples, na tentativa de encontrar o simples que subjaz ao que é complexo, como nas fórmulas da Física; daí nos apercebemos que o simples deixa escapar nuances importantes e continuamos em busca de um modelo fiel à complexidade, até nos cansarmos da complicação e, novamente, nos encantarmos pela perspectiva de encontrar "o centro" da coisa, aquilo que nos permitirá situar todo o restante numa referência organizada. Atualmente gosto mais da busca pessoal do que do debate, pois minha experiência mostra que é muito difícil combinar debate com escuta e com uma séria tentativa de explorar um tema a fundo, conjuntamente. Mas... a esgrima também é divertida, quando a ponta do florete vem protegida por uma bolinha, que poderíamos chamar de "senso de humor".

Defensor disse...

Salve Catellius.

Em primeiro lugar, desculpe a demora. É que meu acesso à internet anda meio precário.

Quanto ao post, posso te dizer que seu pai realmente escreveu uma bela poesia. Lúgubre, fantástica!

"A morte não é o fim, é apenas o começo..."

Abraços, e aproveito para te parabenizar por suas pinturas. Um trabalho artístico perfeito.

Paz, prosperidade!

andre wernner disse...

Catellius,
Bela história, rica em detalhes e me fez relembrar outras histórias da minha infância. E tudo eternizado com o soneto que é uma obra prima. Parabéns.
Abs

P.S: Coincidências. Também estou com artigo no blog sobre o desaparecimento prematuro do meu gato. Um gato honesto, diga-se de passagem. Confira!

Catellius disse...

Que bela história, André Wernner.
Certamente o Pipiquinho morreu feliz, amado por você, pela esposa e pelas crianças, exercendo seu direito de gato, de ir e vir, de fugir de casa e expor-se ao perigo...
Devia ser um belo gatinho; imagino como as crianças devem ter sofrido com a perda...
Mas é isso aí.. Coincidência, não? Postarmos ao mesmo tempo um artigo sobre a morte de um gato...
Como disse Vinícius, nada é tão vivo quanto um gato, e nada é tão morto quanto um gato morto...
Abração

Klatuu o embuçado disse...

Não me parece que seu pai achasse o gato ateu... mas sim alegre e malandro andarilho felino do Demo... :)

O poema é muito bom.
Abraço.

Klatuu o embuçado disse...

P. S. A Clarissa é uma felina - o gato dela é que é humano... :)

A prosa está boa...

Lord of Erewhon disse...

Faço minhas as palavras minhas do KLATUU.

Blogildo disse...

Boccage, na verdade vcs - da militância atéia - são legião. Hehehehehe!

O fato de ter tudo contra ateus militantes não me obriga a não respeitá-los quando são convincentes. É o caso do Janer. Em minha modesta opinião, o melhor cronista ateu brasileiro em atividade. Não há incoerência alguma nisso.
E seria intolerância de minha parte não ler o Janer por ele ser ateu.

Catellius, obrigado pela estima. Essa do gato remete mesmo a E.A.Poe, como citou alguém acima.
Se pai era espirituoso.
Abs!

Sandra Leite disse...

Catellius,

Você escreve com muita competência.
Tem estilo - ainda que eu não concorde com sua posição política -o que não tira seu mérito, ao contrário, deixa ainda mais rico seu texto pois provoca uma doce "ira" momentânea.
Parabéns pelo blog e obrigada pela visita,

Abraços,

Sandra

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