07 julho 2007

Idealismo e Realidade

Fiquei muito feliz, um dia desses, quando um amigo petista me chamou para almoçar, afinal até os liberais gostam de ser estimados. O almoço ia bem até que começamos a falar em política. Chegamos quase aos finalmentes: eu disse que o Lula e sua quadrilha eram um bando de ladrões que pilhavam as estatais para o partido, e ele disse que, no fundo, o FHC odiava o Brasil. Enfim, um completo desastre. Fiquei deprimido.

Depois liguei para ele e propus uma conciliação. Disse-lhe que, para mim, a questão tratava-se apenas de como apreendíamos a realidade. O idealista gosta sempre de ver o copo meio cheio, e o realista estraga tudo dizendo que não existe “meio” vazio e tampouco “meio” cheio, assim como não se pode ser meio honesto nem se estar meio grávida; para o realista o copo está pela metade. E assim acaba passando a imagem de pessimista, muitas vezes. Além disso, sabe que o homem é um tipo basicamente egoísta, embora tenha a capacidade para ser solidário. Existem aqueles que gostam do discurso politicamente bonitinho enquanto outros são desconfiados por natureza.

Argumentei que achava o discurso da direita mais verdadeiro porque estava geralmente embasado em ações, enquanto muito poucos que adotam o discurso socialista o são na prática. Ele revidou dizendo que era um absurdo pessoas que tinham ganho bolsa de mestrado criticarem o Bolsa Família. Eu respondi que apoiava o Bolsa Escola e que, portanto, não havia incoerência alguma.

Enfim, todo governo precisa dos seus otimistas e não sou eu que vou perder um amigo. Foda-se o governo. Fiquei até com inveja da fé do meu amigo. Talvez seu mundo seja mais feliz do que o meu. E considerando que ele está na iminência de ser promovido, penso que talvez os crentes sejam mais atraentes e agradáveis aos demais, que são, em sua maioria, crentes de algum tipo. O verdadeiro indivíduo, aquele que age em seu próprio benefício, talvez não perca muito tempo tentando disseminar idéias que ele julga mais corretas. Apenas aproveitará as oportunidades para fazer o melhor.

Mas quem sabe não seja melhor, em algumas situações, você dizer o que as pessoas querem ouvir? E se você ainda por cima acredita nisto, bingo! Só não dá para criticar os políticos mentirosos. Eles falam o que todos querem ouvir. Depois os incautos elegem as criaturas e elas não cumprem o que prometeram; e a culpa é de quem? De quem foi eleito mentindo ou de quem votou desejando desesperadamente acreditar?

Muitas vezes a salvação dos ideais está na esperança de punição, porque ela pode purificar novamente o ideal, restaurar seu hímen. Se um petista roubou, que seja preso para que os ideais aos quais está associado sejam mantidos impolutos. Mas, e quando não se tem esperança de punição? Então não faz mal, afinal eles amam o país, são idealistas e, se roubaram, não é lá tão ruim assim, pois os outros fizeram isto também.

A ironia destes esquerdistas é que a corrupção não pode ser sistêmica e portanto responsabilidade da coletividade do governo e do seu chefe. Ela tem que ser culpa de alguns indivíduos. Só o mérito pertence ao grande líder, ao grande pai, àquele que inaugura obra atrás de obra sem em nada ter contribuído para a maioria delas, enquanto a culpa é de algum burocrata insignificante do partido.

Mais aí retornamos à questão do copo “meio cheio” e “meio vazio”. Os esquerdistas gostam de ver qualidade na coletividade e culpa nos indivíduos. A direita exalta o indivíduo e às vezes parece deplorar o coletivo. Qual será a realidade?


31 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Se um amigo quase chega as vias de fato por causa de um desgoverno desses não é amigo. Coisa mais bizarra.

Anônimo disse...

Esse 'amigo' deve ser um grande de um viadinho, isso sim.

C. Mouro disse...

Perfeito, Raiol!

Um "amigo" desse naipe não merece amizade. Não pelas "vias de fato" em si, mas pelo caráter deficiente manifestado. Ademais, tipos deste naipe confundem amizade com cumplicidade.
Tipos que anuem conscientemente com o socialismo, defendendo a hegemonia da súcia governante (como donos do país e da população - sobre os quais arbitram - e não como prestadores de serviçõs com igual direito) não me servem como amigos, desprezo tais tipos.

Certa vez me disseram que meu jeito não faz amigos ...é fato, mas os que faço são amigos.

Abraços
C. Mouro

Blogueiro disse...

HUGO CHAVES TÁ POR FORA, ESTE NEGÓCIO DE SER PATRIOTA, SOBERANIA, EMPREGO, RENDA ISTO É COISA DE ESQUERDISTA, POBRE TEM DE SE LASCAR MESMO.

QUEM MANDOU?

NÓS SOMOS MUITO MELHORES QUE ELES, NÉ?

VAMOS AJUDAR ESTE PAÍS A VOLTAR PARA AS MÃOS DOS TUCANOS DOS DEMOS, AQUILO É QUE ERA PROGRESSO, ORDEM, DEMOCRACIA.

Heitor Abranches disse...

Como e mesmo aquele antigo ditado...Nao devemos falar de religiao, mulher nem de politica.
Continua valido. Fui me meter a criticar o Flamengo para uns flamenguistas e me dei mal. Antigamente gostava de encher o saco da minha tia, uma perfeita devota catolica...pura perda de tempo. E hj tem-se a politica. Hj acho muito dificil que eu venha a ter afinidade com algum petista a ponto de me tornar seu amigo mas nas relacoes sociais devemos evitar desgastes inuteis. Um deles e com politica. E para isto que serve a internet, eu acho. Vc faz um blog de opiniao...Quem gostar te visita...da palpite, troca ideia,...Quem nao gosta va visitar os sites de que gosta e ta tudo certo...Ninguem se conhece....e temos apenas o exercicio da opiniao...a troca de ideias entre pessoas que tenham alguma coisa em comum...

Heitor Abranches disse...

Na verdade este colega petista me disse que nao tinhamos mais nada para conversar pois nao tinhamos mais terreno comum...Talvez nao tenhamos mesmo.

Roberto Eifler disse...

Não se deve perder amigo por discussão sobre política.

Acredito que essa discussão infinita sobre direita-esquerda, punição/não punição para corruptos, encanto e desencanto, deve-se a uma posição equivocada sobre o status político do Brasil. O Brasil não é uma democracia! Talvez o seja formalmente, mas isso a Venezuela do Chávez e a Cuba do Fidel também o são. Democracia, como existe no Ocidente europeu e nos EUA, pressupõe uma aceitação tácita das regras democráticas pela grande maioria da população e, embutido nisso, um grau de informação suficientemente generalizado. O Brasil está, em relação às democracias européias, mais ou menos no estágio dos países africanos. Talvez um pouquinho acima, e devemos dar graças ao Deus do Heitor que não temos guerras civis por aqui (se é que a guerra do tráfico no Rio não vai se tornar uma). De certa maneira, devemos dar graças a Deus também que temos um Lula. Sem dúvida é melhor que o Idi Amin...

Na verdade, nós todos que participamos de blogs somos de classe média e vivemos num mundo de fantasia, tentando aplicar conceitos europeus a estruturas africanas. Democracia, para o Brasil, só daqui a uns cem anos e, talvez, até lá, os atuais países democráticos já tenham evoluído para outro tipo de organização social.

Não estou sendo pessimista, só estou vendo o copo pela metade.

Bocage disse...

"Na verdade este colega petista me disse que nao tinhamos mais nada para conversar pois nao tinhamos mais terreno comum..."

Este teu “amigo” é de fato um biba afetado. Tipos como ele sempre acabam uma discussão, para a qual não estão preparados, com argumentos ad hominem, chutando a canela, pegando tudo o que possa desabonar o argumentador - como o caso da bolsa de mestrado - apelando inclusive para a chantagem emocional, principalmente quando sabem que o outro lhes devota uma sincera amizade, e que precisa dela.

Manda ele para aquele lugar e cultiva amigos verdadeiros, honestos.

O+cioso disse...

Vcs estão enganados, os dois ex-amiguinhos são bibas. O Heitor ficou todo magoadinho com o amiguinho que perdeu, kkkk

Heitor Abranches disse...

Eu votei no Lula no primeiro mandato. Queria mudanca, um pouco mais de nacionalismo e o fome zero me parecia simpatico. Achava que PT merecia a sua chance.
Mudei de ideia com o Mensalao. Vi o verdadeiro PT. O PT dos sindicatos, dos conchavos , do caixa 2. O PT nao era feito de Eduardo Suplicys e Cristovam Buarques. Infelizmente, tem muitos Delubios e Silvinhos no partido. Agora muitos amigos meus continuam como se nada tivesse acontecido. Continuam assombrado pelo PSDB. Para eles privatizacao, Consenso de Washington e ALCA sao palavroes. Para eles o PT e incompetente, corrupto e anti-democratico mas nao ha alternativa e pelo menos os pobres estao recebendo a bolsa familia...9 bilhoes!!! A culpa esta apaziguada e o temor da mudanca representada pela globalizacao e os seus arautos liberais continua forte. O triste e que o unico cara que eu conheco que trabalha num programa social na rocinha e mais de direita que eu...mas o discurso da bondade e da solidariedade e deles....

C. Mouro disse...

"mas o discurso da bondade e da solidariedade e deles..."

...hehehe! são os valores da moda estabelecida há quase 2000 anos:
É "in" quem segue os valores da moda, quem não os segue é "out". Portanto, desde que estes valores foram arbitrados como consagradores do indivíduo, todos os querem simular em si para se mostrarem em conformidade com o modelo consagrado ideologicamente como ideal. Há até uma certa disputa de quem é mais bonzinho, uns querem exibirem-se mais caridosos, mais altruístas, outros apelam até para o culto à bandidagem como suprema negação a si em favor alheio, o perdão na forma santa.
Assim, os discursos progridem norteados pela moda milenar, concebida para tornar os homens vacilantes, fracos, covardes, corruptos, hipócritas e pérfidos. Pois assim, é fácil controla-los e corrompelos. Afinal, um indivíduo orgulhoso, racional, estóico não é alguém fácil de manipular - aliás, mais fácil se manipula através da vaidade.

Abs
C. Mouro

- Quem é bom de verdade não precisa vender bondade para comprar lealdade.
- A admiração surge nos fortes, a inveja nos fracos.

...não atoa que a inveja tem ditado os valores à uma massa fraca, sem dignidade, vacilante, corrupta e desesperada por se moldar a valores consensuais, sem valor algum.

ROÇA COISA É OUTRA LIMPA disse...

O copo do pesteísmo está é repleto...de merda!

André disse...

Que divertido. Como tem gente triste com a renúncia do Roriz. E pensar q renunciando o animal escapa da cassação, o q é uma vergonha, tinha q ser cassado, claro.

Quem gosta dele adora falar nas obras viárias, a 3ª ponte e as outras. É inútil falar nas outras coisas. Mas eu não falo nada com essa gente, só escuto. A maioria fica nervosa e dá pulinhos por qualquer bobagem...

Alías, partidários de qualquer porcaria, não só dele.

Mas às vezes a gente tenta e não consegue escapar de uma discussão, aí tem q dizer umas verdades e calar a boca de meia dúzia de manés. O ambiente fica pesado, mas eles entendem a mensagem. Outras vezes, nem preciso abrir a boca. Quem me conhece, só de olhar pra mim (quer dizer, para o meu olhar de desprezo diante de um interlocutor burro, e esse interlocutor, apesar de burro, às vezes nota isso também), já sabe o q é q eu penso e pq nem me dou ao trabalho de responder. É bom, pq vc deixa a outra pessoa tiririca sem precisar dizer nada.

O ruim é ficar sozinho num lugar cheio de idiotas, cheio "de ninguém". Mas, se vc tem a sorte de ter um ou dois amigos no seu nível, os bobos ao redor é como se nem existissem. Pelo menos aqui na internet fica mais fácil reunir gente inteligente.

O Heitor está certo: em sociedade, devemos evitar desgastes inuteis. E internet serve pra isso mesmo. Pois sei de muita gente q nunca mais falaria comigo se soubesse as coisas q escrevo por aqui (e q outros escrevem).

Eifler, certíssimo: o Brasil não é uma democracia! E nós vivemos num mundo de fantasia, tentando aplicar conceitos europeus a estruturas africanas.

“FHC odeia o Brasil”. Engraçada essa...

Há os crentes, os sem caráter (mas q ganham alguma coisa com o governo do momento) e os ignorantes. Ah, sim, há os crentes ingênuos, mais inofensivos, e os crentes fanáticos.

Mas, como dizia São Paulo: "É preciso tolerar os tolos de cara alegre"

Simone Weber disse...

"Fiquei até com inveja da fé do meu amigo. Talvez seu mundo seja mais feliz do que o meu."

Heitor, "É necessário ser dotado duma constituição orgânica toda especial para respirar esse oxigênio" (verdade)
"O gelo circunda-o; grande é a solidão - mas como repousam tranqüilas as coisas em meio da luz! Vede como o peito respira amplamente e como são insignificantes todas as criações humanas que sentimos DEBAIXO de nós!"
Nietzsche prossegue, no prólogo de seu Ecce Homo: "A filosofia, no sentido em que até agora me foi dado interpretá-la e vivê-la, é vida livre entre os gelos, no cume das montanhas; é a pesquisa de tudo aquilo que há de estranho e de enigmático na existência, de tudo o que até agora escapava ao âmbito da moral..." etc.

Enquanto pessoas como tu se calarem perante o amuamento de desonestos do quilate de teu "amigo", o mundo continuará a ser o que eles querem que seja. Conversa doravante apenas trivialidades com ele e reserva o que tens de melhor para aqueles que de fato te conhecem, que não distorcerão o que dizes para lucrarem, quais vítimas, com teu sentimento de culpa. Não dá tuas pérolas aos porcos, como admoestou aquele famoso personagem mítico.

Beijocas a todos

Catellius disse...

Heitor,

“Fiquei deprimido.”


Você deve ter ficado deprimido porque imaginou que iria acontecer um arranca-rabo se conversassem sobre política e por isso deve ter decidido não tocar no assunto; mas não se conteve, he he. Segundo minha análise, então, você ficou deprimido por não ter sido senhor de si, por não ter agido conforme sua resolução. É um palpite, he he.

“O idealista gosta sempre de ver o copo meio cheio”

Apenas o copo com os dizeres “socialismo”, porque na época de FHC as pestes eram pessimistas, resmungavam, faziam baderna, gritaria durante votações, etc. Hoje estão “otimistas” porque estão no poder e se beneficiam dele.

“Ele revidou dizendo que era um absurdo pessoas que tinham ganho bolsa de mestrado criticarem o Bolsa Família.”

Exatamente como o Bocage, o Rayol e o Mouro escreveram. O sujeito tentou atacar seu ponto fraco, quebrar algum telhado de vidro... Você tem certeza que ele é seu amigo?

“ Fiquei até com inveja da fé do meu amigo. Talvez seu mundo seja mais feliz do que o meu.”

Felicidade depende de capacidade para ser feliz, inclusive genetica (o Eifler deve ter mais o que dizer sobre isso). Não tem nada a ver com ser iludido, em ter “esperança”, essa palavra batida. Principalmente porque a felicidade está intimamente ligada ao presente, a saber vivê-lo, a não remoer o passado e não sofrer pelo futuro, como se escreveu no ótimo debate no post Espaço, Silêncio e Tempo.
Em um conto de Voltaire, cujo nome não me recordo, dois sábios debatem sobre a felicidade. Eles admitem que a velhinha indiana para a qual a felicidade consiste em ter o que comer e poder jogar suas oferendas no Ganges é mais feliz do que eles, mas nenhum dos dois trocaria a própria sabedoria e erudição pela felicidade da velha, mesmo se eles fossem os mais infelizes dos mortais.
E eu concordo com os personagens, que devem refletir o que o próprio Voltaire acreditava: talvez o mundo do seu “amigo” seja mais feliz do que o seu, mas você não deveria invejá-lo por isso, porque ele é um estulto, um parvo de um limitadíssimo estulto, he he.

“O verdadeiro indivíduo...”

Putz, lá vem você com esse negócio de novo... Esquece!

“Mas quem sabe não seja melhor, em algumas situações, você dizer o que as pessoas querem ouvir?”

O mundo seria um inferno se as pessoas não mentissem, se não dissessem às vezes o que os outros desejam ouvir. Mas para tudo há um limite. Tolera-se mentirinhas e “inverdades” que visem não ofender o próximo, que visem manter um clima de cordialidade, evitar agressões inúteis. Por exemplo, qual imbecil responderia à bisavó que perguntasse “como estou?” com um “decrépita” à queima roupa? Todas as pessoas normais mentiriam em uma situação como esta. Aliás, como Jesus não mentia, aposto que dava ratas como essa a toda hora. Devia ser um pé no saco aquele bastardo (não era filho de José).

“ Só não dá para criticar os políticos mentirosos.”

Repetindo, a mentira é execrável quando visa prejudicar outrem, em proveito próprio ou não.

Abraços

Catellius disse...

C. Mouro,

“...tipos deste naipe confundem amizade com cumplicidade.”


Perfeito. Você deixou claro que não vê problemas em um Montecchio sentir afeição por um Capuleto. Mas será uma amizade cheia de tabus. Será proibido falar sobre o assassínio de Tebaldo e de Mercuccio, do suicídio do imberbe Romeu e de sua tolinha namorada, etc. Com tantos tabus o mais provável é que as brigas sejam freqüentes. Por isso o convívio com ideológicos fanáticos deve se dar em meio a outras pessoas, e ser pouco intenso. De preferência em companhia das esposas/namoradas, pródigas em beliscões invisíveis e chutes por debaixo da mesa.

“Certa vez me disseram que meu jeito não faz amigos ...é fato, mas os que faço são amigos.”

Bravo! Lembrou-me mais uma vez a famosa fábula de Esopo:
A raposa esnobava a leoa pelo fato de ter dado à luz a apenas um filhote, ao que ela responde: “um só, mas um leão”.

Abraços

--//--

Heitor novamente,

“Fui me meter a criticar o Flamengo para uns flamenguistas e me dei mal.”


Porque você não torce por nenhum time e deve ter criticado com calma, falando a sério. Nestes casos o torcedor só leva na esportiva se você gritar, usar palavrões, dizer que aquele timinho é uma merda, etc. Aí eles relaxarão e pensarão que você é do “time” deles, se é que você me entende, he he.

“Antigamente gostava de encher o saco da minha tia, uma perfeita devota catolica...”

Existem incontáveis pessoas boas, inclusive as que se definem como cristãs. Mas só existem maus cristãos. E a maioria deles está excomungada e não sabe, he he. Se conhecessem o que é causa de anátema, descrito à exaustão em diversos concílios, teriam vergonha de pisar em uma igreja. Mas, como eu já disse, uma das intenções do cristianismo é essa mesma: produzir pecadores paralisados pela culpa. A sorte dos cristãos contemporâneos é que conhecem tão pouco a religião que dizem professar que acabam até sendo felizes, satisfeitos com os shows dominicais e com as horrendas cruzes com o boneco sangrento espalhadas pela casa, no pescoço, no carro, etc.

“ E para isto que serve a Internet, eu acho. Vc faz um blog de opiniao...Quem gostar te visita...da palpite, troca ideia,...”

Muito bem. Um dos motivos que criei um blog foi poder discutir alguns assuntos sem ter de ficar apenas me esquivando de ataques abaixo da cintura. Antes eu trocava e-mails com conhecidos, irmãos e primos, ex-colegas da faculdade. Pra quê... Quase fui expulso da tribo, ha ha ha.

“Na verdade este colega petista me disse que nao tinhamos mais nada para conversar pois nao tinhamos mais terreno comum...”

Desculpe-me o termo. O cara é um viadinho mesmo, ha ha ha.

Abraços

--//--

Roberto Eifler,

Ótimo comentário. Realmente genial!

--//--

André,

Melhor do piripaque?

“O ruim é ficar sozinho num lugar cheio de idiotas, cheio ‘de ninguém’. Mas, se vc tem a sorte de ter um ou dois amigos no seu nível, os bobos ao redor é como se nem existissem. Pelo menos aqui na Internet fica mais fácil reunir gente inteligente.”

É isso aí!

Abraços!

--//--

Simone,

Gosto muito do Ecce Homo. Quando fui lê-lo, na adolescência, fiquei um pouco chocado com a falta de humildade de Nietzsche até em títulos de capítulos como o “por que sou tão sábio”. Hoje encaro isso de um modo diferente, é óbvio. Mas, como você sabe, ainda não consegui me livrar da falsa modéstia evocada após um elogio. A porcaria da falsa modéstia faz parte de minha essência, he he.

Abraços a todos!

Bocage disse...

"talvez o mundo do seu “amigo” seja mais feliz do que o seu, mas você não deveria invejá-lo por isso, porque ele é um estulto"

Eu não cobiço a vida que levam os cães quando os vejo extremamente felizes, a sacudir o traseiro quando lhes jogam restos de comida.

Tampouco invejo humanos estúpidos felizes, posto que há coisas que me dão mais prazer do que a felicidade, rsrs

Anonymous disse...

Ninguem quer ter um filho com Down, no entanto sao criancas felizes a salvo dos perigos do mundo, que nunca morrerao em acidentes de carro, nunca matarao ou serao mortos em disputas por namoradas, nao sairao de casa e nem do armario. Os pais preferem arriscar-se a passar o resto da vida de luto e a ver o filho infeliz por nao ter trabalho, preferem isso a ve-lo gozar a felicidade que sua cognicao e sua inteligencia limitadas lhe permitem.

André disse...

Yes, Catellius, já estou melhor. Mas nunca fiquei tão mal, nunca tive uma gripe tão forte. Quase fui a um médico.

Também acho:

“Felicidade depende de capacidade para ser feliz, inclusive genetica (o Eifler deve ter mais o que dizer sobre isso). Não tem nada a ver com ser iludido, em ter “esperança”, essa palavra batida.”

Ser feliz é importante e muito bom, mas tem q ser algo genuíno, não essa ansiedade idiota em querer ser feliz o tempo inteiro e sem motivo aparente. E a felicidade de um tolo vale tão pouco...

Isso aqui também:

“Tolera-se mentirinhas e “inverdades” que visem não ofender o próximo, que visem manter um clima de cordialidade, evitar agressões inúteis.”

Exatamente:

“Por isso o convívio com ideológicos fanáticos deve se dar em meio a outras pessoas, e ser pouco intenso. De preferência em companhia das esposas/namoradas, pródigas em beliscões invisíveis e chutes por debaixo da mesa.”

É isso mesmo... e eu também já troquei e-mails no passado com conhecidos e quase só tive problemas. Blogs são bem melhores, mais seletivos.

Legal essa, vc disse tudo:

“Se conhecessem o que é causa de anátema, descrito à exaustão em diversos concílios, teriam vergonha de pisar em uma igreja. Mas, como eu já disse, uma das intenções do cristianismo é essa mesma: produzir pecadores paralisados pela culpa. A sorte dos cristãos contemporâneos é que conhecem tão pouco a religião que dizem professar que acabam até sendo felizes, satisfeitos com os shows dominicais e com as horrendas cruzes com o boneco sangrento espalhadas pela casa, no pescoço, no carro, etc.”

Há, há, cruzes com o boneco sangrento...

André disse...

O anônimo disse:

"Os pais preferem arriscar-se a passar o resto da vida de luto e a ver o filho infeliz por nao ter trabalho, preferem isso a ve-lo gozar a felicidade que sua cognicao e sua inteligencia limitadas lhe permitem."

Discordo, mas imagino q vcs vão ter alguma coisa a dizer sobre isso. Achei esse comentário aí esquisito.

Anonymous disse...

A pessoa ser capaz de viver plenamente implica em possibilidades de dor e de desgosto maiores do que a pessoa limitada com a Sindrome de Down, e nem por isso os pais acham legal ter um filho feliz mas limitado intelectualmente

André disse...

Bom, anônimo, viver tem seus riscos. Não é felicidade levar uma vida encasulada. Quando não se tem outra saída, pode até ser, mas isso não se aplica à maioria das pessoas, então não serve.

Anônimo disse...

"possibilidades de dor e de desgosto"???

tsc,tsc

Qual é, a vida não é um sonho de padaria! Enfrente-a!

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Heitor:

Um artigo equilibrado e com uma reflexão interessante.
Não gosto do termo "esquerdistas" por conter alguma "má-fé" em si mesmo. E pessoa de "má-fé" não é recomendável.
Se te queres referir aos PT chama-os pelo nome... "petistas" (???)

A colocação gratuita de rótulos não dignifica o discurso.

Por outro lado amigo está acima da política... se não for o caso não é amigo.

Gostaria de contar com os vossos comentários a um assunto que é um combate de sempre:
- a hipocrisia da igreja.


Espero por vocês lá no sítio... ao Catellius em particular.

Um abraço,

O+cioso disse...

Aposto q esse 'anonymous' eh o Catequitus querendo dar uma animadinha no blog paradao, kkkk

Langriss disse...

Não quero ser feliz o tempo todo. Não abro mão dos meus momentos de tristeza, de fossa, de parar e pensar "caralho, a minha vida é uma merda". Talvez alguém ache que eu sou um revoltadinho, um panaca qualquer, ou simplesmente maluco - afinal, quem é que não iria querer ser feliz pro resto da vida e não ter mais dor de cabeça com nada? Parece algo meio sem sentido.

Tudo em excesso traz consequências negativas, qualquer coisa que seja. A felicidade hoje em dia é vendida em livros baratos na beira da esquina e a tristeza é tratada como uma patologia. No final das contas, parece haver uma corrida atrás da felicidade perdida em livros com capas brilhantes e palestras de pseudo-profissionais com títulos esdrúxulos. No meio disso, a pessoa se sente mais triste ainda por não ser feliz, compra mais livros, e se afunda mais ainda. A indústria do sofrimento gera muitos e muitos cifrões pros "Augusto Cury"s da vida.

Eu ainda acho, na minha limitada visão (afinal, estou discordando dos deuses da felicidade nos seus livros bonitinhos) que as duas coisas se complementam: felicidade e tristeza. Felicidade demais torna a pessoa uma iludida, tristeza demais a torna apática. Na dose certa, os momentos felizes servem para que você possa perceber o que vale a pena, e os tristes o que não vale a pena. Ao menos pra mim sempre foi assim, cada momento com sua característica.

E no meio disso eu vou decidindo quem eu sou e quem eu quero ser.

Holy Father disse...

"Aliás, como Jesus não mentia, aposto que dava ratas como essa a toda hora. Devia ser um pé no saco aquele bastardo (não era filho de José)."


Se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro. Assim, certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro. Daí vem a crença no Purgatório. Receio que desta vida, pobre Catellius, você partirá diretamente ao inferno, sem passar pelo purgatório, porque para as suas faltas não existe perdão, nem na Terra nem no Céu.

C. Mouro disse...

Bem, essa estória de ser feliz através da ignorancia é coisa milenar, já bem exemplificada na estória da Caverna, onde aqueles que nada conheciam do mundo externo, aceitavam bem as sombras a que estavam habituados. ...e não é que muitos são os que querem voltar ao aconchego fraudulento da caverna!
...Cientes disso, fecham os olhos muitos dos que são expostos à luz da realidade, que destroi a farsa de sombras a que se acomodaram, mas outros apenas anseiam por conseguir voltar para o interior da caverna e esquecer o que viram definitivamente.

...realmente a caverna foi uma exelente alegoria, primorosa; e com ela nos deparamos aqui neste blog em meio a comentários.

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Ah! Sobre VSJC, essa de que o tipo não mentia pode ser compensada pelo fato de se sair com boas evasivas, escapadas verbais que até hoje ainda servem a embusteiros ...hehehe! o tipo não dava ponto sem nó não. ...sincero si, pero no mucho! ...que ninguém é de ferro! ....hohoho!

...Já sobre infernos e paraísos, penso que o inferno é melhor, inclusive pela companhia:

mulheres fogosas, cervejinha, entre outras biritas, para beber enquanto se joga conversa fora; Rock, heavy metal com aqueles baladões fenomenais, jogpos variados, piadas blasfemas, ou politicamente incorretas, entre vários outros pecados que os paraisos não permitem. Nestes só tem anjinhos assexuados (cala-te boca!), mocinhas e velhinhas recatadas, água mineral, música desanimada (algumas até têm sua hora, mas o tempo todo ...ugh!) e etc.. Enfim, um tédio. ...prefiro o inferno, é mais divertido, animado, e com pecados disponiveis para uso à vontade. ...hehehe!

Abraços
C. Mouro

André disse...

Langriss está certíssimo.

Esse Holy Father é mesmo uma graça... se o Catellius vai pro Inferno, eu também quero ir. Pelo menos vou ter alguém inteligente com quem conversar lá.

Catellius disse...

Obrigado, André!

E, como já dissemos antes por aqui mesmo, a temperatura do inferno tem estado bem amena por causa da escassez de petróleo no interior da Terra (inferno), após tantos anos de extração pelos habitantes deste lado da crosta terrestre.

O inferno sempre foi uma extensão da Terra Santa, que chega a estar 400 m abaixo do nível do mar, na região do Mar Morto, onde existem comunicações com o inferno, vulgo Terra Oca. Muito bem; desde antes dos romanos gastarem as sandálias naquele fim de mundo, aquilo lá é o inferno. Não por coincidência, a maior parte do petróleo do planeta está lá. Segundo minha teoria, lúcifer está furioso com o arrefecimento de suas fornalhas e resolveu se vingar de todos os culpados: venezuelanos, iraquianos, iranianos, cariocas (Bacia de Campos), etc.

Então, Mouro, além de chopp gelado e mulheres, nem um pouco inexperientes e frígidas como as virgens cabeludas reservadas aos mártires da Al Qaeda, teremos uma ótima temperatura por lá.

Em meu post Deuses e Pecados Capitais, descrevo, entre outras coisas, a pena infernal reservada a cada um dos pecados originais cometidos nesta vida.

Os orgulhosos são presos à "Roda" - o instrumento de tortura usado em Santa Catarina de Alexandria - logo que põe o pé no Inferno.

No Inferno os invejosos são submersos em água gelada. Considerando o calor que faz do lado de fora, até que Lúcifer é brando com esta casta de criminosos.

A ira é punida pelo desmembramento, que é muito pior que a amputação cirúrgica. Como o Inferno é eterno, imagino que os membros são reimplantados no "paciente" para um próximo esquartejamento - um trabalho de Sísifo que só deve agradar a sádicos do quilate de Satanás e Torquemada.

Os avaros são jogados em potes cheios de óleo fervente. Não vi nenhuma relação entre o pecado e a punição. Os inquisidores católicos pareciam ter mais imaginação que o Príncipe das Trevas...

Tão logo os glutões adentram o mundo subterrâneo são obrigados a comer ratos, lagartos e outras iguarias infernais.

Os lascivos são simplesmente queimados. Não sei se são amarrados a mastros durante o processo ou se ficam perambulando pelo Inferno, que, como todos sabem, é composto basicamente de fogo.

Os indolentes são jogados em poços cheios de serpentes venenosas, como no filme do Indiana Jones. Lá bulirão eternidade afora, para compensar as décadas de ócio aqui na Terra.

Abraços a todos!

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