01 maio 2007

Espaço, Silêncio e Tempo

Certa vez estava assistindo a um especialista em luxo definir o que era luxo em sua opinião, e ao invés de dizer que era ter um super carro, roupas de marca ou os últimos lançamentos tecnológicos, era simplesmente ter espaço, silêncio e tempo. Fiquei intrigado com sua definição e após alguma reflexão só pude concordar com ele.

De fato, é só olhar os novos lançamentos imobiliários onde são oferecidos apartamentos de 3 quartos com 80 m² nos centros de algumas cidades como sendo "de luxo" e a preços elevadíssimos para se perceber que algo está errado. Não demorará até que passemos a morar em apartamentos com ambientes divididos por biombos japoneses. Na minha opinião, por mais mármore, câmeras de segurança, fitness e office centres agregados ao empreendimento, as unidades não poderão ser chamadas de luxuosas. Luxo é dispor de espaço.

Não são poucos os que trabalham nas famosas baias de escritório e são expostos à intimidade tóxica de outras pessoas, obrigados a conhecer detalhes sórdidos de suas vidas, especialmente os mais desagradáveis como valor da pensão para os filhos, o dinheiro emprestado a parentes ou então a viagem para a Europa com a terceira esposa. Mas algumas pessoas são assim, como elas mesmas gostam de dizer, "autênticas". Parecem nutrir um prazer secreto em incomodar os outros. Luxo é dispor de silêncio.

Por fim, temos a questão do tempo. Eu, pelo menos, às vezes tenho uma sensação de aceleração do tempo. Hoje mesmo nem parece que já estamos em maio. O tempo voa e cada vez mais rápido. Não sei como é este fenômeno, que talvez tenha muito de ansiedade e medo da velhice. Lembro-me que quando eu era criança 15 minutos eram uma eternidade, e hoje não são nada (talvez a eternidade a que se referem os religiosos seja um estado mental). E o tempo passa. Em 1/3 dele estamos dormindo e nos 2/3 restantes sonhando ou tendo pesadelos acordados. Luxo é dispor de tempo.

Um dos problemas parece ser a excessiva urbanização. Hoje, em alguns lugares, é um privilégio se ver um pedaço de céu. Em outros, se alguém quiser ver uma nesga de chão não asfaltado terá de ir a um parque. Árvores só as vemos em regiões ou ruas um pouco mais "luxuosas". Para que tudo isto? Afinal, já não vivemos em uma sociedade do conhecimento, altamente informatizada e com um amplo espectro de possibilidades de comunicação? Então, por que mantemos o hábito da Revolução Industrial de nos apinharmos em centros urbanos?

Além disso, precisamos considerar que o impacto dos cada vez mais numerosos seres humanos sobre o meio ambiente é crescente, e crescimento econômico neste contexto tende a ampliar esta exploração, como diriam os ecologistas marxistas. Embora não seja ecologista do tipo Marina Anti-hidroelétrica da Silva e muito menos marxista, acho que se as pessoas se espalhassem um pouco mais, geograficamente, daria para mais pessoas viverem em imóveis maiores, verem o céu, andarem à sobra das árvores e até mesmo reduzir a pressão sobre sistemas hídricos à beira do colapso, sem a necessidade de muito crescimento econômico. Resta a questão: Como fazer isto?

46 comentários:

Catellius disse...

Ilustração: tratamento digital sobre gravura de Hugh Ferris.

Depois comento com calma, principalmente sobre a parte imobiliária, he he.
Abraços

André disse...

Legal esse desenho.

Difícil comentar esse post. Não penso muito nesses assuntos. Mas vamos lá:

Moro num apartamento grande e antigo, “sólido”, em Brasília. Paredes e lajes muito grossas. Já entrei em muitos prédios e apartamentos desses novos, na asa sul e no sudoeste, dos mais simples até os mais luxuosos (e caros). Há coisas muito boas, claro, mas também há muita porcaria, quase sempre acabamento belo porém ruim, em pouco tempo tudo já está despencando, caindo aos pedaços, sem falar em infiltração... E alguns apartamentos são realmente muito, muito pequenos. Não vou citar nomes de construtoras, mas já entrei em prédios onde a única coisa legal era o elevador: moderno, rápido e silencioso, vc nem sente o bicho se movendo. O apartamento em si era um cubículo. Falo isso pq a única coisa realmente ruim no meu prédio é o elevador, pequeno e lento. No resto, é ótimo. A parte elétrica e a hidráulica foram reformadas, tudo trocado, há uns dois anos. Acabei fazendo amizade com o engenheiro elétrico responsável pela obra e aprendi alguma coisa sobre instalação de caixas de luz e redes e o q há de mais moderno hoje. Muito interessante.

Espaço eu ainda tenho, mas não em todos os lugares. Silêncio, também depende do lugar, mas ainda tenho de sobra. E tempo eu ainda consigo arrumar pra mim. Então acho q sou um priviliegiado. Por enquanto.

Há coisas muito mais sórdidas e desagradáveis do q as intimidades citadas no texto. Isso aí é café pequeno hoje em dia...

Sim, vivemos numa “sociedade do conhecimento, altamente informatizada e com um amplo espectro de possibilidades de comunicação”, só que ao mesmo tempo urbana. Uma coisa levou à outra. Se ela vai deixar de ser urbana ou se tornar menos urbana, não sei. Acho q não vai.

Ecologia é mesmo um problema sério, a devastação é grande demais.

Excesso de gente. Eu aposto num vírus que elimine uns 30% da população humana. Não é difícil, e provavelmente será uma variante agressiva de algo já conhecido, não um organismo totalmente novo escondido na mata virgem de alguma ilha no Pacífico. Mas isso resolveria o problema de excesso de gente por pouco tempo. Passado o morticínio, as taxas de crescimento demográfico logo voltariam ao normal. Isso nos daria uns 5 a 6 anos de folga, no máximo.

Talvez arrumar uma forma de espalhar mais as pessoas seja desenvolvida um dia. Pelo menos pra acabar com esse confinamento em metrópoles. Acho q há muito espaço e pouco aproveitamento.

André disse...

E por falar nisso:

“Towns are full of people, houses full of tenants, hotels full of guests, trains full of travelers, cafés full of customers, parks full of promenaders, consulting-rooms of famous doctors full of patients, theatres full of spectators, and beaches full of bathers. What previously was, in general, no problem, now begins to be an everyday one, namely, to find room.”

José Ortega Y Gassett, Revolt of The Masses, 1930.

Pra quem se interessa:

http://www.ellopos.net/notebook/masses/index.htm

C. Mouro disse...

Simplesmente perfeito, exceente idéia para um artigo.
Como sempre, este blog "chuta o traseiro" da mesmice e abre um luxuoso espaço para a reflexão.
...que luxo!
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De fato, luxo é "ter espaço, silêncio e tempo".
Claro, pois luxo é antes de tudo excesso de conforto.
Não se deve esquecer que conforto tem um certo quê de subjetivo, mas se pode afirmar que em tese é objetivo.
Ou seja, os adereços nos condomínios promovem confortos aos moradores - e elevados custos também. Contudo, a falta de conforto nas unidades tende a anular o luxo do conjunto.
Na verdade todos querem acesso ao luxo até como ostentação de status, e por vezes nem tanto para usufruto material. Assim, o "luxo" torna-se como uma medalha a ser exibida, o símbolo de uma conquista. É como muitos que compram carros luxuosos a prestação e vivem em cubiculos. Claro que o carro é exibido pelas ruas e a residência não. Ah! os valores postiços! A ausência de reflexão sobre a realidade produz a estupidez generalizada, e todos querem ser admirados, amados e etc., como Spinosa magistralmente explicou em seu chatíssimo "Ética".
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Luxo é o supérfluo que aumenta o prazer. Assim, a beleza também é luxo, e um belo prédio tem um custo unitário maior, pois que o espaço pode ser "gasto" em benefício da beleza.
Portanto, quando se sacrifica o essencial, o espaço e o silêncio (tranquilidade), para outros luxos mais ostensivos, é contraditório. Afinal também entendo luxo como o aproveitamento do que SOBRA e não do FALTA. ...cubiculos em condomínios enfeitados, na minha opinião é apenas insensates.
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Qiuanto ao espalhar-se em nome do conforto, isso sim é luxo real. Mas imagine-se algumas cidades horizontalizadas... ...quanto espaço não ocupariam, quanto de tempo se perderia para acessar endereços, o do trabalho por exemplo. Haveria custo inclusive em tempo de locomoção. Tempo este que não sobra, e não seria aproveitado no deslocamento.
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Ou seja, para usufruir do luxo do espaço os custos são elevados, e é preciso também dispor do luxo do tempo. No mais, o que manda mesmo é a tal de "moda", pois segui-la é entendido como algo que valoriza do "antenado" que quer seguir aquilo que o fazem crer que o valoriza, como na "espiral do silêncio" já citada. Afinal, a idéia do marketing não convencer de que algo é bom, mas principalmente convencer de que a maioria, os melhores, a elite, as celebridades, o consideram melhor e que por tal é moda. ...e por tal agrega valor ao usuário.
...afinal, estamos no mundo onde poucos refletem, poucos pensam, preferindo seguir "as lideranças" que os conduzirá a uma Utopia qualquer, que já em si valoriza o arrebanhado como "idealista" ...tudo já é só aparência, todos querem aparências e não essência. Tornou-se mais importante aquilo que parece verdade do que aquilo que é verdade.
Este blog, e estes textos são como um oasis em meio aos modismos papagaiosos, pois que geralmente propoem reflexões.
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Um forte abraço
C. Mouro

(Catellius, estou com problemas no email, não sei se recebestes)

C. Mouro disse...

...e eu que já estou cheio e até de saco cheio de tantas "chiquérrimas" baboseiras alardeadas pelos "atenados" que me dou ao luxo de desprezalas ostensivamente. ....hehehe!
Vai ver que antenado tem algo que ver com chifres bovinos ...faz sentido ...hehehe!
Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Bem,
é comum aqui e em outros blogs se adicionar um comentário para corrigir erros do anterior. Eu não faço isso, pois imagino que a idéia é que interessa neste caso específico, blogs. Contudo, peço que perdoem meus erros de sintaxe, concordância e tudo mais, e se esforce,m para "achar " aquilo que quero dizer.
...constrangido...
C. Mouro

Roberto Eifler disse...

Realmente, meu caro Heitor, concordo inteiramente com o conceito de que luxo é espaço, silêncio e tempo. Quanto a espaço e silêncio, sou suspeito para falar, pois sempre sofri de certa fobia social, que se tornou só quase um cacoete com a idade mas não desapareceu por completo. Quanto ao tempo, tenho um adendo a fazer a suas considerações, baseado em minha experiência pessoal e observações atinentes: a noção de tempo se altera com a idade. Ainda não li nada sobre o fenômeno biológico subjacente, mas sem dúvida a passagem do tempo é muito mais lenta na juventude que na velhice, e isso não é uma questão exclusivamente subjetiva. Para a criança, os acontecimentos estão separados por distâncias enormes. Para a pessoa madura, o futuro é logo ali. Isso deve ter a ver com a fisiologia do cérebro. Às vezes penso que a noção de vida de uma efemérida não deve ser diferente da nossa, com seu começo, meio e fim, embora sua vida dure um dia e a nossa algumas décadas. A partir dessa passagem do tempo cada vez mais rápida com a idade, poderíamos filosofar e concluir que uma pessoa eterna viveria num eterno presente, donde chegaríamos ao movente imóvel de Aristóteles. E olhe que sou ateu!

Heitor Abranches disse...

Excelente,

Achei os comentarios otimos.

Finalmente, esta sendo proposto um trem de alta velocidade entre o Rio de Janeiro e Sao Paulo. Acho que uma solucao como esta pode viabilizar um espalhamento no eixo Rio-Sao Paulo onde quem sabe uma pessoa poderia morar em lugares que se tornariam viaveis com um trem de alta velocidade...

Heitor Abranches disse...

Tai um projeto que deveria estar no PAC

André disse...

Espinoza é chato, chato. A Ética dele, então... Os católicos achavam Espinoza um judeu safado e queriam queimá-lo. Os judeus o achavam um católico safado e queriam queimá-lo. Pobre polidor de lentes holandês.

Não tenho problemas com aglomerações, mas evito. Costumo freqüentar certos lugares durante a semana, quando estão mais vazios. Só bares cheios é q nunca me incomodaram.

Eifler, dizem q uma pessoa eterna provavelmente se entediaria em menos de uma década, q o Homem não “foi feito” para viver eternamente (para uns isso seria “incorreto”, contra a “vontade disso ou daquilo”, etc). Ah, mas eu não sei não... Se quisessem uma cobaia, é claro q eu me ofereceria. Projeto Highlander, o Guerreiro Imortal. Mas sem o inconveniente de morrer se tivesse a cabeça cortada.

Uma coisa é certa: se a decrepitude celular (ops!) for barrada e as pessoas pararem de envelhecer e morrer, vai haver a maior crise previdenciária, ha, ha... Vamos precisar de extermínios periódicos, como naquela ficção-científica hoje démodé (q palavrinha mais gay essa!), Logan’s Run (Fuga do Século 23), com Michael York. Nossa, catei essa lá da minha infância... o filme tinha a Farrah Fawcett, quando ela ainda não era plastificada.

Um TGV entre Rio e SP pode ser muito interessante - e sem dúvida propiciaria um certo espalhamento.

Catellius disse...

Faço coro ao C. Mouro; o artigo quebrou um pouco a mesmice de parte da blogosfera, (principalmente a do nosso blog, rs). E também achei todos comentários ótimos.
Concordo que esses três itens estão cada vez mais escassos nas metrópoles, e, como disse o Mouro, para ganhar tempo um indivíduo se sujeita a morar em um cubículo no centro da cidade, sacrificando os itens espaço e silêncio. Às vezes sacrifica liberdade, silêncio, tempo e espaço pela segurança financeira e pela ostentação. Abandona a liberdade que usufruía na iniciativa privada, por vezes no exercício da profissão no conforto do lar, onde o tempo é livre, onde há silêncio e espaço, onde se tem liberdade de agendar horários com clientes (sem haver a mistura de lar e trabalho, claro), onde se pode chutar o balde; em troca de um salário maior e de mais "direitos", boa aposentadoria, etc., ao custo de um trabalho vigiado com cartão de ponto, às vezes exercido de maneira automática, em baias, no meio de um barulho infernal, ao custo de horas no trânsito, de cansaço no fim do dia. Assim, este funcionário de "sucesso" passa a manhã pensando no horário do almoço, a tarde pensando no fim do expediente, a semana pensando no fim de semana, o mês pensando no dia de pagamento, o ano pensando nas férias e no 13º, a vida pensando na aposentadoria. Dependendo do caso, ele já virou um vegetal assim que abriu mão de sua liberdade. Não estou criticando aquele que não é empreendedor na iniciativa privada, lógico. Só estou citando um exemplo onde se perde o essencial em troca de um pouco de ostentação, como o sujeito do exemplo do C. Mouro, que dirige por aí seu BMW novo mas mora em um muquifo de 40m2 (vejo muitos carrões estacionados em frente a blocos decadentes de dois quartos nas SQS 400, de Brasília).

Talvez em um futuro recente possamos continuar a VIVER no mundo real mas trabalharmos virtualmente (no meu caso, gosto imensamente de meu trabalho de arquiteto, e trabalho do lado de casa). Deslocar-nos-íamos pra lá e pra cá em carros e aviões quando fosse para usufruir a vida, em uma viagem cultural ou para visitar um parente, por exemplo. Para trabalhar, contudo, nos deslocaríamos virtualmente, "tele-transportando-nos" para robôs. A Nissan do Japão, por exemplo, manteria um robô por lá e o sujeito, do outro lado do mundo, vestiria luvas especiais e um visor e "possuiria" o corpo do robô remotamente. Daí poderia deslocar-se pela empresa, abrir e fechar gavetas, passear pela cidade, participar de reuniões, sentar ao computador e manusear mouse e teclado. Instantes depois ele poderia estar passeando por Paris com um outro robô que estivesse "incorporado" pelo seu sócio, o qual poderia até morar na Sibéria. O robô não precisaria ser muito complexo, com detectores disso ou daquilo, precisaria apenas captar informações e reproduzir os movimentos do sujeito, que caminharia sobre uma esteira em um ambiente onde tivesse também uma poltrona para ele passar um tempo sentado. Nada impediria que ele morasse aqui no Brasil, à beira-mar, e trabalhasse em algum escritório de Nova Iorque. Teria espaço, tempo e silêncio. O consumo de petróleo seria menor e as cidades abrigariam apenas restaurantes, museus, centros de lazer, shoppings, hospitais, o Estado continuaria a policiar as ruas (quem sabe com policiais invulneráveis enfrentando facínoras invulneráveis? rs), etc. Não imagino, contudo, nesta minha "viagem" banal, típica de historietas de ficção científica de quinta categoria ou de um programa do Discovery Channel, como ficariam os laços humanos, o senso de coletividade, até de bovinidade, he he he.

Devaneios....

Quanto aos lançamentos imobiliários, é natural que terrenos escassos, nos centros das grandes cidades, atinjam preços exorbitantes, e que estes se reflitam no valor do metro quadrado do imóvel, para o empreendimento ser viável economicamente. Assim, se uma faixa econômica da população demanda moradias que custem algo em torno a trezentos mil reais, nada mais natural que a incorporadora comercialize imóveis que possam ser vendidos por tal preço. Assim, em determinadas áreas do centro de Brasília o preço do metro quadrado chega a R$ 4.000,00, enquanto ele não passa de R$ 2.000,00 em Águas Claras, um bairro um pouco afastado do centro. Se a carência de imóveis existe em uma faixa econômica que paga em média R$ 320.000,00 por uma moradia, o imóvel terá 80 m2 no centro e 160 m2 em Águas Claras. O primeiro sacrificou espaço por tempo, o segundo tempo por espaço. Mas não culpo as incorporadoras imobiliárias. Acho isto natural.

Abraços a todos!

André disse...

É, carrões em frente às caixas de ovo das 400 sul e norte são comuns. Nas 500 também.

C. Mouro disse...

Ora, a função é atender o mercado de modo a obter o maior suce$$o no empreendiemnto. E isso é justo e ótimo. Vendendo imóveis menores consegue otimizar o uso do espaço disponível, como apontou o Catellius.

No fim das contas o máximo luxo é dispor de espaço, tempo, silêncio e beleza, sem precisar sacrificar coisa alguma em função de outra mais importante. ... o resto é modismo tolo.
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Eu considero absurdo um sujeito pagar milhões por um apartamento em frente ao mar de Ipanema, quando o mesmo capital lhe proporcionaria uma casa com belos jardins, mais privacidade, conforto, beleza e silêncio, mas sem o glamour.
Do mesmo jeito é uma idiotice os novos ricos se dedicarem a firulas "aristocráticas" como se o "glamour da nobreza" lhe fosse útil, quando apenas lhes suga o sangue em troca de uma notoriedade dispensável.
Muitos perdem muito dinheiro apenas para se exibirem "chiques" ou "luxuosos".

Os cubículos luxuosos não deixam de ter um apelo ao glamour, e há aqueles que sacrificam espaço e tranquilidade para obter certo glamour como se este fosse luxo. Na verdade sacrificam o luxo ao optar por algo "luxuoso"...
...vá se entender tanta dialética ...hehehe!

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

complementando
..otimiza o uso do espaço atendendo maior número e obtendo maior renda. Já que mais estão dispostos a pagar um valor unitário menor por um espaço menor ainda.
...o melhor retorno determina o uso; e se dá o melhor retorno é o mais útil, segundo o mercado. ...tudo certo.

Abraços
C. Mouro

Bocage disse...

A solução é o teletransporte, como sugeriste, Catellius. Mas se a engenhoca fosse inventada eu não ficaria por aqui, habitando uma praia infecta da costa brasileira e trabalhando em um escritório da infecta Nova Iorque. Transferiria minha carcaça e minh'alma [como diria o falecido Eleitor] para o planeta habitável que orbita Gliese 581, a estrela da constelação de Libra que virou celebridade de uns dias para cá. Por precaução faria um teste para me certificar de que não corro o risco de ser teletransportado metade homem metade ácaro, espécie onipresente como deus, baratas e outras pragas que assolam a Via Lactea. Lá eu teria espaço de sobra, ao menos até outros homens-ácaro aparecerem, silêncio e tempo, posto que quando o homem atingir o planeta prometido, que dista uns 190 trilhões de quilômetros da Terra, ele será imortal.

Bocage disse...

Esqueci-me de parabenizar-te, Heitor; o artigo não deve esgotar o assunto e sim suscitar uma boa discussão.
Restringindo-me à velha Terra, boa é a solução beethoveniana: ficar surdo. Um dos problemas estaria resolvido! Um luxo! E devemos nos ocupar de atividades maçantes, que retardem o desenrolar do tempo que tanto conspira contra nós adultos atarefados. Quanto ao espaço, devemos usar óculos que reduzam a paralaxe, que dêem a impressão que somos nanicos, personagens de Terra de Gigantes, rs.

André disse...

Um pouco de surdez às vezes ajuda. Surdez mental. Fazer restrições mentais, reservas mentais. O que demanda um pouco de cegueira também!

André disse...

Enfim, reduzir os sentidos e passar em branco por certas situações. Mas estar com todos eles bem aguçados quando interessar, claro.

Anonymous disse...

'possuiria o corpo do robô'

São Catequitus, um robo possui algo mais do que um corpo? Vc nao acredita em alma humana, apenas em alma robotica? tsc tsc tsc

C.E.O. disse...

Eifler tem razão. Mas a noção de tempo não tem ligação apenas com a 'fisiologia do cérebro'. Tem a ver com a percepção de mundo que vai mudando à medida que se interage mais com ele. A criança tem fome, acorda, chora, é saciada, dorme, tem fome, acorda, chora, é saciada, dorme... A seqüência de acontecimentos, que se repete indefinidamente, é a maneira como a inteligência não-verbal primitivamente organiza a noção de tempo. Tem caráter cíclico e repetitivo. À medida que fatos novos vão acontecendo, podem-se estabelecer marcos diferentes de orientação temporal e é sobre esses marcos que se estrutura uma noção mais complexa de tempo.

André disse...

Chief Executive Officer said:

"...a percepção de mundo que vai mudando à medida que se interage mais com ele."

Em outras palavras: a gente vai crescendo e tendo uma noção maior das coisas.

É isso mesmo. Queria poder voltar a ter uma noção menor do mundo q me cerca, essa correria idiota moderna enche.

Roberto Eifler disse...

Ainda quanto ao Tempo.
Falei em “fisiologia do cérebro”, mas poderia usar também o enfoque de Kant, do tempo como intuição a priori. Pode-se discordar do sistema que Kant construiu em cima de suas intuições, mas temos que concordar que suas intuições são poderosíssimas. Para Kant o tempo não é um conceito empírico, isto é, não deriva da experiência. É uma condição subjetiva através da qual apreendemos as coisas do mundo. Em outras palavras: as coisas não existem no tempo. Sem nós, o tempo não existe. O tempo só tem um valor objetivo, isto é, comum a todos, porque todos sentimos da mesma maneira. Ou quase. O tempo é uma forma, uma perspectiva do mundo. Por isso ele pode variar entre pessoas ou entre momentos da mesma pessoa, principalmente entre fisiologias diferentes como a da criança e a do homem maduro.

André disse...

Certíssimo, não há nada mais subjetivo, portanto variável, do q o tempo. Ele vive em nós, e quem sabe um dia a gente se livra dele (claro q não, duvido q o homem consiga viver sem alguma forma de medição do tempo)

david disse...

Esses três fatores que você apontou (espaço, silêncio e tempo)tem diminuido a nós, citadinos, desde os tempos da Revolução Industrial.
Para se trabalhar nas fábricas, abandona-se a imensidão do campo para poder star mais próximo de uma fonte de renda 'estável' (indústria), convivendo com outros que tiveram a mesma idéia em apartamentos cada vez mais apertados, onde não se pode ter privacidade ou silêncio.
As máquinas vieram para facilitar a vida do homem, tornando mais fáceis as tarefas mais ordinárias, para que esse homem pudesse desfrutar de uma melhor qualidade de vida.
Não funcionou como se pensava e o homem tornou-se escravo da máquina, que lhe toma todo tempo, seja em seu emprego (operando equipamentos seja lá quais forem), seja na hora de lazer (lavando o carro, por exemplo).
A ilha utópica seria uma alternativa, se não se dependesse de vizinhos lhe tolhendo o espaço, azucrinando seus ouvidos com fofocas e lhe apressando a ir atéa praia buscar o côco nosso de cada dia.

Ricardo Rayol disse...

Heitor, essa sensação que o tempo se acelera cada vez mais também sinto. Meio estranho. De resto. Um apê luxuoso é um apê espaçoso, o resto é enganação e quem cai nesse papo merece morar num apertamento.

Catellius disse...

É auto-evidente que distinguimos aquilo que foge ao padrão, como o cérebro de um predador (do qual um tipo de animal se defende mimetizando-se) imitando o padrão do entorno para não ser distinguido. Vi há um tempo na Science & Vie imagens do monitoramento cerebral de um gato em uma sala onde havia um som intermitente, como um metrônomo. No começo a informação suscitou uma atividade cerebral intensa mas que com o tempo foi diminuindo, sem contudo desaparecer. De repente, um rato de brinquedo atravessou a sala. A atividade cerebral do gato cresceu sobremaneira em uma área ligada à visão e simplesmente desapareceu na área ligada à audição.

O que podemos depreender disto para este debate é que em uma época de nossas vidas em que tudo era novidade, onde ratos, pavões, aves-do-paraíso, unicórnios e esquilos metafóricos desfilavam à nossa frente, dispúnhamos de mais marcos temporais do que hoje, quando amiúde estamos presos a uma rotina, quando os aniversários são todos iguais, os happy-hours são todos iguais, os noticiários, os filmes, etc. Principalmente quando nosso próprio trabalho é repetitivo.

A capacidade de distinguir alterações de padrão é uma das explicações para a sensação de sobrenatural que os mais crédulos têm. Quando citamos o nome de um conhecido e em seguida damos de cara com ele, logo arranjamos uma explicação como a do metafísico Jung e a sua pseudociência da sincronicidade, e esquecemos que nas outras 999 vezes que citamos o nome do sujeito não nos deparamos com ele nos instantes seguintes. Não pensamos que ainda que estejamos em uma cidade de 2 milhões de habitantes, acabamos freqüentando sempre os mesmos shoppings - nós pais de crianças pequenas - e invariavelmente acabamos caindo na praça de alimentação - a clareira onde a macacada se reúne para mastigar o pasto em bandejas e para produzir mil decibéis de guinchos, he he.

E a criança vive o momento, enquanto nós antecipamos demais os eventos, planejamos, somos ansiosos, como disse o Heitor, e também remoemos o passado, as decisões equivocadas, as omissões, relembramos bons momentos também. Acho que este hábito acaba achatando o tempo, sem falar que sobram menos momentos presentes para serem gravados, uma vez que em meio a um devaneio ou ao "sonhar acordado" do Heitor, não se está no presente.

E como é a vida nos primeiros 18 anos? Abandona-se a barra da saia da mamãe para ir ao colégio, enxerga-se os irmãos nascendo, apaixona-se pela primeira vez, viaja-se para um local diferente, acidenta-se pela primeira vez, namora-se, ejacula-se pela primeira vez, bebe-se álcool pela primeira vez, abandona-se a casa dos pais (cada vez mais tarde). E dos 18 aos 36? E dos 36 aos 54? Dizem que os últimos 500 anos de Matusalém se passaram muito mais rápido do que o intervalo entre o instante da carta de Pero Vaz de Caminha e os dias de hoje, simplesmente porque ele passava os dias jogando sozinho um tipo primitivo de jogo da paciência feito de ossos de jumento.

Roberto Eifler disse...

Se Matusalém jogava paciência com ossos de jumento eu não sei, mas que seus últimos 500 anos passaram rápido, ah, isso passaram. Imagino-o botando conversa fora com um amigo:
- Você nem sabe quem é que eu encontrei no século passado...
E, a respeito do tempo, tenho outra observação: a maior parte de nossa vida em vigília passamos vivenciando memórias passadas e futuras, isto é, a grande maioria de nossas emoções são motivadas por lembranças e por antecipações. Recordamos os nossos, geralmente poucos, grandes momentos que vivemos e nos excitamos ou nos aterrorizamos com o que prevemos. Tirando algumas poucas exceções (Don Juan, soldados em guerra), nossas emoções praticamente só vêm à tona através da memória. Isso não é uma crítica ao homem comum. Nem por isso tais emoções são menos autênticas. É apenas uma constatação de como funciona o cérebro e do papel primordial da memória (passada e futura) na vida do ser humano. Os idealistas seriam menos idealistas se não conseguissem realizar seus ideais? Os amantes seriam menos amantes se não atingissem seus objetivos? Se Romeu e Julieta tivessem sobrevivido, casado e constituído família, seu caso seria menos valorizado? Os momentos mais sublimes de Romeu e Julieta foram os que eles passaram juntos ou os que passaram desejando um ao outro? O que vale para Romeu e Julieta vale para o homem comum.

André disse...

Essa rotina repetitiva é terrível. Faço o possível pra sair dela.

Já pensou se houvesse mesmo um Universo sincrônico como o q Jung propunha? Ia ser complicado. Sem nem saber quem foi Jung ou q diabo é isso de sincronicidade, todo mundo procura pela sua.

A área de alimentação é mesmo a clareira onde a macacada se reúne para mastigar o pasto em bandejas e grunhir. Quem sabe um dia aparece aquele monolito alienígena do 2001 e oferece mais um salto evolutivo pra essa gente. Uma nova utilidade para um osso humano, além da eventual, muitas vezes necessária, paulada na cabeça do macaco ao lado. Uma intervenção que, naturalmente, vai dar errado. De novo.

Sonhar acordado é um velho hábito. Num longo teste vocacional combinado com teste de QI, tive uma pontuação alta, mas nada relacionado a exatas, que de qualquer forma detesto e, muito mais importante do q o QI a meu ver, fui classificado como visionário. Alguém aí emprega visionários?

André disse...

Eifler, acho que muitas vezes o não dito e o não realizado, não concretizado, vale tanto ou mais do que aquilo que efetivamente aconteceu.

Catellius disse...

Eu escrevi:

...como o cérebro de um predador (do qual um tipo de animal se defende mimetizando-se) imitando o padrão do entorno para não ser distinguido.

Os parênteses foram para os locais errados e faltaram algumas vírgulas. Eu quis dizer:

É auto-evidente que distinguimos aquilo que foge ao padrão, como o cérebro de um predador, do qual um tipo de animal se defende mimetizando-se, imitando o padrão do entorno para não ser distinguido.

C. Mouro disse...

Bem, quando estamos esperando por algo temos sempre a impressão que o tempo passa mais devagar, pois queremos que passe rápido.
Corroborando com o que disse o Catellius, a pouca idade e experiencia provoca a ansiedade para que as coisas aconteçam logo, e por tal se tem a impressão de lerdeza no tempo.
...caramba, como o tempo demora a passar quando marcamos para o dia seguinte o delicioso rala e rola com aquela gata maravilhosa que conhecemos já no fim da noite ...putz, como o tempo demora a passar.
...Já quando tempos muito serviço para entregar, putz, como o tempo passa rápido.
.
Show de bola:
"clareira onde a macacada se reúne para mastigar o pasto em bandejas e para produzir mil decibéis de guinchos"

Caramba! ...realmente a macacada gosta de fazer barulho quando se alimenta.
Fico reparando nos restaurantes como há tipos que gostam de falar alto, a maioria fica como uma colméia oriçada.
Os animais não entendem que basta falar para ser ouvido por seus pares, que não precisam espalhar seus relinchos, bramidos, urros e grunidos por todpo o ambiente.
...querer que entendam isso me parece realmente algo utópico.

Nestes ambientes aponto tal animalidade e minha mulher me repreende, diz que eu preciso entender "que as pessoas são assim" e que preciso é parar de pensar e ficar escrevendo coisas, que devo deixar as coisas rolarem, me alienar. ...e ela tem alguma razão ...hehehe!
.
Abraços
C. Mouro

André disse...

E, meu caro C. Mouro, quando queremos evitar algo, o tempo voa!

Quando esperamos por aquele programa com aquela gata no dia seguinte, ele se arrasta.

Quando estamos sozinhos e sem nenhuma opção "gatosa" à vista, ele voa.

Se vc andar com um medidor de decibéis num shopping, aposto q a área mais barulhenta é a de alimentação. Já me acostumei, mas às vezes prefiro um pouco mais de silêncio.

Bocage disse...

E assim, C. Mouro, retiras o elmo coberto de sangue e revelas tua face humana: possuis uma esposa que implica contigo... como a minha e a de todos os outros, campeões nas liças e capachos no lar, rsrsrsrs

André disse...

pelo jeito, só eu não sou casado nesse blog. Alguém ainda sai à caça! Mas isso não é nenhum demérito para os casados. Dizem q casamento é muito bom. E quando funciona deve ser mesmo. Estou indo no mesmo caminho de todos vcs, acho.

Ou quase todos

C. Mouro disse...

É, caro Bocage, o pior é que nesse caso ela tem razão....

Caro André, de fato quando funciona é bom, o problema é que por vezes pode "dar muita oficina".

Abraços
C. Mouro

A Língua disse...

O TEMPO demora a passar porque a Mulla vai ficar aki até 2010!!!!!
O ESPAÇO do Brasil é pequeno pra nós dois!!!!!
A besta não para de zurrar!!!!! SILÊNCIO!!!!!
Mulla ao decidir entre o certo e o errado, sempre escolhe o errado por "konvikições kriminalísticas" e sempre koloka ao kommando do Cemitério da Justiça um "cinistro da injustiça".
E o Eros Grau, alto "grau" de "erotismo"... e com aquela cara que o faz-nos ter nenhuma dúvida que ele é de fato dono da bunda dele e que ela não foi uma bunda presenteada por bicheiro!
E o "Hierbo Kokaralhes"????
E o "Franklinstein Motins" que usa o Pepel Higiêniko da Hora do Polvo para ameaçar o Diogo Mainardi? Acabou saindo do estágio de semi-vítima para se permitir revelar terrorístima. Estranho foi o Papel Higiêniko da Hora do Polvo anunciar decisão do injuizado em relação a Mainardi dias antes da sentenção ser dita... "kom língua prezha???"
Um abraço,
A Língua!

Bocage disse...

André, curte o luxo de que ainda dispões. Depois de casar verás que o único espaço que te restará será uma prateleira para teus livros e umas gavetas para tuas roupas; o resto será da esposa e dos filhos, quando chegarem. Só terás silêncio no banheiro, a última reminiscência da atávica caverna - dos bons tempos em que éramos os donos do pedaço - onde concluirás a duras penas o primeiro parágrafo do segundo capítulo do livro que te propusestes a ler um ano antes. E só terás tempo quando... melhor: esquece o tempo, rsrs.
Paradoxalmente, a vida melhora imenso ao lado da esposa e filhos. No final das contas, luxo não importa! rsrsrs

Roberto Eifler disse...

Mais uma observação sobre o tempo pessoal.
Um traço marcante dos doentes de Alzheimer é que eles perdem a memória, e com a memória a própria biografia e a perspectiva de futuro. Pode-se dizer que um doente de Alzheimer vive num eterno presente, sem passado e sem futuro. É claro que nos casos mais severos as emoções e as funções cognitivas são afetadas, mas quando primeiro a memória é destruída, desaparece com ela a noção de tempo. O doente fica apalermado, mesmo possuindo ainda racionalidade, porque como fazer algo se não existe um antes e um depois? O neurologista A. Damásio cita o caso de um amigo que era profundamente erudito e por isso os sintomas custaram a ser notados (havia muita memória para ser apagada). Mas, quando a doença se instalou definitivamente, o quadro ficou amargo. Sua esposa tinha de lhe dizer o que era cada coisa. Certa vez, ante o desconhecimento do marido, ela explicou: “Eu sou sua esposa”. E ele retrucou: “Mas eu, quem é que eu sou?”

José Alberto Mostardinha disse...

Olá Heitor:

Muito interessante.
Desejos de um óptimo fim de semana.
Um abraço,

André disse...

Ok, Bocage, vou, estou curtindo esse luxo. Já q só me restará uma prateleira de livros e umas gavetas para as roupas. Hoje o meu castelo é todo meu e o meu império é bem maior.

Legal o q o Eifler disse sobre o Alzheimer. Já li muito sobre isso, é terrível.

Catellius disse...

Excelentes comentários.
E nem mudamos de assunto, he he.

André disse...

É mesmo, mais de 40 comentários e não mudamos de assunto.

Catellius, muito obrigado pela parte q faltava daquela ópera, muito boa. Depois vou passar tudo p/ um cd.

Catellius disse...

É isso aí, André. Acho que ficaram faltando algumas faixas. Confira aí. São 12 do cd01 e 14 do CD02.

Tenho certeza que você comprará o L'Orfeo de Monteverdi com o Gardiner quando o encontrar em CD, por isso que "sharing" clássicos nunca é pirataria, he he. Um dos maiores prazeres que tenho é de deletar uma ópera em mp3 depois de comprar a caixa de CDs com o libretto, he he.

Abraços

André disse...

Bom, nesse caso, já q é bom mesmo ter o libretto, vale a pena comprar. Mas tirando ópera, eu não compro nada se consigo uma cópia pirata decente do original. Se bem q conhecer gente q gosta de música clássica é muito difícil, pelo menos pra mim sempre foi, então eu só tenho prdoutos originais aqui, cds comprados, por falta de outras fontes.

Como isso custa caro, levei uns 5 a 6 anos, ininterruptos, pra chegar no q eu tenho hoje. Mas já tem uns dois anos q eu não compro nada nesse departamento. Tenho dado prioridade para os livros, principalmente História e assuntos militares.

CDs custam muito caro, e não só os clássicos.

De uns meses pra cá, venho me fartando com o YouTube, como vc já deve ter percebido. Pra mim é uma das melhores coisas q já apareceram na internet.

André disse...

Acho q não faltou nenhuma faixa de L'Orfeo.

Perda de tempo: tentei ver Spider Man III na sexta, no Pier21. Sabia q não ia dar certo, e não deu. Fui fazer outra coisa. A única sessão disponível, legendada, era a de meia-noite e dez... O pessoal passa lá à tarde, compra as entradas e volta à noite.

O pior é q esse tipo de filme, q me agrada, entra em tantas salas q tira de cartaz aqueles outros dois mais inteligentes q vc queria ver, mas ainda não teve tempo. Não sobra nem uma sala, e outros lugares, como aquele circuito da academia de tênis, não contam, porque é tudo "cult", sofisticadinho. Já vi filmes bons lá, mas é raaaaaro... Lá tem dessas figuras q não só não gostam de filmes legendados como nem precisam ler as legendas, pq falam thai, farsi do sul do Irã e javanês. Ou será só pose dessa gente?, ha, ha, ha...

Marcos Vinícius Ferrari disse...

'Só terás silêncio no banheiro, a última reminiscência da atávica caverna - dos bons tempos em que éramos os donos do pedaço' (Bocage deste blog)

Li há um tempo em um banheiro em Ouro Preto

Neste lugar solitário
Toda vaidade se acaba
Todo covarde faz força
Todo valente se caga

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