06 maio 2007

Diderot e Nietzsche: Melhores que Nostradamus

Texto de C. Mouro

Diante da realidade que grita em todos os ouvidos e ilumina todos os olhos, muitos daqueles que se admitem esquerdistas, socialistas, marxistas e etc, quando não apelam para a esquizofrenia descarada, apelam para dissimulações e/ou afirmam a “deturpação do socialismo” ou do “comunismo/marxismo” por alguns líderes, tentando manter a aura embelezadora de tal perniciosa e perversa ideologia, que visa unicamente a defesa do poder totalitário, ou Estado Coercitivo Totalitário, em beneficio dos que dele usufruem materialmente e hierarquicamente segundo a escala de valores que este impõe como verdade.

Porém, a natureza intrinsecamente nociva da ideologia do Poder, que o preconiza como panacéia salvadora ou mesmo como utopia, antes mesmo de seu funesto resultado prático já tinha sido denunciada por Nietzsche, que põe por terra qualquer tentativa de embelezamento ou dissimulação da funesta ideologia, até como sonho utópico, deixando a nu esta teoria deliberadamente fraudulenta, comprovada na prática: uma farsa ética, fracasso moral e material. Mero projeto de Poder absoluto.

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Começo citando Diderot, em sua primorosa clarividência, aconselhando:

“Examinem todas as instituições políticas, civis e religiosas; ou eu muito me engano ou vocês verão nelas o gênero humano subjugado, a cada século mais submetido ao jugo de um punhado de meliantes”

Aproveito ainda para citar uma frase, de autor desconhecido, imperativa em sua natureza categórica:

“Quem tem por hábito usar a força para conseguir o que quer, tem por hábito querer sempre mais.”

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Já Nietzsche, escreveu o seguinte em seu livro “Humano demasiado humano”, que com "Aurora", "Para Além do Bem e do Mal’ e outros, é genial:

“O Socialismo é o fantasioso irmão mais jovem do quase decrépito despotismo, o qual quer herdar. Suas aspirações são, portanto, no pleno sentido mais profundo, reacionárias. Pois ele deseja uma plenitude de Poder estatal como só a teve alguma vez o despotismo, e até supera todo o passado por aspirar ao aniquilamento formal do indivíduo: o qual lhe parece como um injustificado luxo da natureza e deve ser melhorado e transformado por ele em um ‘órgão da comunidade’ adequado a seus fins.
Devido a sua afinidade, o Socialismo sempre aparece na vizinhança de toda excessiva manifestação de poder, como o antigo socialista típico, Platão, na corte do tirano siciliano: ele deseja (e em algumas circunstâncias promove) o estado ditatorial Cesário deste século, porque, como foi dito, quer ser seu herdeiro. Mas mesmo essa herança não bastaria para seus objetivos; ele precisa da mais servil submissão de todos os cidadãos ao Estado absoluto, como nunca existiu nada igual; e como nem sequer pode contar mais com a antiga piedade religiosa ante o Estado, tendo, queira ou não, que trabalhar incessantemente por sua eliminação - pois trabalha para a eliminação de todos os Estados existentes -, não pode ter esperança de existir a não ser por curtos períodos, aqui e ali, mediante o terrorismo extremo. Por isso ele se prepara secretamente para governos de terror e empurra a palavra 'justiça' como um prego na cabeça das massas semicultas, para despojá-las totalmente de sua compreensão (depois que este entendimento já sofreu muito com a semi-educação) e criar nelas uma boa consciência para o jogo perverso que deverão jogar.“


Nietzsche estava perfeitamente certo, como a história o tem provado – acertou também sobre a comunidade européia que menciona em “Humano, Demasiado Humano”, inclusive já detectando a semi-educação (desinformação?) para o embelezamento do funesto objetivo.

Ainda Nietzsche:

“o indivíduo é nesse caso posto de lado como um inseto desagradável: está baixo demais para poder despertar por mais tempo sentimentos torturantes em um dominador do mundo. (...) Assim também se passa com o juiz injusto, com o jornalista que com pequenas deslealdades induz em erro a opinião pública.”

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Platão preconizava um Estado absolutista interferindo na vida de todos, inclusive atribuindo ao Estado a tarefa de educar as crianças uniformemente (doutriná-las: adestrá-las como a animais), em lugar das famílias que, com variadas reflexões individuais poderiam promover a busca pela verdade em meio a inúmeras visões debatidas até entre os “comuns mortais”.

A uniformização do pensamento em Platão, a ser produzida por uma única fonte, já antes de Gramsci e a uniformização de todas as fontes, já aparecia como fundamental para incutir nas mentes a hierarquia social que ele próprio propunha, vislumbrando os magnânimos “benfeitores profissionais”, cuja vontade amparada pelo Poder absoluto coagiria a humanidade à “perfeição” arbitrada segundo o interesse de pretensos e vaidosos “homens-deus”, que deliram com a idéia de exercerem sobre os “homens imperfeitos” o mesmo poder que atribuem a deuses idealizados à sua imagem e semelhança.

Platão acreditava, ou queria crer, que “iluminados” deveriam governar, determinando sobre a vida de toda a população. Já não lhes permitindo o livre-arbítrio na Terra (este concebido como justificativa para a impotência dos deuses no mundo real), para impor-lhes de fato a vontade salvadora dos “homens-deus”... Em nome do “bem comum”... É claro! E eivado de “boas intenções”, o tirano demagogo pleiteava uma hierarquia social discricionária, imposta de cima pelos “sabichões” que almejam destruir a idéia de liberdade. Platão era um aristocrata ambicioso; não era um trabalhador nem empreendedor, como os que por si realizam cientes de seus limites, mas sim um intelectual vendendo ideologia ou apologia ao poder absoluto de maníacos que querem ser como os deuses que idealizam, possuidores da fórmula da felicidade eterna, concebida em sua pretensa onisciência uniformizadora, contrária às escolhas subjetivas.

O que Nietzsche escreveu é evidente, basta que se pense e se chegará às mesmas conclusões. O maior mérito deste é que esteve mais perto do reflorescimento destas funestas idéias socialistas, antes que se pudesse ver o que produziriam em sua prática, desvendando-lhes a natureza pérfida e destruidora. Ou seja, se opôs a elas com bases vulneráveis a discursos demagógicos, teóricas, questionando-as ainda como idéias que se revelariam na prática. Atualmente, mesmo com as provas “berrando”, ainda se finge não saber a que servem tais embustes ideológicos para pleitear o poder absoluto de maníacos que o desejam, para se crerem assemelhados a suas idealizações imbecis.

Platão e as classes de uma sociedade hierarquizada “sem classes”:

"Sois todos irmãos os que fazeis parte do Estado; mas o Deus que vos criou fez entrar o ouro na composição de vós outros que sois aptos para governar. Por isso mesmo os tais são mais preciosos. Misturou prata na constituição dos guerreiros; o ferro e o cobre na dos lavradores e artífices".

O celebrado Platão reforçou sua idéia hierarquizante preconizando a segregação em classes, mais propriamente castas, só que por aptidão individual e não por hereditariedade ou “eleição de representantes”, mostrando-se elitista e estúpido, tal qual os “intelectuais” que se oferecem como ideólogos das “castas superiores” a se estabelecerem como “guias geniais” para salvar as massas.

Vejamos:

"Tendo todos uma origem comum, tereis ordinariamente filhos que se vos assemelhem. Poderá, porém, acontecer que o cidadão de raça de ouro tenha um filho de raça de prata; e, por outro lado, que o de prata produza o de ouro e, que o mesmo suceda a respeito das outras raças. Por isso ordena Deus, principalmente aos magistrados, que se ocupem acima de tudo em conhecer de que metal é feita a alma de cada criança e, que, se em seus próprios filhos encontrem alguma mescla de ferro ou cobre, os tratem sem mercê e os releguem à categoria dos artesãos ou lavradores.
Também requer Deus que, se estes últimos tiverem filhos que venham ao mundo com mescla de ouro ou prata, elevem aqueles à categoria de magistrados, estes à de guerreiros. Porque há um oráculo que diz que a república perecerá no dia em que for governada por ferro ou bronze".

Admirável mundo velho!

O preconceito elitista quer um governo de “superiores” ou “eleitos por deus” a governar em nome do “bem comum”, determinando que os que trabalham e produzem são “inferiores” ou, mais objetivamente, que os “inferiores” é que devem trabalhar para custear a hierarquia dos “bons” ou “superiores”, que devem praticar coisas “mais elevadas” como as artes, a guerra (agora a paz), a filosofia (agora descaradamente a ideologia) e a autoridade governante.

A idéia daqueles que se querem crer a “elite intelectual” ou “deuses provedores”, bem como dos oportunistas menos recalcados ou maníacos, é a de que o trabalho de produzir bens e serviços úteis não deve ser atribuição dos “virtuosos” nem das “autoridades”, mas sim dos indivíduos “menos nobres” ou “feitos de ferro”. Como se os que produzem bens e serviços úteis devam se entregar ao arbítrio dos “salvadores” que conhecem a fórmula da “felicidade universal” para homens uniformes ou uniformizados/igualados.

Estes que se postam como “salvadores de massas”, “novos messias”, entre eles o notório Hitler, pensam o mundo tal como este bem o explicitou, dizendo que os doutrinadores devem estabelecer fins, e os políticos devem fazer o que for possível em nome destes fins, utilizando-se de quaisquer meios; cabendo ao povo segui-los, obedecê-los e custeá-los. Explicitamente afirmando: independente dos fins serem ou não realizáveis. (obs.: e certamente independente da sua natureza, se bons ou não, pois que “supremos”, logo acima do bem e do mal julgados subjetivamente: o “ser coletivo” (sic) sobrepõe-se ao indivíduo).

O que pensam estes que se querem impor como elites salvadoras, “de ouro” ou mesmo de “prata”, é semelhante ao que nos esclarece Platão, partilhando da mesma fantasia. Assim, artistas se colocam acima dos “comuns mortais” achando que o governo deve tirar dos que produzem bens e serviços úteis, para sustentar-lhes o fausto; tentando justificar isso na “superioridade da cultura e das artes”. As autoridades e altos burocratas também querem se ver como “superiores que defenderão os pobres da ganância dos malvados”; atletas querem convencerem-se que são o “supra-sumo da espécie” que representam seu povo; também pleiteando que o povo os sustente a tripa forra. Os clérigos não ficam atrás, pois se acham “escolhidos de deus” e querem privilégios e comando (arbitrar a moral). E por aí vão, vaidosos, os que se querem “de prata” e “de ouro”, reivindicando que os “de ferro ou bronze” trabalhem e produzam para sustentá-los. (Obs.: a verborréia da “luta” tem a ver com “os bons”, os “valiosos guerreiros” de prata em defesa de idéias de ouro).

Assim, para realizarem suas manias de glória e hierarquia social (status), não percebem outro meio que não um Poder Coercitivo Absoluto, o Estado Totalitário, capaz de explorar os que trabalham para custear “os melhores da espécie humana”. Não passam de espertalhões e maníacos a seduzir imbecis e recalcados.

Fazem política, então, para doutrinar imbecis e frustrados/invejosos, elevando o Estado à categoria de “deus” abstrato, que existe através dos “homens-deus” que o controlam e determinam as suas magnânimas vontades. Como não poderia deixar de ser, enquanto os “servos do deus” trabalham e produzem para o rebanho (coletivo), os que lhe dão vida destes se utilizam para se locupletarem e realizarem suas manias e glórias - isto é humano, demasiado humano.

Contudo, penso que estes que se querem “rodeados de servos” possuem mesmo é excremento em sua constituição, a julgar pelas asneiras que produzem e as desgraças à que têm empurrado a humanidade. É a vaidade que os ensandece. ...cuisp!

C. Mouro

81 comentários:

Heitor Abranches disse...

Muito bom o texto.

Tambem nao admiro Platao e seu idealismo.

Considero o idealismo desumano e acredito que em nome dele grandes atrocidades ja foram cometidas a comecar por Hitler que tinha um ideal de pureza e beleza em nome do qual foram derramados rios de sangue.

André disse...

Bom, estava eu aqui, perdido nos em meus alfarrábios jurídicos e burocráticos, nos meus enfadonhos estudos para concursos, quando se me deparei com este pequeno tratado filosófico, he, he. Vamos lá:

Um Olhar Sobre o Estado, capítulo de Humano, Demasiado Humano, de Nietzsche, é bastante esclarecedor. Aliás, o livro inteiro, e os outros livros também, mas não vamos nos empolgar... Esse aforismo citado no post é desse capítulo.

Voltaire também é recomendável. O Dicionário Filosófico, Zadig, Micromégas, Candide... sem falar nas obras menores.

Bom, algumas aristocracias criaram muitas coisas boas. E porque não precisavam trabalhar, porque havia a plebe para isso. Então, que bom que elas não precisaram trabalhar (pesado). Mas não estou concordando com Platão. E falo de aristocracia como Ortega Y Gassett falava de nobreza: não é só a posição e o poder em si, mas a mentalidade. Ser nobre é um estado de espírito também. Uma forma positiva de nobreza aristocrática. E o verdadeiro aristocrata, por mais vil que seja seu comportamento, nunca pensa baixo. O problema é que as coisas mudaram. A coisa degenerou, e qualquer idiota que tenha o poder nas mãos já se sente um aristocrata. Já houve boas aristocracias, mas isso acabou. Hoje todo mundo quer ser aristocrata. E muitos infelizmente chegam lá.

Quanto ao resto, o post já diz tudo.

André disse...

Começo do livro O Comunismo, de Richard Pipes, acho q vcs vão gostar:

“A idéia de uma sociedade sem classes, totalmente igualitária, surgiu pela primeira vez na Grécia clássica. A Grécia Antiga foi o primeiro país do mundo a reconhecer a posse privada da terra e a tratá-la como mercadoria e, portanto, o primeiro a enfrentar as desigualdades sociais resultantes do direito de propriedade. (...) Hesíodo exaltou uma “Idade de Ouro” mítica, em que as pessoas não eram motivadas pelo “desejo vergonhoso do ganho” (...) O tema da Idade de Ouro repercutiu nos poetas romanos Virgílio e Ovídio (...)

O ideal teve a sua primeira formulação nos escritos de Platão. Na República, falando por Sócrates, Platão viu nos bens a raiz da discórida e das guerras: “Tais diferenças originam-se geralmente na divergência a respeito do uso dos termos “meu” e “não meu”, “seu” e “não seu” (...) E o Estado mais bem organizado não é aquele em que o maior número de pessoas aplica os termos “meu” e “não meu” da mesma maneira à mesma coisa?”

Em As Leis, ele divisou uma sociedade em q as pessoas compartilhavam não somente todas as posses mundanas, assim como suas esposas e filhos, mas uma em que “o privado e individual é totalmente banido da vida, e as coisas que são privadas por natureza, como os olhos, os ouvidos e mãos, se tornam comuns e, de certa forma, ver, ouvir e agir em comum, e todos os homens expressam orgulho e culpa e sentem alegria e tristeza nas mesmas ocasiões.”

Palavras minhas: Aristóteles duvidou muito disso. Argumentou que o pomo da discórdia reside não nos bens materiais, mas no anseio deles, nos desejos. Mandou bem...

De volta: “Existe uma noção muito difundida, mas falsa, de que o socialismo e o comunismo são meramente versões seculares e atualizadas do cristianismo. Como o filósofo russo do Séc. XIX Vladimir Soloviev apontou, a diferença é que enquanto Jesus instigava seus seguidores a abrir mão de seus bens, os socialistas e comunistas querem dar os bens dos outros. Além disso, Jesus nunca insistiu na penúria: ele apenas aconselhou-a como uma maneira de facilitar o caminho para a salvação. E São Paulo é citado incorretamente. Ele não disse que o “dinheiro é a raiz de todo o mal”, mas que o amor pelo dinheiro o é. Ou seja, a cobiça.

S. Agostinho perguntou retoricamente: “O ouro não é bom?” E respondeu: “Sim, é bom. Porém, o mal usa o ouro bom para o mal, e o bem usa o ouro bom para o bem.”
Os pais da Igreja e, depois, os teólogos católicos, tinham uma visão pragmática da propriedade. Segundo Santo Agostinho, um mundo sem propriedades só era possível no Paraíso, a Idade de Ouro perdida por causa do pecado original. (...) A Igreja Católica, além de não pregar a pobreza, a repudia e, às vezes, persegue aqueles que a pregam. Os fundadores do protestantismo, principalmente Calvino, viam a riqueza como um bem positivo e um sinal da graça divina.”

Em seguida, Pipes fala da tola Utopia de More. E por aí vai.

Apenas 185 páginas, mas muito boas. Os livros de Pipes são essenciais pra quem quer conhecer o comunismo e a Revolução de 1917 a fundo.

Vcs já devem ter lido a entrevista q o ministro do STF, Eros Grau, deu a Ricardo Noblat. Aquele cretino não iria concordar com nada disso. Se fosse capaz de entender. Se diz eterno membro do PCB, erra ao conceituar a mais-valia, é deprimente.

Roberto Eifler disse...

Assino embaixo de todas as afirmações sobre o socialismo e/ou comunismo. Acho que sobre isso já há consenso entre todas as pessoas pensantes não comprometidas, isto é, pessoas que não usam seu conhecimento atrelado a uma ideologia. O que Nietszche escreveu é de uma impressionante atualidade. E isso nos leva a pensar sobre o que leva as gerações a repetirem os erros de gerações anteriores. É que as idéias viciam. Como defendeu Dawkins no conceito de meme, as idéias, de certo modo, têm vida própria. Assim como há o gene egoísta, há o meme egoísta. Não podemos viver sem as idéias, que são para nossa mente e nossas emoções o que é o oxigênio para o corpo, mas devemos aprender a desconfiar delas. É isso o que deveriam ensinar nas escolas, em vez da ideologia do professor, seja ela qual for. Idéias são fascinantes, necessárias e perigosas. Basta ver o estrago que elas fazem na mente de pessoas brilhantes (p. ex., a filósofa Marilena Chauí: “Quando Lula fala, tudo se ilumina e se esclarece”).

André disse...

Não sei se a Marilena é mesmo brilhante, mas se é, o q o Eifler disse se aplica bem a ela. Acho que ninguém está imune, se bem q nós aqui, aristocratas e nobres do pensamento, we, happy few, we band of brothers, he, he, já estamos "vacinados", eu acho.

O conceito de meme é muito interessante.

Simone Weber disse...

Genial, C. Mouro! Obrigada pelo ótimo artigo!

"a natureza intrinsecamente nociva da ideologia do Poder"

"deixando a nu esta teoria deliberadamente fraudulenta"

"que deliram com a idéia de exercerem sobre os “homens imperfeitos” o mesmo poder que atribuem a deuses idealizados à sua imagem e semelhança"

"O que Nietzsche escreveu é evidente, basta que se pense e se chegará às mesmas conclusões" (ótimo! Amiúde o que falta aos adeptos de uma ideologia é pura e simplesmente inteligência)

"O celebrado Platão" seria canonizado, se fosse seguido o apelo de Cosimo de Medici.

"pensam o mundo tal como este bem o explicitou, dizendo que os doutrinadores devem estabelecer fins, e os políticos devem fazer o que for possível em nome destes fins, utilizando-se de quaisquer meios; cabendo ao povo segui-los, obedecê-los e custeá-los"

"Contudo, penso que estes que se querem “rodeados de servos” possuem mesmo é excremento em sua constituição, a julgar pelas asneiras que produzem e as desgraças à que têm empurrado a humanidade. É a vaidade que os ensandece. ...cuisp!"

Excelente! Até o cuspe final! :-)

Beijocas a todos

Simone Weber disse...

A propósito, Heitor, achei ótimo teu artigo sobre espaço, tempo e silêncio. Em breve passo lá para opinar.

Anonymous disse...

Seja macho e cite a frase que prefere mesmo de Diderot, a de enforcar o ultimo rei com a tripa do ultimo padre... cuisp!

C. Mouro disse...

Grato por seus generosos comentários, cara Simone.
O grande fato é que Nietzsche analisou o socialismo ainda como idéia, percebendo no que resultaria. Esse realce é válido principalmente para aqueles que alegam os "desvios" dos "homens imperfeitos que não o entenderam", provando que essas desculpas pós fato não passam de embustes de tipos descarados. Ou seja, o erro do socialismo não está apenas na prática mas na própria teoria. Assim, não se póde aventar que a crítica ao socialismo se deve aos funestos resultados de sua prática, mas à sua própria teoria, estúpida. Outros também o criticaram como teoria, mas os tais socialistas tentam desviar induzindo que a crítica é meramente pós fato, o que então lhes permite alegar "desvios" ...mas tal conversa fiada é deliberado embuste.
.
Quanto a aristocracia, que no contexto eu entendo como elite, é de razoável argumentação no sentido de exercício, ou boa aplicação de técnica. Contudo, Platão não queria limites para tal elite, preconizando-a como determinadora do certo e do errado para gerir a vida da população. Ou seja, caberia à população apenas seguir, obedecer aos "melhores" sempre, até desprezando subjetividades, pois a vontade destes seria o conhecimento objetivo. ...coisa que T. More entendeu bem, fazendo da sua Utopia um "mundo melhor" objetivo, quando em verdade seria o melhor dos mundos apenas para ele e os que com sua subjetividade concordassem.
...mas, por exemplo, para mim a Utopia de More não seria nada apreciavel.
.
Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Ah! caro Heitor,
estes maniacos são mesmo assim, eles tomam as suas preferência pessoais como se um ideal absoluto.
...e em consequência, como bem você o disse, derramam rios de sangue.

Forte abraço
C. Mouro

Anonymous disse...

C Mouro eh o Rodrigo Constantino, claro
E so ver o estilo

C. Mouro disse...

...hehehe!
se não fossem estes anônimos a vida não seria tão divertida.
.
Um abraço, meu caro anônimo
C. Mouro

Marcos Vinícius Ferrari disse...

Boooooooooom demais!

Mais Denis:

E por que punir o culpado quando não resulta quaisquer vantagem do seu castigo?

O dinheiro dos tolos é o património dos espertos

Cospe-se num bandido menor, mas não se pode recusar uma espécie de consideração a um grande criminoso

Nenhum homem recebeu da natureza o direito de mandar nos outros

Quando o padre apoia uma inovação, ela é má; quando se lhe opõe, ela é boa

Só se recorre às invectivas quando faltam as provas

Ninguém gosta mais de falar do que os gagos, ninguém gosta mais de caminhar que os coxos

Aquele que se analisou a si mesmo, está deveras adiantado no conhecimento dos outros

Apenas há um dever, o de sermos felizes

O espírito diz coisas deveras belas, mas só faz banalidades

Coisas das quais nunca se duvidou, jamais foram provadas

Engolimos de um sorvo a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga

Duas frases para envergonharem o Mouro:

Penso que é indispensável fazer um grande mal momentâneo para que venha a ser possível um grande bem duradouro

Escolhe cedo um ideal que possa perdurar por toda a tua vida.

Uma para envergonhar o Cateliius, hi hi:

É tão arriscado acreditar em tudo como não acreditar em nada

Apologia da putaria:

É tão ridículo para um homem crer que as mulheres são fiéis, como lhes ser fiel

Catellius disse...

Parabéns pelo texto, Mouro, e obrigado por emprestá-lo ao nosso blog!
Como sempre, primoroso!
Realmente, os dois são melhores do que Nostradamus. As profecias deste têm a curiosa propriedade de serem extremamente nebulosas em relação ao futuro e absolutamente cristalinas em relação ao que já ocorreu, de ataques de Hitler à queda do WTC.
E cumprir profecias como fez o mítico Jesus também é fácil - pelo menos as profecias idiotas (não cumpriu as profecias mais cabeludas):

- "opa, já ia esquecendo que o messias deve entrar em Jerusalém montado em um burro"
- "suba em minhas costas, mestre"
- "cale a boca, Pedro! refiro-me a um asno de verdade!"

Difíceis mesmo são previsões certeiras como essas de Nietzsche - além de gênio, honesto e inteligente.

Depois comento o resto!
Abraços a todos!

Lúcia S. disse...

Nenhum pensador foi tão desvirtuado e retalhado em seu pensamento quanto Marx. E numa triste constatação, esse fato ocorreu no interior da produção teórica daqueles que se intitulavam pensadores de esquerda...

Anônimo disse...

Não ocorre a ninguém responsabilizar Einstein pela bomba atômica ou menos ainda a Darwin pelas insanidades eugênicas do nazismo. Mas o marxismo e seu fundador são vítimas de uma incansável cruzada, sob o pretexto do predomínio do stalinismo como corrente mais influente no movimento socialista do século XX e os crimes perpetrados por este regime.

Bocage disse...

Mouro, que bom acessar hoje o Pugnacitas e deparar-me com um texto teu - e dos bons!
Perdoa-me por mudar de assunto, mas após uma colocação do Catellius não resisti a colar um texto de Sky Kunde (e não apenas indicar o link, como sugeri anteriormente ao André - e peço desculpas pela petulância, rsrsrs).

"1 - La garantia soy yo:

Que garantia temos que de fato Jesus cumpriu tais profecias? Por exemplo: onde estão os registros independentes de que realmente houve um massacre de crianças recém-nascidas para que se cumprisse a suposta profecia de Jeremias 31:15, como diz Mateus 02:16-18? E quanto à traição por 30 moedas de prata supostamente profetizada em Zacarias 11:12 e considerada cumprida em Mateus 26:15? Quem garante que isso tenha acontecido? E quanto ao nascimento virginal? Havia uma equipe de “auditores proféticos” vigiando a vida conjugal de José e Maria?! A única garantia oferecida é a própria bíblia. La garantia soy yo?!

2 - Tem louco pra tudo:

Algumas supostas profecias poderiam ter sido cumpridas por qualquer maluco pretendente a Messias. Por exemplo, a famosa entrada em Jerusalém montado num jumento: qual a dificuldade de alguém fazer isso? Ficar calado perante seus acusadores também não precisa de mais nada além do desejo de querer bancar o Messias (e talvez de alguns “parafusos soltos”). Até mesmo o nosso conhecido Inri Cristo poderia fazer isto!

3 - Profecias Duvidosas:

Algumas profecias nem sequer podem ser consideradas como tais; muito menos serem aplicadas a Jesus. E não é nenhum ateu quem diz isso, e sim os Judeus, os “donos” da história. Como exemplo temos a já citada profecia da traição por trinta moedas. Se olharmos o contexto veremos que não parece tratar-se de uma profecia afinal; muito menos uma profecia messiânica. Também temos dois problemas com a suposta profecia do nascimento virginal em Isaías 07:14:

O contexto deixa claro que a profecia é diretamente dirigida ao rei Acaz, o qual na época estava sendo ameaçado por dois reinos vizinhos. A criança prometida simplesmente seria um sinal de que Deus estaria do lado de Acaz nesse conflito.
A palavra traduzida por “virgem” é motivo de muita controvérsia. Ela teria sido erroneamente traduzida de uma palavra habraica que na verdade significaria “jovem mulher” (que poderia ser virgem ou não). Seja como for, a passagem não assegura que a mulher daria a luz em estado virginal; algo mais ajustado à uma concepção teológica pagã, não judaica.

4 - Só as babinhas:

Como podemos ver, Jesus supostamente cumpriu apenas as profecias babinhas. Aquelas que qualquer um poderia ter escrito que ele cumpriu e ponto. Afinal papel aceita tudo. Mas e quanto àquelas que não deixariam dúvidas de que Jesus de fato era o Messias? Tais profecias, as “tough ones”, estariam muito além da mera vontade humana de concretizá-las. Cito algumas: o Messias deveria trazer a paz a toda a terra (Isaías 02:04); deveria fazer com que todos reconhecessem e adorassem um único e verdadeiro deus (Zacarias 14:09); deveria construir o templo eterno (Ezequiel 37:26) e - essa de fato não seria para qualquer um - promover a ressurreição dos merecedores (Isaías 26:19-21)!"

C. Mouro disse...

Nessa estória de mãe pura, virgem, temos de fato um caso surpreendente. Considerando que não se fazia cesarianas na época, temos a situação em que a mãe virgem foi deflorada pelo filho, ainda um simples bebê.
Pô! ...isso é que é milagre!

Bocage disse...

Erras feio, Mouro.
Lembra-te do versinho do breviário, usado pelo curandeiro que será canonizado pouco após os sapatinhos vermelhos do Sumo Inquisidor tocarem nosso chão: "Post partum Virgo inviolata permansisti, Dei Genitrix Intercede pro nobis".
Depois do parto permanecestes inviolada, ó virgem, blá blá blá...
Eu acho que o menino desmaterializou-se e surgiu limpinho no ninho de palhas da manjedoura, após o quê a 'inviolata' foi chocá-lo... rsrsrs

C. Mouro disse...

caro Bocage, já estou me corrigindo para admitir um milagre menor.
Afinal, esse negócio de desmaterialização, tele transfporte e coisa e tal, é tão razoável que até num seriado sobre viagens espaciais a tripulação se vale de tal recurso para visitar planetas e naves alheias.
...coisa pouca, um milagrinho que logo logo conseguiremos reproduzir, como bem nos informa a outra estória de ficção.
.
Abraços
C. Mouro

Aparicao disse...

'o verdadeiro aristocrata, por mais vil que seja seu comportamento, nunca pensa baixo'

Cacilda! Explique-se! Eh a idiotice mesmo q parece ou vc quer dizer outra coisa!!!!

Simone Weber disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Simone Weber disse...

André, e na tua aristocracia nunca antes realizada, que tem toda feição de utopia, os dirigentes são infalíveis como o papa quando se pronuncia 'ex cathedra'? Em caso negativo - é o que se espera de seres humanos - após deslizarem feio, a massa porá de parte os incompetentes e arrumará outros para substituí-los? Quem sabe por meio de eleições...
:-)

Catellius disse...

Eu não gosto desse negócio de aristocracia, e não gosto dessa parte do pensamento de Platão (gosto de algumas coisas). Quando os seres humanos se entregam como ovelhas aos cuidados de nobres, aristocratas e outros embusteiros, vemos coisas como esta, em Fátima, onde se abandona até a postura ereta conquistada após milhões de anos de evolução, he he.

Catellius disse...

Anônimo (ou Lúcia S)

"Não ocorre a ninguém responsabilizar Einstein pela bomba atômica ou menos ainda a Darwin pelas insanidades eugênicas do nazismo. Mas o marxismo e seu fundador são vítimas de uma..."


Caramba, você não entendeu justamente o ponto central do texto do Mouro, que é não ser preciso de stalinismo, leninismo, trotskismo, maoísmo, castrismo e outras fezes (plural de fé) para avaliarmos o marxismo, e figuras como Nietzsche terem-no analisado quase profeticamente.
Leia o texto e responda com suas palavras, ao invés de colar uma asneira do site do PSTU (4º parágrafo). Logo vi o ranço... Fui conferir, não deu outra... ha ha ha

André disse...

Fezes como plural de fé, essa foi boa...

Eneás morreu. Eneas is dead. R.I.P. Long live to Enéas. Agora é q não conseguimos mais nossa bomba atômica!

André disse...

Eu sabia q esse post ia render. Muito bom...

Sim, Nietzsche estabelecia uma certa ligação entre cristianismo (moral dos fracos, etc).

E disse q é preciso tomar cuidado, pq os fracos são muito vivos e sabem reconhecer os poucos fortes por aí. Paradoxal, não?

“Nos grandes Estados a instrução pública será sempre, no melhor dos casos, medíocre, pelo mesmo motivo por que nas grandes cozinhas cozinha-se mediocremente.” Essa frase dele é boa. Diz muito sobre as escolas pelas quais passei. Instrução, sempre. Educação, jamais...

O comunismo foi o sistema totalitário “moderno” mais cruel. O nazismo não teve o tempo q eles tiveram, nem a abrangência territorial. Mas pra mim o Séc. XX não foi o mais sangrento, foi só o mais bem documentado da História.

Gramsci rejeita a revolução armada mas propõe uma revolução intelectual, muito mais insidiosa. Hegemonia como pensamento único, doutrinação. O problema é q vem uma lontra como o Olavo de Carvalho criticá-lo, e continuamos em ponto morto.

Tocqueville é meio sonolento às vezes, mas correto.

Não vou discorrer sobre David Ricardo aqui, mas acho a Mais-Valia uma grande bobagem, típica de Marx. Era genial, por isso dizia coisas geniais, entre elas bobagens geniais, mas bobagens. Bertrand Russell se deu ao trabalho de ler Marx aos 20 e poucos anos. Como ele notou, Marx expôs bobagens de forma brilhante, mas quase só bobagens. Mas não adianta, ele é um iluminado pra muita gente. E é gritante o caráter religioso, salvacionista, do marxismo. E é esse fundo religioso que atrai tanta gente. Russell também notou isso.

Ideologias não comportam muita inteligência

“É tão ridículo para um homem crer que as mulheres são fiéis, como lhes ser fiel” Essa frase é boa. “Mulher não escolhe homem por caráter” também é. Claro, há exceções, q só confirmam a regra.

Como é q é? Eu li:“Não ocorre a ninguém responsabilizar Einstein pela bomba atômica ou menos ainda a Darwin pelas insanidades eugênicas do nazismo.” Einstein não queria a bomba. E depois essa história de achar q a equação E=MC2 levou à bomba é um pouco simplista demais. A história da primeira bomba foi uma aventura científica que envolveu os melhores cérebros (e isso muito antes do Projeto Manhattan). Só não foi mais complexa do q a história da 2ª bomba, a de hidrogênio. E Darwin não tem nada a ver com eugenia ou racismo.

“stalinismo como corrente mais influente no movimento”... E não foi? Stalinismo e derivados. Não me interessa o q os pernósticos e impolutos janotinhas da “escola de Frankfurt” discutiam, não me interessam Adorno e Lukács, nem a filosofia chapéu velho de Kant e, pior, Hegel. O que me interessa é o estrago concreto feito por essa ideologia. E depois alguém sempre diz “ah, mas essa experiência não deu certo”, “esse modelo de socialismo não deu certo”, “o modelo soviético, chinês, etc, fracassou, mas isso não quer dizer que Marx...” Bom, eu não gostaria que fizessem outra “experiência”. Como se a gente fosse cobaia... Entre Churchill e Stalin, eu sei sob o governo de qual preferiria viver.

Súbita Aparição: é isso mesmo (abaixo) o que eu penso, se vc acha idiota, so what? Leia nas entrelinhas. Tenha nuances. É muito “contraditório” pra vc? Toda pessoa inteligente é contraditória, só burro é q nunca se contradiz. Muito arrogante? Talvez seja mesmo. Um pouco de panache às vezes faz bem.

'o verdadeiro aristocrata, por mais vil que seja seu comportamento, nunca pensa baixo'

Sabia que essa parte da aristocracia iria dar o q falar...

Não, minha cara (sem ironia!, aliás, gosto muito das coisas que vc escreve) Simone Weber, os “meus” dirigentes não são infalíveis como o papa, apenas têm uma noção maior das coisas do mundo, he, he. Acho q se pode dizer dessa maneira.

Essa aristocracia nunca existiu com uma força política coesa no passado, apenas em indivíduos isolados, ainda que tenham sido mentes poderosas, algumas até influenciaram épocas e governos. Se eles dominassem, seria um despotismo. Esclarecido, mas despotismo. Eu, particularmente, acredito em algumas liberdades públicas, não em democracia. Direito de voto ao povo, p. ex., nem pensar. Mas sou um homem inatual, ultrapassado. Vim tarde demais para um mundo muito velho, muito cansado, como disse Alfred De Musset.

Mas, de q adianta ser do contra? Sei q a democracia veio para ficar, antes ela do q os "ismos" todos q nos mataram...
A duras penas, me adapto a ela. Até reconheço que há coisas boas nela, mas sou um elitista por natureza, essa é a verdade. Se for um defeito da minha natureza, tento remendá-lo como posso. Dizer outra coisa seria mentira, e não vou mentir aqui. Já sou forçado a mentir demais em sociedade, para os "tolos de cara alegre" que São Paulo acha q devemos tolerar. Bom, ele que tolere, era santo, eu não... Faço parte desse mundo pq não tenho saída, mas não “sou” dele. “Ser” dele me é inaceitável.

Porém, tento ser legal. Sou bom com os meus servos, não bato neles, vivo bem no meu Ancién Regime particular.

Bom, boa noite pessoal. Hoje estou quebrado e amanhã tenho um longo dia pela frente. Reparos a serem feitos no lado norte das muralhas de meu castelo. Batedores viram unidades avançadas búlgaras nos arredores de Adrianópolis nas últimas duas noites. O bicho vai pegar.

Adorei o post, as fotos e os comentários.

André disse...

Corrigindo (ficou faltando um pedaço): Sim, Nietzsche estabelecia uma certa ligação entre cristianismo e socialismo(moral dos fracos, etc). Mas foi muito além disso, creio.

C. Mouro disse...

Pois é, Catellius, os comentários da Lucia S, até o anônimo, um tanto demonstram o que a Simone sentenciou: "o que falta aos adeptos de uma ideologia é pura e simplesmente inteligência" ...Pô! parece que ela não leu, mas leu. Tanto que resolveu aplicar uma "força em contrário" por mais absurda que seja tal pretensão. Mas isso tem sido já um comportamento comum aos ideológicos: quanto mais incontestável algo a eles é oposto, mais sentem-se forçados a contrariar os fatos e nexo com uma afirmação estapafúrdia em sentido contrário, assim sem a menor razão de ser. ...você lembra que há poucos dias um tal de Luis Afonso fez exatamente o que fez a Lúcia aqui? ...pois é, quanto mais claro um fato, maior a necessidade de opor-lhe uma mera afirmação em contrário, numa desesperada tentativa de embaçar a verdade que grita aos ouvidos e olhos de todos. ...faz sentido, a estupidez os faz crer que afirmações contrárias aos fatos os pode alterar.
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Gostei disso, do André: "Mas pra mim o Séc. XX não foi o mais sangrento, foi só o mais bem documentado da História."
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Uma elite administrativa para administrar a prestação de alguns serviços à população (que exigem muita concentração de capital), é desejável, mas como prestadores de serviços e não como autoridades sobre a população. E, realamente a democracia favorece a corrupção das massas, sobretudo ignorantes e invejosas, mas ela garante certa possibilidade de mudança, além de ser um bom argumento para a defesa da liberdade de expressão. Porém, democracia, stricto sensu, é amoral: a maioria determina, e teoricamente só não pode proibir a minoria de concorrer. Teoricamente não deveria exigir partidos nem representação mínima para concorrer, tão pouco verba pública para financiar propaganda.
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Um Abraço
C. Mouro

C. Mouro disse...

A democracia conquista as massa pela vaidade, fazendo-as crer que são elas que decidem, elas "que mandam". Assim, tomadas pela vaidade a povança aprecia a democracia, e isso é bom (menos pior) pois assim ela se torna um argumento para fazer as massas defenderem alguma liberdade.

Mas aristocracia dita assim num sentido utópico é complicado, é extrapolar para além do "velho imoralista e passarinheiro".

Muito bem colocado o comentário da Simone para ajudar a esclarecer a questão.

Abraços
C. Mouro

André disse...

Falta de originalidade minha: essa frase, "Mas pra mim o Séc. XX não foi o mais sangrento, foi só o mais bem documentado da História." era de um amigo meu dos tempos da faculdade.

Sim, uma elite administrativa é algo muito bom.

Acho isso de verba pública para financiar propaganda, para partidos, uma palhaçada.

Em algumas circunstância as massas são importantes, acabam defendendo os valores certos, como a liberdade de expressão.

Sem dúvida, essa minha aristocracia é mesmo complicada.

“Democracia é eu mandar em vc, ditadura é vc mandar em mim.” Millôr!!!

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Catellius:

Este é um artigo com um pensamento profundamente reaccionário, deturpador da realidade e despido de objectividade pela simples razão de que o pensamento político está em constante dialéctica.

O próprio Nietzsche teria uma visão diferente dos mesmos factos que escrevesse hoje o que escreveu na altura.

Todos os assassinos da história não eram socialistas.
E os que houve esconderam-se atrás da palavra para cometerem os seus crimes mas nunca praticaram a ideologia.

Os maiores assassinos da humanidade diziam-se católicos e/ou defensores da "ordem" e sempre foram de direita.
Desde Hitler, Mussolini, Franco a Pinochet... para citar só os mais importantes, todos eles se entendiam ás mil maravilhas.

Para trás deixaram milhões de mortos.

A política não pode ser vista com análises deste tipo que representam um autêntico convite a uma fractura ideológica sempre perniciosa para quem quer viver em democracia.

Hoje o mundo moderno busca uma ou outra inspiração nos teóricos mas, da esquerda á direita, a prática política é assente no pragmatismo.


Esta discussão da teoria política feita desta forma está completamente ultrapassada e literalmente morta.

Veja-se o caso da China.

Só um ou outro caso de paranóia ideológica, que nada tem a ver com política, ainda mostra reminiscências da Revolução de Outubro.
Mas isso são os "dinossauros" da política... em vias de extinção.

Passa uma boa semana.
Um abraço,

André disse...

Mostardinha:

"Este é um artigo com um pensamento profundamente reaccionário, deturpador da realidade e despido de objectividade"

Eu, hein?... Com o "reacionário" eu, particularmente, já estou acostumado. Já fui chamado de coisas muito piores, que não posso escrever aqui. Deturpação da realidade, não vi nada disso no post. Nem falta de objetividade.
Mas tudo bem, cada um acha o que quer, e isso é q é bom.

"O próprio Nietzsche teria uma visão diferente dos mesmos factos que escrevesse hoje o que escreveu na altura."

Não sei não. Pra mim, sua clarividência foi longe demais já naquela época.

"Todos os assassinos da história não eram socialistas."

Claro q não, mas boa parte era.

"mas nunca praticaram a ideologia"

Ah, praticaram sim. E com muito zelo.

"Os maiores assassinos da humanidade diziam-se católicos e/ou defensores da "ordem""

Se esconder atrás de religiões é uma tática muito usada por ditadores, populistas e demagogos. É uma maneira segura de falar com o povo. A propósito: seja extrema direita ou esquerda, os extremos se namoram.

"A política não pode ser vista com análises deste tipo que representam um autêntico convite a uma fractura ideológica..."

Nada, nem ninguém, he, he, sairá fraturado daqui. É só uma conversa. E, sem ousadia, debate nenhum avança. Sem fraturas tudo fica parado também.

"da esquerda á direita, a prática política é assente no pragmatismo"

Há bons pragmatismos. E maus.

"Só um ou outro caso de paranóia ideológica, que nada tem a ver com política, ainda mostra reminiscências da Revolução de Outubro."

Paranóias ideológicas quase sempre têm a ver com política.

"Mas isso são os "dinossauros" da política... em vias de extinção."

Espero q vc esteja certo. Boa semana pra vc também!

C. Mouro disse...

PÔ!!! ...hehehe! ...Eu escrevo para mostrar que houve quem tivesse a clara visão do que é o socialismo antes mesmo que fosse praticado. Logo, ninguém pode alegar erro de aplicação, já que a própria idéia resulta invariavelmente na canalhice absoluta como prática, como apontado. Ou seja, a conclusão não foi pós-fato, logo, o fato não a influenciou, e portanto o lixo está na própria idéia, muito bem esclarecida por Nietzsche. ...e aí então, por absurdo que seja, os tipos respondem alegando que a pratica se deu por desvio da idéia.
...PQP! ...que dureza! ...hehehe!
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Vejamos mais: Nietzsche, muito apropriadamente, considerou o socialismo uma reação à redução do Poder Estatal (da súcia governante) sobre a população, e por tal reacionário. Já que almeja o velho Poder totalitário para a classe governante, como no passado. ...e lá vem a resposta afirmando que o post é... reacionário.
É fato que os esquerdinhas sempre chamaram aqueles que a eles se opõem de reacionários, assim dizendo para induzir a que sejam eles os modernos que sofrem a reação. Dando ao termo certa conotação pejorativa, um xingamento: eles são os progressistas e os outros os reacionários. Mas não lhes ocorre que seu progressismo é um retorno ao feudalismo. ...hehehe! Isso é normal, pois ideológico não pensa e por tal tornou-se ideológico.
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Hitler e Mussolini eram também socialistas, com a diferença do socialismo deles para o bolchevique ser que eles ainda permitiriam alguma propriedade privada, como concessão do Estado e não como direito permanente. Ou seja, seria era um socialismo onde o Estado faz concessões pragmáticas, realistas. ...e ...TCHAM! atualmente parece ser esse o "socialismo moderno" defendido pelas viúvas do "socialismo real" ....hehehe!
PQP! ...que dureza! ...hohoho! pqp!
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Esses ideológicos compensam o fato de não entenderem o que lêem com o fato de não entenderem o que falam ....hehehe!
Cito um fato ocorrido num debate onde ri de perder o fôlego. Não é brincadeira não, entre muitas passagens semelhantes, essa marcou profundamente. Foi num debate onde Hitler foi citado como socialista, e o tipo afirmava que ele era um capitalista a serviço da ordem burguesa (só faltou chama-lo de neoliberal ...hehehe!). Então, diante de meus argumentos o tipo esquerdinha sentencia:
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"Hitler fingia ser socialista para enganar a classe operária,(...), mas ele deixava bem claro o quanto odiava o socialismo"
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....hohoho! ...não estou brincando não. E o pior é que quando apontei seu absurdo, ele ainda respondeu que não via contradição alguma no que disse. ...vocês conseguem acreditar nisso? ...eu só acredito porque vi com meus olhos. esses tipos são assim desconexos, papagaios que repetem qualquer coisa sem condição de analisar nexos ...hehehe! ...desconfio que socialismo seja doença mental.
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Mas porque alguém comete tal asnática aberração?
...é porque para defender a ideologia um "torcedor" faz qualquer coisa, fica cego pela estupidez que o fez ideológico. Um ideológico fala qualquer asneira, na ambição de simular uma refutação; não importa o tamanho do absurdo, mas sim fingirem que estão refutando, para assim seus pares fingirem que estão concordando com a “refutação”.
A ideologia fantasia um fim consagrador e já sai consagrando o adepto como alguém "grandioso que quer fazer o mundo melhor". Basta adotar a ideologia para automaticamente ser um grande espírito, alguém melhor que reles "gananciosos materialistas". Se militar pela causa será um “guerreiro”, de prata. - O islã além disso promete muitas virgens no Paraíso, para o herói que morrer matando infiéis - A formula básica se repete sempre - é o que chamei de "técnica religiosa" num texto.
Assim, sobretudo o inseguro, recalcado, que não vê em si motivos para o orgulho sincero, torna-se presa fácil para ideologias em busca de um orgulho postiço; pois elas lhe fornecerão a glória, o valor que almejam.
Adolescentes são presas fáceis para modismos e para ideologias "salvadoras do mundo". Justamente por estarem na idade em que temem o futuro, o sucesso maior dos amigos e o próprio fracasso, pois estão tornando-se adultos com responsabilidades que temem assumir, então adotam ideologias para usufruírem um "asinus asinum fricat", bem como andam na moda por esta faze-los mais modernos, mais antenados e coisas assim. Andar na moda valoriza o indivíduo, é o que está incutido como senso comum, e, inseguros, querem ser postiçamente bem aceitos e valorizados no meio; ser cafona é ser desprezado...
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Mas, voltando à aberração na resposta do mencionado esquerdinha, esta decorre da simples afirmação sem qualquer fundamento ou evidência: uma asserção. Seguida então do reforço falacioso, afirmando a obviedade como pretenso argumento. Ou seja, num primeiro momento apenas nega o fato sob uma alegação sem fundamento: a de que Hitler fingia, mas em seguida o desgraçado imagina que alegar a obviedade do ódio de Hitler ao socialismo ajudaria a constranger à aceitação de sua mera negativa fantasiosa. E, estúpido que é, não percebeu a contradição ...hehehe!
...estes asnos desconexos não conseguem raciocinar, tal a emoção que os domina, tal o desespero para enganar a si mesmos. Assim, tão desejosos de se enganar, acabam tornando-se ainda mais estúpidos, pois o melhor meio de enganar a si mesmo é fazer-se o mais estúpido possível ...e eles conseguem, e eu me deleito com isso, pois me proporcionam momentos impagáveis quando leio brincando as asneiras que dizem a sério. ....hehehe!
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Abraços
C. Mouro

Anônimo disse...

o mouro expulsara todos os frequentadores do blog e no fim mandara embora ate a simone o heitor e o cattellius

delenda est pugnacitas kkkkkkkkkk

cuidado com mouros sarracenos

...muculmanos e homens-bomba em geral

kkkkkk

Bocage disse...

És um parvo de marca maior, anônimo.
Em uma conversa tête-à-tête agressões são de fato inadmissíveis, ao menos se há o desejo de se travar uma discussão sadia. Em fóruns, todavia, o comentário pode passar dias sem resposta, os leitores desapercebidos podem sequer lê-lo, poderá ser arquivado em uma espécie de limbo se um novo artigo for publicado antes do autor obter resposta. Destarte, há a necessidade de ser enfático, e as pequenas agressões podem fazer com que os não muito honestos, como o Blogildo e a Patricia M, declarem-se hostilizados e sumam das discussões. Um certo tipo de mentiroso mente também para si próprio e passa até a acreditar estar ofendido, uma vez que a situação permite e até suscita. Quer lucrar com o sentimento de culpa alheio, validar para si mesmo suas posições como 'boas' porque 'todo destemperado é mau'. Desta feita, imagino que, ao contrário do que pensas, parvo anônimo, o nosso caro amigo Mostardinha não deixará de passar por aqui de quando em quando para opinar e nos dar seus 'óptimo fim de semana'. E o Mouro reagiu muito bem aos 'pensamento profundamente reaccionário', 'deturpador da realidade e despido de objectividade', 'paranóia ideológica', 'dinossauros da política' do Mostardinha. Não como uma donzelinha ofendida, fazendo beicinhos lacrimosos, como fez o parvo Blogildo, e sim contra-argumentando.

José Alberto Mostardinha disse...

Viva C. Mouro:

Constato que o teu comentário encerra argumento injurioso.
Não vou perder tempo com isso mas somente referir que a única coisa que foi referida no meu comentário é a discussão de uma ideia á qual me refiro e nada mais.

Tu atreves-te a ofender o autor, e quem contigo não concordar, não ficando pela critica á ideia... pois que tal fique á consideração de quem te lê.

Eu não vou por aí.

Mas para os outros, não para ti que és detentor duma "superior inteligência", sempre vou dizendo que sou um intransigente defensor da economia de mercado... talvez, se souberes o que é isso, tal te seja útil para completares o teu precipitado raciocínio.

Sou é um democrata, dos tais que tu julgas que gostam de eleições "para iludir o povo".
Isso obriga-me a ser moderado na análise da "coisa" política.
Para falta de moderação e irresponsabilidade já chegam os que Nietzsche inclui na sua análise.

Quando não somos moderados com os outros... dificilmente conseguiremos ser moderados connosco próprios.

E, já agora, ficas com uma máxima minha... ainda que obviamente banal:

- O incompetente é exímio em colocar nos outros a culpa das suas próprias insuficiências.

É que quando julgamos as pessoas sem as conhecer pessoalmente arriscamo-nos a fazer figuras muito estúpidas.

Aproveita e vai continuando a rir-te dos estúpidos... que a mim, esses, só me causam tristeza.

José Alberto Mostardinha disse...

NR:
Atenção que, como refere o "Bocage", ninguém aqui é "como uma donzelinha ofendida, fazendo beicinhos lacrimosos, como fez o parvo Blogildo, e sim contra-argumentando."

Mas fiquemos só pela discussão das ideias, a favor ou contra, e não coloquemos rótulos ou "classificações" nos autores.

Abraço,

André disse...

E tem gente que acha q o super-homem de Nietzsche, de resto um conceito pouco desenvolvido por ele, é a base do homem ariano. A irmã de Nietzsche, anti-semita, deu uma conotação racial a seus textos, assim q ele passou dessa pra melhor. E, se ele tivesse conhecido Hitler, o mais provável é que sentisse o mais profundo desprezo por ele. Há inúmeras críticas ao povo alemão em sua obra, muitas delas eram a cara dos nazistas. Mais uma vez, melhor do q Nostradamus.

Hitler encabeçou uma forma de totalitarismo com muitos traços socialistas, o nacional-socialismo. Mas se o III Reich tivesse continuado, acho q se tornaria uma espécie de ditadura capitalista de Estado, fortemente centralizada e militarista.

Hitler não odiava o socialismo. Se utilizava dele. Pra mim, não acreditava em nada, exceto em Poder. Aliás, tinha um discurso diferente pra cada audiência. Chegou a admitir no início da carreira que achava o marxismo-leninismo tolo, incipiente, que realmente não levava o bolchevismo a sério, mas que seria sempre profundamente grato aos métodos do marxismo-leninismo. Ah, os métodos... Métodos de aquisição e manutenção do poder. Quando se diz, p. ex., que alguém é “leninista”, muitas vezes não se está chamando essa pessoa de comunista. Pode ser qualquer coisa, porém se utilizando dos métodos de Lênin. E por aí vai...

“Em fóruns, todavia, o comentário pode passar dias sem resposta, os leitores desapercebidos podem sequer lê-lo, poderá ser arquivado em uma espécie de limbo se um novo artigo for publicado antes do autor obter resposta.”

Fora que a gente tem que estudar, trabalhar, sair... e na internet a gente tem q ser contundente em alguns casos, senão não dá pra passar a mensagem. É muito diferente de uma conversa em carne e osso, q obviamente é muito melhor.

Delenda est anonimus? Pensando melhor, não. Que fiquem, são até divertidos.

Catellius disse...

Bravi, bravi tutti!

Cada um escreve o que quer e se responsabiliza por isso, desde que o intuito seja, primordialmente, de opinar sobre algo e não de pura e simplesmente ofender. Dito isso, absolutamente todos são mais do que bem-vindos por aqui - uma inofensiva arena virtual - e livres para sumirem e aparecerem quando lhes aprouver.
Depois entro no mérito do assunto em questão.
Abraços a todos os contendores.

André disse...

“Pessoas que compreendem algo em toda a sua profundeza raramente lhe permanecem fiéis para sempre. Elas justamente levaram luz à profundeza: então há muita coisa ruim para ver.”

“Convicções são inimigos da verdade mais perigosos que as mentiras.”

“Quem tem muito o que fazer mantém quase inalterados seus pontos de vista e opiniões gerais. Igualmente aquele que trabalha a serviço de uma idéia: nunca mais examina a idéia mesma, já não tem tempo para isso; e vai de encontro ao seu interesse considerá-la sequer discutível.”

“Os idealistas estão convencidos de que as causas a que servem são essencialmente melhores que as outras causas do mundo, e não querem acreditar que a sua causa necessita, para prosperar, exatamente do mesmo esterco que requerem todos os demais empreendimentos humanos.”

“Não é quando é perigoso dizer a verdade que ela raramente encontra defensores, mas sim quando é enfadonho.”

“Não há harmonia preestabelecida entre o progresso da verdade e o bem da humanidade.”

“Quem vê pouco, vê sempre menos; quem ouve mal, ouve sempre algo mais.”

“Quem pensa muito não é apto para ser homem de partido: seu pensamento atravessa e ultrapassa o partido rapidamente.”

“Às vezes só permanecemos fiéis a uma causa porque os seus adversários não deixam de ser insípidos.”

“Quem enfureceu as pessoas contra si mesmo, sempre ganhou também um partido a seu favor.”

“O discípulo de um mártir sofre mais do que o mártir.”

“Ninguém fala com mais paixão de seus direitos do que aquele que no fundo da alma tem dúvida em relação a esses direitos. Levando a paixão para o seu lado, ele quer entorpecer a razão e suas dúvidas: assim adquire uma boa consciência, e com ela o sucesso entre os homens.”

(F. W. Nietzsche)

Alex disse...

Bom pessoal, vamos lá aos meus comentários sobre esse texto.

Primeiramente eu quero deixar claro que eu não conheço o pensamento de Diderot, assim, não vou comentar sobre a citação de uma construção dele.

Quanto a Nietzsche, esse é um dos filósofos que estão na lista dos meus preferidos. Certamente falta muito para eu ler a obra inteira dele, mas sua postura antiplatônica é extraordinária. Eu também sou antiplatônico (apesar de achar "O elogio da Loucura" uma obra espetacular). É nesta perspectiva que interpreto "A caverna" de José Saramago. Esta obra, para mim, só se torna interessante no final, que entendo como uma desconstrução do conceito platônico representado em sua metáfora da caverna.

Aristóteles - mesmo que não tenha conseguido se desvencilhar completamente da influência platônica - superou o seu antigo mestre, a meu ver, em muitos pontos. Penso ser desnecessário voltar à questão dos universais, que já foi debatido com o administrador deste blog há um tempo atrás. Aqui vou apenas lembrar a crítica que Aristóteles faz à república de bens comuns de Platão. Essa crítica já é suficientemente boa sem fazer referência a uma possibilidade de transformação da república em uma tirania. Aristóteles não precisa disso para criticar a República platônica. Se é verdade que Aristóteles defende a escravidão, é bom lembrar que esta instituição está também implícita na "República". Em minha leitura, Aristóteles propõe uma reforma na escravidão, mas infelizmente, ele não vai além disso.

Nietzsche, se não me engano, estabelecia uma certa ligação entre cristianismo e socialismo, como se o segundo fosse herdeiro do primeiro, com sua moral dos fracos. Já vi uma representação dessa em um livro didático, há muito tempo, mas não li isso diretamente em Nietzsche até o momento. Por esse motivo, coloco a afirmação para ser averiguada.

Apesar de valorizar Nietzsche, não deixo de pensar em uma sociedade mais justa e desejá-la. Acho que seria interessante um longo debate sobre a moral dos fracos, para não confundir isso com um desprezo pelos que não tem muito (de educação a meios de produção, ou bens - sejam materiais ou produzidos pelo espírito humano).

Acho que é ponto pacífico entre os membros deste grupo o repúdio por qualquer forma de totalitarismo. Penso que todos nós defendemos a democracia.

Vamos novamente a Marx:

Penso que também seja ponto pacífico para os membros deste fórum que a construção de Marx sobre a chegada ao comunismo, passando pelo socialismo, com sua ditadura do proletariado, é algo que não garante que o processo se conclua. Penso que todos nós aqui rejeitamos esse caminho. Marx dedicou quase toda a sua obra a análises históricas e econômicas do sistema capitalista. Sua "profecia" ocupa uma parte mínima de seu trabalho, de modo que deixar de lê-lo por causa disso é para mim um desperdício. Neste blog há combates ao comunismo que me parecem fora de época. Que perigo oferece uma visão de socialismo baseada no marxismo-leninismo? Será por causa da China? Não penso que a China esteja indo nessa direção. Será por causa do Morales e do Chávez? Não creio que eles tenham esse poder de influência, ao menos para o Brasil. O perigo seria uma visão gramsciana? Vamos nos deter um pouco analisando este pensador; há avanços na análise de Gramsci sobre a análise política feita até então pelos marxistas. Ele rejeita a tomada do poder pela revolução armada para os países ocidentais - aqueles que possuem um regime democrático. Esse tipo de revolução só seria razoável, em sua visão, nos países orientais, totalitários, não-democráticos. O esquema Gramsciano é a tomada do poder não pela dominação (que pode ser entendida aqui como exercício da violência), mas pela hegemonia (que é para ele a força das idéias). Um amigo passou para mim um texto do Olavo Carvalho sobre Gramsci (já faz algum tempo, deve ter sido no começo do ano passado) e eu não conhecia a parte do pensamento dele, que o referido autor tratava ali. Era sobre a concepção que Gramsci tinha da filosofia. Certamente eu discordo da visão de Gramsci (supondo ser razoável a interpretação do O.C.) sobre o que é filosofia e a confusão, que a meu ver ele faz entre filosofia e a práxis. Isso poderia parecer uma bobagem, mas uma confusão destas faz-me repensar sobre o que aprendi na faculdade. Uma visão pragmática da filosofia pode indicar que a sua própria formulação (a de Gramsci) era também pragmática. Então, com todo cuidado volto a sua construção que admite a democracia, fala da hegemonia e só a aceito com a explícita aceitação de que o pensamento livre deve ser inviolável. Que as diferenças e divergências de pensamento devem ser aceitas em uma sociedade. Que a busca por divulgar as idéias e convencer as pessoas em torno de um projeto deve coexistir com a defesa explícita da possibilidade de que se não convença os outros. Ou seja, hegemonia não pode ser confundida com pensamento único ou com doutrinação, senão isso se tornaria extremamente perverso.

O que seria interessante seria o pensamento de Tocqueville, sobre a organização da sociedade civil, com um pensamento que procure formar um sistema mais justo.

Voltando a Marx, a única crítica que vi no Blog sobre a teoria de Marx e que foge ao lugar comum foi a que o Heitor fez. Ele deixou de olhar só para as "profecias" de Marx, que para mim é como "chutar cachorro morto" e foi para uma crítica mais bem fundamentada sobre a Mais-Valia. Penso que a crítica do Heitor está correta ao dizer que nesse ponto, a construção de Marx não permite a falseabilidade. Minha argumentação é que embora Marx use o Valor de Troca para construir sua teoria sobre a Mais-Valia, no final ele diferencia Valor de Troca de preço. Se o preço refletisse o Valor de Troca, como alguns poderiam esperar (dentre os quais eu), então um pesquisador poderia testar essa teoria vendo a formação dos preços no mercado. Mas isso é impossibilitado pela diferenciação que Marx estabelece entre ambos. Valor passa a ser algo do âmbito da filosofia. Isso não quer dizer que esteja errado, mas que essa construção não tem esse atributo que se deseja que toda ciência tenha. A crítica do Heitor, a meu ver, foi certeira. No entanto, faltou dizer que a construção Neoclássica também é não-falseável, pois parte de postulados e depois, com base nisso, e sem a busca da experiência ou do confronto com a realidade, deduz-se todo um modelo. Ou seja, em economia, ainda temos muito a andar. Ao final falarei um pouquinho mais de Marx.

Sobre a questão da falseabilidade, vale notar que a matemática é não-falsável. E isso coloca uma questão intrigante: a matemática - da qual se serve em grande parte um grande número de ciências - é ou não uma ciência? Na matemática não há experimentação nem falseabilidade. Uma vez que um teorema foi provado, acabou. Não há como provar o contrário. Você pode até construir outros modelos, mas dentro daquele em que um teorema foi provado, acabou. Outras geometrias podem ser construídas além da Euclidiana, mas os teoremas da geometria euclidiana não são negados dentro de seu corpo teórico. E se a matemática não for considerada uma ciência, forçoso será admitir que outras ciências usam em seu processo de construção algo não científico. O que, aliás, é bem razoável a meu ver.

Voltando a Marx: O que podemos aproveitar (obviamente essa é minha opinião) é que a produção de riqueza está ligada ao trabalho e esse é feito de forma social. A distribuição das riquezas também é feita por um processo social. O sistema de trocas é apenas um dos vários sistemas de produção e distribuição, mas todos até o presente são sistemas sociais, ou seja, não há Robinson Crusoé.

Não vou voltar à crítica a visão de Marx sobre a formação do capitalismo (e a ausência da percepção por parte deste da importância dos Estados Nacionais), que já foi feita em outro momento.

Fica para nós o desafio de se por um lado não devemos jogar fora às construções do passado, nem a história, por outro lado não devemos nos prender a elas, e pensar em como construir uma sociedade, que papel o Estado deve desempenhar, etc.

Termino assim, abruptamente, pois já escrevi o bastante.

Abraços

Bocage disse...

Alex,

'Acho que é ponto pacífico entre os membros deste grupo o repúdio por qualquer forma de totalitarismo. Penso que todos nós defendemos a democracia.'

Deveríamos nos preocupar principalmente com a malta que ainda detém pleno domínio sobre as mentes cheias de ferrugem das populações mais atrasadas: os líderes religiosos.

Arcebispo de Pamplona diz que a extrema direita é «digna de consideração e apoio»

André disse...

Do link acima:

A Falange Espanhola das JONS é a herdeira da Falange (fascista) de Primo de Rivera; o Terço Católico de Acção Política quer fechar as clínicas de planeamento familiar e proibir as pessoas de «ostentarem a sua orientação sexual»; a Alternativa Espanhola acha que os conservadores do PP não respeitam a «lei natural» moral (seja lá isso o que for); finalmente, o outro grupúsculo clerical e extremista não o consegui encontrar...

*********

Proibir as pessoas de «ostentarem a sua orientação sexual»??? Ué, então não só os viados vão ter q entrar no armário, como também os homens que gostam de mulher e as mulheres que gostam de homem?

Afinal todo mundo tem ALGUMA orientação, certo, senhores?

A Igreja quer um monte de assexuados, se reproduzindo por cissiparidade!!!!!!!!

Catellius disse...

Alex,

Mais uma vez, antes de tentar comentar tanta informação nesta caixa de comentários, que poderia estar diluída em 300 comentários, comento um detalhe trivial:

A matemática é construída sobre axiomas. É óbvio que é ciência. E o fato de axiomas serem não-falseáveis não torna qualquer coisa não-falseável em axioma.

Algumas matérias que consensualmente são ciência seriam inviáveis sem a matemática, que é uma espécie de disciplina auxiliar, pragmaticamente falando, que surgiu a partir das demandas do comércio, agrimensura e astronomia. "Ciência" engloba qualquer conhecimento rigoroso e racional de qualquer assunto, é o corpo de conhecimentos sobre um determinado tema obtido mediante um método próprio, então, para mim, esta discussão é válida apenas para o léxico e olhe lá.

Abraços

Catellius disse...

Obrigado pelo link, Bocage

André, você acertou, he he.

O "ser humano" é capaz de se reproduzir por cissiparidade (fissão binária), segundo a Igreja. É o caso de um óvulo fecundado por um único espermatozóide e que se divide após alguns dias, gerando dois embriões idênticos. Podemos fazer a pergunta: se agora são dois seres humanos e, por cinco ou seis dias, tudo o que havia era um único ser humano, este se reproduziu por cissiparidade? Ou não podemos considerar o embrião fecundado nos primeiros dias como ser humano... E outra velha pergunta: a alma também se dividiu?

C. Mouro disse...

Bravíssimo! caro Bocage.

Um sujeito diz: "Este é um artigo com um pensamento profundamente reaccionário, deturpador da realidade e despido de objectividade"
.
Ora, quem escreve um artigo deturpador, certamente não é um bom sujeito. O problema é que se faz afirmações sem as devidas explicações, fato que dificulta refutar.
Eu não, eu explico e deixo as afirmações para cada um vestir a carapuçã.
...mas aí a mocinhas melindrosas ficam magoadas. Eu não fico, pois se me dizem verdades eu aceito e tento me corrigir, não é agradável errar, mas persistir no erro é ainda mais desagradável.
Podem me xingar e até mentir e tentar deturpar o que digo. Eu não vou chorar, se tiver saco eu vou responder e talvez o agressor é que vai chorar, dizndo-se ofendido pela carapuça qiue vestiu.
.
Eu já me acostumei a ser "malvadão" ...e me divirto com agressores que atacam sem fundamento e depois ficam com seus beicinhos caídinhos ...hehehe!
.
Lebro-me de Cícero, quando este diz para nos atermos ao que dizem as palavras para além dos seus significados imediatos.
Eu respondo com argumentação, com raciocínios, aos ataques que sofro, não sou dado a "chorasmingação vitimosa" para conquistar a piedade da platéia. Me interessa a verdade e não a anuência piedosa, não o apoio comunitário.

Um debate é para discutir idéias e não para arranjar amigos. Para fazer amizades o local apropriado é a vizinhança, os bares e as festas,. Mas isso não significa que não se os faça num debate. Aliás considero amigos os que cá vêm expor suas idéias, mas não os que aqui vêm se fazer de vítima depois das respostas.
Como dizia meu pai: vento que venta lá, venta cá. Trato da forma que sou tratado.
.
Este primoroso blog não tem culpa pela forma sincera com que me manifesto.
.
Um abração
C. Mouro

André disse...

É isso aí. Faço minhas as palavras do C. Mouro acima.

C. Mouro disse...

Bem,
estou ofendido pelo que me foi dirigido diretamente?

"para ti que és detentor duma "superior inteligência", sempre vou dizendo que sou um intransigente defensor da economia de mercado... talvez, se souberes o que é isso, tal te seja útil para completares o teu precipitado raciocínio."

...por quem diz só discutir idéias, embora nada discuta mas meramente afirme que o autor fez um texto deturpador, sem explicar as deturpações e permitir ao outro contestar a alegação.
...ora, quem produz idéias deturpadoras é deturpador. Uma acusação, que sem a explicação faz do acusador um tolo.
.
Claro que não me ofendo, afinal, se for verdade não é ofensa e se mentira, então é que não ofende mesmo.
Eu nunca ofendo ninguém, eu sempre demonstro o que penso. Não sou dado a alegações sem o fundamento.
.
Em todo caso, serei mais delicado com os sensiveis. Mas podem me atacar sem susto, mas por favor exibam os fundamentos para que eu possa aceita-los ou tentar refuta-los.
.
Abraços
C. Mouro

Catellius disse...

O Bocage escreveu:

"Um certo tipo de mentiroso mente também para si próprio e passa até a acreditar estar ofendido, uma vez que a situação permite e até suscita..."

Escrevi algo semelhante, recentemente, para um amigo.

Li na revista "Mente e Cérebro" que mentir é uma habilidade que brota das profundezas de nosso ser, e nós a usamos sem cerimônia. Como escreveu Mark Twain, "Todo mundo mente... todo dia, toda hora, acordado, dormindo, em sonhos, nos momentos de alegria, nos momentos de tristeza. Ainda que a boca permaneça calada, as mãos, os pés, os olhos, a atitude transmitem falsidade". Enganar é fundamental para a condição humana.

Trechos da revista:

"A convicção de Twain é validada por pesquisa, aliás. Um bom exemplo é um estudo realizado em 2002 pelo psicólogo Robert S. Feldman, da Universidade de Massachusetts, em Amherst. Feldman filmou em vídeo estudantes que haviam sido solicitados a conversar com desconhecidos. Posteriormente, pediu que analisassem as fitas e calculassem o número de mentiras que haviam contado. Uma considerável porcentagem de 60% admitiu ter mentido pelo menos uma vez durante os dez minutos de conversação, e a média do grupo nesse período foi de 2,9 inverdades. As transgressões variaram de exageros propositais a mentiras deslavadas."

--//--

"Em outro estudo realizado por David Know e Caroline Schacht, ambos da Universidade da Carolina do Leste, 92% de estudantes universitários confessaram ter mentido para uma parceira sexual, atual ou anterior, o que fez os pesquisadores se perguntarem se os restantes 8% também não teriam mentido. E, embora há muito se saiba que os homens tendem a mentir sobre o número de suas conquistas sexuais, pesquisa recente mostra que as mulheres tendem a minimizar seu grau de experiência sexual. Quando solicitadas a preencher questionários sobre seu comportamento e postura sexual, as mulheres que foram ligadas a um detector de mentiras fictício relataram ter tido o dobro de casos que as que não foram, demonstrando as últimas menos honestidade em suas respostas, he he. É irônico que os pesquisadores tenham tido de usar de um artifício enganoso para conseguir delas a verdade."

--//--

"Tais referências são apenas alguns dos muitos exemplos do hábito de mentir que apimentam os registros científicos. E ainda assim a pesquisa a respeito quase sempre focaliza o mentir em seu sentido mais estreito - literalmente dizer coisas que não são verdadeiras. Mas mentimos por omissão e por intrincadas sutilezas. Estamos também empenhados em incontáveis formas de tapeações não-verbais: choramos lágrimas de crocodilo, fingimos orgasmos, disparamos "bom dia!" com sorrisos falsos, fingimos que não somos preconceituosos e racistas (muitos de nós), sonegamos impostos e posamos de sujeitos irrepreensíveis, etc. Mentiras verbais são apenas uma pequena parte da falsidade humana."

Por que mentimos com tanta facilidade? E a resposta: porque funciona, ha ha ha.

Como humanos, devemos nos enquadrar em um sistema social fechado para sermos bem-sucedidos, ainda que nosso alvo principal seja nos colocarmos acima de todos os demais. Mentir ajuda. E mentir para nós mesmos - um talento desenvolvido por nosso cérebro - ajuda-nos a aceitar nosso comportamento fraudulento (isto vai ao encontro do que o Bocage escreveu).

Quando pessoas lucram financeiramente com as mentiras então... aí é uma bagaceira, he he he. Aí vemos sofwares piratas, fraudes diversas, sonegação de impostos, relíquias falsas, falsos documentos, assinaturas falsas, até a doação de todo o Império Romano para a Igreja Católica assinada pelo imperador Constantino - uma das maiores falsificações da história -, escritos apócrifos, canônicos arbitrados em concílios barulhentos onde o "consenso" era conseguido mediante a anulação do lado mais fraco - ou herege, etc. A esmagadora maioria dos americanos acreditava piamente que Richard Nixon não mentia, não é mesmo? O "president of USA" era quase um santo... Mas estava enganada.

Falando em santo, valha-nos Santo Hugo de Grénoble, o santo do dia 1º de abril, he he he

Catellius disse...

p.s.1 - o trecho em negrito também é da revista Mente e Cérebro. Faltaram as aspas.

p.s.2 - os beicinhos e congêneres mencionados pelo Bocage tinham a ver com o venenozinho depositado pelo "parvo" anônimo. Obviamente ninguém por aqui fez beicinho, he he.

Nossa capacidade de mentir para nós mesmos é tema recorrente nos comentários do C. Mouro, que já discorreu sobre a "cosciência externa", a "Espiral do silêncio", etc.
Abs

C. Mouro disse...

Bem lembrado Catellius:

"Um certo tipo de mentiroso mente também para si próprio e passa até a acreditar estar ofendido, uma vez que a situação permite e até suscita..."

Realmente o Bocage foi genial, primoroso na transmissão da idéia, brilhante!
Por iso aprecio este blog, autores e comentaristas sempre enriquecem o frequentador com boas idéias.

Aliás o mentiroso perfeito é aquele que consegue crer nas próprias mentiras.
Mas há uma questão interessante nisso. Vejamos, é muito mais fácil convencer outros e a si mesmo com mentiras, se não houver pessoas que insistam em demonstrar o contrário. Vai daí que os mentirosos gostam de calar os críticos, e criam inquisições e Gulags, entre outras variadas artimanhas para calar ou intimidar os críticos.
.
Claro que só vozes semelhantes são ouvidas, é mais fácil aquela "espiral do silêncio". E um sujeito consegue mentir e praticar atrocidades tantop quanto obtiver o apoio do grupo em que está inserido.
Se um embusteiro não recebe a devida contestação, ele sente-se cada vez mais seguro para empulhar mais ainda.
Da mesma forma, os manifestantes descambam para o vandalismo quando sabem que não receberão revide.
Os mulás xiitas não mandavam homens-bomba contra Saddam, poios sabiam que se Saddam os pegasse estariam fritos. Agora eles insuflam, confiam que nada lhes acontecerá, e com o tempo se habituam e não se reverte mais.
.
O caso é que quem mente para passar uma imagem para os outros, sonha conseguir enganar a si mesmo.

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Catellius, tua capacidade de entender e correlacionar coisas é brilhante.

Putz grila! ...o cara é bom mesmo!

...hehehe!
Abraços
C. Mouro

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Catellius:

Aprecio a forma elevada com que expões os teus pontos de vista que, podendo ser parecidos com quem comungue da opinião semelhante, revelam uma forma de estar na vida responsável, equilibrada e, sobretudo, educada.
Sim, que "a boa educação cabe em todo o lado".

Úm abraço,

Catellius disse...

Grande C. Mouro,

Obrigado pelo elogio, como sempre exagerado. Mas depois do velado puxão de orelha que levei da Simone pela falsa modéstia, aceito-o "humildemente". Entender as coisas, principalmente quando expostas de maneira clara e lógica, deveria ser obrigatório para alguém que está no mesmo grau evolutivo de seus pares, mas, pelo jeito, é um item bem valorizado, já que sumiu das prateleiras após o congelamento de cérebros imposto pelos "Planos Ideológicos"...
Já formular raciocínios nada banais são outros quinhentos. A diferença é a mesma que há entre Sartre e aqueles que leram (e compreenderam) todos seus livros. Ora, não há muito mérito em entender Sartre e sim em ser Sartre.

Grande Mostardinha,

Obrigado! Nada como a web para trocarmos informações, nós que, separados por milhares de quilômetros de oceano, dificilmente poderíamos conversar com a mesma presteza sem este genial instrumento chamado Internet. Vejo você no Estados Gerais e por aqui também.

Abraços a todos,
Catellius

André disse...

Estava dando uma de atirador de elite no meu site e, enquanto recarregava, passei por aqui...

Sobre mentir:

Cansada da conversa chata e comedida daqueles sem habilidade para o exagero nem talento para a ficção, fatigada das pessoas inteligentes cujas lembranças se baseiam apenas na memória, cujas declarações são invariavelmente limitadas pelo verossímil e podem ser corroboradas por qualquer filisteu presente, a sociedade retornará mais cedo ou mais tarde ao seu líder perdido: o fascinante e refinado mentiroso. (Oscar Wilde)

Ah, sim: sexo (principalmente desempenho sexual) e dinheiro são as duas coisas de q mais se mente.

“até a doação de todo o Império Romano para a Igreja Católica assinada pelo imperador Constantino”

Bem lembrado! Mas que cara-de-pau desses caras, hein?

André disse...

Se me doassem a Austrália ou a Nova Zelândia eu já ficava satisfeito

Descobriram o túmulo de Herodes na Cisjordânia. Logo vai virar point de peregrinação dos Herodiãos, membros de uma religião chamada Herodianismo. Deve haver uns seis fiéis no mundo todo.

*************

Archaeologists in Israel claim to have unearthed the tomb of King Herod.

Pieces of an elaborate sarcophagus believed to contain Herod’s remains were found at Herodium, a mesa rising more than 750 metres above sea level around 7.5 miles south of Jerusalem in the occupied West Bank.

Herod built a palace on the flattened hilltop and it was long thought that he was buried on the site, but years of excavations failed to find his burial spot.

"Three weeks ago we found the sarcophagus and we knew that it was it," said Ehud Netzer, a professor of archaeology at Hebrew University, who led the digs and has been working at the site for three decades.

"The location and unique nature of the findings, as well as the historical record, leave no doubt that this was Herod's burial site.”

Herod, sometimes called Herod the Great, was appointed king of Judea by the Romans in around 40 BC.

Famed for expanding the Jewish second temple during his reign in the first century BC, Herod is best known for his alleged role in the events known as the Massacre of the Innocents, an account of which appears in the Bible. According to scripture, King Herod ordered the execution of all young male children in the village of Bethlehem, to avoid the loss of his throne to a newborn "King of the Jews”.

Netzer said the tomb was discovered when a team of researchers found pieces of a limestone sarcophagus believed to belong to the ancient king. Although there were no bones in the container, he said the sarcophagus' location and ornate appearance indicated it belonged to Herod.

The discovery is likely to spark political fallout in a region where archaeological finds inevitably become linked to the Israeli-Palestinian conflict, and any claims that appear to strengthen one side's connection to the land are viewed suspiciously by the other.

After the news conference, Shaul Goldstein, an official with the Gush Etzion Jewish settlement near the Herodium site, told army radio that the find "constitutes new proof of a connection between Gush Etzion and the Jewish people and Jerusalem."

C. Mouro disse...

Bem, nada sei de Sartre, mas digo que a capacidade de entender raciocínios alheios é mais importante do que cria-los.
Explico:

1) O autor limita sua idéia àquilo que supõe conhecer ou especula. Então, quando alguém o entende perfeitamente, pode adicionar suas experiencias e reflexões às idéias - sempre terá algo diferente a adicionar. Assim, pode ter até um melhor entendimento das questões do que o autor e até aprimorar, aumentar os fundamentos das idéias que contatou.
Quem não é capaz de entender, jamais poderá melhorar coisa alguma, só atrapalha.

2)Quem é capaz de entender idéias alheias perfeitamente, é capaz também de perceber os erros e falhas que possam existir, ou não.
Acima de tudo, essa é a grande importância de quem é capaz de entender idéias alheias perfeitamente, é conseguir perceber os erros das idéias erradas com precisão, e isso é o que há de mais importante.

Quem não é capaz de entender não descobre os erros certos(!), não contesta corretamente não adiciona reflexões e correlações e só consegue obscurecer todas as discussões, não acrescentando nada a si e não permitindo que nada se acrescente aos demais, nem ao autor, pois as discussões não progridem e entediam, para desanimar aperfeiçoamentos.
De que valem as idéias se não houver quem as entenda?

Abraços
C. Mouro

Jorge Sobesta disse...

Catellius,

Esse "novo" governo que aí se apresenta sempre me cheirou a nazismo no que toca a desinformação e gana de poder e é extremamente mal cheiroso como a revolução de Pol Pot.

Meu medo não é que o molusco regente se perpetue no poder, mas é o que virá depois dele.

Bem o mal, o capitalismo é o que deu mais certo até hoje não entendo essa tendência ao comunismo e socialismo que ainda insistem em vender.

Por enquanto estamos tendo que engolir esse populismo asqueroso.

Agora juntando seu texto com o queo Bispo lá da CNBB disse, concluo que ambos são comedores de criançinhas, hehe.

Grande abraço.

Catellius disse...

Pronto, Heitor, aí está o "disclaimer" para o blog, he he.

Este é um blog de opiniões, não de informação, e elas são estritamente individuais e da exclusiva responsabilidade dos seus autores e comentaristas. As fontes das informações são terceiros, livros, revistas e a própria Internet, de modo que não conhecemos a verdade plena acerca de qualquer assunto e não nos responsabilizamos, assim, por qualquer informação que desabone quem quer que seja.

E agora....

.... é METER O PAU sem medo de ser feliz!!!!!!

brincadeira.... se alguém tiver um "disclaimer" melhor, me ajude, he he.

Já volto!
Abraços

André disse...

Não, esse disclaimer ficou bom.

Anônimo disse...

Ladies and gentlemen
Welcome to the disclaimer
That's right, the disclaimer

This American apple pie institution
Known as parental discretion
Will cleanse any sense of innuendo or sarcasm
From the lyrics that might actually make you think
And will also insult your intelligence at the same time

So protect your family.
This album contains explicit depictions
Of things which are real.
These real things are commonly known as life.
So, if it sounds sarcastic, don't take it seriously.
If it sounds dangerous,
Do not try this at home or at all.
And if it offends you, just don't listen to it.

André disse...

Adorei esse disclaimer anônimo...

Anonymous disse...

kkkkkk
bateu um medo de tanto inventarem mentiras e resolveram criar um disclaimer
kkkkkk
os corajosos que enfrentam tudo e todos
kkkkkk

Catellius disse...

Pronto, acrescentei a sugestão do André:

"Nenhum animal foi morto durante a produção deste blog. Alguns saíram feridos, mas nos seus egos apenas."

Anonymous,

Você tem razão. Talvez fôssemos um pouco mais corajosos se morássemos na Dinamarca ou mesmo na Turquia. Na República das Bananas, onde se pratica a odiosa Censura Togada, por meio de processos e o escambau, é bom se precaver. É mais fácil não ser pego promovendo pedofilia no Orkut do que falando mal de petistas e de seus pelegos (Mainardi que o diga).

C. Mouro,

Muito bom o que você escreveu sobre capacidade de entender raciocínios alheios. Alguns luminares do passado estavam tão à frente de seu tempo e foram tão certeiros, diretos ao ponto, que muitas vezes uma página que escreveram rende milhares em análises. Talvez a questão esteja em compreender plenamente tais gênios, fogosos corcéis desta carroça de eixos enferrujados chamada humanidade...

Abraços a todos

André disse...

Na Turquia, onde falar no genocídio dos armênios não é recomendável, pelo menos os nacionalistas turcos resolvem o problema à bala, não se escondem atrás de processos judiciais. Aqui, tudo se resolve na "legalidade".

É mais fácil vender drogas, remédios para emagrecer e animais silvestres no Orkut do que dizer algumas verdades.

Anônimos: se eles soubessem alguma coisa daquilo que eles não sabem...

“Um povo é um rodeio que a Natureza faz para chegar a quatro ou cinco grandes homens.” Nietzsche. Bom, muito mais do que quatro ou cinco, mas ainda assim bem pouco.

Bocage disse...

E o sapatinhos vermelhos está chegando, rsrs

Catellius disse...

É, André, França, ao invés de Turquia, fica melhor.

Bocage, e um outdoor em que a modelo Daniela Cicarelli aparecia seminua para uma campanha de lingerie foi coberto por uma mensagem que homenageia o papa Bento XVI.
Como se o papa não tivesse visto a Cicarelli no youtube, he he he...

André disse...

As prioridades de cada um... Eu aqui, com sérios problemas de acesso ao site da Stratfor, o que ameaça a sobrevivência do meu próprio site, e os caras cobrindo o outdoor da Cicarelli pro Papa não ver...

Eu nem acho ela essas coisas. No YouTube tem gatas muito melhores. Prefiro mil vezes a Luize Altenhofen. Ou a Ana Hickmann. Ou, pra ficar numa mais popular, a Juliana Paes.

E o Ratzinger lá vai ficar reparando em outdoors?

Anônimo disse...

NA BOA... QUALQUER PESSOA COM UM POUCO DE DISCERNIMENTO PERCEBE QUE ESSE PAPA É GAY. COMO A GRANDE MAIORIA DE PADRES, BISPOS E CATREFA. TUDO BIBA!!!!!!!!!!!

C. Mouro disse...

Yeh!
Luize Altenhofen!

Até que alguém citou essa maravilha como referência de beleza. Eu começava acreditar que era só eu que assim julgava. Realmente, dentre o que já vi de celebridades, creio que ela ainda seja da elite da beleza.
Aquela lagartixa de quem tanto falam, não está com nada. As curvas enobrecem a mulher, eu disse curvas.

Abraços
C. Mouro

Catellius disse...

O teocrata afetadinho está a perambular pelas ruas de São Paulo, protegido pelo exército, aeronáutica - e até a marinha deve ter enchido o Tietê de homens-rã especializados em armas químicas -, de papa-móvel à prova de meteoros, quiçá com seguro de vida de milhões - afinal está no maior país católico do mundo, talvez por isso mesmo extremamente perigoso.
Que seu deus o proteja, ora bolas!
As camisinhas que usará serão de fabricação vaticana, pois a distância entre as fibras das outras permite que o astuto vírus da AIDS passe de um parceiro para o outro (no masculino mesmo), a água benta que deixará as beatas molhadinhas também deve vir de lá, pois a que temos aqui está fora do prazo de validade, a julgar pelas mazelas que assolam este naco de cristandade...
ha ha ha

André disse...

É, eu também gosto de curvas... na Srta. Altenhofen, então... sem comentários... top of the top, my friend

A Luize é realmente perfeita. E vc, C. Mouro, é a primeira pessoa que sabe de quem eu estou falando. Acho q a Luize não é muuuuito conhecida, pelo menos aqui em Brasília. Tem também uma modelo/atriz pouquíssimo conhecida, Alessandra Corrêa, mas acho q ela ainda está começando:

http://www.youtube.com/watch?v=y-vxOkSD6cA

André disse...

O Ratzinger tem um português muito bom, impressionante. JPII, o Santo Subito, nem chegava perto disso.

André disse...

Ah, Catellius, provavelmente a água deve vir de avião. A q ele bebe, não a benta. E qual a diferença, quimicamente?

Não queria ser paulistano hoje, aquilo ali já é um inferno, e com todos os bloqueios e desvios por causa dele...

Pois é, na Turquia ele corria riscos sérios e foi tudo bem. Aqui, poderia até dispensar o plexiglass e o colete à prova de balas. E até poderia ter trazido menos guardas suíços. Menos de tudo, na verdade.

André disse...

Essas ficaram legais:

“exceto gays, lésbicas e simpatizantes”

“amaldiçoará todos que derem apenas o troco da padaria.”

Bocage disse...

Fui deliberadamente medíocre, rsrsrs, afinal não quero perder tempo e neurônios com o Sapatinhos Vermelhos.

André disse...

Ha, ha, ha!

Sapatinhos vermelhos! Mandou bem... É cada coisa que leio nesses comentários!

Boa noite pra todos vcs! Até mais!

ALLmirante disse...

Anonymus: quem disse a frase citada foi Voltaire, não Diderot.

ALLmirante disse...

Mouro,
Gostei do esforço. Deixo minha digital: http://allmirante.blogspot.com
Mete bronca.
Abraço.

ALLmirante disse...

Mouro, uma deixa a você, e seus amigos: Se E=MC2, o materialismo não tem, sequer, objeto. Não há o que abordar. Deu pra ti, Marx!

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