13 abril 2007

A Ressurreição do Socialismo

Há algum tempo, os pensadores americanos imaginavam que a história havia acabado, com a queda do Muro de Berlim e a fragmentação do gigante soviético. Pensavam que o socialismo estava condenado diante da falência do socialismo real. O próprio FHC, um grande ex-pensador marxista, achava que a Globalização Americana seria irresistível e que a tecnologia da informação jogaria a sociedade mundial em uma nova era de crescimento infinito, e de nada adiantava ao Brasil resistir...Era melhor entrar na ALCA e com isto tirar o melhor proveito.

Três crises financeiras depois, além do estouro da bolha da Nasdaq, e a promessa de riqueza infinita e estabilidade foi comprometida. Isto para não mencionarmos a corrupção que caracterizou privatizações em todos os países do mundo. De repente, de onde ninguém esperava, da China, veio a salvação do capitalismo. Os chineses e o Wall Mart controlaram a inflação americana, impediram uma superdesvalorização do dólar, começaram a financiar o consumo americano comprando T-Bonds e a elevar os preços das commodities em todo o mundo.

Quando as Torres Gêmeas caíram, diante da ação dos antigos aliados mujahedins, os EUA passaram a procurar os seus inimigos nos muçulmanos. Seus intelectuais viam nisso uma guerra de civilizações onde o Ocidente, não mais dividido entre socialismo e capitalismo, lutava contra a civilização muçulmana e oriental de forma geral. O diagnóstico era que estas eram civilizações incompatíveis. Na verdade, era uma nova roupagem para a velha idéia de que quem não tivesse uma economia de mercado e uma democracia nos moldes ocidentais era um inimigo em potencial. Aquela velha idéia americana de que as democracias estão destinadas a viver em paz.

Enquanto os americanos se focavam em sua nova guerra contra os muçulmanos, uma série de governos populistas crescia e se desenvolvia sob suas barbas, aproveitando a ressaca da globalização da década de 90. Chegando ao poder, pegaram carona no efeito China, que valorizou suas commodities, como é o caso da Venezuela, que se beneficiou de um aumento do preço do barril de petróleo de US$ 11 para US$ 60, no governo de Chávez. Enquanto os americanos estão ocupados no Iraque, as taxas de juros estão baixas e o efeito China gera grandes superávits comerciais para exportadores de commodities, estes governos populistas se mantêm no poder distribuindo a riqueza do tal efeito China.

Não adianta mais reclamar que estes governos esquerdistas e populistas são corruptos. São mesmo. Tão corruptos quanto os governos anteriores, e a cada dia sabem usar o Estado melhor para servir aos interesses que eles julgam ser também os interesses da democracia e do povo dos seus países, afinal, em suas cabeças, nada seria melhor para os seus países do que a sua permanência indefinida no poder. E eles são criativos, desenvolvem esquemas novos. Dominam as estruturas formais de poder e hoje só lhes falta ampliar seu domínio sobre a imprensa.

A história é quase sempre a mesma. Eles chegam ao poder nos braços da classe média, de ressaca com a malfadada globalização da década de 90 e com esperanças em uma mudança mais nacionalista. E quando chegam lá se tornam corruptos e mudam suas bases para uma clientela mais pobre e menos exigente. Hoje, a preocupação destes partidos esquerdistas é fidelizar estas bases pobres, doutriná-las e ensiná-las que o Estado é como uma divindade que distribui maná abundante, e que este papo neoliberal de que há escassez e necessidade de disciplina de capital é bobagem. Para isto, estão drenando recursos do Estado para montar uma rede de ONGs usando uma série de bandeiras reivindicatórias que permitirão mobilizar estas massas fora da estrutura partidária, criando uma estrutura que talvez possa em algum momento, como foi no caso da Bolívia, tirar o poder das mãos dos partidos tradicionais e suas democracias burguesas.

Bandeiras e ideais são os pretextos para as mobilizações, afinal, as multidões são percebidas pelos meios de comunicação como uma expressão popular. Infelizmente, raras vezes são; manifestações espontâneas e populares são raras. Na maioria das vezes, é um grupo de estudantes matando aula, liderado por um bando de sindicalistas desocupados, transportado por ônibus de alguma ONG e usando o carro de som do sindicato.

O islamismo era a segunda religião preferida do Papa João Paulo II, que a considerava muito semelhante ao cristianismo. Apesar disto, os intelectuais americanos acham que o Islã é o inimigo, e se esquecem de que o verdadeiro problema não são os muçulmanos mas a ressurreição dos socialistas e populistas, que crescem na onda chinesa. Talvez seja hora dos americanos reverem suas prioridades e voltarem a pensar no Ocidente, que está se dividindo novamente. Desta vez, se eles fizerem direito e não movidos pelo protecionismo nacionalista de um lado e pela ganância de Wall Street de outro, talvez haja um crescimento estável na Globalização e uma esperança para a democracia e para o desenvolvimento dos povos.

69 comentários:

André disse...

Essa foto do Che morto me lemboru da operação militar feita para caçá-lo, q terminou num tiroteio num vilarejo. Ele teria morrido dentro de uma sala de aula. Uns dizem q ele se saiu bem, outros, q se apavorou. Dado o seu histórico — nunca foi um soldado muito eficiente e disciplinado — pode ser. Mas virou mito, então o q estou dizendo é irrelevante. Sua morte teve isso em comum com a de Allende: uns dizem q Allende pegou o AK-47, um presente de Fidel, e mandou bala nos soldados q invadiram o palácio de La Moneda. Outros dizem q ele simplesmente enfiou o cano na boca e disparou. Há versões mistas também. Uma curiosa é a de q ele teria ligado p/ Fidel pedindo ajuda e o cubano teria dito do outro lado da linha algo como “ora, seu fracote, qual é? Morra lutando!” Um agente do DGI (Diretoria Geral de Informações, o serviço secreto cubano) estaria sempre ao lado de Allende. Fidel ressaltou a esse agente q em nenhuma hipótese Allende deveria se render. Se ele tentasse, deveria matá-lo. Que entrasse para a Dona História como mártir. Chavez também vive cercado de gente da DGI, para ressentimento de muitos oficiais venezuelanos. Não estou dizendo q vai acontecer o mesmo com o Chapolim, ainda q um fim brutal para ele seja provável, mas é engraçado ver q o modus operandi dessa gente não mudou, eplo menos em alguns aspectos.

Não sei se a China continuará sendo tão boa assim p/ a economia. Mas também não acho q vá implodir e detonar uma crise mastodôntica. Mas sua análise sobre as ações chinesas na economia estão corretas.

Os populistas precisam da classe média pra chegar ao poder, mas também da baixa.

Há uma velha gíria para essas passeatas “espontâneas” q acho ótima: rent a crowd, alugue uma multidão...

O islamismo era a segunda religião preferida do Papa João Paulo II? Então não pode haver maior diferença entre ele e o Benedito. Além, é claro, do refinamento intelectual desse último (se alguma brigada anti-papal ler isso, não estou elogiando Ratzinger. E se uma brigada do Vaticano ler isso, não estou chamando Karol Wojtilla de burro. Só estou constatando um fato, ok?). Aliás, pra quem gosta do Ratzinger, seu refinamento cerebrino é bom. Pra quem não gosta, digamos q isso faz dele um papa muito mais perigoso.

O capitalismo tem jeito. O islamismo, só se um dia os moderados vencerem. E o socialismo, só quando se diluir, virar uma social-democracia sem dentes. Em alguns lugares já é assim. Mas tudo isso é otimismo besta da minha parte.

Um final de semana sem ideologias pra todo mundo!

No Jihad disse...

Não existe Fundamentalismo Islâmico

http://www.deolhonamidia.org.br/Publicacoes/mostraPublicacao.asp?tID=324

No Jihad? disse...

Guerra eterna à América, hi hi
Nós encontramos a cura para a AIDS, hi hi

http://youtube.com/watch?v=A4Moo9IKrWA

Simone Weber disse...

Heitor,
Este é, sem dúvida, um de teus melhores posts. Uma análise ligeira mas consciente da atual conjuntura mundial.
Os truculentos e os velhacos têm por costume triunfar onde o estado de histeria, insanidade e de caça às bruxas cala os sensatos e mobiliza o povo de acordo com seus propósitos. Ao invés de procurarmos bodes expiatórios, demônios e culpados, deveríamos buscar sempre fortalecer a democracia e a transparência nas ações do Estado. Vídeos como este que o anônimo acima anexou mostram como as massas são manipuláveis onde a imprensa não é livre, onde não há democracia, laicismo e onde as religiões ditam as regras. Apesar de tudo, tenho fé que o povo iraniano seja formado, essencialmente, por pessoas boas e desejosas de uma vida pacífica, sem conflitos. Se eles acreditam que os ocidentais somos demônios, é porque lhes dizem isto a todo instante, e nós mesmos, que respiramos ares muito mais oxigenados, livres, já estamos a acreditar que os demônios são eles, tal é a insistência com que isto é repetido.
Também acredito que o perigo maior reside nos espertalhões, nos que aparelham o estado, nos líderes religiosos - incluindo o 'manso' B16 -, na impunidade, no preconceito e maniqueísmo.

Beijocas e bom fim de semana a todos

Simone Weber disse...

Desculpa-me pelas redundâncias

onde a imprensa não é livre, onde não há democracia,

(onde não há) laicismo e onde as religiões ditam as regras

André disse...

Simone, há muitos iranianos bons, o problema é q a sociedade lá está profundamente dividida - em todos os níveis - entre os q estão do lado do regime clerical, porque são favorecidos por ele, e os q eurem mudança. Sem falar q é uma sociedade complexa por natureza, também.

Eu de novo disse...

Correção: "os que querem"

Bocage disse...

É impossível crer que o islã é uma religião de tolerância e paz, como querem os muçulmanos moderados europeus. Basta que analisemos as reações da comunidade islâmica ao desastroso discurso do papa e às charges dinamarquesas. Mas B16 não está preocupado com o islamismo. Ardiloso, o grande inquisidor, o chefão do santo ofício, apela ao medo que os cristãos devotam aos islâmicos para atacar o laicismo, que de fato o incomoda. Ele disse, há pouco tempo que 'No Ocidente predomina a opinião de que só o positivismo e as filosofias derivadas dele são universais. As culturas profundamente religiosas vêem nessa exclusão de Deus um ataque a suas convicções mais íntimas. Uma razão que, diante do Divino, se torna surda e rejeita a religião, é incapaz de se integrar ao diálogo das culturas'.

Ele tenta dizer que o laicismo faz com que a Europa se torne incapaz de responder à ameaça islâmica, impede os europeus de assumirem e afirmarem a superioridade do cristianismo. rsrs

Como disse Palmira Santos, o Papa pretende falaciosamente que são a secularização da Europa e a prevalência do pensamento científico as causas últimas do terrorismo islâmico, já que os muçulmanos teriam 'mais respeito' pelos ocidentais se estes últimos deixassem a 'fé' permear todos os aspectos da respectiva vida pública, nomeadamente do Direito, ou seja, se o Ocidente emulasse, noutro sistema operativo, o cristianismo flavour catolicismo, a promiscuidade religião-Estado dos países islâmicos.

Ela continua: Aliás a mesma posição do arcebispo de York, que num discurso recente exortou os cristãos britânicos a encararem os muçulmanos como aliados na guerra contra o secularismo, afirmando que os muçulmanos não se sentiam 'ofendidos' pelo cristianismo mas sim por um estado secular, por uma 'sociedade humanista sem Deus'.

Afirmando ainda que: 'A violência dos que cometem atos de terror é alimentada não pelo choque de civilizações ou religiões mas sim pela falta de religião e pelo insulto a Deus que a descrença ocidental representa'. Em linha com Ratzinger no ataque à ciência e à predominância da razão em relação à fé nas sociedades ocidentais o dignitário anglicano afirmou ainda que 'O conhecimento por amor ao conhecimento tornou-se um poder de destruição'.

O único modo de enfrentar a crise européia com os islâmicos não é o retorno à cristandade, a supremacia da religião sobre todos os aspectos da vida, isto é, ao fundamentalismo cristão, como pretende Ratzinger, o grande inquisidor. Combate-se o fundamentalismo islâmico e o fundamentalismo cristão com laicismo e democracia, com tolerância por todas religiões e intolerância com a intolerância. Combater fundamentalismo islâmico com fundamentalismo cristão é insano, e só poderia ter partido do velhaco ardiloso chamado Ratzinger, que elegeu-se papa não com a ajuda de uma pomba mas com muita politicagem, promessas e ameaças.

Bocage disse...

Já que todos escrevem duas vezes, uma para comentar e outra para corrigir, talvez para aumentar o número de comentários, reduzido significativamente após a saída de Patricia M - (graças a deus, já que é duro de engolir 'olavetes', como se diz, ainda mais racistas e bovinas como ela)-, o parvo do Blogildo e o divertido e sagaz Mouro, cuja motivação para escrever é, infelizmente, diretamente proporcional à quantidade de ingênuos desafiantes que lhe dão voluntariamente o traseiro para chutar; já que todos escrevem duas vezes aí vou eu com minha errata:
"É impossível crer que o islã SEJA uma religião de tolerância e paz..." rsrsrs

André disse...

“Ardiloso, o grande inquisidor, o chefão do santo ofício, apela ao medo que os cristãos devotam aos islâmicos para atacar o laicismo, que de fato o incomoda.” Exatamente!

“é incapaz de se integrar ao diálogo das culturas” Como se o Papa quisesse algum diálogo...

E se o Ocidente fosse profundamente religioso ou coisa do tipo, haveria briga com o islamismo do mesmo jeito. Talvez pior.

Os muçulmanos se sentem ofendidos por uma 'sociedade humanista sem Deus'? Eles q fiquem na deles, então. Ou voltem para seus países. Lá não é tão bom?

Gostei muito do seu comentário, vc foi direto ao ponto.

André disse...

Pois é, meu caro Bocage, parece q a Patrícia foi embora pra não voltar mais. Nada contra ela, mas acho q vc está certo. Olavinhos e olavetes são um problema. E isso ainda vai ficar pior, está só começando. Parece q o Blogildo também partiu pra não voltar.

André disse...

Bom, como na vida real, na virtual as pessoas vem e vão, mas só as realmente importantes, significativas, ficam. O resto é conversa. Tenha um ótimo fim de semana, Bocage.

C. Mouro disse...

Caro Bocage,
eu não saí não, mas preciso dar um tempo. Se for escrever tudo que tenho vontade não vou fazer mais nada. Portanto, o afastamento é salutar.
...ih! mais um comentário estéril, apenas para anabolizar ...hehehe!
.
Forte abraço
C. Mouro

C. Mouro disse...

...não é questão de importancia, pois inúteis também podem permanecer, assim como eu permanecerei moderadamente.
.
Abraços
C. Mouro

Ricardo Rayol disse...

A questão não é só que governos de esquerda são corruptos. A questão é que, pelo menos aqui, eles são completamente amadores deixando na mão dos mestres Jedi da roubalheira a tarefa de fiscalização. Daí é só fumo de rolo neles. Acreditio que uma mobilização americana para aglutinar novamente o ocidente irá reviver o pior da guerra fria. Mas por outro lado deixar a China deitando e rolando ... Entre a cruz e a caldeirinha.

José Alberto Mostardinha disse...

Viva:

hummm... falar assim das razões do descontentamento popular, rotulando as políticas, parece demasiado fácil para ser verdade.
É uma visão que nós, ocidentais da Europa, não temos.
Não percebo a que "esquerdistas" te referes e isso torna a análise muito vaga e imprecisa o que lhe rouba credibilidade.
Nestas situações é preciso ser mais incisivo.
Se "esquerdista" é todo aquele que é de esquerda... bom então assim a coisa fica bem pior.

É que os países mais desenvlvidos do mundo têm, ou tiveram, durante largas décadas esses tais "esquerdistas" no poder.
E, por curiosidade são, obviamente, os que possuem a classe média mais forte e desenvolvida.

Refiro-me em particular aos países nórdicos que são o meu modelo de desenvolvimento político preferido.

Um bom fim de semana para todos.

Um abraço,

Heitor Abranches disse...

Esquerda, direita....

O problema sao os pobres. Tem muita gente que tem compaixao por pobre...Eu nao tenho

Quando vejo alguem miseravel me pergunto o que aconteceu. Foi a bebida, a falta de uma familia, o destino que pos a pessoa naquela situacao.

E uma situacao horrivel para ela e uma ameaca para todos nos pois a pobreza e o caminho da tirania. A comecar por Cesar ate chegarmos a Lula.

Eu tambem sou um admirador das sociedades nordicas e do que ja vi sobre o Tibet. Tudo e possivel considerando que os nordicos ja foram os terriveis vikings que viviam de saques de outros povos.

O Brasil e um pais continental que somente os Andes impediram de chegar ao Pacifico e sua grandeza e uma grande inercia que impede os novos projetos de tirania mas tambem os projetos de melhora.

Vamos acabar com os pobres. Vamos promover todo mundo para a classe media. Com isto vamos acabar que esta maldita categoria de politicos esquerdistas que nao passam de cafetoes do pobres.

Acho que no fundo do inconsciente destas pustulas esquerdistas eles nao desejam o fim da pobreza pois ai viria o fim deles tambem.

Nada e perfeito. Se um dia chegarmos a isso, teremos uma populacao cheia de neuroses de classe media, competitiva, conservadora...

E viva a competicao. So nao vale dedo no olho....

João Bosco disse...

Gostei do post, entretanto devo dizer que foi de Hegel a tese do fim da História, não do pensador americano Fukuyama.
Sobre religião, todas são fanáticas, e talvez devem realmente ser.
Quem não pode ser fanático, são os religiosos e os seguidores de uma determinada religião, já que em algum lugar dos dogmas de todas as religiões, fala-se em convivência.
Quanto a China, quando seus problemas voltarem à tona, será um caos.
Vamos recordar que no único ano em que a economia chinesa não cresceu uma coisa de louca, houve a revolta na Praça da Paz Celestial.

André disse...

Bom, Heitor, os pobres foram instrumenais para ajudar o Lula. Mas a classe média também foi. Eu vejo mais é um bando de gente sem caráter, em várias classes sociais. Mas vc tem razão. Eu tenho compaixão pelos pobres, mas quero entender, como vc, quero saber o q aconteceu com aquela pessoa. E se possível tirar ela dali.

Sim, a pobreza é o caminho da tirania, boa observação. Mas acho q não começou com César, se bem q aquele adorável maquiavélico sabia tirar bom proveito da plebe.

É, os escandinavos são legais, desde os guerreiros vikings, muito hábeis.

Pior do q os Andes é nossa letargia e indolência. Impede q tiranias se instalem, talvez, mas também impede qualquer avanço, como vc notou.

Concordo c/ vc, vamos promover os pobres. E é claro q os políticos esquerdistas/populistas precisam da pobreza in vitro, ali, flutuando no formol eternamente.
O pobre in vitro é vital para esses canalhas.

Pois é, já pensou se o mundo for dominado um dia por uma grande classe média. Nelosn Rodrigues dizia: “O homem, no fundo, é de classe média.” Grande frase, q admite mil entendimentos.

Haverá outras Praças da Paz Celestial. E um dia talvez a do povão em cima do PC chinês. A história da China é uma longa história de guerras. Como as décadas do Período dos Reinos Combatentes. De vez em quando um poder central se impões e há um intervalo pacífico. O último intervalo começou com Mao, mas nem de longe foi o mais longo. Impérios fortes duraram muito mais. E, sempre q o poder central fraqueja, a China se fragmenta e mergulha no caos. Haverá uma nova guerra civil um dia, mas deve demorar. E muitas potências vão tirar proveito, como antes.

Costajr disse...

O post critica a Globalização no início, faz apologia do islamismo, analisa com certo romantismo o oriente islâmico, mas no final, parece, deseja uma globalização mais "civilizada", sem ganância.

Seria tão melhor que o oriente se ocidentalizasse e a esquerda, moderada ou stalinista, fosse erradicada.

André disse...

Todos os moderados devem convergir, sejam políticos ou religiosos. O radicalismo deve ser combatido, nunca a moderação. Eu acho q quero o impossível: q o Oriente se ocidentalize, mas ao mesmo tempo continue oriental, e q a esquerda mude pra melhor - tanto a moderada, q é pouco confiável, quanto a radical, q deveria desaparecer.

Bocage disse...

APOLOGIA ao islamismo? ANALISA o oriente islâmico? E ainda viste romantismo na análise? Que análise?

Anônimo disse...

"esquerda, moderada ou stalinista, fosse erradicada."? explica melhor Sr.costajr. Podemos dizer que seria melhor se a direita, moderada ou facista fosse erradica? Não vejo sentido na sua colocação. Não tem o menor sentido em pensar que seria melhor que o oriente se ocidentalizasse. Melhor para quem
meu amigo? e Porque?

Catellius disse...

Vamos lá. Estive fora parte do fim de semana fazendo levantamento de uma área para a construção de um hotel, a uns 100 km de Brasília. Foi bem legal. Subimos a cavalo até o alto de uma cachoeira de pelo menos uns 50m de altura. Esporte radical? Claro. Andar a cavalo na beira de um penhasco sem fazer o sinal da cruz... Como posso ter sobrevivido? Ha ha ha.

Em primeiro lugar, concordo com a Simone. Você demonstrou sabedoria neste artigo, não comprando a visão ortodoxa dos que se dizem de esquerda nem dos que se dizem de direita, analisando com propriedade o fator China e a substituição do comunismo pelo islamismo como o bicho papão que ameaça o ocidente.

Quanto ao comunismo, não tenho dúvidas que merecia ser combatido, assim como os subprodutos bolivarianos de hoje o merecem.

Sou totalmente favorável à ALCA, mas não exatamente a ALCA proposta na época de FHC. Acho que o acordo deve ser vantajoso para os dois lados. Só isso. É pedir muito? E não boto fé no Mercosul. Tratando-se desses vizinhos que temos, prefiro acordos bilaterais; com eles e com os EUA, até que a ALCA venha e englobe tudo. Mas parece que nem os EUA querem a ALCA agora. Estão mais à vontade com os acordos bilaterais.
Não há como ser contra a globalização, nem existem meios de impedi-la. Comércio global, preços globais, informação global, Internet, dólar, etc. Para fugir da globalização só morando no Pólo Sul – e olhe lá.

Quanto ao islamismo, coloco-o no mesmo saco em que estão cristãos e crentes de outras religiões. O povo já é manipulável por natureza, imagine então quando as paixões despertadas pelas crenças religiosas entram em jogo. Como era a sociedade alemã na década de trinta? Certamente mais esclarecida e civilizada do que a formada pelos iranianos de hoje. Não obstante, deixaram-se manipular pelo ideário nazista, pelo desejo de vingança originado da humilhação sofrida na Primeira Guerra, esta, por sua vez, fruto do caldeirão de fronteiras mal desenhadas, dos movimentos nacionalistas e de unificação que pulularam no fim do séc. XIX pela Europa e pelo tênue equilíbrio de alianças e jogos de interesses que havia na região. O que podemos esperar de um povo à mercê de uma imprensa mentirosa e de um governo anti-semita e antiocidental? Será difícil achar jovens fanáticos que se deixem explodir em um metrô lotado de “demônios”? É claro que não estou justificando as ações daqueles energúmenos, malditos sejam. Não sou determinista e acho que cada um é responsável pelos próprios atos. Isto não me impede de concluir que aquele povo seria manipulável do mesmíssimo modo se fosse cristão. Bom, temos dois mil anos de exemplos... a mesma Bíblia, o mesmo homo sapiens sapiens...

“...os pensadores americanos imaginavam que a história havia acabado, com a queda do Muro de Berlim...”

“Os pensadores” significa “todos os pensadores”?

“Isto para não mencionarmos a corrupção que caracterizou privatizações em todos os países do mundo.”

Os benefícios das privatizações são inegáveis. Se houve corrupção – e houve, certamente – que os culpados sejam punidos. Onde estava escrito que as privatizações seriam “puras”, incólumes? Quando algo envolve dinheiro graúdo, é sempre bom vigiar. Principalmente quando o Estado está no meio.

“O islamismo era a segunda religião preferida do Papa João Paulo II, que a considerava muito semelhante ao cristianismo.”

Não é de se admirar. A outra opção seria o judaísmo, monoteísta como o islamismo. A diferença é que os muçulmanos veneram Maria, Jesus e João Batista, enquanto estas figuras não são absolutamente nada para os judeus. No máximo uma boa fonte de problemas, he he. E os muçulmanos esperam o Juízo Final, que para eles será conduzido por.... Jesus, não por Maomé. Claro que, para aqueles loucos, Jesus é muçulmano e comandará um exército que terá por rivais inclusive os cristãos, he he. Vá entender.... Bando de doidos...

“...os intelectuais americanos acham que o Islã é o inimigo...”

De novo. Concordo que o problema maior seja a ressurreição dos socialistas, mas quem são OS intelectuais americanos? São tão poucos assim que se possa generalizar dessa maneira?
Escrevi recentemente sobre isto:
Daniel Pipes jurou de pés juntos que o mega-atentado de Oklahoma, o maior da história dos EUA até então, fora planejado e executado por fundamentalistas islâmicos. Que decepção... A glória que o transformou em profeta veio finalmente no 11 de setembro, quando, "graças a Deus", foram os islâmicos mesmo os responsáveis.
Ele disse: “Não é hora de se preocupar com os sentimentos das pessoas. É absolutamente necessário que o FBI mantenha incomunicáveis os prisioneiros. Que alguns passem um certo tempo atrás das grades quando não deveriam estar ali, é um preço que estou pronto a pagar.”
Pior, tendo declarado os Estados Unidos em perigo, Daniel Pipes acredita-se autorizado a fazer o papel de McCarthy: em seu site “Campus Watch”, denuncia nominalmente como “anti-semitas”, inúmeras vezes, os professores universitários hostis à guerra que a Casa Branca preparava contra o Iraque, o que lhe valeria ser declarado persona non grata em várias universidades americanas.
Mais "bushista" que Bush, ele chegou ao ponto de criticar o próprio governo Bush por “fazer uma nítida distinção entre um bom e um mau islamismo”. Porque, segundo ele, “A diferença entre um islamita moderado e um islamita radical é como a diferença entre um nazista moderado e um nazista radical.”

O melhor é sempre escrever “alguns intelectuais americanos”, já que é um país plural onde não há uma unanimidade entre os intelectuais, que se contam aos milhares, aliás, quiçá às dezenas de milhares.

Catellius disse...

André,

Boa essa do “ora, seu fracote, qual é? Morra lutando!”.

“...se alguma brigada anti-papal ler isso, não estou elogiando Ratzinger. E se uma brigada do Vaticano ler isso, não estou chamando Karol Wojtilla de burro.”

Bom, JPII era um famoso supersticioso, mas não era burro, obviamente. O atual é uma raposa da pior espécie, que ainda criará muitos problemas. Aguardemos...

“O capitalismo tem jeito. O islamismo, só se um dia os moderados vencerem. E o socialismo, só quando se diluir, virar uma social-democracia sem dentes.”

Como eu comentei no post passado, para mim não existe capitalismo.
O islamismo já foi mais tolerante do que hoje. Eu me pergunto: Se no ano de 1500 a Europa fosse confrontada por um grupo de superpotências bélicas que pregasse a igualdade entre os sexos, o direito a ter a própria sexualidade, a igualdade de raças e credos, a liberdade, a democracia, a separação entre Estado e Igreja,; talvez os Europeus cristalizassem suas crenças atrasadas por muito mais tempo, pois isso representaria uma resistência pelos valores que realmente importavam para eles, os clérigos louvariam o martírio, cresceriam em importância perante a “devassidão” dos inimigos, etc. A simples defesa dos ideais da tal superpotência, na Europa quinhentista de meu exemplo, poderia ser considerada altíssima traição.
O que quero dizer é que houve de fato uma espécie de choque entre civilizações, de um século ou mais para cá, e a coisa acabou funcionando como aquele tipo de leite em pó que se mistura facilmente à água morna mas que se amontoa em pelotas cozidas quando o despejamos sobre água fervente. Vejo a coisa mais ou menos desse jeito.
Quanto ao socialismo, se há respeito à propriedade privada, liberdade de mercado, imprensa livre, democracia, então não é socialismo, ora bolas, é no máximo um Estado de bem-estar social, paternalista, de impostos esmagadores... Mas não é socialismo.

“E se o Ocidente fosse profundamente religioso ou coisa do tipo, haveria briga com o islamismo do mesmo jeito. Talvez pior.”

Muito bem, André. Eu não tenho dúvidas. A diferença talvez estivesse no fato de que jamais teriam contratado islâmicos para reconstruir a Europa após as Guerras Mundiais, que teriam ocorrido do mesmo jeito, e jamais lhes teriam dado muitos direitos. O mais provável é que os reis absolutistas voltassem a fazer sucesso, e, é claro, sob as bênçãos do papado...

Simone,

Muito bem dito, ou benedicto, he he. Concordo com tudo.


Bocage,

Bravíssimo. Gosto muito da Palmira. É uma pessoa sensata e consciente. Concordo com tudo o que você escreveu, e que também vai ao encontro do que a Simone comentou.

“Já que todos escrevem duas vezes, uma para comentar e outra para corrigir, talvez para aumentar o número de comentários...”
Ha ha ha. Você é impagável.
Discordo de você quanto aos adjetivos que a Patricia M e o Blogildo merecem. Por mim, todos são bem-vindos por aqui, obviamente eles incluídos.

C.Mouro,

...pois inúteis também podem permanecer, assim como eu permanecerei moderadamente.”

He he he. Agente somos inútel... É claro. Quer algo mais inútil do que este blog? O importante é a diversão.

Ricardo,

“Acreditio que uma mobilização americana para aglutinar novamente o ocidente irá reviver o pior da guerra fria.”

É tudo o que muita gente quer. O pai do Daniel Pipes, que citei mais acima, era um anticomunista alucinado, que servia ao Reagan, e só queria saber de guerra espacial, só falava de “vermelhos”, em “smash communism”. Ninguém tem dúvidas de que o filho anseia desesperadamente por um inimigo à altura daquele contra o qual o papai lutava. Freud explica.

Heitor II,

“Tudo e possível considerando que os nórdicos já foram os terríveis vikings que viviam de saques de outros povos.”

Putz, confesso que não entendi o que isto tem a ver com o exemplo do Mostardinha. Gostei disto que você escreveu: “...e sua grandeza é uma grande inércia que impede os novos projetos de tirania mas também os projetos de melhora.” “Vamos acabar com os pobres. Vamos promover todo mundo para a classe media. Com isto vamos acabar que esta maldita categoria de políticos esquerdistas, que não passam de cafetões do pobres.”

CostaJr,

Não vi apologia do islamismo e tampouco uma análise do oriente islâmico. O Heitor apenas argumenta que o islamismo substituiu, na cabeça de alguns americanos, o comunismo como maior inimigo da democracia, enquanto o comunismo está ressuscitando sob as barbas dos EUA. Ele não faz um julgamento do islamismo, apesar de citar o respeito que João Paulo II tinha por essa fé.

“Seria tão melhor que o oriente se ocidentalizasse e a esquerda, moderada ou stalinista, fosse erradicada.”

O oriente já está se ocidentalizando em incontáveis coisas. Mas qual a sua sugestão? Que lhes abram os olhos em uma sala cirúrgica? Que abandonem o budismo, o xintoísmo, islamismo, hinduísmo, confucionismo, etc. e se convertam ao cristianismo, talvez aquele catolicismo “piedoso” que há nas Filipinas? Que acabem até com os pagodes de madeira e adiram ao pós-modernismo ocidental? Que passem a usar somente a escrita em caracteres latinos? Eu, por meu turno, prefiro a pluralidade e o respeito à pluralidade. Do oriente pegamos a culinária, as artes marciais, muito da filosofia e de hábitos saudáveis, muito do gosto estético – desde Marco Polo, passando por Van Gogh, Frank Lloyd Wright e outros arquitetos, até os irmãos Wachowski. Se o oriente se “ocidentalizar” significa ser democrático e laico, então concordo com você. É o melhor para todos.
“Erradicar” significa “arrancar pela raíz”. E isto significa o quê? O que é ser de esquerda, para você? Qual a raiz da esquerda para que possamos arrancá-la?

Abraços a todos

Fábio disse...

Guerra fria à parte, a guerra ao terror demonstra que a política externa estadunidense continua míope: a atual ditadura militar paquistanesa está ganhando fortunas de benefícios econômicos dos EUA. A maioria da população do Paquistão é de muçulmanos, muitos dos quais fanáticos que endeusam Osama Bin Laden. Sem ironias: Eu odeio muçulmanos. Sou árabe não-muçulmano por parte da minha mãe [meu avô era ateu] e a cada dia que passa fico mais irritado com o subsídio que povos fanáticos estão recebendo dos EUA. Repare que o Paquistão tem a bomba atômica, desenvolvida contra a Índia pela atual ditadura. E os EUA não reclamaram. Se fosse no Brasil, seria um escândalo. Acho que, no mínimo, os EUA nos devem amplas garantias de que o "missile defense system" nos protegerá também, ao invés de desviar as bombas para virem explodir aqui...

André disse...

Primeiro, um sistema de defesa de mísseis balísticos, caso um dia venha a funcionar com alta eficiência (e isso num futuro muito, muito distante), não "desvia bombas" para lugar nenhum. São mísseis que interceptam outros mísseis. Segundo, o programa nuclear paquistanês é pequeno, concentrado em duas ou três instalações e desde novembro de 2001 está firmemente em mãos norte-americanas. Caso necessário, destruí-lo, não sem antes tirar o q interessa de lá (ou destruir isso também) é um serviço rápido. Terceiro, o ISI, a inteligência paquistanesa, anda fazendo um bom trabalho. Quarto, mesmo a Coréia do Norte, cujo programa nuclear existe apenas para chantagens diversas, é menos ameaçadora q o Paquistão. E a Coreía do Norte é o inferno na Terra, não se engane. Quinto e último, os EUA tem q se relacionar com ditaduras, seculares ou religiosas, em todo canto. Uns chamam isso de hipocrisia imperialista ou sei lá mais o quê. Eu chamo de realpolitik. O mundo é sujo, mas alguém tem q fazer as coisas acontecerem. Mesmo com os iranianos, as relações sempre foram intensas, ainda que por baixo dos panos. Encontros discretos e de alto nível entre ambos são comuns. Oficialmente, não há relações dilomáticas entre eles, mas isso não passa de uma formalidade.

Aliás, preocupe-se com o Irã, cujas quase quarenta instalações nucleares, quase todas profundamente subterrâneas, formam um pesadelo considerável para qualquer força de ataque aéreo moderna.

André disse...

Errata: Coréia, não Coreía

Catellius disse...

Fábio,
Como disse o Heitor, um dia desses, "Vc já viu que para se meter com a turma aqui vc vai ter que comprar uma Barsa nova...rsrsrsr."

C. Mouro disse...

Eu concordo plenamente com os adjetivos, de grande precisão, mas também concordo que não incomodam - só não digo bem vindos porque isso cabe ao dono do blog. E, de certa forma, as asneiras de fanáticos inofensivos contribuem para a diversão.
.
Abraços
C. Mouro

André disse...

Pra fechar: quem manda no Paquistão são os militares, um tanto avessos ao islamismo, radical ou não. Em segundo plano entram os tecnocratas civis, por isso é um Estado híbrido, não 100% fardado. Costumam usar a religião para consumo público, manipulando
a massa quando preciso. Tudo em doses homeopáticas - muitos ditadores e populistas eleitos já caíram e morreram em levantes populares, breves porém violentíssimos. Um monstro sem cabeça o zé-povinho, mas de vez em quando acorda e acerta alguém a esmo. No Paquistão, acorda mais que o desejado.

O Exército lá não é tão secular e (virulentamente) anti-islâmico como na Turquia, mas tem força comparável. E, apesar da infiltração islâmica, os militares e o ISI não podem ser descartados como um bando de bobos fazendo os americanos de bobos.

Há pouco um juiz da suprema corte paquistanesa foi falsamente acusado pelo presidente Musharraf e deposto. Resultado: o Judiciário parou e advogados - todos de terninho preto e a cara do Peter Sellers - saíram detonando nas ruas. O cara era adorado. Um juiz. Em qualquer lugar, advogados estão se lixando para juízes e vice-versa. E não fazem passeata. Lá pelo jeito é diferente. O tal juiz era visto como um possível voto contrário a algo q Musharraf queria fazer. Talvez seja forçado a se perpetuar, mas não quer. Quer sair, tentar uma transição democrática controlada ou, fracassando, renovar a junta militar e manter o status quo.

Enfim, é um lugar maluco, contraditório como a Índia (onde há uma cidade cheia de ratos em q nunca foi registrado um único caso de peste negra, diz a lenda). Na verdade, uma criação artificial feita para acomodar os muçulmanos e "limpar" a Índia, mas q não deu certo. O Bangladesh ali ao lado também foi feito com boas intenções. Entre os responsáveis pelas sucessivas divisões territoriais pós-domínio inglês, está Indira Ghandi, q bagunçou o q não parecia poder ficar mais bagunçado.

Desculpem pela divagação ou qualquer pedantismo professoral.

Catellius disse...

Que nada, André. O assunto é pertinente.
É ótimo saber que você se interessa pela geopolítica daqueles lados. Vou tomar mais cuidado para não falar M*, como o Fábio, he he.
Bangladesh e Paquistão formavam um país só, separados por milhares de quilômetros de território indiano. O Paquistão Oriental, como era chamado Bangladesh, era preterido em inúmeras questões, e acabou se tornando independente há mais de trinta anos. Fui colega de árabe (estudei árabe clássico por mais de dois anos, logo após retornar do Oriente Médio, em 1993) do embaixador de Bangladesh, que me mostrava fotos e me falava de seu país - uma B* alagada pelo Ganges e o Bramaputra, diga-se de passagem, infectado por mosquitos e enfraquecido pelas doenças que eles transmitem, superpopuloso como poucos; deve parecer o terceiro círculo do inferno de Dante, onde os culpados por glutonia ficam imersos em uma lama morna, engolindo-a juntamente com uma chuva fria que cai sem parar e os próprios excrementos...

André disse...

Pra piorar, no 2o grau descobri q o Bangaldesh tem uma geografia q convida ao desastre: é raso, bem ao nível do mar. Quando vem as monções, tufões e vagas/vagalhões, o país é todo varrido.

Q legal, se eu tivesse tempo, estudaria árabe, só não sei qual. Gostaria também de ter tempo pra latim, italiano, alemão e russo. Parei em duas, além da linguinha natal. Claro, pra isso teria q viver de rendas. Hoje, nem javanês.

Dante tinha uma imaginação danada pra inventar punições. Dizem q colocou todos os seus inimigos no Inferno e os amigos no Paraíso. Schopenhauer ou Nietzsche, um desses, achava o Paraíso um tédio, pq, argumentava, é difícil imaginar um. Já o Inferno, basta olhar pro mundo.

Catellius disse...

O texto do Inferno é melhor, assim como as histórias que os punidos relatam a Virgílio e Dante, e o mesmo verificamos nas obras que a Divina Comédia inspirou. Francesca da Rinmini, de Tchaikovsky, a Sinfonia Dante, de Liszt, possui um inferno assombroso e um purgatório apenas regular, as gravuras de Gustave Doré para o Inferno são magistrais, enquanto as que fez para o Purgatório e Paraíso são repetitivas, sempre com multidões de monges e anjinhos zumbis iluminados - um saco.

André disse...

Adoro Gustave Doré

André disse...

Até q está bom para um mapinha de internet. Pena q o atlas da National Geographic só oferece umas atualizações online (dentro do meu tem uma senha de acesso ao serviço) não o atlas inteiro. Claro, senão ninguém compraria...

https://www.cia.gov/cia/publications/factbook/reference_maps/pdf/asia.pdf

https://www.cia.gov/cia/publications/factbook/geos/pk.html

Gosto muito de mapas.

Bocage disse...

Enquanto isso, na doce Europa secularizada...
Um link para notícia de 13/04 e outro para uma de hoje. Com as palavras de Ricardo Alves:

Numa convenção, os sindicatos de professores do Reino Unido votaram uma moção pedindo que o governo deixe de financiar as escolas religiosas, muitas das quais sobrevivem à custa de subsídios do Estado, embora discriminem os alunos por critérios religiosos. A moção avisa que as escolas religiosas (anglicanas, católicas, muçulmanas, judaicas...) têm agravado a segregação social (um caso típico é a Irlanda do Norte). Algumas destas escolas parecem ser também uma das causas das gravidezes na adolescência, devido à sua insistência em programas de educação sexual irrealistas e contrários à própria natureza humana, em que se defende a total abstinência sexual.

Catellius disse...

André,
obrigado pelos links. O segundo já foi para os meus favoritos.

Bocage,
ainda bem que os defensores do laicismo ainda são em grande número na Europa Ocidental. Enquanto isso, na Polônia, há um projeto do partido de extrema-direita chamado "Liga das Famílias Polacas" em conjunto com o ultraconservador PiS (Lei e Justiça) e PSL (Partido dos Camponeses) para coroar um mito, Jesus Cristo, rei daquele país... Acho que deveriam expulsar a Polônia da Europa, he he, trazer dos Urais para a Alemanha os limites com a Ásia. Que idéia de jerico. Ele dividirá o trono com a Virgem Maria, que já é rainha da Polônia há mais de trezentos anos, he he he.
São uns animais, isso sim. Os cristãos conservadores e os ensandecidos muçulmanos são, para mim, farinha do mesmo saco.
Coloquei no blog um link para a página da National Secular Society. Valeu.
Abraços

André disse...

Catellius, conheço alguns descendentes de poloneses aqui em Brasília, q por sua vez conhecem poloneses da embaixada. Os daqui são mais diluídos nos sentimentos, mas os de lá são uns chatos, e muitos são anti-semitas. Ora, para um SS, qual era a diferença entre um polaco e um judeu polonês? Um era eslavo, o outro era eslavo e judeu. E eles ainda tem preconceito entre eles! Deveriam era se unir!

O atual governo dos gêmeos na Polônia é um desaste. A Stratfor de vez em quando fala nisso, é de morrer de rir, se não fosse sério.

Anônimo disse...

Muito bom esse bate bola! A existência de pobres dá sustentação ao discurso dos populistas. É por eles que esses governos se elegem, e se fortalecem. Em nome dos interesses dos pobres se instalam as tiranias. E a permanência da pobreza, apesar dos populistas no poder, mostra que populista que se preza não acaba com seu ganha-pão. Por isso, se pobre quiser virar classe média, não vote em populista! Rsrsrs
Dias atrás, quando o Presidente dos States veio ao Brasil, senti-me envergonhado com a atitude do nosso Presidente Lula, fazendo reverência com pires na mão querendo uma esmolinha.
Brasileiro não pode ser coitadinho não. Sai dessa. A maioria tem cabeça, 2 braços e duas pernas... chega de ficar dando uma de pobre. Vai trabalhar, minha gente, como dizia Collor. O território é grande, a alma não pode ser pequena.

André disse...

Correção: os gêmeos poloneses são um desastRe.

Por favor, a tradução de

"Camelus desiderans cornua, etiam aures perdidit"

Só agora vi q mudou.

Catellius disse...

Anônimo,

Obrigado pelo ótimo comentário. Quase todos nossos "grandes" problemas ficam pequenininhos quando chega o câncer, he he. Brincadeira.

André,

O dizer anterior, quidquid latine dictum sit, altum viditur significa "qualquer coisa dita em latim parece profunda", ou "faz grande vista", e o atual, Camelus desiderans cornua, etiam aures perdidit, foi sugestão do Heitor e quer dizer, grosso modo, "quem tudo quer tudo perde". Com um pouco mais do que nosso parco conhecimento etimológico já daria para intuir o significado. Literalmente é "de tanto desejar chifres, o camelo acabou perdendo as orelhas". Parece que a frase é do famoso Desiderius Erasmus Roterodamus, vulgo Erasmo de Roterdã, que tem "desejo" até no nome, he he.

André disse...

Ah, então camelus é camelo em latim. Poderia ser um falso cognato, uma coincidência enganosa. Legal essa frase, mas a 1a também era boa. QUALQUER coisa dita em latim parece mesmo profunda. Ainda mais no meio jurídico! Já vi cada atentado...

Anonymous disse...

O mineiro soh eh solidario no cancer

Anonymous disse...

O atirador que matou 32 pessoas no campus do Instituto Politecnico da Virginia era um estudante de ORIGEM ASIATICA. Tinha que ser...

C. Mouro disse...

Perdoe-me caro Catellius, mas acabo de descobrir um blog onde, parece, se dedica a analisar a lei. E eu considero isso de máxima importância, e muito eficiente. Pois há na mente, sobretudo dos imbecis, de que o que é legal é legitimo, da mesma forma que se (des)entende que aquilo que é "democraticamente", tem que ser entre aspas, estabelecido é justo. Ou seja, confunde-se justiça com democracia e legitimo com legal. E nesse emaranhado safado, as leis são cada vez mais arbitrárias, discricionárias, injustas e ilegitimas.
Ou seja, a democracia - que é meramente um processo de escolha, e que por tal presume liberdade de expressão e liberdade política - está tornando-se um processo para estabelecimento da moral: tudo que for votado pela maioria torna-se moral, torna-se justo e legitimo. Assim, todos passam a ambicionar fazer leis, ou influencia-las, a fim de através da lei, e da força física (tropas armadas) que ela possui, obter privilégios e toda sorte de vantagem contra outros. Ou seja, essa confusão de democracia com justiça produzirá uma população absolutamente corrupta, sem virtude alguma, que se induzirá ao desprezo por suas pretensas vítimas e tomada pela ambição de fazer do Poder um meio de se beneficiar, e não mais um meio de fazer justiça.
.
Cada vez mais se embarca na canoa do "se me beneficia é justo, se me prejudica é injusto" e isso decorre da milenar idéia safada de que "se beneficia o pobre, é justo, se o prejudica é injusto" ...essa degraça milenar, esse populismo safado, vem corrompendo paulatinamente e já nada mais há da moral estóica. A idéia de bondade já decapitou a idéia de justiça: o máximo valor é a bondade, e a justiça apenas o objetivo dos insensíveis perversos.
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O blog é: http://refemdoestado.blogspot.com/
.
Abraços
C. Mouro

Simone Weber disse...

Viva Mouro!

Deves simpatizar com Thoreau e sua Desobediência Civil, estou equivocada?
Era abolicionista, apaixonado da natureza, repugnava-lhe seguir as notícias, pois "poluíam a mente com banalidades", entendia que trabalhar sem prazer era degradante. Foi preso porque se recusou a pagar impostos por achá-los injustos, apesar de legais - a isto me remeteu teu excelente comentário -, uma vez que eram usados para financiar uma guerra contra o México. Um 'anonymous' quitou sua dívida com o erário e Thoreau foi solto. Riu-se da situação, dizendo que o Estado se comportava como "uma criança aborrecida que chuta o cão de seu desafeto".

Beijocas a todos

C. Mouro disse...

Perfeito, Simone, é por aí mesmo. Simpatizo imensamente com o pensamento de Thoreau. Sou amplamente favorável à desobediência civil, que é o terror dos canalhas.
Aqueles sujeitos que acreditam que "a ordem" justifica tudo, ou pelo menos é melhor, mesmo que injusta, estes tipos são aqueles que considero sub humanos, são o que há de mais desprezivel aos meus sentidos. Afinal, para mim, nada é pior que a injustiça oficializada. Aqueles que descaradamente aceitam a injustiça sob a idéia de utilitarismo são como "piolho de pulga de ratazana" como indivíduos (*).
.
Mas, infelizmente, a tendência utilitarista ou apenas ideológica prevalece. Funesto que seja, a construção da moral é utilitarista, sempre visando fins (ideológica) e não ao princípio justo(filósofica); não a justiça das ações, mas aos resultados segundo preferências particulares ou "achismos" mesmo. .
...É aquela estória dos fins justificarem os meios, o rigor estóico foi pelo ralo definitivamente no final do sec XX. Daí para a frente valem as aparências, os consensos e os grupamentos "beatificados", a demagogia e etc..
A destruição da consciência individual foi gradativa e fortemente enraizada (tenho uma idéia da "consciência externa" um tanto Schopenhauriana), levará muiiiiittoooo tempo e vai ser preciso muiiiiitooo debate para resgatar o que foi aniquilado. A capacidade de refletir foi esmigalhada, mas se deseja emitir opiniões, como se isso qualificasse, sem nem mesmo compreender o que se está falando, apenas "seguindo o rebanho" para usufruir da sua acolhida. ...Enfim, a idéia de justiça está desaparecendo, também a ideia de liberdade está cada vez mais deturpada para fazer-se ininteligivel e desgraçadamente a idéia do direito natural já foi "para o saco" superada pelo "direito positivo" originado no arbítrio da autoridade estabelecida, "democraticamente" ou não, algo similar à "justissa* social" que se opõe plenamente à idéia de Justiça ...e a própria democracia é manipulada pela idéia da "democracia popular" e por aí o barco, a deriva no mar dos interesses e manias.
.
Forte abraço
C. Mouro

Anônimo disse...

"O que quero dizer é que houve de fato uma espécie de choque entre civilizações, de um século ou mais para cá, e a coisa acabou funcionando como aquele tipo de leite em pó que se mistura facilmente à água morna mas que se amontoa em pelotas cozidas quando o despejamos sobre água fervente. Vejo a coisa mais ou menos desse jeito."

Discordo, Catellius, o fundamentalismo dos muçulmanos não surgiu logo após o neocolonialismo vitoriano, quando poderia terocorrido um choque como o da água escaldante adicionada ao leite em pó. Ganhou terreno após situações de certa liberdade e igualdade, de democracia, mas talvez motivado pelo desemprego e corrupção, como foi o caso do Irã do Xá Reza Pahlevi.

André disse...

Economicamente o Irã ia bem com o Xá. Uma parte razoável da população também. Mas a repressão do serviço de segurança interna, a SAVAK, era brutal. A revolução foi uma surpresa e um aviso aos americanos e ao Ocidente. Ninguém, nem de longe, imaginava q fosse acontecer o q aconteceu.

Uma pena... Teerã, Bagdá, Trípoli, Damasco e outras já foram bons lugares pra se passar as férias.

Hoje, é tudo por conta e risco do turista.

Catellius disse...

Antes de mais nada, obrigado pelo link, Mouro. Já está na nossa página inicial, como sugestão de leitura. Acrescentei, recentemente, alguns sites que acesso às vezes, como De Rerum Natura, Science Blogs, Diário Ateísta e Helder Sanches.
Brilhantes as suas linhas, a propósito, sobre justiça, leis e congêneres. Já volto a dar minha opinião.

Anônimo,

Em primeiro lugar, a Era Vitoriana terminou antes do início da 1ª Guerra Mundial, quando ainda grande parte do Oriente Médio estava sob domínio Otomano. O choque - se houve, reconheço - foi após o término da 2ª Guerra Mundial, quando surgiram várias nações muçulmanas recém independentes de ingleses ou franceses (não falo dos persas), algumas que nunca haviam existido, como o Kwait, no mesmo instante em que argelinos, turcos, indianos e outros dirigiram-se à Europa para reconstruí-la, para fazerem o serviço que os europeus não desejavam fazer. Salários baixos e trabalhos pesados os esperavam de braços abertos. Os grupos eram formados principalmente por argelinos na França, turcos na Alemanha, hindus e paquistaneses no Reino Unidos, e outros.
Ainda sobre a independência dos países muçulmanos, povos rivais foram postos dentro da mesma fronteira, xiitas com curdos e sunitas, sem falar na criação do Estado de Israel, que os islâmicos consideraram uma invasão ocidental, uma nova cruzada, promovida desta vez pelos americanos. Nasceu aí a tal "causa Palestina", tão explorada pelos tiranos dispostos a sensibilizar uma população que desejassem manipular. Por fim, a riqueza advinda do petróleo lhes deu meios para patrocinar o fundamentalismo.

Mas as origens do fundamentalismo islâmico são bem mais antigas. Talvez a coisa tenha começado com o sufismo, e depois se consolidado em uma reação ao sufismo.
O fundamentalismo é uma espécie de reação de defesa do organismo religioso, quando posto à prova, principalmente por algo mais eloqüente, como a razão, por exemplo.
O principal movimento eloqüente que quase cindiu o modo de pensar do Islã foi uma heresia, depois mais ou menos acomodada no seio da doutrina tradicional, o sufismo (palavra que deve vir de “os que vestem a lã”, roupa rude de monges). O sufismo surgiu como uma reação puritana ao ambiente de liberdade sexual, uso de drogas e bebidas, licenciosidade e relaxamento dos costumes, que se seguiu ao êxito da expansão imperialista do Islã, que o levou a conquistar o antigo Império Romano do Oriente e os outrora poderosos persas.

Mas junto com o desejo pela vida asceta, influência de cristãos e budistas, que valorizavam a vida monástica e o desapego aos bens materiais, acabaram tomando emprestado um certo messianismo dos cristãos, algo do zoroastrismo, passaram a ter rituais místicos de dança, elevação espiritual e outras coisas que desagradaram os poderosos sheiks (ou xeques) das metrópoles. O sufismo tinha ido muito longe em seu ascetismo e práticas de êxtase. Acreditavam que podiam se incorporar ao verdadeiro deus e, com isto, dispensavam as orações, as esmolas obrigatórias, as peregrinações até Meca, a ida até a mesquita!, as madrassas e todo o sistema oficial de funcionamento do Islã.

"Suas práticas simples transformaram-se em elaborados conceitos espirituais, com a introdução da música e da dança, e ameaçou a posição da mesquita como centro do serviço religiosos... uma das introduções, ao que parece com influência cristã, foi a idéia do Mahdi, o enviado de deus, a fusão desta doutrina messiânica com a doutrina cristã do Segundo Advento era uma evolução natural... os sufistas, para justificarem estas rupturas, formularam, isto é, inventaram verbalmente, afirmações, muitas vezes bastante fantasistas e desprovidas de qualquer verdade histórica, que atribuíram ao Profeta. O resultado foi uma campanha anti-sufista que reprova em geral, no Islã, o ascetismo absoluto e especialmente o monasticismo e o afastamento do mundo, além, de realçar a superioridade de um sábio sobre um asceta. Estes esforços evitaram que o sufismo desse o passo seguinte: o estabelecimento de ordens completamente monásticas, o que evitou a destruição de toda a estrutura do Islamismo". (Fazlur Rahman, O Islamismo, Arcádia, Lisboa, 1970, p. 186/187).

A reação fundamentalista a um fundamentalismo que degenerara para uma heresia veio a exigir uma volta a um passado mítico, aos tempos da fundação do Islamismo, afirmando que os tempos puros eram, apenas, os três primeiros séculos, com os Califas legítimos e, depois, tudo havia caído em decadência. Algo como o "verdadeiro" cristianismo do Blogildo.
Muhammad ibn Abd al-Wahhab, que viveu de 1703 a 1792 d.C., foi o fundador do movimento puritano de reforma e de volta às origens. Ele atacou ferozmente as teorias populares do sufismo, a crença nos santos e nas relíquias, até mesmo as peregrinações e adoração dos túmulos dos santos sufis, negando que eles tivessem poder para interceder diante de Alá. Vejam como o islamismo da Turquia e Pérsia (atual Irã) estava impregnado do cristianismo flavour catolicismo... Atacou até a liberdade de que gozavam as mulheres.

Al-Wahhab, o fundador da seita uaabita, acabou fazendo uma aliança com o chefe militar de um oásis chamado Nedj, uma das regiões da península da Arábia Saudita. O nome deste chefe, pasmem, era precisamente Abd al Aziz ibn Saud, que propôs uma aliança com o pregador. A seita fundamentalista seria uma exclusividade do clã militar dos Saud, e al-Wahhab aceitou. Assim, fé e conquista militar se aliaram e foram, aos poucos, dominando toda a península arábica, dando nascimento ao reino saudita, propagador das doutrinas uaabitas, puritanas e fundamentalistas. Casualmente, em uma escola uaabita formou-se Osama Bin-Laden, um iluminado dentro desta linha de pensamento religioso que procura afastar do núcleo das crenças islâmicas todo e qualquer acréscimo, que venha por contaminação com o cristianismo ou com o budismo. É um movimento que data de pregações do século XVIII e teve seu apogeu militar no final do século XIX, mas que agora alcançou a riqueza, depois da aliança entre os EUA e a Arábia Saudita, em torno do petróleo.

Fazulu Rahman disse:

“Uma parte da oposição ao Uaabismo devia-se inegavelmente ao fato de suas doutrinas ameaçarem a frouxidão moral e os cultos supersticiosos da religião popular que até a maioria dos ulemás acabara por desculpar, senão aceitar inteiramente. Por conseguinte, a reforma Uaabita não sofria apenas a oposição das massas, mas, inicialmente também de muitos ulemás que desejavam preservar o patrimônio do islamismo medieval. Mas, a maior parte destas oposições atribui-se à atividade política dos Uaabitas e, especialmente ao seu
violento militarismo.”
( p. 272 ).

Fazulur Rahman define o uaabismo como “uma reforma de ultra extrema-direita do islamismo”.
É este movimento de reforma que confronta, atualmente, o ocidente e é ele que ganha prestígio e adeptos no Mundo Muçulmano.

Às vezes imagino como seria se os europeus fossem bem mais atrasados tecnologicamente do que os chineses - estes com ascendência sobre aqueles - e também pertencessem, a maioria, à Opus Dei. Os budistas classificariam o cristianismo como uma religião bárbara, selvagem? Bem provável. No caso do islamismo, todas vertentes mais brandas, como o sufismo, foram sufocadas pelos xiitas e pelos sunitas seguidores de Al-Wahhab.

Finalizando, como reação ao fundamentalismo islâmico, não duvido que um fundamentalismo cristão ganhe força com o passar dos anos. Enquanto der, laicismo neles...

Abraços a todos

Bocage disse...

Anonymous das 10:05 e inocente CostaJr,
fazeis juz ao "de certa forma, as asneiras de fanáticos inofensivos contribuem para a diversão" do C. Mouro. Por fineza, não sumi, rsrs.

Catellius, ótima aula.
Os islâmicos já foram mais desenvolvidos tecnologicamente e mais "sábios" do que os europeus. Se decaíram ao ponto lastimável em que se encontram hoje, os culpados foram eles próprios. Choque de civilizações ocorreu entre astecas e espanhóis; ismaelitas, islâmicos, muçulmanos, maometanos - ou como aqueles fanáticos queiram ser chamados - e cristãos sempre mantiveram, de um jeito ou de outro, contato.

Roberto Eifler disse...

Caro Catellius
Obrigado pela visita e pelo convite ao Pugnacitas. Eu não o conhecia e não sabia o que estava perdendo. Aliás, como há blogs bons perdidos no meio do universo de insignificâncias... Eu ainda não sei se a internet apenas reproduz noutro nível o isolamento das pessoas ou se ela realmente possibilita uma nova possibilidade de relacionamentos.
Quanto ao texto do Abranches, muito bom. Acho que já foi destrinchado pelas muitas mentes lúcidas que brilham nos comentários. Eu só gostaria de enfatizar um tema que ele abordou de passagem, o das “mobilizações populares”. Claro que não foi Lênin quem inventou, mas sem dúvida foi ele o responsável pela globalização da estratégia de lutar não pelos corações e mentes mas pela liderança das corporações de corações e mentes. As democracias atuais vivem o paradoxo de não poderem levar a sério nenhum movimento popular, pois todo tipo de “movimento popular” existente hoje no mundo é manipulado pelos dirigentes de alguma sigla qualquer, criada geralmente com esse propósito específico. A esquerda teve a primazia desses movimentos, mas essa estrutura neobolchevista é formal, isto é, está à disposição de qualquer corrente de pensamento, tanto à esquerda como à direita. Creio que esse fator deve ser doravante levado em conta ao se pensar o arcabouço constitucional das democracias.
Um abraço.

André disse...

C. Mouro, o site q vc indicou é mesmo muito bom. Dei uma boa lida nele e é interessante. Tem conteúdo.

Justiça social é uma injustiça travestida de boas intenções.

O Kuwait era uma província iraquiana, antes da divisão arbitrária feita por ingleses e franceses. Foi daí q Saddam Hussein tirou seus argumentos para invadi-lo. Além, é claro, da história das dívidas q o Kuwait vinha cobrando do Iraque, o q o enfureceu. E perder logo a província mais rica em petróleo, q azar... Acho q foi naquele tratado de Sykes-Picot, durante a I Guerra, mencionado no maravilhoso filme Lawrence da Arábia. O livro, Os Sete Pilares da Sabedoria, é uma obra-prima.

Exato, Catellius of Arabia. “Talvez a coisa tenha começado com o sufismo, e depois se consolidado em uma reação ao sufismo.” Talvez, mas bem possível.

O asceta é um cara que não morre. Mas que também não vive. (Millôr!)
Eu também prefiro um sábio a um profeta, mas acho o sufismo interessante.

O wahabismo, sunita, perseguiu cruelmente os sufis na Arábia Saudita. Também por causa do 11/9, há um esgotamento geral disso na Arábia Saudita. Quer dizer, na casa real. Lentamente, boa parte dela está se afastando do wahabismo e daqui a algum tempo algumas coisas podem começar a mudar.

E há vertentes islâmicas piores, em outros lugares.

Roberto Eifler, a internet reproduz, e muito, o isolamento das pessoas, mas por outro lado possibilita novos relacionamentos.

Pra quem gosta:

Saudi Arabia's History

In 1902, Abdel-Aziz bin Abdel-Rahman bin Faisal al-Saud, the founder of modern-day Saudi Arabia, returned from exile in Kuwait and seized Riyadh and much of the surrounding central Najd territory.

Al-Saud -- who is better known as Ibn Saud -- cobbled together an army known as the Ikhwan from several of Arabia's nomadic and seminomadic tribes (bedouin) to conquer Hail, the Hijaz and other parts of what now makes up the kingdom. By 1913 his forces had taken the oil-rich al-Ahsa or Eastern Province. In 1917, with the help of the Ikhwan bedouins, Ibn Saud inched his way toward Hail, the headquarters of the rival al Rashid tribe in northern Arabia, eventually capturing it.

By 1926, he had ousted the Sharif of Mecca, Hussein Ibn Ali, and taken the Arabian Peninsula's western flank, known as the Hijaz. Ibn Saud's territorial ambitions were halted soon thereafter. Britain had placed sons of the Sharif on the thrones in Iraq and Transjordan, and cut a deal with Riyadh to limit raids into these territories. After the territorial expansion reached its limits, Ibn Saud moved to disband the Ikhwan army and settle the bedouin.

The bedouin, however, expected massive booty from the Hijaz and Hail victories and wanted to keep raiding into Iraq rather than settle down. Two of the Ikhwan leaders -- who had expected but did not receive cushy government appointments -- turned on Ibn Saud and began challenging Riyadh. Ibn Bijad, the top Ikhwan leader, had expected to be appointed military chief after the kingdom's consolidation, but he was dismissed instead. It is thought that Ibn Saud feared Bijad, and Faisal al Duwish, the Ikhwan's other commander, posed a threat. In 1929, the Ikhwan rose in unsuccessful rebellion against the regime.

There are a number of parallels between the current al Qaeda offensive and the 1929 Ikhwan rebellion.

Like Ibn Bijad, Osama bin Laden thought he would be rewarded with a high-ranking military position upon his return from Afghanistan after the defeat of the Soviets. Instead, he was ignored and then denied permission to form an army to fight against an invasion after Saddam Hussein's forces took Kuwait in August 1990. The Ikhwan accused Ibn Saud of dealing with the infidels, referring to Riyadh's relationship with Britain. Al Qaeda has condemned the Saudi government for dealing with the infidels, Americans and Westerners in general.

A critical divergence, however, is in targeting. Although the idea of a Saudi nationality did not exist back then, the underlying tribal alliance system prevailed and the Ikhwan deliberately attacked tribes loyal to Ibn Saud. Al Qaeda has not taken this road -- at least not yet. But after cleansing the holy lands of infidels, the movement will have thousands of radical and eager militants expecting action. Al Qaeda also has repeatedly and blatantly accused the Saudi regime of corruption and hypocrisy and is not likely simply to close up shop just because all the Americans have been routed. In fact, the militants have already struck at Saudi intelligence officials and headquarters.

Mais em:

http://execout.blogspot.com/2007/02/middle-east-basic-history.html

Catellius disse...

André,

Realmente, "wahabismo" e "wahhabismo" são melhores do que "uaabismo", afinal, como está no texto, o fundador é Al-Wahhab e não Al-Uaab, he he.

Bocage,

A "aula" não é exatamente minha. A maior parte das informações sobre as reações ao sufismo peguei de um debate comandado pelo prof. Fernando Sampaio, reitor da Escola Superior de Geopolítica e Estratégia, em Porto Alegre.

Roberto Eifler,

Muito obrigado pela visita e pelo ótimo comentário. Depois passo lá no seu blog.

C. Mouro,

Destaco o seguinte trecho de seu excelente comentário, uma pertinente denúncia do império das leis estúpidas e injustas perante o qual somos postos de joelhos:

"...essa confusão de democracia com justiça produzirá uma população absolutamente corrupta, sem virtude alguma, que se induzirá ao desprezo por suas pretensas vítimas e tomada pela ambição de fazer do Poder um meio de se beneficiar, e não mais um meio de fazer justiça."

Diogo Mainardi, o sábio histrião, escreveu, não há muito tempo, sobre Thoreau, em sua coluna na Veja. Um trecho:

"Thoreau defendeu o direito de repudiar a autoridade do governo. Eu sou o Thoreau dos pobres. O Thoreau bananeiro. Repudio a autoridade de Lula. Lula pode ser o seu presidente. Meu ele não é. Meu senso de moralidade é superior ao dele. Lula é o chefe de uma junta de golpistas. Referendá-lo significa referendar o golpismo. Cassei sua candidatura um ano e meio atrás. Unilateralmente. Ele que fique com seus doleiros, com seus laranjas, com seus lobistas, com seus assessores, com seus jornalistas, com seus mensaleiros, com seus filhos, com seus gorilas, com seus bicheiros. A forma que Thoreau encontrou para repudiar a autoridade do governo foi simples e direta: recusou-se a pagar impostos por seis anos. Chegou a ser preso por causa disso. Só foi solto porque uma tia saldou seus débitos. A revolta fiscal é o melhor meio de protesto que há. Muito melhor do que passeata. Muito melhor do que comício. Quem gosta de muita gente aglomerada é lulista. Prefiro me reunir com meu contador em seu escritório mofado, arrumando maneiras mais eficientes para burlar o Fisco. Falta somente uma tia rica para me tirar da cadeia."

Como a Simone disse, um "anonymous" tirou-o da cadeia, embora todos acreditem ter sido mesmo sua tia rica quem pagou a dívida.

Abraços a todos.

Magui disse...

Fica difícil comentar o texto, que está bem escrito na aparência, mas que contém mistura de conceitos, uma salada de idéias .Você tem uma cabeça que pensa muito e desagua tudo de uma só vez.
Eu queria apenas : A China é escravocata e portanto não deixou de ser comunista pois que o estado sobrepõe ao cidadão escravo da doutrina da classe dominante vigente.

Anonymous disse...

«A China é escravocata e portanto não deixou de ser comunista pois que o estado sobrepõe ao cidadão escravo da doutrina da classe dominante vigente.»

Deduz-se que:
. soh comunistas sao escravocratas,
. pode-se classificar um pais como comunista apos ser constatado que o cidadao eh escravo da doutrina da classe dominante

Isto sim eh uma «salada de ideias».
Sobre a China, Heitor constata o obvio: «o efeito China gera grandes superávits comerciais para exportadores de commodities». O seu comentario, assim, ao entrar no merito da politica chinesa, que nada tem a ver com o tema do artigo, demonstra onde esta a mistura de conceitos: na sua cabeca.

André disse...

Catellius, eu nem percebi isso aí, quando vc falou em uaabismo pensei q fosse algo diferente de wahabismo.

Magui, esse post não tem absolutamente nada de difícil, nem salada de idéias alguma. Sim, a China é escravocrata E uma ditadura, no caso, comunista. E daí? Isso pra mim só quer dizer uma coisa: q ser chinês, ao menos na classe baixa, deve ser uma vida de cão. A Tailândia é capitalista e também tem trabalho escravo, aos montes.

E não há problema algum numa cabeça que "desagua tudo de uma vez", desde q esse tudo tenha início, meio e fim, seja coerente.

Heitor Abranches disse...

O problema da obviedade é que ela é irritante mas correndo o risco de sê-lo vale a pena dizer que:

Os motivos que se relacionam ao desempenho medíocre da economia brasileira em um grau maior ou menor de intensidade são:

1) o PT ter parado de jogar pedra e ter virado vidraça e feliz em ser vidraça e grande interessado em não deixar ninguém quebrá-la (grande impacto no risco Brasil com o fim da ameaça do PT e do líder revolucionário Lula);

2) os enormes superávits comerciais devido ao efeito China que mudaram o equilíbrio do dólar, deram amplos superávits comerciais e expandiram nossas reservas;

3) a decisão de continuar a política de FHC que estabilizou a economia;

4) a mudança de metodologia de cálculo do PIB do IBGE que embora tenha sido oportunista não parece carecer de fundamentação técnica. É claro que a benesse de revisar/ampliar o crescimento não foi estendida aos anos FHC;

5) o enfraquecimento do dólar devido a baixa taxa de juros americanas e a consequente liquidez internacional em níveis que ainda não tinha sido vistos por esta geração;

6) o forte crescimento da economia americana junto a chinesa e o seu efeito arrastão sobre os preços dos ativos que atrai investimentos para nossos ativos 'subavaliados'.

Concluindo, a contribuição do PT e do Lula para isto foi, grosso modo, ter parado de atrapalhar....O resto é marketing e ignorância.

André disse...

Pois é, o PT parou de atrapalhar mas, por outro lado, não fez absolutamente nada, fora pequenos ajustes oportunistas/populistas ou de momento. Vivemos estagnados, ainda q sem nenhuma piora sensível.

José Alberto Mostardinha disse...

Viva:

O Estados Gerais solicita o teu prezado comentário a assunto deveras preocupante.
Um abraço,

Catellius disse...

Grande Mostardinha!

Vou colar aqui o comentário que fiz em seu blog, uma vez que o assunto envolve islamismo e direitos humanos.

Venho aqui lhe dar uma boa notícia! Como imaginei, pelas fotos, onde o menino não opõe muita resistência à "punição" e sob cujo braço colocam um pano para amortecer o peso do carro, pesquisei na Internet e não deu outra: incontáveis sites apontam a história como hoax, ainda mais que se pode rastrear o nome do fotógrafo estampado no rodapé das fotografias. As fotos foram tiradas para uma revista iraniana e o fotógrafo acompanhava uma trupe mambembe que se apresentava pelo interior do Irã. O pai da criança primeiro anuncia a "façanha" e depois o filho a executa, fazendo carinha de dor.
Um dos sites que tratam do assunto: Cliquem aqui

Um grande abraço

André disse...

Hummm... Catellius, vc tem aí 95% de chance de estar certo. Mas é tanta bobagem q circula pela internet (e como não se trata de nenhum evento sobrenatural, mas de um fato, vá lá, man made, feito pelo homem, e como a gente sabe q essas coisas e outras piores acontecem mesmo por lá, etc e tal...). Enfim, é tanto lixo q circula na net q às vezes esse caso pode ser real denunciado como fraude. Acontece. Porque pode mesmo ser real. Às vezes aquela foto do garoto agachado foi tirada antes da punição. Mas é claro q pode ser uma farsa. Bom, acho q vc entendeu meu ponto. O q me interessa aqui é q tudo isso é bem nojento. E se for uma encenação e um dia ela falhar?

Uma vez vi coisas (reais, infelizmente) feitas com adultos e crianças no Iraque, um vídeo encontrado entre centenas de outros num prédio da Amn Al-Khass, uma das polícias secretas do Saddam, logo após a invasão do Iraque. É de tirar o sono. E, como a gente sabe q nossos amigos persas não ficam atrás em matéria de crueldade...

Mas vc não deixa passar uma, hein? Vc anda é com um radar doppler embutido, filtrando essas coisas!

Mandou bem!

Camila disse...

André...
Qualquer pessoa que tenha lido sobre a Revolução Cubana sabe que Che era o soldado mais eficiente e disciplinado de todos guerrilheiros cubanos, palavras do próprio Fidel Castro... aff por favor!!
E na hora em que o soldado boliviano ia executar ele, ele disse para o soldado
"Atira e veja como se morre um homem", palavras do proprio soldado que tirou a vida dele.

Catellius disse...

Eles deveriam ter condenado Che à morte por empalamento.
Queria vê-lo dizer "Enfia e veja como se morre um homem".

Ha ha ha ha ha!

Quando não se tem mais alternativa a não ser bancar o galinho, é fácil. Mas se ele pudesse, fugia de quatro vestido com as calcinhas da mãe. Mas fugiria, he he. Em nome da Revolucion...

Catellius disse...

Sócrates, ao contrário, teve oportunidade de fugir da prisão, mas achou que não valia à pena - estava velho demais para o exílio.

André disse...

Bom, Che só era um “soldado eficiente” diante de algum pobre contra-revolucionário de joelhos, esperando pela execução. Ele fazia questão de que as primeiras execuções, num campo de prisioneiros q administrou por um tempo, fossem dele. Soldados de verdade não agem assim, garota. Leia alguma coisa sobre o SAS inglês, só pra citar um, e como eles se comportam entre os nativos em países distantes.

Consta também que Che por pouco não morreu na África, acho q em Angola, onde foi “disseminar” a Revolução. Os soldados africanos eram uma piada, exigiam cada vez mais coisas absurdas para lutar. Os cubanos tiveram até que arrumar prostitutas para eles na última hora, levando-as até seu esconderijo na selva, p. ex.. Mas de nada adiantou: quando o combate ficava pesado, eles fugiam.

Também, o papalvo “médico” argentino, meia-dúzia de cubanos e aqueles afroblacknegões tiveram q enfrentar a nata dos mercenários europeus: belgas, franceses, corsos, ingleses, alemães (alguns ex-Waffen-SS...), ex-Paras ingleses (pára-quedistas), enfim, a elite.

Quem se divertia com isso, provavelmente, era Fidel. Ele não gostava do cheiro do povo. Che adorava o contato com a ratatuia. Fidel o mandou em viagem, para espalhar a tal Revolução bem longe de Cuba. É possível q o próprio tenha passado para a ditadura boliviana a localização de Che. Ou talvez isso nem tenha sido necessário, pois o apoio local à sua guerrilha foi tão medíocre quanto na África. E guerrilhas não sobrevivem sem forte apoio popular. Cienfuegos e vários outros revolucionários tiveram mortes rápidas e mal explicadas, dentro de Cuba. Mas Che era perigoso demais pra ser justiçado por lá. Fora do país era mais fácil, mais seguro.

Consta q, depois de uma de suas típicas encenações (algo como “vcs sabem quem eu sou, com quem estão lidando?”, o que não surtiu o menor efeito entre os soldados bolivianos), ele teria morrido tremendo e implorando para não ser executado pelas forças especiais bolivianas, treinadas pelos EUA.
Mas aí já entramos no mundo da hagiografia.

Afinal, outro “santo”, Allende, se matou, não morreu lutando. Ou então foi morto pelas costas, por algum agente cubano próximo. E Allende era um quase velhote sem o menor carisma. Se se criou em torno dele a maior onda, o maior mito, imagine em torno de Che. Para os q acham q Che é um santo, é claro q ele morreu de AK-47 em punho, atirando, e bem (na verdade, atirava mal, seu treinamento militar era praticamente nulo, aliás).

Mas isso é História. E mitológica/hagiográfica ainda por cima. É inútil tentar matar mitos e santos quando muita gente acredita neles.

André disse...

Adendo: as primieras execuções de cada dia eram dele

André disse...

Errata: primeiras...

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