05 março 2007

Os frutos das Revoluções

Quando criança eu tinha uma professora de história entusiasta da Revolução Francesa. Era uma jovem socialista casada com um gerente de banco. Gostava muito da parte em que o povo tomava a Bastilha e da parte em que a Rainha era guilhotinada. Também falava com entusiasmo do assassinato de Marat pela sua amante e do fim de Robespierre. Devo dizer que na ocasião fiquei bastante impressionado pela cena de Marat se esvaindo em sua banheira.

Hoje entendo que a Revolução Francesa juntamente com a lógica hegeliana foram as bases para o pensamento político de Marx. Acredito que essa coisa de tese, antítese, síntese, conflito de classes e Revolução inspiraram o velho Karl sobre o futuro da humanidade. Seus seguidores viam nas crises oportunidades para que as profecias do grande pensador se concretizassem. As Revoluções passaram a ser admiradas e desejadas. Os adolescentes almejavam-na para romper com a autoridade e não se submeter ao mundo que desafiavam.

Creio eu que a primeira Revolução da história documentada tenha ocorrido alguns milhares de anos antes, liderada por Akhenaton. No reinado de seu pai, Amenhotep III, o Egito estendeu sua influência a todo o Oriente Médio mantendo sua liderança hegemônica no primeiro sistema de relações internacionais de que se tem notícia. Usava-se então o ouro da Núbia para manter mercenários que garantiam a superioridade militar egípcia. No harém do faraó havia princesas de todos os reinos vassalos do norte, a paz reinava diante do temor dos egípcios e havia prosperidade. O único porém era o faraó dividir seu poder com o clero politeísta.

Akhenaton e seus conselheiros provavelmente acharam que se adotassem o monoteísmo com o faraó como sumo-sacerdote de um único Deus poderiam concentrar mais poder no soberano. Entretanto, esta jogada política resultou no fim da 18ª Dinastia, sendo seu filho Tutankamon assassinado antes da maioridade. Sua tumba foi profanada e seus seguidores forçados a se esconder. O Egito sofreu enorme retrocesso, enfrentou várias guerras civis, invasões, e a decadência acelerou-se.

Certa vez, Deng Xiao Ping, perguntado sobre a Revolução Francesa, teria dito que ainda era cedo para se ter uma opinião definitiva sobre aqueles eventos. Curiosamente, o grande beneficiário da Revolução Francesa foi o Imperador Napoleão, que com o seu exército de cidadãos quase conquistou toda a Europa espalhando os valores revolucionários, como a Constituição.

Nem Lênin nem Trotsky sobreviveram à Revolução Russa, quem sobreviveu foi o “czar” soviético Stalin, que mandou milhões para os campos de concentração da Sibéria e que transformou o governo provisório dos sovietes em um pesadelo de centralização, burocracia e perseguições. Apesar disto tudo, ainda vemos pessoas celebrarem ou admirarem Revoluções sem entender o que estão celebrando.

Celebram eventos que começam com a falta de esperança do povo transformada em histeria e liderada pelo oportunista da ocasião que lhes promete tudo. Aqueles que duvidam se tornam traidores e são assassinados, presos ou exilados. Os que sobrevivem ao turbilhão vivem apenas para ver os ideais renegados e o libertador se tornar um ditador.

Estou exagerando? Olhem para o Fidel e seu povo muito bem educado, orgulhoso e maltrapilho. Olhem para o Chávez e sua truculenta Revolução Bolivariana. São homens que mesmo cheios de boas intenções são ditadores e a negação viva daquilo que defendem. Esta é a grande ironia destas Revoluções, derrubam um Rei e o substituem por um Imperador. E no processo, queimam, destroem, matam e a sociedade se empobrece e civilizações decaem. E, por fim, a geração seguinte tem o trabalho de reinventar a roda, quando muito.

28 comentários:

Heitor Abranches disse...

Um detalhe interessante do Akhenaton é que provavelmente ele era uma pessoa deformada fisicamente, talvez hidrocefálico, tendo se casado com a lindíssima Nefertiti. Ele transferiu a capital para Tel El Amarna e iniciou uma disputa com o clero que degenerou em guerra civil levando o Egito ao isolamento político.

Blogildo disse...

Interessante essa "mini-genealogia" das revoluções seguida de centralização de poder nas mãos de um imperador. Seria isso a tal 'história se repetindo como farsa'?


Abraço!

André disse...

Engraçado essa professora ficar entusiasmada com a morte de Robespierre, afinal ele foi um dos pais do extremismo. Quantos esquerdistas e direitistas não gostariam de fazer seu próprio “Terror”, não é?

Acho q Hegel, aquele chato ilegível, foi pior do q a Revolução nessa influência sobre Marx. Ele disse grandes bobagens, mas de maneira genial, isso a gente tem q admitir. Mas bobagens, mesmo assim.

Napoleão, esse sim é uma figura interessante. Como César.

Se Lênin tivesse durado mais, teria sido ainda pior. Ele era de longe o mais cruel.

Gente q celebra revoluções sem saber o q está fazendo? Me lembro do q Hegel disse: “O povo é aquela parte do Estado que não sabe o que quer.”

Só uma coisa: Fidel, Chavez e outros nunca tiveram boas intenções, apenas fingiram ter.

No Brasil, a História não só se "repete como farsa", nas palavras de Marx. Ela toda parece ser uma grande farsa.

Bom texto!

david disse...

A história tem a tendência de se repetir, principalmente nos erros cometidos.

Eu acredito que haja uma confusão genérica de valores, como no caso da Revolução Francesa que, mesmo sendo necessária no momento, historicamente se perde pelos excessos cometidos após um revolução (geralmente a normalização da sociedade pós status revolucionário demora quase um século, senão mais).
É a mesma coisa que tornar Olga Benário uma heroína, Lampião um Robin Wood da caatinga, Antonio Conselheiro um profeta.

Bocage disse...

You say you want a revolution
Well, you know
We all want to change the world
You tell me that it's evolution
Well, you know
We all want to change the world

But when you talk about destruction
Don't you know that you can count me out
Don't you know it's gonna be all right

You say you got a real solution
Well, you know
We'd all love to see the plan
You ask me for a contribution
Well, you know
We're doing what we can

But if you want money for people with minds that hate
All I can tell is brother you have to wait / Don't you know...


You say you'll change the constitution
Well, you know
We all want to change your head
You tell me it's the institution
Well, you know
You'd better free your mind instead

But if you go carrying pictures of chairman Mao
You ain't going to make it with anyone anyhow / Don't you know...

Blogildo disse...

André, essa foi boa! Acrescento: no Brasil o que não é uma grande farsa?

Catellius disse...

Bakunim é o pai da anarquia moderna. Se ele era contra o estado onipotente, imagina o que pensava de Deus. Disse que “as pessoas vão à igreja pelos mesmos motivos que vão à taverna: para estupefazerem-se, para esquecerem-se de sua miséria, para imaginarem-se, de algum modo, livres e felizes.” e também que “...se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir.”
Não concordo com as idéias anarquistas dele, mas respeito-o por ter sido expulso da Associação Internacional de Trabalhadores devido a divergências políticas com Marx. Bakunin defendia que as energias revolucionárias deveriam ser concentradas na destruição das "coisas" - no caso o Estado - e não das "pessoas". Infelizmente não foi o que aconteceu na Revolução Russa.
Do ponto de vista do poder, é claro, é mais prático combater a heresia (religiosa ou político-ideológica) eliminando os hereges.

Aliás, para quem não notou, a boba montagem que preparamos para o presente post mostra que o vira-casaca Jacques-Louis David pintou Marat como se fosse o Cristo da mais famosa Pietà de Michelangelo (esculpiu várias). O mesmo pintor estava a serviço dos nobres antes da revolução, e retratou Lavoisier - o mesmo que disse que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma (aplicado à química) - e sua esposa. O químico foi guilhotinado, por exercer também a posição de cobrador de impostos. Dizem que se não fosse pela raivinha pessoal que Marat lhe devotava Lavoisier não teria perdido a cabeça por uma besteira, ele que foi o pai da química moderna, e que reconheceu e batizou o oxigênio.
Nas revoluções e transformações sempre existem os adesistas. Sarney, ACM, J.-L. David, e uma miríade de outros. Para esses vale a máxima de Tomasi di Lampedusa exposta no Il Gattopardo: É preciso mudar para as coisas continuarem como estão.

André disse...

Pois é, Blogildo, é difícil saber o q não é uma farsa na história (política, pelo menos) brasileira.

O problema da Rev. Francesa é q foi uma revolução, e essas coisas são sangrentas. No final, deu em Napoleão, para o melhor e para o pior. Muita gente boa, ou simplesmente moderada (e q também teria sido útil se tivesse continuado viva) foi eliminada: Lavoisier, Danton, não me lembro de outros agora.

Pois é, ele pintou Marat como aquele Cristo. E a Pietá é linda. Pena q a gente não pode chegar bem perto, por causa do vidro à prova de balas (se é q me lembro direito daquele dia...)

Não gosto do Robespierre, com aquela cara de fanático e puritano.

Nem do Ribamar (Sarney) com seu bigode escovão e o jaquetão de difunto.

Heitor Abranches disse...

Acho um ponto interessante que merece ênfase é a questão da histeria que carateriza as Revoluções, a intolerância, as perseguições, a destruição, os assassinatos...Chega um ponto onde tudo o que o povo quer é ordem é quem pode oferecer isto é um Imperador.

Catellius disse...

E Tutankamon era Tutankáton, antes de Áton, ou Jeová (ha ha), ser deposto por Amon e o restante dos deuses egípcios...

Bocage disse...

"tendo se casado com a lindíssima Nefertiti"
Tão lindíssima quanto Cleópatra VII, aquela bruxa de nariz adunco, segundo a moeda recém descoberta?
Façam suas apostas:
- Busto de Cleópatra VII (romano)
- Busto de Nefertiti, (egípcio mesmo).

Nefertiti ganhou de lavada!!! Se vivesse hoje faria um sucesso danado! Magra, bronzeada, exótica. De barriguinha a mostra e com piercing no umbigo então... Lady Di não teria morrido, pois os playboys egípcios não sairiam de seu pé (e que pé!)

André disse...

Salve, Ptolomeus, Núbios e Romanos...

Concordo com o Bocage.
Nefertiti wins.

Essa de q a Diana não teria morrido pq os playboys egípcios não iriam querer saber dela foi boa...

Cleópatra, dizem, não era bonita, mas, waaal, também não era nenhum dragão, nem mesmo um troll. Apesar do nariz adunco. E parece q sabia muito bem o que e como fazer, logo...

Sua "lively intelligence", inteligência vivaz, na minha tradução livre, era famosa. César q o diga. Já Marco Antônio estava mais interessado mesmo em sexo, ponto.

Recomendo o excelente episódio Cesarion, da 1a temporada da série Roma. Dá uma boa idéia do Egito decadente. Sem falar q a série é um show. A atriz q faz a Cleópatra é interessante e competente, mas muito "teenager" pro meu gosto, pra interpretar essa mocinha tem mesmo q ser uma mulher com cara de mulher, madura.

Mas é uma questão de gosto.

Anônimo disse...

Mas falando a sério
Tu, Heitor, és muito necessitarista, pensas que o mundo é uma rede causal e que todo efeito está pré-figurado na causa. Se conhecêssemos todas as causas poderíamos deduzir todo o curso do universo. Essa é uma idéia que, até pouco tempo atrás, todos os físicos defendiam, inclusive Einstein. E se não conseguíssemos deduzir, trata-se apenas de um déficit de conhecimento, porque ainda não descobrimos todas as causas. Mas um dia chegamos lá. Isso é necessitarismo.
Pensamos que somos livres, mas o que está de fato acontecendo é apenas a ignorância das causas profundas que estão nos determinando, Liberdade, a rigor, é excluída pelo necessitarismo. Ele pode ser religioso, como o destino entre os gregos, pode ser científico, como na Física de Newton, ele pode ser sistêmico, como em Espinosa.
O marxista não precisa arregaçar as mangas e trabalhar para a implantação do comunismo, estágio final da evolução. Esse erro de Marx não é algo que ele próprio tenha inventado, mas tampouco veio de Hegel, como você e o Blogildo tanto querem - talvez mimetizando opiniões web afora.
Se fizermos uma interpretação correta dos textos em que ele trata da necessidade e da contingência na Ciência da Lógica, perceberemos que o sistema dele não pode ser necessarista. Há necessitarismo em muitos textos posteriores de Hegel, é claro, porque este era o espírito de seu tempo. A interpretação mais usual - mas errônea - é que Hegel é necessitarista. Tudo em Hegel seria necessário. E sendo tudo necessário, não haveria liberdade no sentido contemporâneo.
Hoje, na mecânica quântica, os físicos já estão mais moderados na questão do necessitarismo.

Catellius disse...

André,

"Hegel, aquele chato ilegível"


Nem os alemães o compreendem. Precisam de dois anos de estudos apenas para entenderem sua linguagem. Segundo muitos é como aprender um idioma novo.
O anônimo anti-necessitarismo bem demonstrou que Hegel é um filósofo do qual todos falam mas que poucos conhecem – eu entre eles. Bom, as palavras dos livros de Hegel são as mesmas que conhecemos mas o significado é diverso. Por exemplo, contradição em Hegel é totalmente diferente do que está no dicionário, inclusive do termo da Lógica. Até muitos hegelianos acham que a contradição é o motor da dialética, mas segundo os maiores estudiosos do filósofo não é nada disso. Tese e antítese seriam uma contradição e a contradição seria a síntese, mas em Hegel ela é mais bem definida como contrariedade. O contrário é diferente do contraditório. E a síntese em Hegel trata de elementos contrários, como pai e filho (exemplo grosseiro).
Mesmo seus admiradores dizem que Hegel foi muito infeliz nessas terminologias, e essas mudanças de significado geraram uma bruta confusão até os dias de hoje.

Você fala tanto dessa série Roma (só vi um pedaço na HBO) que vou locar o DVD e dar minha opinião. Deve ser boa mesmo!

Grande Bocage,
Também acho que a Nefertiti ganha. Lembra até a Trinity de Matrix, he he.
Cleópatra VII devia ser pompoarista... Não vejo outra explicação para aquele sucesso todo. Marco Antônio lhe presenteou com centenas de milhares de rolos vindos de Pérgamo após parte da Biblioteca de Alexandria queimar durante uma batalha.

Abraços a todos

Heitor Abranches disse...

Nunca fui acusado de necessitarista antes. Já me acusaram de neoliberal...Uma vez estava em frente a uma banca e passou um colega que me perguntou se eu estava procurando a The Economist, enfim. Tenho uma amiga que fala que vivemos em uma sociedade futilitarista, um estágio além do utilitarismo do mainstream econômico que derrotou Marx. Aliás, a teoria do valor trabalho de Adam Smith e Marx foi enterrada pelo utilitarismo individualista de Bernoulli e os economistas foram superados pelos psicanalistas com a sua idéia de futilitarismo...

Heitor Abranches disse...

Aliás, o monismo marxista é muito mais necessitarista do que qualquer noção de multicausalidade, contextos históricos e identificações múltiplas...

André disse...

Marx me parece bastante “necessitarista” (palavrinha feia...), determinista. Se esse cacoete mental veio de Hegel, Marx ou de nenhum dos dois, não sei. Já Hegel pra mim é um obscurantista (Catellius, obrigado pelas informações, não sabia q ele havia criado uma linguagem própria c/ sentidos diferentes da usual).

Gosto do princípio da incerteza de Heisenberg.

Ontem descobri q há um cara no You Tube postando os episódios da 2ª temporada de Roma. Espero conseguir vê-los antes q ele seja expulso ou bloqueado (pq isso é pirataria, claro). Já passaram sete episódios lá, aqui começa dia 15 de abril na HBO (não tenho esse canal, mas aqui ela passa num ritmo muito mais lento), e ele já postou 5 episódios, cada um dividido em 3 vídeos. Vi o 1º, imediatamente após a morte de César, é bom. Grande recriação de época, filmado na Itália ao custo de um filme caro (uns 200 mi US$ a 1ª temporada inteira). Eles são bastante fiéis aos fatos, fora uma ou outra alteração/novelização. Quase todas as figuras ali seguem o destino das originais, a deturpação dos eventos é pequena (claro, considerando q muita coisa precisa ser romanceada, afinal, ninguém nunca vai saber quem disse ou fez exatamente o quê). E diverte. Eu gostei, mas aposto q deve haver puristas por aí q odiaram. Sempre tem.

Aquela atriz q fez a Trinity, Carrie-Anne Moss, acho q é neozelandesa. Uma gata...

Também acho q o segredo de Cleópatra devia ser esse.

Mikas disse...

Uma boa semana

Blogildo disse...

Carrie-Anne Moss é tudo de "bão", André. Quando vi Matrix quase passei a crer em Trinity. Rsrsrsrs!

Quanto a Cleópatra, creio que não dá pra determinar a beleza ou falta dela a partir de moedas. Todo mundo fica com a mesma cara em moedas, pô! Rsrsrsrsr!

Mas certamente era uma mulher interessante. Um dia a era PTolomaica acaba.

Sou mais a Liz Taylor como (epa!) Cleópatra.

Simone Weber disse...

No Brasil, designamos golpe e revolta como revolução. Melhor que Revolução Farroupilha é Revolta (peleja) dos Farrapos. Habitualmente uma revolta anseia por uma revolução mas carece de meios materiais, humanos e ideológicos para concretizá-la. Assim ocorreu com a Cabanagem, Balaiada, Sabinada, Confederação do Equador, Malês.
O brasileiro sempre se revolta mas nunca revoluciona, e os focos de revoltas não orquestradas não precisam mais ser sufocados com soldados montados empunhando baionetas, basta agora um "distrainte" como o carnaval e, impressionantemente, um novo objeto para uma nova revolta. Como o Catellius lembrou, as revoluções por aqui visam, acima de tudo, deixar as coisas como estão.

Bocage disse...

Notícia quente e molhada. 06 de março:
Maria chora sangue no México
Nada que um pequenino OB feito sob encomenda não resolva.

André disse...

Antes as imagens santas não choravam um líquido parecido com a lágrima? Agora já choram sangue ou antes já "faziam" isso?

É, todo mundo fica com a mesma cara em moedas...

A Elizabeth Taylor foi a melhor Cleópatra. Se bem q a Ava Gardner ou a Sophia Loren teriam dado boas Cleópatras. Principalmente a Sophia.

Catellius disse...

"...pequenino OB feito sob encomenda..."

Ha ha ha
Bocage é impagável. Coisas sangrentas são muito apreciadas no meio católico. Frei Galvão já começou a ser esquartejado em pedaços miúdos, que serão espalhados pelos rincões onde a fé soçobra. Um caco de osso e um fiapo, provavelmente de sua santa cueca, já são objeto de adoração em uma Igreja do Lago Sul - São Pedro de Alcântara, acho. Se as santas sangrassem por baixo, como toda mulher, tenho certeza que veríamos relicários ricos em volutas e filigranas contendo OBs cor vinho escuro perante os quais as fiéis pedinchariam pelo fim de suas cólicas e por outras causas importantes.

André,

Sophia Scicolone como Cleópatra? Hum... Sei não... Ela é vistosa e não faraônica. Macarrônica, a bem da verdade. Mesmo como Ximene em El Cid ela está meio fraca. O melhor é Sophia na Itália do Século XX. Duas mulheres, Matrimônio à Italiana, Felizes para sempre (Conto de Fadas) e outros como estes são meus preferidos. E acho a Liz Taylor muito pasteurizada para Cleópatra. A melhor mesmo seria a Marilyn Monroe, he he

André disse...

Pra mim a Sophia Scicolone nos anos 60 teria dado uma boa Cleópatra por ser vistosa E faraônica.

A Liz Taylor é mesmo pasteurizada. Só o Richard Burton (o Anthony Hopkins daquela época) presta no filme. O Marco Antônio feito pelo Marlon Brando em Júlio César (filme do Mankiewicz, em preto-e-branco) é outra atuação perfeita.

Conheço essa igreja, S. Pedro de Alcântara. Não sabia q já havia um pedaço de um pedaço do Frei Galvão lá.

Niemeyer vai fazer 90 anos. Acho q ele não gosta da 3a ponte do Lago, uma das poucas coisas bonitas por aqui, ainda q não seja maravilhosa. Só pq o projeto não foi dele. Quem sabe com o passar dos milênios - já q ele não vai durar muito, mas o endeusamento a ele vai - suas obras sejam gradativamente substituídas por outras. Acho q só restaria a Catedral e mais duas ou três. Espero q ele não tenha deixado muitos discípulos mundo afora, também.

André disse...

Corrijo, Niemeyer vai fazer 100 anos...

Catellius disse...

André,
Concreto para durar necessita de manutenção ou deve ser submetido apenas a forças como as que atuam no Panteão de Roma, de compressão, jamais de tração, onde são necessários cabos de aço. Desta feita, se o homem não reconstruir, praticamente, a cada 150 anos os caprichos em balanço (pendurados) ou estendidos sobre gigantescos vãos do Niemeyer eles ruirão sozinhos. No caso do Panteão, o concreto - uma mistura de pozolana e calcário - vence 42 metros de vão por meio de uma cúpula nervurada, onde só agem forças de compressão. Um feito inacreditável para a época. É o mais antigo edifício sacro do mundo que resiste completamente intacto - fora os saques de que foi alvo por parte dos predadores de batina. O telhado da varanda em armação de bronze desapareceu no séc. XVII, o lanternim que cobria o óculo, hoje aberto, foi derretido pelo papado, bem como outras esculturas metálicas. Ele começou como templo de Agripa, de 25 a.C. a 80 d.C., depois Panteão de Adriano de 118 a 128 d.C., e na sua fase negra, no início do século VII, foi profanado (he he) passando a se chamar Igreja de Santa Maria Rotonda.

André disse...

Então acho que a obra do Niemeyer não vai resistir a longo prazo, digamos, 300 a 400 anos. E eu pensando em um milênio...

Por falar em vão livre, o do Palácio dos Doges em Veneza (ou em alguma outra construção importante por lá, se não for essa) é impressionante.

Agripa provavelmente deve ser Marcus Vipsanius Agripa, comandante militar e um dos poucos amigos de Otávio, o "Augusto", primeiro Imperador. Ele teve o cuidado de se meter o mínimo possível em política, pq era um dos poucos q tinha potencial p/ rivalizar c/ Otávio.

Pois é, Igreja de Santa Maria Rotonda... e aquela imagem de um santo no topo da bela Coluna de Trajano me incomodou.

E um quadro (ou pintura no teto, se não me engano), numa sala do Museu do Vaticano: era meio jeca, não tinha um estilo bonito como a de outras pinturas logo ali ao lado (mas essas eram de Renascentistas...) e o objetivo era de propaganda. Nela, um busto romano aparecia despedaçado e algo brilhava acima dele, ou ao fundo, um crucifixo enorme ou algo do tipo. Tinha nome: "O triunfo do cristianismo sobre o paganismo."

Mas passei mais tempo na parte de esculturas romanas (e até na de múmias egípcias) do Museu do que na de pinturas (só dei atenção às da Renascença e outras bonitas q apareciam pelo caminho, mas isso mais p/ o final do passeio). Fiz meu roteiro lá dentro --- SEM roteiro, o q é melhor. Se tivesse feito a burrice de seguir o grupo da excursão, não teria visto nada, finalizando com aquela passadinha pela Capela Sistina.

Clarissa disse...

Um abraço apertado para a Simone, com a consciência de que os dias internacionais servem acima de tudo para lembrar que sociedades perfeitas são utopia, mas que muito ainda há a fazer pela mulher e pelo ser humano como Pessoa.

Cattelius, um abraço apertado.

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