20 março 2007

Arte e Poder

Mecenato

Caio Mecenas foi um grande patrono das letras. Conselheiro de Otávio Augusto, usou a fortuna da família para financiar um círculo literário que incluía nomes como Horácio e Virgilio. Sua reputação se deve ao altruísmo e aos frutos que ele gerou. O mecenato de poderosos, contudo, é mais antigo e sempre teve a autopromoção, ou a promoção de algo, como verdadeiro fim. Com o passar dos anos, épicos, pinturas, esculturas e maravilhas arquitetônicas foram parcialmente substituídos pelo nada eterno marketing, e gênios como Duda Mendonça, capaz de atingir metas que desanimariam São Judas Tadeu, fazem as vezes de artistas como o já citado Virgílio, que, além de usufruir da generosidade de Caio Mecenas, aceitou a encomenda de Otávio Augusto para escrever a Eneida, um épico tão artificial quanto Os Lusíadas, em cujas páginas o poeta latino inventa uma origem troiana para os romanos, além de criar uma correspondência entre Enéas e Augusto.

Como escrevi a um anônimo na sessão de comentários do post Galvão e a Transubstanciação, onde está o poder estão os artistas, engenheiros, arquitetos. Necessitam, quais rêmoras, de um tubarão influente e rico no qual fixar a barbatana-ventosa, para aguardarem o momento em que lhes financiará os tão caros devaneios. Há, na verdade, uma interdependência, já que os poderosos usam a arte e grandes feitos de engenharia para promoverem sua superioridade, vide os Medici, os Sforza, Justiniano, Mehmet II, os Papas, Faraós e nosso bom e velho Otávio Augusto.

A rêmora Mascagni fixou-se em Mussolini, Wagner fixou-se em Ludwig II da Baviera, Niemeyer fixou-se em Juscelino, o Gilberto Gil artista fixou-se no Gilberto Gil ministro. Dizem que não se entendem muito bem, porque um quer sempre tomar o lugar do outro. Nosso ministro-artista é a reedição do Nero inventado por Sienkiewicz. Incendiou a ONU com a ajuda de Kofi Annan. Soltaram a franga e, assim, puniram os cristãos presentes de um modo bem mais cruel do que se tivessem soltado as costumeiras feras dos circos romanos. Claro que muitos artistas não almejavam fama e dinheiro, mas habitavam regiões de pujança econômica, onde novas idéias artísticas e filosóficas fervilhavam.

No Brasil, tudo vai à contramão do mundo civilizado. Os artistas produzem melhor sob ameaça de bordoadas, prisão e extradição do que quando favorecidos por leis de incentivo à cultura ou por outras formas de mecenato oficial. Mesmo com o cenário favorável de supressão das liberdades individuais, alguns artistas não se sentiam suficientemente perseguidos e se auto-exilavam, como Caetano Veloso, para não serem abandonados pelas musas. Quando colocamos lado a lado o que Chico Buarque e outras mentes privilegiadas produziram nos bons tempos da repressão e o que fazem hoje, percebemos o quão vertiginosa foi sua decadência. E idade não é desculpa. Quase todos os grandes compositores clássicos escreveram suas melhores obras no fim da vida, aos trinta e poucos anos (rs).

Menos Poder...

Mas nada como a arquitetura para eternizar um povo, um governo, um governante. O próprio arquiteto do universo, o deus dos maçons, foi eternizado pela sua magnífica obra - o universo -, encomendada pelo supra-deus, que sempre preferiu o anonimato. Como bem lembrou Balzac, os eventos da vida humana, públicos ou privados, estão tão intimamente relacionados à arquitetura, que podemos reconstruir nações ou indivíduos a partir dos vestígios de seus monumentos e residências. Churchill disse que nós moldamos nossos edifícios, e a partir de então passamos a ser moldados por eles.

Poderosa como nenhuma outra instituição religiosa em toda história, a Igreja Católica financiou as mais belas construções dos últimos dois mil anos. Moldou os templos e a cristandade foi moldada por eles. Os primeiros cristãos congregavam-se em catacumbas ou escondidos em suas casas, mas após o Édito de Milão, de Constantino, apropriaram-se das ricas e imponentes basílicas romanas, e acrescentaram um transepto para que a planta formasse uma cruz. As igrejas antigas tinham uma superioridade natural sobre os prédios que as circundavam. O gabarito máximo do resto da cidade era limitado pelos pés do padroeiro ou pelas torres das catedrais. Grandes praças e largos funcionavam como espaço de transição entre a cidade e o espaço dito sagrado, além de remeterem ao átrio do Templo de Salomão. Eram marcos visuais, a identidade de uma cidade. Dentro, a nave simbolizava a Arca da Salvação, a Barca de Pedro, a maternidade da Igreja. A galilé, de onde os não batizados podiam assistir à Missa, simbolizava a jornada de Jesus da Galiléia até Jerusalém, local do sacrifício no Calvário. Sobre a galilé ficava o coro, em uma espécie de mezanino, invisível para os fiéis, afastado do altar. As igrejas eram desenhadas para ser a imagem do Corpo Místico de Cristo posto a serviço de sua cabeça: o deus dos cristãos. O forro plano da antiga basílica deu lugar à abóbada, para simbolizar o firmamento celeste. Era, amiúde, sustentada por doze colunas simbolizando os apóstolos, e o leão, o homem, o carneiro e a águia – símbolos dos evangelistas – ornamentavam as colunas do cruzeiro. As fachadas contavam com inúmeras estátuas que eram uma espécie de catecismo, em frente às quais os professores ensinavam a história bíblica ao povo.

O ocaso da supremacia da Igreja Católica se deu no final do século XIV e século XV, quando o conhecimento científico entrou em conflito com as crenças cristãs e a cosmologia bíblica, e com o advento do protestantismo, que se opunha, entre incontáveis outras coisas, ao vil comércio de indulgências, que perdoavam pecados passados, presentes e futuros, cujos dividendos eram o combustível de trabalhadores braçais de todos os cantos da Itália, artesãos e artistas como Bramante, que se empenhavam na edificação da mais suntuosa construção sacra de toda cristandade: A Basílica de São Pedro. Indiretamente, esta grande obra foi responsável pela asquerosidade dos templos católicos construídos nos dias de hoje.

Mais adiante, os ideais iluministas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade entraram em sério conflito com a Igreja. O dízimo foi suprimido e ela teve muitos de seus bens confiscados. Na França, em 1790, foi separada do Estado e os clérigos obrigados a se submeter à constituição do país. A Igreja Católica não viu problema em justificar as decapitações promovidas pelos revolucionários franceses, já que aceitou transferir para o imperador deles, Napoleão, o direito divino que pouco antes pertencia aos nobres guilhotinados. Napoleão, contudo, em um lapso de sabedoria, tomou a coroa do próprio papa Pio VII e a pousou sobre a própria cabeça.

Na Itália, em 1860, Vittorio Emanuele derrotou o esquálido exército papal e se apropriou da Umbria e de Marches. No mesmo ano, tomou todos os territórios pontifícios, inclusive Roma, deixando para a Igreja Católica apenas o quarteirão do Vaticano, de onde um raivoso Pio IX ameaçou com a excomunhão todos católicos que votassem nas iminentes eleições. Teve de abrir mão da outrora abominada punição quando viu que acabaria perdendo quase toda a clientela italiana se insistisse no disparate.

...Menos Arte

A Igreja perdeu poder e, como em um passe de mágica, restringiu radicalmente o mecenato, passando a arcar apenas com a comissão de artistas menores, para não dizer medíocres. Antes, artistas judeus, maçons, agnósticos ou irreligiosos (e católicos, claro) compunham missas e requiems de tirar o fôlego. Hoje, a Igreja conta apenas com a inspiração divina, por esta razão as canções do padre Zeca, do padre Marcelo Rossi e do padre Jonas não impressionam tanto quanto a Missa Solemnis de Beethoven.

As casas de deus foram as que mais sofreram com o secularismo. O deus dos católicos, um caso típico de nobre europeu empobrecido, viu-se obrigado a adaptar suas casas de campo para hotéis, muitos de seus castelos para museus, a ceder, endividado, belos palácios para milionários americanos. Mudou-se para cortiços nos trópicos ou, quando conseguia orquestrar um mutirão entre as atrasadas populações locais, para monstruosidades como a Basílica de Aparecida. Assim, as casas de deus foram ficando cada vez mais grotescas e desproporcionais. Hoje, submetem-se às normas ordinárias do código de edificações e são superadas por grandiosos prédios de escritórios, museus, bibliotecas, e edifícios públicos. A arquitetura de museus, aliás, atrai os grandes nomes da arte mundial e também os grandes investimentos. O arquiteto Mario Botta disse que, na cidade de hoje, o museu cumpre um papel análogo àquele da catedral antigamente. O museu é, na sua opinião, aonde as pessoas vão para entrar em estado de graça. O sentimento “transcendental” que até um ateu experimenta ao adentrar a Basílica de São Pedro, por exemplo, nada mais é do que o estado de contemplação da grandeza do próprio homem, de sua capacidade técnica e artística. Lá admiramos Bernini, Bramante, Michelangelo ou Rafaello, não a "santidade" da Igreja Católica e de seu panteão de semideuses. Estamos em um museu; esta é a grande verdade.

Para muitos católicos tradicionalistas, a culpa não é da perda de poder mas do Concílio Vaticano II, que permitiu que maneirismos protestantes se infiltrassem no seio da Igreja Católica. O protestantismo, naturalmente estéril, teria sido incapaz de produzir um estilo próprio de arquitetura, então os heresiarcas teriam aceitado o culto em galpões e auditórios, o que teria acabado por influenciar negativamente a Igreja de Roma, não sem a ajuda do pusilânime João XXIII e sua mania de ecumenismo e reconciliação. Talvez, realmente, o motivo não esteja na perda de poder mas no fato de que ela almeja principalmente o outrora proibido lucro, que pode, hoje em dia, ser obtido honestamente de milhares de maneiras. Por que a Igreja Católica desperdiçaria na construção de Igrejas seu precioso dinheirinho conseguido a duras penas em Colégios salesianos, rogacionistas, maristas, em universidades, hospitais, estacionamentos pagos, editoras, no aluguéis de imóveis, em rádios, televisões, jornais, em isenções fiscais? Se o Papa autorizar a camisinha entre casados, não duvidem que breve as veremos nas Editoras Paulinas, com a imagem da Sagrada Família impressa na embalagem e os dizeres "Lembre-se, eles só tiveram um filho". Claro que a Igreja gasta um pouco mais em centros de peregrinação que possam alavancar os negócios, mas normalmente deixa que os fiéis se organizem e, ajudados pela providência divina, erijam os projetos arrojados dos padres-arquitetos-frustrados e plantem ao redor a vegetação que os irá esconder. Frank Lloyd Wright disse “A doctor can bury his mistakes but an architect can only advise his clients to plant vines” (já vi atribuírem esta frase a George Sand).

Cinco Exemplos

A arquitetura religiosa daqui de Brasília, com exceções como a Igreja Dom Bosco e a Catedral Metropolitana, é o que de pior o homem pode produzir. A seguir, alguns exemplos de casas de deus no centro da capital do maior país católico de todo o universo conhecido e desconhecido.


Igreja de São Miguel Arcanjo e Santo Expedito.

O anjo padroeiro da Igreja Católica pisa em um homem morcego, que imagino ser satanás, uma vez que o Batman não se deixaria apanhar tão facilmente.
Do lado direito, também pisando em um ser negro alado, Santo Expedito, o das causas urgentes, foi o responsável pela construção da igreja a toque de caixa. Claro que se tivesse levado 400 anos na construção, a casa de deus teria ficado tão boa quanto a Catedral de Colônia, mas o Santo quer tudo “Hodie” (hoje), e este templo foi o melhor que pôde providenciar.
O orelhão da Brasil Telecom significa que na Igreja se pode conversar com deus, o semicilindro envidraçado representa a abóbada vertical, mistério cujo significado ninguém até hoje compreendeu, e os principais elementos arquitetônicos ainda não cresceram, apesar do adubo fortificado doado pelo viveiro cujo dono é devoto do santo de quem espera um aumento urgente nas vendas.


Igreja de Nossa Senhora da Consolata.

A planta é um círculo, simbolizando o boloteiro dos engenheiros, e as aberturas são arcos em ferradura, para simbolizar o modelo de sapato preferido dos atuais arquitetos religiosos. Os vitrais totalmente transparentes simbolizam a luz divina, que tudo atravessa.
Hoje, apenas o tronco da árvore protege a visão do transeunte. A idéia é plantar muitas trepadeiras nas paredes externas e rezar por uma ingerência de Santo Expedito para que cresçam rapidamente.


Igreja do Verbo Divino

O porte-cochère que "sai" da porta de entrada simboliza uma língua, o verbo divino, que fala para as paredes, ou melhor, para a parede curvada que construíram para substituir a vegetação que demorou demais para crescer.


Igreja de Nossa Senhora da Esperança

A sacação aqui foi usar todas as formas geométricas possíveis, o triângulo, o círculo, o quadrado, o retângulo. Outros dizem que o triângulo invertido encimado pelo semicírculo simboliza o cálice e a hóstia transubstanciada. Êita corpão de Cristo, sô!


Igreja de São Camilo de Lelis

O pé-direito baixo, as excrescências pictóricas no altar (anjinhos ao redor de nuvens de algodão estilo "Meu Querido Pônei") e a fachada caótica compõem este até que aceitável templo católico. Mas ficará melhor e mais verde em breve.
São Camilo, um médico caridoso, e seu patrão celestial são protegidos dos malfeitores por lanças perfurantes, verdadeiras ameaças de estigmatização. Vociferam silenciosamente: "tentem entrar aqui e suas mãos ficarão como as do Cristo crucificado".

Em São Mateus, 5, lemos:

39. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.
40. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa.
41. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil.
42. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado.


Hoje, os mendigos não se amontoam mais em frente às escadarias das igrejas, como antigamente. São barrados por lanças ameaçadoras, afinal esmolas são contra a cidadania. Só podemos dá-las durante o ofertório, confiá-las aos padres que nada necessitam para si, que moram nos fundos da sacristia em despojadas celas, nas quais repousam seus alquebrados ossos sobre duros colchões de pedra.

101 comentários:

PATRICIA M. disse...

Catellius, uma cidade feia como Brasilia merece mesmo esses templos para la de feios. Nao gosto do Niemeyer.

André disse...

Gostei dos seus comentários sobre todas essas figurinhas da MPB. Vc sabe o q eu acho deles. As ironias também ficaram boas. E a aulinha de História.

“asquerosidade dos templos católicos construídos nos dias de hoje”: concordo. O mesmo quanto ao resto, como a música.

“monstruosidades como a Basílica de Aparecida” Feia mesmo.

“O sentimento “transcendental” que até um ateu experimenta ao adentrar a Basílica de São Pedro...” Sei como é... exatamente.

“Concílio Vaticano II, que permitiu que maneirismos protestantes se infiltrassem no seio da Igreja Católica. O protestantismo, naturalmente estéril...” E bota estéril nisso!

Estudei no Marista muitos anos. Todos aqueles padres babões italianos, poloneses e franceses...


“com exceções como a Igreja Dom Bosco e a Catedral Metropolitana”: exceções q só confirmam a regra.

Igreja de São Camilo de Lelis: uma das mais feias. Parece uma coisa ainda em construção, inacabada. Às vezes lembra uma caixa de fósforos gigante.

A São Judas Tadeu é bonitinha, mas banal. E o padre de lá é um polaco grosso como a Wehrmacht de mau humor num dia chuvoso nas estepes russas...

Brasília é uma cidade tão seca, feia e sem graça q as poucas obras bonitas (assim como os poucos "projetos da Mãe Natureza" bonitos) saltam aos olhos, aparecem mais do q apareceriam em outro lugar. E o povo daqui é frio, anti-social e burocrático (mas isso fica para outro post, outro dia).

Até mais, arquiteto!

Heitor Abranches disse...

Gostei da teoria sobre a decadência arquitetônica dos templos católicos. Até para mim que não entendo nada de arquitetura a maioria deles é muito feia mesmo.

Carlos Esperança disse...

Conheço váris cidades brasileiras, incluindo o Rio de Janeiro, a cidade mais bonita (beleza natural) que conheci.

Não conheço Brasília mas fico curioso para saber se a cidade que o Niemeyer concebeu é assim ou o texto é apenas um exercício literário.

Brasiliense disse...

A Igreja Nossa Senhora da Esperança é um celebrado prédio religioso de autoria de Jefferson Nerasti.
Seu interior é belíssimo e bem proporcionado.
Recomendo que conheçam a Igreja um pouco melhor do que o Sr. Catelius e façam a própria avaliação.

http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura172.asp

david disse...

Catellius,

Você não crê que haja uma decadência cultural, em âmbito universal?
Fora os exemplos que você citou:

- Os muçulmanos exibiam uma arquitetura fabulosa, como pode ser visto até hoje na Espanha e nos países árabes, principalemente aqueles próximos ao Mediterrâneo. Hoje parece mais com brincadeiras de criança e massinha de moldar. As artes e ciências, antigamente tão 'a frente' de seu tempo, deu em nada?

- Bach, Bethoveen, Grieg, Schubert....onde andam seus substitutos ou seguidores? Seguindo na música, concordo integralmente com o que você comenta: Gilberto Gil, pasmem, escreveu 'Domingo no parque'! E ele viu que era bom, arrumou um trabalhinho público com patrocínio Petrobras (claro) e nunca mais fez coisa que preste. Assim descansou...

- Artes plásticas? Vai me dizer que as tais 'instalações' onde se mistura o esterco recolhido ainda fresco com o esterco mais antigo da cabeça do 'artista' é arte? Tudo bem, sou retrô, nem de Picasso gosto. Mas um Manet, um Rembrant, Dolci, tem jeito?

- Por onde andam os Cervantes? Os Dantes? Travestidos em Bukowskis, perambula pelos recantos podres e se prostituem por literatura 'de fácil compreensão'.


Sei lá...algo como a involução silenciosa. Só falta agora o Chefe beberrão querer compor uma ópera. Em rítmo de funk carioca.

Ricardo Rayol disse...

Caraca isso não é um post é um dissertação de mestrado. Vou ler com calma depois mas duas coisas me chamaram a atenção. primeira delas, o mecenato patrocinado com nosso imposto propicia bizarrisces comos as cometidas pelos dois que são citados em processos de malversação de verbas. Devem existir outros mas enfim.... A segunda diz respeito a patricia, que vive na linda cidade de nova iorque e acha aquela merda o máximo, Brasilia é uma cidade linda e só quem a conhece sabe que belezas ela contem. Sou brasiliense e vivi muitos anos da minha infancia lá e desconheço alguém aqui tenha tido mais vivências infantis do que eu.

Catellius disse...

Patrícia,

Eu não acho Brasília feia, e gosto muito das coisas que Niemeyer projetou antes dos anos 70. Praticamente nada do que fez depois me agrada. No post Saddam e Cocoons, na sessão dos comentários, há uma discussão interessante sobre Niemeyer. Recomendo que você leia.
Em 2005, ciceroneei um jornalista do Washington Post que escrevia uma reportagem sobre Brasília. O artigo, na íntegra, pode ser lido aqui.
Abaixo, um trecho (releve os exageros). Em negrito, meu negrito passado, he he.

Eventually, I met a young architect, Andre Catelli, who spoke impeccable English. Andre, 34, is 6-foot-5, with piercing blue eyes. Over a lavish luncheon one day, he made nimble digs at his native city. Brasilia, he said, "is like Fantasy Island. Inside the airplane shape, you are insulated from the troubles of the world." (...)
But Andre's pop cultural flourishes were less snide than exuberant. He was playing the gracious host, making the American guy feel at home, and in fact he was a regular Catholic churchgoer -- a "good believer," as he put it -- and a true fan of Brasilia. What he liked most was the city's open spaces and how they afforded residents both freedom and access to natural beauty. (...)



André,

"A São Judas Tadeu é bonitinha, mas banal. E o padre de lá é um polaco grosso como a Wehrmacht de mau humor num dia chuvoso nas estepes russas..."


Até valia a pena colocar a Igreja de São Judas Tadeu, o padroeiro das causas impossíveis. Tentaram reproduzir algo tradicional mas só revestiram um galpão com ornamentos piegas. Passe lá um dia para conferir: Pra variar, encheram de árvores e plantas ao redor, ha ha ha.

"E o povo daqui é frio, anti-social e burocrático (mas isso fica para outro post, outro dia)."

Eu não tenho problemas com os brasilienses, principalmente por me considerar um deles, mais do que gaúcho. E todos meus amigos moram aqui, colegas de faculdade, parentes próximos, minha esposa e filha. E trabalho do lado de casa. Só uso carro nos fins de semana. Minha quadra é muito arborizada, cheia de crianças. Infelizmente não tenho do que reclamar, he he.
Falou!

Carlos Esperança,

Obrigado pela visita. O Rio é lindo pelas belezas naturais e pelo que foi construído há mais de quarenta anos (cem anos, digamos).

"fico curioso para saber se a cidade que o Niemeyer concebeu é assim ou o texto é apenas um exercício literário."

Quem concebeu Brasília não foi Niemeyer mas Lúcio Costa. O arquiteto centenário projetou os principais edifícios da cidade.

Brasiliense,

"de autoria de Jefferson Nerasti"


Ah, se foi Nerasti então a arquitetura é bonita. Desculpe-me.

PATRICIA M. disse...

Gosto nao se discute. Eu continuo achando Brasilia feia e pronto. E sim, Nova Iorque eh 10 vezes mais bonita, mas nao precisa sair do Brasil, se eh que me entendem. Sampa da de 10 em Brasilia. E mais um monte de cidade da, nao vou ficar citando aqui.

Catellius, ahahahahaha. Hmmmmmm. Seu passado te condena, entao! Um churchgoer, I am impressed! Voce eh alto, heim Catellius... Piercing blue eyes... Ahhhhhhh, hahahahahahahahahaha. Por que nao coloca uma foto mais interessante? :-)

Blogildo disse...

Paty, gosto se discute sim!
Mas também não gosto de Brasília. Não sei se estou falando bobagem, mas, acho aquelas obras do Niemayer um tanto frias. É um sentimento.

Catellius, o texto está primoroso e altamente irônico. Quem foi que sugeriu num post desses que você não tinha senso de humor? Ri bastante com as alfinetadas na Igreja. Mais que merecidas.

Arquiteto! Caramba! Tenho uma amiga arquiteta. Gente finíssima!

Cara, eu sou uma anta em arquitetura. Gosto do gótico sem saber exatamente a razão.
Gosto do Viollet Le-Duc e do Pugin.

Não creio que o cristianismo tinha originalmente algum objetivo "estético". Você - leitor da Bíblia - sabe que Cristo tinha uma certa (não é a palavra certa, mas você vai entender) 'antipatia' pelo templo de Jerusalém. A idéia dele era colocar a religião judaica no seu devido lugar: Na mente e no coração do crente. O mundo - o que incluiria a política e as artes - fica de fora.

Como já estamos acostumados, aqui vão algumas observações:
1. Não existe "cosmologia bíblica". É algo artificial. A Bíblia não entra no mérito de questões dessa natureza. Ah! Mas e o Gênesis? Os dias criativos de Gênesis foram escritos para tribos de pastores. Contém só essencial do ponto de vista de quem está aqui.

2.Gostei da piada da camisinha. Sério! Mas nós dois sabemos que a "Sagrada Família" tinha mais de um filho.

3.Quanto a decadência da cristandade(acho injusto ver decadência só na Igreja Católica) era algo previsto no Apocalipse 17.

4.O protestantismo, naturalmente estéril. Essa frase é 100% Catellius? Se for, meus parabéns! É uma tremenda percepção. De certo modo, eu sempre achei isso, mas nunca tive capacidade de colocar dessa forma!

5.Fala verdade, a jornalista do Post ficou um tanto "entusiasmada", hein! Rsrsrsrsr!

André disse...

Também acho q SP dá de 10 a 0 em Brasília. Mas acho q sou suspeito pra dizer isso, minha família é toda de lá.

Bom, Catelli, vc teve mais sorte do q eu em matéria de relações sociais nessa cidade.

Acho q já entrei umas cinco vezes na S. Judas Tadeu. Quase todos os casamentos aos quais eu fui aconteceram lá.

Até mais!

C. Mouro disse...

“O mecenato de poderosos, contudo, é mais antigo e sempre teve a autopromoção, ou a promoção de algo, como verdadeiro fim.”

Perfeito, e nisso eu ainda percebo o que poderia ser uma influência daquela idéia de que os que realizam os trabalhos mais úteis são os “menos dotados” – “os de bronze”. Essa idéia antiga, de que os “melhores” devem se ocupar com coisas “mais nobres”, como as artes, o governo, a guerra e etc., pode ter produzido essa tendência. Com isso diferenciando-se ostensivamente dos “de bronze”. Ou seja, a nobreza se formou tendo o trabalho (no sentido de esforço suarento) não só como um castigo de deus para o homem, mas também um castigo apenas para os “piores da espécie”. Ou seja, os “melhores não se dedicam a coisas demasiado úteis”, como prover a sobrevivência, devendo serem mantidos pelos “de bronze” para dedicarem-se a coisas “mais grandiosas”. E nessa conversa o patrocínio das tais de artes cai como uma luva para demonstrar “superioridade”. Talvez nisso tudo haja um tanto de inveja mesmo, tal qual a moral do escravo que enaltece a servidão a fim de “valorizar-se moralmente”, ou a valorização moral da pobreza para os pobres, também os que precisam dos “de bronze” deles se vinguem concebendo um “moral do ócio” ou do que está ao próprio alcance. Ou seja, mais valorizam aquilo a que se permitem dedicar.
Claro que projetistas geniais sempre existiram, e seus projetos trazem beleza que tanto bem faz aprecia-las; também autores produzem obras geniais que nos fazem refletir ou mesmo apenas nos divertem. Tudo isso é útil ao bem estar, mas a diferenciação no aspecto de valorização do indivíduo, a meu ver é duvidosa. Lembro-me da piada sobre a briga entre os órgãos do corpo, onde apenas substituo o cérebro pelo olho da cabeça: sem olho um corpo vive naturalmente mas sem o “roscovi” impossível. Portanto não se pode julgar quem é o “melhor dos órgãos”, se o olho que nos permite o prazer da contemplação, se os ouvidos que nos permitem o prazer da música ou se é “aquele” que nos permite viver naturalmente.
Enfim, minha crítica não é para comparar atividades e atribuir a precedência de agentes uns sobre outros, ou seja, os artistas são menos úteis, contudo, satisfeitas as necessidades, também têm o seu valor. Portanto esta estória de “de ouro”, “de prata” e “de bronze” só poderia sair da mente de um sujeito frustrado com sua condição, que fez propaganda dela a fim de justificar suas ambições totalitárias.
.
No mais, o valor é subjetivo e toda tentativa de tentar estabelece-lo objetivamente resultará em estupidez. Apesar disso, na questão de governos (argh!) deve-se optar pelo mais útil objetivamente. Por exemplo a “renúncia fiscal” e demais privilégios legais para as “artes”, ou mesmo os privilégios para jornais, TVs e igrejas além dos incentivos para propaganda, tudo isso, eu considero absurdo. Afinal, um laboratório que produz remédios é mais taxado – aliás, peças teatrais e filmes, não pagam nada e ainda recebem verbas diretas e a renúncia fiscal – um supermercado é totalmente taxado e etc. ...Cá entre nós, a produção rural, a distribuição, os remédios a construção, tudo isso mereceria mais do que filmes, peças, novelas ou programas do Faustão. ...mas não é assim que funciona, é bem ao contrário: a população paga mais pelos bens e serviços de que necessita mais (por isso se dispõe a pagar mais) para, sem querer ou mesmo saber, financiar publicações de poemas de bandidos presos, para financiar filmes, peças e etc.. Ora, a população não pagaria por tais “artes” espontaneamente tanto quanto estas recebem, por ter necessidades mais urgentes. Mas via governo/Estado, acaba pagando por serviços e bens de interesse particular e não público.
.
E sendo assim ....é bastante compreensível que aqueles que almejam parasitar o trabalho alheio sejam sempre simpáticos ao Poder, mesmo totalitário, desde que excluídos das agruras totalitárias para apenas saborearem os privilégios agregando-se aos poderosos que efetivamente detêm o Poder.
Enquanto o Poder for capaz de beneficiar os que o exercem e dele se beneficiam, enquanto o Poder for irresistível, os parasitas o louvarão como “justa grandiosidade” ...é o que lhe dão em troca.

...e eu me excedi mesmo, mas não sei se conseguir ser claro....

Abraços
C. Mouro

quirites disse...

Para além do aspecto financeiro, existe (na minha opinião), outros aspecto a considerar na decadência artistica da Igreja: a questão da cedência aos leigos . Depois do Concílio Vaticano II, os leigos deveriam ter um papel mais importante, não se limitando a "rebanho fiel". Ora para não ceder o poder decisório na cúpula (que afinal é o que interessa), a Igreja acabou por fazer concessões a outros níveis ao que acha que é o gosto moderno: arquitectura, canto, liturgia, reuniões. Mostra-se assim mais moderna de aspecto, embora salve o essencial.E dado o fraquissimo resultado artistico, acho que este Papa está certo ao querer revalorizar o culto do ponto de vista visual, o que deve captar todos os que se deixam impressionar pelo aparato litúrgico.

Bocage disse...

The Ugliest Church Ever

O feio do europeu é superior ao belo daqui. Se pesquisarmos no Google a epígrafe entre aspas, vemos listadas páginas como

Sítio 1
Sítio 2
Sítio 3 (World's Ugliest Church)

Aí nos chega o brasiliense a advogar pela beleza da Nossa Senhora da Esperança. Gosto se discute sim. Concordo com o Blogildo.

Apreciei, para além do post, as considerações do nobre C. Mouro. Gostava que o sarraceno tivesse o próprio blogue.

Francine disse...

e a Pampulha? parece um banheiro. não gosto do Niemeyer e de nenhum aquiteto metido a estiloso.

PATRICIA M. disse...

Catellius, eu adorei a reportagem do Washington Post. O carinha conseguiu descrever Brasilia do mesmo jeito que eu penso. Bricks and mortars, with no poetry whatsoever... Dry, ugly, not friendly. Anyway...

O que voce acha de Washington? Eu adorei Washington! Alias, preferiria morar em Washington do que em Nova Iorque, eh muito mais agradavel...

PATRICIA M. disse...

Alias, o Niemeyer conseguiu acabar com a Barra Funda em Sao Paulo, com aquele monstrengo de concreto horroroso chamado o Memorial da America Latina. Aquilo merece uma coisa so: demolicao!

Blogildo disse...

Eu escrevi "a jornalista". Foi mal, cara! Entendi errado.
De qualquer forma, o Bill foi com a sua cara!

Catellius disse...

Tem muita coisa interessante nos comentários. Já vou responder. Estou com uma entrega... Afinal, tenho que trabalhar... :(

david disse...

Pobre. hehehehe

André disse...

Legal a reportagem

“and the suicide, divorce and pedestrain-fatality rates in Brasilia are longstanding sources of concern” Imagino.

“Visiting there in the 1980s, Australian art critic Robert Hughes called the place "a museum of architectural ideas" and a "utopian horror." Essa eu conhecia. Esse aí não gostou mesmo…

“piercing blue eyes” Waaal… esses jornalistas e suas licenças poéticas... Se fosse o Machado de Assis, falaria em Capitu, a dos “olhos de ressaca". E alguém aí já viu olhos de ressaca? Devem ser legais.

“When I asked about a newspaper report that Brasilia's concrete is now cracking in the dry heat, he went off on a tangent about the durability of the Pyramids in Egypt.” Engraçada essa.

"In 1985, when Lucio Costa made one of his last visits here, he took one look at the bus station downtown, at all the mixing of social classes there, and he said, 'At last! I have seen the fall of the Bastille!'" É, a Bastilha caiu. E acho q foi na minha cabeça.

Mas tudo bem. Temos o maior mastro de bandeira do mundo. Já é alguma coisa.

Simone Weber disse...

Querido Catellius,
Parabenizo-te pelo saboroso e educativo texto.
Penso que a aparente decadência da arte denunciada pelo David (a da arquitetura eclesiástica é evidente) se deve à democratização da mesma e ao surgimento da cultura de massa, onde o patrão do artista é o consumidor, ainda que haja a fortíssima intermediação de produtores, gravadoras, empreiteiras, galerias de arte. Antigamente, as obras de arte eram únicas, não reprodutíveis em larga escala, e apenas a elite era capaz de financiá-las.
Quanto à atual capacidade técnica do ser humano, basta folhearmos revistas especializadas como a American Artist para percebermos que qualquer um com um pouco de treino se sai bem no estilo acadêmico. Reproduz-se em cassinos palácios de césares, pagodes chineses, colossos egípcios com relativa facilidade.
Beijocas

Catellius disse...

David,

"Você não crê que haja uma decadência cultural, em âmbito universal?"


Possivelmente, ainda mais quando lemos que Os Miseráveis de Hugo era publicada (novela) em capítulos e que estivadores, tecelões e outros trabalhadores braçais eram vistos lendo, ávidos, o desfecho de um capítulo como “Tempestade sob um Crânio” na hora do almoço. O povão italiano pichava “Viva Verdi” (Viva Vittorio Emanuele Re dItalia) nos muros, para protestarem contra os austríacos, e as melodias de suas óperas eram extremamente populares. As melodias de Nabucco vazaram durante os ensaios e já estavam em todos realejos da bota quando a ópera estreou no Scalla

“Os muçulmanos exibiam uma arquitetura fabulosa”

Com esses daí aconteceu o mesmo que com os sumérios, hititas e qualquer outra civilização extinta. Os muçulmanos de hoje têm o mesmo livro sagrado daqueles omíadas da Síria e Espanha, e parte dos genes (os espanhóis tinham sangue almorávida e almôada misturado ao árabe). Mas muito antes dos conflitos com o ocidente já haviam retornado ao estado tribal, quase rousseauniano de bons selvagens, estagnados no marasmo da longa dominação turca. Com o petróleo, contudo, alguns países como os Emirados Árabes e o Kwait tentam reviver a opulência de outrora apostando em edificações exuberantes, ilhas artificiais, verdadeiras “Catedrais do Deserto” – termo italiano análogo ao nosso “Elefante Branco”.

“Bach, Bethoveen, Grieg, Schubert....onde andam seus substitutos ou seguidores?”
“Por onde andam os Cervantes? Os Dante?”


Bach, Beethoven e Schubert não eram terráqueos, em primeiro lugar. Vá se informar em um centro espírita. Não sabia que eles vieram de Capella? Quanto a Grieg, era bem limitado, um bom miniaturista que não conseguia compor peças mais longas do que quatro ou cinco minutos. Até seu fabuloso concerto para piano é uma colcha de retalhos. Mas eu adoro a música dele, he he. Um nórdico muito melhor é Niels Gade, na minha opinião, e Sibelius, bem mais moderno.
Onde andam seus substitutos? Boa pergunta... Pelo menos as execuções de hoje são infinitamente melhores do que aquelas que os grandes compositores devem ter escutado. Spering, Minkowski, Hogwood, Harnoncourt, Gardiner, entre outros, extraem tudo o que a música pode oferecer. Não me venha com Karajan e o “Zumbi” Metha, por favor, he he.

“ Vai me dizer que as tais 'instalações' onde se mistura o esterco recolhido ainda fresco com o esterco mais antigo da cabeça do 'artista' é arte?”

Instalações não são arte mas comunicação. Podem dizer alguma coisa. Essas bobagens começaram com Marcel Duchamp e seu urinol, e aquelas porcarias engraçadas dos dadaístas.
Na verdade, a arte estava mais refinada do que nunca pouco antes da primeira guerra mundial. O movimento arts&crafts, a pintura simbolista, o art nouveau, o pré-rafaelismo, e outros, fervilhavam nas mentes alienadas do caldeirão de interesses e problemas fronteiriços em que a velha Europa estava metida, que só se interessavam pelo passado clássico, pelo neogótico e medievo. Com as novas possibilidades que o concreto armado proporcionou aliadas ao fim da primeira guerra, que quis por uma lápide sobre a velha ordem – e aí até as artes pagaram o pato -, a funcionalidade, os exercícios estruturais, o despojamento, os grandes vãos livres, as fachadas envidraçadas, os balanços e os arranha-céus passaram a ser a regra.

“Só falta agora o Chefe beberrão querer compor uma ópera. Em rítmo de funk carioca.”

Falstaff é uma boa ópera para ele. Mas a melhor mesmo é a tetralogia Der Ring des Nibelungen, de Wagner. Alberich, um baixinho gordinho que domina os Nibelungos, uma raça de anões estúpidos, não quer dar o anel (nada do que você pensou) que concede poder infinito a seu possuidor (qualquer semelhança com a obra do plagiador Tolkien não é mera coincidência) a Wotan (Odin). Este arranca o anel do anão com dedo e tudo e ele vira um eneadáctilo, he he. Alberich lança uma maldição que vai se cumprindo ao longo da ópera de mais de dez horas de duração, cuja terceira parte é A Valquíria.

Abraços

Catellius disse...

Ricardo Rayol,

“Sou brasiliense e vivi muitos anos da minha infancia lá e desconheço alguém aqui tenha tido mais vivências infantis do que eu.”


Como já disse, sempre gostei de Brasília. Cheguei aqui aos treze anos vindo de Caxias do Sul, provinciana ao extremo. Minha família é de oito pessoas. Pouco interessa se uma população é fria quando você tem cinco irmãos, he he.

--//--

Patrícia,

“Sampa da de 10 em Brasilia.”


Em opções culturais sim. Mas por aqui passeio a pé de noite com minha esposa e filha. E a beleza de uma cidade está, objetivamente falando, na ausência de fios de luz – principalmente de emaranhados de milhões de fios de luz, como em Sampa - de outdoors e outros tipos de propaganda, na presença de arborização - quanto mais, melhor – e em largos passeios públicos. A qualidade dos prédios entra em quarto lugar, ao meu ver.

“Um churchgoer, I am impressed! Voce eh alto, heim Catellius... Piercing blue eyes... (...) Por que nao coloca uma foto mais interessante?”

Ha ha ha. Um alto com olho claro pode ter cara de hiena. Não é meu caso, he he. Deixa essa porcaria de foto mesmo, senão apanho da mulher, he he. E você deve ter lido o que sou obrigado a fazer para não apanhar:
“A couple days later, I met Andre and his wife, Laila, for a driving tour of Brasilia. Laila was gorgeous -- demure, with olive skin and black hair and almond eyes -- and, in her presence, Andre was the quintessential gentleman. He held car doors open for her, and pointed out the charms of Brasilia with the precision and reverence of a museum docent.”
Quanto a ter sido católico, eu sei muito bem o que estou rejeitando. Não existe aquele provérbio “pensando morreu um burro”? Para mim, se aplica de um jeito diferente. De tanto pensar, o católico que havia em mim morreu, he he.

“O que voce acha de Washington?”

Infelizmente ainda não conheço os EUA. Mas quero muito visitá-los.

“...aquele monstrengo de concreto horroroso chamado o Memorial da America Latina. Aquilo merece uma coisa so: demolicao!”

Aquilo é uma excrescência! Fezes brancas, de pombo.

Abraços

André disse...

A vulgaização deve ter começado mesmo com o Concílio Vaticano II. Essa história é velha, mas faz sentido.

Alexandre Dumas também era noveleiro, novelista, um “noveleteiro”. As obras inteiras são imensas, porque eram publicadas ao longo de um tempão em jornais. Bons tempos.

Mozart gostava quando, depois de lançar uma ópera ou outra coisa qualquer, saía pelas ruas e ouvia o entregador de leite cantarolando o q ele havia acabado de apresentar na noite anterior.

Os turcos otomanos fizeram muito mal aos árabes. Os Sete Pilares da Sabedoria, de Lawrence da Arábia, conta tudo direitinho.

Karajan nem sempre foi ruim, mas depois só pensava em dinheiro, castelos, Ferraris, jatos e jovens violinistas. A regência dele era muito pasteurizada, igual. Gosto de Carlos Kleiber, mas ele gravou muito pouco. Acho q nem se apresentava muito. A 5ª de Beethoven dele é uma das melhores. Não vou dizer q é a melhor pq isso não existe. Otto Klemperer, Wilhelm Fürtwangler, Karl Böhm, Sergiu Celibidache (um cavalo, um animal estúpido, mas como regente era bom, era contra gravações, cds, achava q o som se perdia.
Bom, se não fossem os cds eu não conheceria nada, pq moro aqui e não lá e mesmo lá as coisas são difícieis), Daniel Barenboim, estão entre os poucos q conheço. Dizem q o Erich Kleiber, pai do Carlos Kleiber, era bom, mas não sei.

Acho q o governo atual é uma peça dadaísta e a gente ainda não percebeu.

Aqui seria Der Ring des Analfabeten. Ignoranten. Prefiro ler Tolkien a ouvir Wagner, mas aí não dá pra sacanear, pq o anão Gimli é simpático, compará-lo ao Lula seria uma maldade. Ele e a gente dele estão mais pra orcs, trolls e outras criaturas da Terra Negra de Mordor. Ou alguma criaturinha insolente q de vez em quando vinha encher Conan, o Cimério, meu personagem fictício predileto. Meu real predileto é Átila, o Huno, aquele que por onde passava a grama não crescia mais. Nada ecológico. Saladino era mais palatável, o tártaro Tamerlão nem tanto, quase um Átila.

tunico disse...

Caro Catellius. Li atentamente este post. Arte e poder. O mecenato no Brasil há muito se resume ao financiamento público das artes.Ou seja, o mecenas brasileiro somos nós, povão.
Quanto à decadência da arquitetura nos templos da igreja católica,você tem razão. Os "chefões" da igreja de hoje preferem aplicar suas riquezas em empreendimentos lucrativos e pressionados pelo crescimento dos evangélicos constróem templos mais espartanos para não perderem mais fiéis.Ostentação demais espanta.
No caso particular de Brasília, as igrejas que você mostra nas fotos não teriam como inspiração a modernidade dos edifícios do Plano Piloto? Uma questão de manter um padrão? Afinal, é sabido que Niemeyer ainda dita certas regras de estilo pelo menos em edifícios públicos, através de seu seguidor em Brasília, Fernando "Capacete".
Falando em Niemeyer. Se você for ao meu blog logo nos primeiros posts de 3 anos atrás, lerá um pouco da minha convivência de 6 anos com o arquiteto.Eu pessoalmente não gosto de algumas criações de ON.O Memorial é uma delas embora tenha participado intensamente de seu projeto e construção. Como desafio de engenharia foi ótimo.Como aprendizado de vida também. As palmeiras imperiais que lá existem fincadas no concreto foram uma insistência pessoal minha pois ON não queria nada verde.No fim ele sucumbiu. A Barra Funda era um bairro abandonado. Pelo menos a construção serviu para forçar uma melhoria do entorno em termos de infra-estrutura.
A arquitetura que gosto é aquela onde você se sente bem dentro e fora do edifício. Por isso gosto muito dos prédios antigos do centro de SP e do Rio das décadas de 30,40,50.Pena que estejam deteriorados.

Blogildo disse...

Tô vendo que arte é a sua praia, Catellius! Tô babando de inveja! Rsrsrsr!

Pensando bem, aqueles postes e fios são mesmo horríveis! Mas a sua cidade predileta - do ponto de vista estético - é mesmo Brasília?

C. Mouro disse...

Prezado Bocage,
já pensei na questão, mas declinei por perceber que um blog próprio não me daria limites. Assim, fazendo apenas comentários eu tento me impor limites, e mesmo assim me estendo demais.
Veja só, fui comentar uma primorosa frase e acabei exagerando, inclusive saindo do que parece ser o que mais chama a atenção no artigo.

Abraços
C. Mouro

Catellius disse...

Blogildo,

“aquelas obras do Niemayer um tanto frias.”


Trechos de coisas que escrevi na sessão de comentários do post Saddam e Cocoons:

- Pelos seus croquis vemos o que ele pensa dos seres humanos. São formiguinhas que servem de escala para seus áridos devaneios. Elas que se adaptem a eles.
- Coloque o disco voador de Niterói no meio de São Paulo e crie uma forma absurda e deselegante em concreto pesado mas bem moldado para ser plantada num rochedo cujo entorno é a Baía de Guanabara. Qual chamaria mais a atenção e atrairia mais fotógrafos e visitantes?
- Agradam-me muito aquelas (obras) que nasceram nos anos 50 e 60. O que veio depois é de um anacronismo medíocre, de uma estética cafona, saturado daquela indesejável segurança do que crê que qualquer traço que produz é divino e inquestionável.
- ...são sintomas de um mal do qual Brasília padece há muito tempo, chamado "síndrome do espaço vazio" (acabei de inventar). "Se está vazio, vamos enchê-lo antes que um aventureiro o faça", deve ter pensado o Dom João VI que habita o cérebro de Niemeyer...
- O incrível não é ele ter ficado anacrônico, mas continuarem a erigir os frutos de seu anacronismo. Ninguém impõe à sociedade que assista a filmes de diretores decadentes nem que leia livros decadentes de algum Nobel nonagenário. mas somos obrigados a cruzar com O Ovo de Niemeyer toda vez que passamos pela Esplanada, o que é imperdoável!

“Você (...) sabe que Cristo tinha uma certa (...) 'antipatia' pelo templo de Jerusalém.”

Tudo bem que mandou rasgar o véu do santo dos santos depois de morrer (ou foi o pai), e para defender o templo conspurcado chicoteou vendedores de pombas, cambistas. Entrou lá derrubando tudo, tocando o horror. Sócrates jamais faria tal papelão, he he.

“...nós dois sabemos que a ‘Sagrada Família’ tinha mais de um filho.”

É, a Bíblia fala em irmãos, que os católicos insistem em que sejam primos. O que muda? Jesus não pode ser messias e ter irmãos? O grande problema aí é a virgindade de Maria, afinal uma deusa não pode "cometer" sexo, trocar fluídos com São josé, ainda que estivesse casada com ele.

“acho injusto ver decadência só na Igreja Católica”

As outras denominações já nasceram decadentes e divididas, então não achei interessante analisar os galpões de evangélicos e seus cinemas reaproveitados. Antes de analisar sua arquitetura preferiria escrever sobre currais e galinheiros.

“O protestantismo, naturalmente estéril. Essa frase é 100% Catellius? Se for, meus parabéns!”

Nope, não é 100% minha, he he. Já li alguns textos sobre a esterilidade protestante. Eu estava dizendo "para muitos católicos..." e citei uma das teorias.

“...o Bill foi com a sua cara!”

Putz... Gaúcho e arquiteto... Espero que funcione como na matemática, onde -3 x -3 = +9, ha ha.

"Mas a sua cidade predileta - do ponto de vista estético - é mesmo Brasília?"

Acho que não. Há muito de "amarração", como o patinho que sai atrás do Tom dizendo "mamãe", "mamãe", e não muda de atitude até quando o malvado gato o coloca dentro da panela para o devorar quentinho. Brasília não é perfeita, mas o gabarito baixo das edificações de prédios residenciais, o modelo de prédios sobre pilotis, a ausência de cercas e a prodigalidade de áreas verdes superam em muito os defeitos - que não são poucos.

Abraços

André disse...

"Cometer" sexo, essa foi boa...

Os prédios baixos, a falta de cercas e as árvores realmente são coisas muito boas em Brasília.

Talvez as outras religiões, cristãs ou não, tenham mesmo uma inveja danada da Igreja Católica, pq elas não puderam fazer ou ter o q a Igreja fez e teve. E nem terão tempo pra isso.

Catellius disse...

André,

“É, a Bastilha caiu. E acho q foi na minha cabeça.”


Lúcia Costa armou um verdadeiro barraco porque não queria palmeiras imperiais nos Eixos L e W. Elas conferem monumentalidade e só poderiam ser plantadas no Eico Monumental. Isto foi na época da Brasília Revisitada.

"Dizem q o Erich Kleiber, pai do Carlos Kleiber, era bom, mas não sei."

Excelente. VocÊ precisa ouvir Fidelio e a Nona de Beethoven com ele. Todos esses outros maestros que você citou são muito bons.

--///--

C. Mouro,

Bravo!
Obrigado pelo excelente comentário. Daria um post. Faço coro ao Bocage.

"Essa idéia antiga, de que os ‘melhores’ devem se ocupar com coisas ‘mais nobres’, como as artes, o governo, a guerra e etc.,”

No Brasil colonial, ao contrário, era tão mais interessante se gabar de ter um escravo prendado, talentoso, que acontecia de um Senhor de Engenho ter pendores artísticos, produzir belas obras, e dizer a outros como ele, para os quais queria se exibir, que seus escravos as haviam feito.
Acho que li isto em Casa Grande e Senzala ou escutei de algum guia turístico de alguma cidade histórica.

“Mas via governo/Estado, acaba pagando por serviços e bens de interesse particular e não público.”

É um absurdo. Eles não arcam com os riscos, pois o dinheiro não é deles, e colhem os lucros.

--///--

Bocage,

Obrigado pelas visitas constantes e pelos comentários sempre bem humorados.

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Simone,

American Artist? Cassinos? Você é a Simone mesmo? rs

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Tunico,

Obrigado pela visita e pelo comentário. Não sabia que você era engenheiro e trabalhara com o Niemeyer. Deve ter sido uma experiência e tanto. Foi um grande arquiteto, sem dúvida.

"as igrejas que você mostra nas fotos não teriam como inspiração a modernidade dos edifícios do Plano Piloto?"

Podem ter se inspirado no que quer que seja. Não ficou bom, he he

Abração!

André disse...

Interessante essa história das palmeiras.

Q bom q vc conhece Erich Kleiber, mas já previa isso, pois vc gosta demais de música clássica. Nos EUA, encontrei Super Audio CDs (SACDs) de música clássica dele e do filho, entre outras "dificuldades" (raridades) mas o preço médio era de 50 US$. Tenho o equipamento aqui (dvd player com SACD decoder e receiver q suporta o formato), mas não vale a pena, o SACD é muito caro. O som é um tantinho mais aberto, profundo e em vários canais. Não sou audiófilo/videófilo, apesar de gostar dessas traquitanas, então não vivo em busca da pureza divina de som e imagem. Mesmo q tivesse grana para tanto, torraria em outros supérfluos, a única coisa necessária, já dizia Wilde. Mas um dia a tecnologia barateia. Assim como filmes em high definition -- o dvd de laser azul é um barato, mas ainda inviável.

Abraços

Ricardo Rayol disse...

Catellius, eu posso continuar xingando? Só uma ameba que more numa merda de cidade atulhada de gente até o ladrão pode não gostar de uma cidade que tem grandes espaços, uma sinergia com a natureza fantástica e é bem organizada. Algumas obras do Niemeyer deixam a desejar mas outras são realmente incríveis (e olha que acho ele um bom de um escroto). Quanto a achar a cidade seca e fria. Seca é mesmo, no inverno a umidade do ar cai bastante. Fria por que? Só porque não tem um zilhão de pessoas se esfregando uns nos outros? Me lembrei também que esta certa pessoa acha que o aquecimento global é papo furado. Daí se tira o QI.

PS: Se achou esse comentário muito ofensivo pode deletar que não me sentirei desprestigiado.

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Catellius:

Artigo magnífico.
Muito bem estruturado e com uma função formativa e informativa evidente.

De facto este tipo de arquitectura não honra, de forma nenhuma, o Grande Arquitecto do Universo.


Um abraço,

NB:Grato pela tua visita e comentário.

Catellius disse...

Caro Ricardo,

Calma, calma (jogando água fria em sua cara)!
É proibido alguém achar Sampa mais bonita ou melhor do que Brasília?
Para quem mora na fazenda, no campo, aquele que prefere Brasília ao mato gosta é de gente se esfregando e de vias cheias de carros, de poluição, não gosta de céu estrelado, de vaga-lumes, de sapos coachando à noite. Mas algumas pessoas acham imprescindíveis grandes bibliotecas e grandes teatros, bons cinemas e museus decentes (Por aqui só temos cinemas...). Quem tem costume de apreciar Rembrandt, Goya, Picasso, Renoir, Ingres, Delacroix e tantos outros em Sampa pode se sentir isolado aqui em BSB.
Eu prefiro Brasília e sinto-me um anônimo, uma formiga, em São Paulo. Mas entendo aqueles que preferem Sampa e Nova Iorque.
Certamente ela não estava falando do entorno pobre de São Paulo. E você tampouco deve estar se referindo ao Recanto das Emas e Santa Maria.

Abraços a todos

André disse...

Valeu por entender porque eu gosto de SP. E eu também entendo porque vc gosta de Brasília.

PATRICIA M. disse...

:-)

Ricardo Rayol disse...

Catellius, uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa completamente diferente. Minha, digamos, irracibilidade advém de uma antipatia crônica com certas pessoas que se abraçam às cascavéis fofas que navegam por aí e difamam quem quer batalhar pela ética sem pieguice nem auto-promoção. Quero mais que as amebas desprovidas de cérebro se danem em suas metróples mal-cheirosas.

Catellius disse...

Blogildo,

Pronto. Achei o que falta para Brasília ficar perfeita para mim (veja a montagem que acabei de fazer).

E aqui, a fotografia original.

Exilado, vou ter que apagar seu comentário antes que eu vá preso, he he

Blogildo disse...

Catellius, me desculpe a ignorância, mas não vi diferença - a não ser de tamanho - entre as fotos.

Catellius disse...

Blogildo, Blogildo...
E o mar ao fundo?
Só falta você vir me dizer que o acrescentei depois, he he

ognissole disse...

Ave, Catellius!
Lí The Believers. Bom texto. Sutilmente witty com um certo ar blasé... Especialmente tocante, resvalando no patético, a descrição do rencontro entre bicho-grilo-pai e bicho-grilo-filho.
É interessante... minha impressão a partir dos seus próprios textos sobre Brasília era que vc destestava a cidade e sua arquitetura. Lendo o "home skillet Bill" tive a impressão de que vc é um apaixonado por ela...E aí? Em quem acreditar?...Abraço. Dê um beijo na pequena "Demiurga". Cyro.

Catellius disse...

Grande Cyro,

Na verdade, aprendi a ser um crítico de Brasília por conviver demais com viúvas modernistas na universidade, nomeadamente os professores. Claro que ao ciceronear o jornalista americano dei mais ênfase aos pontos positivos da cidade. Eu não sou apaixonado por Brasília. Estou muito satisfeito com a vida que levo por aqui com meus amigos, familiares e a miríade de conhecidos, desde o dono da banca de jornais da quadra comercial à vendedora de sorvetes ambulante que sempre passa em frente a meu escritório.
A pequena está ótima! Muito arteira, muito criativa!
Um abração e obrigado pela inusitada visita!

Bocage disse...

Demiurga?

Catellius disse...

É uma longa história, uma brincadeirinha que meu pai fez. Deixa pra lá.

Exilado no Cerrado disse...

Brasília tem mortes, tem até baratas
Longe do mar, da poluição
Brasília tem prédios, Brasília tem máquinas
Brasília tem centros comerciais
Muitos porteiros e pessoas normais
As luzes iluminam os carros só passam
A morte traz vida e as baratas se arrastam
Utopia na mente de alguns...
As árvores enfeitam e a polícia controla
Oh.. O concreto já rachou!
Carros pretos nos colégios
Servidores Públicos ali
polindo chapas oficiais
Brasília, Brasília
Os comércios só vendem
e os porteiros só olham
E essas pessoas elas não fazem nada
mas essas pessoas elas não fazem nada
Nada! Brasília... Nada!
Nada! Brasília... Nada!

Suzy Tude disse...

Catellius, achei excelente o post. Niemeyr não é arquiteto, no máximo péssimo escultor. Lúcio Costa, não planejou uma cidade planejou um espaço propício à discriminação. Os arquitetos da UnBOSTA, são isso mesmo (uma bosta) e seguem o caminho dos "comunistas que moram de frente pro mar". Os exemplos foram bons, mas se você precisar, passo outros.
Olha Catellius, o poder se imiscui com muitos pseudo- artistas e profissionais e vice-versa. Sou arquiteta (FAU-UFRJ) e não me sinto nem um pouco parte dessa camarilha.
Grande abraço

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Catellius:

Vim te desejar um óptimo fim de semana... também é preciso :-)
Um abraço,

Luisete disse...

Catellius,

Não entendo de arquitetura, ou de outras formas de arte, nunca visitei um museu ou uma exposição. Afinal, a classe média baixa trabalha duro, mais que os trabalhadores citados por você; e perde-se um tempo enorme, espremidos em ônibus lotados, no retorno à casa e na ida ao trabalho.
(" ... ainda mais quando lemos que Os Miseráveis de Hugo era publicada (novela) em capítulos e que estivadores, tecelões e outros trabalhadores braçais eram vistos lendo... na hora do almoço. O povão italiano pichava “Viva Verdi” (Viva Vittorio Emanuele Re d’ Italia) nos muros, para protestarem contra os austríacos... As melodias de Nabucco vazaram durante os ensaios e já estavam em todos realejos da bota quando a ópera estreou no Scalla...").

Ainda assim, pude apreciar o seu magnifíco texto. E a minha ignorância quanto ao assunto não me impede de enxergar o que está à vista. A decadência é um fato, como colocaram o David e a Simone: é a a democratização, é a cultura de massa ("qualquer um com um pouco de treino se sai bem no estilo acadêmico.")gerando seus efeitos completamente adequados ao modelo de sociedade capitalista onde tudo precisa ser rapidamente consumido e descartado. A obra de arte, por sua natureza perene, não serve a este tempo. Se, no passado, um zé do povo entoava clássicos tocados na véspera, hoje não se lhe dá essa chance.

Mas, acredito que ainda temos pequena margem para escolhas; nem todos se vendem, nem todos copiam, nem todos aderem e se prostram para idolatrar americanos e europeus, nem todos têm vergonha de ser latino, e brasileiro.

Não conhecço a historia da arquiterura mas pelo que os meus olhos podem ver Niemeyer tem o mérito de criar uma escola, um estilo, num tempo em que ainda era moda (e ainda é) copiar a Europa. Arquitetura imprópria, mesmo, é a que reproduz a estátua da liberdade em plena Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro; e essa mania de batizar logradouros e edifícios comerciais com nomes do idioma inglês ... É o cúmulo do mau gosto, é o complexo de sub do sub, é a chamada auto-estima no dedão do pé.

Brasília é uma bela cidade, com amplos espaços arborizados. O desenho é, sim, discriminatório, quadras nobres, quadras populares, setores de mansão... Mas o mundo capitalista é assim, estruturado em classes segundo o poder aquisitivo. Não se trata de invenção da arquitetura. O Plano de Lúcio Costa contempla essas segmentações mas proporcionando qualidade de vida a todos. Esse é o mérito. Nas quadras 400 (populares) a diferença está no tamanho dos apatamentos, na falta de elevador e de garagem, mas os espaços verdes são exatamente iguais, há escolas, comércio, postos de saúde... A vantagem de não ter garagem e elevador é a pequena taxa de condomínio que as classes mais baixas podem pagar.

Brasília ainda é um bom lugar, apesar dos 20 anos do Governo Roriz.

Vou muito pouco a igrejas mas, coincidentemente, fui, ontem, à São Judas Tadeu. Achei muito bonita. A de N. S. de Guadalupe, na 311 Sul, também. Gosto do despojamento, quanto menos, melhor. Se é mau gosto, que me perdoe o Catellius rsrsrsrsrrse.

Abração!

An'dré disse...

Isso é verdade: apesar de 20 anos de Roriz, derivados e "lacaios", Brasília ainda resiste. Vamos ver se o novo governador vai conseguir endireitar a cidade. Anda fazendo algumas coisas muito boas, mas vai ser difícil.

C. Mouro disse...

Leio isso:
"efeitos completamente adequados ao modelo de sociedade capitalista onde tudo precisa ser rapidamente consumido e descartado"
.
"modelo de sociedade capitalista"! ...é um bordão. Se perguntar o que é esse tal de "capitalismo", aposto 10 x 1 que não vai sair uma definição através de principios, mas sim uma descrição através de novos bordões e afirmações descabidas que nada têm em comum com uma definição. Até porque se for definido por princípios perderá sua identidade cronológica e, assim, mais uma vez Marx vai para o lixo - seu lugar de direito.
.
...hehehe! ...repetir asserções e falácias é fácil, entender o que se está dizendo, nem tanto.
.
Nos velhos tempos era fácil fazer coisas dispendiosas, que demandassem tempo e mão de obra. Afinal, servos nada custam. Assim, a igreja ou mesmo o Estado podiam se dar ao luxo de mandar fazer o que lhes aprouvesse sem nenhuma preocupação. Já atualmente, o desperdício não tem como esconder-se dos olhos da massa, e isso muda muita coisa, além de haverem muito mais "necessidades"* incorporadas ao pretenso essencial no tempos atuais, e o que se desperdiça em excesso num lado fica claro como falta em outros. Assim, melhor tentar desperdiçar um pouco menos.
.
Quanto a diferenciações "de classe" a própria URSS (paraíso socialista-científico) o que mais havia, há, eram condomínios para separar as autoridades dos proletários, inclusive com lojas apenas para os "igualitários defensores do povo" (Berioskasa, se não me engano, ou algo semelhante). Ou seja, se antes a nobreza tentava se diferenciar do "povo estúpido" através da idumentária e mesmo de gostos ostentados - contrário a percepção da massa - sem dispensar as mesuras de um hipócrita "asinus asinum fricat", não mudou muito no tal socialismo-científico. Afinal, se o feudalismo era uma sociedade hierarquizada, o socialismo-científico na prática o copiou inteiramente para, dialéticamnte, fazer-se o que foi descrito como "capitalismo". E digo "na prática" para ilustrar, pois que o socialismo-científico não tem "manual de instrução" na teoria, mais valendo-se de imprecações contra o tal "capitalismo" apenas descrito em pretensas consequencias, como um mundo de horrores que nem mesmo era real, mas sim fofoca que despresou a realidade vigente. ...

Enfim, todos podemos dizer bobagens, mas que não nos ocorra de dize-las sem compreende-las.
Nada é tão fácil quanto repetir frases ou slogans que,de tanto serem repetidos, tornaram-se "verdades" - no sentido de consenso e não de realidade.

...vou parar por aqui

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

melhor dizendo:
servos custam pouco e podem produzir o suficiente para remunerar artistas e destaques que valiosos para o superfluo.
.
Quem tem o Poder de extrair dos servos, pela força, o que bem entender, não tem que se preocupar com custos ou com o tempo para usufruto. Afianl, se toda uma população está sujeita a vontade de uma "classe" dirigente, absolutamente hegemonica sobre os dirigidos, tal grupo não há de preocupar-se com custos.
.
Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

obs.: "desprezou"
...essa eu notei só de olhar, as outras ficam como estão

C. Mouro

Ricardo Rayol disse...

Catellius, a Luisete fez um belissimo resumo mesmo que eu não concorde com uma ou otra coisa.

Luisete, acho que você pegou o espírito da coisa e foi muito mais feliz do que eu na defesa da cidade. O único senão era que apesar de existirem quadras populares, como as 400, nas outras quadras havia um certo objetivo de nivelamento social. Por exemplo, morei na 109 Sul, no Bloco A, e lá habitavam pessoas de todos os segmentos, inclusive bem sucedidos profissionais de classes ditas sem recursos. Acho que somente em 70 começaram a realmente construir blocos já separando quem podia pagar mais por exclusividade.

Quanto ao Oscar Niemeyer ele realmente marcou uma escola, mas para um comunista, afirmo aqui novamente, ele bem que gosta de muita grana. Pelo que me lembro o palácio do STJ rendeu a ele uns US$ 3 milhões só pelo desenho e adminitração da obra. Tudo isso sem licitação. Meio estranho não?

Luisete disse...

C. mouro,

Há frases que são geniais, principalmente quando se está em um espaço feito este, da Internet, um lugar de cultura de massas, de velocidade, onde a comunicação instantânea exige concisão, síntese.

Então, viva o bordão: modelo capitalista. E não há crítica, não há intenção de adjetivar, de qualificar ... É bom? É ruim? Não ataquei ou defendi.

Vc, com a sua sapiência um tanto arrogante, não logrou argumentos suficientes porque os fatos são os fatos, não importam os bordões ou os longos discursos, nada os altera a não ser a ação!!!!!! A mentira, ainda que repetida à exaustão, nunca se tornará verdade.

A cultura de massa é fenômeno do nosso tempo de megalópolis e de periferias, do capitalismo moderno. Essa, é uma realidade!

Mourão, qual é a sua realidade?

"Nada é tão fácil quanto repetir frases ou slogans que,de tanto serem repetidos, tornaram-se "verdades" - no sentido de consenso e não de realidade".

Esse seu texto, contra o meu texto, não passa de uma grande bobagem.

É extremamente cansativo o deparar-se, aqui e ali, com o famigerado pensamento binário. Se eu não ataco a obra de Niemeyer ou se uso um clichê para referir-me a um fato (sociedade capitalista onde tudo é descartável) é porque estou assumindo uma posição ideológica de esquerda??????!!!!!!!!
E sou eu que simplifico?

Mourão, tenha coragem e poste com a sua verdadeira identidade, conte a todos qual o endereço do seu BLOG. Por que se esconder? Com vergonha de que?

C. Mouro disse...

Apostei e ganhei!

Na próxima eu aposto 100 x 1 ...hehehe!

pensamento binário! ...hehehe!
eu disse que você tinha posição ideológica de esquerda, cara luisete?
...hummmm! você conseguiu entender isso? ...e eu que sou binário, mas o que eu disse é que repete-se coisas sem nem mesmo entender o que se está dizendo. ...se você entende que isso define esquerda, então eu disse que você é de esquerda. ...hehehe!
.
Quanto à vergonha, não me espanta que você não a possua, ou não repetiria slogans, bordões sem entender o que está dizendo. ...hehehe! não resisti.

Abraços
C. Mouro

Luisete disse...

Ricardo,
Os comunistas gostam, sim, de dinheiro ... no próprio bolso. O Niemeyer está, neste momento, faturando mais uma nota preta com a nova sede do TSE em Brasília.

Não funciona dividir, assim, as criaturas, capitalistas que amam o dinheiro e comunistas que querem distribuir rsrsrsrs...
"Odeio Rótulos". E odeio mesmo! Em nome de correntes políticas, religiosas, raciais, etc. mata-se, esfola-se, arranca-se os olhos ... Na verdade o ser humano se escora em algum lugar para justificar a própria bestialidade que, muitas vezes, é só uma questão de insanidade mental que poderia ser controlada com um bom psiquiatra.

C. Mouro disse...

Cara luisete,
concordo com isso:
"A mentira, ainda que repetida à exaustão, nunca se tornará verdade."
.
Mas você toma por verdade um bordão fraudulento. Ora, a "cultura" de massa é consenso e não verdade ou conhecimento. Afinal, massa é aquilo que toma a forma que lhe dão, até de gabar-se de ser massa, para assim permanecer eternamente.
.
Abraços
C. Mouro

PATRICIA M. disse...

Um aparte aqui: a classe media baixa frequenta museus e exposicoes em Sao Paulo. Lembro de ter visto familias inteiras na exposicao dos Guerreiros de Xi'an. Talvez devido ao fato de os museus e exposicoes em Sampa oferecerem ingressos a precos populares. O paulistano em geral eh um povo que da muito valor `a cultura.

PATRICIA M. disse...

E tenho que concordar com o Mouro... Quem disse que comunista algum dia na vida quis dividir o que quer que seja? Hahahahaha. Oh nao, dividiram sim: dividiram a miseria entre o populacho, e ficaram com as riquezas... Hahahahahahahaha.

Luisete disse...

Agrupar pessoas e situações sob rótulos, classificar ... é uma imposição, uma necessidade de organização do cérebro humano. Mas é, apenas, um recurso, muito adequado em Matemática, em Estatísticas ... Mas é só isto. Não se pode, de modo algum, perder de vista que se trata de um mero recurso.

Agrupar pode ser muito bom. Eu aprecio a medicina indiana, e a chinesa, que classifica os indivíduos segundo determinadas caraterística, para efeito de diagnóstico e tratamento.

Os seres humanos não são iguais, cada um tem seus desejos, sua história, seu psiquismo... seu modo próprio de compreender a realidade objetiva.

Então, como conceber uma sociedade com supressão das individualidades em nome de um bem comum? uma sociedade onde o estado determina a faculdade que eu devo cursar?

Por isto, eu reafirmo, já perdendo a paciência, que eu odeio RÓTULOS, usados descuidadamente.

O que vem a ser, por exemplo, essa categoria "paulistano em geral" que visita museus?

Deve ser o cara que mora em Heliópolis, na Brasilândia; essas pessoas, amantes das artes, tiram de um salário que não comporta gastos com refeições, moradia, vestuário, e reservam para a compra de ingressos populares de museus; preferem a arte do que a violência de sempre no jogo do "curintia". É, pode ser ... Frequentaram boas escolas públicas, em Heliópolis, onde aprenderam que investir no espírito faz bem ao corpo. É, pode ser.

Afinal, há quem acredite em coelhinho da páscoa, papai noel, em sociedades pretensamente igualitárias ou, na outra ponta, no extremo oposto, em sociedades onde o "populacho" vive privado de tudo; mas, encontra tempo, depois de gastar 4 horas por dia no deslocamento ao trabalho, para se embriagar na contemplação de uma obra de arte. É pode até ser.

Luisete disse...

Cultura de massa:


Quando uma dupla sertaneja vende milhões de CD e atrai multidões que, até, tiram do pouco que têm para comprar ingressos...

Quando uma banda atróz, como a tal de Babado Novo é campeã de vendas...

Quando esses terríveis novos baianos cantam e se rebolam, no carnaval e, cruz credo, por todo o sempre...

Ou os funkeiros, do mesmo modo, que conseguem enriquecer (Tati Quebra Barraco) oferecendo vulgaridade e baixaria ...

Quando 50 milhões votam no paredão da Globo ...

Como deveríamos classificar o fenômeno? Não há nenhuma manipulação dos meios de comunicação de massa?
Não há carência de educação e de oferta de "produtos" culturais de qualidade?
Tudo se explicaria com o bordão que você acabou de criar, "Gabar-se de ser massa para, assim, ficar eternamente"?

Bela maneira de se omitir! É bem típico do momento atual, bem sintonizado com os discursos do Presidente Lula que sempre quer fazer crer que não tem nada com o problema, tudo é culpa do FHC.

Vejo que o bordão da moda é "Quem pariu Mateus que o embale".

André disse...

Há saídas, estreitas, mas seguras e claras, para bem longe de todo esse entretenimento de massa.

Muito bom o q vc escreveu, C. Mouro.

Pois é, Patrícia, há muitos paulistanos assim e é legal ver isso em São Paulo.

A única coisa que o socialismo/comunismo conseguiu foi a distribuição igualitária da miséria.

Ricardo Rayol disse...

Em compensação o Cirque du Soleil (patrocinado com dinheiro publico) teve preços exorbitantetmente impopulares.

Um Amigo disse...

Resposta ao Sr Rayol:

Os ingressos custaram entre R$ 50 e R$ 370. Aprovados pelo MINC, conforme disposto na Lei Rouanet(4%).O Patrocinador foi O Bradesco. Portanto
aquilo que se diz "dinheiro Público" decorre da Lei. Desse modo: não tem nenhuma razão ou obrigação da oferta de preços populares.

PATRICIA M. disse...

Que eu saiba Heliopolis nao eh bairro de classe media baixa, e sim favela. Classe baixa mesmo. Ultimo escalao antes da miseria.

PATRICIA M. disse...

Para quem duvida de que ate houve entradas gratuitas para a exposicao dos Guerreiros de Xi'an, vide reportagem antiga da FSP:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u30834.shtml

O ingresso mais caro custava R$7.00

Nao foi coisa so da zelite nao...

Um Paulistano disse...

Queridos Amigos:

Uma licença para um pequeno retoque no raciocínio da Sra. Luisete. É possível que a escola que a senhora mencione esteja em Higienópolis. É pouco provável que algum morador da favela estude lá. mas...É, pode ser.

André disse...

Acho q ela quis dizer mesmo Higienópolis, q é, digamos, um bairro de classe média-alta / alta. Um shopping muito bom, homônimo, fica lá.

André disse...

Heliópolis é um bairro localizado no distrito do Ipiranga, na Zona Sudeste da cidade de São Paulo. Composto por 14 glebas, possui 100 mil habitantes e uma área de quase um milhão de metros quadrados. Já foi considerado a maior favela do Brasil, embora hoje já tenha estatuto oficial como bairro.

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Higienópolis é um bairro central da cidade de São Paulo. Ele é essencialmente residencial e caracterizado por uma população de rendas média-alta e alta, sendo também conhecido pela presença de relevantes instituições culturais.

A região na qual se constitui são ocupadas desde o século XVI, de forma que seu desenvolvimento tenha se dado paralelamente àquele da própria cidade. O bairro também se destaca pela presença de uma grande quantidade de exemplares da arquitetura moderna paulistana. Higienópolis hoje abriga uma expressiva colônia judaica, talvez superando em população o antigo reduto judeu paulistano do Bom Retiro.

Mesmo após a abertura de outros bairros de perfil elitizado, Higienópolis manteve-se como uma área de grande valor e conseguiu se adiantar na evolução urbanística paulistana.

Devido ao desejo da elite local por espaços segregados e próprios para seu consumo, Higienópolis se tornou junto com a avenida São Luís (centro de São Paulo) uma das primeiras áreas a se verticalizar e abrigar edifícios de alto e altíssimo padrão. Esse processo se iniciou na década de 40, sendo logo depois acompanhado por aquela que seria considerada uma revolução na arquitetura residencial paulistana: o advento da arquitetura modernista em edifícios de apartamentos.

Toda a cidade de São Paulo se caracterizava até então pelos traços da arquitetura eclética, de perfil historicista e europeizante. Edifícios como os de Rino Levi tornaram-se logo exemplares do novo momento, tendo no Edifício Louveiras, de Vilanova Artigas, um caso paradigmático.

Seguiram-se a ele outros arquitetos influenciados pelo modernismo, tal como o Edifício Prudência de Franz Heep. Foi também local de surgimento de exemplares também de uma arquitetura caracterizada por um ecletismo tardio e de pouca expressividade, como o Edifício Bretagne de João Artacho Jurado.

Higienópolis, pela sua posição central na metrópole paulistana e pelo perfil histórico de sua população, apresentou a tendência de abrigar no próprio bairro e em seu entorno instituições culturais diversas, como a Fundação Armando Álvares Penteado, Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Colégio Sion, Colégio Rio Branco, Istituto Europeo di Design, Escola Panamericana de Arte, Aliança Francesa, Cultura Inglesa e Centro Universitário Maria Antônia. É também sede de importantes instituições da colônia judaica, dada a grande concentração dessa coletividade no bairro.

Em fins de 1999 foi inaugurado no bairro o shopping center Pátio Higienópolis, projeto polêmico que gerou grande repercussão entre os moradores. Foi o primeiro shopping construído, direcionado para as pessoas do bairro, isto é, para as pessoas irem à pé ao shopping. Temia-se impactos negativos sobre o trânsito da região. Há duas estações próximas de metrô no entorno, a saber, a Estação Marechal Deodoro e a Santa Cecília; e está sendo construída a Estação Higienópolis, próxima ao Mackenzie e à rua da Consolação.

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Realmente, um belo lugar. Conheço gente que mora lá.

Heitor Abranches disse...

Acho que a cultura popular vai dominar no longo prazo. Provavelmente, daqui a 200 anos teremos culto a Eminem e a Chitãozinho e Xororó mais do que Beethoven. Afinal, estes são intérpretes das frustrações do povo de um tempo. Acho que isto define a cultura popular...Ela reflete os anseios profundos de um povo. Nenhuma elite pode viver distante destes anseios, seja a corrupta elite petista ou qualquer outra elite. Este papo de socialismo na minha opinião atende a um anseio de proteção e a um sonho de paraíso na terra. O capitalismo é visto como a Lei, como a impossibilidade, como a frustração,...Se o socialismo triunfar no século XXI com o coronel Chavez então o socialismo se tornará a lei e o capitalismo se tornará o sonho de liberdade e de paraíso na terra. Talvez, o problema seja a dificuldade de se aceitar o que se é para a partir daí buscar mudanças marginais.

PATRICIA M. disse...

Heitor, Chitaozinho e Xororo sao interpretes das frustacoes do povo? Qual frustracao? A de corno?

Blogildo disse...

Caramba! Eu fique concentrado nas construções e nem percebi o oceano ao fundo. Foi mal! Sempre fui péssimo em jogo dos sete erros. Rsrsrsr!

Catellius disse...

Vamos por partes...

Suzy Tude,

Obrigadão pela visita. Não sabia que você era arquiteta. Que legal! Mande-nos mais exemplos, claro. Não quis encher o post com eles, por isso restringi-me à arquitetura católica atual brasiliense. Sobre Lúcio Costa ter projetado um espaço propício à discriminação, antigamente, no Rio, meia dúzia de gatos pingados ruidosos tumultuava a Rua do Catete. Já na imensa Esplanada dos Ministérios, dez mil se parecem com meia dúzia de gatos pingados. E, como se não bastasse, as malvadezas criaram um lago em frente à rampa do Congresso Nacional, que ficou mais parecida com uma ponte elevadiça. Só faltaram os jacarés para espantar de vez os vassalos que, ousados, quiserem reclamar de algo para o senhorio...
Abração

André disse...

Não só isso, o Setor Militar Urbano está mais ou menos bem posicionado pra se encher a Esplanada e a Praça de soldados, sempre q tiver algum quebra-pau.

10 mil aqui não são nada mesmo. Só comida para os jacarés do futuro.

Heitor Abranches disse...

De fato, Patrícia esta questão do corno é mais séria para o homem que para a mulher. O homem pode criar o filho de outro enquanto a mulher não. E a música sertaneja sempre esteve ligada ao estilo de vida dos caminhoneiros e ao seu mais profundo medo...o de ser um corno trabalhador...Claro que isto não impede que muito deles sejam frequentadores de puteiros mas talvez isto apenas acentue o seu medo, o de que a 'sua' mulher seja como as putas que ele conhece.

Luisete disse...

Desculpem se, ao ser um tanto irônica nos termos do meu último comentário, levei alguns a entenderem que me referia a Higienópolis.

Me parece que, a classe baixa, com renda entre 1000 e 2500 reais mensais, não poderia bancar os custos de uma moradia em Higienópolis! E, salvo engano, se o salário do cidadão de classe média baixa estiver encostado na faixa de 1000 reais, ele não terá chance de pagar ingressos de museus. E, principalmente, seu contexto social, tão distante de bens culturais mais sofisticados, a escola pública de má qualidade ... vai ser difícil que venha a se interessar por valores tão distantes de sua realidade. Claro que há exceções mas, o tal caminho estreito de que falou o André, é, realmente, muito estreito ... Eu passei por ele mas, ainda agora, minha renda líquida (deduzidos os 1000 reais de plano de saúde, mais imposto de renda retido na fonte e mais a contribuição para a seguridade social) não permite muitas liberdades.

E devemos considerar que 68% da população brasileira sobrevive com renda inferior a 1000 reais.

Catellius disse...

Luisete,

Obrigado pela visita. Achei super válido tudo o que você escreveu, mas quero comentar uma ou outra passagem.

“nunca visitei um museu ou uma exposição. Afinal, a classe média baixa trabalha duro”

Acho que é uma questão de escolha. Muito mais pobres do que seria esperado são voluntários, enquanto outros sem tantas privações gostam de alardear, na fila da lotérica, de preferência, que quando ganharem dinheiro ajudarão o próximo, mas por enquanto não dispõem de tempo e recursos. Se não estão ajudando um pouquinho agora, possivelmente nunca ajudarão.

“A obra de arte, por sua natureza perene...”

Existe obra de arte efêmera. A questão talvez seja definir o que é obra de arte e o que é artesanato. Quase tudo o que se faz no ritmo de samba é artesanato, embora existam incontáveis sambas que são obras de arte. O mesmo pode se dizer em relação ao rock’n roll, ao forró e à própria música dita clássica. Hoje só está disponível nas prateleiras de CDs a nata da nata da produção musical entre os anos de 1400 e 1900. Mas na época de Mozart, o que mais se podia encontrar eram artesãos de música clássica. Muita fórmula e pouca inspiração. Martin y Soler, quase tudo de Salieri, muita coisa do próprio Mozart, de Rossini, não passam de artesanato.

“...nem todos aderem e se prostram para idolatrar americanos e europeus, nem todos têm vergonha de ser latino, e brasileiro.”

Os italianos, franceses, espanhóis e portugueses são latinos e europeus. Ser brasileiro é ser europeu, americano, africano, índio. A goma de mascar, o cigarro (cachimbo), o jeans, o tênis (mocassim) , o “pop corn” e tantas outras coisas “yankees” são indígenas. O colonial brasileiro é mais europeu do que indígena e africano, o nosso idioma é europeu, apesar de alguns vocábulos não serem. Não havia Brasil antes dos europeus chegarem aqui, ainda que existissem várias nações indígenas. Somos um dos braços da civilização ocidental; não há sentido em querer rejeitar a cultura européia. Do mesmo modo, não há sentido em renegar a capoeira, o samba e o acarajé porque têm origem africana ou o chimarrão porque é indígena.

“...Niemeyer tem o mérito de criar uma escola, um estilo, num tempo em que ainda era moda (e ainda é) copiar a Europa”

Lamento desapontá-la, Luisete, mas a obra de Niemeyer e Lúcio Costa é mais européia do que qualquer coisa, fortemente inspirada pelos ideais do suíço Le Corbusier. Prédios baixos sobre pilotis, combogós, brises, vias com tesourinhas, grandes espaços públicos áridos, modulação, padronização, setorização, linhas retas cortadas por curvas ocasionais, ornamentos de esculturas modernas, concreto aparente moldado esculturalmente- tudo isto veio de Le Corbusier, Gropius (veja um prédio da década de 20), Mies van der Rohe (veja o pavilhão da Alemanha de 1929) e inúmeros outros, de nenhum brasileiro, apesar do Niemeyer insistir que sua inspiração é o barroco brasileiro, as curvas das mulheres e de nossas montanhas. O próprio Lúcio Costa é francês, filho de brasileiros. Os prédios atuais do Niemeyer, completamente envidraçados, são típicos de lugares frios, onde a irradiação solar é mais do que desejada. A arquitetura por aqui sempre trabalhou com poucas aberturas e paredes grossas, muita árvore, praças verdes. O Niemeyer, mais uma vez lamento decepcioná-la, é sim um subserviente do modernismo europeu, uma réplica do artista europeu da década de 30, um típico egocêntrico moldador do resto da humanidade, utópico, que por lá morreu junto com o fascismo. O problema, para variar, é que o brasileiro costuma copiar e idolatrar o que o americano e o europeu têm de pior.

“...o mundo capitalista é assim, estruturado em classes segundo o poder aquisitivo.”

Não só o capitalista, mas o indiano, o socialista, o dos reis absolutistas, o do império romano, e absolutamente todos os demais foram e são divididos em classes, infelizmente. Devemos lutar para que todos tenham as mesmas oportunidades, para que as diferenças sejam pequenas. Mas extratos sociais sempre existirão, de um jeito ou de outro.

“Gosto do despojamento, quanto menos, melhor. Se é mau gosto, que me perdoe o Catellius rsrsrsrsrrse.”

Sou um fanático pela obra de Mies Van der Rohe, um verdadeiro minimalista. Essas coisas que você mencionou, como a N. Srª de Guadalupe, realmente não me agradam. Mas eu perdôo você, he he.

"Afinal, há quem acredite (...) em sociedades pretensamente igualitárias"

O que é uma sociedade igualitária? Igualdade de oportunidades, imagino. Porque a igualdade de per se não é desejável. Dentro de uma mesma família vemos um irmão vivendo no limite e outro muito bem de vida, mesmo tendo tido as mesmas oportunidades. Existem diferentes capacidades, aptidões, diferentes níveis de dedicação, diferentes escolhas.
Abração!

Mulher de Camioneiro disse...

Heitor, o comentario sobre camioneiros e cornos foi uma das coisas mais fora de proposito que li. E preciso ser um mentecapto cheio de manguaca para produzir essa filosofia.
"Claro que isto não impede que muito deles sejam frequentadores de puteiros mas talvez isto apenas acentue o seu medo, o de que a 'sua' mulher seja como as putas que ele conhece"
Fala Serio!!

Catellius disse...

C. Mouro,

"Nos velhos tempos era fácil fazer coisas dispendiosas, que demandassem tempo e mão de obra. Afinal, servos nada custam (custam pouco). Assim, a igreja ou mesmo o Estado podiam se dar ao luxo de mandar fazer o que lhes aprouvesse sem nenhuma preocupação."


Nada mais correto. E imagine que a maioria daquelas grandes obras era feita de pedra. O Farol de Alexandria, construído por Alexandre Magno em 290 a.C., atingia 200 metros de altura, o equivalente a um prédio de 70 andares. Rampas espirais com mão e contra-mão permitiam que centenas de carros-de-boi levassem dia e noite para o alto a madeira a ser consumida na imensa chama potencializada por dezenas de placas de bronze polidas e cuja luz atingia mais de 50 km. É, no séc. XXI uma torre de 1001 metros como a que estão subindo no Kuwait não fica tão surpreendente se a compararmos aos feitos da antiguidade! E sem os "servos oprimidos pela sociedade capitalista" imperialista macedônica isto não seria possível.

"...massa é aquilo que toma a forma que lhe dão, até de gabar-se de ser massa..."

E dá-lhe Nietzsche! Lembra-me a bem intencionada Regina Casé que, apesar de fazer denúncias aqui e acolá, queria vender o "estilo favelado" como uma opção estética e não como uma limitação. Se não me engano, o reacionário mas lúcido Reinaldo Azevedo escreveu algo sobre o assunto tempos atrás.
Abração

PATRICIA M. disse...

A Regina Case eh o cumulo da pobreza de espirito reinante no Brasil...

André disse...

Regina Casé já foi engraçada, mas essa sua encarnação atual cansou. Toda essa mística de q a periferia é o q há de melhor ou de q a “verdade” estaria nela...

Quer dizer q o Niemeyer acha q foi ele quem começou isso tudo? Típico.

“um subserviente do modernismo europeu, uma réplica do artista europeu da década de 30, um típico egocêntrico moldador do resto da humanidade, utópico, que por lá morreu junto com o fascismo.” Concordo.

And, by the way: Nietzsche rules... always!

Luisete disse...

Quando falei da minha origem, classe média baixa, foi somente para antecipar a limitação que teriam os meus comentários frente ao tema arte e, principalmente, à discussão sobre estilos arquitetônicos, assunto bastante específico. Mas, de modo algum pretendi me gabar de ser ignorante, como insinuou o C Mouro quando comentou o meu comentário, até porque, não sou.

A idéia não era debater sobre a condição que a classe média baixa tenha, ou não, de frequentar museus!!!!!! E tampouco de me justificar, ou me explicar, por não frequentá-los.

Entretanto, como fui interpelada, por ter falado sobre essa minha limitação, criou-se um debate paralelo.

Fazer escolhas, diante de um bom leque de possibilidades, vai muito bem. Mas o cara de classe média baixa que está na fila da loteria com um reles trocado, tem um universo limitadíssimo e informações passadas pela TV.

E, em momento algum, defendi sociedade igualitária. Vou copiar e colar o que eu escrevi:

Os seres humanos não são iguais, cada um tem seus desejos, sua história, seu psiquismo... seu modo próprio de compreender a realidade objetiva.
Então, como conceber uma sociedade com supressão das individualidades em nome de um bem comum? uma sociedade onde o estado determina a faculdade que eu devo cursar?

Quando falei em latinos estava me referindo aos latinos da América. A colonização deixou suas marcas e se nossas classes dominantes eram, inicialmente, formadas por elementos da aristocracia européia (de origem latina), o efeito inegável é esse mesmo: copiar, por belo, o que vem de lá e renegar, por popular e feio, o produto nascido aqui, a partir da integração de vários elementos culturais.

Constatar esse fato não é pretender renegar a herança do povo "a", do povo "b" ou "c". E você mesmo, Catellius, está afirmando que Niemeyer foi subserviente à Europa, portanto, está concordando com o que eu disse.

O fato de não frequentar museus e de ter origem na classe média baixa não fez de mim uma ignorante, não a esse ponto. Para minha sorte as escolas públicas, nas décadas de 60 e 70, eram boas e alí se aprendia a identificar os povos segundos suas origens.

Quando me referi à existência de classes sociais vinculando-as ao Sistema Capitalista a intenção era, exatamente, mostrar as classes como fenômenos sociais, elas existem e ponto. O Sistema do momento é o Capitalista. E não se está discutindo se presta pouco, se é melhor do quê... Não estou falando mal ...Repetindo o que respondo ao C Mouro: não adijetivei, não qualifiquei... mas há os fatos, as classes sociais existem, desde que a História pode registrar, elas não foram, portanto, inventadas por Lúcio Costa e por Niemeyer, o Plano Piloto não é responsável por essa segmentação que existe em quase todas as sociedades, antigas, medievais, não importa quando e onde. Foi o que eu procurei explicar.

É difícil debater quando se procura atribuir intenções e viéses ao que se escreve, é cansativo. Com o pessoal da esquerda, é a mesma coisa. Perde-se tempo com bobagens e,por isto, vale concluir repetindo o C. Mouro que viu somente bobagens nos meus escritos:

"Enfim, todos podemos dizer bobagens, mas que não nos ocorra de dize-las sem compreende-las.
Nada é tão fácil quanto repetir frases ou slogans que,de tanto serem repetidos, tornaram-se "verdades" - no sentido de consenso e não de realidade."


Se eu não tivesse dito, de início, que nunca frequentei museus, será que teria sido interpelada de maneira tão pouco delicada?

Catellius disse...

Grande Heitor,

Finalmente discordamos feio! Você acredita que em dois séculos seremos mais bem representados por Júlia, Bianca e Sabrina do que por García Márquez e Patrick Süskind?

"Afinal, estes são intérpretes das frustrações do povo de um tempo. Acho que isto define a cultura popular... Ela reflete os anseios profundos de um povo."

Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, A Idade da Razão, de Sartre, Aida, de Verdi, encomendada para a abertura do Canal de Suez, o último movimento da Nona Sinfonia de Beethoven, escolhido como Hino da Europa unida após três mil anos de disputas sangrentas, talvez se enquadrem em algum anseio "profundo" de um povo em uma determinada época. As óperas de Wagner também, pois têm relação com o nacionalismo alemão e a unificação dos povos germânicos pouco antes da 1ª guerra, as óperas de Verdi com a unificação italiana e a luta contra a dominação austríaca, a Renascença e suas pinturas e esculturas, os escritos de Schopenhauer, Hume, Bacon e Nietzsche, Shakespeare.

Nunca colocaria "Chitãozinho e Xororó" e "profundo" na mesma frase, mesmo que separados por um "não" em letras garrafais, pois até ao negar algo significa que construímos primeiro em nossas mentes a possibilidade - e garanto que nem como possibilidade remota tal idéia é digna de existir, he he. O mesmo se pode dizer de Eminem e sua metalinguagem pobre, seus raps sobre rappers, sobre sua patética vida, a música construída sobre a carniça de outras melodias, no que se convencionou chamar de "sample" (acho que é isso). É quase o mesmo que dizer que em duzentos anos falaremos sobre o BBB7, enquanto o filme Ben-Hur estará totalmente esquecido. Torço para que um meteoro destrua a Terra antes disso, he he.

Abração

C. Mouro disse...

Cara Luisete,
você não entendeu o que eu disse. Eu não fiz uma má interpretação do que você disse. Eu apenas apontei que há frases, slogans, bordões e etc., os quais a maioria repete sem ter noção do que está falando. O marxismo é pródigo nisso, alías é puro marketing, até nos "santinhos" de Che; esse tipo de coisa faz parte das idologias. Bem como a repetição de mantras.
Você mesma repete frases, bordões, slogans, sem ter uma perfeita noção do que está afirmando, e foi você que fez a defesa do bordão, do slogam, como "aquilo que é do povo" (não com essas palavras), como se não importassem os fatos mas apenas a anuência popular. Foi o que você disse, defendeu.
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Não é minha intenção ser indelicado, é apenas uma constatação. Por exemplo essa estória de "classe", talvez você não entenda tão definitivo quanto Marx fez crer. As classes são mero arbítrio na escolha de uma característica para agrupar indivíduos e fazer-lhes referência. Ou seja, eu entendo que existam classes apenas teoricas e classes práticas. As proimeiras são mero arbítrio na escolha de determinadas características para "agrupar" indivíduos dispersos, já a segunda é um grupo real, que age organicamente. Ou seja, a burguesia nunca foi classe prática, e isso foi mais uma empulhação marxista. Mas é o aspecto marxista que é entendido quando algué fala em classe. A coisa é tão tola, as aberrações marxistas são tão absurdas que o próprio concebeu para tentar escapar do ridículo com outro ridículo: a "lógica de classse", caso este onde a lógica não tem lógica. Não há "consciência de classe" nas classes teóricas. Contudo aqueles que vivem do que o Estado usurpa, pela força, da população que trabalha e produz, estes sim, tem uma certa "consciência de classe" e atuam corporativamente, já que seus interesses não são difusos nem concorrentes: todos vivem do que é usurpado dos que trabalham e produzem, e nada lhes pode ser tirado porque vivem unicamnte de tirar dos outros, dos que produzem - quem vive de receber impostos não paga impostos.
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Não se trata de indelicadeza, mas de expor uma realidade. A coisa funciona mais ou menos conforme a experiência de A. Sokal. Antes de tomar conhecimento dela, eu já tinha feito um textinho a título de troça para com os marxistas, onde eu apenas fui escrevendo palavras sem fazer sentido algum, apenas um besteirol com as palavras dos marxistas, eu dei o título de "A praxis enquanto dialética....". Esse papo de classe dominante e blá blá blá, é bobagem pois a forma com que é dita faz pensar que a CLASSE governante não tem interesse próprio, sendo manipulada por "ganaciosos capitalistas malvados", de modo que se precisa trocar os representantes "do capital" pelos "representantes do povo", "do social". Isso é um besteirol, pois classe dominante é a classe estatal, pois sem a anuência desta ninguém governa. Nenhum ditador se faz obedecido se não der privégios à hierarquia estatal. A tal burguesia se une àqueles a quem não pode derrotar. A classe dos políticos, sindicalistas e todos mais que se beneficiam do Poder estatal, é a classe estatal. Sempre defenderão o Poder contra o traqbalho, pois vivem do Poder e não do trabalho. O poder quanto mais dividido maior, quantos mais acharem que o Poder os benefica, mais Poder os poderosos terão.
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Enfim, classes práticas são apenas aquelas que vivem do Poder, não as quevivem do trabalho. Contudo, o besteirol marxista é repetido por quem nem mesmo consegue entender o que está falando, resumindo-se a repetir mantras estapafúrdios, frases de efeito, slogans, bordões , palavras de ordem e tudo mais que lhe incutiram na mente através da repetição. Aliás, há algum tempo eu descobri que já houve até uma pesquisa sobre questão relacinada, que é algo como a "moda". Há quem queira estar na moda para estar "IN" e muitos repetem coisas que não sabem explicar também apenas para seguir a "moda" ou o senso comum consagrado. enfim, muitas são as questões, e eu apenas tenho a pretensão de chamar a atenção para as que eu reconheço, a fim de provocar reflexão e não mágoas ou beicinhos. Pois eu mesmo, certa vez na faculdade falei algo apenas por "estar no ar" e alguém apontou isso, e imediatamente eu percebi e aceitei, eu não me magoei, ao contrário eu procurei me corrigir.
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Está logo demais...
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Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Ah! o que os tais "burgueses" mais faziam era recorrer ao governo para cercear outros "burgueses". Regras idiotas eram criadas, defendia-se monopólios até privados. Ou seja, "burgueses" atrapalhavam "burgueses", não queriam concorrentes, e nem todo burguês era um ricaço, muito menos todo burguês influencia no governo. Só tolos podem entender os empresários como uma classe corporativa. Afinal, empresário recorre ao governo patra prejudicar seu concorrente.
Aliás, o próprio Marx era pareceiro e patrocinado por um rico industrial. Certamente não era o único "burguês capitalista" a apreciar a politicagem marxista.
A preocupação com a concorrencia pode fazer um burguesão preferir ser um membro de uma nomenklatura socialista. ...é muito melhor, não só pelo dinheiro fácil, mas também pela posição numa sociedade hierarquizada.
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Sem socialismo não há sociedade hierarquizada, a posição na hierarquia estatal não reflete padrão material.
As idéias socialistas são de fato aristocráticas, querem hierarquizar a sociedade. Acaba que os donos do estado se tornam os unicos donos de tudo, pois a propriedade é restrita, apenas a classe governante passa a ser proprietária, pois só ela arbitrará sobre todos os ben.

Enfim
Um abraço
C. Mouro

C. Mouro disse...

É, realmente Nietsche foi no ponto certo: os valores humanos, demasiado humanos, que estão sempre para além do bem e do mal. Mas, apesar disso quem sabe se na tragédia não surge uma aurora?
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Outros bem se dedicaram ao assunto, mas Nietzsche foi mais fundo e identificou claramente. Porém, isso não significa que tudo que falava era o certo. Era uma boa arvore com bons frutos e boa sombra, mas tinha lá seus espinhos, que não aqueles que salafrários apontam.
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Enfim, amar a liberdade não é para qualquer um, mas "a servidão, essa sim, degrada tanto o homem que é capaz de fazse-lo ama-la" com extrema facilidade.
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Reaçlmente é dificil é escapar de Nietzsche, afinal a verdade é uma só; e o sujeito era muito bom, entendia de ser humano, mas resolveu denunciar em vez de aproveitar.
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Forte abraço
C. Mouro

André disse...

Como caímos: nos anos 50, interior de SP, gente da minha família, q era pobre, estudou até latim na escola. Sem falar no currículo muito bem estruturado e muito mais sensato do q o de todos esses “graus” de demência massificada em q as escolas foram divididas mais tarde.

“Aida, de Verdi, encomendada para a abertura do Canal de Suez, o último movimento da Nona Sinfonia de Beethoven, escolhido como Hino da Europa...” Hoje, se abrirem alguma comporta, vai ser a do Dilúvio cultural. E a Europa vai terminar em rap.

Chitãozinho e Xororó deveriam abandonar a música e se dedicar ao seu excelente negócio, o Montana Grill. Se fizerem isso, viro fã carnívoro deles.

Acho Ben-Hur e certos “opereteiros” da música clássica puro kitsch (um brega clássico). Mas é só uma questão de gosto — e calma, o mundo não vai terminar em besteirol e selvageria, como achava Ortega Y Gassett.

O livro de Sokal e Bricmont é ótimo.

Nietzsche foi fundo demais. Infelizmente, não dá pra viver de acordo com suas idéias e padrões — aliás, com as de nenhum filósofo. Se tentasse fazê-lo, já teria endoidado e metido uma bala na minha cabeça há muito tempo. Ainda assim, ele era uma cabeça admirável. E não é por não ser factível que algo não é útil. Mais ou menos por aí...

Luisete disse...

C. Mouro,

Fica tranquilo, eu não fiz beicinho, o botox não deixa ah ah brincadeirinha, classe média baixa não tem grana para fazer botox.

E, olha, resumindo: no comentário em que me referi a outro "bórdão", "odeio rótulos", disse que rótulos servem para classificar pessoas, objetos, situações ... que é uma necessidade de organização do pensamento ...Afinal, é preciso dar nome aos bois. Assim, também, classes sociais, classe dominante, a que detém o poder político e econômico, a que tem supremacia em uma sociedade. Não vejo problemas no uso da expressão, aqui, quando posto comentários em um artigo que trata de "menos poder ... menos arte". Não estou falando de marxismo embora use um "bordão" de comunistas: classe dominante; se você preferir, pode ser patriciado, como está na moda dizer. Você não falou em modismos?

Se eu estivesse diante de uma banca examinadora, defendendo uma tese de mestrado, doutorado, pós, pós da pós ... cuidaria das expressões para que elas traduzissem objetivamente, cientificamente, a idéia defendida. Mas, aqui, é um tanto pernóstico insistir que certas expressões devam ser usadas com a mesma conotação que elas têm no mundo acadêmico.

Tenho um blog profissional (administração pública e controle interno) com o objetivo de divulgar assuntos específicos. Seria bastante imcompreensível de minha parte se eu cobrasse de leitores e comentaristas que usassem com precisão expressões típicas da minha área. É totalmente desnecessário para o fim a que me proponho.

Aqui, neste Blog, pode ser que a visão seja outra. Não sei, vocês frequentadores mais antigos, é que sabem.

Catellius disse...

Cara Luisete,
Quem sou eu para exigir o que quer que seja, ainda mais quando pessoas inteligentes como você, o C. Mouro e tantos outros se dignam a escrever por aqui? E este blog não possui nenhuma visão, acho, he he. O Mouro tem a dele, eu a minha, você a sua, e cada um a coloca de seu modo, irônico, impaciente, cuidadoso. Eu, particularmente, prefiro o modo cuidadoso em alguns casos, irônico em outros, principalmente com os tais "petralhas" e outros anônimos papa-hóstias (he he). Eu e o Heitor discordamos de muita coisa a respeito de religião e, pelo visto, de arte. Mas respeito muito sua opinião (menos sobre Chitãozinho, he he).
Tenho sérias limitações em política, por isso acho que tenho aprendido bastante com as discussões por aqui. Neste caso, a confusão foi interessante porque demandou que novas explicações e novas informações viessem à tona, apesar das farpas.
Um abração e não deixe de comentar e "pugnar" por aqui. Todos são anônimos, mesmo os que criaram um perfil com foto, então a única coisa que vale é o que está escrito, a argumentação. E agressões de anônimos não doem tanto...
Um grande abraço!

André disse...

Não se preocupe, Luisete. Certezas e convicções não são muito boas. Um pouco de Nietzsche.

"Convicções são inimigos da verdade mais perigosos que as mentiras."

Quanto aos anônimos e demais revoltadinhos:

"Pode-se falar muito adequadamente e, no entanto, de maneira que todo o mundo grite o contrário: isso ocorre quando não se fala para todo mundo..."

Quanto aos crédulos, pernósticos e arrogantes:

"As explicações místicas são tidas por profundas; na verdade, elas não chegam a ser superficiais."

"Quem sabe que é profundo, busca a clareza; quem deseja parecer profundo para a multidão, procura ser obscuro. Pois a multidão toma por profundo aquilo cujo fundo não vê: ela é medrosa, hesita em entrar na água"

"Ele é um pensador: isto é, ele sabe como ver as coisas de modo mais simples do que são."

"Aquele que busca o espírito não tem espírito."

Quanto aos conscienciosos:

“É mais conveniente seguir a consciência do que a inteligência, pois a cada fracasso a consciência encontra uma desculpa e propicia algum encorajamento. Por isso há tantas pessoas conscienciosas e tão poucas inteligentes.”

Quanto a algumas atitudes necessárias e cuidados:

"Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você."

"Quanto mais alto nos elevamos, tanto menores parecemos àqueles que não conseguem voar"

************

Quanto ao mundo:

The best lack all conviction; while the worst are full of passionate intensity.

Os melhores não tem convicção alguma, enquanto os piores estão cheios de intensidade passional.

Yeats

E, finalmente, quanto ao tempo:

Sonnet 60

Like as the waves make towards the pebbled shore,
So do our minutes hasten to their end;
Each changing place with that which goes before,
In sequent toil all forwards do contend.
Nativity, once in the main of light,
Crawls to maturity, wherewith being crown’d,
Crooked eclipses ‘gainst his glory fight,
And Time that gave does now his gift confound.
Time does transfix the flurish set on youth,
And delves the parallels in beauty’s brow,
Feeds on the rarities of nature’s truth,
And nothing stands but for his scythe to mow.
And yet to times in hope my verse shall stand,
Praising thy worth, despite his cruel hand.

(Assim como as ondas vão em direção à costa,
Nossos minutos também se apressam rumo a seu fim;
Cada um assumindo o lugar daquele que vai antes dele,
Em um trabalho árduo que tudo sustenta.
O nascimento, que uma vez foi um mar de luzes,
Se arrasta para a maturidade, onde é coroado,
Combatendo com seu brilho eclipses pérfidos,
E o Tempo, que deu, agora aniquila seus presentes.
Ele petrifica os floreios da juventude,
e desenha linhas paralelas na face da beleza,
Se alimenta das raridades da natureza verdadeira,
E nada resta que não seja abatido por sua foice.
Ainda assim por muito tempo meu verso permanecerá,
Elogiando seu valor, apesar de sua mão cruel.)

André disse...

Esse último é de Will Shakespeare

Catellius disse...

Bravo, André
O Heitor deve publicar um novo texto, mas a discussão continua por aqui.
Abraços

PATRICIA M. disse...

Andre pegou seu dicionario de citacoes e copiou metade aqui... :)

Heitor Abranches disse...

Eu tenho um ex-amigo que gostava de designar a turma da turma da classe média como a classe média esforçada...Este pessoal é o sal da sociedade e da democracia. Os pobres são baratos demais, qualquer Bolsinha Família vc compra eles. Os ricos são sofisticados e não convencionais demais. Resta a maldita classe média com sua ética do trabalho, do estudo e seu horror a instabilidade. Os membros dessa classe são por natureza burgueses conservadores a menos que sejam alienados na acepção marxista.

Bocage disse...

Carniça de outras melodias...
Mágoas ou beicinhos...
Dicionário de Citações...
Ex-amigo...
Este blog está ficando do jeitinho que eu gosto, rsrsrs

C. Mouro disse...

Bravíssimo, André!

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Ah! em qualquer país o maior poder econômico é o governo, o poder político fica dividido com a mídia, embora o poder da força seja também do governo que junto com o poder econômico controla a mídia. Portanto em todo lugar o maior poder é do Poder.
Difícil imaginar uma rebelião, uma insubordinação. Foi-se o tempo em que isso era possível. Rebelião agora só para aumentar o Poder da hierarquia estatal e seus agregados.
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Classe dominante de verdade sempre foi a classe estatal. É tolice imaginar que a hierarquia estatal não se faça uma classe prática com interesse próprio. Só mesmo em cabeças com cérebros lavados pelo marxismo tal tolice é possível.
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Basta alguns segundos de reflexão para perceber que a hierarquia estatal não existe para defender esta ou aquela "classe" (prática ou teorica), mas ela mesma se faz uma classe prática, corporativa, parasitária e moralmente podre enquanto (...hehehe!) "ser coletivo" - não conhece limites para a baixeza: tudo pelo Estado, tudo para o Estado, nada sem o estado.
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A grande sacada foi o marxismo criar uma moral para amparar a falta de ética da classe estatal. Pois, mais do que qualquer apelo material, o sucesso marxista foi mesmo o de simular uma moral, uma pretensa justiça. Isso foi tão evidente que a omissão a esse respeito conseguiu fazer algo tão sólido desaparecer no ar.
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O maior apelo de Marx eu considero o apelo psicológico e não o material. Ele foi lá manipular a vaidade dos imbecis, dos recalcados, dos fracos, dos inseguros, daqueles ansiosos por seguirem uma moda, sobretudo se esta vai de encontro a sua conveniência, em busca do consolo de um "asinus asinus fricat".
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Me perdoe a observação, cara luisete, mas a riqueza de slogans e frases marxistas no seu texto é espantosa. Mais parece a Marxilena Chauí.
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Abraços
C. Mouro

André disse...

Essas citações estavam em dois ou três arquivos do Word. Sorte minha, pq se fosse procurar nos livros... elas cobrem uns cinco ou seis de Nietzsche.

André disse...

“Classe dominante de verdade sempre foi a classe estatal.” É isso aí, C. Mouro, em qualquer lugar.

O que vai acontecer com essa TV “pública"? Vai acabar sendo aparelhada pelo PT e servindo ao partido eternamente, pouco importa quem venha a governar o país. Uma gastança de 250 mi por baixo, claro, sem os superfaturamentos.
A imprensa, a séria e até a q nem é tanto assim, vai cair em cima do Franklin Martins, vai ser a maior guerra. Lula adoraria fazer as coisas q Chavez faz, mas sabe q não pode, porque por mais zoneado q esse país seja, não é uma Venezuela. Então se sai com essas tentativas autoritárias. Acho q vai ser mais um canal estatal q ninguém vai ver, o q é bom. E ruim, pelo dinheiro jogado fora. Mas todos esses riscos apontados no texto existem. E há um alto risco do Lula voltar depois do próximo presidente. Isso se ele não vier a ser o próximo.


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Chavez e as AK-47: há pouco mais de um ano, Chavez fez um tour mundial de propaganda, com nenhum resultado prático. Ou quase. Comprou um monte de armamentos na Rússia, mas coisas q de nada valem nas mãos de forças-armadas pobres, mal treinadas e com uma capacidade de prontidão operacional (q é tudo numa força) ridícula. P. ex., uns 30 caças Sukhoy SU-30 e alguns blindados modernos. Mas fez uma coisa inteligente: conseguiu uma licença da Kalashnikov pra montar uma fábrica de armas de fogo na Venezuela, especialmente os Automatsyia Kalashnikova, Modelo de 1947, os fuzis AK-47. Um negócio barato, fácil de implementar e altamente lucrativo. Linhas de montagem de pistolas e metralhadoras também podem entrar em atividade em poucos meses. As munições, 7.62 mm, sairão da mesma fábrica, sobre a qual o governo mantém todo o segredo. Não é difícil imaginar nas mãos de que grupos de revolucionários e “empresários” latino-americanos essas armas vão parar.

Luiz disse...

Pois é, esses novos templos são horríveis. Aquele São Miguel Arcanjo lá perto de casa parece o Homem da Meia Noite dos carnavais de Recife. Já viu?

Só uma coisa: não entendi por que do "artificial" para adjetivar Os Lusíadas do meu xará de Camões.
Foi uma crítica?

Acho a obra lindíssima e a releio de quando em vez. Nela se passa a melhor suruba de toda a literatura universal.

Outro dia reli a parte quando o Velho do Restelo paga geral pra armada do da Gama antes de zarpar. Sabão que tá valendo até hoje, aliás!


PS: O tadinho do Caetano foi exilado porque o regime achou debochada a maneira como ele cantou o hino nacional numa boate.
Ele jura até hoje que cantou com o coração...

Abração

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